The Batman | Diretor Matt Reeves revela parte do traje de Robert Pattinson em vídeo

Matt Reeves compartilhou primeiro teste de câmera do longa em rede social
NICOLAOS GARÓFALO

Diretor de The BatmanMatt Reeves divulgou um teste de câmera em que Robert Pattinson aparece no traje do Cavaleiro das Trevas pela primeira vez – confira:

No vídeo, é possível ter um primeiro vislumbre do novo traje do herói, que alguns apetrechos mais tecnológicos, semelhantes aos da franquia dos games Batman: Arkham, e um capuz de couro com linhas de costura à mostra, que lembram o traje vestido por Adam West na série dos anos 1960.

“Talvez seja a coisa mais maluca que já fiz para um filme”, afirmou Pattinson para a Variety sobre a sensação de vestir o uniforme.“Eu coloquei e lembro de dizer para Matt [Reeves]‘ parece transformador’. E ele falou algo como ‘espero que sim, você está literalmente no Batsuit’. Você se sente poderoso imediatamente e é surpreendente. É difícil entrar no clima, já que o processo de vestir é tão humilhante. Você tem cinco pessoas tentando te encaixar em alguma coisa. Uma vez que você está com ele é ‘sim, me sinto forte, me sinto durão, mesmo com alguém empurrando minhas nádegas para as pernas”.

O elenco de The Batman conta com Robert Pattinson como Bruce Wayne/Batman, Zoë Kravitz como Selina Kyle/Mulher-Gato, Paul Dano como o vilão Charada e Colin Farrel como o Pinguim. Jeffrey Wright, de Westworld, será o Comissário James Gordon e Andy Serkis viverá o fiel mordomo Alfred. O longa será dirigido por Matt Reeves.

The Batman tem data marcada para estrear em 25 de junho de 2021.

Billie Eilish lança ‘No Time To Die’, música inédita da trilha de ‘007’

Cantora americana divulgou a canção pelas redes sociais; filme chega aos cinemas em abril deste ano
Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

Billie Eilish prometeu e cumpriu: divulgou nesta quinta-feira, 13, sua nova música, No Time To Die, canção título do novo 007, Sem Tempo Para Morrer.

O filme chega aos cinemas em abril deste ano.

Na música, Billie canta sobre uma base de piano que ganha elementos épicos nas mãos do seu irmão e produtor, Finneas. “Eu fui estúpida por te amar? / Fui imprudente em ajudar? / Era óbvio para todo mundo? / Que eu caí numa mentira / Você nunca esteve do meu lado”, diz um trecho da letra.

Segundo o Twitter oficial da cantora, sua primeira performance da canção será no BRIT Awards, no próximo dia 18 de fevereiro. Ela cantará ao lado de Finneas, bem como de Hans Zimmer e de Johnny Marr (ex-guitarrista do The Smiths).

Numa entrevista recente para a Variety, Billie disse ainda estar em choque sobre participar da franquia. “É louco ser uma parte disso, de todo jeito. Ser capaz de fazer uma trilha para um filme de uma série tão lendária é uma honra. James Bond é franquia mais cool que já existiu”, disse.

Aos 18 anos, ela é a artista mais jovem a gravar uma música da franquia, que anteriormente já contou com contribuições de Paul McCartney (Live and Let Die), Shirley Bassey (Goldfinger) e Adele (Skyfall).

Em 007 – Sem Tempo Para Morrer, Daniel Craig volta a interpretar James Bond, que também tem no elenco Ana de Armas, Léa Seydoux, Rami Malek, Christoph Waltz e Ralph Fiennes.

Na produção, dirigida por Cary Joji Fukunaga (True Detective), Bond está desfrutando de uma vida tranquila na Jamaica. Sua paz acaba quando seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, aparece pedindo ajuda. A missão de resgatar um cientista sequestrado acaba sendo muito mais traiçoeira do que o esperado, levando Bond à trilha de um vilão misterioso armado com uma perigosa tecnologia.

O custo Trump-Bolsonaro no 5G

Do telefone celular às antenas, passando pelos servidores, a China é o centro da tecnologia
Por Pedro Doria – O Estado de S. Paulo

Donald Trump tem feito pessoalmente lobby para que a chinesa Huawei seja excluída das principais disputas pelo 5G no mundo

O que começa a sair da Anatel, de acordo com o site especializado Telesintese, é que há planos de impor um limite na participação da empresa chinesa Huawei na instalação da tecnologia 5G no Brasil. Ela ocupará no máximo 35% do mercado nacional, não poderá oferecer equipamento para o naco central da infraestrutura, tampouco estar presente em pontos sensíveis, como próximo a bases militares ou palácios de governo. Estas são as regras que o Reino Unido criou para satisfazer a pressão de Donald Trump. Aqui, quem está afoito para atender ao ora inquilino da Casa Branca é o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Pois é. O real drama americano é outro — é o fato de que o PIB chinês pode ultrapassar o dos EUA e, em tecnologia, a China já está ombro a ombro. Como iliberal que é, sem a menor crença em livres mercados, Trump sai por aí tentando onde pode deter o avanço de Beijing.

É tarde demais. Na última semana deste mês ocorreria, em Barcelona, o Mobile World Congress, maior encontro anual da indústria de celulares. Foi cancelado — e isto, por si, é extraordinário. Afinal, vão à feira 100 mil pessoas, vindas de 200 países, representando 1,2 mil companhias. Foi cancelado duas semanas antes — imagine-se o prejuízo. Por quê? Porque há um surto de coronavírus na China e um encontro sobre celulares sem chineses não teria como existir.

A sul-coreana LG foi a primeira empresa a cancelar sua ida ao encontro. Então vieram a chinesa ZTE e a americana Amazon. Não é difícil compreender o movimento. A maioria das multinacionais já está limitando as viagens de seus funcionários temendo que a epidemia se transforme numa pandemia. Mas o risco de passar uma semana em galpões fechados com muitas pessoas que frequentam a China — basta um contaminado na fase assintomática da doença para espalhar por todas as empresas de tecnologia o vírus. Faz sentido cancelar.

Mas é um desastre. Com exceção de Apple e Samsung, nenhuma fabricante de celular tem tamanho suficiente para chamar atenção de jornalistas e público para seus lançamentos. Então a própria LG, assim como Sony, Nokia e outras marcas importantes costumam aproveitar o espaço para mostrar novidades. Perderam seu principal chamariz.

A China é chave na cadeia de celulares — mesmo quando os aparelhos são desenhados nos EUA ou na Finlândia, a maioria dos componentes saem do sudeste asiático. Principalmente, ora, da China. Para não falar da montagem dos aparelhos. Do telefone celular à antena que alimenta a rede de celulares, passando pelos servidores, a China é o centro. É possível dizer, sem apresentar qualquer prova, que uma determinada empresa produz maquinário que serve à espionagem chinesa. Mas segurar a China não dá mais.

Implementar estas regras que a Anatel estuda tampouco é simples. Hoje, metade da infraestrutura 4G do País já é Huawei. E este equipamento não só pode, como será reaproveitado pelas operadoras de telefonia para suas redes 5G. Eles contam nos tais 35% de mercado?

A Huawei tem duas concorrentes. A sueca Ericsson e a finlandesa Nokia. Deixando de lado o problema da qualidade do equipamento — muitos técnicos, hoje, preferem a chinesa — há o problema do preço. Por conta da escala em que fabrica, as máquinas da Huawei são mais baratas. Não bastasse, o governo chinês subsidia a compra. E isso faz muita diferença para as operadoras.

Ou seja: montar uma rede com um limite tão baixo para o equipamento mais barato fará, evidentemente, que o custo de instalação da rede celular fique mais caro. E isto tem consequência. O governo vai angariar menos no leilão e o consumidor pagará mais caro na conta. Custam caro esses passeios pelo Salão Oval.

Dona da Gucci, Kering freia investimento na China devido ao coronavírus

Empresa fechou temporariamente metade das lojas no país e vê uma redução acentuada nas vendas; porém, não há estimativa do impacto do vírus nos balanços financeiros
SARAH WHITE E SILVIA ALOISI – REUTERS

Anúncio da Gucci no New Town Plaza, em Hong Kong, na China. Foto: Shannon Stapleton/Reuters

Proprietária da Gucci, a empresa Kering fechou temporariamente metade das lojas da marca na China e suspendeu inaugurações e campanhas publicitárias no país, uma vez que o surto de coronavírus está provocando transtornos às grifes de luxo.

A província chinesa de Hubei, epicentro da epidemia, registrou 242 novas mortes pela doença, o que fez o número total de vítimas ultrapassar a marca de 1.350. O novo balanço também elevou o total de infectados para próximo dos 60 mil.

O grupo francês, também dono da Saint Laurent e da Balenciaga, se manteve otimista quanto às perspectivas de prazo mais longo, tendo superado as previsões de vendas no quarto trimestre nesta quarta-feira, 12.

Mas, assim como a concorrência, a empresa vê como inevitáveis os contratempos de uma epidemia que esvaziou shopping centers e ruas comerciais chinesas, que representam mais de um terço das vendas de artigos de luxo.

“Estamos vendo uma redução acentuada no tráfego e nas vendas na China continental”, disse presidente, François-Henri Pinault, acrescentando que as lojas que continuam abertas, incluindo as de Hong Kong, reduziram o horário de funcionamento.

Loja da Gucci em Place Vendome, em Paris.
Loja da Gucci em Place Vendome, em Paris. Foto: Regis Duvignau/Reuters

A Kering está adiando reformas de lojas e inaugurações, além dos gastos com redes sociais e lançamentos de produtos na China, acrescentou Pinault.

A marca também está transferindo inventário a outras regiões para que os estoques não se acumulem no país asiático, mas não há estimativa de qualquer impacto do vírus nos balanços financeiros.

Pinault acredita que o mercado chinês se recuperará com força assim que a emergência de saúde tiver passado e disse que a Kering está pronta para aumentar o investimento em marketing no segundo semestre para não ficar de fora quando as vendas começarem a se recuperar.

Por ora, ele disse que as vendas pela internet não estão compensando a redução da circulação nas lojas. “Os armazéns estão fechados. As pessoas podem fazer pedidos, mas não há entregas.”

Para reforçar igualdade de gênero, Genebra coloca imagens femininas nas placas de trânsito

Das 500 placas que a cidade possui, 250 foram substituídas por seis ilustrações de mulheres com diferentes tipos de corpos e cabelos
JULYANA OLIVEIRA | FOTO REPRODUÇÃO

Genebra coloca mulheres nas placas de trânsito para promover igualdade de gênero

Genebra, cidade da Suíça, conta com cerca de 500 placas de trânsito que exibiam a figura de um homem de chápeu. Em decisão recente, 250 delas foram substituídas por placas com ilustrações de mulheres em diferentes formatos de corpos e cabelos: jovens, idosas e grávidas. Além delas, também há uma versão com duas mulheres de mãos dadas. 

Serge Dal Busco, conselheiro estadual responsável pela infraestrutura de Genebra, contou que a iniciativa é um passo importante na busca por promover a igualdade de gênero. “Não é trivial, mas é um passo visível e concreto”, afirmou em entrevista ao jornal local Le News.

As autoridades suíças esperam que os novos sinais façam a cidade parecer mais acolhedora e inclusiva. O projeto custou cerca de 248 mil reais aos cofres públicos, de acordo com o município suíço. 

Parasita | Veja a chegada dos ganhadores do Oscar na Coreia do Sul

Elenco e equipe posam para fotos no desembarque
PABLO RAPHAEL

Elenco de Parasita, vencedor do Oscar, é ovacionado em chegada na Coréia do Sul

A equipe e o elenco de Parasita, grande vencedor do Oscar 2020, chegaram ontem (12) na Coreia do Sul. O diretor Bong Joon Ho ficou em Los Angeles, EUA, mas o time foi recebido por fãs e imprensa, como você pode ver no vídeo abaixo..

Parasita marcou história este ano como o primeiro filme em idioma não-inglês ao vencer o maior prêmio do Oscar. O longa mostra a história de uma família em dificuldades que invade a vida da rica família Park e entra em suas cabeças quando um inesperado incidente acontece.

Parasita foi o grande vencedor do Oscar 2020, levando quatro prêmio: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original. 

Shalom Harlow – InStyle US March 2020 By Chris Colls

Shalom   —   InStyle US March 2020   —   www.instyle.com
Photography: Chris Colls Model: Shalom Harlow Styling: Julia von Boehm Hair: Danilo Make-Up: John McKay Manicure: Bana Jarjour

Por US$ 165 mi, Jeff Bezos compra casa mais cara de Los Angeles

A mansão é avaliada em US$ 165 mi e representa apenas 0,125% da fortuna de Bezos

Jeff Bezos e girlfriend Lauren Sanchez

A mansão mais cara da cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, tem um novo dono. O fundador da AmazonJeff Bezos abriu o cofre e desembolsou US$ 165 mi em uma propriedade de nove acres em Beverly Hills, de acordo com o jornal The Wall Street Journal. A Warner State, nova residência de Bezos, pertencia à David Geffen, executivo e produtor de filmes. 

Todo o negócio de compra da propriedade em LA significou um gasto de apenas 0,125% da fortuna de Bezos, estimada em US$ 131 bi. É  como se alguém que ganhasse US$60 mil por ano gastasse apenas US$ 75 em uma casa. O empresário já tinha desembolsado também cerca de US$ 80 mi em alguns apartamentos em Nova York, no ano passado, o deixando com algumas boas opções de estadia nos Estados Unidos.

Projetada na década de 30 para Jack Warner, ex presidente da Warner Bros, a Warner State levou 10 anos para ficar pronta e, além dos luxuosos terraços, conta com casas de hóspedes, quadras de tênis e até um campo de golfe. 

Assassinato de Malcolm X pode ser reinvestigado após documentário na Netflix revisar provas

Série argumenta que a polícia identificou os homens errados, da mesquita errada
Meagan Flynn

Malcolm X

THE WASHINGTON POST – Por décadas, depois do assassinato de Malcolm X, o réu confesso do caso sustentou que os dois outros homens condenados como seus cúmplices nada tinham a ver com o homicídio.

Historiadores acreditam há muito que a polícia e os procuradores públicos erraram na investigação.

Teorias de conspiração sobre desvios de conduta policial e provas que teriam sido ocultadas circulam há muito tempo. E alguns críticos acreditam que a maioria dos homicidas que dispararam suas armas contra o líder dos direitos civis conseguiu escapar, o que resultou na condenação indevida de dois integrantes da organização Nação do Islã.

Agora, depois que uma série documental na Netflix revisou extensamente as provas que apontam para a inocência dos dois condenados, o infame homicídio pode voltar a ser investigado.

A Procuradoria Pública do distrito de Manhattan informou em email ao The Washington Post no domingo que iniciaria “uma revisão preliminar” do caso a fim de decidir se deveria haver uma reinvestigação. O desdobramento havia sido noticiado anteriormente pelo The New York Times, antes do lançamento da série “Who Killed Malcolm X?” pela Netflix.

Se a procuradoria distrital reabrir o caso, a revisão pode tentar responder perguntas complicadas sobre possíveis suspeitos adicionais ou erros policiais em um dos assassinatos políticos de maior destaque na história dos Estados Unidos. Danny Frost, porta-voz da procuradoria de Manhattan, disse que Cy Vance Jr., o procurador público do distrito, havia tomado a decisão de iniciar uma revisão depois de assistir a uma apresentação feita algumas semanas atrás pelos advogados de defesa de Muhammad Abdul Aziz (antes conhecido como Norman 3X Butler), um dos homens condenados pelo homicídio de Malcolm X. O Innocence Project, que está cuidando do caso em companhia do advogado David Shanies, insiste em que Aziz, 81, passou 20 anos na penitenciária por um crime que não cometeu. Ele recebeu liberdade condicional em 1985.

O outro réu que também afirmou inocência, Khalil Islam (então conhecido como Thomas 15X Johnson), morreu em 2009. O terceiro dos condenados, o homicida confesso Talmadge Hayer (então conhecido também como Thomas Hagan e Mujahid Abdul Halim) sustentou desde seu julgamento em 1966 que Aziz e Islam eram inocentes.

“Estamos gratos ao procurador distrital Vance por ele ter concordado rapidamente em conduzir uma revisão da condenação de Muhammad Aziz”, disse Barry Scheck, um dos fundadores do Project Innocence, em um comunicado divulgado na sexta-feira.

O documentário “Who Killed Malcom X?” acompanha o trabalho do historiador Abdul Rahman Muhammad, que também é guia turístico em Washington; ele passou anos recolhendo documentos antes confidenciais liberados pelo Serviço Federal de Investigações (FBI), entrevistando antigos membros de mesquitas da Nação do Islã em Nova Jersey e na cidade de Nova York, e rastreando quatro outros potenciais assassinos, apontados por Hayer, mas jamais investigados formalmente pelas autoridades.

“Li o bastante para acreditar que os assassinos continuam à solta”, disse Muhammad no documentário. “Jamais tive medo da verdade. Sempre quis saber qual era a história real. Afinal, é de Malcolm X que estamos falando.”

No ano anterior ao seu assassinato, Malcolm X havia abandonado a Nação do Islã e rejeitado seu líder, Elijah Muhammad, a quem ele definiu como um “forjador religioso” que promovia uma ideologia racista. Malcolm X começou seu próprio movimento, a Organização de Unidade Afro-Americana, e fundou a Muslim Mosque Inc. A Nação do Islã o via como traidor. Louis Farrakhan, que na época estava ascendendo na hierarquia da Nação do Islã, havia escrito no jornal da seita que Malcom X “merecia morrer”. E uma semana antes de seu homicídio, a casa de Malcolm X foi atacada com uma bomba incendiária.

Em 21 de fevereiro de 1965, múltiplos atiradores abriram fogo contra Malcolm X, 39, enquanto ele discursava diante de um público que incluía sua mulher e filhos, bem como numerosos informantes da polícia. Hayer foi capturado enquanto fugia do local do crime, portando um pente de munição para uma arma do calibre usado para o crime. Na perseguição policial aos demais atiradores, membros da Nação do Islã provaram ser os principais suspeitos, mas o documentário argumenta que a polícia identificou os homens errados, da mesquita errada.

O foco da atenção policial era a mesquita da Nação do Islã no Harlem, na qual Malcolm X costumava pregar até se desligar da organização.

Em poucos dias, a polícia capturou Aziz e Islam, que eram frequentadores da mesquita do Harlem e membros de um grupo com traços paramilitares chamado Fruto do Islã. O grupo era conhecido por disciplinar e espancar qualquer membro da Nação do Islã que violasse as regras da organização, mesmo as menores. “Se apanhássemos alguém fumando um cigarro na mesquita, o jogávamos escada abaixo de cabeça”, disse Islam em uma entrevista à revista New York em 2007.

Aziz afirmou no documentário que o papel deles como capangas pode ter atraído a atenção da polícia, mas não queria dizer que tivessem tido qualquer coisa a ver com o homicídio. Islam e Aziz afirmaram que estavam em casa, incapacitados, no momento do homicídio. Islam disse que sofria de artrite reumática e um médico testemunhou, no julgamento de Aziz, atestando tê-lo tratado no hospital por um ferimento na perna algumas horas antes do homicídio de Malcolm X.

Os dois homens também disseram que teria sido impossível para eles entrar no Audubon Ballroom, onde Malcolm X estava discursando. Os membros da mesquita do Harlem, que na época consideravam Malcolm X como traidor, haviam sido proibidos de comparecer, e Aziz e Islam disseram que teriam sido reconhecidos imediatamente pelos seguranças.

Tampouco havia provas físicas que os conectassem ao crime, de acordo com o Innocence Project.
“Eles sabiam que eu não era culpado”, disse Aziz no documentário. “Mesmo que eu quisesse fazê-lo, não teria como. Assim, isso significa que [a polícia] sabia o que estava fazendo ao me prender. Se não houve um delito de conduta policial. o que houve, então?”

Durante seu julgamento em 1966, Hayer confessou seu papel no assassinato mas insistiu em que a polícia havia capturado os cúmplices errados. “Eu estava lá. Sei o que aconteceu, e sei quem eram as pessoas que estavam lá”, disse Hayer no banco de testemunhas, de acordo com os arquivos do The New York Times. Ele voltaria a insistir na inocência de Islam e Aziz em uma declaração juramentada de 1978, mas dessa vez foi um passo além e identificou as quatro pessoas que afirmou serem os verdadeiros assassinos, e descreveu até as responsabilidades de cada um dos envolvidos no atentado.

Todos eles, de acordo com seu depoimento, pertenciam a uma mesquita da Nação do Islã em Newark, a cerca de 30 quilômetros da mesquita do Harlem.

Apesar disso, um juiz estadual de Nova York negou uma petição do advogado de direitos civis William Kunstler pela reabertura do caso, em 1978.

“O ponto mais importante quanto a tudo que temos aqui é que as autoridades judiciais brancas jamais, ao longo de todo esse tempo —décadas—, demonstraram interesse sério por investigar, acompanhar e resolver o caso do homicídio de Malcolm X”, disse David Garrow, historiador dos direitos civis, no documentário. “Para Abdur Rahman Muhammad, essa foi uma cruzada muito solitária.”

Muhammad terminou por localizar um dos supostos assassinos identificados por Hayer em 2010, Al Mustafa Shabazz, que continuava a viver em Newark. Nas décadas transcorridas desde o homicídio de Malcolm X, o criminoso condenado, detentor de uma longa ficha policial, havia mudado seu nome, originalmente William Bradley, e se casado com uma ativista dos direitos civis em Newark. Ele chegou até a aparecer, “por um milissegundo”, em um comercial de campanha pela reeleição de Cory Booker para a prefeitura de Newark em 2010, disse Muhammad. (Booker disse no documentário que conhecia bem o homem, mas que “não estava ciente” de que ele era um dos supostos assassinos.)

“Foi simplesmente chocante. Era a primeira vez que o mundo via o rosto do homem que tirou a vida de Malcolm X”, disse Muhammad no documentário. “Ele nem estava tentando se esconder… Acreditava que seu processo de reinvenção fosse completo, e foi audacioso a ponto de aparecer em um filme, um vídeo de campanha de um prefeito muito popular, que hoje é senador.”

Shabazz negou qualquer envolvimento no homicídio, quando o jornal New York Daily News o confrontou, em 2015. “É uma acusação”, ele disse ao jornal, então. “Eles jamais falaram comigo. Só me acusaram de algo que não fiz”. A teoria quanto ao homicídio também foi mencionada em “Malcolm X – Uma Vida de Reinvenções” (Cia. das Letras, 672 págs.,  R$ 87,90) biografia premiada escrita por Manning Marable.

De acordo com o Innocence Project, os documentos liberados pelo FBI sustentam o relato de Hayer, mas a procuradoria pública de Manhattan afirma que não estava ciente dos documentos e que não os havia visto, no momento do julgamento.

A unidade de integridade de condenações da procuradoria está revisando as provas. Um dos procuradores encarregados da revisão, Peter Casolaro, ajudou a reinvestigar o caso dos Central Park Five, no começo da década de 2000, o que resultou na libertação de cinco homens condenados erroneamente pelo estupro de uma corredora.

Tradução de Paulo Migliacci