Margaret Atwood afirma que acontecimentos políticos inspiraram continuação de ‘The Handmaid’s Tale’

Distopia de 1985 se tornou referência para ativistas feministas
Sonia Elks, Reuters

Ativistas vestidas como personagens do livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, realizam ato no Parque de la Memoria, em Buenos Aires. Foto: AFP PHOTO / ALEJANDRO PAGNI

A escritora canadense Margaret Atwood disse que ações para limitar o acesso das mulheres ao aborto, especialmente nos Estados Unidos, a levaram a escrever a sequência de The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), que foi lançada nesta terça-feira em um evento cultural ansiosamente aguardado.

Em The Testaments, Atwood retoma a história de 1985 sobre um futuro totalitário no qual mulheres férteis são sujeitadas à servidão sexual para repovoar um mundo às voltas com um desastre ambiental.

A escritora disse que não planejou uma continuação da história, que se passa na fictícia Gilead, na região norte-americana da Nova Inglaterra em um futuro próximo, mas que acontecimentos políticos da vida real a levaram a repensar a decisão.

“À media que o tempo passava… ao invés de nos distanciarmos de Gilead, começamos a nos aproximar dela — particularmente nos Estados Unidos”, disse ela em uma coletiva de imprensa em Londres à qual compareceram várias dezenas de jornalistas de uma série de países.

“Se vocês olharem as medidas legislativas de uma série de Estados dentro dos Estados Unidos, podem ver que alguns deles estão quase lá. Mas o que estas leis restritivas sobre os corpos das mulheres estão reivindicando é que o Estado seja dono de seu corpo”.

O aborto é um dos temais mais polarizadores da política norte-americana. Aqueles que se opõem ao aborto muitas vezes citam crenças religiosas para classificá-lo como imoral, enquanto defensores qualificam as restrições como uma intrusão nas escolhas médicas das mulheres e prejudiciais à saúde.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que diz se opor ao aborto em muitos casos, se uniu a muitos de seus colegas republicanos em tentativas de limitar o acesso a abortos legais.

“Para uma sociedade que afirma valorizar a liberdade individual, eu diria a eles que, evidentemente, vocês não pensam que esta liberdade individual se estende às mulheres”, disse Atwood, que faz 80 anos em novembro, aos jornalistas, que foram recebidos por mulheres vestidas como as personagens do livro.

O Conto da Aia é louvado há tempos por ser visto como uma referência para as ativistas feministas, e sua autora diz que todos os atos de repressão de Gilead se basearam em acontecimentos da vida real.

As críticas de The Testaments foram variadas. Muitos elogiaram-no por seu ritmo rápido e sua dramaticidades, mas alguns argumentaram que carece da profundidade do romance que o antecedeu.

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