Alessandra Ambrosio – Madame Figaro December 2019 Cover

Madame Figaro December 2019 Cover
Published: December 2019
All people in this magazine cover:

Jason Kim  – Photographer
Julie Gillet – Fashion Editor/Stylist
Giannandrea – Hair Stylist
Christy Coleman – Makeup Artist
Alessandra Ambrosio – Model

Sepultura mostra vigor no segundo single ‘Last time’ do álbum ‘Quadra’

A pegada da música ‘Last time’ sinaliza que a banda lançará em fevereiro um disco à altura do anterior ‘Machine messiah’, de 2017.
Por Mauro Ferreira

Foto: Marcos Hermes / Divulgação

Last time – segundo single do 15º álbum de estúdio da banda Sepultura, Quadra – aportou nas plataformas do Brasil na sexta-feira, 20 de dezembro, com status de ser o primeiro single inteiramente inédito do disco programado para ser lançado em 7 de fevereiro de 2020 em escala mundial.

O aguçado sabor de novidade é explicado pelo fato de o primeiro single oficial do álbum, Isolation, lançado em 8 de novembro, ter apresentado composição (de autoria do vocalista e compositor Derrick Green) então já revelada há um mês pelo Sepultura, em primeira mão mundial, no show feito pela banda mineira na edição de 2019 do festival Rock in Rio.

Para piorar a situação, o single Isolation teve acesso dificultado no Brasil pelo fato de, na época do lançamento oficial da música, o grupo ainda não ter assinado contrato com a gravadora, BMG, que vai distribuir o álbum Quadra no Brasil e nos demais países da América Latina (o lançamento do disco no resto do mundo será orquestrado pela Nuclear Blast Records). Tanto que somente neste mês de dezembro o single Isolation fica efetivamente disponível nas plataformas nacionais no registro fonográfico que será ouvido no álbum Quadra.

Capa do single 'Last time', da banda Sepultura — Foto: Divulgação
Capa do single ‘Last time’, da banda Sepultura — Foto: Divulgação

Resolvida a questão da distribuição dos singles e do álbum, a poderosa pegada thrash de Last time – composição assinada conjuntamente por Andreas Kisser (guitarra), Derrick Green (voz), Eloy Casagrande (bateria) e Paulo Xisto Pinto Jr. (baixo) – é o tema que vem mobilizando atualmente os seguidores do Sepultura.

Last time é uma música com a qual muitos de nós podemos se identificar ou até mesmo encontrar nas relações que temos com outras pessoas que estão tentando superar um vício. Nos tempos em que vivemos, é uma luta que todos devemos enfrentar”, mais confunde do que explica o guitarrista Andreas Kisser ao conceituar a música em nota oficial do Sepultura sobre o lançamento do segundo single do álbum Quadra.

Em bom português, passagens climáticas da gravação, aliadas à vigorosa pegada thrash da faixa, atestam que o pulso do Sepultura ainda pulsa.

A banda Sepultura lança o 15º álbum de estúdio, 'Quadra', em 7 de fevereiro — Foto: Marcos Hermes / Divulgação
A banda Sepultura lança o 15º álbum de estúdio, ‘Quadra’, em 7 de fevereiro — Foto: Marcos Hermes / Divulgação

Gravado na Suécia com produção de Jens Bogren, o álbum Quadra tem a participação de Emmily Barreto, vocalista da banda potiguar Far From Alaska.

O repertório inédito e autoral está estruturado no disco como se a banda tivesse gravado um LP duplo, com quatro lados. “O lado A, aberto com Isolation, é mais tradicional, thrash, e representa o discurso do Sepultura, mas sempre com elementos novos. O lado B é mais percussivo, com ritmos brasileiros. O C vai um pouco mais além com o violão, sendo mais instrumental como característica geral. E o D é aquela coisa mais groovada, lenta, com melodia”, diferencia Andreas Kisser.

Quadra é o primeiro álbum de estúdio do Sepultura desde o excelente Machine messiah, lançado em 2017. E, a julgar pelo single Last time, o álbum resultará à altura do antecessor.

Em São Paulo, rooftop do hotel Hilton tem piscina com vista privilegiada da cidade

Ele fica no 28° andar do edifício e conta com uma academia completa, jacuzzi, sauna e piscina

Rodeado por uma parede de vidro, com vista para a Ponte Estaiada e o horizonte de prédios da cidade, o rooftop do hotel Hilton São Paulo Morumbi, na Zona Sul, permite visualizar a capital paulista em um ângulo diferenciado.

Ele fica no 28° andar do edifício e conta com uma academia completa, jacuzzi, sauna e piscina composta por pedras vulcânicas vindas da Indonésia.

Apesar da parede de vidro, a temperatura é controlada em qualquer estação do ano, seja em invernos em que a cidade alcança 9 graus celsius ou verões surpreendentes quando os termômetros batem os 36, 37 graus. O espaço também abriga ainda o Amazonian Spa – um deleite para quem busca um momento de tranquilidade em meio ao caos urbano.

Serviço:
Hilton São Paulo Morumbi
Avenida das Nações Unidas, 12901, Torre Leste – Brooklin
Estacionamento no local – convênio com o restaurante (R$18.00 por 4 horas).
Reservas e informações podem ser obtidos pelo telefone 11 2845-0370 ou e-mail: reservations.morumbi@hilton.com

Seis escritores que previram nosso tempo melhor que ‘Blade Runner’

Livro de Philip K. Dick e filme de Ridley Scott se passam em 2019, outros futuros se parecem mais com nosso presente
George Bass, The Washington Post

O escritor Neal Stephenson, que antecipou jogos online como ‘Fortnite’ em seu livro ‘Snow Crash’ Foto: Wikimedia Commons

Blade Runner, o filme baseado no romance de Philip K. Dick, de 1968, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?), se passa no futurista ano de 2019. Na realidade, replicantes e carros flutuantes não se materializaram. 

Compare isso com O Conto da Aia, de Margaret Atwood, que, quando foi publicado em 1985, era considerado “incapaz de assustar”, segundo um crítico do The New York Times. Na época, a ideia de um pandemônio global parecia duvidosa, mesmo na ficção. O Live Aid uniu bilhões, a Nasa estava de olho em Marte e na tela, John Hughes liberou os adolescentes de suas armadilhas. A sombra da Guerra Fria parecia aumentar. E, no entanto, quase 35 anos depois, aqui estamos em um patriarcado distópico.

A clarividência é um efeito colateral imprevisível ao se escrever histórias. Arthur C. Clarke ficaria com o coração partido ao saber que o mais próximo que chegamos ao turismo espacial é com Elon Musk, mas Mary Shelley pode se alegrar com a notícia de que, 136 anos depois de Frankenstein, os médicos realizariam o primeiro transplante de rim com sucesso. 

Philip K. Dick pode não ter acertado suas previsões sobre 2019. Mas outros escritores conseguiram. Confira uma seleção: 

H.G. Wells

Especialistas em armas poderiam argumentar que a Guerra dos Mundos de Wells era seu livro mais visionário, imaginando hordas de marcianos armados com armas químicas e plantas invasoras. Mas o antecessor desse livro, O Homem Invisível, de 1897, vislumbrou verdadeiramente o futuro. O albino estudante de óptica, Griffin, aperfeiçoou uma droga que o torna transparente, e ele a usa para cometer ataques incógnitos às pessoas ao seu redor: roubo, incêndio criminoso, sequestro. Desconfortavelmente humano, Griffin é uma voz furiosa, fadada a se sentir ignorada. Seu espírito vive em todos os palavrões postados em notícias locais nas mídias sociais.

Tim Earnshaw

A subestimada trilogia de Los Angeles de Earnshaw é uma das mais agradáveis ficções científicas já publicadas. Em cada edição, o protagonista ouve a música tema de Bewitched e depois sucumbe a um fenômeno bizarro. O herói de Murmur (Murmírio), de 1999, é o artista da Costa do Pacífico, Ken Leverton, que começa a ouvir objetos conversando entre si: caixas eletrônicos, bifurcações e cabos de dados balbuciam, enquanto sua velha mala relata um feriado do qual ele havia esquecido. Em seguida, os produtos ficam desagradáveis, revelando seu desprezo pelos seres humanos, ou “lama burra”, como eles nos chamam. É isso que devemos esperar quando Alexa se cansar de tocar repetidamente Mr. Brightside?

John Wyndham

Mestre da catástrofe aconchegante, John Wyndham entrou no século 21, sem saber, quando escreveu The Kraken Wakes em 1953. Os alienígenas abandonam seu planeta natal e se mudam para a Fossa das Marianas, onde começam a colher navios de cruzeiro. Quando o homem faz sua retaliação com armas nucleares, os invasores começam a soprar as calotas polares. Nossos heróis, Mike e Phyllis Watson, assistem, incrédulos, à medida que o nível do mar aumenta lentamente, forçando sua retirada para a Cornualha (agora uma ilha) e fazendo com que o governo britânico fuja para Harrogate.

Neal Stephenson 

Quando Stephenson lançou o Snow Crash em 1992, o termo “navegar na internet” tinha acabado de ser cunhado. Certamente, a ideia de MMOs (jogos online para vários jogadores) parecia um nicho. Mas é isso que o Fortnite é hoje e é o mundo virtual Metaverse deste livro, com bilhões de usuários tão dependentes de computadores que começaram a sucumbir aos vírus das máquinas. Embora não seja tão profético quanto A Máquina Parou (The Machine Stops), de E.M. Forster – que, em 1909, pode ter plantado a semente do FaceTime com uma mãe conversando com uma imagem projetada de seu filho distante – Snow Crash lançado no Brasil também como Nevasca) ganha pontos extras por sua estranha visão de exércitos particulares e refugiados reunidos em balsas do tamanho de cidades.

Rupert Thomson

Em 2005, o Reino Unido é “um lugar conturbado, obcecado por aquisições e celebridades”. Assim, o governo decide preventivamente “dividir em quatro” o país com base no temperamento deste conto de pesadelo. Muito antes de o Brexit fazer o mapa constitucional de votação do país parecer com o senhor Burns de Os Simpsons, Reino Dividido separava a Grã-Bretanha em quatro cores, cada uma correspondendo a um dos humores vitais, incluindo verde para melancólico, amarelo para colérico e azul para os apáticos. Nosso herói, Thomas Parry, foi designado otimista /sangue vermelho, mas uma noite encontra sua chance de saltar a fronteira. Se essa visão da Grã-Bretanha não era suficientemente isolacionista, o primeiro livro de Thomson, Dreams of Leaving (Sonhos de Partida), descreve uma vila inglesa da qual ninguém tem permissão de sair.

Sinclair Lewis 

Diversos analistas políticos falaram sobre como o “Trumpismo” foi clonado da sátira distópica de Lewis Não Vai Acontecer Aqui. Mas, francamente, as semelhanças entre Berzelius “Buzz” Windrip, o presidente populista e o governo republicano de hoje são tão fortes que vale a pena destacá-las. Um líder que se considera campeão dos “homens esquecidos”? Está aqui. Golpes no “intelectualismo pretencioso”? Aliados depostos? Promessas eleitorais quebradas? Parece que tudo já estava lá em 1935, até o frenesi de vistos para o Canadá. 1984, de George Orwell, pode ser o livro político mais duradouro jamais escrito, mas Não Vai Acontecer Aqui previu 2016 e além com tanta desenvoltura que deveria ser arquivado nas prateleiras de astrologia. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

BROTHER – Joe P, Kai Sanchez, Luke B, Mark Banner, Billy, and Jamal shot by Dave Alexander

Joe P, Kai Sanchez, Luke B, Mark Banner, Billy, and Jamal shot by Dave Alexander and styled by David Evans, in exclusive for Fucking Young! Online.

Models’ Agency: Brother Models
Production: Brother Management @brother.management
Hair: Reuben Wood @reubenwood
Make-up: Ruby Landles @rubylandles
BRANDS: UOOYAA, Victor x Wang, Calvin Klein, adidas, Sebago, Chalayan.

Dez distopias essenciais de várias épocas para conhecer o gênero

Lista reúne livros que vão desde os clássicos de Orwell e Huxley até contemporâneos, como Margaret Atwood
André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

Uma seleção com dez distopias para conhecer o gênero

A edição especial do Aliás sobre distopias trouxe o ponto de vista da literatura, da história, do cinema e da filosofia sobre esse gênero que tanto fascina nossos tempos. Abaixo, uma seleção com dez obras de épocas diversas para entrar em contato com as várias facetas do estilo.

Nós – Ievguêni Zamiátin (Aleph)

Embora publicado apenas em 1924, o livro foi escrito em 1920 por Zamiátin. Lançado em inglês, ele foi então proibido na União Soviética, onde só chegou em 1988 com a abertura política. Considerado o marco zero da literatura futurista distópica, Nós traduz algumas experiência pessoais do autor com as revoluções russas de 1905 e 1917. Seu protagonista, um cientista, passa a questionar o funcionamento da sociedade em que vive, aparentemente perfeita. A opressão, no entanto, é a arma que mantém todos em silêncio, reduzidos a criaturas sem identidade. O livro de Zamiátin fez história, influenciando outros clássicos distópicos, entre eles 1984, de Orwell.

Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley (Biblioteca Azul)

Livro lançado por Aldous Huxley em 1931, nele o autor imagina uma sociedade em que bebês são gerados e alimentados por incubadoras e onde as palavras pai e mãe carecem de sentido. Nessa sociedade, organizada por princípios exclusivamente científicos, em que as pessoas são programadas para cumprir um papel desde crianças, e em que a racionalidade é a verdadeira religião, não há espaço para o livre arbítrio. Huxley antecipa o que aconteceria em sociedades totalitárias que viriam a nascer logo depois da publicação do livro, como a da Alemanha sob o tacão nazista. Clássico absoluto do gênero que abriu aportas para outra ficção distópica, Kallocaína.

Kallocaína – Karin Boye (Carambaia)

Kallocaína é um romance distópico da autora sueca Karin Boye, publicado em 1940. A exemplo de Huxley, em Admirável Mundo Novo, a autora descreve uma sociedade totalitária num futuro desumanizado em que um químico, Leo Kall, trabalha para o Estado Mundial, que controla toda a sociedade. Ele inventa o soro da verdade kallocaína quando se encontra numa prisão do Estado, conduzindo testes com cobaias humanas até que a Polícia começa a comandar o uso da droga. A sueca Karin Boyle, poeta modernista, se matou um ano após a publicação de seu hoje clássico, quando os soldados nazistas avançavam sobre o território europeu. 

1984 – George Orwell (Companhia das Letras)

O controle do Estado sobre a vida de cidadãos vítimas de atos arbitrários, que foi tema de Karin Boye em Kallocaína, é retrabalhado pelo inglês George Orwell em seu assustados 1984, publicado em 1949. O livro tornou-se um clássico, popularizando a imagem do Big Brother, o Grande Irmão, de cuja vigilância ninguém escapa. Apesar disso, o poder do Estado é desafiado por um grupo revolucionário. Na edição especial lançada este ano pela Companhia das Letras, com capa dura e ilustrações, há ensaios de autores como Thomas Pynchon e Irving Howe, que analisam onde começa a profecia e termina a sátira no livro do socialista Orwell.

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury (Biblioteca Azul)

Popularizado pela adaptação feita para o cinema pelo diretor francês François Truffat, Fahrenheit 451, do norte-americano Ray Bradbury, publicado em 1953, eleva à enésima potência o terror da sociedade autoritária de 1984. Na sociedade imaginada por Bradbury, os livros são proibidos e queimados e o povo é controlado pelo Estado por meio de programas interativos de TV. Bradbury, como seus antecessores na ficção distópica, imaginou um mundo futuro nada agradável, preparando terreno para distopias igualmente assustadoras, como Laranja Mecânica, de Anthony Burguess, que descreve uma sociedade em que prevalece a violência.

Laranja Mecânica – Anthony Burgess (Aleph)

O futuro imaginado por Anthony Burgess em Laranja Mecânica (1962) era espantosamente parecido com o presente em que ele vivia, e isso contribuiu para o sentimento de assombro proporcionado por seu livro. Em uma Inglaterra dominada por gangues juvenis que pilhavam, estupravam, matavam e cultuavam a “ultraviolência” sem pudores, um governo com viés autoritário tenta solucionar o problema da segurança pública por meio de um tratamento que associa a violência a náuseas e, em tese, impediria os jovens delinquentes de praticar esses atos. O destaque é a inovação linguística das gírias que mesclavam inglês e russo em neologismos críveis.

Os Despossuídos – Ursula K. Le Guin (Aleph)

Em meio à Guerra Fria, a era das utopias políticas sendo postas em prática, Os Despossuídos (1974) retrata um sistema binário entre dois planetas, um capitalista e um comunista, que vivem um clima de hostilidade semelhante ao que tinham Estados Unidos e Rússia. Nesse cenário, um brilhante cientista do planeta comunista é cooptado pelos rivais para trabalhar em um projeto. O livro alterna dois tempos: sua viagem para o novo lar e sua vida pregressa. Com isso, Ursula K. Le Guin conseguiu retratar as qualidades, defeitos e, principalmente, contradições de ambos os sistemas econômicos, mostrando-os simultaneamente como utopias e distopias. 

O Conto da Aia – Margaret Atwood (Rocco)

Na esteira de escritoras como Ursula Le Guin, Joanna Russ e Marion Zimmer Bradley, que subverteram as convenções da literatura fantástica para abordar a perspectiva feminista, Margaret Atwood criou, em 1985, o ápice desse questionamento. O Conto da Aia imagina um mundo em que uma grande parte das mulheres deixou de ser fértil e uma seita religiosa ascendeu ao poder nos Estados Unidos, criando uma sociedade baseada em castas que escraviza as mulheres capazes de gerar filhos – as aias. O livro retornou à tona após a eleição de Donald Trump, ganhou uma série bem-sucedida produzida pelo Hulu e, em 2019, uma sequência: Os Testamentos, vencedor do Booker Prize. 

A Parábola do Semeador – Octavia Butler (Morro Branco)

Na duologia composta pelos romances A Parábola do Semeador (1993) e A Parábola dos Talentos (1998), a empatia é tratada como uma doença; as mudanças climáticas estão minando a vida nas cidades; e grupos políticos compostos por supremacistas brancos e fanáticos religiosos assumem o poder nos EUA. A protagonista vive em um condomínio fechado, protegida das minorias étnicas e de refugiados que vagueiam para além dos muros. No segundo livro, um candidato à presidência promete, em sua campanha eleitoral, “tornar a América grande novamente”, exatamente o slogan que seria utilizado na vida real. Butler só errou a data: sua obra se passa na década de 2020. 

A Fila – Basma Abdel Aziz (Rocco)

A Fila é o romance de distopia política que melhor retratou o sentimento popular após a Primavera Árabe. Nesta ficção, a escritora egípcia Basma Abdel Aziz retrata um governo totalitário em uma nação fictícia do Oriente Médio. (Vale lembrar que o Egito foi às ruas em 2011, o que pôs fim ao regime de 30 anos de Hosni Mubarak, mas degenerou em um período de repressão violenta em 2013). Em A Fila, após levantes populares frustrados, um grupo misterioso chamado O Portão tomou o poder no país. O livro narra o drama de Yehya, que precisa enfrentar a burocracia kafkiana do Portão, na forma de uma enorme fila, para passar por uma cirurgia.

Utopia, distopia e filosofia: a recusa deliberada da realidade

O germe distópico sempre esteve presente no próprio gênero literário que supostamente se opunha a ele, a utopia
Martim Vasques da Cunha – O Estado De S.Paulo

John Hurt é Winston Smith em ‘1984’, de Michael Radford Foto: Lume Filmes

As distopias são um gênero narrativo surgido no final do século 19, mais especificamente na Inglaterra, após o triste fato de que a visão de mundo utópica não tinha mais eficácia para capturar a imaginação da sociedade. Naquela época, a ideia de progresso, alçada como um novo deus no Iluminismo francês e britânico, foi posta em dúvida devido à aceleração tecnológica promovida pela Revolução Industrial – e que desumanizou ainda mais os trabalhadores que já viviam em condições insalubres e miseráveis, próximas de uma nova escravidão. Além disso, a eclosão de duas guerras mundiais em um espaço de menos de 30 anos colaborou para o fortalecimento desse gênero na sensibilidade dos leitores, como mostra o sucesso de dois livros que marcaram o século 20: Admirável Mundo Novo, de Huxley, e 1984, de Orwell.

Para muitos, a distopia parece ser o oposto da utopia, já que esta descreve um mundo ideal que ainda pode ser alcançado, enquanto o primeiro prevê um mundo onde todos nós queremos impedir que exista. Como explico no meu livro Crise e Utopia (2015), o criador do termo utopia, Sir Thomas More, já avisava aos amigos, quando publicou o escrito com o mesmo nome, em 1516, que o mundo criado especificamente para o relato das aventuras do navegador ficcional Raphael Hitlodeu era, de fato, uma descrição do que poderia se tornar a Inglaterra do século 16. Para quem ainda não sabe, utopia é um neologismo grego com o advérbio ou – “não” – e o substantivo topos – “lugar”. O som resultante dá a impressão de ser uma palavra latina, utopia/ eutopia, que resulta em um outro trocadilho, desta vez significando lugar “feliz” ou “afortunado”. No próprio esboço inicial de More, a ilha se chamava Nusquama, outro trocadilho para “nenhures”.

Esta referência ambígua ao “estado de bem-aventurança” do mundo de Utopia como modelo de justiça para a Inglaterra é outra piscadela de More ao tratado de Santo Agostinho, A Cidade de Deus. Na lógica interna do texto humanista, Utopia é a cidade divina que foi finalmente levada a cabo na Terra; contudo, o próprio nome da ilha indica que ela não existe em lugar nenhum e isto é a prova de que More sabia que a cidade de Deus, ordenada pelo amor Dei, jamais seria vislumbrada por qualquer criatura enquanto vivesse neste “mundo devastado”. A “cidade”, para Agostinho, existe em um sentido figurado, próximo do “místico”, que se divide em duas sociedades comandadas por dois tipos diferentes de amor. O primeiro une todos os membros e os liga por meio de uma homonoia, uma comunhão; o segundo é o amor de si que chega ao desprezo de Deus, o qual Agostinho não hesita em identificar com o próprio Diabo. 

Em Utopia, a lógica é invertida – e More mantém o tempo todo a noção de que ela é uma sociedade das trevas, como mostra o nome de sua capital (Amaurot, “capital da escuridão”); a sua eutopia é uma distopia que, mais cedo ou mais tarde, será consumida pela entropia da morte. Deste último fato – a indesejada das gentes –, ninguém escapará e tanto Agostinho como More tinham uma consciência aguda disso, mesmo se a cidade de Deus descesse dos céus.

A mesma noção trágica da existência humana ocupa a mente de Platão em A República – na verdade, o seu título é Politeia (algo como A Constituição ou O Paradigma), uma outra influência marcante na obra de More. O desejo do aventureiro Hitlodeu de perdurar o “estado de bem-aventurança” de Utopia em outros países europeus é uma das referências moreanas ao diálogo platônico, em especial ao famoso conceito de que a cidade ideal imaginada por Sócrates e Glauco, em sua conversa sobre a Justiça, não passa de um “modelo criado por pensamentos (logoi)”. Em grego, “pensamento” tem similaridade com “palavra” (logos) e também com “sentido”. Portanto, a república de Sócrates é uma sociedade que jamais existirá no mundo real porque seu “sentido” é formado apenas de “palavras” ou de “pensamentos”.

O que More acrescenta à tradição reflexiva de Platão e Agostinho sobre os rumos da sociedade ideal é a percepção aguçada da recusa deliberada da realidade. O filósofo grego e o santo africano aceitavam a morte como parte constituinte de nossas vidas; já More percebia uma nova tendência que depois seria a norma da modernidade, por meio do personagem Raphael Hitlodeu: o desejo de não aceitar a morte – mesmo que ela esteja presente em todos os lugares, principalmente naqueles que o mundo dos sonhos criou. Assim, esses mesmos sonhos retornam para um passado que já não existe mais ou então rumam para um futuro que se insinua nos nossos anseios mais íntimos. Na verdade, trata-se de uma nostalgia pelo paraíso que culminará na adoração por mundos imaginários – as utopias e as distopias literárias que contaminarão o nosso imaginário moderno.

Portanto, se a utopia era um reflexo distorcido do mundo real, podemos afirmar sem dúvida que, na verdade, o germe distópico sempre esteve presente no próprio gênero literário que supostamente se opunha a ele. A utopia é também uma distopia (e vice-versa), que, neste caso, leva ao extremo as consequências morais que implicam aceitar a perfectibilidade do homem não só como mera especulação ficcional, mas sobretudo como desculpa para a fuga dos nossos próprios demônios interiores.

Jovens artistas chegam e Bruxelas vira novo polo cultural europeu


Novos museus e galerias ajudaram a transformar o tecido cultural da cidade na última década
Ceil Miller Bouchet, The Washington Post

Mulheres visitam o Museu Magritte, em Bruxelas Foto: Jon Thys/AFP

Minha jornada começou com cinco palavras: “Bruxelas é a nova Berlim”. Frase só para atrair a atenção de leitores de sites? Sem dúvida. Mas essas palavras funcionaram quando uma jovem amiga artista me contou sobre sua iminente mudança do Brooklyn para a capital belga. Um ano depois, toquei a campainha de seu novo estúdio, no bairro da classe trabalhadora de Anderlecht, em Bruxelas – a primeira parada de uma semana na exploração da cena contemporânea da cidade que está chamando atenção na Europa.

“Sinto que há uma real autenticidade aqui”, minha amiga, a artista Tessa Perutz, me disse, passando tinta a óleo verde-cádmio em uma de suas paisagens abstratas de tons alegres. A britânica- americana de 31 anos se preparava para uma exposição dali a pouco tempo na Galleria Marie-Laure Fleisch, um dos quase 200 locais dedicados às artes na cidade. “É uma mudança tão grande do Brooklyn”, continuou ela, agachada em um banquinho de frente para seu trabalho. “Bruxelas é cosmopolita, mas pequena, e posso me dar ao luxo de ter um lugar agradável. Isso me deixa mais espaço mental para a pintura.”

Perutz está entre o afluxo de artistas e galeristas internacionais que ajudaram a transformar o tecido cultural da cidade na última década. A partir da força regional da Art Brussels – a segunda feira de arte mais antiga da Europa – em um país que, segundo muitos especialistas, possui o maior número de colecionadores per capita do mundo, Bruxelas desenvolveu um ecossistema quase perfeito para produção e aquisição de arte e, para visitantes curiosos como eu, a simples apreciação.

Usando o prático guia de arte de Bruxelas que eu havia comprado na agência de turismo, era fácil caminhar entre as grandes galerias de arte contemporânea nos bairros centrais de Ixelles e Saint-Gilles da cidade, onde fui ver Xavier Hufkens, Rodolphe Janssen, La Patinoire Royale e muitos outros, absorvendo exposições com qualidade de museu em espaços lindos.

Mas, sendo Bruxelas, também havia muitos lugares esquisitos instalados, especialmente em Saint-Gilles. Lá, ao lado de uma loja de quadrinhos, vi uma galeria de lojas chamada Damien & the Love Guru. Como não se pode parar em um lugar com um nome assim? E fiquei feliz porque a cofundadora, a antropóloga Priya Shetty – como todos os galeristas simpáticos que conheci – era um excelente guia para o bairro dela. Mais tarde, no Café la Pompe, um estabelecimento concorrido da esquina que Shetty recomendou, escutei uma conversa entre três amigas diretamente de um filme de Audrey Tautou.

Sablon, a terceira da região central da cidade lotada de bairros ricos em galerias, abriga a mais recente iteração do galerista Jan Mot de uma jornada de apoio à arte conceitual que começou em sua sala de estar em 1992. Ancorado entre o adorável Egmont Park e duas igrejas góticas, o bairro de Sablon também fica a poucos passos das principais instituições artísticas da cidade, como o centro cultural multidisciplinar, Bozar, e os Museus Reais de Belas Artes, que incluem o principal atrativo turístico da cidade, o Museu Magritte, uma homenagem ao surrealista belga do século 20.

Como nos dias de Magritte, Bruxelas acolhe pensadores originais, explicou o americano Harlan Levey quando eu parei na sua galeria, perto de Sablon, numa tarde de sábado. “Karl Marx morava ao lado”, disse. “As pessoas aqui têm uma propensão a se abrir para ideias incomuns”, continuou quando passamos por um visitante meditativo em silhueta contra uma tela de vídeo com imagens multicoloridas do documentário experimental de Emmanuel Van der Auwera, O Céu Está em Chamas.

Apresentando-me o local, sugeriu que eu fosse até Schaerbeek, um bairro badalado com grande presença turca. Mas eu estava mais interessada em Molenbeek, um bairro às margens da cidade, povoado principalmente por belgas de segunda e terceira geração de origem norte-africana, onde Levey logo expandia sua galeria em um antigo armazém que, ele me contou, mais recentemente foi usado como mesquita.

Enquanto eu me dirigia pelas tranquilas ruas na tarde de domingo em direção a um espaço cooperativo acessível de artistas de Molenbeek no dia seguinte, um encontro amigável apagou qualquer desconforto que eu pudesse ter sobre o bairro que abrigava os terroristas por trás dos ataques de Paris e Bruxelas há quase quatro anos.

“Bom, não é?”, um homem me perguntou em francês, quando ele e a esposa se aproximaram da padaria marroquina da esquina, onde eu acabara de comprar um pedaço de pita. “Oui!” Eu murmurei, retornando seus sorrisos e engolindo rapidamente. “De onde você é?”, sua esposa perguntou, ajustando sua echarpe cinza. Quando respondi que era americano, o homem mudou para um inglês impecável e me disse que seu tio mora em Chicago.

Apenas mais um encontro cordial típico de Bruxelas, eu percebi. Com 183 nacionalidades na última contagem do censo, um terço dos habitantes de Bruxelas não nasceu na Bélgica. Francês, holandês e alemão são os idiomas oficiais, o que faz do inglês a língua franca, e o intercâmbio cultural é parte da vida de quem o procura.

Vagando por LaVallée, onde 150 artistas em início de carreira ocupam estúdios de baixo aluguel em uma antiga usina de lavagem a seco, eu estava procurando a exposição de fim de semana sobre a qual eu havia lido na página do Facebook do local. Perto da parte de trás do pátio, vi uma mesa perto de uma porta aberta, na qual, ao lado de um grupo de cravos rosa, havia um cartão manuscrito: “Vire à esquerda na porta mais distante. Siga as setas que levam ao final do longo corredor. Aproveite!”

Foi assim que conheci a estilista floral de 34 anos, Larissa di Pietrantonio, belga de pais poloneses-italianos, cuja mostra com sua colega de estúdio, a pintora polonesa Hanna Ilczyszyn, mesclou imagens de pássaros, galhos, flores secas, desenhos e pinturas. “Este é um ótimo lugar para pessoas como nós”, me disse Di Pietrantonio. “Podemos colaborar entre disciplinas e ter uma abordagem realmente aberta”.

Algumas ruas a seguir, localizei um espaço dirigido por artistas chamado Société, refletindo a primeira vida do edifício como uma subestação da Société Bruxelloise d’Electricité. Mais uma vez, tive a colaboração da simpática atendente da galeria que falou comigo em inglês. Ela me ajudou a entender o programa, chamado “Erro encontrado”, no qual, por exemplo, o chão de uma sala estava cheio de tubos de luz fluorescente esmagados. “Nossas exposições colocam obras antigas bem conhecidas em diálogo com novas instalações como esta”, disse ela. “Société é o tipo de lugar puro que você teria visto em Nova York nos anos 1980”.

O fermento cultural de Bruxelas cristalizou-se quando saí de Molenbeek, e atravessei o Canal de Bruxelas – um tênue fio fino de água se expandiu nos anos 1800 para ligar a crescente indústria pesada da cidade sem litoral ao porto marítimo mais próximo de Antuérpia. Após três décadas de declínio pós-industrial, o canal agora mantém o nexo do renascimento criativo da cidade ao longo de suas margens.

Atrás de mim estava Tour & Taxis, o espetacular complexo vitoriano recém-reformado em Molenbeek, onde a Art Brussels ocorre todo mês de abril. À minha frente, o enorme casco de concreto do Kanal-Centre Pompidou, uma antiga fábrica de automóveis da Citroën, transformando-se lentamente no maior local cultural de capital público da região. E vários quarteirões abaixo, ao longo do aterro de concreto salpicado com arte de rua do canal, havia o Mima, um “museu do milênio” de arte urbana com financiamento privado na antiga cervejaria Belle-Vue.

Descobri que arte e cerveja também se fundem no bairro Forest da vizinhança, no Wiels Center for Contemporary Art. Projetada pelo arquiteto de vanguarda Adrien Blomme na década de 1930, a antiga cervejaria se ergue como uma proa de um navio art déco de cinco andares em uma esquina não muito longe da estação de trem Gare du Midi, de onde, aliás, você pode ir a Londres, Paris e Amsterdã em cerca de duas horas. O Wiels, reconhecidamente encarado como o mais dinâmico dos locais de arte contemporânea da cidade, nutre a expressão criativa multidisciplinar por meio de exposições de classe mundial por artistas vivos estabelecidos e residências para artistas emergentes de todo o mundo.

No quarteirão seguinte, vi uma placa de waffles pendurada acima da campainha da Clearing, como a bigorna de uma ferraria da era colonial. Apenas mais um sinal de que os belgas – como Olivier Babin, que fundou o espaço financiado por artistas em Bushwick, no Brooklyn, uma década atrás – tentam não se levar muito a sério. Dentro da antiga fábrica de persianas elegantemente renovada, há um espaço de exposição semelhante a uma catedral para esculturas de grande escala e até um aconchegante restaurante de oito mesas para almoço ou brunch de fim de semana.

No meu último dia em Bruxelas, um caleidoscópio de experiências se fundiu quando, fora da igreja de Notre Dame de la Chapelle, confundi um artista com um santo. Ao me aproximar da estátua de bronze, notei que o gigante barbudo empunhava um pincel em vez de um cetro. Em seu ombro, empoleirava-se um macaco com um chapéu em forma de funil, em vez de um anjo. Perto da base da estátua, localizei, com dificuldade, uma placa de metal desbotada colocada nos paralelepípedos que diziam “Pieter Bruegel, 1525-1569”. O mestre flamengo, que revolucionou a pintura em sua época, foi enterrado dentro da igreja.

Os belgas, ao que parece, têm uma reverência pelos artistas do passado e do presente. Mas e o macaco? Mais tarde, li que isso representa o aceno do escultor Tom Frantzen, com sede em Bruxelas, na irreverência de seus compatriotas: uma qualidade belga única que, então, como agora, adota todos os tipos de criatividade. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

‘Ascensão Skywalker’ arrecada US$ 40 milhões em noite de estreia nos EUA e Canadá

Nos mercados internacionais, ‘Ascenção Skywalker’ arrecadou 59,1 milhões de dólares adicionais
Reuters

A solução da saga ‘Star Wars’ passa pela heroína que desvenda o enigma da própria identidade Foto: Lucasfilm

O aguardado filme Star Wars: Ascensão Skywalker arrecadou US$ 40 milhões em vendas de ingressos nos Estados Unidos e no Canadá na noite de estreia, na quinta-feira, 19, segundo estimativas da distribuidora Walt Disney.

O total arrecadado pelo nono episódio da saga de um guerreiro jedi em uma galáxia muito, muito distante ficou em quinto lugar entre as maiores noites de estreia em todos os tempos nos mercados de EUA e Canadá, segundo a Disney.

Nos mercados internacionais, Ascenção Skywalker arrecadou US$ 59,1 milhões adicionais, informou a empresa.

estreia do filme nos Estados Unidos e no Canadá ficou abaixo dos dois últimos filmes da saga Star WarsO Despertar da Força, lançado em 2015, arrecadou US$ 57 milhões em sua primeira noite nos cinemas, e a edição de 2017 Os Últimos Jedi levantou US$ 45 milhões.

O filme dirigido por J.J. Abrams é apresentado como o episódio final de uma saga de 42 anos iniciada por George Lucas em 1977. O novo episódio é estrelado por Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac como um trio que luta contra a maligna Primeira Ordem.

Embora Ascenção Skywalker tenha dividido os críticos, a Disney disse que os fãs o aprovaram. Pesquisa do site Rotten Tomatoes mostrou que 86% dos compradores de ingresso deram ao filme uma pontuação positiva, segundo a Disney.

Até domingo, o filme deve figurar entre as maiores estreias de todos os tempos em termos de bilheteria. O Despertar da Força obteve US$ 248 milhões em vendas de ingressos no primeiro fim de semana, enquanto Os Últimos Jedi arrecadou 220 milhões de dólares.

O recorde de arrecadação na noite de estreia pertence a Vingadores: Ultimato, também da Disney, que foi lançado em abril. O longa arrecadou US$ 60 milhões na primeira noite e totalizou US$ 357 milhões no primeiro fim de semana — também um recorde.