Prestes a fazer Batman, Robert Pattinson diz que o legal é explorar o grotesco e o bizarro

Ator tem se reinventado a cada trabalho após ‘Crepúsculo’
KYLE BUCHANAN

O ator Robert Pattinson em Los Angeles – Ryan Pfluger/The New York Times

Quando Robert Pattinson, 33, aceitou o papel do encrenqueiro Delfim [príncipe herdeiro] da França em “The King”, que estreia em breve na Netflix, ele sabia que era um papel suculento, que lhe ofereceria o prazer de insultar Timothée Chalamet. Mas Pattinson não tinha compreendido o personagem perfeitamente até ver as fotos do cabelo e maquiagem de sua coestrela Lily Rose Depp, 20, escalada para o papel de uma jovem inocente da família real.

“Eu pensei na hora que queria fazer o papel de uma princesa, também”, disse Pattinson.

O cabeleireiro capitulou, dando-lhe cachos longos e dourados, mas Pattinson tinha mais uma surpresa em reserva: no estúdio, ele exibiu um sotaque francês tão deliciosamente exagerado que todas as suas cenas ganharam uma energia cafona maravilhosa. No começo, “eu não tinha certeza de se aquilo era ridículo”, recorda Pattinson. Mas depois da primeira tomada, ele viu um colega de elenco, Joel Edgerton, gargalhando com seu desempenho. “E imediatamente pensei que aquilo era ótimo, e eu estava amando”.

Há pouca coisa de que Pattinson goste mais do que de confundir expectativas, e havia muitas expectativas quanto a ele depois da franquia “Crepúsculo”, um imenso sucesso de bilheteria cujo episodio final foi concluído em 2012. Desde então, ele vem se reinventando como muso de cineastas criativos, sempre disposto a emprestar seu espírito brincalhão e seu frisson pela cultura pop a filmes de arte de diretores como Claire Denis, David Cronenberg e os irmãos Safdie.

Seus instintos irreverentes são exibidos com mais destaque m “The Lighthouse”, um novo, divertido e sombrio filme de Robert Eggers (“The Witch”), que opõe Pattinson a Willem Dafoe como guardiões de um farol no século 19 que bebem, brincam e até dormem abraçados. A filmagem, realizada na região canadense da Nova Escócia, foi trabalhosa, e a abordagem incomum de Pattinson —para entrar no clima das cenas, ele às vezes se sufocava ou se esbofeteava— em muitos momentos apanhou Eggers e Dafoe de surpresa.

Mas Pattinson considera que a tensão ajuda. “Mesmo que seja raiva que você está sentindo, isso é mais interessante do que tédio, porque raiva é algo que você pode usar”. Pattinson me disse recentemente em um hotel em North Hollywood, onde “The Lighthouse” havia acabado de ser exibido para uma plateia de pessoas com direito a voto em premiações de cinema.

Depois de passar os últimos anos trabalhando em filmes independentes. Pattinson planeja uma nova mudança de rumo. Ele está filmando “Tenet”, um filme de grande orçamento para lançamento no verão, sob o comando de Christopher Nolan”, e acaba de ser escalado para o papel principal de “The Batman”, uma visão repaginada do herói de quadrinhos, prevista para 2021. “É uma experiência muito diferente dos filmes que venho fazendo”, disse o ator. “Normalmente minhas filmagens duram seis semanas; esta durará seis meses”.

Abaixo, trechos editados de nossa conversa:

É justo dizer que personagens excêntricos o atraem?
Sempre pensei que o único motivo para interpretar um cara bonzinho o tempo todo é que você morra de vergonha do que vem fazendo na vida real, enquanto que, se você é uma pessoa bem normal, a parte mais divertida de fazer filmes é que você possa explorar os lados mais grotescos ou bizarros de sua psique em um ambiente razoavelmente seguro. E é sempre mais divertido quando você choca as pessoas que estão na sala. Se você terminar sendo tedioso, é a pior coisa que pode acontecer.

 Você acha que foi tedioso em algum trabalho?
O tempo todo. Você entedia até a você mesmo. Em “The Lighthouse”, de 17 tomadas que eu fazia, duas funcionavam, e nas outras eu arriscava alguma coisa diferente que me conduzia a lugar nenhum. Mas é melhor isso do que fazer um plano e respeitá-lo.

Como foi o primeiro dia de filmagem de “The Lighthouse?
Bem, minha primeira cena era uma de masturbação feroz. É sempre gostoso fazer algum coisa exagerada na primeira tomada, e eu fui fundo naquele dia. Fiz o contrário do que tínhamos tentando nos ensaios, e vi que Robert (Eggers) parecia meio chocado, depois. Mas para mim a ideia era a de que, se ninguém me mandou parar, posso continuar nessa direção. E assim que fiz isso foi como se a estrada começasse a ser pavimentada.

Por que você não sentiu que podia mostrar esse lado do personagem nos ensaios?
Eu tento fazer diferente toda vez, e se você ensaiar a cena 30 vezes, vai ter de pensar em 30 maneiras de fazê-la – mesmo que a primeira dessas maneiras provavelmente seja a melhor. Odeio fazer uma segunda tomada exatamente igual à primeira. Melhor que me demitam.

Fazer a cena do mesmo jeito lhe parece falso?
É tedioso, e só! Eu certamente conheço atores que adoram ensaiar, e são muito bons, de modo que há algum benefício nisso. Mas também há algo de bom em estar completamente comprometido na hora de filmar, na hora do fazer ou morrer, e isso permite que você seja mais livre. Ou talvez eu seja só preguiçoso e só queira trabalhar no dia em que a filmagem começa!

 “The Lighthouse” no começo parecia ser uma comédia, para você?
Quando li o roteiro, achei hilariante, mas tive uma experiência parecida em “High Life” [um drama espacial sobre condenados enviados a um buraco negro]. Quando Claire Denis e eu assistimos a algumas cenas sozinhos, nos mijamos de rir – é insano, aquele filme. Mas na estreia de “High Life”, havia aquele silêncio mortal, as pessoas assistindo sem rir. E eu fiquei pensando que ninguém estava percebendo o absurdo daquilo.

As pessoas imaginam que, por ser um filme de arte, não pode ser engraçado.
Eu fiquei preocupado com a possibilidade de que, se as pessoas não forem informadas de que “The Lighthouse é uma comédia, elas não se sentiam no direito de rir durante o filme. No passado, eu senti que fazer filmes era quase como fazer uma prova na escola – havia grande pressão para acertar. Mas agora eu me virei mais para o lado oposto das coisas: filmar é para ser divertido, e se você trabalhar assim, aprecia mais e termina bem. Rir realmente muda as coisas.

Você está trabalhando no novo filme de Christopher Nolan e vai começar a filmar “The Batman” em breve. Como é a sensação de ter trocado filmes de arte pelas maiores produções de estúdio?
Bem, “Dunkirk” foi quase um filme de arte. Chris Nolan é literalmente o único diretor capaz de fazer um filme de arte com um orçamento de centenas de milhões de dólares, e que não tem a menor cara de filme de estúdio. No caso de “Batman”, se eu tivesse feito o filme alguns anos atrás, teria ficado incrivelmente nervoso, mas ainda faltam alguns meses para o início das filmagens. Tempo de sobra para ter um ataque de pânico.

Você disse antes que encara com ceticismo qualquer ator que queira interpretar o herói, e aí está você, fazendo o Batman.
Batman não é um herói, porém. É um personagem complicado. Não acredito que eu pudesse interpretar um herói real – é preciso que sempre exista algo de errado. Acho que é porque um dos meus olhos é menor que o outro.

O que o empolga, no Batman?
Amo o diretor, Matt Reeves, e o personagem é bacana. A moralidade é um pouco fora de esquadro. Ele não é o garoto de ouro, ao contrário dos demais personagens de quadrinhos. A visão de mundo dele tem uma simplicidade, mas seu posicionamento é estranho, e isso dá mais espaço para que o ator se divirta com o personagem.

Você se interrompeu.
Sempre tenho medo de que, quando digo algo sobre “Batman”, as pessoas na internet fiquem tentando decifrar o que a fala significa. E eu não sei! Eu costumava ser bom em me censurar, mas disse coisas ridículas vezes demais, ao longo dos anos, e por isso sempre fico curioso, ao promover meus filmes, sobre o número de besteiras que vou fazer. Parece que com cada filme lançado, há sempre alguma coisa que digo que provoca reações do tipo “mas que experiência absurda pode ter produzido essa absoluta bobagem?”

Você disse que antecipava uma reação ácida na internet, depois de ser escolhido para o papel de Batman.
Talvez eu já esteja acostumado a ser agredido. Pelo menos não recebi ameaças de morte desta vez – isso é uma vantagem! É engraçado que as pessoas fiquem tão furiosas sobre “Crepúsculo”. Nunca entendi o motivo.

Quando um ator estrela em uma franquia feita para mulheres, há homens que se ressentem: “Minha namorada gosta dele, e assim eu não gosto”.
Eles precisam pensar sobre os motivo do que sentem. Talvez seja hora de eles examinarem suas almas a fundo. Por que você teme o que você não compreende? Mas, sim, é muito estranho. Tudo que acontecia em torno de “Crepúsculo” era estranho. Eu costumava andar na rua sem ninguém me reconhecer, e em quatro anos tudo mudou.

Você se preocupa com a possibilidade de que voltar a fazer filmes grandes possa atrair escrutínio desse tipo de volta à sua vida?
As pessoas já não mexem comigo do mesmo jeito agora. Quando eu era mais jovem, os paparazzi me seguiam como loucos. Eu saía de algum lugar e as pessoas gritavam e me xingavam – não consigo imaginar que as coisas voltem a ser assim. As revistas de fofocas todas meio que desapareceram e todo mundo publica suas coisas no Instagram, de qualquer jeito.

Todo mundo menos você.
Bem, sou velho e chato. E só tenho barriga tanquinho por duas semanas ao ano, se tanto. THE NEW YORK TIMES

Tradução de Paulo Migliacci ​​

Ana Abril for Vogue Ukraine with Maria Pena & Hernan Cano

Creative direction & Photography: Ana Abril. Assistant Photographer: Beatriz Amez. Style: Raquel Trejo. Assistant Stylist: Tete de Castro. Hair & Makeup: Maryorie Tics. Set Design: LAAS Estudio Creativo. Models: María Peña & Hernan Cano at uno models

Mulher-Maravilha 1984 | Gal Gadot confirma presença na CCXP19

A diretora Patty Jenkins também marcará presença no evento
MARIANA CANHISARES

Atriz Gal Gadot como Mulher-Maravilha

A atriz Gal Gadot e a diretora Patty Jenkins usaram suas respectivas redes sociais para confirmar que virão para a CCXP19. Ambas participarão do evento no domingo (8), em um painel dedicado para Mulher-Maravilha 1984, que tem estreia marcada para junho de 2020. Os presentes poderão conferir o primeiro trailer do longa.

“Oi, Brasil! Mulher-Maravilha 1984 vai para o Brasil em dezembro, na CCXP, e estou muito ansiosa para vê-los!”, escreveu Gadot.

A trama do longa, ambientada nos anos 1980, segue envolta em mistérios, mas se sabe que, além do retorno de Jenkins e Gadot, o filme terá Chris Pine como Steve Trevor, Kristen Wiig como a vilã Mulher-Leopardo e Pedro Pascal em um papel ainda desconhecido.

Outros nomes convidados dessa edição são:Ian Glen(Sor Jorah Mormont de Game Of Thrones), Lana Parrilla(Regina de Once Upon a Time), Lesley-Ann Brandt (Mazikeen de Lucifer), Takashi Shimizu (diretor de O Grito) e muitos outros.

A CCXP 2019 acontecerá entre 5 e 8 de dezembro no São Paulo Expo. O terceiro lote de ingressos está à venda no site oficial do evento.

Cavernas viram casas de veraneio em ilha grega

Estrutura foi suavizada e ganhou toque decorativo para receber hóspedes

As cavernas subterrâneas de uma casa antiga na cidade de Fira, na ilha grega de Santorini, na Grécia, foram convertidas em um complexo de casas de férias pelos arquitetos Kapsimalis. Os interiores ásperos e abobadados das cavernas foram suavizados e finalizados com gesso em tons terrosos, com luminárias minimalistas e armazenamento discreto embutido.

Uma das novas casas de verão ocupa a área da casa original, enquanto a outra fica dentro das cavernas. Para manter a sensação original da casa, a aparência externa das estruturas, bem como sua disposição em torno de dois pátios murados, foi mantida.

A entrada para a primeira casa é feita por um pátio em forma de cunha, parcialmente coberto por uma área de estar no mezanino acima da entrada e uma piscina longa e fina. Este pátio forma um espaço comum para dois quartos separados, dispostos em torno de uma área de estar, cozinha e sala de jantar no centro, sob um teto alto e abobadado.

Nas cavernas, a segunda casa de férias tem seu próprio acesso através de um segundo pátio retangular e inclui espaço para banhos de sol, uma piscina abobadada e uma escada que leva a uma área de jantar no terraço com vistas para um vulcão próximo.

As entradas e nichos na caverna adotam uma forma de arco, lembrando as abóbadas dos tetos. Paletas de cores e acessórios foram escolhidos para refletir as duas condições distintas da antiga casa e das cavernas, com móveis feitos por artesãos locais.

Jeanne Damas nos mostra sua nova boutique, Rouje e restaurante, Chez Jeanne| Vogue Paris

Jeanne Damas acaba de abrir sua própria boutique e restaurante em Paris, realizando um sonho de infância. A Vogue Paris fez uma visita guiada a Rouje e Chez Jeanne para ver de perto os batons e vestidos, provar o cardápio e conhecer alguns dos segredos de beleza da modelo.

Director/ Producer – Nikki Petersen
Director of Photography – Thibault Della Gaspera
Editor – Elie Pszenny
Color Grade – Etienne Baussan
Editor-in-chief – Jennifer Neyt

Michelle Pfeiffer afirma ter sofrido abuso de ‘homem poderoso do cinema’ no passado

Atriz diz que se encolhe ao recordar o que aconteceu há 40 anos

Michelle Pfeiffer na premiere europeia de “Malévola 2” – Yara Nardi/ Reuters

A atriz Michelle Pfeiffer, 61, afirmou em entrevista a uma revista britânica que foi vítima de abuso sexual por um “homem poderoso” da indústria cinematográfica, no início de sua carreira. Segundo ela, o movimento #MeToo a fez rever o que aconteceu com ela no passado. 

“Primeiro, eu pensei: ‘Bem, não experimentei isso’. Mas, com o passar do tempo, comecei a dizer: ‘Bem, na verdade, houve uma vez”, disse Pfeiffer à revista The Sunday Times, afirmando que negou o fato e se culpou com pensamentos como “eu não deveria ter usado esse vestido” ou “eu deveria saber”.

“Eu não vou compartilhar [o ocorrido], mas olho para trás e me encolho. Eu estava realmente desconfortável, era inapropriado. Coloquei [todas as lembranças] numa gaveta. Eu tinha 20 anos e estava com uma pessoa poderosa da indústria”, acrescentou ela, em cartaz hoje com o filme “Malévola 2”

Michelle Pfeiffer na première de “Malévola: Dona do Mal” que aconteceu em Roma.

Desde o surgimento do movimento #MeToo, que denunciou casos de assédio envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, várias atrizes relataram abusos. A mais recente foi Sarah Jessica Parker, 54, da série “Sex and the City”, que disse ter recorrido ao seu agente após um ator demonstrar comportamento inadequado. 

“Com base no que está acontecendo agora e nas histórias contadas naquele período [do #MeToo], sei como sou sortuda por ter alguém —nesse caso, um homem— que interveio”, afirmou Parker à revista People em julho. “Eu acho ótimo quando as mulheres se sentem confortáveis pra falar a respeito, e essa é a escolha delas”.

Coty planeja vender operações no Brasil e marcas como Wella e Clairol

Pigmentos naturais: a Desinchá Beauty tem desde bases e máscaras de cílios até iluminadores e batons com pigmentação natural 

FINANCIAL TIMES – A fabricante de cosméticos Coty estuda a possibilidade de vender sua divisão de produtos profissionais para cabelos e unhas, que inclui as linhas Wella e Clairol, como parte de seus esforços para reduzir suas dívidas e simplificar sua estrutura, depois de uma série de reveses na empresa. A companhia também busca vender sua operação no Brasil, e planeja completar as vendas até a metade de 2020.

A Coty espera arrecadar entre US$ 8 bilhões (R$ 33 bilhões) e US$ 9 bilhões (R$ 37,1 bilhões), no mínimo, com as transações, acrescentou uma pessoa informada, e acredita que empresas concorrentes e grupos de capital privado estariam interessados em todos ou em parte de seus negócios.

A venda proposta representa o mais recente esforço da JAB, controladora da Coty, para resolver os problemas da empresa, que apresenta um dos desempenhos mais fracos em uma carteira que inclui a Keurig Dr Pepper e a Pret A Manger.

As ações da companhia, cotadas nos Estados Unidos, subiram em quase 15% com a notícia de que a Coty, cujo acionista majoritário é a companhia de investimento , havia contratado o Credit Suisse para conduzir o processo de venda das unidades.

A divisão atende a salões de beleza profissionais e deve gerar US$ 2,7 bilhões (R$ 11,1 bilhões) em receita este ano. Outras marcas na carteira que a Coty está colocando à venda incluem a Good Hair Day (ghd) e a OPI, de produtos para unhas.

A Coty fracassou na integração das marcas de beleza da Procter & Gamble que adquiriu por US$ 12,5 bilhões (R$ 51,6 bilhões) em 2015, e foi forçada a registrar uma depreciação de um quarto do valor da transação. A empresa também sofreu problemas de cadeia de suprimento no ano passado, o que causou queda nos preços de suas ações e levou a JAB a substituir seu comando executivo.

Pierre Laubies, presidente-executivo da Coty, disse que as vendas de ativos “reposicionariam a Coty como empresa mais ágil e de foco mais firme, reduziriam nosso endividamento e aumentariam nossa capacidade de investir nas áreas com maior potencial de crescimento”.

Se os produtos profissionais de beleza forem vendidos, a Coty ficará com sua divisão de produtos de beleza ao consumidor, que vem enfrentando uma queda de vendas à medida que suas marcas voltadas ao mercado de massa, como a CoverGirl, perdem preferência entre os compradores jovens, e com sua divisão de luxo, que fabrica fragrâncias sob licença.

A venda recolocaria no mercado algumas das marcas adquiridas da Procter & Gamble, e desfaria uma série de aquisições que remonta a 2010. A divisão de produtos profissionais de beleza respondeu por cerca de um quinto do faturamento anual de US$ 8,65 bilhões (R$ 35,7 bilhões) da Coty nos 12 meses até o final de junho.

As ações da Coty, cuja dívida líquida é de US$ 7,4 bilhões (R$ 30,5 bilhões), vêm cambaleando nos últimos 12 meses, e caíram abaixo de seu valor de oferta pública inicial em 2013. A alta da segunda-feira conduziu o valor de mercado da companhia a US$ 8,7 bilhões (R$ 35,9 bilhões).

As margens de lucro mais baixas e o crescimento mais fraco da companhia deixaram suas ações muito abaixo dos preços obtidos por rivais como L’Oréal e Estée Lauder, que registraram alta respectiva de 26% e 47% em suas ações nos últimos 12 meses.

A companhia disse que os proventos da venda devem ser usadas para reduzir a relação entre sua dívida líquida e a receita anterior aos juros, impostos, depreciação e amortização de mais de cinco para um a cerca de três para um. Qualquer provento adicional seria devolvido aos acionistas, entre os quais a JAB.

A JAB, que administra a riqueza da bilionária família Reimann, da Alemanha, elevou sua participação na Coty de 40% para 60% em abril, para tentar pôr fim a um período conturbado. Os problemas da Coty também influenciaram na demissão de Bart Becht, sócio diretor da JAB que deixou a empresa em janeiro; Becht foi presidente do conselho da Coty anteriormente.

Tradução de Paulo Migliacci

‘Política eleitoral, sozinha, não vai mudar as consequências do capitalismo racista globalizado’, diz Angela Davis

Filósofa americana exaltou o feminismo negro brasileiro e disse estar animada com o sucesso do discurso anticapitalista entre a juventude americana
Ruan de Sousa Gabriel

Angela Davis é um dos principais nomes do feminismo negro no mundo Foto: Arte de Lari Arantes

SÃO PAULO – A filósofa americana Angela Davis se recusa a escolher apenas um rótulo — feminista, antirracista, anticapitalista ou abolicionista — para definir seu ativismo.

– Não acredito que seja saudável escolher uma luta e dizer que é mais importante, mas reconhecer como as diferentes lutas se conectam — afirmou ela, em uma coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira no auditório do Parque Ibirapuera, em São Paulo. — Eu não posso ser uma militante antirracista sem falar da dimensão heteropatriarcal do racismo. Não posso ser feminista sem reconhecer o papel que o capitalismo e o racismo tiveram em moldar o patriarcado.

Sobre o assunto, Angela citou, inclusive, a feminista negra brasileira Lélia González, morta em 1994:

— Hoje chamamos isso de “interseccionalidade”, mas antes mesmo desse termo ser introduzido, Lélia González já pensava o racismo junto com os impactos da colonização nos povos indígenas, levando em conta que a maioria da população é formada por mulheres.

Angela Davis está no Brasil para lançar sua “Autobiografia” a convite da editora Boitempo, que publica seus livros por aqui, e da Fundação Rosa Luxemburgo. No livro, ela recorda as lutas sociais que sacudiram os Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970, quando ela militava no Partido dos Panteras Negras, organização revolucionária do movimento negro americano fundada em 1966 e atuante até 1982.

Por conta de suas relações com os Panteras Negras, Angela chegou a ser presa e enfrentou um julgamento acompanhado ansiosamente pelo mundo todo em 1970, aos 28 anos.

Em sua oitava visita ao Brasil, Angela preferiu não dar entrevistas individuais a jornalistas, mas uma coletiva de imprensa e conferências públicas e gratuitas. Ela prestou solidariedade às lutas dos indígenas e sem-teto brasileiros, dos curdos, dos palestinos e diz que os EUA têm muito o que aprender com o feminismo negro brasileiro.

— Estou extremamente impressionada a profundidade do trabalho realizado no Brasil. Para muitos de nós, o Brasil era um raio de luz, de esperança, até que vieram as eleições, e nós prometemos não pronunciar o nome de quem foi eleito, porque na tradição africana nomear é atribuir poder — destacou. — Mas continuo me impressionando e sentido esperança sempre que venho ao Brasil. Sinto um impulso coletivo aqui, principalmente entre os jovens, entre as jovens mulheres negras.

Angela confessou estar animada com a popularidade de políticos socialistas nos EUA, como o senador e pré-candidato à Presidência Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, ambos do Partido Democrata.

— É muito empolgante ver um número tão grande de jovens indo em direção ao anticapitalismo. Depois do Occupy Wall Street, assistimos à ascensão de um discurso anticapitalista que não víamos desde os anos 1930, quando houve grandes lutas sindicais e o Partido Comunista tinha centenas de milhares de membros — disse ela, que concorreu à vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista em 1980 e em 1984. — Hoje falamos do 1%. Todos sabem que é obsceno que uns poucos homens concentrem mais riqueza do que metade da humanidade. Qualquer um que tem algum sentimento pela humanidade precisa reagir.

No entanto, Angela alertou que não se deve depositar todas as esperanças nas eleições.

— Muitos jovens sabem que só a política eleitoral não vai mudar as consequências do capitalismo racista globalizado. Precisamos fazer mais do que eleger um presidente. Queremos tirar Donald Trump, mas isso não vai resolver os problemas mais profundos — disse. — As conversas sobre racismo e violência de gênero atingiram níveis sem precedentes nos EUA. Temos que continuar nessa direção, mas isso só vai acontecer se tivermos movimentos sociais radicais.

Angela terminou dizendo que só agora estamos lidando mais seriamente com a herança de séculos de escravidão e que, apesar da demora, está esperançosa.

— O racismo nunca permanece o mesmo, mas suas estruturas permitem que o racismo do passado tenha ressonância ainda hoje. Nós proclamamos a abolição da escravidão pensando que os impactos econômicos, culturais e sociais da escravidão fossem desaparecer automaticamente — disse. — O título de uma antologia feminista recente é “All the women are white, all the blacks are men, but some of us are brave” (em português, “Todas as mulheres são brancas, todos os negros são homens, mas alguns de nós são corajosos”) , e nós, os corajosos, vamos lutar contra o capitalismo, o racismo e o patriarcado. Vamos começar agora o que deveria ter sido feito um século e meio atrás. É só o começo. É muito empolgante, e não podemos parar.

Na noite desta segunda-feira, às 19h, Angela apresenta uma conferência pública e gratuita na plateia externa do Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer.

Na quarta-feira, dia 23, ela abre o “Encontro de cinema negro Zózimo Bulbul: Brasil, África e outras diásporas”, no Cine Odeon, no Rio.

‘Star Wars: a ascensão Skywalker’: filme ganha pré-venda a dois meses da estreia e trailer inédito

Com direção de J.J Abrams, o nono filme da saga estreia dia 19 de dezembro

‘Star Wars: a ascensão Skywalker’ Foto: Divulgação

Faltando quase dois meses para uma das estreias mais aguardadas do ano, os cinemas iniciam a pré-venda para “Star Wars: a ascensão Skywalker” nesta segunda-feira (21) a partir das 21h.

O filme, que estreia nos cinemas de todo o Brasil no dia 19 de dezembro, marca o fim da saga da família Skywalker ao longo de nove episódios. Quem quiser garantir seu lugar nas sessões poderá efetuar a compra de ingressos por meio dos sites das principais redes de cinema do Brasil (veja no fim desta matéria).

Dirigido por J.J Abrams (que retorna à saga depois de “O despertar da Força”), o longa também ganha um novo trailer nesta segunda (21), por volta das 22h45, segundo informações da franquia (post abaixo).

O elenco traz nomes como Carrie Fisher, Mark Hamill, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Domhnall Gleeson, Richard E. Grant, Lupita Nyong’o, Keri Russell, Joonas Suotamo, Kelly Marie Tran e Billy Dee Williams.