Yacy e Yara Sá: conheça as gêmeas que estão conquistando o mundo da moda

Elas nasceram e cresceram em São Luís, no Maranhão, e trilharam uma vida acadêmica até os 30, quando então decidiram seguir carreira na moda – caminho muito diferente da maioria das modelos, que começam nos editoriais e passarelas aos 15, 16 anos. Em sua primeira capa de revista, Yacy e Yara Sá contam sua história, falam da importância da representatividade na indústria e mostram as peças das coleções internacionais que acabam de chegar ao Brasil
BÁRBARA TAVARES

Na esquerda, Yara veste camisa, R$ 4.750, e saia, R$ 4.750, Prada. Na direita, Yacy usa vestido Prada, R$ 18.050 (Foto: Helena Wolfenson)

As aparências enganam no caso das gêmeas Yacy e Yara Sá. Embora idênticas fisicamente, têm personalidades bem distintas. Yacy é desinibida, nutricionista por formação e se emociona ao falar da mãe; Yara é mais tímida, se dá bem em exatas e é formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão, a mesma da irmã. “Crescemos com a responsabilidade de ser a geração da família a se formar na faculdade”, explica Yara.
Filhas da agente penitenciária – e costureira nas horas vagas – Maria Santana, as duas nasceram em São Luís, capital do estado. A cerca de 200 quilômetros dali fica Viana, cidade natal de Maria, que abriga comunidades quilombolas em sua extensão. “Nosso avô materno era carroceiro e nossa avó tinha a hortinha dela em casa, e ajudava vendendo as verduras e os legumes que plantava. Minha mãe teve uma infância bem pobre. Parte da área onde nasceu e se criou é remanescente de quilombos, por isso temos características físicas tão fortes, como nossa cor e feições”, conta Yacy.

Foi quando mudou-se para a capital, já adulta e mãe de seu primeiro filho, que Maria conheceu o pai das meninas, um eletricista industrial. Casaram-se e tiveram três filhas: a irmã do meio, hoje com 35 anos, e as gêmeas, de 33. “Nosso pai não se fixava em São Luís: viajava, quando uma empresa o admitia, para o Pará, para Recife, e assim foi rodando o Brasil. Por um tempo, mandava notícias e visitava a gente nas férias, mas depois ficava mais de um ano sem vir nos ver e não ajudava financeiramente. Nossa mãe era mãe e pai também, deu duro para nos criar e dar tudo o que tivemos”, lembra Yacy.

Na infância, a rotina da mãe que trabalhava três dias da semana como costureira, as influenciou a gostar de moda. “Pra gente, aquele era o momento de estar perto dela, de fazer as coisas junto. Crescemos folheando revistas, aprendemos a cortar molde de roupa, arrematar tecido, abrir costura… Tudo para tornar o trabalho dela um pouco menos cansativo.” Daí a decidirem seguir a carreira, porém, foram muitos anos e um longo processo de autoaceitação. “Quando adolescentes, a gente via as modelos nas revistas e nos comerciais e não se identificava. Tinha aNaomi [Campbell], mas ela tem aquele padrão europeu, cabelo alisado. Não enxergávamos beleza na gente. Por isso seguimos o caminho mais seguro: estudar muito, fazer faculdade, ter um emprego formal”, explica Yara.

“Quando adolescentes, víamos as modelos nas revistas e não nos identificávamos. Não enxergávamos nossa beleza””Yara Sár

Em 2017, de tanto ouvirem das pessoas que deveriam ser modelos e de verem uma mudança na indústria, Yacy conta que decidiram investir na carreira e procurar uma agência – depois dos 30, o que é uma exceção muito bem-vinda no mercado. “Começamos a perceber que a moda e a beleza estavam se diversificando e pensamos: ‘será que agora vão aceitar a gente?’. Nos últimos dez anos, quando mais mulheres negras passaram a ser protagonistas nessa área, passamos a nos notar, nos achar bonitas e até usar nosso cabelo natural”, completa Yara.

Yara usa vestido, R$ 9.500, sapato, R$ 4.700, choker, R$ 5.500, e colar, R$ 7.500, tudo Dolce & Gabbana (Foto: Helena Wolfenson)

A partir daí, o processo evoluiu como o da maioria das new faces: foram para São Paulo, assinaram contrato com uma agência, voltaram para São Luís para produzir material fotográfico enquanto aguardavam trabalhos e mudaram-se definitivamente para a capital paulistana no segundo semestre de 2018. No fim do ano, um presente para a mãe: estamparam o primeiro editorial de moda para uma revista, justamente aqui na Marie Claire. “Nossa mãe ia toda semana na banca perguntar se tinha chegado a revista. Ela a carregava na bolsa para cima e para baixo, mostrava para todo mundo e falava que eram as filhas dela, cheia de orgulho”, conta Yara. “A gente não tinha noção de que ainda podia realizar esse sonho, chegar aonde chegamos”, diz Yacy.

Yacy veste camisa Saint Laurent, R$ 5.400 (Foto: Helena Wolfenson)

Questão de idade

“Na indústria da moda, infelizmente, a beleza que se vende é a beleza jovem. Tem gente que diz que a carreira acabou pra gente, que vamos ficar só nisso, que já passou o momento de ‘acontecermos’ e, por isso, não vamos muito longe. Já aconteceu de ‘amigos’ que fizemos nesse meio se afastarem quando descobriram nossa idade. Parece que criaram uma expectativa de sermos top models internacionais e poderem dizer que são nossos amigos, mas se frustraram. Quem leva isso numa boa são outras modelos, nossas amigas”, diz Yara. “Nossa aparência é incompatível com a nossa idade, sabemos. Tanto que, na agência, ficaram surpresos com essa questão, não sabem como lidar com isso até hoje. Mas para sonhar não tem idade. Você pode sonhar enquanto viver, e viver para tentar realizar”, completa Yacy.

Yacy veste macacão, R$ 16.500, saia, R$ 12.500, cinto, R$ 6.300, sapatos, R$ 4.700, brincos, R$ 4.100, anel (na mão direita), R$ 2.050, anel (na mão esquerda), R$ 2.200, tudo Dior (Foto: Helena Wolfenson)

Resistência materna

“Nossa mãe sempre nos ensinou que, por sermos negras, tínhamos que mostrar nossa competência o tempo todo. Tínhamos que estudar e adquirir conhecimento para não sermos humilhadas pelas pessoas, nos provando a todo momento. No serviço, ela costurava as próprias roupas, sempre impecáveis. Os amigos de trabalho a chamavam de ‘nos trinques’, porque ela sempre estava belíssima. Ela conta que, na época, não existia farda para agentes penitenciários nem uniforme para presidiários e, no Maranhão, a maior parte da população carcerária é de preto e pobre. Um dia, quando foi escoltar uma detenta num julgamento, o juiz, branco, olhou e perguntou: ‘Quem é a presa?’. Isso a marcou muito, ela morria de medo de ser confundida só por ser negra. Por isso sempre orientou a nos vestirmos bem, falarmos bem”, diz Yacy.

“Por sermos negras, tínhamos que mostrar nossa competência o tempo todo para não sermos humilhadas pelas pessoas””Yacy Sá

Pretinhas calçadas

“A gente estudou em escola e faculdade públicas, tivemos uma infância pobre. Tentávamos de todas as maneiras ajudar em casa, economizando, trabalhando desde cedo. Nossos avós maternos criaram os filhos numa situação de precariedade. Minha mãe conta que, às vezes, não tinham o que comer, só arroz com farinha. Mesmo assim, nosso avô trabalhava duro o ano inteiro para poder comprar sapatos para os filhos no final, ver ‘todos os pretos calçadinhos’, como ele dizia. Isso porque, na época da escravidão, o que diferenciava o negro livre do negro escravo era se tinham sapato ou não, e aquilo era muito forte para ela. Tanto que, na nossa infância, a gente viu mamãe comprar muitos sapatos, tínhamos vários. Ela se preocupava com isso e dizia: ‘As minhas pretinhas estão calçadas, não são pretas descalças’”, conta Yacy.

Yara usa vestido Emporio Armani, R$ 15.000 (Foto: Helena Wolfenson)

Sobre representatividade

“Nós somos feministas. Passamos a conhecer mais sobre o movimento nos últimos cinco anos, quando vimos que mulheres negras estavam falando mais sobre isso. A Djamila [Ribeiro] é uma referência. A Chimamanda [Ngozi Adichie]… Ela escreve tão bem, fala de dores comuns a nós, negros. Entendemos a importância de buscar nossa ancestralidade, ter respeito pelas nossas origens, ser conscientes da nossa cor. E a Michelle Obama também. Mesmo não sendo no Brasil, a gente ficou na maior empolgação de ver uma família negra na presidência. A Michelle tem sabedoria, elegância, beleza. A assistíamos e pensávamos: ‘Nossa, é possível ter tudo isso e ser negra?’. É incrível enxergar, por elas, onde podemos chegar. Na moda, olhamos para Adut AkechMaria BorgesJeneil Williams. Elas são nossas inspirações”, diz Yara.

Yara veste blazer, R$ 28.290, calça, R$ 21.890, cinto, R$ 10.720, colar, R$ 35.550, e bolsa, R$ 13.890, tudo Chanel. Yacy veste tricô de cashmere, R$ 13.550, saia, R$ 55.850, lenço, R$ 8.110, e cinto, R$ 21.040, tudo Chanel (Foto: Helena Wolfenson)
Yara veste blazer, R$ 16.500, calça, R$ 6.200, e botas, R$ 5.450, tudo Giorgio Armani. Yacy veste macacão, R$ 49.000, e botas, R$ 5.450, Giorgio Armani (Foto: Helena Wolfenson)

MODELOS YARA SÁ E YACY SÁ / EDIÇÃO DE MODA: ANA WAINER / BELEZA MAKE VALE SAIG (RM MGT) COM PRODUTOS M.A.C  E SEBASTIAN PROFESSIONAL / BELEZA HAIR WELIDA COM PRODUTOS L’OREAL / PRODUTORAS DE MODA JULIANA SANTOS E JESSICA KELLY / ASSISTENTE DE BELEZA CLEITON COOPER / ASSISTENTES DE FOTOGRAFIA RENATO TOSO E RAFAEL FRYDMAN / PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN / TRATAMENTO DE IMAGEM HELENA COLLINY / AGRADECIMENTO 42 PARTNERS

Stephan Glathe Exclusively for Fashion Editorials with Nicole Meyer

Photography: Stephan Glathe at Rockenfeller & Göbels. Styling: Susi Bauer. Hair & Makeup: Julia Ziegler at Liga West. Model: Nicole Meyer at Fanjam Model Management.

Mesmo crescendo, uso do Apple Pay segue tímido nos EUA

Entre os americanos, o uso do cartão de crédito ainda reina na hora de ir às compras

Apple Pay foi lançado em 2014, e os quase cinco anos do serviço de pagamento móvel da Maçã podem ser descritos em apenas duas palavras: muita expansão.

Apesar de o crescimento ser significativo tanto no mercado americano quanto fora dele, ainda há muito chão para o Apple Pay (e os outros métodos de pagamento móveis), como visto em uma nova pesquisa divulgada pela CNBC.

O “obstáculo” para o crescimento do Apple Pay nos Estados Unidos não é nem a existência de plataformas concorrentes; afinal, o serviço da Maçã está entre os mais proeminentes. Na realidade, é o sistema de pagamentos móveis em si que não consegue decolar, principalmente no território americano (ficando atrás de outros países quanto à adoção desses serviços).

De acordo com os dados da CNBC, o método de pagamento mais comum nos EUA é o bom e velho cartão de crédito (80%), seguido por pagamentos em dinheiro (79%) e cartões de débito (59%). Os cheques físicos ficam em 4º lugar (53%), e só então aparece um dos primeiros métodos de pagamento online, o PayPal (44%). Com uma margem de diferença gritante, vem o Apple Pay, em 6º lugar, com 9% da expressividade.

Índice de pagamentos móveis nos Estados Unidos

Essa taxa baixa de adoção dos sistemas de pagamento móveis em geral nos EUA é ainda mais contraditória quando analisamos a “onipresença” de iPhones e Androids no país. Nesse sentido, mais de 81% dos americanos possuem um smartphone e, ainda que o futuro dos métodos de pagamento online seja promissor, a maioria dos usuários ainda vê mais vantagens nos métodos tradicionais.

Para se ter uma ideia do quanto a adoção desses serviços é baixa na terra do Tio Sam, os dados da CNBC mostram que os dois maiores métodos de pagamento na China são móveis: o WeChat, com 84%, e o AliPay, com 81%. Só então vem o dinheiro (64%), seguido pelos cartões de débito (54%) e crédito (52%); na China, o Apple Pay ocupa o 7º lugar, sendo responsável por 17% do total de compras no país (mais do que nos EUA).

Índice de pagamentos na China

Um ex-executivo do Samsung Pay atribuiu a timidez dos métodos de pagamentos móveis no território americano à falta de aceitação desse sistema por lá:

Os comerciantes precisam alcançar uma certa marca antes que os consumidores levantem a possibilidade de migrar totalmente para os sistemas de pagamento móveis. É preciso haver pelo menos 90% de aceitação para que até 1% dos consumidores mude de hábito.

Veremos se o Apple Cardlançado oficialmente na semana passada, conseguirá guinar a adoção do seu serviço “irmão” (o Apple Pay), nos EUA. Essa talvez seja a maior expectativa da Maçã, já que os dois serviços então intimamente ligados e o Apple Card, por sua vez, oferece uma série de benefícios que poderão atrair ainda mais clientes.

VIA APPLEINSIDER

Morre a atriz americana Valerie Harper, de ‘The Mary Tyler Moore Show’

Com sua personagem, Rhoda, ganhou uma spin-off para protagonizar
NOVA YORK | COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIA I Morreu nesta sexta (30) a atriz Valerie Harper, aos 80 anos.

A atriz Valerie Harper – Sam Mircovich/Reuters

Vencedora de quatro prêmios Emmy, Harper ficou conhecida pela sua personagem Rhoda em “The Mary Tyler Moore Show” e posteriormente em sua própria sitcom, uma spin-off que levava o nome da personagem.

O programa orginal durou de 1970 a 1977. “Rhoda” teve ​cinco temporada, de 1974 a 1978.

A morte foi confirmada ao New York Times pela filha da atriz, Cristina Cacciotti, que não disse qual foi a causa da morte. A atriz tinha câncer no cérebro.

Rhoda Morgenstern era a vizinha judia nova-iorquina da protagonista Mary Richards. Embora tivesse inveja da figura esbelta de sua amiga, a personagem não hesitava em se autoafirmar.

Questinada pela New Yorker sobre o porquê da personagem ser tão popular, Harper disse que o público “reconhecia Rhoda como real. Ela tinha problemas com a balança e era insegura. Era uma perdedora vitoriosa”.