Filme Yesterday mostra que, ainda bem, os Beatles não existem mais [ANÁLISE]

Nova produção dirigida por Danny Boyle é uma carta de amor ao Quarteto de Liverpool sem a presença de John, Paul, Ringo e George
PEDRO ANTUNES

Pôster de ‘Yesterday’, com Himesh Patel (Foto: Divulgação)

Yesterday é uma carta explícita de amor aos Beatles. Derrama doçuras a cada minuto, a cada referência, a cada música apresentada. Danny Boyle, o diretor, faz um trabalho artesanal de dedicar cada ângulo, figurino, escolha de palavras à Paul McCartneyJohn LennonGeorge Harrison e Ringo StarrYesterday, o filme dos Beatles sem os Beatles, é feito para adultos chorarem.

E também nos ajuda a festejar que os Beatles não existem nos dias de hoje.

E, calma lá, isso não quer dizer que a obra do grupo de Liverpool deveria ser esquecida ou completamente apagada da existência, tal qual na mirabolante história contada por Boyle no filme que chegou recentemente aos cinemas brasileiros. Longe disso.

+++ LEIA MAIS: Como caprichos e raiva destruíram os Beatles

Mas, antes, é importante entender do que trata Yesterday. O filme apresenta Jack Malik (divertidamente vivido por Himesh Patel), um músico frustrado que, depois de mais um show para meia dúzia de gatos pingados, decide abandonar a carreira artística. Até que ocorre um apagão em escala global (sem qualquer explicação sobre o seu motivo), ele é atropelado por um ônibus e, quando retoma a consciência, percebe que vive em um mundo no qual os Beatles realmente não existiram.

Boyle é inteligente e ágil a mostrar como Malik, aos poucos, descobre que uma busca no Google pelo nome da banda resulta somente em artigos científicos sobre besouros e percebe como a sociedade tem ligeiras diferenças da qual vivia até pouco tempo antes – talvez a melhor notícia do desaparecimento dos Beatles sejam também a inexistência do Oasis, mas isso é motivo para outro texto.

Malik decide, não tão benevolente quanto ele se engana a ser, gravar canções dos Beatles como se fossem dele. Em pleno 2019, ele canta músicas como “Back To U.S.S.R.”, criada quando ainda existia uma União Soviética, curiosamente. Também quebrou rachou o coco para lembrar todos os versos  da melancólica “Eleanor Rigby”, e viajou até Liverpool para se “inspirar” nos lugares reais retratados em canções dos Beatles, como a avenida Penny Lane e os Strawberry Fields e tal.

As músicas dos Beatles são apetitosas em qualquer momento do espaço e do tempo, por isso eles são considerados a maior banda de todos os tempos (guardem seus chiliques para depois, fãs de Led ZeppelinRolling Stones ou de qualquer outra banda gigante que também transformou o rock). Difícil, mesmo, é vê-las construídas e consumidas pelo tempo no qual vivemos

Sim, estou falando do estado da música – e, ei, esse não é um tratado virginal sobre como era o mercado nos anos 1960 ou coisa do tipo. Os Beatles só se tornaram os Beatles porque eles entraram no jogo, na máquina de fazer dinheiro, adotaram o pop antes de romperem com tudo na segunda metade da década. Fizeram toneladas de dinheiro (gastaram boa parte dele, também, é verdade, em péssimas decisões financeiras) e deram um novo tamanho para o fanatismo com a Beatlemania. Mas havia algo mais verdadeiro ali, de certa forma.

Em dado momento, mostrado no trailer e, portanto, não pode ser considerado spoiler, Ed Sheeran se intromete no processo de composição de Malik de “Hey Jude”. Por pressão do astro pop, da empresária toda-poderosa e da indústria, a canção se transforma em “Hey Dude”. Risos nervosos, eu sei.

Acontece que o mercado fonográfico passou por intensas transformações, principalmente na chegada da era digital, e nenhum (nenhum mesmo!) passo é dado dentro dessa indústria mainstream sem o apoio de time enorme de marketing, redes sociais, branding, entre outros termos pavorosos.

São cenas angustiantes nas quais Malik é questionado sobre suas opções de figurino (sempre inspirado nas roupas usadas pelos Beatles) ou tem as ideias dele para capa do álbum de estreia dilaceradas (também inspiradas em imagens icônicas, como dos discos Abbey RoadWhite AlbumSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e por aí vai).

Para quem perdeu a fé na honestidade da música pop, ver os Beatles dilacerados por essa indústria é aterrorizante, de fato.

Possivelmente, se fossem lançados hoje, os Beatles certamente não teriam alcançado o patamar atingido quando a banda chegou ao fim, em 1970. Provavelmente jamais teriam saído da fase inicial, de hits fáceis e de refrãos cantaroláveis sobre segurar a mão da pessoa amada.

O certo é que não existe – dentro dessa música pop mainstream, é bom sempre lembrar – a espontaneidade musical e artística, embora há quem acredite nela, tal qual acredita em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e no choro dos integrantes do BTS a cada novo show para estádios lotados.

O que Yesterday mostra é que os Beatles foram gestados por um momento muito específico da história, quando o rebelde e artisticamente arisco John Lennon montou sua primeira banda, formou uma parceria de vida com Paul McCartney e viu as chegadas do novinho George Harrison e do bom baterista Ringo Starr.

Os Beatles tomaram o mundo porque, explique como quiser, era o momento perfeito para a sua existência. O mundo (e os Estados Unidos) estava de braços abertos para a euforia inicial, abertos às experimentações, entregues às pirações estética-sonoras do fim.

É claro que há buracos em Yesterday na forma como o mundo é hoje sem a existência do Quarteto de Liverpool, porque a indústria não seria como a conhecemos se Paul, John, Ringo e George não tivessem passado aqueles anos 1960 juntos, fazendo música e brigando muito por elas também. Mas isso é fácil deixar passar, tudo bem.

Yesterday é uma emocionante viagem por um universo interessante no qual conhecemos parte dele, mas não completamente. Nele, não existe Coca-Cola, nem cigarros!, mas a vida segue praticamente igual à nossa. Cada nova música dos Beatles apresentada por Malik é um convite à descoberta de novos sabores para as mesmas. 

E a verdade é que a vida seria imensamente menos fascinante se os Beatles não tivessem existido e, suas canções, viessem de um cantor solo, amparado por um time de especialistas de comportamento de consumidores da música por streaming, cujo único disco solo une cronologicamente músicas “I Want Hold Your Hand” e “She Loves You” a “Nowhere Man” e “The Long & Winding Road”, como se fossem todas da mesma safra.

O mundo seria realmente terrível, mesmo, se os estádios cantassem, a plenos pulmões, “hey, duuuuude”.  

Katelijne Verbruggen for Marie Claire Netherlands with Nirvana Naves

Photography: Katelijne Verbruggen. Styling: Anouk Van Griensven at Ncl-representation. Hair & Makeup: Suzanne Verberk at Ncl-representation. Model: Nirvana Naves at Code Management

Cantora Ellie Goulding se casa com vendedor de arte em cerimônia luxuosa; veja fotos

Katy Perry, Orlando Bloom e Sienna Miller estavam entre os convidados da celebração em York Minster, na Inglaterra
AGÊNCIA – AP

Recém-casados Ellie Goulding e Caspar Jopling deixam a catedral York Minster, em York, na Inglaterra Foto: Danny Lawson/PA via AP

A cantora e compositora britânica Ellie Goulding se casou com o vendedor de arte Caspar Jopling em uma cerimônia luxuosa que contou com a presença dos amigos Katy Perry, Orlando Bloom e Sienna Miller.

Os dois se casaram no sábado, 31, em Yorkshire, Inglaterra, na catedral gótica de York Minster.

Goulding, de 32 anos, usava um vestido branco da Chloe. Ela parou em uma minivan Volkswagen azul adornada com flores para comemorar com seu longo véu sobre o rosto. Seus assistentes lutavam contra o vento que batia no vestido de gola alta e manga longa.

Ellie Goulding, de 32 anos, usava um vestido da Chloe
Ellie Goulding, de 32 anos, usava um vestido da Chloe Foto: Danny Lawson/PA via AP

Goulding e Jopling, 27 anos, que têm laços familiares na região, estavam noivos desde o ano passado.

Os fãs e curiosos se alinhavam em uma fila na rua que levava à catedral quando os convidados chegaram. Entre outras celebridades presentes estavam Sarah Ferguson e suas duas filhas, princesas Eugenie e Beatrice.

Ellie Goulding e Caspar Jopling estavam noivos desde o ano passado
Ellie Goulding e Caspar Jopling estavam noivos desde o ano passado Foto: Danny Lawson/PA via AP
Ellie Goulding se casou com o vendedor de arte Caspar Jopling, de 27 anos 
Ellie Goulding se casou com o vendedor de arte Caspar Jopling, de 27 anos  Foto: Danny Lawson/PA via AP
Os assistentes de Ellie Goulding lutavam contra o vento que batia no véu e no vestido de gola alta e manga longa
Os assistentes de Ellie Goulding lutavam contra o vento que batia no véu e no vestido de gola alta e manga longa Foto: Danny Lawson/PA via AP

Bilheteria EUA: Invasão ao Serviço Secreto, Bons Meninos, O Rei Leão, Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw, Overcomer

Sem grandes estreias na semana, Invasão ao Serviço Secreto se mantém no topo nos EUA

Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen)

Em uma semana sem grandes estreias, a bilheteria norte-americana mais uma vez foi dominada por Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen). O terceiro longa da série iniciada com Invasão a Casa Branca arrecadou US$ 11,5 milhões na sua segunda semana em cartaz, um valor 45% inferior ao da estreia, mas relevante o suficiente para mantê-lo na dianteira.

A comédia para maiores Bons Meninos, por sua vez, se manteve na vice-liderança. Protagonizado por crianças, entre elas Jacob Tremblay, o longa teve arrecadação estimada em US$ 9,1 milhões.

O Rei Leão Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw subiram uma posição cada. Enquanto o remake de Jon Favreau fez US$ 6,7 milhões, garantindo a terceira colocação, o derivado estrelado por The Rock e Jason Stathamsomou US$ 6,2 milhões, ficando na frente do drama religioso Overcomer.

Batwoman | Kate Kane se encontra como heroína em teaser inédito

Estreia está marcada para outubro
MARIANA CANHISARES

CW revelou um teaser inédito de Batwoman, série protagonizada por Ruby Rose. A prévia explica brevemente como a personagem Kate Kane assumiu o título da heroína.

Confira uma breve sinopse da nova série: “Armada com uma paixão pela justiça social e talento para falar o que pensa, Kate Kane (Rose) voa pelas ruas de Gotham como Batwoman, uma lutadora abertamente lésbica e altamente treinada para acabar com qualquer ressurgimento da criminalidade na cidade. Mas não a chame de heroína ainda. Em uma cidade desesperada por um salvador, Kate precisa superar seus próprios demônios antes de abraçar o chamado para ser o símbolo de esperança de Gotham.”

A estreia da série está marcada para 6 de outubro.

Casas projetadas por arquitetos renomados podem ser mais difíceis de vender

Localização conta mais, e falta de suítes e churrasqueiras desanimam cliente leigo, dizem corretores
Francesca Angiolillo

Vista posterior da casa; o óculo, janela de formato circular, propicia vista da praia a partir da sala Fernando Tomanik

​A paisagem da praia aparece emoldurada pela janela circular; o homem que a desenhou nunca esteve lá, mas, respaldado por um levantamento do terreno e por 50 anos de experiência, vislumbrou exatamente o mar de Ilhabela recortado pela obra.

A casa que Oscar Niemeyer (1907-2012) projetou para o designer Marco Antônio Rezende no fim da década de 1980 está a venda há aproximadamente um ano. 

Tem certo ar de fazenda, em parte pelo telhado, em parte pelo enorme terreno que a circunda, transformado por Burle Marx (1909-94) em um jardim que dá na areia. É o último projeto assinado em conjunto pela dupla —brigados havia já muitos anos, trabalharam por separado no projeto.

Mas não encontra comprador, mesmo que o designer já tenha baixado de R$ 6,9 milhões para R$ 4,3 milhões o valor pedido pela residência de 350 m² em terreno de 2.700 m². 

Casa desenhada por Oscar Niemeyer com jardins de Burle Marx em Ilhabela; residência está à venda Fernando Tomanik

“O fato de ser uma casa do Niemeyer com jardins do Burle Marx não faz muita diferença”, lamenta o proprietário. “Pessoas que se motivam não têm dinheiro para comprar.”

A fala de Rezende resume as peculiaridades de colocar no mercado uma joia arquitetônica. Vender uma casa com “arquitetura de autor”, como dizem os corretores, depende de encontrar, na outra ponta do negócio, uma ave rara.

É preciso que seja alguém com muito dinheiro e um amor tal por arquitetura a ponto de querer habitar um ambiente pensado para outra época e que, em muitos casos, não pode ser modificado, pelo projeto ou por tombamentos.

Rezende constata que hoje se “preferem casa com suítes, quartos e churrasqueira, todo um aparato de outra natureza”. A casa dele tem três quartos; só um deles é suíte.

“Eu sou uma pessoa espartana e o Oscar fez uma casa espartana. As pessoas preferem algo que aparente um nível social diferente”, afirma.

“A localização é sempre mais determinante que a assinatura”, assevera Nuno Janeiro. Em São Paulo há oito anos, o arquiteto português trabalha há cerca de três anos e meio com imóveis de alto padrão. 

Na imobiliária da qual é sócio, a Agulha no Celeiro, ele responde pela área da cidade onde está a única casa de Niemeyer em São Paulo. Fica no Alto de Pinheiros, zona oeste, uma das regiões mais valorizadas da cidade, tem cinco quartos e custa R$ 13,5 milhões. 

Nesse caso, o dono “pode chutar o valor que quiser”, pelo caráter único da residência. Ainda assim, seu valor por metro quadrado de área útil, cerca de R$ 15 mil, não difere muito do de outras casas vendidas na região, de arquitetos ainda vivos e produzindo.

Uma residência projetada por Marcio Kogan, que tem atuação internacional, pode ir de R$ 17.500 a R$ 25 mil por metro quadrado, diz Janeiro.

“Vendi duas casas do Ruy Ohtake há uns dois anos. Brutalistas, de concreto aparente, vidro. Uma delas por não mais que R$ 10 mil o metro quadrado, o valor de um apê bem legal no Itaim ou nos Jardins.”

Janeiro conta quase ter negociado a casa de Niemeyer recentemente. Mas a mulher do cliente, recorda, “sentia que estaria vivendo num museu”. 

A casa no Alto de Pinheiros tem elementos típicos da obra de Niemeyer; a planta é curvilínea, e uma rampa leva aos quartos, “uma suíte enorme com um closet gigante e duas suítes americanas [quatro quartos dividindo dois banheiros]”, descreve.

A dificuldade não vem da aptidão da casa para desejos atuais, mas, diz o arquiteto, de outro aspecto muito prezado por brasileiros, tanto ou mais que suítes: a segurança. 

“Quem tem R$ 13 milhões tem medo, e o nicho de pessoas que idolatram o Niemeyer é uma porcentagem ínfima.”

O metro quadrado chega a ser, assim, mais baixo do que o de outras casas comercializadas pela firma de Janeiro na região —sem assinatura, mas em condomínios. Apartamentos também costumam ter saída mais fácil do que as casas.

A arquiteta Camila Raghi é sócia da Refúgios Urbanos, que tem em imóveis assinados seu principal filão. “Colocar preço em uma coisa que não tem preço é difícil”, afirma ela, ecoando a fala de Janeiro.

Raghi compartilha da visão de seu colega sobre localização. “Certas regiões não aceitam valores altos.” Um exemplo seria o Jardim Guedala, por exemplo, considerado um bairro isolado.

Projetado pela Companhia City, a mesma que urbanizou o Pacaembu, o bairro da zona sul de São Paulo ofereceu aos criadores lotes de dimensões que favoreciam a vastidão das austeras estruturas de concreto que caracterizam o movimento arquitetônico conhecido como escola paulista.

Paulo Mendes da Rocha, 90, um dos maiores nomes dessa corrente modernista e principal arquiteto brasileiro vivo, é autor de uma casa à venda pela Refúgios Urbanos no bairro.

Residência Dalton de Macedo Soares; projetada por Paulo Mendes da Rocha, casa de 1975 está à venda Emiliano Hagge/Divulgação

Com 467 m² em 652 m² de lote, a residência Dalton de Macedo Soares tem quatro quartos —duas suítes convencionais, duas americanas—, e piscina. Custa R$ 3,8 milhões. 

Um apartamento no Guaimbê, prédio projetado pelo arquiteto nos Jardins, tem valor estimado em R$ 3,1 milhões, segundo a plataforma 123i. São 195 m² e três dormitórios.

Além da localização, a conservação pesa muito. Segundo Raghi, de modo geral as casas se preservam melhor quando ficam nas famílias que as encomendaram originalmente.

Há três imóveis projetados por João Batista Vilanova Artigas (1915-85) —um dos mestres de Mendes da Rocha— à venda na imobiliária de Raghi.

O primeiro é composto de duas casas, que o arquiteto, mais tarde conhecido pelo prédio da FAU-USP, concebeu para si nos anos 1940. Elas foram erguidas num mesmo terreno de 1.000 m² no então distante Campo Belo, na zona sul.

A mais antiga tem só um quarto e é conhecida como casinha. Com claras referências a Frank Lloyd Wright (1867-1959), foi construída em 1946, e era usada nos fins de semana pelo arquiteto e sua mulher, que moravam no centro. 

A segunda foi erguida para sua família três anos depois e, renovada, abriga um centro cultural. Juntas, somam 210 m² de área construída e são vendidas por R$ 3,6 milhões.

As outras duas casas do arquiteto na Refúgios Urbanos ficam no Sumaré, bairro da zona oeste onde ele trabalhou muito. São a Casa dos Triângulos (1958) —com 280 m², custa R$ 2,8 milhões— e a residência Taques Bittencourt 2 (1959)— 460 m², R$ 7 milhões. 

Por trás do exterior austero, a residência Taques Bittencourt 2, projetada por João Batista Vilanova Artigas em 1959 no Sumaré, tem ambientes generosos e iluminados em torno de um jardim interno Marcello Orsi/Marcello Orsi/Divulgação

Ambas ilustram claramente aspectos de como ele pensava os espaços residenciais: fachadas austeras, abrindo-se para o interior do lote —no caso da segunda, um belo jardim interno circundado por rampas envidraçadas. 

Os espaços são organizados em meios níveis e têm a área de convívio mais ampla que a íntima. Característica comum na escola paulista, isso restringe potenciais compradores. 

“Paulista quer suíte, closet. O público leigo, menos informado acha que essa arquitetura faz parte de outra época, não a vê como atemporal”, resume Nuno Janeiro.

CONHEÇA AS CASAS MODERNISTAS CITADAS NESTE TEXTO

Residência Marco Antônio Rezende, Ilhabela litoral de SP, 1984 
A casa fica na Ponta do Pequeá, praia perto do centro de Ilhabela, e foi projetada por Oscar Niemeyer para ser ‘espartana’, no dizer do dono: tem 3 quartos, 1 só suíte, e 350 m2, num terreno de 2.700 m² transformado em jardim por Roberto Burle Marx. Está à venda por R$ 4,3 milhões

Casa no Alto de Pinheiros, São Paulo, 1974
Única residência assinada por Niemeyer em São Paulo, esta casa tem traços comuns de sua arquitetura, como as curvas e rampas; tem 5 quartos e 6 vagas de garagem. São cerca de 880 m², contando as áreas externas cobertas pela laje que se estende da sala para fora, numa marquise, num terreno de 1.810 m²

Residência Dalton de Macedo Soares, Jardim Guedala, São Paulo, 1975
Como é distintivo da arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, esta casa tem na estrutura o principal elemento formal. A grande laje de concreto protendido forma a sala e um espelho d’água. A residência de 467 m² tem jardins e piscina, em 650 m² de lote. São 4 quartos —2 suítes convencionais, 2 americanas. Custa R$ 3,8 milhões

‘Casinha’ e casa do arquiteto, Campo Belo, São Paulo, 1946/1949
João Batista Vilanova Artigas, papa da expressão do modernismo local conhecida como escola paulista, projetou duas casas para si e para sua família num mesmo terreno; elas são vendidas juntas por R$ 3,6 milhões. As construções somam 210 m² em um lote de cerca de 1.000 m² 

Casa dos Triângulos, Sumaré, São Paulo, 1958
Esta outra casa projetada por Artigas tem tal nome graças às formas geométricas que decoram a face cega voltada para a rua; dentro, características comuns à obra residencial do arquiteto, como os meios níveis; são quatro, organizados em 280 m² de área útil. À venda por R$ 2,8 milhões

Residência Taques Bittencourt 2, Sumaré, São Paulo, 1959
Próxima ao exemplo anterior em data e local, esta foi a segunda casa projetada por Artigas para a mesma família. Nela o ambiente também se organiza em meios níveis, atingidos por uma rampa que contorna um jardim interno. Com 460 m² e outras áreas ajardinadas, ela vale R$ 7 milhões.

Décor do dia: canto de descanso com daybed em tons neutros

Elementos rústicos compõem ambiente relaxante
FOTO SARAH ELLIOTT

Este canto de descanso transmite uma sensação relaxante só de olhar: a sala em tons neutros convida à leitura de um livro ou mesmo à arte de não fazer nada. A daybed ampla acomoda algumas almofadas e nada mais. Sobre ela, a luminária de palha evoca um clima mediterrâneo, reforçado pela persiana e pelo piso de ladrilhos rústicos.

Ao projetar a casa onde está situado este ambiente, na cidade costeira de Montauk, o arquiteto Robert McKinley investiu em interiores minimalistas e tratou de conservar a história do imóvel, construído na década de 1970 – o teto de madeira original daquela época recebeu uma pintura branca, assim como as paredes. Para complementar, tapete vintage e um vaso de cacto. Simples assim!