Com valorização dos discos de vinil, obras raras chegam a mais de US$ 27 mil

Relatório mostra que, pela primeira vez em 33 anos, a venda de discos de vinil deve superar a de CDs, enquanto os valores dos discos sobem até 490%
Por Soraia Alves

No começo de setembro, a Associação da Indústria de Gravação da América (RIAA) divulgou um relatório no qual mostra que 80% da receita da indústria da música vem do streaming. Mas o que chamou mesmo a atenção nos dados divulgados foi a receita de vendas de discos de vinil, que está a caminho de superar a de CDs até o final do ano.

Essa será a primeira vez em 33 anos que os discos de vinil ultrapassam as vendas de CDs. E, seguindo o aumento das vendas, os preços dos discos também subiram em até 490%.

De acordo com a CNBC, o “boom” das vendas de vinis novos e usados aconteceu na última década, indo de uma representação de 55,8% entre 2010 e 2011 para 131,8% entre 2011 e 2012. Em relação aos valores, segundo dados do eBay, o aumento foi maior ainda. Em 2007, um disco de vinil novo (lançamento) custava em média US$ 4,80, e em 2017 esse preço já era de USS$ 28,40, um aumento de mais de 490%.

O “não barateamento” dos CDs ao longo dos anos também é fator que soma na conta, uma vez que um CD lançamento, hoje, pode chegar a ser vendido por US$ 30,00.

Mesmo que as plataformas de streaming tenham barateado a música para os ouvintes, muitos ainda valorizam o ritual de comprar e possuir um disco. Por isso mesmo o streaming não é visto como uma ameaça para as vendas de vinis. Alguns especialistas, inclusive, chegam a garantir que o consumo de música via streaming acaba até ajudando a vender mais discos.

Raridades supervalorizadas

Na pegada da valorização dos vinis, alguns títulos chegam a custar milhares de dólares. Como conta o Business Insider, em 2015, o executivo farmacêutico Martin Shkreli pagou US$ 2 milhões pela única cópia do registro “Once Upon a Time in Shaolin”, de Wu-Tang Clan.

Os valores de discos supervalorizados nos mercados online de compra e venda de vinis, porém, são mais baixos – mais ainda assim bem caros. Entre os títulos com preços mais altos vendidos na última década pela Discogs, site e banco de informações de música online com um grande mercado de discos, os valores variam de US$ 2 mil a quase US$ 30 mil.

Um dos exemplos é a cópia original de “Love Me Do”, dos Beatles, que ganhou apenas 250 impressões no lançamento porque o nome de Paul McCartney saiu escrito errado nos créditos – McArtney. Uma dessas cópias foi vendida pela Discogs por US$ 10.472,89, em março de 2018. Um ano antes, outra foi cópia já havia sido arrematada por US$ 14.845,17.

Das raridades mais caras do site/loja está o “The Black Album”, de Prince. Originalmente, o trabalho seria um acompanhamento do nono álbum do cantor, “Sign O ‘the Times”, mas Prince mudou de ideia poucas semanas antes do lançamento e ordenou que todas as 500 mil cópias fossem destruídas.

Por questões contratuais, o álbum não pôde ser completamente ignorado e um pequeno número de cópias promocionais em capas pretas, sem título, nome do artista ou qualquer referência foram entregues a algumas rádios.

Somando a raridade das cópias e a mística por traz da história, o “The Black Album” chegou a valer quase US$ 30 mil e foi comprado em junho de 2018 por US$ 27.500,00.

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