‘Dinheiro nunca foi meu foco’, diz bilionário inglês Richard Branson

RICHARD BRANSON. FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

Richard Branson é disléxico e tem pouco interesse por números. O bilionário inglês dono da Virgin Airlines, Virgin Hotels e Virgin Galactic, afirma que o seu “jeito de fazer as coisas” é delegando e criando “algo superespecial”. “As pessoas gastam de 10 a 15 anos estudando matemática e tudo que você precisa fazer como empresário é somar, subtrair e multiplicar. Por ser disléxico, eu não sabia a diferença entre lucro líquido e bruto até ter 50 anos”, contou Branson, nesta entrevista à coluna de Sonia Racy, no Four Seasons Hotel, em São Paulo – onde ele falou sobre família, negócios, cuidados com a saúde e de sua paixão por voar.

O empresário, que veio a convite do Experience Club e também participou de evento da Ebulição, fará o primeiro voo da Virgin Airlines entre o Brasil e Londres no dia 29 de março do ano que vem. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
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Por que o Brasil só agora?
Já  expandimos pelo mundo. No mês passado, abrimos rota em Telavive. E passamos a olhar a América do Sul, grande mercado com problemas. Notamos aqui um duopólio e resolvemos entrar. Quando há monopólio, é quando a Virgin Atlantic entra para competir.

Vocês antes tentaram fazer alguma fusão com as empresas aéreas locais? 
Não, mas temos parceria com a Gol e esperamos conectar um terço de nossos passageiros na rota Londres-São Paulo. Estamos também buscando passageiros de outras rotas.
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Como você planeja seu trabalho? Pelo que li, você defende a prática de tempo livre.
Priorizo muito a saúde. Se você está saudável, consegue conquistar qualquer coisa. Passo três a quatro horas por dia jogando tênis, empinando pipa, surfando. Moro numa ilha. Às vezes ando de bicicleta.
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Há quantos anos faz isso?
Há uns 20 anos. Não vejo trabalho e diversão como coisas distintas, amo criar novos empreendimentos, agitar empresas, criar organizações sem fins lucrativos.
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Sempre foi assim?
Sim, aprendi a delegar desde pequeno. Todos devem aprender a confiar em outras pessoas. E, a partir daí, viver uma vida muito melhor. Sempre trabalhei de casa e portanto, vi meus filhos crescendo. Minha mulher (Holly Branson) também. Nós dois passamos muito tempo em casa.
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Ela trabalha com você?
Não, ela não tem interesse em nada que faço. Sempre cuidou de crianças. Meus filhos amam o que fazemos.
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A Virgin está relacionada diretamente com sua imagem, certo? Ela sobreviveria sem você? 
Desenvolvemos uma vida independente para a Virgin para que ela possa viver para sempre… (risos). Ela vai sobreviver e nossos filhos e netos vão acompanhar. A Holly hoje cuida da nossa fundação beneficente e temos ótimas pessoas. Meus filhos tiveram liberdade para escolher. Meu filho faz documentários. E minha filha cuida dos meus três netos.
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Aos 29 anos você decidiu abrir a empresa. Quanto demorou para ela se concretizar? Você é bom em números? 
Demorou seis meses. Eu não tenho interesse em números. Sou disléxico. Então, minha atitude é não perguntar a contabilidade. Uma parte vai dizer que não é uma boa ideia… Mas se você sente que pode criar algo superespecial, então achamos que entrará mais dinheiro no fim do ano. Esse é meu jeito de fazer as coisas. Nunca tive interesse em dinheiro, por assim dizer. O que eu amo é criar coisas.
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Você ainda voa?
Eu voo em balões. Eu não confio em mim mesmo (para pilotar avião). Minha mente está sempre na frente. Nos balões, se eu me distraio, é mais fácil! Mas, com aviões, não dá.
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Com seus olhos no futuro, o que você ensinaria para essa nova geração? Ir para a Lua? 
Vamos sim, ano que vem .
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Quanto investiu nesse projeto? 
Mais de um bilhão de dólares.
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Quem já se inscreveu? 
Muita gente. Mas estamos terminando o programa de testes. Quando terminarmos, eu também irei.
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Você não tem medo?
Eu não vou e não permitirei a ninguém embarcar até nossos pilotos de teste, engenheiros, me dizerem que é seguro.
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Digo, ter medo de sair no espaço, ver a Terra de uma outra maneira? Os astronautas que foram para o espaço, como sabemos, voltaram bastante impactados.
Esse é o lado positivo da questão. As pessoas que vão ao espaço voltam querendo defender a floresta tropical muito mais que tudo. Veem como são frágeis e lindas essas coisas vistas do espaço.
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A Virgin faz algo pelo meio ambiente?
Claro, fazemos muitas coisas. A gente acredita que um jeito de proteger o meio ambiente é usar combustíveis mais eficientes. Usamos um que passa por processo de transformação e fica 30% mais eficiente. Também montamos uma organização chamada The Green Team, que tem pessoas como Paul Newman e homens de negócios poderosos. Além disso, empregamos milhares de pessoas, temos institutos que trabalham com empresas de maneira a reduzir a taxa de carbono. Colocamos prêmios em dinheiro para que as pessoas tragam novas ideias. Por exemplo, o ar condicionado é responsável por mais da metade da porcentagem da emissão de carbono do nosso planeta. A empresa é apenas um grupo de pessoas e se você cuidar delas, tudo segue dali em diante.
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O que você acha que os brasileiros esperam da Virgin? Fez pesquisas a respeito? 
Eu acho que os brasileiros instruídos já ouviram falar da Virgin e espero que alguns tenham tido experiências com a VA, voando para cidades como Miami ou Orlando, ou usando os trens da Virgin Atlantic na América. A gente ainda não terminou as pesquisas, mas com certeza vamos servir. A Virgin decidiu não fazer fusão, como muitas empresas que estão se unindo. Na empresa holding da Virgin temos controle do capital. Entretanto, temos subsidiárias. E nessas temos parceiros…

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