Beleza do bem: por um nécessaire com menos plástico

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A indústria da beleza vive uma crise do plástico. Segundo dados do Euromonitor, em 2010 cerca 65 bilhões de embalagens foram produzidas com o material e em 2017 o número cresceu para 76.8 bilhões. Isso, só no mercado cosmético. Mesmo consumido longe da costa, o plástico acaba por chegar nos mares e rios e tem decomposição lenta. Ele se transforma em micropartículas, que são ingeridas por peixes, que acabam sendo consumidos por nós.

Nos anos 2000 descartamos mais plástico no meio ambiente, que nas 40 décadas anteriores. Hoje, por ano, produzimos mais de 300 milhões de toneladas de plástico, o que equivale ao peso (em quilos) da humanidade inteira. Esses são dados da ONU.

Evidências como essas exigem uma mudança de comportamento, em relação aos nossos hábitos de consumo. Pequenas coisas como a escolha de produtos plastic free, de materiais biodegradáveis e a busca por alternativas não descartáveis podem fazer a diferença. A seguir, reunimos dicas de beleza sustentável para aderir já!

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Embalagens menos coloridas e elaboradas têm mais chances de ser recicladas. Opte por elas! Busque também por marcas com prática de logística reversa. A Simple Organic, que acaba de abrir lojas físicas, tem ponto de coleta de embalagens usadas assim como a italiana Kiko Milano. A marca lançou mais de dez produtos da sua linha Green Me, natural e produzida com materiais de reuso, inclusive.

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Marcas como a Baims, que tem sistema de refil, são alternativa para um nécessaire mais otimizado e verde. Outra dica: busque por produtos “pelados”, vendidos sem embalagem. No e-commerce americano PackageFreeShop.com esse conceito prevalece. Lá também é possível encontrar substitutos para itens tradicionalmente descartáveis como o algodão.

Celebração ou apropriação cultural: quais os limites para inspiração?

Nenhuma marca está imune: as acusações de apropriação cultural se tornaram uma constante no universo da moda. Aqui, investigamos os limites entre apropriação e apreciação cultural
PEDRO DINIZ

Desfile de alta-costura verão 2003 da Dior, inspirado na China e Japão (Foto: Imaxtree)

Não parece haver na moda uma única grife que não tenha passado incólume pela régua da cultura. Ou melhor, de todas as culturas. Porque se, até a virada do século, criar roupas era pescar referências ao redor do mundo para depois diluí-las em embalagem própria, captando o que os olhos viam com o intuito de encaixar a realidade dos outros dentro de cortes, estampas e formas reconhecíveis a um público-alvo, agora costurar é um exercício de entender os limites dessa apropriação.

Apropriação cultural, sabe-se, é o termo que balançou a indústria quando a tirou, na última década, das páginas de estilo para as de sociedade e geopolítica. Consiste basicamente na adoção de traços de culturas alheias por aqueles que os interpretam dentro de uma visão estética própria, geralmente eurocêntrica. Esse uso, para alguns grupos sociais, povos e etnias, descaracteriza seus valores e sua história. Trocando em miúdos, eles acreditam que grafismos, desenhos antigos, peças usadas em cerimônias religiosas e acessórios com simbolismo histórico não deveriam ser vistos como objetos quaisquer, ainda que seduzam quem julga tê-los – atenção à palavra-chave para entender a apropriação – “descoberto”.
O uso de formas e matéria-prima de comunidades indígenas, africanas e orientais, para citar os grupos que a moda mais tem olhado, era até pouco tempo tido como homenagem. Quando muito, esses elementos aparecem como criações originais nos textos das coleções. Agora, com a visibilidade da internet e das redes sociais, esses traços saíram da sombra para virar farpas em polêmicas próprias da história da moda.

Coleção resort 2020 de Carolina Herrera, inspirada no México (Foto: Divulgação)

O caso mais recente dessa relação sem moeda de troca entre “criador” e “fonte de inspiração” é o da marca Carolina Herrera. Em uma coleção apresentada em fevereiro, a grife capitaneada pelo estilista Wes Gordon colocou em seu resort 2020 peças cujos bordados e padrões reproduziam elementos gráficos de povos indígenas nativos do México. Quatro meses depois, a secretária de cultura do governo, Alejandra Frausto, enviou uma carta pedindo explicações à grife. No texto, ao qual o jornal espanhol El País teve acesso, ela pede que o designer explique o que o levou a usar elementos cuja “origem está plenamente fundamentada” e esclareça se as comunidades serão beneficiadas com as vendas.

Entre as peças citadas por Alejandra, está o bordado de animais coloridos entrelaçados em ramos e flores, que, na coleção concebida pelo diretor criativo da marca, foi aplicado em um vestido branco. “O desenho provém da comunidade de Tenango de Doria […]. Nestes grafismos, encontra-se a própria história da comunidade, e cada elemento tem um significado pessoal, familiar e comunitário”, explica a secretária. Não há notícias sobre uma possível transferência de royalties por parte da Carolina Herrera pelo uso dos padrões das comunidades de Oaxaca e de Tenango de Doria, locais de onde partiram as padronagens.

Procurada por Marie Claire, a grife enviou uma nota na qual afirma que a coleção foi criada “devido ao amor e à apreciação da casa pela rica cultura do México”, e que ela “sempre se orgulhou, e continua a se orgulhar, de suas raízes latinas, enquanto se esforça para celebrar ‘a alegria de viver’” por meio das coleções. O texto denota um sinal de que a marca pode vir a discutir formas de recompensar as comunidades, visto que acredita “numa conversa aberta” sobre como pode,“respeitosamente, destacar e celebrar as culturas ao redor do mundo”.

Outros casos
Talvez pior tenha sido o caso da grife de Isabel Marant. Em 2015, a designer lançou uma blusa de US$ 290 com bordados típicos da mesma região de Oaxaca. Quem comprou nem sabia do que se tratava, porque a estilista não apontou a origem. O caso explodiu quando os próprios artesãos do lugar alegaram ter recebido uma carta do governo francês intimando-os a não usar o padrão, pois estaria protegido intelectualmente. A notificação teria chegado a eles porque Marant, supostamente, pediu registro do desenho. A prefeitura da cidade de Santa Maria Tlahuitoltepec, onde ficam esses artesãos, contradisse seus moradores negando a existência da carta do governo francês. Após o imbróglio, Marant chegou a dizer não ter pedido o registro dos padrões. A peça foi retirada do mercado.

Não parece coincidência que o México tenha virado alvo das grandes marcas num momento de euforia sobre a cultura do país, que culminou numa grande retrospectiva, a Mexique (1900-1950), em cartaz no Grand Palais no ano de 2017. Também não parece aleatório, nesse contexto, o fato de sua elite ter tomado do Brasil pós-crise o topo do consumo de luxo na América Latina.

Já as referências à cultura asiática deram uma tremenda dor de cabeça à Kim Kardashian West. Ela lançaria, no mês passado, uma marca de bodies modeladores com o nome Kimono, uma óbvia referência a seu primeiro nome, mas também ao traje tradicional do Japão. Uma celeuma virtual desencadeou críticas de internautas que a acusaram, entre outras coisas, “de estragar a cultura japonesa”. A hasthag #KimOhNo entrou nos tópicos mais comentados do Twitter, e, no final do mês, a estrela do programa de TV Keeping Up With The Kardashians concedeu entrevista ao jornal The New York Times para jurar que em nenhum momento pretendeu “desonrar” a cultura japonesa. Agora, Kim corre para cobrir o nome controverso nas mais de 2 milhões de peças confeccionadas.

Imagem de divulgação da marca kimono, de kim kardashian west (Foto: Divulgação)

Navegar é preciso?
Tantos casos estridentes podem sugerir que a apropriação cultural é um fenômeno recente, mas ele é inerente à produção de moda ao longo dos séculos. Foi ela que fez muita gente achar, por exemplo, que o jeans é americano, quando na verdade tem origem na França, ou que a gravata é invenção francesa, quando é croata. Apoiadas sob a égide do multiculturalismo e pela ideia de globalização, que criou a fantasia de vivermos num mundo sem fronteiras, as marcas ocidentais estão tendo de rever neste século o que sagraram no passado: a colonização do estilo.

O que seria do argelino Yves Saint Laurent (1936-2008) se não tivesse destilado sua origem africana, criado o look safári e apresentado tantos elementos exóticos à cultura francesa do século 20? A diferença, contudo, é exatamente o fato de que, para ele, nada disso era exótico, porque manteve tanto os laços imagéticos quanto os econômicos com o continente. Essa relação baseou o último desfile mais comentado da temporada intermediária de “cruise” (“cruzeiro”, em inglês). A também francesa Christian Dior levou uma comitiva de clientes abastados e jornalistas de moda a Marrakech, no Marrocos, onde apresentou uma coleção feita em parceria com comunidades locais e pessoas-chave da moda na África. O alfaiate do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela (1918-2013), Monsieur Pathé’O, a estamparia Uniwax, da Costa do Marfim, e mulheres das montanhas Anti-Atlas marroquinas, que tingem tecidos artesanalmente, foram contratados para trabalhar junto à estilista Maria Grazia Chiuri.
Não está claro se essa troca será reverberada nas próximas coleções da grife, uma continuidade apontada por ativistas e historiadores como cabal para diferenciar a apropriação do mero esforço marqueteiro, mas é notória a preocupação da casa em gerar renda para o lugar e resgatar heranças de forma ética para além da caricatura. São essas as premissas básicas apontadas pelo designer e tecelão Renato Imbroisi para uma troca sadia entre culturas. Há quase 40 anos ele se dedica a tocar projetos de governos e entidades que se propõem a resgatar a identidade têxtil de lugares tão distantes quanto Muquém, em Minas Gerais, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Autor de Lá e Cá – Trocas Culturais Entre o Brasil e Países Africanos de Língua Portuguesa, Imbroisi acredita que o fascínio da moda pelos países africanos deveria estar acompanhado de impacto social. “Não adianta ir, absorver e não devolver. Essa devolutiva não pode ser só royalties de vendas, mas estrutura, como uma escola para os filhos das mulheres que trabalharam”, diz. Quanto ao uso de estampas nativas por marcas estrangeiras, ele não vê como problema, “até porque, a maioria dos tecidos vendidos em grande escala pelo continente africano são produzidos na Holanda”, ou seja, já cruzaram a fronteira da apropriação há muito tempo. Mas, segundo ele, é imprescindível que as marcas evitem usar padrões de cerimônias religiosas e festividades, “por respeito à cultura e à história de cada povo”.

Brasil miscigenado
Por aqui, há discussões semelhantes. A coleção de inverno 2019 da Animale foi em homenagem à “mulher nômade”, nesse caso, a da Namíbia, com traços gráficos, cores e formas da indumentária local. A campanha foi fotografada no país e a coleção ainda ganhou dois tênis. Os sapatos levaram os nomes Zebra e Onça, sendo forrados com desenhos dos bichos. O caso gerou polêmica. Procurados, porta-vozes da marca disseram que a coleção não poderia ser incluída no escopo da apropriação porque houve apenas inspiração por parte do time criativo, ou seja, uma leitura sobre o local.

Ainda no Brasil, a grife mineira Coven foi criticada, em 2017, por colocar na passarela da São Paulo Fashion Week apenas duas modelos negras no casting de um desfile composto por franjas, sandálias amarradas como turbantes e túnicas similares às do continente. A marca não comentou o episódio.

Mas como é possível falar de apropriação num país miscigenado como o Brasil, onde as culturas europeia, indígena, oriental e negra convergem num grande caldeirão de referências? Se a valorização da herança e o comércio justo são os temas centrais do problema, o que impede qualquer brasileiro de, por exemplo, querer usar estampas, acessórios ou outro símbolo de sua ancestralidade?

Para o estilista Isaac Silva, expoente da nova leva de designers que reinterpretam a cultura negra sob a ótica dos negros no país, não há nenhum, desde que se tenha o bom senso de discernir símbolos estéticos de religiosos. “Não é um problema vestir roupas que contem suas origens, o problema é maquiá-las dentro de uma estética europeizada e branca, muitas vezes transformando tudo em acessório para Carnaval”, explica Silva, citando o turbante e o cocar indígena como pontos de conflito.

Look do desfile Cruise 2020 da Dior, que celebrou, com sucesso, referências Africanas (Foto: Divulgação)

O turbante carrega um significado de enaltecimento da negritude, então, segundo Silva, “não é algo que se use aleatoriamente se você não vivenciar aquela realidade”. Solução prática? “Por que não usar um lenço?” Para a artista visual e professora do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo da Universidade da Bahia, Carol Barreto, não é possível fazer um manual sobre o que pode ou não pode, porque a apropriação é o alicerce de todas as formas de expressão cultural da sociedade branca. “Desde o conceito sobre o que é elegante e deselegante até o sotaque passam por juízos de valor de quem colonizou. Quando não há uma ampla participação do povo apropriado na concepção de uma coleção ou de imagens de moda, há apropriação”, explica.

Yves Saint Laurent com as modelos Betty Catroux e Loulou de La Falaise vestindo a jaqueta safari, desenhada pelo estilista (Foto: Getty Images)

Prestes a lançar um doutorado sobre a relação entre moda e ativismo, fruto de vivências em mais de dez temporadas de moda focadas na questão racial, do Senegal a Paris, ela afirma que a apropriação não pode ser confundida com o multiculturalismo, porque apropriação é “a ideia de que uma determinada raça ou comunidade está apenas a favor de quem planeja desconstruí-la”. Estes, enfim, a reproduzem, tentando padronizá-la e, por consequência, “findá-la”.

E para quem vê patrulha nesses pormenores, ou não entende os limites do que é ou não plausível usar, basta compreender que o conceito de apropriação cultural está relacionado a dores e traumas dos povos apropriados. Na colonização, foram os indígenas, e no período escravocrata, africanos. “Deve-se sempre pensar como se sente quem usa determinado cabelo ou roupa, e o que esses símbolos representam em sua história, porque toda apropriação implica um processo de jugo de uma cultura minoritária por uma majoritária”, diz a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz. Ela cita como problemática no Brasil, por exemplo, a relação de brancos e, por conseguinte, da moda, com a cultura indígena. 

Principalmente em um momento de revisões por parte do governo federal das leis que tratam a demarcação das terras dos indígenas e do garimpo em áreas protegidas. “O Brasil não enfrentou sua história de maneira correta. Ainda aprendemos na escola que o país foi ‘descoberto’ pelos portugueses, e isso diz muito sobre a construção do olhar sobre os índios.” Autora do recém-lançado Sobre o Autoritarismo Brasileiro (Companhia das Letras), ela acredita que, para além da miscigenação, o debate da apropriação cultural no país “trata de hierarquia, porque a atitude da civilização ocidental foi sempre a de dominar sem culpa, acreditando que seu domínio era bom e não deveria nada ao dominado”, diz. “Estamos num tempo importante para os direitos civis. É momento de cobrar.”

Amazon anuncia anel inteligente com a assistente de voz Alexa

O aparelho tem armação de titânio e dois microfones internos; empresa também anunciou outros produtos equipados com a Alexa

O anel inteligente da Amazon vibra quando o usuário recebe notificações e chamadas

A assistente de voz Alexa, da Amazon, está mais do que nunca ao alcance dos dedos. A empresa de tecnologia de Jeff Bezos acaba de anunciar, nesta quarta-feira, 25, o anel inteligente Echo Loop. O equipamento tem uma armação de titânio e dois microfones internos, e funciona pareado a dispositivos iOS e Android. As informações são do site The Verge.

Para ativar o anel inteligente, é preciso pressionar um pequeno botão. A tecnologia vestível também vibra quando o usuário recebe notificações e chamadas. A Amazon vai disponibilizar quatro tamanhos do anel e, para garantir que o produto caiba no dedo do usuário, a empresa pretende enviar kits de ajustes gratuitos contendo imitações em plástico de todas as versões do Echo Loop. 

O aparelho tem uma base de carregamento, conectada por cabo USB, e exige 90 minutos para carga completa. A promessa é de autonomia de um dia, considerando “uso intermitente”.

O Echo Loop já está disponível para compra em pequenas quantidades e apenas por convite. O preço promocional é de US$ 130, mas a previsão é de que o produto chegue ao mercado custando US$ 180. 

Outras novidades

Em evento nesta terça-feira, 25, a Amazon também anunciou outros produtos equipados com a assistente de voz Alexa, entre eles os óculos Echo Frames, que custarão a partir de US$ 179, e os fones de ouvido sem fio Echo Buds, disponíveis por US$ 129. 

Outra novidade é a opção de uso de vozes de celebridades na Alexa. Segundo a agência de notícias Reuters, o primeiro a interpretar Alexa será o ator Samuel L. Jackson — o Nick Fury da franquia de filmes de super-heróis da Marvel

De olho nas críticas recentes sobre armazenamento de dados, a Amazon também apresentou dois novos comandos da Alexa para que as pessoas saibam quais informações estão sendo coletadas pela assistente. O usuário poderá perguntar “Alexa, diga o que você ouviu?” e “Alexa, por que você fez isso?” para entender o mecanismo de registro da tecnologia. Além disso, a empresa disse que permitirá que os usuários deletem gravações a cada três ou oito meses.

Brad Pitt está disposto a rejeitar a masculinidade: ‘Temos de redefinir isto’. ‘Ad Astra’ estreia na 5.ª

Ator protagoniza filme de ficção científica ‘Ad Astra’, que estreia nesta quinta-feira, 26
Ann Hornaday, The Washington Post

Brad Pitt – ‘Ad Astra’ Foto: Walt Disney

No início desta semana, o ator e diretor Brad Pitt visitou Washington para a estreia de Ad Astra, um filme de ficção científica em que ele interpreta um astronauta enviado para Netuno para resgatar seu pai que supostamente está morto. James Gray concebeu sua ideia em 2011, mas deixou-a na gaveta até Pitt concordar em produzi-la em 2016. O filme, ambos concordam, mudou profundamente nos anos seguintes e se tornou tanto uma meditação sobre a desilusão da meia idade como um olhar especulativo no futuro na era espacial.

“É um cavalo selvagem e ele escapa de você”, diz Gray, referindo-se não só a Ad Astra, mas sobre cada filme que dirigiu, incluindo A Cidade Perdida de Z. “É nosso trabalho torná-lo belo enquanto ele foge”.

Brad Pitt ri admirado com a frase, que surgiu com frequência durante uma conversa rápida que girou em torno da recente viagem publicitária de Pitt à Ásia até a situação do cinema moderno. Os dois são amigos desde meados da década de 1990 e seus encontros de lá para cá, sempre o deixavam mais relaxado. “Talvez pelo fato de James ser tão aberto e comunicativo quanto aos seus erros e embaraços, isto leva uma pessoa fechada como eu a ser também mais aberta”.

Gray e Pitt veem Ad Astra como uma maneira de examinar ideias retrógradas sobre masculinidade que vêm sendo questionadas. “Temos de redefinir isto”, diz Pitt, falando da imagem do herói cool, emocionalmente distante. Na verdade, quando o ator se descreve como uma pessoa fechada, ele pode estar falando sobre seu próprio personagem. O comandante Roy McBride é uma pessoa compulsivamente autocontrolada.

Há cenas ótimas de viagens no espaço no filme, como também manobras assombrosas, uma batalha com piratas na lua e um encontro terrível numa nave de pesquisa biomédica. Mas o efeito especial mais impressionante pode ser o próprio Brad Pitt que tem um desempenho cuidadosamente calibrado como um homem que passa por uma catarse que muda sua vida.

Vindo logo depois de um trabalho similarmente bem-sucedido no filme Quentin TarantinoEra uma vez em Hollywood, a interpretação de Pitt como o comandante em Ad Astra é ainda mais imponente por ser tão contido e sutil. (“Por favor, não chamem este ano de retorno. Continuo agindo da mesma maneira como sempre agi”, Pitt insiste, dizendo que normalmente faz um filme por ano, com pausas ocasionais.

Ver McBride cultivar o isolamento e depois romper com ele, pode nos levar a comparações com a própria fama extrema de Pitt.

Embora o ator de 55 anos diga que não é uma pessoa fechada como seu personagem McBride (“Só não sou tão aberto como meu amigo Jimmy James Gray é”), ele reconhece que há paralelos na solidão irresistível da celebridade.

“Certamente quando comecei minha carreira eu me senti perdido, não compreendendo ser separado do rebanho”, diz ele, lembrando seu momento decisivo na carreira no filme Thelma & Louise, de 1991. “Sempre achei que foi um manual ou um tipo de preparação do que significava esse tipo de liberdade, ser anônimo na rua”.

Mas, Pitt insiste, Ad Astra “tem mais coisas a ver do que isto”. Relembrando as imagens de masculinidade da sua juventude no Missouri, ele diz: “é a imagem do estoico Homem Marlboro com a qual eu cresci, meu pai a cultivava, como um campeão. E acho que é exatamente isto que você identifica quando chega num certo momento na sua vida e pensa, ‘isso não funciona mais. Anseio por uma correlação maior e tenho de ver qual a minha parte nisto”.

Pitt e Gray concordam que, se tivessem realizado Ad Astra 20 ou 10 anos atrás, seria uma aventura espacial mais convencional sobre  um sujeito cool. Em vez disto é um filme que tem a ver muito mais com um homem na meia idade, repleto de dúvidas, dor e incerteza.

“Esta foi a grande parte das nossas conversas”, explica Brad. “Compreender nosso passado, o nosso e o deles, realmente nos aprofundamos nisto. O que  torna a jornada de Roy, eu acho – uma viagem aos pontos mais distantes do sistema solar para olhar para o seu passado, antes de avançar para um estado de mais liberdade”.

E numa época em que é complicado ser um sujeito branco privilegiado – especialmente em Hollywood – Ad Astra brinca com e alfineta algumas premissas.

“Você tem de ter o mito para destruí-lo”, diz Gray, acrescentando que foi crucial escolher uma pessoa com o simbolismo iconográfico de Pitt – o ídolo de cinema alto e loiro – para quebrar o mito. “Se tivéssemos produzido o filme com Wallace Shawn, que é um ator maravilhoso, não teríamos o Marlboro Man para destruir”. Gray chama esse arquétipo de “uma coisa muito bizarra, tóxica, perigosa, na verdade, há muito tempo. Acho que fez coisas terríveis para a história do mundo. Procuramos desfazer um pouco isto”.

Pitt não está só interessado em redefinir a imagem do macho, mas está investido também na redefinição do cinema americano. Ele fundou a companhia de produção Plan B e promoveu cineastas como Steve MCQueen (12 Anos de Escravidão), Barry Jenkins (Moonlight) e Ava DuVernay (Selma). No que muitos veem como uma tentativa de Pitt para usar seu privilégio de homem branco para o bem, ele insiste  que nada mais é do que apoiar a visão artística e a narrativa corajosa. Mas não há dúvida que um setor infestado por ideias incomodamente estreitas sobre o que os autores devem ser, ele e seus executivos se dispõem a mudar esse foco.

“É o nosso gosto. Nossa aflição, na verdade. Estamos mergulhados nos filmes dos anos 1970. E eles não eram em branco e preto. Eram estudos muito complexos e complicados e falhos. É isso que me atrai”.

Os protagonistas ambivalentes dos anos 1970 – nos filmes de Sidney Lumet, Alan Pakula e Martin Scorsese – claramente influenciam Roy McBride em Ad Astra, que parece um retrocesso a uma era mais antiga, mais lenta e mais elegante e uma ideia plantada de que os filmes ainda podem ser ambiciosos, não só tecnicamente, mas com nuanças contemplativas, moderadas, marcantes.

“Acho curioso que este filme seja chamado de cinema adulto”, diz Pitt, observando que muitos dos seus filmes favoritos, até hoje, são os que assistiu quando criança. Mas se pergunta se os jovens hoje conseguem tolerar, quanto mais apreciar, o tipo de experiência absorvente, em fogo lento, com que ele sonha, como ator e público. 

“As gerações mais jovens recebem a informação de modo diferente. É mais informação, mais rápida e repentina. E vejo uma falta de paciência. Pergunto o que será o futuro”. Pitt pergunta a Grey, “o que você pensa?”

“Tenho muito menos otimismo com relação à mídia em geral. É uma das mais extraordinárias histórias de sucesso na história de qualquer forma de arte. Agora o que me preocupa é que é quase como a ópera. Ou seja, tem seu momento mágico breve quando ocupa um lugar belo  na cultura”. Ele faz referência às multidões na rua para assistir ao funeral de Verdi e que nos anos 1920 Puccini morreu e a mídia “estava morta em cinco anos”.

“A razão pela qual digo isto não é porque acho que o cinema vai morrer. Mas não podemos ser complacentes. Ouço pessoas afirmando o tempo todo que “arte não morre, os filmes sempre estarão por aqui’. Sim, mas você tem de lutar por isto. Lutar por sua relevância, lutar para que isso ocorra”.

Pitt ouviu atentamente. E afirmou “a luta não é para o cinema em grande escala. É a luta pelo seu projeto. E, já se levantando para sair, acrescentou: “E, a propósito”, ele diz com um sorriso irônico, “São lutas”./Tradução de Terezinha Martino.

Bruxa em três atos

Diretor criativo do ensaio da Quatro Cinco Um com Fernanda Montenegro fala sobre a concepção das imagens e a receptividade da atriz
Marília Kodic

Fernanda Montenegro – Mariana Maltoni

Quando chegou a confirmação de que a atriz Fernanda Montenegro havia topado posar para a nossa capa de outubro, a resposta positiva veio com dois pedidos. O primeiro deles: a sessão de fotos deveria ser realizada na casa dela. As ideias que o diretor criativo Luciano Schmitz tinha para o ensaio da edição de outubro da Quatro Cinco Um, no entanto, eram grandiosas demais para o apartamento da atriz: requeriam cenários elaborados, pé-direito alto e uma volumosa parafernália de iluminação, cenografia, figurino e maquiagem, além de uma equipe numerosa — onze profissionais, mais a diretora de arte da revista, Julia Monteiro —que certamente causaria alvoroço na casa de Fernanda.

Conversa vai, conversa vem, e a dama da dramaturgia brasileira topou — desde que o estúdio fosse próximo à sua casa, que fica no bairro do Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro. Só não contava com o fato de que, no dia do shooting, o motorista de táxi que transportava a assessora de imprensa que a acompanhava e guiava o caminho para o seu motorista se recusasse a subir a rua que levava ao estúdio, uma viela que separa o bairro do Leme da comunidade da Babilônia. 

“No Rio de Janeiro há pouquíssimos estúdios, a maioria concentrada na Barra da Tijuca, que era longe, e então encontramos esse, perto do Leme. Eu não sabia que era, na verdade, na entrada da favela”, relembra Schmitz, que desceu a ladeira a pé para convencer o motorista de que era seguro subir e que seu medo não se justificava. Não sem alguma tensão… mas com sucesso. Horas depois, o designer estaria animadamente dançando uma valsa com Fernanda Montenegro.

Lilith, a deusa adorada na Mesopotâmia e na Babilônia considerada demônio por outras culturas, foi uma das bruxas que inspiraram o ensaio

Fogueira sem vaidades

O segundo pedido de Fernanda tinha a ver com o conceito do ensaio, pensado para passar uma mensagem dupla: o lançamento do livro de memórias da atriz e a edição especial sobre livros infantojuvenis que a Quatro Cinco Um tradicionalmente publica em outubro — ela seria caracterizada como uma bruxa numa fogueira de livros. “Quero ser uma bruxa muito elegante”, pediu ela.

Nas mãos de Schmitz, no entanto, esse pedido nem seria necessário. Com larga experiência em editoriais de moda e na criação de capas, ele ganhou prêmios nacionais e internacionais pelos trabalho que publicou nas revistas Elle e Serafina — revista de moda, artes e comportamento que foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, da qual foi diretor de arte por alguns anos. Ele trouxe para o Brasil uma cultura de produção ousada e perfeccionista que faz a grandeza das capas de revistas americanas como Vogue e Vanity Fair. A ideia era essa mesmo: criar uma capa teatral, impactante, surpreendente, que impressionasse o leitor e desse a justa medida da importância de Fernanda para a cultura brasileira. Uma bruxa com olhar desafiador, prestes a arder numa fogueira de livros — uma fogueira sem vaidades. 

Schmitz concebeu três diferentes caminhos para que a atriz escolhesse, na hora da sessão de fotos, a bruxa com que mais se identificava e a incorporasse. Para orientar tanto a atriz como a equipe de profissionais que convidou para o trabalho, Schmitz produziu um moodboard, esquema gráfico que resume em imagens e poucas palavras as principais referências do projeto. Tudo deveria ser produzido em detalhes e estar pronto para que a escolha dela, no calor da hora, fosse executada com perfeição e imediatamente. A ideia era que a atriz escolhesse um dos caminhos, mas a atriz, empolgada, acabou topando os três — e a revista ganhou três ensaios para a capa.

Desenho de Luciano Schmitz

Na primeira proposta, a atriz aparece vestida de preto, amarrada por cordas, sobre uma fogueira de livros prestes a ser incendiada, em meio a um cenário ígneo. “Eu não poderia ser leviano a ponto de representar uma bruxa sem ter em mente a caça a elas que sempre existiu e que está muito forte hoje na cultura brasileira. Ver como bruxa qualquer pessoa que questione, que saia do lugar-comum, do que é o ‘correto’, não é novidade, é algo que sempre existiu e a história nos mostra isso”, diz Schmitz.

Nas pesquisas para esse primeiro caminho criativo estavam as bruxas de Salem, Joana D’Arc e o livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, romance distópico em que livros são proibidos — e de onde vem também o nome desta publicação. O cenário foi pintado à mão por Schmitz, que cita entre as referências do painel vermelho os pintores Candido Portinari, Salvador Dalí e William Turner (“mas é óbvio que não tenho a pretensão de parecer qualquer um deles!”, esclarece).

Desenho de Luciano Schmitz

Para a segunda dramatização, a inspiração foram os códigos do universo da bruxaria, como chapéus, caveiras, livros e elementos de magia e alquimia. Também foram evocadas algumas bruxas clássicas, a começar por uma espécie de precursora de todas elas, Lilith, deusa adorada na Mesopotâmia e na Babilônia que passou a ser considerada uma espécie de demônio em diversas culturas, tendo inclusive levado a fama de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido.

Outra inspiração nesse segundo caminho foi Santa Luzia, a santa-bruxa italiana que, segundo a narrativa religiosa, no século 4o, depois de sobreviver ao martírio no fogo e de ter sido cegada por ordem do imperador Diocleciano, ganhou olhos nas palmas das mãos, tornando-se padroeira dos deficientes visuais. Os olhos nas mãos de Fernanda foram pintados por Dindi Hojah, maquiador e cabeleireiro que já trabalhou com nomes como o músico Kanye West e a artista Vanessa Beecroft. 

Fernanda Montenegro – Mariana Maltoni

A terceira e última encenação mistura influências de Carlos Amorales, artista mexicano conhecido por ocupar espaços com borboletas pretas, e de Richard Avedon, fotógrafo norte-americano que retratou um homem albino coberto de abelhas negras. A infância de Schmitz em Enéas Marques, município do sudoeste do Paraná, também teve peso na criação dessa imagem. “Quando eu era criança, a mariposa era chamada de bruxa. Minha mãe falava ‘tem bruxa dentro de casa’. Eram as mariposas, essas borboletas feiosinhas que procuram a luz. Aquilo me intrigava muito, porque minha mãe falava como se fosse mau agouro tê-las em casa, mas, para mim, elas eram lindas”, diz Schmitz, explicando que a ideia do ensaio era que Fernanda fosse a luz que atraísse os insetos de papel — que foram cortados a laser e dobrados à mão, um a um. 

Fernanda Montenegro – Mariana Maltoni

“Pensei no que ela representa para o país e em mostrar que, em tempos de escuridão, existe beleza. É na adversidade que temos as ideias mais iluminadas.”  “A receptividade dela foi melhor do que eu imaginava. Ela aceitou tudo, achou tudo ótimo. O clima no dia das fotos foi maravilhoso”, conta o diretor criativo. 

Uma valsa com Fernanda

“Alma, corazón y vida”, canção de Frankie Reyes — californiano que faz versões de valsas e boleros antigos usando apenas um sintetizador analógico — ressoava no estúdio quando Fernanda exclamou: “Adoro essa música na versão da Edith Piaf!”. Quando a valsa “La Foule”, da cantora francesa, começou a tocar no intervalo entre uma foto e outra, a atriz tirou o stylist Marcel Maia para dançar. “Ele é um stylist fabuloso, mas tem dois pés esquerdos, então eu falei ‘deixa que eu conduzo”, diverte-se Schmitz. “Era óbvio que eu tinha que roubar essa dança [risos].” 

Já ter criado antes uma capa com a atriz, para a Serafina, não diminuiu o impacto de estar na presença dela. Fã de Fernanda desde criança, ele conta que chorou ao assistir Central do Brasil — que rendeu à atriz indicações ao Oscar de Melhor Atriz e ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática em 1999. “Sou enlouquecido por ela. Ela tem uma força, uma voz, uma imagem que não tem como mensurar. Passar uma tarde com ela foi uma honra inacreditável”. 

Ele conta também que se surpreendeu com a vitalidade da atriz, que completa noventa anos no dia 16  de outubro. “Ela tem uma disposição e uma atenção que impressionam. Ela é vívida e realmente iluminou o ambiente: ela tem presença, é uma força da natureza”, diz, citando a capacidade de resistência da “senhora de noventa anos”, que ficou em pé durante vários minutos em uma diminuta caixa para as fotos feitas com a fogueira de livros.

Mais que mil palavras

“O feedback que eu recebi por esse trabalho foi de longe o melhor da minha carreira”, afirma Schmitz, destacando os comentários em suas redes sociais: “Era tudo ‘lindo, lindo, lindo’, e foi maravilhoso entender que o carinho não era só pelas imagens, mas pela Fernanda”. A melhor das reações para ele, no entanto, foi, digamos, negativa. “Fiquei sabendo de um texto escrito contra a Fernanda, falando do ‘movimento esquerdista’ e da ‘mulher mentirosa’, e foi o que eu achei melhor de todos, na verdade. É o reflexo do quanto ela é importante e do quanto essas imagens incomodam, e era o que eu queria: tocar na ferida de quem está atacando a cultura, a educação, as artes. Eu não preciso de elogios. Preciso entender que de alguma forma, eu provoquei.” 

Schmitz conta que não queria que o resultado fosse só mais um retrato da atriz, mas um conjunto de códigos visuais que expressasse o momento que estamos vivendo — resultado alcançado graças ao talento de Mariana Maltoni, destaque da nova geração de fotógrafos de moda brasileiros, autora de inúmeras capas para edições internacionais de VogueElle e outras publicações. “A fotografia tem esse caráter de ser eterna, então essas imagens sempre estarão lá, no futuro, representando esse momento que a gente teve: o porquê de nessa época, em setembro de 2019, a Fernanda Montenegro se propor a fazer essas imagens para a revista Quatro Cinco Um. Estou realizado.”

Fotos: Mariana Maltoni
Direção criativa: Luciano Schmitz
Edição de moda: Marcell Maia
Beleza: Dindi Hojah
Cenografia: Luciano Schmitz, Anderson Rodrigues e Pedro Flutt
Tratamento: Studio Bruno Rezende
Assistentes de fotografia: Naelson Castro e João Júlio Melo
Produção de moda: Luiza Gil e Mariana Corrêa
Figurino: Sonia Pinto (vestido e echarpe pretos), Hugo Boss (vestido branco), Frou Frou (luvas)

iPhone 11 chegará ao Brasil em 18 de outubro

Apple anunciou que a venda dos novos modelos dos smartphones terá início no próximo mês; preços ainda não foram divulgados
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Nova série do iPhone 11 começará a ser vendida no Brasil em 18 de outubro

Apple anunciou nesta quarta-feira, 25, a data para a venda do iPhone 11, iPhone Pro e iPhone Pro Max no Brasil. Os novos modelos chegarão em 18 de outubro às lojas brasileiras da empresa, em varejistas e em operadoras selecionadas. Os preços da nova família iPhone no Brasil ainda não foram anunciados pela Apple mas, nos Estados Unidos, os valores vão de US$ 700 a US$ 1.450, dependendo do modelo e da capacidade de armazenamento.

Anunciados em 10 de setembro nos Estados Unidos, os três modelos trazem, entre outras novidades, câmeras modernas, a tão esperada bateria com maior duração e um chip com processamento mais potente, o A13.

Em 2018, o lançamento da linha de iPhone XS no Brasil começou em 9 de novembro, pouco menos de 60 dias após o lançamento no mercado americano. Desta vez, a janela de espera é de um menos de um mês.

Preços do Iphone 11 nos Estados Unidos

  • iPhone 11 Pro: 64GB (US$ 1.000), 256 GB (US$ 1.150) e 512 GB (US$ 1.350)
  • iPhone 11 Pro Max: 64GB (US$ 1.100), 256 GB (US$ 1.250) e 512 GB (US$ 1.450)
  • iPhone 11: 64GB (US$ 700), 128 GB (US$ 750) e 256 GB (US$ 850)

Jardim em homenagem a Marielle Franco é inaugurado em Paris

O espaço suspenso de 2,6 mil m² está localizado no 10º distrito da cidade, ao lado da Gare de L’Est
FOTOS GABI OLIVEIRA (@GABIDEPRETAS)

A vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018 no Rio de Janeiro, se tornou um simbolo da defesa dos direitos humanos. Em sua homenagem, a Prefeitura de Paris inaugurou um jardim público no último sábado (21/09). O projeto, aprovado pelo Conselho Municipal de Paris, foi idealizado pela Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red-Br) com o apoio dos coletivos Amis des Sans Terre, Amnesty International France, Autres Brésils, Coletiva Marielles, France Amérique Latine, Inter LGBT e Ligue des Droits de l’Homme.

Com 2,6 mil m², o Jardim Marielle Franco está localizado no 10º distrito da cidade, ao lado da Gare de L’Est, uma das principais estações de trem da capital francesa. O espaço suspenso ocupa o terraço de um hotel, é composto por cerca de 70 árvores, sendo a maioria delas frutíferas, e pode ser acessado pela rua d’Alsace.

Em comunicado, a prefeitura de Paris apoiou a iniciativa de criar o primeiro espaço público permanente em homenagem à vereadora brasileira e considerou o ato como uma prova do “engajamento da capital na defesa dos direitos humanos pelo mundo, mas também da defesa dos políticos em perigo”. 

A inauguração do jardim ocorreu dois dias depois de Marielle Franco ter sido indicada para concorrer ao prêmio Sakharov 2019, principal honraria de direitos humanos da União Europeia. A cerimônia contou com a presença de centenas de pessoas, brasileiros residentes em Paris e franceses, o vice-prefeito de Paris, Patrick Klugman, e a prefeita do 10º distrito da cidade, Alexandra Corderbard, além dos pais de Marielle Franco, Antônio e Marinete da Silva, e a filha dela, Luyara Franco. 

Olga Rubio Dalmau for L’Officiel India with Vitaliia

Photographer: Olga Rubio Dalmau. Styled by: Laia Gomez Ortiz​. Makeup: Marta Saez. Model: Vitaliia at Mad Models Mgmt.

Riachuelo inaugura loja com espelho inteligente, área de convivência e venda de eletroportáteis

Em espaço antes ocupado pela Fnac no Morumbi Shopping, varejista cria unidade que será seu laboratório de inovações, enquanto prepara transformação de braço financeiro em banco múltiplo
Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

Nova loja da Riachuelo no Morumbi Shopping Foto: ALEX SILVA/ESTADAO

Em tempos nos quais a palavra “jornada do consumidor” entrou no vocabulário de todas as empresas, a Riachuelo inaugura na quinta-feira, 26, uma loja que pretende aproveitar esse movimento. A unidade conceito será aberta no Morumbi Shopping, em São Paulo e servirá como uma espécie de laboratório de inovações. No antigo espaço ocupado pela livraria Fnac, que saiu do Brasil há um ano, foram colocados espelhos inteligentes nos provadores, wi-fi de alta velocidade, espaço para carregar celulares, uma área destinada à venda de eletroportáteis e outra para reforma e customização de peças, além de armários para retirada de produtos. Além de, e é claro, as roupas da marca. 

“Os clientes estão exigindo que as lojas ofereçam mais serviços, comodidade, flexibilidade e rapidez para resolverem problemas, desejos e necessidades”, afirmou Oswaldo Nunes, presidente-executivo da Riachuelo ao Estadão/Broadcast. “E, claro, precisamos continuar oferecendo produtos e coleções com bom custo benefício, qualidade e coordenação de moda”.

Com a nova loja, a Riachuelo também vai reposicionar a linha de moda casa, que passa a se chamar Casa Riachuelo. “A gente vai estender um pouco mais a linha, trazendo alguns eletroportáteis, desde máquina Nespresso até equipamentos de uso para cozinha”, disse Elio Silva, diretor executivo de marketing.

Já nas inovações tecnológicas, a rede pretende gerar experimentação. No caso dos espelhos, a promessa é de que os clientes possam consultar no provador cores disponíveis do produto, solicitar novos itens, criar uma lista de desejos e compartilhar conteúdo nas redes sociais. Na área de reformas de roupas, a ideia é ter uma programação de ações que vai desde estamparia de camisetas até ajustes e consertos.

Além do investimento em experiência de compra, a Riachuelo montou uma área de convivência, com Wi-Fi de alta velocidade e espaço para carregar celular e computador.

Oswaldo Nunes, presidente executivo da Riachuelo
Oswaldo Nunes, presidente executivo da Riachuelo Foto: Adriano Adrião/Divulgação

Antes de expandir as ações para outras lojas da rede, a Riachuelo quer medir o sucesso dessas novidades entre os consumidores. Os armários para retirada de produtos, por exemplo, começaram a ser testados há um ano na loja da Avenida Paulista, e foram expandidos para outras unidades. Na loja do Morumbi Shopping, haverá a opção de retirada pelo armário via QR Code ou atendimento presencial. A unidade será a sexta inauguração da empresa neste ano, chegando a um total de 318 lojas no Brasil inteiro.

Para Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult, a expansão no ramo de moda casa segue a tendência dos grandes varejistas digitais em explorar as multicategorias de produtos, principalmente no marketplace, os shoppings virtuais nos quais as grandes marcas abrigam outros vendedores. Com a venda desses eletroportáteis e utensílios domésticos nas lojas físicas, porém, serão necessários investimentos em readequação do espaço e em storytelling, como é chamado o discurso para atrair o consumidor. “Vai precisar ser competitivo em preço ou em algum nível de serviço para disputar com as lojas especializadas”, observa. 

Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo
Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo Foto: Adriano Adrião/Divulgação

Ainda com relação às inovações tecnológicas, a empresa já está trabalhando para quando sua estrutura da plataforma digital e de marketing para o braço financeiro do grupo, a Midway Financeira, se tornar banco múltiplo. A Riachuelo segue no expectativa da autorização do Banco Central.

Câmbio

Ao mesmo tempo em que investe na nova frente para atender ao consumidor, a Riachuelo trabalha para reduzir o impacto cambial. O dólar acima de R$ 4 deverá reduzir as margens da empresa. Apesar de não ter proteção às variações do câmbio, Nunes demonstra tranquilidade com o tema porque o dólar em alta também afetará os concorrentes do varejo de moda.

Bangladesh, China, Índia, Turquia e Vietnã são alguns dos países nos quais as empresas do setor têm buscado fornecedores. Isso tem feito com que as coleções das grandes lojas seja cada vez mais internacional. “No caso da Riachuelo, os itens importados devem estar na faixa dos 25%, com concentração mais forte em inverno e em categorias que a indústria têxtil brasileira não tem vocação ou interesse em produzir localmente”, disse ele.

Sem a proteção cambial, o normal é que o dólar caro seja repassado ao consumidor, mas Nunes afirma que terá dificuldade em reajustar preços no atual momento de fraqueza da economia. “Claro que, num momento em que a economia cresce pouco e o desemprego ainda é alto, é difícil repassar para o preço final dos produtos a desvalorização do real, o que acaba, em alguma medida comprimindo um pouco as margens de todo mundo”, disse.

Apesar disso, ele afirmou que a Riachuelo tem uma vantagem estrutural, já que a empresa tem cerca de 75% do catálogo produzido em fábricas próprias. “Isso nos protege dessa variação do câmbio”, diz.

Crescimento orgânico

Sobre o futuro, a varejista reafirma a intenção de prosseguir com expansão orgânica no Brasil, onde o mercado é altamente pulverizado. No longo e médio prazos, Nunes afirmou que ainda há muito espaço para que as principais varejistas de moda no País – Renner, C&A, Pernambucanas, Marisa e a própria Riachuelo – cresçam sem precisar partir para aquisições. “Essas cinco concorrentes devem ter participação de 10% a 15% de todo o mercado de moda no Brasil. Tem 85% de mar aberto para todas navegarem juntas, sem precisar tirar mercado umas das outras”, disse.

No último mês, a notícia de que a norte-americana Forever 21 estaria prestes a pedir falência abriu especulações sobre quem poderia se interessar em assumir as operações. Para Nunes, há interessados em ocupar os pontos em shoppings importantes. Questionado se a Riachuelo poderia ser um deles, ele disse apenas que sua empresa tem espaço para crescer organicamente.

A expectativa de crescimento da Riachuelo para este ano, porém, é de que seja menor do que no ano passado. Em 2018, as vendas no critério mesmas lojas, ou seja, em lojas abertas há mais de 12 meses, subiram 3,7% e a receita líquida total de mercadorias avançou 7%, totalizando R$ 5,1 bilhões.

No segundo trimestre deste ano, as operações de todas as varejistas de moda foram prejudicadas pelo inverno de temperaturas amenas. A Riachuelo começou o ano com estoque elevado e expectativas vendas durante o inverno. Segundo Nunes, foi feito um ajuste na compra das peças deste ano.

“Hoje temos 35% menos estoque de inverno do que tínhamos na mesma época do ano passado. Isso é bom para a próxima estação, pois gente já pode iniciar uma coleção mais renovada, com mais frescor”, afirmou.