Conflito entre ricos e pobres ganha contornos sangrentos e literais no cinema

Passatempo de elite sádica é brincar de gato e rato com seus subalternos em filmes recentes
Clara Balbi

‘The Cannibal Club’ serve uma ajuda generosa de sexo e sangue com um pingo de humor negro

SÃO PAULO – “Este filme que vai estrear é feito para inflamar e gerar caos”, escreveu o presidente americano Donald Trump no Twitter no início de agosto. “Eles [Hollywood] criam a própria violência, e depois tentam culpar os outros.”

O filme, no caso, era “The Hunt”, ou a caça, um thriller satírico sobre um grupo de ricaços americanos que capturam e matam seus compatriotas mais pobres por puro prazer.

Após os massacres terroristas de El Paso, no Texas, e Dayton, em Ohio, porém, o título teve a sua estreia adiada. Ela acabou cancelada de vez uma semana depois, com os comentários de Trump nas redes sociais.

O longa não é o único recente a propor uma encenação violenta e metafórica da luta de classes. Outras produções também retratam uma batalha em que opressores têm mais do que os meios de produção sob seu domínio —têm sede de sangue e gosto sádico pelos jogos de gato e rato com as classes mais baixas.

No “terrir” americano “Ready or Not”, com estreia prevista no Brasil para dezembro, a jovem Grace descobre que a família aristocrática do noivo é mais excêntrica do que esperava quando, após 
a cerimônia de casamento, vira alvo de uma versão fatal do esconde-esconde infantil.

Uma maldição que está na origem do dinheiro dos Le Domas faz com que eles acreditem que, se não assassinarem a moça até o nascer do sol, serão todos trucidados.

Se é nos corredores escuros de uma mansão que a caçada ocorre em “Ready or Not”, em “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o tiro ao alvo, assim como em “The Hunt”, é à luz do dia.

No faroeste sertanejo, no entanto, os vilões não são milionários, mas estrangeiros entediados para quem o conceito de diversão abarca perseguir moradores de uma cidadezinha brasileira com armas vintage.

A elite do Sudeste também faz participação especial na trama de “Bacurau”, incorporada por uma dupla do eixo Rio-São Paulo que ajuda os carniceiros. O público dos cinemas, segundo relatos que povoam as redes sociais, cai na gargalhada quando os dois tentam explicar aos chefes americanos que são diferentes dos locais, pois descendem de imigrantes europeus.

A proposta de um jogo mortal se repete ainda em outra produção brasileira, “O Clube dos Canibais”, que estreia nesta semana. O longa retrata um casal da elite cearense que tem por fetiche matar e comer seus empregados.

Em uma farsa repetida à exaustão, a dondoca Gilda finge aproveitar a ausência do marido, Otavio, para seduzir o novo caseiro. Quando ela e o funcionário estão na cama, o marido aparece como que de surpresa e interrompe o sexo a machadadas.

A sequência sempre acaba com o casal cortando a carne da vítima da vez para ser congelada e, depois, feita na churrasqueira, à beira da piscina.

A encenação sanguinária é replicada no círculo social de Otavio, que integra o tal clube canibal do título.

Um grupo do qual fazem parte diferentes segmentos de uma elite corrupta transforma o teatro favorito dos protagonistas em outro ritual violento, dessa vez coletivo. Ao final, a carne das presas é servida por um garçom de branco num jantar elegante.

Diretor de “O Clube dos Canibais”, Guto Parente credita as representações sangrentas da luta de classes aos discursos cada vez mais virulentos dos políticos e dos ricos, no Brasil e no mundo.

“Estamos vivendo um momento em que os donos do poder não estão mais dispostos a fingir nenhum tipo de humanismo”, opina.

Como “O Clube dos Canibais”, os títulos que retratam uma elite sedenta pela carne trabalhadora compartilham uma estética embebida nos filmes de terror B, em que ossos fraturados rompem a pele, miolos explodem e a maior parte do elenco invariavelmente termina o filme coberta de sangue.

Além disso, eles fogem do terror psicológico em direção à sátira social, com personagens caricatos e pomposos em seus gostos aristocráticos.

Para Mariana Souto, que pesquisa na Universidade Federal de Minas Gerais as relações de classe no cinema nacional contemporâneo, o artifício é reflexo de uma sociedade, como a brasileira, que finge que o racismo e a violência não existem.

Ao classificar a trama de “O Clube dos Canibais” como absurda, Parente, o diretor, brinca que os únicos momentos de terror do longa não acontecem quando cabeças, braços e pernas voam pela tela, mas em cenas como aquela em que Gilda diz, como se contasse uma piada, que gostaria que todos os flanelinhas morressem.

O cineasta argumenta que títulos como os que dirigiu podem ajudar a lidar com uma realidade em que a desigualdade social persiste, e a violência que atinge os mais pobres é corriqueira.

De fato (e aí vem spoiler), na maioria dos filmes aqui citados, vencem os atacados. Seja no sertão de “Bacurau”, na mansão gótica dos Le Domas ou na casa de veraneio de Gilda e Otavio, os trabalhadores pobres subvertem o xadrez das carnificinas orquestradas pela elite a seu favor.

Mas o final feliz não necessariamente indica um chamado às armas no mundo real, ressalta Parente. O diretor critica a visão de que o nós contra eles de “Bacurau”, por exemplo, pode incitar as plateias a recusarem ainda mais o diálogo em um cenário já afetado pela polarização política.

“Uma pessoa vibrar com uma cabeça explodindo em um filme não quer dizer que ela consuma violência explícita em seu cotidiano, e acho que isso está dando um bug na cabeça das pessoas”, diz.

“‘O Clube dos Canibais’ não vai dar uma resposta para o nosso problema, assim como a cidade de Bacurau, apesar de sua força de resistência, vai continuar sendo atacada.”

Pablo Curto for YoDona Magazine with Jennae Quisenberry

Photographer: Pablo Curto. Stylist: Angela Collantes. Hair and makeup: Ricardo Calero. Model: Jennae Quisenberry at UNO.

Apple News+ chega à Austrália e ao Reino Unido com várias publicações locais

Apple News+ veio ao mundo em março passado e conquistou muitos adeptos em seus primeiros dias de vida, mas esteve, até hoje, restrito a dois países: Estados Unidos e Canadá. Agora, não mais: finalmente, o “Netflix de periódicos” da Maçã está fazendo sua primeira expansão para além da América do Norte, chegando à Austrália e ao Reino Unido.

Na Austrália, o serviço custa AU$14,99 por mês (cerca de R$42, em valores de hoje) e também conta com vários periódicos do país — entre eles, The AustralianDaily TelegraphHerald SunCourier MailThe AdvertiserAustralian Geographic e as versões locais de Women’s HealthElleVogue e Harper’s Bazaar.

Na Terra da Rainha, o Apple News+ custa £9,99 por mês — ou, em conversão direta por valores de hoje, R$51 mensais. Ele conta com cerca de 150 periódicos, incluindo publicações locais de grande importância, como The Times (e The Sunday Times), EmpireHello!CyclistGrazia e as versões britânicas de EsquireElle e Cosmopolitan.

Apple News+ no Reino Unido

Em ambos os casos, australianos e britânicos podem acessar, também, várias publicações de interesse internacional — como é o caso de Wall Street JournalLos Angeles TimesNational Geographic e Rolling Stone. A Apple também oferece, nos dois países, um mês de testes grátis (como é padrão nos seus serviços) e suporte ao Compartilhamento Familiar do iCloud, para que até seis pessoas de uma mesma família utilizem o Apple News+ pagando apenas uma assinatura.

Vale notar, em meio a isso tudo, uma declaração de Robert Thomson, CEO da News Corp. (conglomerado de mídia responsável por algumas das publicações citadas acima), ao Business Wire. O executivo não mediu palavras ao valorizar os esforços da Apple na área de notícias — e, ao mesmo tempo, desqualificar uma das suas principais concorrentes.

Nós estamos orgulhosos de fazer uma parceria global com uma empresa que acredita verdadeiramente na importância da confiabilidade e no fato de que jornalismo de valor tem seu custo. A Apple tem agido positiva, honrosa e decididamente na mudança da paisagem digital, enquanto outros provedores, como o Google, preferem o hype e a hipocrisia.

São palavras fortes vindas de uma das maiores empresas do mundo na área. Basta saber, agora, quando é que a Apple vai levar toda essa potência para outras localidades — aposto que há bastante interesse para um serviço do tipo aqui no Brasil, por exemplo. [MacMagazine]

VIA 9TO5MAC

Crise nas Infinitas Terras | Tom Welling conhece Lois e Clark do Arrowverso

Estrela de Smallvile participará do novo crossover das séries da DC
GABRIEL AVILA

Tom Welling, Elizabeth Tulloch, Tyler Hoechlin

Elizabeth Tulloch, atriz que interpreta Lois Lane na série Supergirl, divulgou uma foto de bastidores ao lado de Tyler Hoechlin, que interpreta o Superman na produção, e Tom Welling, que viveu o Homem de Aço no seriado Smallvile. O encontro aconteceu durante as gravações de Crise nas Infinitas Terras, novo crossover de séries de TV da DC Comics. Confira abaixo:

Na trama da Crise nas Infinitas Terras nos quadrinhos, o Antimonitor quer acabar com os multiversos (já apresentados e explorados nas séries) e o Monitor reúne os heróis para impedir a ação. Ainda não há detalhes sobre como será a história na TV, mas a apresentação do Monitor e o teaser citando que “mundos vão morrer” indicam que o caminho será parecido.

O crossover Crise nas Infinitas Terras envolverá cinco séries da CW: Arrow, The Flash, Supergirl, Batwoman e Legends Of TomorrowAlém disso, também marcará a entrada de Raio Negro no Arrowverse.

‘Stranger Things’ é renovada e vai para a quarta temporada

Sucesso da série fez com que seus criadores, os irmãos Duffer, fossem contratados pela Netflix

Da esquerda para a direita: Noah Schnapp (Will), Finn Wolfhard (Mike), Millie Bobby Brown (Eleven), Sadie Sink (Max) e Caleb McLaughlin (Lucas), durante cena da 3ª temporada da série Stranger Things. Foto: Netflix/ Divulgação

Stranger Things, uma das séries de maior sucesso da Netflix, foi renovada para a sua quarta temporada. Além da novidade, a empresa de streaming também assinou um contrato com os irmãos Duffer, atuais criadores e showrunners da série, para o desenvolvimento de outros tipos de conteúdos para a plataforma.

“Os irmãos Duffer cativaram espectadores em todo o mundo com Stranger Things e estamos muito felizes em expandir nossa relação com eles para trazerem sua vivaz imaginação para outros filmes e séries que nossos assinantes vão amar”, disse Ted Sarandos, Chefe de Conteúdo da Netflix.

“Desde a primeira reunião de apresentação até o lançamento de Stranger Things 3, toda a equipe da Netflix foi sensacional, nos dando o apoio, a orientação e a liberdade criativa que sempre sonhamos”, comentaram os irmãos Duffer. “Mal podemos esperar para contar muitas outras histórias juntos – começando, é claro, com uma viagem de volta ao Mundo Invertido” finalizam.

A série, que mostra as desventuras de um jovem grupo de amigos em uma pequena cidade de Indiana durante os anos 1980, já foi indicada a mais de cinquenta prêmios, dentre eles: o EmmyGlobo de OuroGrammySAG, BAFTA e People’s Choice Awards. Ainda não há uma data de estreia prevista.

Veja abaixo o teaser da 4ª temporada de Stranger Things.

Herdeira da Fendi fala sobre o desafio de desfilar em Milão sem Karl Lagerfeld

Em uma entrevista exclusiva para a imprensa brasileira sobre seu primeiro desfile prêt-à porter após a morte de Karl Lagerfeld, Silvia Venturini Fendi fala sobre a coleção de primavera 2020, diretamente de Milão
ADRIANA FERREIRA SILVA
DE MILÃO

A designer Silvia Venturini Fendi (Foto: Divulgação)

Foi uma hora de espera no backstage da apresentação de verão 2020 da Fendi, em Milão, para que Marie Claire conseguisse falar com Silvia Venturini Fendi, a herdeira da família que fundou a grife romana em 1925.

O clima era de animação, com modelos e staff aplaudindo e comemorando o final do desfile que marca uma nova era na Fendi: a coleção foi a primeira de prêt-à-porter comandada inteiramente por Silvia, que tomou total comando da direção criativa desde a morte de Karl Lagerfeld em fevereiro deste ano.

O estilista alemão desenhou para a marca por 54 anos, começando em 1965, quando Silvia tinha apenas cinco anos. Com a mãe e suas quatro irmãs, herdou a marca onde começou a trabalhar em 1994, passando pela direção criativa do menswear, acessórios e infantil. A baguette, uma das it-bags mais icônicas da moda, foi criação dela. Hoje, Silvia é a única da família a ainda trabalhar na Fendi.

Leia abaixo um trecho da entrevista com a diretora criativa. A íntegra estará em breve nas páginas de Marie Claire

Marie Claire Como você descreveria a coleção que acaba de ser apresentada?
Silvia Venturini Acredito que o fato de ser mulher te leva a querer criar roupas reais para mulheres, então meu ponto de partida foi a vida real. No verão, todo mundo é mais liberal, mais otimista, por isso queria fazer roupas simples. Simples e fáceis, mas de um jeito Fendi que, se você olhar com atenção, é na verdade bastante complexo. Fazemos uma minuciosa pesquisa de tecidos, materiais, técnicas e proporções, mas o resultado final tem que ser o mais natural possível. Natural é a palavra-chave.

MC E qual foi sua inspiração para o desfile?
SV 
O nascer ou o por do sol, dependendo por onde você olhar. As cores, a simplicidade dos tecidos, tudo tinha que ser muito etéreo, leve. Busquei usar materiais sintéticos misturados aos naturais – como nylon e algodão – por causa do momento em que vivemos, em que todos estão sempre ocupados, atarefados, então precisamos de praticidade. 

MC Qual você considera o maior legado de Karl Lagerfeld para a Fendi?
SV
 Karl não é um designer que trabalhou para a Fendi, ele construiu a Fendi desde o início. Primeiro com as irmãs Fendi, depois com a venda para o grupo LVMH. Ele esteve conosco por 54 anos, então a Fendi, o que somos, é moldado por sua visão. Quando você pensa em Fendi, imediatamente pensa nele. 

MC Como foi desenhar essa coleção sem ele?
SV 
Essa é a segunda coleção que faço desde a morte dele, a primeira foi a couture. Estou me acostumando aos poucos. Frequentemente me pergunto: ‘o que Karl faria nessa situação?’, mas, no fim das contas, sigo em frente, porque foi isso que ele me ensinou. Estou ouvindo minha voz interior e fazendo as coisas do meu jeito. 

Kendall Jenner no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Bella Hadid no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Adut Akech no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Gigi Hadid no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)

Empresa de moda Forever 21 pede recuperação judicial nos EUA

Reestruturação deve provocar o fechamento de lojas em todo o mundo e saída da rede de países na Ásia e Europa.

Rede Forever 21 atua no Brasil desde 2014.

A empresa americana de moda Forever 21 anunciou neste domingo (30) que entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar uma falência, no mais recente caso das redes de lojas de rua obrigadas a uma reestruturação em consequência do avanço do comércio online.

A empresa recorreu ao “Capítulo 11” da lei americana de falências, que permite manter o controle e posse de seus bens enquanto administra uma reestruturação – situação similar à recuperação judicial prevista nas leis brasileiras.

A empresa possui atualmente mais de 800 lojas nos Estados Unidos, Ásia, Europa e América Latina. A rede atua no Brasil desde 2014.

Em comunicado, a Forever 21 informou deverá fechar entre 300 e 350 lojas em todo o mundo, incluindo 178 somente nos Estados Unidos.

“Como parte da estratégia de reestruturação, a companhia planeja sair da maioria de suas localizações internacionais na Ásia e na Europa, mas continuará suas operações no México e na América Latina”, afirmou a empresa.

Procurada pelo G1, a empresa não informou se haverá fechamento de lojas no Brasil, e afirmou apenas que continua a trabalhar de perto com consultores neste mercado “para determinar qual será a estratégia e o plano futuros. Nesse meio tempo, continuamos funcionando normalmente”.

Fundada em Los Angeles em 1984 pelo casal sul-coreano Do Won e Jin Sook Chang, a Forever 21 se tornou uma das lojas favoritas das adolescentes nos Estados Unidos, ao oferecer roupas similares às de grandes marcas de moda a preços acessíveis.

Competindo com empresas como H&M e Zara, a rede iniciou uma expansão agressiva no setor de roupa masculina e calçados após a crise econômica de 2008.

Mas os analistas consideram que a Forever 21 falhou no momento de reagir ao avanço das vendas online, assim como ao impacto da mudança de atitude dos consumidores pelo impacto no meio ambiente das redes “fast fashion” e sua preocupação com as condições de trabalho nas fábricas que elaboram seus produtos, destaca a agência France Presse.

Desde 2017, mais de 20 varejistas já entraram com pedido de recuperação judicial nos EUA, incluindo a Sears e a Toys ‘R’ US.

Jim Parsons fará nova série de Ryan Murphy

GABRIELA ANTUNES

Jim Parsons (Foto: Monica Almeida / REUTERS)

Depois de viver o nerd Sheldon nas 12 temporadas de “The Big Bang Theory“, Jim Parsons já tem um novo trabalho na TV. Ele fará “Hollywood“, um dos projetos de Ryan Murphy para a Netflix.

A sinopse da série, que será protagonizada por Darren Criss, está sendo mantida em segredo, mas o autor descreveu a atração como  “uma carta de amor para a Era de Ouro de Tinseltown”. Já Criss divulgou que “Hollywood” será ambientada na década de 1940 e está prevista para estrear em maio de 2020.

Dylan McDermott, Samara Weaving, Maude Apatow, Joe Mantello, Laura Harrier e Jake Picking também foram confirmados no elenco, que já contava com Jeremy Pope, David Corenswet, Patti LuPone e Holland Taylor.

Em entrevista recente, Murphy revelou que está preparando vários projetos para o serviço de streaming, com o qual tem um contrato de exclusividade. Entre eles estão: uma adaptação de dez episódios de “A Chorus Line”, famoso musical da Broadway; uma série sobre o designer Halston, estrelada por Ewan McGregor; um documentário sobre Andy Warhol; e um projeto sobre Marlene Dietrich, que será protagonizado por Jessica Lange.