Vivara arrecada R$ 2,3 bilhões em abertura de capital na B3

Da movimentação total, R$ 453,5 milhões serão utilizados para a expansão da rede, que atualmente tem 2,3 mil pontos de venda
Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

Loja da Vivara no bairro dos Jardins, em São Paulo. Foto: Alex Silva/Estadão

A abertura de capital da rede de joalherias Vivara, que chamou a atenção de investidores ao longo das últimas semanas, se refletiu em uma movimentação de quase R$ 2,3 bilhões.

A ação, que estreia na B3 nesta quinta-feira, 10, chegou perto do ponto máximo da faixa indicativa de preço, que variava entre R$ 21,17 e R$ 25,40. O papel vai estrear cotado a R$ 24. 

A Vivara foi criada em 1962, com a abertura de uma loja no centro de São Paulo. Hoje, é a maior rede de joalherias do Brasil, com mais de 230 pontos de venda. A companhia atua em um nicho classificado por especialistas em marcas como “luxo acessível”.

Lojas e aquisições

Do total arrecadado, R$ 453,5 milhões são oriundos da oferta primária, com a venda de novas ações, e servirá para injetar recursos no caixa da companhia. Dessa oferta primária, 65% devem ser usados para abertura de lojas.

A rede, durante o período de apresentação de sua tese de investimento, citou que poderia também fazer pequenas aquisições pelo País, uma vez que o segmento de joalheiras ainda é bastante pulverizado. 

Da oferta secundária, que representa a maior parte dos recursos da oferta inicial, a venda foi feita pela família fundadora, os Kaufmans. O pagamento aos acionistas vai superar o total de R$ 1,8 bilhão. 

O lucro líquido da Vivara no primeiro semestre foi de R$ 186 milhões, aumento de 142% ante o mesmo período de 2018. A receita foi de R$ 523,7 milhões, alta de 12,8% em um ano.

Criadora dos vestidos icônicos de Angelina Jolie, Donatella Versace diz que nunca esteve com a atriz pessoalmente

Em entrevista exclusiva, Donatella Versace revela detalhes do icônico look da atriz no Oscar de 2012
Gilberto Júnior

Angelina Jolie, de Versace Foto: Franco Origlia / Getty Images

Em seus momentos mais icônicos no tapete vermelho, Angelina Jolie sempre teve a companhia de um look Versace . A parceria é antiga. Quando ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme “ Garota, interrompida ”, em 2000, a estrela usou um pretinho da marca Italiana. Em 2012, cruzou o red carpet da mesma premiação com little black dress da casa comandada por Donatella Versace — a imagem em que Angelina aparece com a perna direita de fora é memorável, um clássico em eventos do gênero. Durante a turnê para promover “Malévola: dona do mal”, esse “casamento fashion” se mostrou eficiente novamente. Em Roma, nessa segunda-feira, a protagonista do longa causou comoção com mais um vestido preto.

“É uma parceria, um diálogo. Faço vestidos para Angelina por enquanto e acho que conheço o gosto dela. Tendo isso claro, nunca presumo o que ela pode querer usar. As primeiras coisas que pergunto são quais as ideias específicas a atriz tem em mente no que diz respeito à silhueta do look e à cor. Depois compartilho vários esboços e ela escolhe os que mais gosta”, explica Donatella em entrevista exclusiva à ELA.

Angelina Jolie, de Versace, em Roma Foto: Ernesto S. Ruscio / Getty Images
Angelina Jolie, de Versace, em Roma Foto: Ernesto S. Ruscio / Getty Images

O que mais curioso é que a relação de Angelina com a estilista é toda virtual. “Eu a conheço por meio de nossas conversas, escrevemos muito uma para a outra, mas nunca estivemos juntas pessoalmente. No entanto, em todas esses anos, conseguimos nos conhecer bastante. No fim do dia, o que se veste sempre diz algo sobre quem você é. Nunca estamos falando apenas de um vestido. O que posso afirmar é que Angelina preza os filhos (e são seis ao todo) e família. Acho que são a parte mais importante de sua vida e por isso eu a admiro ainda mais. Ela não é somente uma das mulheres mais bonitas do mundo, mas também uma das melhores atrizes do nosso tempo. Poderia fazer o que quisesse, mas coloca a família em primeiro lugar.”

Angelina Jolie, de Versace, em 2012 Foto: Ethan Miller / Getty Images
Angelina Jolie, de Versace, em 2012 Foto: Ethan Miller / Getty Images

Sobre o vestido do Oscar 2012, a designer ressalta que a estrela gosta realmente de preto no tapete vermelho. “Mas pede detalhes para tornar cada look especial. Nesse caso, o vestido tinha uma fenda na lateral.  Ela queria capturar a atitude ousada da mulher Versace de ser ousada sem desculpas e, assim, quando ela revelou sua linda perna através da fenda, a imagem se tornou viral e ela tornou esse vestido icônico.”

Mikael Jansson for Vogue Paris with Anja Rubik

Photography: Mikael Jansson. Styling: Emmanuelle Alt. Hair: Rudi Lewis. Makeup: Mark Carrasquillo. Model: Anja Rubik.

Modo noturno chegou no Instagram; veja como ativar no iPhone

Sistema pode ser ativado nas configurações do iOS 13

Instagram lançou modo noturno 

O Instagram, na atualização para iOS 13, disponibilizou o modo noturno para os seus usuários. A mudança foi feita para suavizar a rolagem no Feed e do uso do Stories, pois elimina as bordas brancas da rede social. Além disso, o visual preto ajuda na economia de bateria e traz mais conforto em ambientes escuros.  

O modo noturno está disponível para o iOS 13 na versão 114.0 do app do Instagram. No caso do sistema do Google, o modo noturno estará disponível em celulares com Android 10 – o sistema ainda não está disponível para a maioria dos celulares no País; apenas a linha Pixel, do Google, já pode ser atualizada. 

Para ativar o modo noturno no iPhone é preciso ir até os ajustes do iOS e acessar a opção “Tela e Brilho”. Ao visualizar as opções de tema do sistema, selecione a opção “Escura” e toda a aparência do iOS será trocada. Depois disso, abra o Instagram e veja se o modo foi ativado. Caso queira desativar o tema, volte a configuração do iOS e ative a aparência clara do sistema. 

Gucci opta por um modelo de negócios mais sustentável

Grife de luxo buscar tornar sua cadeia de produção carbono-neutro
Elizabeth Paton, The New York Times

Marcas que produzem a moda de luxo estão assumindo a responsabilidade pelo preço que o setor impõe ao mundo. Foto: Valerio Mezzanotti para The New York Times

A corrida para tornar-se a marca  de moda mais sustentável já começou. Quando Gabriela Hearst apresentou a sua coleção de verão 2020 na Semana da Moda de Nova York, ela a definiu como uma “inovação no setor”. A estilista, famosa por seus tricôs de caxemira, não estava se referindo  aos seus looks mais recentes.

Gabriela disse que produziu o primeiro desfile carbono-neutro, em um momento em que a vigilância da pegada ambiental da semana da moda alcança novos patamares.

Pouco depois, a Gucci, a grande potência da moda de luxo, anunciou que também assumiu uma maior responsabilidade pelo preço que a sua companhia impõe ao planeta. Marco Bizzarri, diretor executivo da Gucci, informou que a marca realizou um desfile carbono-neutro na semana da moda de Milão em meados de setembro.

A Gucci “compensou tudo, das emissões produzidas nas viagens dos seus mil convidados e 900 funcionários, incluindo modelos, equipe de produção e funcionários da própria companhia, usando madeira reciclada no palco e convites de papel certificados pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC na sigla em inglês)”  disse Bizzarri.

A Gucci é a primeira marca de moda a ganhar o ISO 20121, a certificação para o seu desfile, ele disse, referindo-se a um padrão de gestão de eventos sustentável da Organização Internacional de Normatização.

A companhia já monitora o seu consumo de água e energia elétrica, e o lixo, que são compensados pela Keting, o seu grupo controlador francês.

A Gucci tornou toda a sua cadeia de suprimentos completamente carbono-neutra, segundo Bizzarri. A companhia compensou todos os gases do efeito estufa de fornecedoras e fabricantes de matérias-primas de terceiros que produzem para a marca, bem como as suas operações diretas.

Tornar-se carbono-neutra não significa que a companhia tenha parado de produzir emissões prejudiciais. A compensação do carbono significa compensar financeiramente pelas emissões que uma empresa produz, cancelando as emissões de gás do efeito estufa em algum outro lugar do mundo. O dinheiro pago para comprar compensações apoia programas destinados a reduzir as emissões.

Atualmente, mais de 90% de todas as emissões da Gucci se originam de sua cadeia de suprimentos e fontes de matérias-primas, informa um documento da companhia.

Sua nova iniciativa tem sido possível graças a dados coligidos de mais de mil fornecedoras nos cinco continentes, destinados à declaração de lucros e perdas ambientais, com a finalidade de aprimorar a análise da pegada ambiental da companhia e estudar onde ela pode tornar-se mais eficiente.

Em 2015, a Gucci lançou uma iniciativa para a redução das suas emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2025. Em 2018, havia reduzido estas emissões em 16%, ou 35% da sua atual pegada ambiental. Ela contribuirá com recursos igualmente distribuídos em todas as iniciativas da ONU para a proteção das florestas em países como Peru e Indonésia.

“Sabemos que não é perfeito, mas não podemos ficar somente esperando as inovações tecnológicas para melhorar a crise do clima”, afirmou Bizzarri. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Suprema Corte dos EUA rejeita apelo da Amazon sobre ação de funcionários

Terceirizados querem ser pagos pelo tempo em que são submetidos avaliações de segurança após seus turnos
Por Agências – Reuters

Amazon teve apelo rejeitado em ação envolvendo funcionários terceirizados

A Suprema Corte dos EUA rejeitou nesta segunda-feira, 7, ouvir a oferta da Amazon para evitar uma ação judicial que visa a garantir que trabalhadores em centros de logística da gigante de comércio eletrônico sejam pagos pelo tempo em que são submetidos a extensas avaliações de segurança após seus turnos.

Os juízes rejeitaram um apelo da Amazon e de uma empresa terceirizada em uma decisão de primeira instância que reacende reivindicações de trabalhadores de acordo com a lei do Estado de Nevada, EUA. A decisão vem cinco anos após o Supremo Tribunal emitir decisão no caso que barrou reivindicações similares de acordo com a lei federal.

Um grupo de trabalhadores centros de logística da Amazon, que embalam e enviam mercadorias, entrou com uma ação coletiva em 2010 contra a Integrity Staffing Solutions, empresa de funcionários terceirizados da Amazon.

Eles buscaram indenização por submeterem-se ao que chamavam de triagens obrigatórias do tipo “segurança de aeroporto pós 11 de setembro”, destinadas a impedir que funcionários roubem mercadorias. Os trabalhadores disseram que a triagem leva cerca de 25 minutos para ser concluída.

A Amazon chamou a descrição do protocolo dos requerentes de “grosseiramente imprecisa” em documentos judiciais.

Na decisão de 2014, a Suprema Corte decidiu que, de acordo com uma lei de 1947 que alterava a Lei Federal de Padrões de Trabalho Justo, as empresas não precisam pagar aos funcionários pelo tempo que passam em verificações de segurança.

Os trabalhadores então pressionaram com suas alegações usando a lei estadual e adicionaram a Amazon como ré. O caso foi consolidado com ações similares no tribunal federal de Kentucky.

Tem pirarucu na Courrèges – e colab sustentável com o Brasil!

 Desfile da Courrèges em Paris com peças de pirarucu brasileiro – Foto Divulgação

Uma das marcas-ícone da moda futurista, a Courrèges está reinventando seu próprio DNA, e pretende zerar todo seu estoque de plástico até banir totalmente o material de suas criações. Afinal, quando André Courrèges (1923-2016) lançou a marca em 1961, criar roupas de plástico era algo revolucionário, democrático e extremamente inovador. Mas hoje sabemos que o look consagrado por ele na coleção Space Age (1964) tem impacto altamente tóxico no meio ambiente.

“O futuro depende do plástico se tornar obsoleto”, postou a marca em seu Instagram. Em 2018 eles começaram o projeto Fin du Plastique (Fim do plástico) e agora registram cada peça produzida com o material, em contagem regressiva, até zerar o estoque. Mas o mais bacana é que o primeiro passo pra nova estratégia envolve uma parceria com o Instituto-e, criado por Oskar Metsavaht.

No desfile primavera-verão 2020, com direção artística de Yolanda Zobel, apresentado na semana de moda de Paris, vários looks substituíram o plástico pelo couro de pirarucu – um projeto desenvolvido pelo Instituto-e na Amazônia. Além disso, a Courrèges está lançando a coleção cápsula de camisetas e moletons Courrèges X IE com peças de algodão orgânico. Bom começo pra estratégia há tempos defendida por Metsavaht: enquanto a França é reconhecida pelo luxo, o Brasil deveria fazer o mesmo com a sustentabilidade. Concordo!

Post da Courrèges no Instagram anunciando a colab, que já está à venda!

   

EUA impõem sanções a startups chinesas de inteligência artificial

Governo chinês estaria sendo punido por seu tratamento a minorias muçulmanas
Por Agências – Reuters

Startups como a Sensetime estão em lista de alvos de sanções

O governo dos Estados Unidos ampliou a lista de sanções comerciais para incluir algumas das maiores startups de inteligência artificial da China, punindo o governo chinês por seu tratamento a minorias muçulmanas e elevando as tensões antes de conversas comerciais de alto nível em Washington nesta semana.

A decisão norte-americana, que provocou uma repreensão dura de Pequim, visa 20 agências de segurança pública chinesas e oito empresas, incluindo a companhia de vigilância com vídeo Hikvision e as líderes da tecnologia de reconhecimento facial SenseTime Group e Megvii Technology.

A ação impede as empresas de comprarem componentes de companhias norte-americanas —algo potencialmente debilitante para algumas delas— e segue o mesmo esquema usado pelos EUA em sua tentativa de limitar a influência da Huawei devido ao que diz serem motivos de segurança nacional.

Autoridades dos EUA disseram que a ação não tem relação com a retomada das negociações comerciais com a China nesta semana, mas não sinaliza nenhum relaxamento da postura linha-dura do presidente Donald Trump enquanto as duas maiores economias do mundo tentam encerrar sua guerra comercial de 15 meses.

O Departamento de Comércio disse em um documento que as “entidades foram implicadas em violações de direitos humanos e abusos na implantação da campanha de repressão, nas detenções em massa arbitrárias e na vigilância de alta tecnologia da China contra uigures, cazaques e outros membros de grupos muçulmanos minoritários”.

“O governo dos EUA e o Departamento de Comércio não podem e não irão tolerar a supressão brutal das minorias étnicas dentro da China”, disse o secretário de Comércio, Wilbur Ross.

A China disse que os EUA deveriam parar de interferir em seus assuntos. O país continuará a adotar medidas firmes e resolutas para proteger sua segurança soberana, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, em um boletim de rotina à imprensa, sem dar detalhes.

A Hikvision, que tem um valor de mercado de cerca de 42 bilhões de dólares, se classifica como a maior fabricante mundial de equipamento de vigilância com vídeo.

A SenseTime, avaliada em cerca de US$ 4,5 bilhões, é um dos unicórnios de inteligência artificial mais valiosos do planeta, e a Megvii, que tem apoio da gigante de comércio virtual Alibaba, está avaliada em cerca de US$ 4 bilhões e se prepara para lançar ações na bolsa para arrecadar ao menos US$ 500 milhões em Hong Kong.

Por que é hora de grandes marcas de beleza adotarem o body positivity

O movimento da positividade corporal está crescendo, apoiado por marcas como Glossier e Isle of Paradise, e ainda assim alguns dos principais nomes do setor ainda são muito lentos para seguir a corrente – Vogue pergunta por quê
NICOLA MOULTON
VOGUE INTERNACIONAL

Isle of Paradise (Foto: Divulgação/ Isle of Paradise)

Atualmente, há 10 milhões de posts com a hashtag #bodypositive no Instagram. O conceito é apoiado por todos, desde celebridades de Hollywood a astros da reality TV e a gigante comunidade online. E o movimento representa uma mudança bem-vinda.

Essa reavaliação mundial de padrões convencionais de beleza cresceu em reação à mesma definição estreita de perfeição física que prevaleceu por tempo demais. Como consumidoras, entendemos. Acreditamos na exposição de tendências inconscientes e em termos permissão para sermos nós mesmas. E isso, na verdade, deveria ser o fim da conversa. Mas atualmente, três ou quatro anos desde que o movimento todo explodiu, seu grito de guerra ainda permanece forte, onipresente nas redes sociais e, ainda assim, notavelmente ausente nas grandes campanhas publicitárias.

Não é que as marcas estejam completamente silenciosas – longe disso: praticamente não existem empresas de beleza ou bem-estar que não estejam proclamando a adoção da diversidade física, a celebração de mulheres “de todos os formatos e tamanhos” e promovendo a “confiança corporal”. Mas o problema é que, quando a questão é traduzir esse sentimento para as imagens que usam e as modelos com quem trabalham, parece que, pelo menos por enquanto, o passo é grande demais.

Então que marcas estão trabalhando bem com a positividade corporal?
Claro que há exceções. A Glossier lançou seus produtos corporais em outubro de 2017. A campanha foi fotografada pela fotógrafa americana Peggy Sirota e mostrou cinco mulheres, cada uma com atributos físicos bem diferentes: desde a tonificada até uma curvilínea e outra em gestação avançada. De modo crítico, o que chamava a atenção em primeiro lugar era a qualidade da pele das modelos: fresca, resplandecente, cheia de saúde e vitalidade. Ela deixou o setor de beleza americano boquiaberto (e a maior parte dos EUA também, considerando que a campanha ganhou vida em mais de 350 anúncios enormes em algumas das áreas de maior tráfego em Los Angeles e na cidade de Nova York, sem falar em uma página inteira no The New York Times também).

Fenty (Foto: Getty Images)

Em março de 2018, quando Jules von Hep, o infame autobronzeador-celebridade lançou sua marca de bronzeamento Isle of Paradise, com foco na positividade corporal, parecia que seria o início do fim para as imagens convencionais de beleza. Tendo passado toda sua carreira escutando mulheres se desculparem por seu corpo enquanto ficavam em pé na frente dele, nuas, antes da sessão de bronzeamento, ele se sentiu obrigado a criar algo baseado em “energia corporal positiva”. Suas imagens trazem mulheres “reais”, mas, acima de tudo, aparentando felicidade, cada uma com um tipo corporal diferente – fazendo com que um editor de beleza comentasse: “É impossível olhar essa campanha e não sorrir – que bela mudança para uma campanha de beleza, certo?”

E há outros exemplos também: Fenty, CoverGirl, Babor e Revlon trabalharam com uma escalação mais diversa de formatos de corpo.

O que as embaixadoras do body positivity estão dizendo?
Ashley Graham, que faz parte do coletivo de embaixadoras da Revlon, o Live Boldly (que inclui também Adwoa Aboah e Gal Gadot), disse sobre o movimento: “Essa deveria ser a norma. Realmente espero e trabalharei para que nos próximos 10 anos não tenhamos nem de discutir o assunto. A beleza está além do tamanho”.

Naomi Shimada (Foto: Dave Benett/Getty Images for EDI)

Dez anos parece ser uma espera longa demais, mas valerá à pena para uma mudança real de ação. A cantora Lizzo, que muitos espectadores concordam que “ganhou Glastonbury” este ano com seu body de paetês e performance com músicas, afirmações de autoamor e flauta em estilo livre, é um farol de positividade corporal para a geração Instagram (“Quero que vão para casa esta noite, se olhem no espelho e digam ‘te amo, você é linda e pode fazer qualquer coisa!’”, ela implorou à plateia).

Ela vem expressando sua crença de que, enquanto mais diversidade é sem dúvida uma coisa boa, qualquer marca que faz uma manobra de 180 graus, negligenciando décadas de promoção de ideais de beleza limitadas e pulando no bonde da positividade corporal pode enfrentar cinismo antes de ser parabenizada. As marcas, ela diz, “passaram décadas dizendo às pessoas que elas não eram boas o suficiente e vendendo a elas um ideal de beleza. De repente você começa a vender autoamor? As pessoas não sabem amar a si mesmas porque estavam tentando ficar iguais à porcaria que você estava vendendo a elas!”

Glossier (Foto: Divulgação/ Glossier)

É um sentimento que a modelo e co-autora Naomi Shimada, do novo livro Mixed Feelings, também expressou. Aos 31 anos, ela é uma “pessoa normal que usa tamanho 14 americano” há quase uma década. Uma de suas maiores frustrações são marcas que adotam uma atitude de efeito em relação à diversidade corporal, escolhendo representações extremas de beleza, só para aparecerem, em vez de refletirem o que ela chama de “média normal”. “Por exemplo, por que os corpos maiores estão sempre nus?”, pergunta. “Por muito tempo, só queriam me fotografar nua. Na moda, diziam que não conseguiam sample sizes maiores… mas na beleza, não deveria fazer diferença. Fico muito frustrada pelo fato de que mulheres maiores nas campanhas estão sempre ou nuas ou são rotuladas por uma estética de ‘garota sexy’. Por que corpos maiores não podem simplesmente ser bonitos?”

Shimada também trabalhou com a Nike, que teve seu próprio momento de controvérsia em relação a positividade corporal em junho, ao lançar um “manequim plus-size” em sua flagship em Londres. Ainda que muitos tenham aplaudido com entusiasmo a ação, algumas pessoas criticaram a apresentação de um manequim “obeso” e que “não consegue correr”. O manequim da Fenty, a marca de Rihanna, por outro lado, lançado apenas alguns dias depois, ganhou aprovação quase universal simplesmente por ser absolutamente normal. “Marcas como a Fenty sabem o que está acontecendo”, diz Shimada.

Por que grandes marcas são lentas para entender a positividade corporal?
O momento da Nike em particular reflete uma confusão obscura de tendências inconscientes que talvez ajudem a explicar a batalha que as marcas de beleza estão travando. Tem a ver com o cruzamento entre “bonito” e “saudável”. É possível ter um sem o outro? Como a saúde se relaciona com tamanho nesses dias de #fitnotthin? A interação entre os conceitos de saúde e beleza está mudando, e a indústria da beleza, que por tanto tempo agiu em conformidade com um conjunto extremamente rígido de ideais físicos, está encontrando dificuldade em navegar entre os dois.

A Dove vem batalhando seu lugar na indústria da beleza – celebrando e ao mesmo tempo o questionando – desde que lançou sua campanha pela beleza real em 2004. Mas em maio passado, a marca ganhou um prestigioso Leão de Cannes por seu projeto da campanha #ShowUs, em que a Dove trabalhou em colaboração com a Getty Images e a plataforma de Amanda de Cadenet de fotografia sob o olhar feminino, chamada GirlGaze, na criação de um banco com cinco mil fotografias de “mulheres reais”, fotografadas por mulheres, todas agora disponíveis para mídia e anunciantes usarem, de graça. “Quisemos reagir ao poderoso insight de que 70% das mulheres ainda não se sentem representadas pelas imagens que veem todos os dias”, diz a vice-presidente de marca global da Dove, Sophie Galvani.

O comprometimento da Dove é impressionante, e um dos poucos exemplos mundiais de uma empresa de beleza à frente da mudança. Então por que mais marcas não estão pensando visualmente sobre as imagens que retratam? “Acho que é uma mudança grande que pode ser amedrontadora de tomar”, diz Galvani. Von Hep continua: “Tantas pessoas me alertaram para não fazer o negócio da positividade corporal. Tive discussões com amigos, colegas, varejistas… acho que há um medo real sobre adotar a postura, fazer as coisas de forma diferente, mesmo agora”. Shimada concorda: “Acho que o medo é que vamos mudar tudo e assustar e afastar o público. Gostaria de pensar que podemos ir além disso”, diz. “Quero acreditar em um mundo em que temos mais visão que isso. Gostaria de ver mais comprometimento das marcas maiores pelo menos”.

Uma indústria da beleza com maior positividade corporal está de fato em nossas mãos enquanto consumidores?
Por fim, no entanto, o trabalho das marcas de beleza é vender produtos. Quanto tempo mais até pararmos de aceitar o desequilíbrio e começarmos a votar com nosso dinheiro? O que Galvani considera estranho na relutância das marcas oferecerem uma representação mais inclusiva da imagem corporal é que na verdade ela parece fazer sentido econômico também. “Se marcas ou produtos usassem imagens mais diversas, seis em cada dez mulheres que pesquisamos no mundo todo disseram que teriam maior probabilidade de comprá-los”, diz.

E então, apenas talvez, deveríamos começar a pensar sobre uma descrição com maior positividade corporal dos produtos que estão vendendo também. Por mais que sejamos capazes de aplaudir a brilhante campanha do Body Hero, da Glossier, ele é acompanhado por um produto chamado Body Hero Daily Perfecting Cream. Aperfeiçoamento? Não é exatamente essa a linguagem que estamos tentando mudar? Mas a Glossier faz produtos ótimos, e não podemos ignorar a pele naquelas fotos. Talvez possamos deixar de lado nossa indignação moral às vezes – afinal, ninguém é perfeito.