Victoria Beckham lança marca de beleza com itens cruelty-free

Victoria Beckham Beauty foca em wellness e traz produtos cruelty-free para os olhos
VOGUE

Victoria Beckham Beauty: Smoky Eye Brick  (Foto: Divulgação)

A linha de beleza da Victoria Beckham (finalmente!) está entre nós. O anúncio já havia sido feito em fevereiro deste ano e, como prometido, o foco está em produtos com forte pegada wellness e, o melhor, todos os produtos são cruelty-free.

O conceito que guia a marca Victoria Beckham Beauty é “uma beleza em movimento”. Traduzindo: ela foi feita e pensada para mulheres com uma rotina intensa tal qual a própria Victoria. “Sempre fui obcecada pela beleza e quero criar soluções de beleza que abordem meus clientes da cabeça aos pés, por dentro e por fora”, contou Beckham à Vogue americana. “Trata-se de fazer com elas possam ser as melhores versões de si mesmas”, definiu. 

Não à toa, o foco dessa primeira coleção está todo nos olhos e a ideia é que as paletas de sombras compactas Smoky Eye Brick (54 dólares cada) sejam nossas grandes aliadas na hora de criar um olho esfumaçado sem complicações. Cada quarteto de sombra passeia por uma paleta de cores que vai da terracota ao azul royal e são desejo imediato.

A sombra Lid Luster (36 dólares cada) aparece em quatro tons, e é inspirada nos cristais que Victoria gosta de manter perto dela para atrir proteção e cura. Detalhe: cada tom, megapigmentado, foi infundido com um cristal diferente para energizar a aura. Bem cremoso e fácil de aplicar, o lápis Satin Kajal Liner (26 dólares cada) aparece em três tons (preto, bronze e bordeaux). Ambos são à prova d’água. 

Por ter o comprimisso sustentável de ser clean beauty, alguns itens como a máscara de cílios, ainda estão em fase de desenvolvimento. Vale lembrar que a marca integra a rigorosa lista de verificação de não-toxicidade estabelecida no The Credo Clean Standard (sem silicones cíclicos, formaldeído, parabenos ou ftalatos, entre outros ingredientes potencialmente prejudiciais).

Cada produto também vem em uma caixa que pode ser 100% reciclada após o consumo. “Inovação e velocidade: são essas as coisas que estamos buscando”, disse a co-fundadora Sarah Creal.

Todos os itens já estão disponíveis no e-commerce da Victoria Beckham Beauty e a melhor notícia é que eles entregam para o Brasil! Em breve, a linha vai se expandir para perfumes e itens de skincare. Atentas!

Fashion for Relief 2019: os batidores do evento de caridade

Tradicional gala criado por Naomi Campbell em 2005 para arrecadar fundos e ajudar causas humanitárias ocupou o British Museum
PEDRO SALES

Naomi Campbell, de Valentino, na passarela do Fashion for Relief 2019 (Foto: Now Fashion)

Depois de Moscou, Mumbai e Cannes, no ano passado, o Fashion for Relief – tradicional gala criado por Naomi Campbell em 2005 para arrecadar fundos e ajudar causas humanitárias – retornou para a cidade natal de sua fundadora.

A edição de 2019 ocupou o British Museum neste sábado (14.09) com um desfile marcado por ícones e tops da moda como Erin O’Connor, Stella Maxwell e Isabeli Fontana, única brasileira na passarela. Entre os desfilados, vale destacar a coleção de Verão 2020 de Tomoko Izumi, recém apresentada na NYFW, além dos vestidos couture da Maison Valentino usados por Naomi e Adut Akech. A noite segue com um jantar e um leilão, que terá uma obra de Marina Abramovic criada especialmente para a ocasião. 

Tendências de decoração para escritórios: 6 produtos inovadores

Veja uma seleção de móveis e objetos mais incríveis apresentados na Maison & Objet 2019
POR AMANDA SEQUIN, DE PARIS* | FOTOS DIVULGAÇÃO

“Espaços de Trabalho” foi o tema da edição de setembro da Maison & Objet, uma das maiores feiras de móveis e objetos de decoração, realizada neste ano entre os dias 6 e 10 de setembro em Paris. Por lá, diversas marcas apresentaram produtos consagrados e lançamentos que serviram de termômetro para analisar como devemos projetar escritórios, coworkings e home offices nos próximos anos.

conectividade esteve presente – as mesas, bancos e cadeiras de trabalho prometem conexão wireless e acesso para carregar notebooks e celulares. Um mobiliário que preze pela presença de plantas por perto e cores (muitas cores!) estão entre as necessidades para um ambiente de trabalho saudável e convidativo. A seguir, confira alguns dos produtos que a Casa Vogueencontrou na feira e que prometem tornar o ambiente de escritório mais agradável. 

FRAMERY

Ok, coletividade é importante para os resultados. Mas também é preciso se desconectar do mundo exterior de vez em quando. Então as estações de trabalho individuais são perfeitas para realizar videoconferências, chamadas telefônicas e até trabalhar por alguns minutos sem ouvir qualquer interferência sonora externa. Essa é a proposta da Framery, uma cabine com isolamento acústico e toda conectada.

BENE

Criatividade e apostar no coletivo são fatores fundamentais para o sucesso no trabalho. Por isso a marca austríaca Bene criou um produto multifuncional que permite criar um escritório flexível. Os “Pixel” são blocos de madeira compensada de pinho que viram bancos, mesas, nichos e estantes, conforme a necessidade atual do trabalhador.

LIBRA SOFA

Design do polonês Szymon Hanczar, este assento é indicado para co-livings e co-workings. Além de colorir o espaço com seus tons vibrantes, ele já vem todo adaptado para carregar seu celular enquanto aproveita um momento de ócio.

KINNARPS

Um dos destaques do portfólio da marca sueca Kinnarps é a “Vagabond” – que a própria define ser um “camaleão sobre rodas”. Trata-se de uma mesa de trabalho com rodinhas que pode ser transformada em mesa de refeições ou reuniões e acompanha lousa e nichos que podem acomodar plantas ou objetos diversos. Uma haste no meio permite pendurar também luminárias e acessórios.

MOLO

O estúdio do Canadá formado pelos designers Stephanie Forsythe e Todd MacAllen propõe um jeito surpreendente e inovador de setorizar ambientes e criar móveis e luminárias. A dupla inventou um material têxtil à base de alumínio com textura suave que lembra um papel. Esse material vem como uma dobradura numa caixa, e se estica todo até formar um ambiente no formato que o cliente desejar. Ele também se transforma em bancos e luminárias e ainda é acústico, barrando bastante o som ao redor mesmo com um teto vazado.

EVAVAARA

Outro item que promete ser mais popular nos grandes escritórios mundo afora são as cadeiras acústicas. Perfeitas para quem precisa se concentrar, sua tecnologia barra o som que vem de fora sem precisar de vidros. Basta sentar para não ouvir mais quem está a poucos metros de distância de você ou ouvir uma música alta sem que ninguém, do lado de fora, escute! Este modelo da Evavaara, por exemplo, está disponível em diversas cores e também possui uma mini estação de trabalho.

*A jornalista viajou a convite da Maison & Objet

Miley Cyrus curte rolêzinho abraçada com a namorada em Los Angeles

Ex de Liam Hemsworth e Kaitlynn Carter passeiam em tarde de sol

Kaitlynn Carter e MIley Cyrus (Foto: Backgrid)

Assumidíssimas, Miley Cyrus e a namorada, Kaitlynn Carter, curtiram o sábado (14) em um rolêzinho por Los Angeles. Abraçadas, elas passeram por uma rua badalada da cidade, aparentemente sem se incomodarem com o fotógrafo. A cantora e modelo combinaram no look de calças jeans e camisetas, além de óculos escuros. Miley e Kaitlynn foram fotografadas juntas, pela primeira vez, aos beijos, um dia antes do anúncio oficial da separação da cantora e do ator Liam Hemsworth.

Kaitlynn é ex-mulher de Brody Jenner, filho de Caitlyn Jenner e irmão de Kendall Kylie Jenner. Os dois haviam se casado em janeiro, e a separação deles foi tranquila e amigável, segundos os dois. Já Miley e Liam, que entre indas e vindas ficaram juntos por 10 anos, sendo oito meses casados, avisaram por meio de seus representantes que a união tinha terminado.

“Liam e Miley concordaram em se separar nesse momento”, diz o comunicado. “Sempre em evolução, mudando como parceiros e indivíduos, eles decidiram que isso é o melhor, enquanto ambos se concentram em si mesmos e em carreiras. Eles ainda são pais dedicados a todos os seus animais que compartilham enquanto separam esse tempo amorosamente. Por favor, respeite o processo e a privacidade deles”, dizia a mensagem da assessora da cantora.

Segundo a imprensa internacional, Miley ficou magoada quando Liam entrou com o pedido de divórcio, e ele teria ficado chateado com posts nas redes sociais dando a entender que se sentia sufocada pelo relacionamento e que tinha sido pressionada a se casar. Recentemente, a cantora fez uma tatuagem que parecida ser outro recado para o ex. “Minha cabeça sentia medo, mas meu coração está livre”, diz o escrito, com base na letra da música “The Thing”, da banda Pixies.

Arrocho retira apoio para ida de realizadores brasileiros a festivais internacionais

Agência suspendeu programa que oferece ajuda de custos para que realizadores apresentem seus filmes em outros países. Decisão atinge produtores que já haviam sido aprovados para 11 eventos
BEATRIZ JUCÁ – El País Brasil

Filme ‘Entre’ é o único brasileiro na mostra competitiva do BFI London Film Festival.CRIS LYRA (DIVULGAÇÃO)

Em meio à onda de cortes orçamentários que têm atingido bolsas de pesquisas e ações culturais no Brasil, a Ancine anunciou a suspensão de incentivo financeiro para a participação de realizadores brasileiros em eventos internacionais. O órgão, que já estava na esteira de arrocho orçamentário, não realizará o pagamento a proponentes que já haviam sido aprovados no programa de Apoio à Participação Brasileira em Festivais, Laboratórios e Workshops Internacionais 2019. O programa, que inclui uma ajuda de custo de 4.600 reais para que realizadores viagem e representem seus filmes em festivais internacionais, está suspenso. Ao todo, a agência cortou o incentivo para 11 festivais, mas não informou a economia com estes cortes. O critério para a suspensão, informa a Ancine, foi temporal. Somente foram mantidos os apoios aos festivais já realizados ou já em curso. A notícia surpreendeu produtores que já haviam sido aprovados para receber o benefício.

A produtora Anna Zepa conta que, sem o benefício, terá dificuldade para participar da exibição do filme ‘Entre’ (Between, em inglês) no BFI London Film Festival, que acontece a partir do dia 2 de outubro. O curta dela, que narra um flerte lésbico na periferia de São Paulo, é a única produção brasileira entre os 12 curtas da mostra competitiva. O filme ainda será exibido no festival, mas agora Anna Zepa precisa buscar outras formas de viabilizar financeiramente o pagamento da viagem. Como havia recebido a aprovação pela Ancine por e-mail, a produtora já havia comprado as passagens. O recurso, porém, só é transferido pelo poder público após o retorno da viagem. “Acho que atos como este refletem uma atitude de Governo que não quer que a gente pense e reflita sobre esses temas”, afirma.

Agora, a produtora diz que quer entender o que está acontecendo com a Ancine. Embora a suspensão tenha atingido filmes com outras temáticas, a produtora diz que a posição dura do Governo com respeito às questões de gênero em diferentes frentes repercute em outros espaços. “Esse tipo de ação dificulta a circulação de filmes que falam sobre um país que não se quer neste Governo”, considera Zepa.

O documentário da produtora Amanda Bortolo ainda está em produção e foi selecionado para o Fórum de co-produção de San Sebastian, na Espanha. O longa aborda as tensões de um vilarejo de Ponta Negra, em Paraty, que recebeu energia elétrica há dois anos com condomínios luxuosos no seu entorno e também seria contemplado pelo programa da Ancine. A menos de 20 dias do evento, que acontece entre 24 e 26 de setembro, o benefício foi suspenso. “A gente pediu um apoio ao Itamaraty porque eles poderiam apoiar longa, estamos esperando uma resposta. E também conversando com um advogado para ver se podemos entrar com algum recurso”, conta.

Juliana Antunes, diretora do curta Plano Controle, também foi surpreendida com a suspensão do incentivo para participar do New York Film Festival, que começa no próximo dia 27. O filme dela, o único que será exibido no festival além do longa Bacurau, é uma ficção sobre uma mulher que compra um pacote de teletransporte para Nova Iorque e vai parar no bairro homônimo da periferia de Belo Horizonte. “É uma decisão que me prejudica pessoalmente, porque não tenho como arcar com essa viagem, e como realizadora”, lamenta Juliana.

Ela argumenta que não estar presente na exibição do filme prejudica a carreira dela e do filme. “O fim do processo de internacionalização é de um prejuízo imenso para o país e para os trabalhadores do cinema nacional. O não cumprimento do pagamento é, sobretudo, de um dano moral e financeiro para quem o sofre”, afirma Juliana, que tentava o financiamento para dois outros filmes, porém estes ainda não haviam sido contemplados.

A Ancine afirmou em nota ao EL PAÍS que todos os apoios previstos no Programa de Apoio Internacional estão sendo reavaliados, em razão do contingenciamento orçamentário determinado pelo Governo Federal. Segundo a agência, a divulgação de projetos contemplados não representa a garantia de que eles receberão os recursos. “O próprio termo de compromisso firmando o apoio condiciona o aporte à disponibilidade orçamentária”, explica a nota. A decisão foi tomada em uma reunião da diretoria.

A Ancine complementa que, diante da realidade orçamentária e fiscal do país, resolveu priorizar o pagamento da contribuição anual do Brasil ao Programa Ibermedia, um programa de estímulo à promoção e à distribuição de filmes Ibero-americanos. “A eventual impossibilidade de pagamento da cota brasileira seria prejudicial não apenas aos proponentes brasileiros, como teria impacto sistêmico sobre todo o funcionamento do programa”, argumenta. A Ancine também diz que outra prioridade é disponibilizar recursos para que o Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cidadania possa continuar executando os serviços de guarda e conservação das cópias confeccionadas para o Programa de Apoio Internacional.

“Homem não tem idade, mulher, sim”, desabafa Christine Fernandes sobre diferença de tratamento

A atriz levanta questões relacionadas a idade e fala também sobre o conservadorismo crescente no Brasil e no mundo, a ameaça às artes e de seus projetos para o futuro
THIAGO BALTAZAR (@THIAGOBALTAZAR)

Christine Fernandes (Foto: Vinícius Mochizuki)

Se Christine Fernandes fosse um homem, além da desigualdade salarial, assédio, machismo e tudo o mais que as mulheres enfrentam todos os dias, ela evitaria responder ao menos uma pergunta: sobre a idade. A atriz, desde que deixou de ser considerada jovem num mundo cruel para quem ultrapassa a marca dos 30 anos, é constantemente questionada sobre o que faz para enfrentar o envelhecimento.  “Acho isso um sintoma do que nós mulheres vivemos. A objetificação. Homem não tem idade, mas nós, sim”, diz ela à Vogue.

É por isso que Christine se recusa a ser definida não somente pelos seus 51 anos bem vividos, mas também pela profissão. Nascida nos Estados Unidos, ela foi jogadora de vôlei, se tornou modelo no Japão e ganhou fama com o trabalho de atriz no Brasil. Não é pouco! Mas, também, não é o suficiente para a fazer desacelerar. “Tenho ainda muitos sonhos no horizonte. Um deles é me dedicar a escrever e, quem sabe, poder mudar a forma de alguém ver o mundo com o que brota dos meus pensamentos.”

Entre um projeto e outro, Christine também não abre mão de dedicar um tempo para cuidar de si própria. “Pelo menos três vezes por semana faço alguma atividade física durante uma hora, no mínimo. Preciso de endorfina e de musculatura para segurar a gravidade. É física!”, acredita. “Isso também ajuda na minha saúde. As consequências como bem-estar são bônus”.

Todo esse preparo físico, Christine mostra em “Malhação – Toda Forma de Amar” interpretando a vilã Karina, cujo discurso é semelhante ao do conservadorismo que ganhou força no Brasil e no mundo nos últimos anos.

Christine Fernandes (Foto: Vinícius Mochizuki)

“Karinas existem aos montes por aí. Ela faz parte de uma elite que olha sempre primeiro o seu próprio umbigo. O outro tem pouca importância. O coletivo, para gente como ela, não existe”, diz. O mal que pessoas como sua personagem podem provocar na sociedade irão custar caro para gerações futuras, acredita ela.

“Estamos em franco regresso em relação a algumas questões, isso é fato, entre elas na liberdade artística e preservação do meio-ambiente. Isso não é só triste, mas é muito preocupante. Tenho muito receio do futuro, quando nossos filhos e netos terão essa conta a pagar”, teme.

A atriz, que é mãe de um adolescente de 16 anos, porém, ainda tem esperança. “Desejo realmente viver ainda em um mundo onde haverá mais sororidade entre nós mulheres e não sejamos medidas nem por nossa aparência, gênero, raça, idade, nem preferências sexuais, mas sim pelo nosso caráter e ética. Afinal, tudo o que nos define, nos limita”.

Novo iPhone terá memória RAM de 6GB, diz site Mashable

A Apple não costuma divulgar as especificações de memória de seus celulares

O iPhone 11 Pro e o iPhone 11 Pro Max foram anunciados nesta terça

iPhone 11 Pro, novo celular da Apple, anunciado nesta terça-feira, 10, terá 6GB de memória de RAM, de acordo com o site Mashable, que cita como fonte o hacker Steve Hemmerstoffer, que teve acesso a documentos sobre o aparelho. 

Trata-se de um grande avanço em relação aos modelos lançados no ano passado: o iPhone XS e XS Max têm 4GB de memória, enquanto o iPhone XR tem 3GB. O iPhone 11, modelo mais básico anunciado este ano, tem 4GB de RAM, segundo o hacker. 

A Apple não costuma divulgar as especificações de memória RAM de seus celulares. O número de memória dos iPhones é bem inferior a alguns modelos de Android, como o Galaxy Note 10+, da Samsung, que conta com 12GB de RAM. 

Os números baixos de memória RAM de iPhones não necessariamente significam que os aparelhos são menos eficientes. Isso porque a Apple controla o controla o software do iOS, e pode fazer integração entre sistema operacional e hardware.

Taís Araújo vê melhorias após ser 1ª atriz negra protagonista

‘É uma coisa simples de observar, o crescimento da quantidade de atores negros das novelas 10 anos atrás e agora’, afirmou atriz em entrevista ao E+

Taís Araújo como Helena na novela ‘Viver a Vida’, em 2009. Foto: Globo / Divulgação

Taís Araújo é considerada a primeira protagonista negra de uma novela das 8 da Globo, fato ocorrido quando deu vida à personagem Helena, de Manoel Carlos, em Viver a Vida, que estreou há 10 anos, em 14 de setembro de 2009.

E+ conversou com a atriz sobre sua visão a respeito da questão da representatividade negra em novelas e outras produções desde então.

“Acho que a gente teve melhorias, sim. Na verdade, é uma coisa muito simples de você observar o panorama. É o crescimento da quantidade de atores negros nas novelas 10 anos atrás e agora. O número aumentou consideravelmente”, opinou Taís.

A atriz relembrou que, em décadas passadas, atores negros tinham espaço apenas em “novela de época ou então em papéis sem grande importância em termos de dramaturgia”.

O ator branco Sérgio Cardoso pintado para se parecer com um homem negro na novela 'A Cabana do Pai Tomás', lançada em 1969. Por vezes, à época, até mesmo o papel de um personagem negro não era destinado a um ator negro se ocupasse condição de protagonismo na trama. 
O ator branco Sérgio Cardoso pintado para se parecer com um homem negro na novela ‘A Cabana do Pai Tomás’, lançada em 1969. Por vezes, à época, até mesmo o papel de um personagem negro não era destinado a um ator negro se ocupasse condição de protagonismo na trama.  Foto: Arquivo / Estadão

“Quando você fala de um motorista, empregada doméstica, na verdade, não é da profissão que está se falando, está se falando da importância dramatúrgia da personagem dentro daquela obra”, ressalta, sobre o comentário.

“Isso realmente era um déficit gigantesco, os personagens estavam lá só para constar, não tinham história, não tinham humanidade. Então, se a gente for contabilizar isso hoje, aumentou e melhorou muito, em número e em qualidade”, continua.

A visão de Manoel Carlos, à época

Taís Araújo ao lado de seu marido, Lázaro Ramos, e o autor de novelas Manoel Carlos, durante lançamento de 'Viver a Vida' em 2009. 
Taís Araújo ao lado de seu marido, Lázaro Ramos, e o autor de novelas Manoel Carlos, durante lançamento de ‘Viver a Vida’ em 2009.  Foto: Marcos Arcoverde / Estadão

Ao Estado, em 13 de setembro de 2009, Manoel Carlos, o autor de Viver a Vida, falava sobre a personagem de Taís Araújo (clique aqui para ler a entrevista completa). Confira um trecho abaixo.

Estado: Pela primeira vez, a Helena é jovem e negra. Qual é a importância que você dá a essas duas informações?

Manoel Carlos: Só dou importância ao fato de ser jovem. É natural que todos pensem que o principal é que ela é negra, mas não é. Quando comecei a criar a trama, tive vontade de fazer uma Helena menos maternal, porque todas as minhas Helenas viviam em função dos filhos e da família.

[…] 

Cheguei à Taís Araújo porque sempre quis fazer uma novela com ela. Por isso, não importa o fato de ela ser negra. O mais importante é que ela convença como top model, e a Taís, que tem uma beleza internacional, convence.

Estado: Então, a novela não levanta a bandeira dos direitos raciais? 

Manoel Carlos: Não, nada. Até pode surgir, porque tenho outros personagens negros. Mas definitivamente não é uma bandeira. E tem mais: os artistas escapam disso. Ninguém fala de um ator negro dando a raça em primeiro lugar. Denzel Washington? Excelente ator. Ninguém diz ‘um grande ator negro’. Queria uma profissão que estivesse acima de qualquer conotação racial. Agora, é evidente que, quando saiu a notícia de que a Taís seria a Helena, todo mundo associou: ‘vai ser a primeira Helena negra’. Não, será a primeira Helena jovem. Poderia ser japonesa, para mim não faria diferença.

Helena (Taís Araújo) e Bruno (Thiago Lacerda) em cena com as personagens Luciana (Alinne Moraes), Isabel (Adriana Birolli) e Mia (Paloma Bernardi) na novela 'Viver a Vida'. 
Helena (Taís Araújo) e Bruno (Thiago Lacerda) em cena com as personagens Luciana (Alinne Moraes), Isabel (Adriana Birolli) e Mia (Paloma Bernardi) na novela ‘Viver a Vida’.  Foto: João Miguel Júnior / Globo / Divulgação

Sobre o destaque maior de Manoel Carlos ao fato de Helena ser jovem, em vez de ao fato de ser negra, hoje, a atriz comenta: “Eu entendo o Maneco. Esse desejo, na época, também  era um desejo meu – olha que loucura. Puramente por falta de entendimento da sociedade em que a gente vivia e vive”.

“Minha ingenuidade era tão grande quanto ao Brasil, que, na época, eu achava que o Brasil era aquele cordial que foi vendido para a gente a vida inteira”, prossegue.

Na sequência, conclui: “Uma ingenuidade de que ‘não precisa tocar nesse assunto’. E não. Precisa-se sim, tocar nesse assunto, falar nesse assunto. A gente não pode deixar os assuntos serem ignorados enquanto tem coisas a se resolver.”

‘Nem todo mundo foi escutado’

Para Taís, “a história [do Brasil] não foi contada da maneira certa”, uma vez que “nem todo mundo foi escutado.”

“Vamos olhar para o Brasil de maneira madura, entender que sociedade é essa e como ela foi realmente construída. Não dá para você ficar glamourizando a época colonial do Brasil. Não há glamour nessa época. Foi uma época bárbara, violenta, horrorosa”, completou.

Camila Pitanga e Lázaro Ramos em gravação de capítulo da novela das 6 'Lado a Lado', em 2012. 
Camila Pitanga e Lázaro Ramos em gravação de capítulo da novela das 6 ‘Lado a Lado’, em 2012.  Foto: João Cotta / Globo / Divulgação

Em relação às novas gerações, prossegue: “Mudou. Na verdade, a gente está num processo de mudança, né? Se a gente for olhar o número de brasileiros que se declaram negros e o número de brasileiros que tem na televisão, o número não se equipara. Mas negar uma melhora, também, não tem como. De fato, melhorou bem. Mas ainda não é o que proporcionalmente representa a população negra brasileira.”

Hoje dona de uma carreira extensa, Taís Araújo começou nas novelas em Tocaia Grande, da Manchete: “Vocês [público] me viram crescer. Viram uma menina e agora estão vendo uma mulher. Fui amadurecendo.” 

Elenco da novela 'Tocaia Grande', baseada na obra de Jorge Amado, em foto tirada em Salvador no ano de 1995. 
Elenco da novela ‘Tocaia Grande’, baseada na obra de Jorge Amado, em foto tirada em Salvador no ano de 1995.  Foto: Raimundo Valentim / Estadão

“Me conheceram quando eu não tinha nenhum pensamento amadurecido sobre nada. Mas, se você pegar entrevistas minhas na revista Raça enquanto eu fazia a Xica da Silva, você já vê um entendimento meu – claro, de uma menina de 17, 18 anos, mas que não estava de bobeira”, ressalta.

A atriz também lembra a baixa quantidade de atrizes negras na TV durante sua juventude: “Quando eu era pequena, quem tinha era a Zezé [Motta], que tem a idade da minha mãe, [a] Léa [Garcia]… Tinha um distanciamento muito grande de idade entre nós para haver um tipo de identificação.”

Léa Garcia e Taís Araújo durante coquetel de lançamento da novela 'Anjo Mau' no Projac, em 1997.
Léa Garcia e Taís Araújo durante coquetel de lançamento da novela ‘Anjo Mau’ no Projac, em 1997. Foto: Rosane Bekierman / Estadão
As atrizes Ruth de Souza e Zezé Motta, em foto de 1984 
As atrizes Ruth de Souza e Zezé Motta, em foto de 1984  Foto: Globo / Divulgação

Próximos passos

Para o futuro, Taís Araújo acredita que o caminho seria que as emissoras dessem mais oportunidades a profissionais negros por trás das câmeras, em cargos como o de diretor ou roteirista.

“Eu sou super esperançosa nesse sentido. Acho que as empresas já estão começando a entender o quanto é importante você contar histórias sobre os diversos pontos de vista. Estou falando sobre isso porque acho que grande parte da grande mudança que acho que a gente tem que ter são criadores, escritores, diretores negros. Para que a nossa história seja contada pelo nosso ponto de vista, e não pelo ponto de vista do outro”, afirma.

Taís Araújo durante participação no 'Altas Horas' em julho de 2019 
Taís Araújo durante participação no ‘Altas Horas’ em julho de 2019  Foto: Fábio Rocha / Globo / Divulgação

Em seguida, exemplifica: “Isso já acontece muito na televisão. Por exemplo, se você vai escrever o papel de um personagem de origem judaica, o que vai acontecer? Você vai recorrer a um rabino, a alguém que conheça daquela cultura para escrever ou dar alguma assessoria para que não se cometa nenhuma gafe, falta de respeito.”

Taís também acredita que é preciso “reconhecer o desconhecimento sobre a cultura do outro.”

Taís Araújo ao lado dos pais, Ademir Araújo e Mercedes Araújo, além de seu marido, Lázaro Ramos, e o autor Manoel Carlos, durante lançamento da novela 'Viver a Vida', no Forte de Copacabana, em 2009. 
Taís Araújo ao lado dos pais, Ademir Araújo e Mercedes Araújo, além de seu marido, Lázaro Ramos, e o autor Manoel Carlos, durante lançamento da novela ‘Viver a Vida’, no Forte de Copacabana, em 2009.  Foto: Marcos Arcoverde / Estadão

“Acho que isso ainda não acontece muito com a população negra. As pessoas acham que entendem tudo sobre população negra e podem escrever sobre a população negra, mesmo não sendo negro e não tendo a vivência de uma pessoa negra no País”, continua.

“Quem ganha é a dramaturgia, somos todos nós. Ganha histórias e pontos de vista diversos, enriquece”, conclui.

‘Sou a exceção’

Taís Araújo também reafirmou que se considera uma “exceção” no que diz respeito à realidade brasileira: “Eu não valho para nada. A exceção só serve para confirmar a regra. […] Tive a chance de estudar em colégios bons, particulares, tradicionais, falo inglês, espanhol.” “Se você me pega e coloca como exemplo… Não sou exemplo de nada, sou a exceção”, conclui.

Viver a Vida

Taís Araújo em cena de 'Viver a Vida' como Helena, contracenando com Thiago Lacerda (Bruno). 
Taís Araújo em cena de ‘Viver a Vida’ como Helena, contracenando com Thiago Lacerda (Bruno).  Foto: João Miguel Júnior / Globo / Divulgação

Em Viver a Vida, Taís Araújo interpretou a protagonista Helena, que, ao longo da trama, casou-se com Marcos (José Mayer) e, posteriormente, envolveu-se em um romance com o fotógrafo Bruno (Thiago Lacerda).

A família de Helena na trama era composta por seus pais, Edite (Lica Oliveira) e Oswaldo (Laércio de Freitas) e seus irmãos, Sandrinha (Aparecida Petrowki) e Paulo (Michel Gomes).

Cena entre Taís Araújo (Helena) e José Mayer (Marcos) na novela 'Viver a Vida'. 
Cena entre Taís Araújo (Helena) e José Mayer (Marcos) na novela ‘Viver a Vida’.  Foto: João Miguel Júnior / Globo / Divulgação

Casada com Marcos, ela enfrentava problemas com a família do marido, especialmente por parte de Teresa (Lília Cabral) e Luciana (Alinne Moraes), que, posteriormente, sofreria um acidente, ficando tetraplégica.

Helena (Taís Araújo) ao lado de Oswaldo (Laércio de Freitas) em cena do casamento entre a personagem e Marcos (José Mayer) em 'Viver a Vida'. 
Helena (Taís Araújo) ao lado de Oswaldo (Laércio de Freitas) em cena do casamento entre a personagem e Marcos (José Mayer) em ‘Viver a Vida’. Foto: Zé Paulo Cardeal / Globo / Divulgação