Na Semana de Moda de Paris, Dior evoca #metoo

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Um letreiro com a palavra ‘consentimento’ sinalizou que a diretora criativa Maria Grazia Chiuri exploraria a temática feminista
AP, O Estado de S.Paulo

Modelos desfilam durante a apresentação da coleção outono-inverno da Dior.  Foto: François Guillot/AFP

“Consentimento, consentimento, consentimento”, brilhavam as luzes em neon no último desfile da Dior, na Semana de Moda de Paris. O letreiro sinalizou que a primeira diretora criativa da casa, Maria Grazia Chiuri, continuaria a explorar a pedra de toque do feminismo nesta campanha de outono-inverno 2020.

O conjunto, fruto de colaboração com a artista Claire Fontaine, teve forte impacto entre os convidados VIP, incluindo a atriz Sigourney Weaver e a cantora Carla Bruni. Alguns pararam para pensar, especialmente porque houve atraso para o início do desfile, em discussões da era #MeToo e sua influência na arte — isso tudo um dia depois Harvey Weinstein ter sido condenado por estupro e agressão sexual.

Carla Bruni
A modelo e cantora franco-italiana Carla Bruni, uma das convidadas do desfile da Dior. Foto: Anne-Christine Poujoulat/AFP

Os projetos em si, de modo inteligente, revelaram a ideia de empoderamento logo de início, como por exemplo a reinvenção de uma jaqueta da Dior, com camisa masculina e gravata de negócios, em uma modelo feminina, com penteado curto de duende. Foi a declaração de moda mais forte do desfile.

A proposta feminista e andrógina, infelizmente, desapareceu rapidamente entre os 84 looks apresentados, o que deu a entender que, para Chiuri, tratava-se mais de um truque de marketing do que uma proposta consistente. 

O restante do desfile foi marcado por motivos que já entraram e saíram de outras coleções da Dior — como o poá e o xadrez — com diferentes graus de sucesso. Uma atmosfera boho dos anos 1970 esteve presente em lenços de cabeça de seda com diferentes estampas.

Desfile Dior
Por vezes, o xadrez marcou looks completos. Foto: François Guillot/AFP

Os quadriculados, que evocaram o antigo diretor da Dior, Marc Bohan, designer durante aquela época retrô, apareceram em bege e em visuais completos. Por vezes, associado a franjas, esses looks não pareciam muito diferente de uma luxuosa toalha de mesa. Sandálias de salto baixo, com o conceito “ready-to-wear”, aproximaram o desfile da “realidade”. 

Maria Grazia Chiuri
A diretora criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri, apareceu no fim do desfile.  Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

Um lembrete das preocupações da vida cotidiana estava incluído nas notas do desfile. Embora nenhum dos iniciados em moda, com exceção de um, parecesse estar usando uma máscara contra o novo coronavírus que abalou a Milan Fashion Week, a Dior escreveu que “todos os nossos pensamentos estão com nossas equipes, clientes, amigos e parceiros em Ásia, Itália, em todo o mundo”.

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