DiCaprio faz planos para visitar a Amazônia em 2020

Leonardo DiCaprio

O ator norte-americano Leonardo DiCaprio, segundo fontes da coluna de Sonia Racy, faz planos de vir ao Brasil no ano que vem, em sua campanha para defender a preservação da floresta amazônica e para se encontrar com o líder indígena Raoni Metuktire. O artista e ambientalista comentou com interlocutores que considera Raoni um ídolo e quer demonstrar apoio a ele.

Sobre as acusações feitas, no final de novembro, pelo presidente Jair Bolsonaro — de que DiCaprio teria financiado queimadas na Amazônia, o assunto ainda rende piadas em Hollywood. Os amigos do ator costumam brincar: “Você é um terror para a humanidade. Afundou o Titanic e incendiou a Amazônia”, ironizam.

O bate-boca entre o ator e o presidente brasileiro começou em agosto, quando Di Caprio se somou a críticas feitas, entre outros, pelo presidente francês Emmanoel Macron e pela ex-modelo Gisele Bundchen, contra o aumento de queimadas na Amazônia brasileira. Em novembro, Bolsonaro postou mensagem no Facebook endossando os ataques do filho Eduardo contra o ator, que foi responsabilizado pelos incêndios na região. Em seguida, DiCaprio postou no seu Instagram que apoia o povo brasileiro “que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural”, mas que não financia nenhuma ONG alvo de investigação no Brasil, embora as considere “dignas de apoio”. O ator prometeu, então, através de sua ONG Earth Alliance, ajudar instituições de defesa ambiental naquela área.

Luca Meneghel for Grazia Russia with Stasya Miloslavskaya

Photographer: Luca Meneghel. Stylist: Alisa Zhidkova. Makeup: Angie Moullin. Hair: Tie Toyama. Producer: Julia Orlova. Photographer’s Assistant: Valentino Barbieri. Stylist’s Assistant: Katharina Kühnholz. Model: Stasya Miloslavskaya.

‘Brasil é um país diverso, mas preconceituoso’, diz Valentina Sampaio, primeira modelo trans a posar para a Victoria’s Secret

Valentina Sampaio afirma que seu sucesso não é vitória só dela, mas da sociedade inteira
Gabriel Rigoni

A modelo Valentina Sampaio Lucas Seixas/Folhapress

A cidade de Nova York, onde mora sozinha, em nada lembra o pequeno vilarejo de pescadores no qual cresceu no Ceará com seis irmãos. Os rumos profissionais a levaram para longe dos pais, com quem sempre foi grudada.

A carreira de modelo não é a que ela imaginava seguir na infância. Valentina customizava as próprias roupas: queria ser estilista. E o sucesso na trajetória, que a consagrou como a primeira transexual a posar para a grife Victoria’s Secret, em agosto deste ano, é encarado como um golpe na intolerância que poderia ter barrado seu caminho.

“Lembro que minha carreira estava bem no início. Foi lá em Fortaleza”, começa a contar. “Estava no estúdio, pronta para fotografar, até que descobriram que eu era trans.”

“Me senti mal, como se eu fosse a errada. Como se estivesse enganando alguém. Só queria sumir de lá. Na hora, o diretor me disse que eu estava fora por não saber como os clientes da marca reagiriam à campanha”, relembra.

Valentina tinha deixado seu vilarejo para cursar moda em Fortaleza.

Foi reprovada por faltas —apesar de comparecer a todas as aulas e ter bom desempenho nas provas. “Eu só respondia como Valentina. E, no sistema, não havia esse nome matriculado. Então eu nunca assinava as chamadas”, explica ela.

A capital cearense a colocava de frente para os desafios. Não havia mais cajueiros, que sempre serviram de refúgio na infância. “Tenho muita saudade da praia, do meu lugar. Quando chega agosto isso aumenta, porque é quando começam a florescer os cajus, minha fruta preferida.”

“Passava horas embaixo dos cajueiros desenhando. E o caju tem uma essência muito forte, muito característica. É um cheiro que remete muito ao meu lugar. E isso me faz perceber que o que importa é a nossa essência. Ela é única. Eu posso pegar um caju, cheirar, comer ele. Mas eu não posso pegar a essência dele para mim.”

Hoje, quando volta à prainha, é recebida com orgulho pela vizinhança que a viu crescer. Mas as passadas são rápidas. Tempo para ficar não há muito.

“Embora eu tenha apartamento em Nova York, vivo mais dentro do avião. Minha mala está sempre comigo. É tudo muito imprevisível”. Ela roda o mundo, mas faz um esforço enorme para não perder as raízes.

Conversa pelo celular com os pais todos os dias. Era a eles que ela contava o passo a passo das negociações com a Victoria’s Secret. “São as pessoas que mais torcem por mim.”

Eles ainda não conseguiram visitá-la no exterior. Há crianças pequenas na família, o que dificulta as viagens. “Mas minha vontade é trazer todos eles para perto de mim”, afirma.

Ainda não houve muito tempo para que a família assimilasse a mudança dos rumos de sua estrela. A ascensão de Valentina foi rápida. 

Foi selecionada para o filme “Berenice Procura”, lançado em 2018, e atuou ao lado de atrizes como Cláudia Abreu e Vera Holtz. Assim que as gravações no Rio de Janeiro terminaram, foi convidada para protagonizar uma campanha do Dia Internacional da Mulher pela L’Oréal. “Aquilo já me trouxe uma visibilidade maior”, diz ela. 

Mudou-se para São Paulo, onde desfilou na SP Fashion Week pela primeira vez em 2016. Começou a construir uma carreira internacional, e já reside nos Estados Unidos há mais de um ano.

“O Brasil é um país muito diverso, mas muito preconceituoso. A gente [transexuais] não tem o mesmo espaço na sociedade. Somos marginalizadas, vistas como pervertidas, aquela coisa meio escandalosa, que faz programa, uma imagem negativa.”

“Então, ser a primeira transexual da Victoria’s Secret, não é uma vitória só minha, nem só da comunidade trans. É da sociedade inteira, que pode perceber que é possível haver inclusão.”

A própria Victoria’s Secret esbarrou em casos de intolerância neste ano. O ex-diretor de marketing da grife Ed Razek deixou a empresa após declarar que não achava que a marca exibiria modelos trans ou plus size em seu desfile anual “porque esse show é uma fantasia”. “São 42 minutos de entretenimento”, chegou a acrescentar ele. 

O desfile acabou sendo cancelado em 2019. 

“A marca está aprendendo a importância disso. Muitas grifes do mundo da moda estão aprendendo a importância de abraçar a diversidade”, diz Valentina. 

Nas redes sociais, recebe muitas mensagens de apoio. Conta que muitas transexuais a procuram, e ela responde. 

“Mas amor, eu tenho um monte de haters [“odiadores”] também. Antes, eu reagia muito pior [do que agora] aos ataques. Ainda hoje ainda apago algumas mensagens”, admite.

Não sabe onde estará no futuro —apenas tem noção do potencial, já que ascendeu meteoricamente. Quer ter filhos mais para a frente.

Mas quando perguntada se sonha em seguir carreira como atriz, se deseja escrever um livro, ela escapa.

“Só quero viver em tempos melhores no futuro. Me imagino num mundo melhor para todo mundo. Onde nós todos tenhamos os mesmos espaços e oportunidades. Que as chances não sejam limitadas apenas por sermos quem somos.”

“As pessoas julgam. Mas ainda não param para ver a história que há por trás.”

Bilheteria EUA: Star Wars: A Ascensão Skywalker, Jumanji: Próxima Fase, Adoráveis Mulheres, Frozen 2, Um Espião Animal

Star Wars: A Ascensão Skywalker segue na liderança da bilheteria americana

Longa registrou queda, mas já se aproxima dos US$ 600 milhões no mundo

Star Wars: A Ascensão Skywalker continuou na liderança da bilheteria americana em seu segundo fim de semana em cartaz. O filme fez US$ 72 milhões no fim de semana e, apesar da queda nos números, já se aproxima dos US$ 600 milhões na arrecadação mundial.

A segunda colocação é de Jumanji: Próxima Fase, filme com The Rock que chega ao Brasil em 16 de janeiro. Em cartaz pela terceira semana nos EUA, o filme fez US$ 35 milhões e já soma US$ 175 milhões no país.

O terceiro lugar é da estreia Adoráveis Mulheres, dirigido por Greta Gerwig. A bilheteria do filme foi de US$ 16 milhões e a produção soma US$ 29 milhões nos EUA, incluindo números de pré-estreias.

Frozen 2, em sua sexta semana em exibição no país, caiu para o quarto lugar, com US$ 16 milhões, seguido da animação Um Espião Animal, em quinto, com US$ 13,2 milhões.

Apple diz ter gasto bilhões com renovação dos seus Mapas; EUA já estão quase totalmente cobertos

Em pouco mais de um mês, a Maçã quase dobrou a área de cobertura do novo serviço
MacMagazine

Que a Apple moveu mundos e fundos para reconstruir do zero seu aplicativo de Mapas, todo mundo sabe. O que nós não tínhamos muita ideia era do valor exato desses fundos — mas agora podemos imaginar.

A Maçã, junto a outras gigantes tecnológicas (como o Google, a Amazon e o Facebook), enviou recentemente respostas a algumas perguntas feitas por um comitê da Câmara dos Representantes dos EUA. O grupo está realizando uma investigação de possíveis práticas monopolísticas das gigantes, e enviou as perguntas como parte da apuração dos seus possíveis desmandos.

De acordo com a Reuters, as perguntas enviadas à Apple concentraram-se na relação entre seus serviços próprios (como o Mapas, o Apple Music e o Apple TV+) e a presença de plataformas concorrentes presentes na App Store. Quando perguntada sobre quanto dinheiro foi gasto no seu aplicativo de Mapas, a Maçã foi um tanto lacônica na resposta: “bilhões”.

No mais, não há muitas novidades em relação às operações da Maçã nas respostas publicadas; a empresa respondeu perguntas sobre o sistema de comissões da App Store e sobre o Safari, sem surpresas ou novas informações.

Assim como a Maçã, as demais empresas esquivaram-se ao máximo de fornecer respostas reveladoras — o Google, por exemplo, negou um suposto favorecimento dos seus serviços nos resultados das suas buscas, enquanto o Facebook admitiu que revogou acesso a alguns aplicativos de terceiros que replicavam funcionalidades dos seus produtos.

Expansão quase completa nos EUA

Voltando aos Mapas, a renovação da plataforma da Maçã está, agora, quase completa nos EUA: de acordo com o MacRumors, áreas do centro e do sudeste do país, assim como o estado do Alaska, já estão cobertas pelos novos mapas.

Se a expansão parece rápida, é porque ela realmente é: há pouco mais de um mês, informamos que os novos Mapas da Maçã estavam cobrindo cerca de metade do território dos EUA; agora, em cerca de 30 dias, a Apple conseguiu expandir sua nova plataforma para a outra metade do país. Com isso, segundo o blogueiro Justin O’Beirne99,8% da área dos Estados Unidos já está coberta.

Agora, a grande questão gira em torno da expansão internacional. A Maçã já prometeu que intensificará seus esforços nesse sentido ao longo de 2020, mas resta saber em que ritmo isso acontecerá — será que em breve teremos um Apple Maps utilizável no resto do mundo? Veremos.

VIA APPLEINSIDER

Ficção de ‘Deus É Mulher’ tem base na realidade

A diretora Teona Mitevska, da Macedônia, conta como seu filme, que agora estreia, a levou à Berlinale
Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo


Deus É Mulher e Seu Nome é Petúnia
Gospod Postoi, Imeto i’ e Petrunija. Macedônia/Bélgica/Eslovênia/França/Croácia, 2019. Direção: Teona Strugar Mitevska. Com: Zorica Nusheva, Labina Mitevska e Simeon Moni Damevski. 100 min. 14 anos.

Antes mesmo de falar sobre seu filme Deus É Mulher e Seu Nome É Petúnia, a diretora Teona Strugar Mitevska, numa entrevista por telefone de Bruxelas, vai logo contando para o repórter: “O ritual que serve de ponto de partida não ocorre só na Macedônia, mas é comum a todos os antigos países do Leste Europeu em que a Igreja Ortodoxa é forte. Todo ano, em 19 de janeiro, o pároco de todas as cidades em que existe rio lança uma cruz nas águas e os homens disputam entre si o privilégio de quem será o primeiro a encontrá-la. Nunca pensei que isso poderia resultar num filme, e menos ainda que fosse eu a fazê-lo. Mas há alguns anos li a história dessa mulher que desafiou a tradição, lançou-se à água e quebrou o que até então era um privilégio masculino. Comecei a pensar que seria uma interessante forma de debater a questão do machismo na Macedônia.”

O que Teona logo descobriu é que essa história tinha muito mais camadas – ou era mais complicada – do que parecia. “A primeira preocupação foi tentar localizar a protagonista real da história, mas descobri que a pressão que ela sofreu na realidade foi tão forte que abandonou o país com a família, refugiando-se na Inglaterra sob um nome falso. Nunca consegui encontrá-la, o que, de certa forma, foi ótimo. Liberou-me para ficcionalizar a história. Foi o que fiz.” Na trama do filme que estreou na quinta, 26, Petúnia, solteira (com mais de 30 anos), gordinha e desempregada, está longe de ser o ideal de filha sonhado por sua mãe. Instintivamente, ao se lançar no rio e pegar a cruz, ela cria para si o inferno. Igreja, polícia, a própria família, todo mundo a pressiona a devolver a cruz, mas Petúnia, convencida de que foi melhor e mais rápida que qualquer homem, não quer abrir mão de sua vitória. Compra uma briga de proporções épicas que vai mudar sua vida.

“Já ouvi que minha história é exagerada, mas quando comecei a pesquisar descobri que nenhum exagero conseguiria dar conta do que ocorreu na realidade”, reflete Teona. “A Macedônia fazia parte da antiga Iugoslávia. A morte de Tito e as guerras da Bósnia e de Kosovo mudaram toda a geopolítica da área. O que não mudou foi a mentalidade machista. A Guerra da Bósnia foi marcada pela violência contra as mulheres. O estupro era imposto às mulheres das populações derrotadas. Um horror. Queria refletir sobre a violência imposta sobre as mulheres sem abordar diretamente o assunto. Esse episódio revelou-se perfeito. O filme repercutiu, passou no Festival de Berlim, em fevereiro. Tem sido muito importante levantar e sustentar essa polêmica sobre nosso papel (das mulheres) no mundo.”

Pelo menos no Brasil, muitos críticos reclamaram que o filme se perde no acúmulo de camadas. Querendo abordar muita coisa, muitos temas – tradição vs. modernidade, machismo, feminismo, religião, mídia, crise econômica –, Teona não consegue dar conta de tudo. “Sei bem que não é função da arte resolver problemas nem encarei minha história com esse objetivo. Queria dar conta de algo que foi, e é real. Todos esses elementos estão representados na trama porque, de alguma forma, fizeram parte da história original. Pelo que estou entendendo, você não comunga dessa ideia, mas o que deveria fazer para satisfazer seus colegas críticos – me concentrar no tema da tradição, na questão religiosa? Mas, e Petúnia? Que tipo de mulher seria? Avise aos seus colegas que a vida não é simples, e que o cinema não tem a função de fechar todas as histórias que aborda.”

Sobre a atriz que faz o papel, Zorica Nosheva. “Fiz casting e terminei selecionando Zorica oito meses antes de filmar. Tivemos bastante tempo de preparação, e se eu tivesse alguma dúvida, por ela ser principiante, Zorica me surpreendeu.” Houve muita improvisação? “O filme pronto está muito próximo daquilo que era no papel. Os diálogos, as intenções. A montagem foi decisiva por uma questão de ritmo, mas quase tudo já estava no roteiro. Filmar com atores e atrizes foi dar rosto aos personagens.” 

Com a irmã atriz (Labina) e o irmão realizador de animação (Vuk), Teona fundou a Sisters and Brothers Mitevska Production, com sede na Bélgica. O repórter informa que há um curta brasileiro, Alfazema, interpretado pela atriz Elisa Lucinda, em que Deus é mulher, e negra. Também há um CD, Deus É Mulher, de uma grande cantora negra, Elsa Soares. “Não vi nem ouvi, mas espero que sejam bons, pois já gostei”, Teona acrescenta.