Paixão pelo móvel

Conheça Téo Vilela, um ex-advogado que hoje é proprietário da Loja Teo, especializada em mobiliário das décadas de 1940 a 1970
MARCELO LIMA – O ESTADO DE S. PAULO

Mobiliário da Móveis Z, fábrica na qual o arquiteto e designer José Zanine Caldas foi um dos sócios fundadores Foto: Federico Concilio

Formado em direito, o empresário Téo Vilela sempre nutriu o desejo de trabalhar com arte. Dedicou-se ao antiquariato, até que, em 2005, movido por seu interesse natural por móveis e objetos das décadas de 1940 a 1970, resolveu abrir seu próprio negócio, a Loja Teo. “Veiculamos peças realmente originais, não apenas assinadas”, como explica ele, nesta entrevista exclusiva ao Casa.

Como surgiu a ideia de abrira loja?
Logo após eu atuar por quatro anos no mercado de antiguidades, como fornecedor de peças para galeristas. Esta vivência despertou meu olhar para o móvel especial, não somente o assinado. Era 2005 e cheguei à conclusão de que havia chegado o momento de abrir meu próprio negócio. Notava que as pessoas estavam interessadas em móveis brasileiros, em nomes como Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin. Associei-me a minha irmã Lis Vilela Gomes e, em 2007, demos início ao projeto da loja.

O empresário Teo Vilela na poltrona Costela, de Martin Eisler, outra das peças em destaque no acervo
O empresário Teo Vilela na poltrona Costela, de Martin Eisler, outra das peças em destaque no acervo Foto: Federico Concilio

Como vocês selecionam o acervo?
Nosso foco é o período moderno, compreendido entre as décadas de 1940 a 1970 do século passado. Não só brasileiro, e não só mobiliário. Procuramos reconhecer peças especiais dentro do campo das artes decorativas, seja quais forem suas funções e usos. Quando enxergamos o potencial de um móvel, procuramos resgatar o que ele tem de original, mesmo que às vezes faltem partes ou ele esteja danificado. Além disso, estamos sempre em contato com colecionadores que nos procuram para avaliar e oferecer peças.

A que fatores atribui o interesse de seus clientes pela produção dessas décadas?
A produção desse período é basicamente artesanal, o que resulta em peças de boa construção e qualidade superior. A nobreza da matéria prima e a originalidade do desenho contribuem para a manutenção de um estilo genuinamente brasileiro. Penso que as pessoas se interessam pelo nosso trabalho porque temos o compromisso de deixar a peça o mais próximo do original possível, mesmo que com poucas referências. Hoje, na nossa loja, conseguimos atender desde colecionadores que buscam peças para compor suas coleções privadas até o cliente final que busca funcionalidade e beleza para montar a sua casa. Sem falar no público apreciador da boa arquitetura. Este está sempre de olho no nosso acervo.

Estante modular de jacarandá e ferro, de autoria anônima, da década de 1960
Estante modular de jacarandá e ferro, de autoria anônima, da década de 1960 Foto: Federico Concilio

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