Natalia Vodianova – Tatler UK March 2020 By Victor Demarchelier

Role Model   —   Tatler UK March 2020   —   www.tatler.co.uk
Photography: Victor Demarchelier Model: Natalia Vodianova Styling: Sophie Pera Hair: Paolo Ferreira Make-Up: Andrea Ali Manicure: Alyona Protsenko

Uber termina 2019 com prejuízo de US$ 8,5 bilhões

Na comparação com o quarto trimestre de 2018, houve um aumento de 24% no prejuízo da companhia

CEO da Uber, Dara Khosrowshahi

A Uber terminou o ano de 2019 com prejuízo líquido de US$ 8,5 bilhões (R$ 36,1 bilhões), dos quais US$ 1,1 bilhão (R$ 4,6 bilhões) foram registrados no último trimestre do ano.

Na comparação com o quarto trimestre de 2018, houve um aumento de 24% no prejuízo da companhia.
Desde seu lançamento, a maior empresa de aplicativo de transporte individual nunca deu lucro a seus acionistas.

No quarto trimestre, porém, as receitas cresceram 37%, para US$ 4,07 bilhões (R$ 17,2 bilhões). Além disso, a Uber disse ter gasto menos com marketing e descontos a clientes no último trimestre do ano.

Em comunicado, o presidente da empresa, Dara Khosrowshahi, afirmou que o ano passado foi de transformação e que a empresa está comprometida em oferecer retorno aos acionistas.

“Nós reconhecemos que a era do crescimento a qualquer custo acabou”, afirmou.

A companhia reportou ainda um prejuízo operacional (antes dos descontos de impostos e depreciação) de US$ 615 milhões (R$ 2,6 bilhões), menor que os US$ 817 milhões (R$ 3,4 bilhões) registrados no quarto trimestre de 2018. O resultado também foi melhor que o estimado por analistas ouvidos pela FactSet, que estimavam perdas de US$ 705 milhões (R$ 2,9 bilhões).

O Uber afirmou que espera ter um trimestre de lucro operacional até o fim de 2021. As ações da empresa subiram mais de 4% no after market. No pregão regular, antes da divulgação dos resultados, fecharam abaixo dos US$ 45 (R$ 191 por ação da oferta pública inicial de ações, a US$ 37,09 (R$ 157).

Receita do Uber cresce e anima investidores, apesar de prejuízo

Embora as contas ainda estejam no vermelho, empresa vem registrando diminuição nas perdas trimestre após trimestre; segmento de caronas já é lucrativo
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

O Uber tem cerca de 111 milhões de usuários ativos mensais hoje no mundo

Nos últimos meses, a empresa de transporte por aplicativo Uber vive um desafio: mostrar aos investidores que pode dar lucro. Nesta quinta-feira, 6, a companhia comandada por Dara Khosrowshahi mostrou que não conseguiu completar a tarefa no quatro trimestre de 2019, registrando prejuízo de US$ 1,1 bilhão entre outubro e dezembro de 2019. Apesar disso, o mercado financeiro não perdeu as expectativas na empresa, que registrou aumento de 37% em sua receita no período, na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Para analistas, os números mostram que a empresa está em um caminho interessante – o que levou as ações da companhia a subirem 4% após o fechamento do mercado. 

Outro fator que ajudou a companhia foi a redução das perdas. Nos dois trimestres anteriores, a empresa havia registrado prejuízo de US$ 5 bilhões e US$ 1,2 bilhão. Além disso, é importante considerar que a divisão de viagens urbanas do Uber já é lucrativa por si só – o que afeta o desempenho da empresa hoje são os gastos com o serviço de entrega de refeições (UberEats), custos administrativos e também pesquisa e desenvolvimento. Só o Uber Eats, por exemplo, teve perda de US$ 461 milhões no período. 

“Reconhecemos que a era do crescimento a todo custo acabou” disse Dara Khosrowshahi, presidente executivo do Uber, em comunicado. “Estou satisfeito com nosso progresso, cumprindo firmemente os compromissos que assumimos com nossos acionistas em nosso caminho para a lucratividade”. Em novembro do ano passado, Khosrowshahi disse que a meta da empresa era registrar lucro em 2021. 

“Finalmente, o Uber demonstrou um grande passo rumo à lucratividade”, disse Dan Ives, analista da corretora Wedbush Securities, em nota a investidores. “Dara e seus funcionários mostram que o lucro e a redução das perdas com o Uber Eats serão o foco em 2020 e além.” 

O aplicativo de transporte registrou receita de US$ 4,07 bilhões no quarto trimestre, superior à estimativa de analistas, que era de US$ 4,06 bilhões – no mesmo período do ano anterior, a empresa arrecadou US$ 2,9 bilhões. A maior parte da receita do Uber no trimestre veio dos Estados Unidos e do Canadá: a empresa arrecadou US$ 2,5 bilhões na região. A América Latina é o segundo mercado mais importante do Uber, com US$ 553 milhões em receita. 

Viagens

O relatório mostra que a receita da empresa vem principalmente do serviço de caronas, que está disponível hoje em 700 cidades ao redor do mundo: o número de viagens pelo aplicativo cresceu 28% no trimestre, para mais de 1,9 bilhão, e a receita cresceu 27%, para mais de US$ 3 bilhões. 

A companhia também disse que tem hoje cerca de 111 milhões de usuários ativos mensais no mundo. 

O Uber fez parte de um grupo de startups do Vale do Silício que abriu capital do ano passado, colocando seus negócios à prova do mercado. Além das dificuldades financeiras, a empresa enfrenta problemas de regulação em vários países, devido ao tipo de parceria que mantém com seus motoristas. 

Gwyneth Paltrow aborda superficialmente prazer feminino em série

Espectador não tem como avaliar a veracidade do que está sendo mostrado, nem como acreditar completamente
Teté Ribeiro

Gwyneth Paltrow

GOOP LAB COM GWYNETH PALTROW
Quando Disponível
Onde Netflix

Gwyneth Paltrow está deitada na maca de uma dermatologista, enquanto a médica tira seu sangue. Em seguida, bota o frasco com o líquido vermelho em uma espécie de centrífuga e então começa a fazer pequenos furinhos no rosto da atriz e a injetar partículas de seu próprio sangue. É o “tratamento facial do vampiro”. Em outro episódio de “Goop Lab com

Gwyneth Paltrow”, um grupo da equipe da Goop viaja para a Jamaica para tomar chá de cogumelo. E, em mais outro, uma turma de funcionários da marca da atriz viaja para Lake Tahoe para encontrar o guru Wil Hof, que ensina uma técnica de respiração que faz com que não se sinta frio. Depois de ensinada a técnica, todos saem na neve e mergulham na água gelada. Se tudo parece um pouco estranho é porque é mesmo para ser assim. Já no trailer, as duas protagonistas (Paltrow e sua editora-executiva, Elise Loehnen) afirmam que a ideia da série é testar os tratamentos mais exóticos e amedrontadores para a “otimização do ser”. Em cada episódio de meia hora, um tema, um “especialista” e uma experiência.

Gwyneth Paltrow e Michaela Boehm conversam durante o evento de lançamento da série "Goop Lab com Gwyneth Paltrow", ocorrido na Califórnia, em janeiro de 2020
Gwyneth Paltrow e Michaela Boehm conversam durante o evento de lançamento da série “Goop Lab com Gwyneth Paltrow”, ocorrido na Califórnia, em janeiro de 2020 Rachel Murray/AFP

Os funcionários da marca da atriz servem de ratos de laboratório, enquanto a Netflix parece reservar para si o direito de fazer uma grande propaganda da Goop. Não tem uma experiência que dê errado, não tem um tratamento cujos efeitos não sejam magníficos. E olha que a empresa já foi multada por vender um ovo de jade para carregar dentro da vagina.

No momento mais absurdo, uma médium quer convencer a editora de gastronomia do site da empresa de que consegue se comunicar com os antepassados dela. A menina está cética e parece que, finalmente, alguma coisa não vai ter o resultado esperado. Não é o que acontece.

Outra coisa que incomoda é que os especialistas todos vão até Paltrow e sua editora-executiva. As entrevistas são feitas no mesmo cenário, uma sala de estar na frente do escritório da atriz. Tem outros momentos em que os especialistas falam durante a experiência, mas nenhum escapa da sala.

Paltrow participa só das experiências que quer, aquelas que dão a impressão de que ela faria de qualquer maneira como parte de sua eterna busca de saúde, beleza e bem-estar. Além do tratamento facial do vampiro, ela faz uma dieta radical de cinco dias em que começa comendo 800 calorias e vai diminuindo. A tese é que a restrição de calorias e uma mudança na dieta tiram anos da nossa idade biológica.

Não é que não dá vontade de fazer alguns dos tratamentos da docussérie, porque isso dá. E como seria 
bom que um procedimento rápido resolvesse as coisas. Mas nada no documentário convence 100%, porque o espectador não tem como avaliar a veracidade do que está sendo mostrado, nem como acreditar completamente.

A única experiência que dá para observar a mudança entre o antes e o depois é um orgasmo que a assistente de uma especialista tem durante uma sessão de masturbação com dois tipos de vibradores. Parece bem real, mas vai saber. É meio rápido…

New York Times supera 5 milhões de assinantes

Processo de impeachment de Trump e a campanha presidencial puxam assinaturas de notícias exclusivamente digitais em 30%

Prédio do jornal americano The New York Times, em Nova Yor

NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES – Nos últimos três meses de 2019, a New York Times Co., que edita o jornal The New York Times, atingiu uma de suas principais metas e alcançou mais da metade do caminho de outra.

Ambas estão relacionadas ao que se tornou seu principal negócio: ganhar dinheiro diretamente com clientes que pagam para fazer as palavras cruzadas, ler receitas e acompanhar as notícias em seus PCs, tablets e telefones.

Nesta quinta (6), ao divulgar o balanço do quarto trimestre do ano passado, a empresa informou que chegou a 5,25 milhões de assinantes, dos quais 3,5 milhões exclusivamente digitais. O objetivo é superar os 10 milhões de assinaturas até 2025.

Além disso, ultrapassou os US$ 800 milhões (R$ 3,4 bilhões) em receita digital anual pela primeira vez, meta que prometera cumprir até o fim de 2020. A maior parte desse faturamento —US$ 420 milhões— veio de assinantes de notícias.

Com o processo de impeachment de Donald Trump e a campanha presidencial, as assinaturas de notícias exclusivamente digitais cresceram 30% nos últimos três meses de 2019 ante o ano anterior. No ano fechado, a empresa adicionou mais de 1 milhão de assinaturas digitais, melhor resultado da história.

A publicidade, por outro lado, caiu cerca de 10%, tanto no impresso quanto no digital.

No trimestre, o lucro operacional subiu 4,4%, para US$ 78 milhões, e a receita, 1%, para US$ 508,4 milhões.

Pela primeira vez desde que começou a cobrar pelo acesso digital de notícias, em 2011, o New York Times elevará o preço da assinatura, de US$ 15 (R$ 64) para US$ 17 (R$ 73) —cobrados a cada semana.

Hollywood fica mais diversa na frente das câmeras, mas não nos bastidores

93% de todos os cargos executivos de alto nível na área são ocupados por pessoas brancas, e 80% são homens
Por AFP

Oscar: a premiação, assim como o Globo de Ouro, não indicou nenhuma mulher na categoria de “melhor direção” neste ano (Foto/AFP)

Mais mulheres e membros de minorias têm aparecido nos filmes de Hollywood, mas nos bastidores o balanço da diversidade ainda apresenta poucos avanços, mostrou um estudo publicado nesta quinta-feira.

O relatório anual da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) sai três dias antes da entrega dos prêmios da Academia, muito criticado justamente pela falta de diversidade entre seus indicados.

Cynthia Erivo é a única pessoa não branca indicada nas categorias de atuação. O Relatório de Diversidade de Hollywood 2020 revela, contudo, progressos além das premiações.

Mulheres e minorias “estão a uma distância surpreendente de chegar a uma representação proporcional quando se trata de papéis principais e de divisão total”, disse o  coautor Darnell Hunt, da divisão de Ciências Sociais da UCLA.

As mulheres tiveram 44,1% dos papéis protagonistas no ano passado, quando representam mais ou menos metade da população dos Estados Unidos.

As pessoas não brancas (negros, latinos, asiáticos), que representam 40% da população americana, receberam 27,6% dos papéis principais.

Mas as estatísticas sobre a escassez de diversidade nos postos de direção, edição e cargos executivos mostram “uma história muito diferente”, o que sugere que o progresso de Hollywood se limitou aos papéis em frente às câmeras.

O mais surpreendente é que 93% de todos os cargos executivos de alto nível são ocupados por pessoas brancas, e 80% são homens.

Embora o Oscar e os Globos de Ouro tenham sido duramente criticados por não terem indicado sequer uma mulher diretora neste ano, o relatório mostra problemas mais amplos em toda a indústria.

Apenas 15,1% dos filmes foram dirigidos por uma mulher – o que, contudo, representa uma melhora em relação ao 7,1% de 2018.

“Isto lança uma pergunta: realmente estamos vendo uma mudança sistemática, ou Hollywood está apenas atraindo diversas audiências através dos ‘castings’, sem alterar fundamentalmente a forma como os estúdios fazem negócios por trás da câmera?”, questionou Hunt.

O relatório oferece uma possível explicação para o crescimento dos papéis de atuação para as minorias: o lucro – que claramente interessa os executivos.

Em 2019, os filmes com melhor desepenho na bilheteria tinham entre 41% e 50% do elenco de minorias.

Darren McDonald for Harper’s Bazaar Australia with Rosie Huntington Whiteley

Photography: Darren McDonald.  Stylist: Naomi Smith at The Artist Group. Hair: Sylvia Wheeler. Makeup: Nikki DeRoest. Model: Rosie Huntington Whiteley.

EUA deve assumir controle da Nokia e Ericsson para combater Huawei

Afirmação foi dada pelo procurador-geral dos EUA, Bill Barr
AFP

Blarr destacou que já existem propostas na mesa para os EUA “se alinharem” com a Ericsson, uma empresa sueca ou a Nokia da Finlândia | Foto: Fredrik Sandberg / TT NEWS AGENCY / AFP

Os Estados Unidos e seus aliados devem assumir o controle da Nokia, Ericsson ou de ambos para combater o domínio da gigante chinesa de telecomunicações Huawei no mercado 5G. A afirmação foi dada nesta quinta-feira pelo procurador-geral dos EUA, Bill Barr. “Existem apenas duas empresas que podem competir com a Huawei no momento: Nokia e Ericsson”, afirmou Barr em discurso sobre a ameaça econômica chinesa. “A principal preocupação sobre esses fornecedores é que eles não têm a escala da Huawei nem o apoio de um país poderoso com um grande mercado incorporado como a China”, afirmou.

Barr, que falava em uma conferência sobre ameaças à segurança da China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, passou 14 anos como alto executivo das empresas de telecomunicações americanas GTE e Verizon antes de liderar o Departamento da Justiça. Destacou que já existem propostas na mesa para os EUA “se alinharem” com a Ericsson, uma empresa sueca ou a Nokia da Finlândia.

As propostas envolvem “a propriedade americana de uma participação controladora, diretamente ou através de um consórcio de empresas privadas americanas e aliadas”, disse ele. “Colocar nosso grande mercado e investimento financeiro atrás de uma ou de ambas as empresas tornaria o concorrente muito mais formidável e eliminaria as preocupações sobre seu poder de permanência”. “Nós e nossos aliados mais próximos certamente precisamos considerar ativamente essa abordagem”.

Barr descreveu a Huawei, que já domina o desenvolvimento do mercado de comunicações 5G da próxima geração, como uma ameaça profunda que, se não for contestada, daria a Pequim “poder sem precedentes” sobre a indústria e a segurança dos EUA e do Ocidente. “Se a China estabelecer domínio exclusivo sobre o 5G, será capaz de dominar as oportunidades decorrentes de uma variedade impressionante de tecnologias emergentes, que serão dependentes e entrelaçadas com a plataforma 5G”, destacou.

“Do ponto de vista da segurança nacional, se a internet industrial se tornar dependente da tecnologia chinesa, a China teria a capacidade de desligar os países da tecnologia e dos equipamentos dos quais dependem seus consumidores e indústrias”. “Dada a estreita janela que enfrentamos, o risco de perder a luta 5G com a China deve superar amplamente todas as outras considerações”, acrescentou.

Como a internet facilitou a venda de obras de arte falsificadas

Gravuras de Lichtenstein, Warhol, Picasso e Paul Klee são algumas das mais visadas pelos falsários
Milton Esterow, The New York Times

Crying Woman’ (1963), de Roy Lichtenstein Foto: Estate of Roy Lichtenstein

Autoridades suíças estão processando um marchand da Basileia que vendeu centenas de gravuras falsas anunciadas online como trabalhos de Roy LichtensteinAndy WarholPaul KleePablo Picasso e outros, durante os últimos dez anos. 

Em Nova York, Adrienne R. Fields dedica muito de seu tempo a procurar na internet gravuras falsas que vem pipocando em inúmeros sites. Ela chefia o departamento jurídico da Sociedade de Direitos de Artistas, que protege direitos autorais e obras de artistas. “Todo dia, Adrienne manda um aviso de ‘tire isso da rede’ para um site”, disse Ted Feder, presidente da SDA. 

Basileia e Nova York, situadas a mais de 6 mil quilômetros uma da outra, estão na linha de frente da luta contra a venda de gravuras falsas. 

Desde o início da internet, o problema da venda de arte falsa só fez crescer. O carro-chefe desse império da contrafacção são as gravuras falsas – relativamente fáceis de se criar, difíceis de detectar e tipicamente oferecidas a preços baixos o bastante para atrair compradores iniciantes.

Mas agora o problema parece estar aumentando de proporção, segundo policiais dos Estados Unidos e da Europa. “Nos últimos anos confiscamos centenas de falsificações que forjadores e vendedores diziam ser de gravuras de Lichtenstein, George Baselitz, Picasso e outros, vindas da Itália, Espanha e Portugal”, disse Elena Spahic, agente da polícia da Baviera, em Munique, que se especializou em descobrir arte falsificada.

Timothy Carpenter, agente do setor de combate à falsificação de arte do FBI, disse que a proliferação das vendas online agravou o problema. “Antes, o vendedor tinha de encontrar um jeito de entrar no mercado, mas o e-commerce facilitou isso”, disse ele. 

As obras mais falsificadas são aquelas supostamente de Lichtenstein e Warhol, segundo especialistas. Mas os falsários também inundaram o mercado de falsas gravuras de Picasso, Klee e Gerhard Richter, bem como de falsificações de Marc Chagall, Joan Miró, Salvador Dalí e Henri Matisse. 

O aperfeiçoamento das técnicas de reprodução fotomecânica ajudou muito a produção de gravuras falsas. “Uma falsificação realmente boa pode enganar muitos especialistas”, disse John Szoke, marchand de Manhattan que vende gravuras de Picasso e Edvard Munch. Detectar as boas falsificações não é nada fácil, acrescentou. “São precisos testes rigorosos sobre a cor do papel, a qualidade da impressão, as condições da peça. E, principalmente, anos e anos de experiência.”.

O problema não está limitado à venda em sites. Susan Sheehan, marchand de Nova York especializada em gravuras do pós-guerra, disse que há um ano e meio comprou o que acreditava serem duas gravuras de flores de Andy Warhol por US$ 100 mil numa grande casa de leilões alemã.

“Comprei-as depois de ver fotos online em alta resolução”, disse ela. “A procedência era excelente, mas quando recebi as gravuras, suspeitei. O papel era brilhante. Os números das gravuras eram muito grandes. A superfície das impressões parecia nova demais.”

“Procurei opiniões de profissionais”, continuou Sheehan, “e levei as gravuras a duas das maiores casas de leilões de Nova York. Eles confirmaram que as gravuras eram falsas. Fiquei chocada, mas depois de uma luta de seis meses consegui meu dinheiro de volta.”

O termo “gravura” tem amplo significado, mas tradicionalmente é usado para descrever reproduções em edição limitada de arte visual original como gravura, litografia e entalhamento. Em cada caso, o artista cria uma imagem e trabalha com um editor ou impressor para produzir o número estipulado de cópias, destruindo com frequência após a impressão a placa, pedra ou outra matriz em que a obra foi feita.

Frequentemente, o artista assina cada impressão e enumera, por exemplo, 12 de 200 (12ª cópia de 200 produzidas). As falsificações, por outro lado, são tipicamente reproduções fotomecânicas dos originais. Elas são feitas por pessoas sem conexão com o artista e vendidas como se fossem obra desse artista. Geralmente vêm acompanhadas de certificados de autenticidade falsos. 

Sheehan disse que as reproduções mais falsificadas de Warhol são as de duas edições limitadas que ele fez, uma de Marilyn Monroe e outra de flores. Uma reprodução original de Marilyn pode custar até US$ 300 mil, segundo a marchand. “Dizem que há mais reproduções de Warohl falsas que originais, e algumas são tão boas que levo dois ou três dias para decidir se compro”, afirmou ela.

Especialistas afirmam que o grande problema com muitas reproduções vendidas como Picassos é que elas têm assinaturas falsas. Picasso fez cerca de 2.400 reproduções de gravuras, mas não assinou um grande número delas. Assim, algumas são Picassos verdadeiros, mas com uma assinatura falsa acrescentada.

Entre as reproduções de Picasso mais cobiçadas estão as de cem gravuras Vollard Suite, encomendadas a Picasso por seu marchand Ambroise Vollard. Picasso as fez entre 1930 e 1937 e Vollard pagou-o com quadros de Renoir e Cézanne que possuía. Um set completo de Suite assinado por Picasso foi vendido em novembro na Christie’s por US$ 4,815 milhões.

“Em Picasso, a assinatura é relevante, mas o que adiciona mesmo valor é a qualidade da reprodução”, disse Marc Rosen, ex-vice-presidente da Sotheby’s e hoje marchand autônomo. “Quem compra um Picasso só pela assinatura é idiota.”

Grandes plataformas de venda online como Amazon, eBay e Etsy disseram ter protocolos para impedir a venda de obras falsas e que continuam adotando salvaguardas adicionais. 

Mas Adrienne Fields, da Sociedade de Direitos de Artistas, disse que muitas reproduções falsas são encontradas em vários sites. “É como empurrar uma pedra morro acima”, disse ela. “Uma falsificação pode ser anunciada em muitos sites e não se sabe qual é o provedor.” Os preços, acrescenta, vão de US$ 10 a dezenas de milhares de dólares.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ