Ruo Bing Li for Harper’s Bazaar China with Chunjie Liu and Liu Huan

Photography: Ruo Bing Li. Stylist: Abby Qi. Hair: Erol Karadag at The Industry. Makeup: Chiao Li Hsu at The Wall Group. Manicurist: Momo at See Management. Casting Director: Sheri Chiu. Set design: Cecilia Elguero at Art Department. Models: Chunjie Liu and Liu Huan at Supreme.

David Mandelberg for RUSSH Magazine with Emory Ault

Photographer: David Mandelberg. Styling: Hannah Cooper. Hair: Alan White. Makeup: Nadine Monley. Model: Emory Ault.

Apple deve lançar seus filmes primeiro nos cinemas e posteriormente na Apple TV+

Estratégia é parte dos planos da empresa de criar conteúdos que sejam valorizados pela crítica e que possam concorrer a premiações como o Oscar
Soraia Alves

A Apple está de olho no lançamento de ‘On the Rocks’, em meados de 2020, no qual Rashida Jones, no banco do passageiro, interpreta uma jovem que se reconecta com seu pai excêntrico. by Bill Murray. PHOTO: JAMES DEVANEY/GC IMAGES/GETTY IMAGES

Segundo o Wall Street Journal, a Apple planeja lançar seus filmes originais primeiro nos cinemas, e só depois em seu serviço Apple TV+. O movimento é semelhante ao que a Amazon já faz com seus filmes originais, porém oposto ao que a Netflix geralmente faz com seu conteúdo original.

A reportagem do WSJ destaca dois pontos que seriam as bases da decisão da Apple em lançar seus filmes originais primeiramente nos cinemas: o primeiro é que a empresa quer ser vista como uma criadora de conteúdo de “prestígio”, com filmes que agradem a crítica e possam até mesmo concorrer a grandes premiações, como o Oscar.

O segundo motivo é que a empresa também quer atrair produtores e diretores que concordem com a distribuição de seus materiais, e isso se torna mais fácil quando os canais de distribuição não estão limitados apenas ao streaming, especialmente porque grande parte desses produtores e diretores ainda têm uma estratégia de “cinema em primeiro lugar”.

Vale ressaltar que, recentemente, a Apple perdeu um acordo com o cineasta J.J. Abrams porque a empresa não possuía um modelo de distribuição de filmes. Na ocasião, Abrams optou pela WarnerMedia, que pagou cerca de US$ 250 milhões, mesmo com a Apple disposta a pagar muito mais.

A Apple TV+ será lançada oficialmente no próximo dia 1º de novembro, ainda com uma quantidade limitada de conteúdo e custando apenas US$ 4,99 por mês.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade

Desfiles como os de Gucci e Prada na Semana de Moda de Milão reafirmam o poder da moda como representação de seu tempo
ADRIANA FERREIRA SILVA

Adriana Ferreira Silva (Foto: Divulgação/ Léo Faria)

Eu era adolescente quando percebi que a moda poderia me salvar. Não sendo o “padrão” desejado pelos rapazes à época (cabelos lisos e longos, de preferência loiros, bunda e peitos grandes etc.), descobri cedo que poderia chamar a atenção sendo “diferente”: de preto da cabeça aos pés, fui gótica; usando camisetas listradas e camisa de flanela xadrez amarrada na cintura, grunge; passei rapidamente pelo hippie, flertando com as saias longas e floridas e as sapatilhas de pano compradas no bairro da Liberdade para, enfim, me tornar clubber, usando botas plataforma e roupas coloridas. Moda para mim sempre foi atitude, comportamento. A mais perfeita expressão de uma personalidade.

Escrevo isso após finalizar a cobertura da Semana de Moda de Milão (17 a 22/9) e sob o impacto dos desfiles das coleções primavera/verão 2020, em especial das grifes italianas Gucci e Prada. Para além do objetivo final que é “vender roupa”, essa é uma indústria formada por artistas, sejam as costureiras, que levam horas cosendo, à mão, um lenço –no caso da Hermès, por exemplo, para fazer cada um de seus famosos “carrés” gasta-se bem umas 30 horas– ou estilistas, que inspirados por “n” razões são capazes de reler seu tempo na forma de um vestido ou um smoking –impossível não mencionar Yves Saint Laurent, o homem que nos permitiu usar essa peça até então masculina.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade (Foto: Arquivo pessoal)

Essa delicadeza em captar o “l’air du temps” apareceu em especial nas coleções de Miuccia Prada e Alessandro Michele. Num momento em que a representação mais forte da nova geração de consumidores é Greta Thumberg, adolescente de 16 anos que se recusa a atravessar o oceano de avião, por ser um meio de transporte muito poluente, e no qual estão em pauta o excesso de consumo e a destruição do meio ambiente –bem como a responsabilidade das indústrias da moda e da beleza nesse processo–, Miuccia reduziu sua criação “à essência”, “um antídoto à complexidade”. Na prática, saem de cena as peças que, na estação seguinte já poderiam estar “datadas” –quem se lembra das estampas de macacos? As mesmas que levaram a marca a ser acusada de racismo e à criação do comitê presidido pela ativista e diretora de cinema americana Ava Duvernay–, e entram roupas que devem atravessar gerações. Na passarela, obviamente, o que se destaca é a beleza e o caimento perfeito de casacos, saias, vestidos… Bem de perto (um dos privilégios de cobrir semana de moda é poder ver as coleções no dia seguinte e “pegar” nas roupas), isso se traduz em peças atemporais, que podem ser usadas hoje, no ano que vem ou em dez anos. Isso porque são tão benfeitas que, se bem-cuidadas, se tornam “acervo”, ou seja, passam de mãe para filha, neta etc. Como exemplo, vestidos “básicos” cobertos por bordados primorosos feitos em lantejoulas, as mesmas que aparecem compondo desenhos em casacos e tops. É uma aposta de risco, principalmente em se tratando de uma marca que não está entre as mais lucrativas do mundo, mas, de Miuccia, uma mulher conhecida por seu engajamento e sua refinada pesquisa, não se espera outra coisa.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade (Foto: Arquivo pessoal)

Michele, por sua vez, deixou fashionistas boquiabertos ao propor um rompimento contra os “mecanismos que subjulgam e impõem regras de comportamento que são internalizadas pelos indivíduos”. Atento a essa onda conservadora que se espalha pelo mundo na forma de governos semiditatoriais e politicamente incorretos que atuam contra a globalização e para os quais é permitido desrespeitar as minorias, o estilista italiano, um do mais inovadores em atividade, sugere uma moda radical. Essa ideia, que tem como base uma teoria do filósofo Michel Foucault que fala sobre “biopolítica” (o poder das instituições sobre a vida e os corpos das pessoas) foi representada na passarela, primeiro, por modelos vestidos de branco da cabeça aos pés (algo impensável para a colorida Gucci), imóveis sobre passarelas rolantes, presos à camisas de força (muito desejáveis, por sinal), num ambiente que se assemelhava a um manicômio. Ao toque de uma sirene, o apagar de luzes, o cenário se torna quente, colorido (assista ao vídeo, é imperdível), e uma coleção cujo destaque são as peças do universo SM –vestidos transparentes usados com calcinhas fio dental, rendas– são o destaque, além do colorido e das referências aos anos 70 que fizeram a fama de Michele. Ao final, a palavra “orgasmique” impressa em uma bolsa resume o espírito da estação, que insinua o desejo, o sexo, o punk e os extremos como antídoto contra a caretice que tentam nos fazer descer goela abaixo (não sucumbiremos!).

Há, é claro, o espetáculo por si só e o escapismo. Ver J.Lo cruzar a passarela da Versace com a nova e ainda mais sexy versão do Jungle Dress, o vestido usado por ela no Grammy em 2000 –que, de tantas buscas nas redes, levou o Google a criar o Google Images–, me deixou, literalmente, sem voz. Assistir a uma apresentação da Dolce & Gabbana em seu habitat natural –com mulheres usando roupas e acessórios da marca da coroa ao sapato– é uma experiência antropológica que te faz sentir num filme de Federico Fellini, ou embarcar no psicodelismo flower power de Fendi e Peter Pilotto inspiram a ousar e sonhar.

No fim, pode até ser que tudo se resuma apenas a “vender roupas”, mas é bom pensar que existe muito mais por trás das peças que você escolhe para compor sua personalidade –sejam elas de supergrifes ou do brechó da esquina– do que apenas a indústria. Eu sigo querendo ser diferente (o mais possível!).

Depois do Instagram, Facebook também retira número de curtidas das postagens

Testes começam hoje, mas por enquanto só na Austrália
Soraia Alves

Como era de se esperar, o Facebook está seguindo os passos do Instagram e retirando o número de curtidas das postagens. O teste começa hoje na Austrália.

Um porta-voz do Facebook disse que a empresa está começando os testes para melhorar a experiência do usuário na plataforma: “Estamos executando um teste limitado em que as contagens de curtidas, reações e visualizações de vídeos são privadas no Facebook. Reuniremos comentários para entender se essa mudança melhorará as experiências das pessoas”, diz o comunicado.

A chefe de política australiana do Facebook, Mia Garlick, disse que a empresa deu esse passo com base no feedback de especialistas em saúde mental: “Certamente, uma grande parte da motivação para isso é baseada no feedback de pesquisadores do bem-estar. Tivemos comentários positivos de especialistas em saúde mental, e há evidências de que, se você pode ver a contagem de outras pessoas, isso pode afetar o como você está interagindo na plataforma”, explica.

Com a mudança, o Facebook espera encorajar “as pessoas [a] interagirem entre si de maneiras construtivas”, em vez de se concentrar na validação que recebem na forma de curtidas e reações.

Em abril, o Instagram, que é de propriedade do Facebook, iniciou um teste para ocultar curtidas de postagens no Canadá. No final de julho, o projeto estendeu para mais 6 países: Austrália, Brasil, Irlanda, Itália, Japão e Nova Zelândia.

‘Temos de proteger a privacidade e a saúde mental das pessoas’, diz Mark Zuckerberg

Em entrevista exclusiva ao ‘Estado’, presidente executivo do Facebook assume responsabilidades, diz que empresa não tenta influenciar eleições, se defende de acusações de concorrência desleal e projeta futuro da computação com realidade virtual
Por Bruno Capelas, Menlo Park (EUA)* – O Estado de S. Paulo

“Precisamos resolver questões como integridade das eleições”, diz Zuckerberg

Hoje, um em cada quatro habitantes do planeta usa ao menos um dos produtos do Facebook por dia – além da rede social criada em um quarto da Universidade Harvard, em 2004, a empresa contém o Instagram, o WhatsApp e diversos outros serviços. É com essa população, estimada em 2,1 bilhões de usuários, que Mark Zuckerberg, fundador e presidente executivo da companhia, diz estar preocupado, em entrevista exclusiva ao Estado

“Temos de  proteger a privacidade e a saúde mental das pessoas, a integridade das eleições e a liberdade de expressão”, afirma Zuckerberg, sentado em seu escritório em Menlo Park (EUA), na sede do Facebook, onde recebeu o Estado. “São questões que trabalhamos, mas achávamos que as pessoas queriam se conectar com seus amigos. Agora, nossos serviços chegaram a uma escala na qual é importante que as pessoas entendam o que estamos fazendo.” 

Não é só uma questão de tamanho, mas também de poder: as redes sociais e os aplicativos de mensagem mudaram a história do mundo, influenciando negócios, conflitos e processos eleitorais. Mas houve tropeços: nos últimos dois anos, o Facebook se envolveu em diversos escândalos, entre privacidade e disseminação de notícias falsas, acusações de danos à saúde mental das pessoas e ameaças de investigação nos EUA. “Precisamos nos esforçar mais, mas creio que, se as coisas que construímos são capazes de melhorar a vida das pessoas, tudo vai ficar bem. As pessoas têm mais voz agora do que nunca tiveram”, afirma. 

Na entrevista a seguir, além de falar sobre política e sua empresa, o quinto homem mais rico do mundo (fortuna avaliada em US$ 67 bilhões, segundo a Forbes) traça planos para o futuro da tecnologia – para ele, as realidades virtual e aumentada podem substituir os smartphones. Também fala sobre a relação de suas filhas com tecnologia e prevê um futuro em que as pessoas não precisarão viajar para trabalhar. “Será possível estar perto de quem você ama e trabalhar para uma empresa em qualquer lugar do mundo, por meio de um holograma”, diz. 

Em 2014, o Facebook pagou US$ 2 bilhões pela Oculus, uma empresa de realidade virtual. Cinco anos depois e alguns dispositivos já lançados, ainda há dúvidas sobre por que o Facebook trabalha nessa tecnologia. É ela que vai dar mais voz às pessoas? 

Estamos focados em criar o que deve ser a nova plataforma de computação. Nós ajudamos a moldar a experiência das pessoas com aplicativos. Agora, queremos moldar sua experiência de interação. A cada 15 anos, há uma plataforma de computação diferente. Eu vivi três delas: quando eu crescia, usava um computador Windows. Depois, vieram a internet e os smartphones. Estamos prontos para a próxima experiência: será uma combinação de óculos de realidade virtual (RV) com óculos de realidade aumentada (RA). A principal característica dessa geração será a presença: a sensação de que você está no mesmo lugar que outra pessoa. No futuro, você não teria de voar do Brasil para conversar comigo: nossos hologramas estariam no mesmo ambiente virtual e sentiríamos que estamos interagindo. É algo que está em torno da nossa missão: ajudar as pessoas a se conectarem, a se unirem em uma comunidade. Acredito que hoje, com aplicativos, o foco da computação está em tarefas. Queremos colocar as pessoas no centro da experiência. Para chegarmos lá, precisamos entregar a tecnologia que ofereça a sensação de presença. Nesta semana, demos um bom passo com o sistema que captura os gestos das mãos das pessoas, sem precisar de um controle. É uma interação mais natural do que usar um controle – algo crítico não só para a realidade virtual, mas também para a aumentada. Hoje, usamos controles para RV, mas não imagino que as pessoas vão querer carregá-los por aí quando estiverem usando óculos de realidade aumentada. 

Até porque, se for preciso usar e carregar controles, talvez seja melhor usar um smartphone? 

Nem sempre. Acredito que haverá tarefas, no futuro, para as quais as pessoas vão querer carregar controles. Às vezes, é importante ter a resposta, nas suas mãos, de que você fez um gesto. 

O sr. já defendeu a ideia de que o Facebook e o Instagram são como uma praça pública digital. Também já disse que pretende criar o equivalente virtual a uma sala de estar. Como a realidade virtual pode ajudar nesse aspecto?

Na vida real, nós temos salas de estar e praças públicas. Facebook e Instagram, sim, são o equivalente digital das praças. Estamos buscando fazer as salas de estar digitais como o WhatsApp e o Messenger. Mas uma boa parte do que é diferente na interação na sala de estar é a sensação de intimidade. O que me faz voltar à sensação de presença, algo que só teremos com AR/VR. Quando você usa seu telefone, você está menos presente para quem está ao seu redor, ao mesmo tempo em que, por mais que mande fotos ou mensagens para outras pessoas, você não sente que está lá, junto com elas. Queremos, na verdade, ter tecnologias que funcionem nessa sensação de presença tanto para espaços mais íntimos quanto para locais mais amplos. Será algo diferente do que já tivemos na computação. 

As pessoas vão parar de viajar por conta de turismo ou reuniões de trabalho? O sr. já calculou qual impacto terá nos negócios de empresas aéreas, por exemplo? 

Bem (risos), acredito que as pessoas não vão parar de viajar. Vejo a tecnologia como complementar, não como substituta. Hoje, eu uso um software para conversar com minha irmã, que mora do outro lado do país, vejo fotos dos filhos dela crescendo. É ótimo, porque nem sempre posso estar com eles. Mas acredito que é ruim quando as pessoas falam sobre usar um software no lugar de falar com pessoas na vida real. Não é para isso que a tecnologia serve. No futuro, acredito que a forma de interação mais rica com pessoas ainda será ao vivo. A tecnologia servirá para quando você não puder estar junto fisicamente: você poderá estar na mesma sala de estar que seus pais ou amigos, vendo seus hologramas e disputando um jogo de tabuleiro com eles.  Mas, quanto a reuniões de trabalho, vejo um cenário diferente. Acredito hoje que há pessoas talentosas no mundo inteiro, mas as oportunidades não estão bem distribuídas. 

Como assim? 

É algo que imagino que exista no Brasil: muita gente cresce na zona rural, mas tem de se mudar para a cidade para conseguir um bom emprego. É nas grandes cidades que estão os bons empregos, mas, ao mesmo tempo o custo da habitação nas metrópoles é altíssimo. Imagino que, no futuro, poderemos dar às pessoas a escolha de viverem onde elas quiserem, ao mesmo tempo em que podem aproveitar oportunidades de trabalho em qualquer lugar do mundo. Será possível estar perto de quem você ama e trabalhar para uma empresa em qualquer lugar do mundo, interagindo com as pessoas por meio de um holograma. Claro, eventualmente será necessária uma reunião de contato físico, mas se pudermos complementar o que as pessoas fazem hoje, será bastante poderoso. 

Parece ótimo, mas ao mesmo tempo complicado: quão longe estamos de ter um holograma realista das pessoas para que uma ideia como essas possa ser posta em prática? 

Hoje, temos um projeto de longo prazo chamado Codec Avatars: a partir de fotos dos usuários, conseguimos criar uma versão realista deles, que poderiam ser colocadas como um holograma em realidade virtual. Ele pode estar numa sala digital e interagir, como uma pessoa real, não como um desenho animado. Mas ainda é difícil capturar todas as expressões faciais, precisamos superar o Vale da Estranheza (a repulsa que sentimos de réplicas humanas digitais, que se comportam como humanos, mas não exatamente). Há detalhes ainda esquisitos, como a quantidade de luz que bate nos seus olhos e faz parecer que você está realmente prestando atenção numa cena. Às vezes, os avatares ainda parecem um pouco zumbis. Por outro lado, temos tecnologias que já funcionam, então a sensação é bastante realista. É o tipo de investimento que, acredito, nenhuma outra grande empresa de tecnologia está fazendo. Creio que as outras empresas ainda estão focadas em aplicativos, lojas, em dar aos usuários uma experiência específica. Nós queremos algo qualitativamente diferente, colocando as pessoas no centro da interação. 

Uma sala de estar digital pressupõe uma família. O sr. é pai de duas meninas. Como é a relação delas com tecnologia? 

Elas ainda são pequenas: a mais nova tem dois anos; a mais velha tem quase quatro. Tenho lido pesquisas que mostram que nem toda tecnologia é igual. Se você está na frente da TV, assistindo a vídeos por horas, isso não é bom. Prefiro que elas estejam correndo por aí, interagindo com outras pessoas. Mas quando usamos a tecnologia para conversar com a avó ou a tia, que moram do outro lado do país, vejo ali uma conexão humana que é positiva. Quando se usa a internet para interagir com outras pessoas, normalmente isso está associado a aspectos positivos. Mas, se você está só consumindo conteúdo, não é tão bom. 

Uma sala de estar é um ambiente íntimo. Intimidade requer confiança. Como as pessoas podem confiar no Facebook para desempenhar essa função? 

Estamos tentando construir uma história com as pessoas. Muito do que estamos tentando fazer com realidade virtual vai nessa direção: quero que as pessoas tenham tido anos de boas experiências com nossos produtos de hardware. Assim, quando formos capazes de fazer o melhor produto possível, elas confiem. Há um lado do que você fala sobre confiança que diz respeito às preocupações de privacidade que as pessoas têm com o Facebook. Acredito que são assuntos nos quais precisamos fazer um trabalho melhor, para explicar o que de fato fazemos. Minha esperança é que, em alguns anos, as pessoas entendam bem esses temas e a noção de privacidade. Mas há também a questão de ser uma nova área para nós. Veja a Amazon: as pessoas demoraram anos para entender e confiar em seus produtos de hardware, mesmo que já conhecessem a empresa há um tempo. Queremos agora mostrar que podemos construir produtos excelentes para as pessoas. Em cinco anos, imagino que, se fizermos nosso trabalho correto, as pessoas lembrarão de nós como uma empresa que não faz só aplicativos.

Parte da nova experiência que vocês estão tentando criar passa por novos dispositivos. Colocar novos aparelhos na mão das pessoas é bem mais difícil que um aplicativo. Posso te dar um exemplo: ainda não há, no Brasil,  vendas oficiais de nenhum dos óculos de realidade virtual que vocês lançaram. Há impostos, problemas de fabricação, homologação. Isso não pode criar uma disparidade no acesso à tecnologia? 

O objetivo é chegar a todos os lugares. Queremos fazer tecnologia para todos, não bens de luxo que só algumas pessoas poderão comprar. Mas há habilidades que precisamos desenvolver. Fabricar o hardware, entender a logística de vendas físicas, entregas, assistência técnica, queremos entender tudo isso nos países em que estamos antes de expandir pelo mundo. Mas claramente é algo que nós queremos fazer. 

No Brasil, há muita gente que usa o Facebook e o WhatsApp, mas não entende que eles fazem parte da internet. São pessoas digitalmente não educadas – e que, em muitos casos, não entendem o que é feito com seus dados ou não fazem um uso responsável das plataformas. O que o Facebook pode fazer para mudar isso? 

Precisamos ser mais ativos e confrontar essas dúvidas. Muito do que vimos nos últimos dois anos é que precisamos acompanhar certos aspectos sociais. Precisamos manter a segurança e a integridade das nossas plataformas. Proteger a privacidade, a saúde mental e o bem-estar das pessoas. São questões que trabalhamos há algum tempo, mas que não eram centrais nos produtos, porque achávamos que não era para isso que elas estavam usando os aplicativos. As pessoas queriam se conectar com seus amigos, não saber o que estávamos fazendo para moderar o conteúdo. Agora, porém, nossos serviços chegaram a uma escala na qual é importante que as pessoas entendam essas questões. Precisamos melhorar e fazer mais sobre isso. 

O Facebook teve um papel fundamental nas eleições presidenciais dos EUA, em 2016. Algo semelhante aconteceu com o WhatsApp no Brasil, em 2018. O sr. criou e é responsável por ferramentas que não só mudam a vida das pessoas, mas também a história do mundo. Como se sente sobre isso?

Nossos serviços, de forma geral, são focados em duas coisas: dar voz às pessoas e ajudá-las a se conectarem. Há hoje uma preocupação sobre as empresas de tecnologia: elas são grandes e poderosas. Entendo essas preocupações. Mas acredito que há um lado dessa história que é importante: agora, há bilhões de pessoas que têm mais voz e poder do que nunca tiveram antes. Nós não estamos tentando diretamente influenciar uma eleição. Estamos tentando dar voz às pessoas para que elas falem sobre com o que se importam, dividam suas experiências, suas histórias. Claro: há problemas também. Precisamos fazer nosso trabalho para evitar contas falsas, evitar que as pessoas espalhem conteúdo falso por aí. Mas, no final do dia, nosso objetivo é dar voz às pessoas – hoje, uma pessoa em qualquer cidade do mundo tem mais poder do que antigamente. Essa transparência nos leva a sociedades melhores, com o passar do tempo. 

Recentemente, o sr. se reuniu com Donald Trump e com congressistas americanos. Há inúmeros candidatos prometendo ir atrás do Facebook e das empresas do Vale do Silício, acusando essas companhias de praticar concorrência desleal e promover desinformação. O Facebook pode ajudar as pessoas a se expressarem, mas os políticos também estão se expressando sobre seu negócio. Como isso afeta seus negócios?

Creio que, no final do dia, se as coisas que construímos são capazes de melhorar a vida das pessoas, tudo vai ficar bem. As pessoas têm voz agora. Pequenos negócios podem crescer, usando ferramentas que antes só as grandes empresas tinham. Isso gera empregos. Há questões que precisamos resolver, como a integridade das eleições. A integridade cívica. Ter certeza de que estamos cuidando bem do conteúdo e dos dados das pessoas. Mas acredito que podemos resolver esses assuntos e também criar tecnologia que dá ainda mais poder às pessoas. 

O sr. diz se inspirar em Bill Gates e seu trabalho com filantropia. Ele se afastou da Microsoft para dedicar sua atenção a esse tema. Há um futuro do Facebook sem Mark Zuckerberg?

 Não, não em um futuro breve. Hoje, me dedico às duas coisas, mas gasto mais tempo no Facebook. Acredito que o trabalho que estamos fazendo aqui é muito importante e quero ter certeza de que estamos fazendo-o corretamente. Filantropia é algo que acredito que haverá impacto também, mas no longo prazo. Mas creio que o trabalho que temos aqui é realmente excitante. 

*O jornalista viajou a Menlo Park (EUA) a convite do Facebook

Novo arranha-céu residencial mais alto do mundo em Manhattan, ultrapassa 470 metros

Torre levou dez anos para ser construída, oferece luxos e fica bem pertinho do Central Park, em Nova York

O título de edifício residencial mais alto do mundo mudou de dono. Após dez anos desde que sua construção foi anunciada, o Central Park Tower, em Manhattan, atingiu seus 472,4 metros de altura, ultrapassando o 432 Park Avenue, que tem 426 metros e ostentava a posição.

Com vista privilegiadíssima do Central Park a partir dos 91 metros de altura no lado leste (apenas duas quadras separam o parte do arranha-céu), os condomínios ficam nos níveis mais altos da torre. Um hotel embaixo e uma loja Nordstrom de sete andares na base ocupam os demais espaços. 

No total, o arranha-céu, projetado pelo escritório de arquitetura Adrian Smith + Gordon Gill e que se junta ao Billionaires ‘Row (como é chamado o conjunto de arranha-céus residenciais ultra-luxuosos dispostos naquela região) acomoda 179 residências que começam no 32º andar do edifício.

Os apartamentos de dois a oito quartos, com metragens que vão de 133 a 1626 metros quadrados e preços que variam de US$ 1,5 milhão a US$ 95 milhões (R$ 6,2 milhões a R$ 395 milhões).

O exterior reflexivo é feito com uma mistura que inclui vidro e aço inoxidável com acabamento acetinado. Para os moradores, um clube interno com uma série de comodidades como piscina, espreguiçadeiras, jardins e áreas para refeições. A torre também conta com um grande salão de baile, uma sala de jantar privativa, um bar de charutos e uma piscina. As obras não estão finalizadas e continuarão em 2020.

Alton Mason and Elibeidy Dani by Peter Ash Lee for Vogue Korea October 2019

Photographer : Peter Ash Lee
Stylist : Hyunji Nam
Hair Stylist : Takuya Sugawara
Makeup Artist : Grace Ahn
Casting Director : Bert Martirosyan
Model : Alton Mason and Elibeidy Dani

Netflix lança trailer e confirma fim de “BoJack Horseman” na 6ª temporada

Último ano do seriado será dividido em duas partes que estreiam em outubro e janeiro
Matheus Fiore

A série de animação “BoJack Horseman” é um dos grandes sucessos da Netflix quando se fala em obras feitas para o público adulto. O seriado, que conta com nomes como Will Arnett, Alison Brie e Aaron Paul em seu elenco, já possui cinco temporadas e acaba de anunciar duas novidades.

A primeira é a divulgação do trailer do sexto ano do programa, a segunda é a confirmação de que a próxima temporada será também a última. A temporada terá 16 episódios divididos em duas partes, com a primeira delas tendo lançamento confirmado para o fim de outubro e a segunda programada para o fim de janeiro.

O encerramento foi confirmado algumas semanas após a confirmação do fim de outra série da Netflix, “Grace and Frankie”, que se tornará, com seus 94 episódios distribuídos ao longo de sete temporadas, a maior série original da história da plataforma. O principal serviço de streaming do planeta tem dado fim a várias de suas produções originais, abrindo caminho tanto para a compra dos direitos de séries consagradas – algo importante diante da chegada de fortes concorrentes como o Disney+ –, quanto para a criação de novas obras.

Recentemente, por exemplo, a Netflix começou um projeto bastante semelhante ao próprio “BoJack Horseman”, a série adulta “Tuca & Bertie”, que começou a ser exibida em maio de 2019. A intenção é manter o mesmo público com séries que, por serem novas, possam conquistar novas audiências, além de não terem os custos de manter o caro elenco de uma série já consagrada.