Herdeira da Fendi fala sobre o desafio de desfilar em Milão sem Karl Lagerfeld

Em uma entrevista exclusiva para a imprensa brasileira sobre seu primeiro desfile prêt-à porter após a morte de Karl Lagerfeld, Silvia Venturini Fendi fala sobre a coleção de primavera 2020, diretamente de Milão
ADRIANA FERREIRA SILVA
DE MILÃO

A designer Silvia Venturini Fendi (Foto: Divulgação)

Foi uma hora de espera no backstage da apresentação de verão 2020 da Fendi, em Milão, para que Marie Claire conseguisse falar com Silvia Venturini Fendi, a herdeira da família que fundou a grife romana em 1925.

O clima era de animação, com modelos e staff aplaudindo e comemorando o final do desfile que marca uma nova era na Fendi: a coleção foi a primeira de prêt-à-porter comandada inteiramente por Silvia, que tomou total comando da direção criativa desde a morte de Karl Lagerfeld em fevereiro deste ano.

O estilista alemão desenhou para a marca por 54 anos, começando em 1965, quando Silvia tinha apenas cinco anos. Com a mãe e suas quatro irmãs, herdou a marca onde começou a trabalhar em 1994, passando pela direção criativa do menswear, acessórios e infantil. A baguette, uma das it-bags mais icônicas da moda, foi criação dela. Hoje, Silvia é a única da família a ainda trabalhar na Fendi.

Leia abaixo um trecho da entrevista com a diretora criativa. A íntegra estará em breve nas páginas de Marie Claire

Marie Claire Como você descreveria a coleção que acaba de ser apresentada?
Silvia Venturini Acredito que o fato de ser mulher te leva a querer criar roupas reais para mulheres, então meu ponto de partida foi a vida real. No verão, todo mundo é mais liberal, mais otimista, por isso queria fazer roupas simples. Simples e fáceis, mas de um jeito Fendi que, se você olhar com atenção, é na verdade bastante complexo. Fazemos uma minuciosa pesquisa de tecidos, materiais, técnicas e proporções, mas o resultado final tem que ser o mais natural possível. Natural é a palavra-chave.

MC E qual foi sua inspiração para o desfile?
SV 
O nascer ou o por do sol, dependendo por onde você olhar. As cores, a simplicidade dos tecidos, tudo tinha que ser muito etéreo, leve. Busquei usar materiais sintéticos misturados aos naturais – como nylon e algodão – por causa do momento em que vivemos, em que todos estão sempre ocupados, atarefados, então precisamos de praticidade. 

MC Qual você considera o maior legado de Karl Lagerfeld para a Fendi?
SV
 Karl não é um designer que trabalhou para a Fendi, ele construiu a Fendi desde o início. Primeiro com as irmãs Fendi, depois com a venda para o grupo LVMH. Ele esteve conosco por 54 anos, então a Fendi, o que somos, é moldado por sua visão. Quando você pensa em Fendi, imediatamente pensa nele. 

MC Como foi desenhar essa coleção sem ele?
SV 
Essa é a segunda coleção que faço desde a morte dele, a primeira foi a couture. Estou me acostumando aos poucos. Frequentemente me pergunto: ‘o que Karl faria nessa situação?’, mas, no fim das contas, sigo em frente, porque foi isso que ele me ensinou. Estou ouvindo minha voz interior e fazendo as coisas do meu jeito. 

Kendall Jenner no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Bella Hadid no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Adut Akech no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
Gigi Hadid no desfile da Fendi (Foto: Getty Images)
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