Os neobanks sob ameaça

Diversos fatores levaram o Reino Unido ao posto de um dos principais polos de inovação no tema Fintech. Entre estes fatores, estão o tamanho do mercado local, o pensamento global predominante por lá, os incentivos dos reguladores locais, o tradicionalismo dos incumbentes, a disponibilidade de tecnologia a um custo razoável e a abundante mão de obra qualificada.

Assim, no início da década já tínhamos por lá grandes fintechs, como Funding Circle, Transferwise, LendInvest. Lá pelo meio da década, começaram a aparecer os primeiros neobanks, que podem ser definidos como bancos nativamente digitais, que nascem e crescem como startups, e cujos produtos oferecem uma experiência tão amigável quanto as melhores startups de outras áreas, se diferenciando muito dos bancos tradicionais que resolveram empreender uma transformação digital.

Foi nesta onda que nasceram Monzo (inicialmente como Mondo), Starling e Revolut (que inclusive está vindo para o Brasil). Estas fintechs cresceram e hoje já possuem milhões de clientes e oferecem uma extensa gama de produtos e serviços. Com isso, começou a emergir uma segunda onda de neobanks, muito focados em nichos específicos, que já enxergam os neobanks da primeira geração como incumbentes a serem desafiados.

Estas novas fintechs consideram com os primeiros neobanks ficaram grandes demais e não conseguem mais oferecer o mesmo grau de personalização que os tornaram os queridinhos do mercado.

Os reguladores do Reino Unido têm dado pistas de que enxergam o futuro de Serviços Financeiros como um mercado fragmentado, onde cada player se especializa num produto e se torna cada vez melhor naquilo que faz. Os usuários vão então optando pelas instituições de acordo com suas necessidades. Um modelo muito diferente do que estamos acostumados, com grandes bancos concentrando toda a vida financeira dos seus clientes.

Os novos neobanks parecem apostar neste formato. O Atom focou em contas de investimento com produtos de renda fixa. O Monese aposta em conta corrente e, para isso, oferece diferentes tipos de conta, de acordo com as necessidades do cliente. O Tide tem como objetivo facilitar o pagamento de todas as contas dos usuários. E por aí vai. São novos bancos, que acreditam que os clientes, num futuro breve, vão possuir contas em diferentes instituições: uma para gerenciar as despesas do dia a dia, outra para cartão de crédito, outra para investimentos conservadores, outra para investimentos mais agressivos, outra para um financiamento do veículo e assim por diante. E, claro, surgirão as startups que vão consolidar as contas num só aplicativo, para facilitar a vida dos usuários. Não dá pra afirmar que é para lá que caminhamos, mas dá pra saber que a forma como lidamos com o nosso dinheiro será muito diferente do que é hoje. [Guilherme Horn]

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