Força no look e no close – a fase “influencer superfashion” de Marc Jacobs!

Marc Jacobs com seu casaco de oncinha da Céline, bota preta meia pata de Rick Owens e presilhas tic-tac no cabelo

Parece que o casamento com Char Francesco em abril deste ano despertou em Marc Jacobs um desejo ainda maior de se divertir com a moda. O estilista americano tem ousado mais e postado direto seus “looks do dia”! Quem segue o Marc no seu Insta pessoal (@themarcjacobs) já notou: ele elegeu alguns itens como base. E eu te conto aqui quais são.

Se Elton John escondeu o salto interno de sua bota por muito tempo, Marc assumiu total e não abre mão do modelo meia pata de Rick Owens, que custa em média US$ 1.500 (cerca de R$ 7 mil): ele tem preta, marrom, vermelha… E garante que é super-confortável! Outro item essencial no look de inverno dele são os casacos de animal print da Céline (de US$ 3 mil a US$ 10 mil, ou seja, de R$ 13.800 a R$ 46 mil, conforme o material), com padrão de oncinha ou tigre.

Livre, leve e solto: se divertir com o visual virou o lema do estilista

No cabelo não podem faltar presilhas tipo tic-tac. E as unhas… Uau! Haja inspiração pra tanta nail art diferentona, umas mais artsy e outras tipo jóia, com cristais Swarovski. Detalhe: os tons da mão combinam com os esmaltes do pé, tipo um dedo de cada cor, por exemplo. A criação é de Mei Kawajiri (veja o insta dela aqui).

A “nail art”, criada pela Nails by Mei, faz parte do look do estilista e ele combina esmaltes da mão e do pé

Nos posts, Marc fala da realização de fazer o que gosta e se divertir se vestindo mesmo que você tenha que trabalhar em pleno domingo. As fotos são alegria pura, sejam as selfies ou as do amigo Nicolas Newbold (veja o Insta dele aqui), num mix descontraído e humorado, quase numa vibe camp à Met Gala 2019. Importa mesmo é dar aquele close! Pode ser no Central Park, nas ruas da Nova York ou mesmo no elevador! Eu to adorando!

A bota de Rick Owens é literalmente a base dos looks!

Porque Katie Holmes se tornou o surpreendente ícone fashionista de 2019

Entre sutiãs de cashmere e boas peças de alfaiataria, a atriz celebra toda a sedução de um bom “guarda-roupa vida real”
MARIANA INBAR (@MARIANA_INBAR)

Katie Holmes (Foto: Backgrid)

Não é preciso ser muito antenado aos sites de moda ou contas do gênero nas redes sociais para receber de todos os cantos as mais diversas referências de looks de celebridades. Não é preciso copiar qualquer um deles ao pé da letra. A grande maioria das vezes, as imagens servem de boas referências que nos ensinam a olhar para uma cor de um jeito novo ou experimentar uma silhueta que jamais consideramos antes, ou mesmo observar uma nova tendência.

O maior ícone de estilo de 2019, porém, não brincou com grandes tendências, não experimentou novas cores, não deu a dica de novas silhuetas. Bastou, na verdade, um simples sutiã de cashmere para que todos notassem que Katie Holmes é, atualmente, a dona do guarda-roupa mais invejado de Hollywood.

A moda vive um momento de total escapismo, pulsando na contramão do minimalismo cool da Bottega Veneta de Daniel Lee (a nova sucessora da Celine de Phoebe Philo). Mas em meio a muitos babados, brilhos, cores elétricas e exageros deliciosos que nos fazem suspirar e sonhar em sair com looks de passarelas pelas ruas, Katie Holmes soube mostrar toda a sedução de um closet conciso, esperto, feito para o dia a dia de absolutamente qualquer mulher.

Seu armário é repleto de bons tecidos, peças de alfaiataria com cortes impecáveis – tudo em tons clássicos. Pense em muito bege, off-white, azul marinho e ocasionalmente o preto. Pense também em muita repetição. A atriz já disse que não é de fazer muitas compras, e só compra mesmo o que sabe que vai usar muitas vezes. É o caso de seu sobretudo de lã azul marinho, ou de sua calça de lã xadrez de boca larga, que ela já usou com suéter ou com camiseta vintage cor-de-rosa.

Katie Holmes em Nova York (Foto: Vogue Runway/ Splash News)

Entre seus truques mais inspiradores estão poucas peças statement em texturas surpreendentes (saia de vinil, casaco Teddy Bear) em tons clássicos, como marrom ou caramelo, sempre combinados ao que ela já tem em seu armário com um toque preppy: uma camisa social azul clara, uma calça de lã em preto e branco.

Katie Holmes usa saia de vinil durante o dia (Foto: Skyler2018 / BACKGRID)
Katie Holmes (Foto: Splash News/ Vogue Runway)

Entre tantos looks montados por stylists que nos deixam com vontade de experimentar todas as tendências que piscam no universo fashionista, Katie Holmes chegou discreta mostrando todo o apelo da atemporalidade: um closet simples, que qualquer mulher consegue montar sem quebrar o orçamento, e a mensagem tão sustentável de que poucas e acertadas compras são o grande segredo de um estilo marcante e de looks charmosos. 

Na verdade, é aí que mora boa parte de seu apelo: os looks de street style de Katie Holmes são mais sobre consistência do que sobre novas compras. São sobre enxergar o potencial das peças de vida real que você tem no armário, apenas sob um olhar mais inspirado, tirando o máximo de proveito delas. O guarda-roupa vida real não precisa ser monótono, afinal.

A fantasia da moda é maravilhosa. É o antídoto perfeito para dias de notícias tão amargas, um respiro entre rotinas corridas. Mas quando a vida real é assim tão chique e cheia de boas ideias, a realidade também não é nada mal, não?

Jovem Riley Howell que evitou mortes em tiroteio em universidade se torna Jedi em livro da saga Star Wars

Riley Howell foi homenageado por produtora da franquia ‘Star Wars’, que deu seu nome a personagem em novo livro da saga. ‘A coragem e desinteresse de Riley traz à tona os Jedi em todos nós’, diz trecho de carta enviada à família pela Lucasfilm.
Por Associated Press

Foto não datada de Riley Howell, considerado herói pela polícia durante tiroteio na Universidade da Carolina do Norte e homenageado pela produtora da franquia Star Wars — Foto: Matthew Westmoreland via AP, File

Riley Howell, um universitário da Carolina do Norte, nos EUA, aclamado pela polícia como um herói por evitar mais feridos e mortos depois que um atirador abriu fogo em uma sala de aula, foi imortalizado como Jedi pela produtora da franquia Star Wars.

Howell, de 21 anos, e um colega de classe morreram em 30 de abril quando um atirador abriu fogo em uma sala de aula no prédio Kennedy no campus da Universidade da Carolina do Norte (UNCC).

Quatro outros estudantes ficaram feridos, mas a polícia diz que as ações de Howell impediram que mais pessoas ficassem feridas ou fossem mortas.

“Você pode correr, se esconder e se proteger, ou pode lutar com o agressor”, disse Kerr Putney, chefe do departamento de polícia de Charlotte-Mecklenburg. “Não podendo fugir e se esconder, ele escolheu a última opção.”

A família de Howell, que era um grande fã de Guerra nas Estrelas, foi avisada pela Lucasfilm, em maio, sobre os planos de homenageá-lo em um livro, “StarWars: The Rise of Skywalker – The Visual Dictionary”. O livro foi lançado pela editora DK para coincidir com o lançamento do novo filme “Star Wars: A ascensão Skywalker”.

Em maio, a equipe de relações com fãs da Lucasfilm escreveu uma carta à família de Howell expressando condolências.

“A coragem e desinteresse de Riley traz à tona os Jedi em todos nós”, escreveu o membro da equipe de relações com fãs Lucas Seastrom. “Esperamos que vocês se orgulhem em sua memória, e nos juntamos a você em homenagem a sua vida e seu exemplo.”

“Como uma pequena homenagem, nosso grupo de histórias incorporou uma recriação do nome de Riley como personagem da galáxia de Star Wars”, continuou Seastrom. “… A Força estará com Riley, e todos vocês, sempre …”

A citação no livro tem apenas 66 palavras, mas credita o mestre e historiador Jedi “Ri-Lee Howell” por coletar “muitos dos primeiros relatos de exploração e codificação de A Força”.

A mãe de Riley Howell, Natalie Henry-Howell, disse ao jornal “Charlotte Observer” que essa, na verdade, é a segunda vez que seu filho aparece em um livro de “Guerra nas Estrelas”: quando ele era pequeno, um tio fez um livro personalizado para Riley que o colocava no papel principal de “A Ameaça Fantasma”.

“Foi um grande sucesso”, lembra ela, observando que a inclusão no novo livro é muito mais significativa.

“E eu gosto da maneira como eles deixaram seu sobrenome”, diz Henry-Howell. “Eu acho que ele realmente gostaria isso. Porque, você sabe, eles poderiam ter dito Ri-Lee – Jedi Ri-Lee – e ficaríamos pensando o tempo todo se era realmente (ele) ou não, mas eles colocaram seu sobrenome lá para realmente honrá-lo … e isso me fez chorar quando soube”.

Toda a família foi ver o novo filme na noite de abertura. Eles trouxeram as cinzas de Howell e deixaram um assento livre para ele.

“Acho que ele teria gostado da maneira como a saga terminou”, disse sua mãe.

O pai de Lauren, a namorada do jovem homenageado, Kevin Westmoreland, disse que Howell estudou o universo de Guerra nas Estrelas durante a maior parte de sua vida.

“Ele tinha um senso muito forte de bem e mal, e como viver a vida como alguém que cuidava dos outros”, disse Westmoreland. “Vê-lo listado como Jedi e como historiador no folclore de Guerra nas Estrelas é uma maneira perfeita de conectá-lo a essa história e aos personagens que ele amava.”

Aves de Rapina | Arlequina se diverte com explosão em imagem inédita

Imagem faz parte de cena exibida na CCXP19
GABRIEL AVILA

Birds Of Prey: Margot Robbie na separação do Coringa de Harley Quinn – Imagem

Empire divulgou uma foto inédita de Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa, que mostra a palhaça vivida por Margot Robbie se afastando de uma explosão. A imagem faz parte da cena de abertura do longa, exibida com exclusividade durante o painel na CCXP19.

A sinopse oficial do filme foi revelada: “Você já ouviu aquela piada sobre a policial, a cantora, a psicopata e a princesa da máfia? Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa é um conto distorcido narrado por Harley, como só ela poderia contar. Quando o mais terrível e narcisista vilão de Gotham, Roman Sionis, e seu braço direito, Zsasz, começam a cassar uma jovem chamada Cass, a cidade é virada de cabeça para baixo em busca da garota. Os caminhos de Arlequina, Caçadora, Canário Negro e Renee Montoya se encontram e o quarteto improvável não tem escolha a não ser se unir para derrubar Roman”.

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa estreia em 6 de fevereiro de 2020.

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa

Estratégia nas redes sociais impulsiona antigo hit de Mariah Carey

Single “All I Want for Christmas Is You” ocupou o primeiro lugar da Billboard pela primeira vez na história
Jose Coscarelli, The New York Times

“All I Want for Christmas Is You”, de Mariah Carey atingiu o ápice no mundo da música. Foto: Kamran Jebreili/Associated Press

Para Mariah Carey, a temporada de festas natalinas deste ano começou na festa de Halloween, quando o relógio marcou a meia-noite e o calendário indicava o início do mês de novembro. Em uma encenação postada para os seus canais de redes sociais, Mariah adormece às 11h59 em seu traje (uma estrela do rock “hair-metal”) e é acordada à meia-noite (agora vestindo um pijama quentinho) por um chamado de Papai Noel.

“Está na hoooora”, grita Mariah. Então começa a edição mais animada da campanha anual da cantora que elevará o seu sucesso de 25 anos atrás destinado a esta temporada, All I Want for Christmas Is You, à sua mais alta posição. No dia 16 de dezembro, ela cumpriu a missão quando a canção se consagrou pela primeira vez no primeiro lugar das Billboard Hot 100, tornando-se assim a música que demorou mais tempo para chegar lá e a primeira canção natalina a conquistar o primeiro lugar desde que The Chipmunk Song, foi lançada, há 60 anos.

All I Want For Christmas foi o número 1 de Mariah desde 2008 e o seu 19º no total – um a menos dos Beatles, os detentores do recorde. All I Want for Christmas tornou-se  um produto de uma pessoa só para a cantora, que passou anos construindo um amplo universo em torno da gravação. Mariah realizou uma série de shows de Natal desde 2014, todos ancorados no seu megassucesso, em apresentações em Nova York, Las Vegas, Paris, Londres e Madri.

E há ainda os produtos relacionados: um livro infantil (de 2015) e um filme de animação (de 2017), juntamente com um interminável conteúdo online, desde um vídeo da revista GQ em que Mariah fala do seu amor pelo Natal em um minidocumentário da Amazon Music sobre o permanente sucesso da música.

Embora a versão do vídeo musical da canção mostrada no You Tube tenha recebido 600 milhões de visualizações desde 2009, este ano foi acrescentada outra versão editada com material de arquivo, depois de um corte em branco e preto de 2016 – tudo isto contou para colocar a canção no topo da classificação da revista Billboard.

All I Want for Christmas foi nos Estados Unidos na segunda semana de dezembro, a mais tocada: mais de 45 milhões de vezes desde a marca dos 35 milhões, na semana anterior. A emissora iHeart-Radio, afirmou que desde o seu lançamento, a canção atingiu uma audiência de 1,8 bilhão em suas estações.

Mariah disse que recebeu All I Want for Christmas pela primeira vez quando estava sozinha em uma casa no estado de Nova York, sentada diante de um teclado com It’s a Wonderful Life berrando no fundo. Ela cantou uma melodia e tocou uma progressão de acordes em um gravador de mini cassettes. Mariah e Walter Afanasieff, um seu colaborador frequente, gravaram a música no verão, com as salas do estúdio decoradas com motivos natalinos para se imbuírem do espírito da festa.

Ela admitiu que tem certa nostalgia por ter crescido com a canção, mas não quis comentar a música. “Eu sempre a destrinchava quando a ouvia, mas a esta altura, acho que finalmente posso gostar dela”, concluiu. “Adoro as festas de fim de ano”, acrescentou. “Sei que é brega, mas não ligo a mínima”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Em 2019, não houve perdão a grifes que insistiram num status quo mofado

Ano ficou marcado pela perda do último grande ícone do glamour, Karl Lagerfeld, cancelamento do desfile da Victoria’s Secret e fim das contagens dos ‘likes’ no Instagram
Pedro Diniz

Karl Lagerfeld morre aos 85 anos

A primeira década de um século, na moda, é a ressaca do anterior. Foi assim do 15 ao 16, o início da beleza vinculada às curvas amplas, do 18 ao 19, quando o espartilho passou a sufocar, e do 19 ao 20, quando ele foi posto na fogueira do tempo. Neste ano, queimou-se mais do que roupas. Deram descarga no status quo fashion.

O Carnaval nem havia subido o tom das cores e, em fevereiro, a indústria vestiu o luto que não despiria nos meses seguintes. Última tesoura ainda afiada do tempo de Givenchy e Saint Laurent, o alemão Karl Lagerfeld, estilista da Chanel e da Fendi, morreu em Paris varrendo de vez o glamour aristocrático da passarela.

Karl Lagerfeld

Ele mantinha em conserva a estética burguesa baseada em peles, tweeds, correntes e ombreiras. Sem ele, o líquido deve perder validade e ser substituído, não apenas na Chanel, pelo frescor da simplicidade.

Lagerfeld era um desajuste glamoroso em um mundinho fashion millenial, inconstante em seus tênis combinados com jeans e moletom. Ainda que tudo parecesse em ordem, havia um sentido de inadequação em seu estilo, como o reflexo envelhecido no espelho que a moda teve de encarar depois.

A imagem mais cortante partiu do Brasil, um mês depois, quando o modelo Tales Cotta tombou no chão da passarela na São Paulo Fashion Week após um mal súbito.

Desfiles da 47ª SPFW

Poucos minutos se passaram entre a cena e o recomeço do desfile. Ainda que não houvesse culpados pela morte do jovem, a audiência não perdoou a morte do bom senso e o longo silêncio da produção.

Outros flertes funestos e um certo fetiche pelo sofrimento humano que a indústria parece alimentar desde a febre das modelos sílfides dos 1990 pautaram crises de imagem.

Na semana de moda de Londres, o estilista Riccardo Tisci parecia querer falar dos perigos do nacionalismo britânico, mas o simbolismo de uma corda no pescoço da modelo não soou como crítica, mas uma apologia da Burberry ao suicídio. “Sorry”, disse a grife.

As camisas de força do desfile de Alessandro Michele, da Gucci, não passaram a mensagem de agonia e de imobilidade ante ao caos, mas de escárnio das enfermidades psíquicas e da depressão. “Scusi”, respondeu a marca.

Com uma horda de modelos exibindo “doente” impresso nas roupas e algumas caminhando com suporte metálico e bolsas de soro presos ao corpo, a grife Kimhekim foi massacrada após seu desfile na semana de moda de Paris, em outubro. Mas não houve “pardon”, porque a ideia era mesmo aparecer, ou lacrar, no novo dicionário pop.

Pedidos de desculpas repetidos em diversas línguas reforçam a conjuntura de mudanças, própria dos fim de ciclos. O lacre está mesmo em xeque. O fim dos “likes” aparentes no Instagram, os joinhas que massageiam o ego, é o exemplo factível de um ano que pegou em cheio quem se exibia só pela curtida. Blogueiras sentiram, marcas virtuais, também.

Blogueiras de moda – Rainhas e seus súditos

Acabou também o maior lacre televisionado da moda. O show anual da grife de lingerie Victoria’s Secret foi cancelado sem data para voltar por causa de uma audiência —que já era pífia— incomodada com engolir um padrão de beleza inalcançável. O ano chegou ao terço final destronando e revendo os contratos milionários dessas tops, as tais “angels”.

A direção da marca preferiu jogar a toalha a colocar gordas, transexuais e perfis realistas na passarela. Para a foto do catálogo, serviam, mas para rodar em tela pública, não.

Vendeu-se neste século a ideia de que marcas criam padrões estéticos, mas, provou-se, seus legados não se resumem a prever, mas a entender o que mudou no tecido social para, assim, imaginar um novo tecido tátil. Fica para trás quem insiste na imposição.

Chanel destruiu o espartilho porque as mulheres já prescindiam dele; Dior criou o “new look” porque havia pouco tecido e as pessoas saíam da míngua da Segunda Guerra; e Stella McCartney teria inventado o luxo sustentável porque, sacou antes, o planeta não aguenta o método linear de produção da moda.

O discurso chegou a um ponto de virada, neste ano, quando a designer passou a servir de consultora do grupo LVMH para a sustentabilidade, na esteira de um acordo firmado por 150 marcas, durante a última cúpula do G7, para reduzir impactos na confecção.

Soa sintomático da inércia do varejo brasileiro o fato de não haver marcas locais ao lado das assinaturas de Zara, H&M, Gucci, Prada e outros mocinhos.

Isso talvez se explique porque nenhuma tendência ou movimento cola sem a pressão da rua. Mesmo as cores. A de 2019, segundo a Pantone, seria o “living coral”, um laranja fraquinho, nostálgico e calmo. A onda “orange is the new black” da empresa, e também a da ministra Damares Alves, que disse em janeiro ter chegado a era em que meninos vestem azul, e meninas, rosa, era só marola.

É que o ano foi tudo, menos tranquilo e normativo. Esteve mais pra preto é o novo preto.

A cor tingiu as imagens mais fortes do mundo, no corpo de jovens que protestaram em Hong Kong contra um governo que, segundo o New York Times, chegou a tentar impedir a entrada de peças da cor, ainda na alfândega, para conter a mensagem visual. Não deu.

Adivinhe a cor usada pelas mulheres que protestaram na França contra o feminicídio. Observe a cor do terno de Greta Thunberg, a ativista mais influente da geração Z, na capa da revista GQ britânica e no qual se lê “você está me escutando?”.

Mais uma vez, a moda encara o espírito de mudança, e há quem o veja tanto como um apocalipse quanto como o nascimento de um novo sentido de libertação do passado.

Modelo improvável dessa encruzilhada, o presidente Jair Bolsonaro aderiu à mensagem, passando a usar uma pulseira azul, como a nova cor sugerida pela Pantone para 2020, na qual há uma alusão ao livro do Apocalipse. A passagem bíblica conta a salvação dos protegidos pelo “sangue do cordeiro”, que enfrentaram a morte, e a perdição dos condenados à terra, que vão se juntar ao diabo “encolerizado”.

Maniqueísta, o novo tempo já começou. A moda só não sabe ainda para onde correr.

Adut Akech ostenta um vestido sofisticado de Alexander McQueen na capa da Vogue Austrália Janeiro de 2020

Adut Akech teve um ano monumental. Acabamos de coroar a modelo de capa da beleza sul-sudanesa-australiana 2019 (ao lado de Gigi Hadid), ela estrelou em campanhas publicitárias para  ChanelFendiValentino e Miu Miu e desfilou na passarela para várias grandes casas de moda durante o mês da moda. E 2020 já está parecendo tão brilhante. A Vogue Austrália ajuda Adut a começar o novo ano com um estrondo, colocando-a na capa de janeiro de 2020. Posando diante das lentes do fotógrafo Nathaniel Goldberg em Paris, Adut usa um vestido Alexander McQueen reciclado escolhido por Jillian Davison para a alegre foto da capa. MARK E