Rotina diária de autocuidado de Laura Dern| Beauty Secrets | Vogue

A atriz indicada ao Oscar Laura Dern dá à Vogue uma visão interna de sua rotina de beleza, apresentada com seu carisma sem esforço.

Negros empreendem mais do que brancos, mas faturam menos

Pesquisa do GEM com apoio do Sebrae mostra ainda que 45% dos afroempreendedores abrem negócio por necessidade, contra 28% dos brancos, e não por oportunidade
André Marinho, O Estado de S.Paulo

O dono da loja Afropolitan, Hasani Damazio (ao centro), e seus gerentes Paula Renata e Thiago Braziel. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Mônica Tavares, de 38 anos, já teve de fechar dois negócios. Sem experiência em gestão, não conseguiu manter uma banca de revistas e, mais tarde, uma livraria dedicada ao público LGBT+ em Salvador. “Eu precisava de renda. Minha mãe era profissional liberal e a gente passava muito sufoco”, lembra.

Os esforços da empreendedora – atuando no mercado mais por necessidade do que por oportunidade de negócio – retratam o cenário enfrentado por outros negros no País, como mostra pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), com entrevistas realizadas no ano passado em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e divulgadas agora com o apoio do Sebrae.

O GEM realiza pesquisas sobre empreendedorismo em cerca de 80 países, sob a coordenação de um consórcio liderado pela London Business School; no Brasil, é feita desde o ano 2000. Para este levantamento, foram entrevistados 2.000 brasileiros, divididos por gênero, raça, idade e região em proporção representativa dos brasileiros adultos.

A pesquisa revela que 38% da população do País empreende, com negócios formais e informais em diferentes estágios de maturação. Dentre estes empreendedores, 40% são autodeclarados pretos ou pardos, enquanto 35% são brancos (o restante inclui amarelos e indígenas).

“(Essa proporção) ocorre por falta de oportunidade no mercado de trabalho, porque a qualificação média deles é menor”, explica Marco Bedê, economista do Sebrae que participou da elaboração do estudo.

Entre os negros, o levantamento mostra que quase a metade (45,5%) abre a própria empresa por necessidade. A falta de alternativa justifica apenas 28,5% das aberturas de negócios entre os brancos.

Negócios iniciados por necessidade, diz o especialista, tendem a ter estruturas mais frágeis, porque representam a única opção de sustento para o indivíduo. “As pessoas que começam a empreender por oportunidade têm formação melhor e tempo maior para fazer planejamento”, aponta. 

Estudo e renda

Na terceira vez em que Mônica Tavares tentou empreender, a história foi diferente. Enquanto cursava administração de empresas, em 2012, ela se aproveitou da própria experiência para abrir uma consultoria para pequenos empresários em situação similar à dela. Hoje, a MEI Bahia emprega oito pessoas. “Fui percebendo demandas de mercados suprimidas, de perfis que não eram atendidos, como o meu.” 

Com o crescimento da empresa, ela não conseguiu terminar o curso de administração. “Uma das coisas pelas quais talvez empreendedores brancos não passem é ter que escolher entre estudar e trabalhar. Eu tive que fazer isso. Parei no sétimo semestre da faculdade”, revela.

De fato, a proporção de empreendedores brancos que concluíram o ensino superior (12,8%) é bem maior que a registrada entre negros (6,6%), ainda de acordo com a pesquisa.

A Afropolitan, aberta em 2018, é um dos negócios acelerados pelo investidor Hasani Damazio. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O abismo também é verificado nos caixas das empresas. A proporção de empreendedores negros em começo de negócio que ganham até dois salários mínimos é de 54%, sendo 37% no caso dos brancos.

Outro exemplo de empreendedora negra é a assistente social Rose Lourenço. Em abril, ela decidiu deixar o trabalho em uma ONG na periferia de São Paulo para se dedicar à Semente Crioula, grife de roupas infantis para crianças negras. O maior desafio, diz, é encontrar lugares onde expor seus produtos.

“Já coloquei na minha cabeça que este será o ano dos investimentos. Se não rolar até o ano que vem, eu vou procurar um emprego”, conta. O sonho de Rose é conseguir montar duas lojas: uma na região da rua Augusta, no centro, e outra em Salvador, na Bahia.

Enquanto isso, ela expõe os produtos em locais como a Afropolitan Station, boutique colaborativa na República, região central de São Paulo. O espaço, inaugurado em 2018, reúne 45 marcas de empreendedores negros de diversos segmentos.

Negro que investe em negro

Por trás do Afropolitan está o investidor-anjo Hasani Damazio, de 39 anos, que criou a loja e o marketplace ao lado da mãe, Elida Monteiro. “Não é que a gente queira segregar a economia. A maior forma de honraria que uma pessoa pode fazer à cultura negra é consumir produtos feitos por negros”, avalia.

A Afropolitan é só mais um dos projetos de Damazio focados no afroempreendedorismo. Brasileiro nascido em uma família de ativistas, ele cresceu na Catalunha, na Espanha, e morou em diferentes cantos do planeta, como São Paulo, Paris e República do Guiné. 

Nos Estados Unidos, onde estudou negócios e relações internacionais na Universidade de Nova York, conta ter sido despertado para a importância de aproveitar talentos negros no combate à desigualdade. “A maioria dos negros que empreende não teve um tio ou um pai empreendedor. Não teve as conversas de jantar sobre o sucesso dos negócios”, explica.

Peças vendidas na loja Afropolitan, no centro de São Paulo, que reúne 45 marcas de empreendedores negros. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O ímpeto deu origem ao Afro.Estate, fundo de investimentos voltado para aceleração de startups administradas por negros. Além da própria Afropolitan, a carteira é formada por outras duas empresas: a Awo Systems, que atua na busca de soluções de big data e inteligência artificial para afroempreendedores, e o Clube da Preta, clube de assinaturas que reúne produtos de mais de 200 marcas.

No caso do clube, todo mês os cerca de 380 assinantes recebem uma caixa com peças de roupas, livros, acessórios, entre outros itens feitos por empreendedores negros (planos a R$ 99,90 ou R$ 199,90 por mês).

“O Clube da Preta nasce de um desejo de ajudar microempreendedores que circulam pela periferia e sempre nos diziam que vendiam muito entre outubro e dezembro, mas que de janeiro a setembro tinham que se virar de outro jeito”, diz Bruno Brigida, sócio da empresa ao lado de Débora Luz.

Em contato com uma rede robusta de gestores negros, Brigida explica que um dos principais entraves para o sucesso desses negócios é a resistência dos consumidores. “No subconsciente, as pessoas que não são negras têm a percepção de que tudo o que vem dos negros é minorizado, ou seja, a qualidade não é boa”, avalia ele.

Brigida conta que o acesso restrito ao crédito também é um desafio. Ele diz que nunca havia conseguido recursos por meios tradicionais, até chegar a Afro.Estate.

Meta de 100 empresas e R$ 1 bilhão

Até 2020, o portfólio do fundo de Hasani Damazio deve chegar a cinco empresas. Para 2028, a meta é mais ambiciosa: reunir 100 empresas que, somadas, estejam avaliadas em R$ 1 bilhão. “Pretendo atrair, para cada uma delas, investimentos de R$ 1 milhão e, daí, conseguir valorizá-las a R$ 10 milhões”, calcula o investidor-anjo.

Os investimentos dele variam entre R$ 50 mil e R$ 250 mil, de acordo com as necessidades de cada negócio. As aplicações são de caráter produtivo, isto é, são direcionadas aos projetos, e não aos empresários.

“Nenhum real que eu invisto vai para a compra de uma casa, por exemplo. É tudo para o projeto”, diz ele, que adquire participação de entre 10% e 20% dos projetos em que investe.

Estamos trabalhando em algo’, diz Jennifer Aniston sobre ‘Friends’

Atriz negou que o projeto seja um reboot ou um filme da série
FELIPE GOLDENBERG – O ESTADO DE S. PAULO

Jennifer Aniston ‘Ellen DeGeneres Show’ Foto: MICHAEL ROZMAN/WARNER BROS

Atenção, fãs de Friends: o elenco da sitcom está reunido e trabalhando em algo juntos. A informação foi dada pela própria atriz Jennifer Aniston, que interpretava a personagem Rachel, em uma entrevista ao programa Ellen DeGeneres Show, na TV americana, na segunda-feira, 28.

Tudo começou quando a atriz fez uma aparição surpresa no programa, que recebia o cantor Charlie Puth como convidado. Ele afirmou que era um grande fã de Friends, e Ellen chama Jennifer ao palco.

Logo depois, a apresentadora perguntou se o elenco estava fazendo um reboot da série (quando se recria um programa do zero); a atriz negou. “Adoraríamos muito que houvesse algo, mas ainda não sabemos o que é esse algo. Então estamos tentando, estamos trabalhando em algo”, disse. No início de outubro, em outra entrevista, ela chegou a dizer que um reboot “arruinaria” a série.

Ellen pergunta se será um filme, mas Jennifer nega de novo: “não, nós não sabemos ainda”. “Existe a possibilidade de um filme?”, retrucou a apresentadora. Foi aí que a intérprete de Rachel começou a gaguejar: “eu não quero induzir o pessoal”.

Assista ao vídeo:

Vale lembrar que a atriz criou, neste mês, um perfil no Instagram. A primeira foto foi uma selfie com o elenco principal reunido — Lisa Kudrow (Phoebe), Courteney Cox (Monica), David Schwimmer (Ross), Matt LeBlanc (Joey) e Matthew Perry (Chandler). Esse foi o primeiro registro público deles em anos. “Nós tiramos a foto porque estávamos com saudades, e aconteceu que estávamos na mesma parte do mundo”, explicou.

Neste ano, Friends completou 25 anos desde sua primeira exibição, sendo que o último episódio foi transmitido há 15 anos. Ao todo, foram 236 episódios ao ar, divididos em dez temporadas. Todas estarão disponíveis na Netflix até 2020.

Enquanto esse “algo” não é revelado, os fãs de Friends podem matar a ansiedade com a nova série The Morning Show, estrelada por Jennifer Aniston e Reese Witherspoon. Ela interpreta uma jornalista nos bastidores de um telejornal matinal. A série chega ao serviço de streaming Apple TV+ nesta sexta, 1º.

Brasil precisa de modelo sólido de inovação, diz especialista em tecnologia Martha Gabriel

Apesar do bom momento das startups, País não avançará se não houver métodos e regras definidos, defendeu Martha Gabriel em painel do evento ‘Estadão Summit Brasil – O que é poder?’
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Martha Gabriel  e Eduardo Glitz durante evento Estadão Summit Brasil

Embora o cenário brasileiro de startups atravesse um bom momento, com direito a uma geração de unicórnios (startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão), o Brasil ainda precisa construir um modelo nacional sólido para gerar inovação. Esse foi o tom do painel O Poder da Tecnologia e da Inovação, apresentado durante a conferência Estadão Summit Brasil – O que é poder?, realizada nesta quarta-feira, 30, em São Paulo. 

“Quem tem tecnologia tem poder. Atualmente, está acontecendo uma guerra fria por causa da tecnologia”, disse Martha Gabriel, autora de livros como Você, Eu e os Robôs: Pequeno Manual do Mundo Digital. Para ela, é necessário não apenas dinheiro, mas também regras e métodos definidos para que o Brasil se transforme num importante ator do mundo tecnológico. Na visão da especialista, isso deveria partir do governo, num amplo plano que contemple educação e adaptação da sociedade. 

Como exemplos de países que embarcaram num amplo plano tecnológico, ela cita Canadá, China, Índia e Israel. Já entre as áreas tecnológicas com alto poder transformador, ela aponta inteligência artificial, internet das coisas, big data, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, blockchain e computação quântica. Em todas elas, o Brasil tem talentos que acabam deixando o País por falta de melhores condições nacionais. 

“Quando você gera regras e métodos, você contamina o ambiente, e mantém as pessoas no País. Do contrário, vamos continuar perdendo talentos para fora”, avaliou Martha. A fuga de cérebros é uma preocupação constante no Brasil – no último final de semana, o físico mineiro Fernando Brandão, que participou do computador quântico do Google, tocou nesse assunto em entrevista ao Estado

O papel da economia de modo mais amplo na sustentação do ambiente para a inovação também foi citado. “Nos EUA, se uma startup der errado, a pessoa consegue arrumar um emprego no dia seguinte. Aqui, o empreendedor morre de fome”, argumentou Eduardo Glitz, cofundador da empresa de educação continuada Startse. Durante o painel, Martha citou ainda iniciativas de países como Israel, onde o governo faz empréstimos a investidores que só são pagos de volta caso a empresa atinja um determinado nível de sucesso. 

Informação não é poder; pensamento crítico é

“A tecnologia distribuiu ou concentrou poder?”, provocou Pedro Doria, colunista do Estado e mediador do painel. Para Glitz, a tecnologia democratiza o acesso, mas não necessariamente gera mais igualdade social ou distribuição de renda. 

A própria informação que o acesso à tecnologia gera também já não tem mais tanta importância quanto antigamente.”A informação só era importante quando era escassa. Agora, quase todos têm acesso. O que importa a partir de agora é o pensamento crítico. Sem ele, é impossível saber o que fazer com as informações”, argumentou Martha. “Isso é ainda mais crítico numa era que transitam informações feitas para confirmar aquilo que acreditamos.”

Por conta disso, a dupla ressaltou o papel da educação e da inclusão de mulheres e minorias no desenvolvimento de tecnologia. “Infelizmente, esse não é um processo que acontece da noite para o dia”, disse Glitz. “As empresas tecnológicas, que estão ficando sem mão de obra, também vão precisar investir”. O executivo da StartSe também se mostrou bastante cético em relação ao papel do governo para fomentar a educação e mais animado com aquilo que as empresas e investidores podem fazer. 

Estadão Summit Brasil é inspirado na série de artigos e debates intitulada The Big Ideas, do jornal The New York Times. De maio a junho deste ano, o jornal publicou 14 textos de pensadores, ativistas, escritores e ensaístas sobre o tema “poder”.