Feministas voltam às ruas pela legalização do aborto na Argentina

Manifestações foram convocadas na capital e em mais de cem cidades
Sylvia Colombo

Ativistas levantam lenços verdes, símbolo do movimento pela legalização do aborto na Argentina
Ativistas levantam lenços verdes, símbolo do movimento pela legalização do aborto na Argentina – Agustin Marcarian/Reuters

BUENOS AIRES – Dez dias antes de o presidente Alberto Fernández apresentar um projeto de lei que regulariza o aborto na Argentina, apenas pela vontade da mulher, até a 14ª semana de gestação, a praça diante do Congresso Nacional, em Buenos Aires, foi tomada pelos “lenços verdes” nesta quarta-feira (19).

Símbolo das feministas a favor da legislação, o lenço é inspirado nas Mães e Avós da Praça de Maio, que usavam em seus protestos um lenço branco na cabeça, com os nomes de seus filhos ou netos desaparecidos.

A proposta de mudança na legislação foi uma das promessas de campanha do presidente —e a razão pela qual vários movimentos feministas e de direitos humanos deram apoio à sua candidatura.

O ato teve início às 17h em Buenos Aires e em mais de cem cidades argentinas. Como convidadas especiais, estiveram as chilenas que integram o coletivo Las Tesis, que inventou uma coreografia que viralizou na internet em que cantam contra “o patriarcado” e a violência contra a mulher.

Elas comandaram a execução da coreografia “O Estuprador É Você”, com a ajuda de um telão que projetava a letra da música para que todos cantassem junto.

Uma das integrantes, Sibila Sotomayor, disse à Folha que o grupo não esperava a repercussão que a coreografia teve. “Nunca imaginamos que teria traduções para o turco, para o grego, para o inglês. Nós estamos felizes, mas falta muito. Por isso viemos apoiar as argentinas, que estão muito engajadas nesse tema do aborto.”

Enquanto a tarde caía, mais grupos chegavam para encher a praça —havia homens, principalmente jovens, mas as mulheres eram a maioria. Muitas traziam inscrições nos braços, nos rostos e no peito, que pediam “aborto legal e gratuito” ou repetiam o slogan “será lei”.

Por volta das 20h15, começou o “pañuelazo”, quando a multidão agitou os lenços verdes gritando: “vai ser lei, vai ser lei” e outros slogans da campanha pró-aborto. 

Havia mulheres de várias idades, mas preponderavam as mais jovens. Estavam presentes as fundadoras do grupo Ni Una Menos (nem uma a menos), formado em 2014, e algumas intelectuais que apoiam a ideia, como a escritora Claudia Piñeiro.

Manifestantes se reúnem perto do Congresso Nacional, em Buenos Aires, para pedir legalização do aborto
Manifestantes se reúnem perto do Congresso Nacional, em Buenos Aires, para pedir legalização do aborto – Emmanuel Fernández/Clarin

“A ideia de fazer diante do Congresso é porque queremos dar visibilidade aos legisladores. Já perdemos aqui, uma vez, por muito pouco, mas a situação era diferente, o presidente então era Mauricio Macri, que não apoiava a lei. Alberto está com nossa causa”, diz Luz Arbeloa.

O projeto de lei que Fernández enviará ao Congresso será um pouco diferente daquele que chegou a ser aprovado pela Câmara de Deputados, mas foi vetado pelo Senado, por poucos votos, em 2018.

O presidente disse, no começo do mês, que a abordagem tentará evitar o “clima de Boca x River entre os contra e a favor, e que seja acompanhado de uma discussão séria com foco na saúde pública”. “Nossa lei vai acabar com a penalização do aborto e dará toda a atenção ao aborto nos centros públicos de saúde, gratuitamente.” 

O Executivo mandará também outro projeto ao Congresso, conhecido como “plano dos mil dias”, que será votado separadamente.

A proposta prevê que a mulher que resolve abortar por razões econômicas (mas diz que gostaria de manter a gravidez) seja bancada e apoiada pelo Estado em todos os estágios da gestação e nos primeiros meses de vida do bebê.

A lei argentina hoje contempla o aborto em apenas dois casos: risco de morte da mãe e estupro. As penas para quem aborta de modo clandestino vão de um a quatro anos de cadeia. Segundo organizações feministas, são realizados 400 mil abortos clandestinos no país a cada ano —e trata-se da principal causa de morte materna.

Os que são contra a lei também já estão se movimentando. Na semana passada, fizeram sua manifestação em Luján, cidade de peregrinação religiosa, portando os lenços celestes —símbolos da campanha antiaborto.

Uma marcha desse grupo para pedir que o governo não siga adiante com a ideia está programada para o dia 8 de março, com o lema “sim para as mulheres, sim para a vida”.

Inside Serena Williams’s Intimate New York Fashion Week Show | Vogue

Inside Serena Williams’ Intimate New York Fashion Week Show

Conheça os bastidores da mais recente coleção S by Serena da estrela de tênis. Assista Serena Williams se preparar ao lado de Caroline Wozniacki enquanto se preparam para o primeiro desfile da coleção de primavera de Serena.

Kris Grikaite – Vogue Russia March 2020 By Giampaolo Sgura

Department of Manners   —  Vogue Russia March 2020   —   www.vogue.ru
Photography: Giampaolo Sgura Model: Kris Grikaite Styling: Tony Irvine Hair: Ward Stegerhoek  Make-Up: Janessa Paré Manicure: Kristina Konarski

Novo Mac Pro começa a ser vendido no Brasil; preços começam em R$56.000 e vão até R$439.200

A nova workstation profissional da Apple — apresentada na WWDC19 — começou a ser vendida nos Estados Unidos em dezembro passado. Na verdade, a sua versão torre; a rack chegou um pouco mais tarde, em meados de janeiro. Aqui em terras brasileiras, a Anatel homologou as máquinas há alguns dias [torrerack].

Aparentemente estava tudo pronto mesmo para o início das vendas por aqui, afinal, os dois modelos do novo Mac Pro estão agora disponíveis para compra no Brasil.

Novo Mac Pro por dentro

Como já falado, o modelo torre do Mac Pro custa a partir de R$56.000,00 em até 12x (pagando à vista, ele sai por R$50.400). Em sua configuração máxima, com absolutamente tudo o que tem direito (incluindo aí as rodinhas para deixar o computador mais “portátil”), a máquina sai por R$438.400 (ou R$394.560 à vista).

Mac Pro versão rack

Já o modelo rack custa a partir de R$60.000 (R$54.000 à vista); na configuração máxima, ele sai por R$439.200 (ou R$395.280 à vista).


Lembrando que o Pro Display XDR já estava à venda por aqui desde dezembro, já que o monitor não precisou passar pela avaliação da Anatel.

Apple Pro Display XDR de frente

Eis os preços: R$45.000 com o vidro padrão, R$54.000 na versão Nano-TextureR$8.700 pelo Pro Stand e R$1.700 pelo adaptador de montagem VESA — como sempre, caso o pagamento seja à vista, o cliente tem 10% de desconto sobre esses valores. [MacMagazine]

Ben Affleck fala sobre se manter sóbrio e tentar recalibrar sua carreira

Ator falou francamente sobre seu problema de alcoolismo ao lançar ‘The Way Back’, no qual interpreta um treinador de basquete de faculdade, alcoólatra contumaz que destrói seu casamento e acaba numa clínica de reabilitação
Brooks Barnes, NYT

Ben Affleck, hoje com 47 anos, vem trabalhando como um louco para colocar sua carreira de volta nos trilhos. Foto: Magdalena Wosinska/ The New York Times

Alerta: este não é um daqueles perfis de celebridade que usa alguma pequena nova informação para apimentar histórias antigas. Não há nenhum parágrafo em que o astro e o jornalista fingem ser amigos. Não, você não vai ter alguma citação preparada de Matt Damon. Trata-se de Ben Affleck, franco e vulnerável, falando extensivamente pela primeira vez sobre se manter sóbrio (novamente) e tentar recalibrar sua carreira (novamente).

Affleck, roteirista vencedor de um Oscar, diretor de Argo, filme que também recebeu o prêmio, e, sim, alcoólatra, divorciado e orgulhoso possuidor de uma tatuagem mítica da qual se orgulha – tem quatro filmes a serem lançados este ano. Dad Bod Batman foi banido e filmes atuais estão de volta à sua lista, incluindo o primeiro concentrado nele em quatro anos, The Way Back, um comovente drama sobre esportes que chega aos cinemas em 6 de março. 

Ele interpreta um treinador de basquete de faculdade relutante e com enormes problemas – um sujeito corpulento, obstinado, alcoólatra contumaz que destrói seu casamento e acaba numa clínica de reabilitação. “Pessoas com comportamento compulsivo, e sou uma delas, têm esse tipo de desconforto o tempo todo em que tentam se livrar do seu problema”, disse-me ele há algumas semanas durante uma entrevista de duas horas em Los Angeles. 

“Você procura se sentir melhor comendo, bebendo, fazendo sexo ou apostando, ou comprando, seja lá o que for. Mas acaba tornando sua vida pior. Então se afunda mais no vício para ver se o desconforto desaparece. E, nesse ponto, o sofrimento real começa, é um círculo vicioso que você não consegue romper. Pelo menos foi o que aconteceu comigo”, desabafou. 

“Eu bebi de modo relativamente normal por um longo tempo. O que ocorreu foi que comecei a beber cada vez mais quando meu casamento estava ruindo. Isto foi em 2015, 2016. A bebida, claro, criou ainda mais problemas conjugais”, compartilhou o ator.

O casamento de Ben com Jennifer Garner, com quem ele tem três filhos, acabou em 2018, depois de uma longa separação. Ele disse que ainda se sente culpado, mas deixou a vergonha no passado. “O maior arrependimento da minha vida foi esse divórcio. Vergonha é algo realmente tóxico. Não existe nenhum resultado disto que seja positivo e tudo fica fermentando, dando uma sensação tóxica, horrível, de autodesprezo e uma baixa autoestima”, lamentou.

Ben respirou profundamente e expirou lentamente. “Não é particularmente saudável para mim ficar obcecado por esses fracassos – as recaídas – e me culpar. Certamente cometi erros, fiz coisas que lamento. Mas você tem de se levantar, aprender com os erros, tentar seguir em frente”, ensinou ele.

O título original de The Way Back era The Has-Been. Esse título deprimente foi abolido durante a produção à medida que o filme se concentrava mais no talento do basquete que o principal personagem foi na faculdade, explicou Affleck.

Basta dizer que nenhum astro vai desejar aparecer num cartaz de um filme intitulado The Has-Been, especialmente depois de dois fracassos de bilheteria, Liga da Justiça (2017), que angariou U$ 658 milhões, uma soma muito pequena pelos padrões dos super-heróis, e A Lei da Noite (2016), drama de época sobre gangsters, que ele também dirigiu e rendeu US$ 23 milhões.

Affleck, hoje com 47 anos, vem trabalhando como um louco para colocar sua carreira de volta nos trilhos. A dura verdade é que o resultado não está garantido. Os cinéfilos, mulheres em particular, é que no fim decidirão: o perdão no caso de transgressões é ainda algo que a sociedade com toda a polarização no Twitter permite? Para alguns, Ben Affleck é ainda aquele sujeito que partiu o coração de Jennifer Garner e foi acusado de tocar a apresentadora durante um talk-show em 2013. “Agi inadequadamente”, reconheceu ele em 2017, referindo-se ao incidente, quando teve início a era do #MeToo. “E peço desculpas, sinceramente”.

Hollywood certamente assegurou sua clemência. Ele acabou seu trabalho em Deep Water, um thriller psicológico que estrela ao lado de Ana de Armas (de Entre Facas e Segredos), a ser lançado em novembro. Está no filme a ser lançado neste mês pela Netflix, The Last Thing He Wanted  / A Última Coisa Que Ele Queria), um filme de suspense dirigido por Dee Rees com Anne Hathaway

Ele está trabalhando também com Nicole Holofcener (de Poderia Me Perdoar?)  e Damon no roteiro de The Last Duel  (O Último Duelo), cujas filmagens começam este mês na França. Ambientado no século 14, Affleck e Damon se juntam como roteiristas de um filme pela primeira vez desde Gênio Indomável, em 1997. 

Ridley Scott dirige o filme e a Disney planeja lançá-lo no período das festas de fim de ano por meio da 20th Century Fox. 

Affleck também está focado em outro projeto de direção. Mas em vez do remake de Testemunha de Acusação, um filme de 1957, que pretendia realizar, ele agora vai levar em frente um outro, King Leopold’s Ghost, um épico sobre a exploração colonial da que é hoje a República Democrática do Congo. Martin Scorsese é um dos produtores. (Affleck ajudou a fundar a Eastern Congo Initiative, grupo de defesa sem fins lucrativos, em 2010).

Ben Affleck
Em ‘The Way Back’ Affleck interpreta um treinador de basquete de faculdade relutante e com enormes problemas.  Foto: ‘Magdalena Wosinska/The New York Times

Ben não falou muito sobre seu problema de alcoolismo desde que completou seu terceiro período numa clínica de reabilitação em 2018. Mas a chegada de The Way Back aos cinemas tornou esse um assunto difícil de evitar. E admitiu que a segunda palavra nos Alcoólicos Anônimos não se aplica a ele – certamente depois de ter (por um tempo curto) tido uma recaída no ano passado, aparecendo embriagado no TMZ alguns meses depois de comunicar que havia completado um ano sem beber. “Uma recaída é algo vergonhoso, obviamente. Não queria que isso ocorresse, que isso fosse parar na internet para meus filhos verem. Jen e eu fizermos o máximo para resolver e ser honestos”, afirmou.

Tendo crescido em Massachusetts, Ben viu seu próprio pai bêbado diariamente. “Nunca vi meu pai sóbrio, até eu completar 19 anos”, relembrou o ator, ficando mais cauteloso com as palavras – esta foi uma das únicas duas vezes em que ele escolheu cuidadosamente as palavras. 

No outro caso foi quando respondeu a uma pergunta sobre o processo contra Harvey Weinstein, acusado de estupro e abuso sexual. No início da sua carreira, Bem estrelou diversos filmes financiados pelas empresas de Weinstein. “Não sei se teria algo a dizer ou acrescentar ou que já não foi dito, e melhor, por pessoas que foram pessoalmente vítimas ou sobreviventes do que ele fez”, argumentou. 

Há três anos Affleck anunciou que doaria todos os pagamentos residuais dos filmes financiados por Weinstein para organizações beneficentes ligadas ao combate dos abusos sexuais. “Quanto mais envelheço, mais reconheço que meu pai fez o máximo que podia. Na minha família tem muitos casos de alcoolismo e doença mental. O legado é poderoso e às vezes difícil de afastar”. 

Seu irmão mais novo, Casey, de 44 anos, já falou sobre o seu próprio alcoolismo e sobriedade. Sua avó paterna suicidou-se num motel quando tinha 45 anos. Um tio se matou com uma espingarda. E uma tia era viciada em heroína. “Foi preciso um longo tempo para reconhecer fundamentalmente, profundamente, que eu era alcoólatra”, disse.

Pareceu um bom momento para sublinhar como muitos astros começaram a falar abertamente sobre se manter sóbrio – especialmente Brad Pitt – e como isto vem ajudando a atenuar o estigma do vício e talvez inspirando as pessoas com problemas de dependência de substâncias a buscarem ajuda. Jamie Lee Curtis, sóbrio durante duas décadas, apareceu na capa da Variety em novembro. Outros que falaram a respeito em livros e entrevistas recentes foram Demi LovatoAnthony Hopkins, Jessica Simpson, Demi Moore e, claro, Elton John.

Ben citou Bradley Cooper e Robert Downey Jr. como “pessoas que me deram muito apoio e sou muito grato a elas”. “Uma das coisas sobre recuperação que eu acho que as pessoas às vezes ignoram é o fato de que ela inculca alguns valores. Ser honesto. Ser responsável. Ajudar outras pessoas. Pedir desculpas quando você erra”, indicou.

A vida real nas telas

The Way Back foi dirigido por Gavin O’Connor (de O Contador, filme também estrelado por Ben Affleck e um sucesso surpreendente); o roteiro é de O’Connor e Brad Ingelsby. A produção custou para a Warner Bros e Bron Studios a soma de US$ 25 milhões e ele foi rodado em San Pedro, bairro operário de Los Angeles.

Jack Cunningham (Affleck) é um operário do setor de construção enfrentando uma perda pessoal devastadora. Sua casa, além daquela onde vive, é um bar de terceira categoria, o tipo de lugar que você sente o cheiro antes mesmo de entrar. As vezes ele se refugia no seu apartamento e esvazia caixas de garrafas de cerveja. Começa seu dia bebendo embaixo do chuveiro, a lata de cerveja balançando na saboneteira.

Sem saber a que ponto vai seu alcoolismo, o diretor da faculdade onde estudou pede a ele para treinar o time de basquete, cuja autoestima é ainda menor do que a dele. “A parte mais difícil do filme para ele foi realmente o basquete”, confirmou O’Connor. “Se você nunca jogou antes, é como patinar no gelo pela primeira vez”.

Mais para o fim do filme, Jack tem uma interação muito forte com sua ex-mulher (Janina Gavankar, de The Morning Show). Nesse ponto, ele está numa clínica de reabilitação e quando ela chega e vê o seu estado, ele pede desculpas. “Falhei com você. Falhei com nosso casamento”, desculpou-se.

É uma cena dura, especialmente quando vista através do prisma de tudo o que aconteceu com Ben Affleck fora da tela. Só podemos imaginar conversas similares que ele deve ter tido com Jennifer Garner. “Foi, de fato, importante, sem ser muito sentimentalista ou falso, ele se redimir perante ela e assumir a culpa pela dor que ele, e somente ele, causou”, destacou Affleck.

O’Connor disse que o ator quase teve um colapso nervoso no set, quando terminou a cena. “Foi como se uma comporta tivesse sido aberta, algo espantoso e poderoso. Acho que foi um momento muito pessoal no filme. Acho que era ele”.

Tradução de Terezinha Martino

Modelo negra Amy Lefevre se recusa a usar orelhas e lábios considerados racistas em desfile nos EUA

Evento aconteceu em NY para mostrar trabalhos de um instituto de moda

Modelo Amy Lefevre, que se recusou a usar acessórios racistas em desfile realizado em Nova York – Instagram/ lefevrediary

Uma modelo negra se recusou a usar acessórios considerados racistas durante um desfile de moda realizado em Nova York, nos Estados Unidos. Amy Lefevre, 25, disse ao New York Post que chegou a ser pressionada pela equipe de organizadores a usar as orelhas e lábios enormes de plástico. 

“Eu fiquei a ponto de desmoronar, dizendo à equipe que me sentia incrivelmente desconfortável por ter que usar essas peças e que elas eram claramente racistas (…) Disseram-me que não havia problema em me sentir desconfortável por apenas 45 segundos”, afirmou a jovem, que é modelo há quatro anos. 

Após a discussão, Lefevre foi para a passarela com a roupa prevista, mas sem os acessórios. “Eu estava literalmente tremendo. Eu não conseguia controlar minhas emoções. Meu corpo inteiro estava tremendo. Nunca me senti assim na minha vida”, relatou ela, que saiu do evento imediatamente depois. 

Segundo o jornal New York Post, o desfile fez parte dos eventos pelos 75 anos do FIT (Fashion Institute of Technology) e mostrou o trabalho de dez ex-alunos de um de seus cursos. O modelo que Lefevre usaria foi feito pelo chinês Junkai Huang, que segundo observadores não parecia entender as implicações raciais de seu trabalho. 

Huang não quis comentar o caso após ser questionado pelo New York Post, assim como o diretor e o produtor do evento. Uma aluna disse à publicação que os estudantes apontaram o teor racista dos acessórios a Richard ​Thornn, produtor do desfile, mas que ele não deu ouvidos e chegou a gritar com eles. 

O presidente do FIT, Joyce F. Brown, afirmou que “o programa protege a liberdade do aluno de criar suas próprias perspectivas artísticas pessoais e únicas como designers, para ser até o que alguns consideram provocativo, de modo que eles encontrem essa voz”.

Modelo usa acessórios considerados racistas durante desfile – Bennett Raglin/Getty Images for Fashion Institute Of Technology/AFP

Mas ele completou que, apesar disso, também tem o “compromisso de garantir que as pessoas não se sintam desconfortáveis, ofendidas ou intimidadas. Levamos essa obrigação muito, muito a sério e investigaremos e tomaremos as medidas apropriadas em relação a qualquer reclamação ou preocupação que seja feita nessa situação.”

Xavi Gordo for Harper’s Bazaar Spain with Joan Smalls

Photography: Xavi Gordo at 8 Artist Management. Styled by: Ana Tovar. Hair: Laurie Zanoletti. Makeup: Naoko Scintu. Manicurist: Hanaé Goumri. Model: Joan Smalls.

Cinearte fecha suas portas por falta de patrocínio

Última sessão do tradicional conjunto de salas de cinema na Avenida Paulista, em São Paulo, será nesta noite
Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

O cinema foi inaugurado em 9 de março de 1963, com o nome de Cine Rio e 500 lugares. Foto: Werther Santana/ Estadão

A sessão das 21h30 do premiado filme sul-coreano Parasita na noite de quarta-feira, 19, torna-se o marco de uma triste notícia: será a última sessão do Cinearte – o tradicional conjunto de duas salas localizado dentro do Conjunto Nacional, na região da Avenida Paulistafechará definitivamente suas portas por falta de condições financeiras. O custo mensal era de aproximadamente R$ 200 mil, entre condomínio, aluguel e energia.

A crise começou em fevereiro de 2019, quando o distribuidor e exibidor Adhemar Oliveira recebeu da Petrobrás a notificação de que o conjunto de duas salas (de 300 e 100 lugares) perderia o patrocínio a partir de 31 de março daquele ano, quando se encerrava o contrato que não seria renovado. Fazia cinco meses que ele buscava novos associados, mas sem resultados.

Na época, Oliveira usou uma metáfora para definir a situação: “Estou na lona de novo”. Segundo ele, a empresa foi beneficiada com a parceria. “O contrato com a Petrobrás foi feito em 2018, em um momento que já era de retração, mas o que posso dizer é que, se foi bom para o cinema, o retorno de marketing para a empresa também foi”, disse.

Adhemar destacava a importância de manter os chamados espaços-cinemas de centros comerciais ou de rua. O impacto que eles têm sobre a vizinhança é imenso. “Os shoppings garantem um tipo de relação com o público que esses espaços não têm, daí a importância do patrocínio”, observou.

O cinema foi inaugurado em 9 de março de 1963, com o nome de Cine Rio e 500 lugares. Era a segunda sala no Conjunto Nacional que, desde 1961, contava com o Astor, então o mais luxuoso e moderno da cidade.

O filme de estreia foi O Assassino, do italiano Elio Petri, com Marcello Mastroianni. A programação, no entanto, se baseava em filmes populares, segundo informa Antonio Ricardo Soriano, no site Salas de Cinema de São Paulo. Como Cine Rio, o espaço encerra forçosamente suas atividades em setembro de 1978, quando um incêndio destruiu parte do Conjunto Nacional.

Em novembro de 1982, reabre novamente com o nome Cine Arte Um, com o filme Mamãe Faz 100 Anos, do cineasta espanhol Carlos Saura. A proposta da sala passa a privilegiar longas de arte. Em 1995, uma nova sala é incorporada ao conjunto, agora intitulado Cine Arte. A fusão dos dois nomes acontece em 2002, quando Adhemar Oliveira e Leon Cakoff, organizador da Mostra de Cinema de São Paulo, assumem a propriedade. Nessa época, já havia o déficit comercial, ameaçando constantemente o espaço de fechar.

Uma vigília cinematográfica foi organizada na noite do dia 25 de abril de 2003, chamando atenção para a dificuldade financeira do cinema. O trabalho frutificou e, em 2005, o espaço ganha um patrocínio, passando a se chamar Cine Bombril, agora reformado.

Em 2010, novo patrocinador faz com que o espaço passe a se chamar Cine Livraria Cultura, com os leitores do plano de fidelidade da livraria conseguindo desconto no ingresso do cinema. A Petrobrás chegou em 2018, quando, no dia 29 de maio, a exibição do filme Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg, reabre o cinema.

A empresa petrolífera não renovou, porém, o contrato em março de 2019, quando o cinema torna-se apenas Cinearte. Não foi possível alocar os funcionários em outras salas. Há, porém, uma esperança: no mercado, comenta-se que a rede Cinépolis estaria interessada em ocupar as salas. Não há, ainda, confirmação.

Bixby, assistente de voz da Samsung, ganha versão em português

Disponível para celulares da família S10 e Note 10, a assistente de voz “aprende” rotina e canta rap
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Bixby chegou em português para a linha de celulares Galaxy S10 

Chegou a vez da Samsung anunciar no Brasil sua assistente de voz, a Bixby. Depois de um período de testes em janeiro, a empresa lançou, nesta quarta-feira, 19, a funcionalidade que estará presente nos celulares da família S10 e Note 10. 

Na linha de outros assistentes de voz – Google Assistente, Siri, da Apple, e Alexa, da Amazon, já possuem versões em português –  a Bixby executa funções como pedir Uber e acionar aplicativos. Apesar de ter sua versão em português, o comando de ação continua sendo o “Hi, Bixby”.

Segundo Bruno Costa, gerente sênior da área de conteúdos e serviços da Samsung, a intenção da Bixby é que ela se adapte e entenda a rotina do usuário. A assistente de voz, além de interagir, também pode “aprender” hábitos diários do usuário e sugerir ações. Por exemplo, se você faz uma ligação todos os dias no mesmo horário, a Bixby pode começar a sugerir a ação mesmo sem ter recebido o comando. 

A adaptação também foi outro ponto de atenção. Bruno afirmou que, nos testes, pessoas de diversas partes do país participaram do processo de adaptação da linguagem da Bixby, não apenas na tradução para o idioma, mas também nas regionalidades. 

A Alexa implementou técnica semelhantes, “abrasileirando” o inglês para melhor compreensão das palavras no Brasil. Com a Samsung, o processo vai continuar em adaptação conforme a necessidade dos usuários. 

“Demorou muito tempo para termos a versão em português, mas estamos feliz que ela exista. Com a Bixby, você pode ter mais conectividade com os smartphones. Outros assistentes são limitados nesse aspecto, mas a Bixby consegue essa conectividade com os outros aparelhos da casa. Estamos felizes que os brasileiros agora podem usar”, afirmou Yoonie Joung, presidente da Samsung no Brasil.

Os modelos Galaxy S20, Galaxy Fold e Galaxy Z Flip são os próximos na fila para receber a Bixby. A intenção é, ainda, expandir para mais aparelhos da marca, em um processo gradual ao longo deste ano.