Escândalo de Felicity Huffman levanta a questão: até onde você iria para conseguir uma boa faculdade para o seu filho?

Atriz, que ficou famosa por “Desperate Housewives”, está sendo julgada por pagar fraude das notas da filha e garantir seu acesso a universidades de ponta

Felicity Huffman deixando uma audiência em maio, em Boston, quando assumiu a culpa (Foto: Getty Images)

Em março de 2019, estourou na imprensa americana um escândalo envolvendo pais de classe média alta e classe alta que teriam pago para fraudar as notas dos filhos nos SATs, espécie de ENEM usado como critério de seleção de muitas universidades nos Estados Unidos. Entre os acusados, estava Felicity Huffman, atriz que teve sua ascensão ao participar de Desperate Housewives e que está no elenco da minissérie-sensação Olhos que Condenam. Segundo a acusação, ela participou de um esquema para falsificar os resultados de sua filha mais velha, Sophia.SAIBA MAIS

De acordo com o que foi descoberto, Huffman fez uma doação de US$ 15 mil para a Key Worldwide Foundation, fachada de uma rede especializada em fraudes e que trabalha com diversos centros onde os estudantes são examinados. Assim, as respostas de Sophia foram alteradas, após a jovem as ter submetido, a fim de conseguir um resultado melhor do que o verdadeiro – sua nota adulterada foi 1420, 400 pontos acima do que ela havia alcançado no PSAT (espécie de treinamento para a prova oficial).

Em maio, a atriz se declarou culpada perante o tribunal e isentou a filha e o marido, o também ator William H. Macy, de qualquer envolvimento no processo. À época, ela declarou: “admito minha total culpa e, com profundo arrependimento e vergonha sobre o que eu fiz, aceito toda a responsabilidade pelas minhas ações e aceitarei as consequências que se desdobrarão a partir delas. Estou envergonhada pela dor que causei à minha filha, à minha família, aos meus amigos, aos meus colegas e à comunidade educacional. Eu gostaria de me desculpar a eles e, especialmente, aos alunos que se esforçam todos os dias para entrar na faculdade e aos pais que fazem sacrifícios tremendos para apoiar seus filhos de forma honesta. Minha filha não sabia das minhas ações, e, com minha postura equivocada e profundamente errada, eu a trai. Levarei essa transgressão em relação a ela e ao público para o resto da minha vida. Meu desejo de ajudar minha filha não é desculpa para ir contra à lei ou apelar para a desonestidade.”

Para tentar entender o que levou uma figura proeminente a apelar para a ilegalidade, é fundamental prestar atenção à sua última frase: Huffman acreditou (ou acredita) que, se o objetivo é ajudar seus filhos, tudo é válido. Inclusive burlar a lei. Embora ela tenha manifestado seu arrependimento e sua culpa – pela qual pode ser condenada, nesta sexta-feira (13.09) a um mês na prisão, 12 meses de liberdade vigiada e uma multa de US$ 20 mil –, não há garantia de que, como mãe, ela não incida em outras estratégias moralmente, eticamente e legalmente condenáveis para beneficiar suas duas filhas (inclusive, ela admitiu ter cogitado repetir o esquema em prol da caçula, Georgia, mas acabou desistindo).

O que você teria feito no lugar da Felicity Huffman? Acredita que vale tudo pela felicidade ou sucesso dos filhos?

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