Doutzen Kroes – Elle USA March 2020 By Chris Colls

Design For Living   —   Elle USA March 2020   —   www.elle.com
Photography: Chris Colls Model: Doutzen Kroes Styling: Alex White Hair: Ward  Make-Up: Frank B. Manicure: Yuko Tsuchihashi
Set Design: Rafa Olarra

Três jovens morrem em festa de aniversário da influenciadora russa Yekaterina Didenko após pularem em piscina com gelo seco

Eles estavam em uma festa em Moscou

@didenko.katerina (Foto: reproducao)

Três pessoas morreram depois que gelo seco foi derramado em uma piscina em uma festa em Moscou nessa sexta-feira (29.02). As vítimas estavam ligadas à influenciadora do Yekaterina Didenko (@didenko.katerina), que estava comemorando seu 29º aniversário no complexo de piscinas no sul da cidade.

Os convidados que sairam da sauna reclamaram que estava muito quente e então jogaram gelo seco na piscina. Todas as vítimas têm cerca de 30 anos e segundo a BBC o marido de Didenko está entre os mortos.

Em uma mensagem pelo seu Story, a blogueira aparece abalada e angustiada e diz que todos foram levados às pressas para o hospital. 

Story de @didenko.katerina (Foto: reproducao)

Um membro dos serviços de emergência disse à agência de notícias Ria que os foliões pediram 25 kg de gelo seco para esfriar a piscina no complexo Devyaty Val (Nona Onda). Vários convidados que estiveram na sauna mergulharam na água para se refrescar, sem perceber que ela havia sido contaminada por uma reação química.

Imediatamente os nadadores começaram a engasgar e vários perderam a consciência. A análise preliminar indica que a causa da morte foi asfixia. O gelo seco é uma forma sólida de dióxido de carbono e, se for liberado em uma área sem ventilação adequada, pode levar as pessoas a inalar quantidades perigosas do gás.

Didenko é conhecida por postar dicas sobre como economizar dinheiro em produtos farmacêuticos em sua página do Instagram. Ela tem mais de um milhão de seguidores.

O vídeo do momento foi compartilhado nas redes sociais. Veja abaixo (cenas fortes). 

“Morar em Paris me ajudou a entender meu passado”, diz Maria Grazia Chiuri

A diretora criativa da Dior descreve a coleção de inverno 2020 da maison como um “diário visual”, que investiga os arquivos da crítica de arte Carla Lonzi e presta homenagem a ícones de Hollywood, como Diane Keaton e Faye Dunaway
LIAM FREEMAN – VOGUE INTERNATIONAL

Dior inverno 2020 (Foto: Divulgação/ Inès Manai)

“Icônico” talvez seja uma das palavras mais usadas no léxico da moda. Mas se há uma peça à qual a palavra pode ser atribuída sem medo de exageros, essa é a Bar Jacket de Christian Dior. Nesta temporada, Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da casa, repaginou esse clássico como nunca – em lã tricotada, lembrando um cardigã. 

Complexa em sua simplicidade – não há babados, apliques ou enfeites por onde se esconder – e com proporções que desafiam a gravidade (cintura justa e dos ombros suavemente curvados), não é a toa que conquistou esse status.

O design é uma metáfora adequada para a coleção de inverno 2020 como um todo: reunindo uma infinidade de ideias, que Chiuri expôs quando a encontramos antes do desfile.

“Esta coleção é como um diário visual”, explica Chiuri. “Ao vir morar em Paris e entender a cultura francesa e a casa da Dior, [isso] de alguma forma me ajudou a entender meu passado e as minhas referências.” 

Dior inverno 2020 (Foto: Divulgação/ Inès Manai)

Embora a Dior esteja para sempre gravada nos livros de história com imagens do New Look, criada pelo estilista fundador da grife, em 1947, Chiuri se concentrou em talvez um dos capítulos mais significativos, mas muitas vezes esquecido, da casa: as três décadas que a maison esteve sob o comando de Marc Bohan, de 1961 a 1989. 

“Sob a direção de Marc Bohan, é claro que a Dior muda, apresentando calças, novos shapes de saias“, ela diz. “O Sr. Dior criou a ideia de que cada temporada tinha a ver com a linha H ou linha A [de silhuetas]. Na década de 1970, com Marc Bohan e a ascensão do feminismo, as mulheres estavam utilizando a moda em busca de autoafirmação. Lembro-me muito bem da minha experiência pessoal na época; adorava ir ao mercado de pulgas para garimpar calças jeans e jaquetas militares.”

Dior inverno 2020 (Foto: Divulgação/ Inès Manai)

Como estilista, Chiuri diz que quer “criar um guarda-roupas que dê às mulheres espaço para que façam uma mistura de seus estilos pessoais.” Nesta temporada, esse guarda-roupas foi composto por: capas, saias e vestidos xadrez em cor de ferrugem, inspirando-se em O Pequeno Dicionário de Moda do Sr. Dior, publicado em 1954. “Amo xadrez. Ele pode ser extravagante e simples; elegante e fácil; jovem e certeiro,” escreveu o costureiro na época. 

Um capítulo central do diário visual de Chiuri a levou para casa, na cidade de Roma, onde ela investigou os arquivos de Carla Lonzi na Galeria Nacional de Arte Moderna (GNAM). A crítica de arte e co-fundadora do coletivo feminista Rivolta Femminile escreveu o manifesto seminal ‘Io dico io’ (eu digo eu), que empresta seu nome a uma futura exposição de artistas italianas apoiadas pela Dior que acontecerá na instituição romana.

“Para mim, a arte é uma maneira de refletir sobre as mulheres e o relacionamento de uma mulher com seu corpo”, diz Chiuri. “Nesse importante manifesto, [Lonzi] refletiu sobre a consciência do eu, [ela disse] ‘Somente se você estiver consciente, poderá mudar a situação.” 

Seguindo os passos de Tomaso Binga (inverno 2019), Judy Chicago (alta-costura 2020) e Coloco (verão 2020), o coletivo Claire Fontaine colaborou com Chiuri nesta temporada. Os artistas criaram um pano de fundo usando os arquivos de Lonzi para conjurar uma série de frases, como ‘Patriarcado = Emergência Climática’ e ‘O amor das mulheres é trabalho não remunerado’ em luzes neon que pendiam do teto no desfile, que aconteceu no Jardim da Tulherias, em Paris. 

Dior inverno 2020 (Foto: Divulgação/ Inès Manai)

Enquanto isso, Palma Bucarelli – que foi diretora do GNAM de 1942 a 1975 – atuou como uma espécie de musa nesta temporada. “Na época, era muito incomum [para uma mulher] fazer esse tipo de trabalho,” afirma Chiuri. “Ela era corajosa em sua auto expressão; temos imagens dela que demonstram seu amor pela alta-costura, ela foi a Paris e comprou vestidos da Dior. Mas, “ao mesmo tempo,” acrescenta,“adorava usar calças de couro. Ela era realmente independente.”

Comercial japonês da Apple mostra personagens de animes usando Macs

Muitos dos comerciais veiculados pela Apple são globais, ou seja, uma mesma peça publicitária para o mundo todo. Mas sabemos que a empresa cria anúncios e comerciais bem específicos, focados na cultura de determinados países — aqui mesmo no Brasil, por exemplo, já vimos alguns comerciais focados no Carnaval muito interessantes. Pois foi o que aconteceu agora no Japão.

Por lá, a Apple em compartilhou um novo vídeo animado da campanha “Por Trás do Mac” (“Behind the Mac”), que apresenta vários personagens de anime usando Macs, embalados pela música da artista japonesa Kaho Nakamura.

O comercial destaca as diferentes maneiras que o Mac apareceu em alguns dos programas de anime mais populares do país, como “Mr. Osomatsu”“New Game!”“Your Name”, “O Tempo com Você”, “O País das Maravilhas”, “Yama no Susume” e outros. [MacMagazine]

VIA CULT OF MAC

Aprenda a combinar os biquínis do verão com os acessórios certos

Biquínis com modelagens inusitadas e estampas chamativas ganham a vez neste verão. Para não se preocupar com a marquinha, abuse do protetor solar
O Globo

Óculos LIVO, brincos Isabela Capeto, biquíni TM RIO Foto: Foto: Sher Santos | Styling: Matheus Martins | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Piu Gontijo | Assistência de fotografia: Beatriz Gimenes e Wesley Teixeira | Produção de moda: Andréa Levy (SP) | Agradecimento: Sheraton Grand Rio Hotel
Turbante Adriana Degreas, óculos LIVO, brincos Betina De Luca + WaiWai Rio e biquíni ZIAH Foto: Foto: Sher Santos
Biquíni Fernando Cozendey e brincos Feira de Antiguidades da Praça XV Foto: Foto: Sher Santos
Body Osklen e brincos Claudia Savelli Foto: Foto: Sher Santos
Body Thaissa Becho Foto: Foto: Sher Santos
Chapéu e pulseiras, todos Claudia Savelli e biquíni NAU na Pitanga Foto: Foto: Sher Santos
Maiô Clube Bossa Foto: Foto: Sher Santos
Chapéu Claudia Savelli e top GARRA Foto: Foto: Sher Santos

Ex-repúblicas soviéticas, Países Bálticos são hoje celeiro de startups

Após 50 anos de socialismo e economia baseada no agronegócio, bloco de nações formado por Estônia, Lituânia e Letônia aposta na tecnologia – e em especial, nas fintechs – para ganhar relevância global e reter talentos no próprio território
Por Renato Jakitas, de Vilnius (Lituânia) e Tallinn (Estônia) – O Estado de S.Paulo

Governo lituano subsidiou criação de espaços para startups na capital Vilnius; em novembro de 2019, país celebrou seu primeiro unicórnio

Com pouco mais de 5 milhões de pessoas, os Países Bálticos foram por décadas a fio conhecidos por suas fazendas de trigo, marcas de cervejas com nomes impronunciáveis e um frio de congelar os ossos. Hoje, na Lituânia, Letônia e Estônia – as três repúblicas que integram o minúsculo bloco regional – ainda se passa a maior parte do ano com o ponteiro abaixo de zero, preferencialmente com um copo de cerveja na mão. Mas da produção de trigo, que na Europa só perde em volume e valor para França e Romênia, quase não se ouve mais falar. A palavra de ordem por lá são as empresas de tecnologia, sonho de consumo dos jovens e foco das políticas públicas nos últimos dez anos.

“Nossos jovens só querem trabalhar num unicórnio (empresa avaliada em pelo menos US$ 1 bilhão) ou fundar a próxima startup de sucesso”, afirma Toomas Hendrik Ilves, que foi presidente da Estônia entre 2006 e 2016, um dos responsáveis pela guinada tecnológica da região. Com 1,3 milhão de habitantes, o país de Ilves tem o tamanho do Rio Grande do Norte e a população de Guarulhos, na Grande São Paulo. 

Um pouco mais adiantada que os companheiros de região, a Estônia já possui 650 startups em atividade – uma para cada 2 mil pessoas. Quatro empresas já foram alçadas ao status de unicórnio. A mais conhecida delas é a TransferWise, avaliada em US$ 3,5 bilhões e com investidores como o fundo americano Andreessen Horowitz, que já investiu no Facebook e na brasileira Loft. Criada por um ex-funcionário do Skype, a empresa é um banco digital que opera um imbricado sistema de transferências internacionais – aqui no Brasil, já movimentou mais de R$ 6 bilhões entre fronteiras. 

Projeto liberal

Repúblicas soviéticas entre 1940 e 1990, os três países bálticos começaram sua reconstrução democrática bem na época em que o mundo estava se digitalizando. Após amargarem uma forte crise econômica em 2009, com queda de cerca de 15% em seu Produto Interno Bruto (PIB), o trio de nações resolveu abandonar seu modelo econômico baseado no agronegócio para apostar massivamente no setor de serviços – com destaque para a área de tecnologia. O principal desafio era deixar de ser uma região exportadora de talentos para passar a reter sua mão de obra e, se possível, atrair novas do exterior.

O dinheiro público foi para a educação, que passou a ser gratuita até a universidade. Hoje, o gasto médio por aluno na região alcança R$ 30 mil por ano (US$ 7 mil ao ano), ante os R$ 10 mil aportados no Brasil em 2019, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Outro pilar foi um projeto radical de desburocratização do Estado. Aos poucos, os governos locais foram reduzindo impostos e a burocracia para abertura de empresas. 

“Hoje é possível abrir uma empresa em menos de uma semana por aqui”, diz Mantas Katinas, diretor-geral do Invest Lithuania, braço de fomento do empreendedorismo do governo local. “Precisamos ter um sistema ágil e moderno para atrair empresas de tecnologia, que definem seus movimentos de uma hora para outra”, destaca o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Sergejus Tichomirovas. 

“Com € 2 mil e em um mês, transferi minha empresa de Londres para Riga (capital da Letônia)”, conta Dmistry Rozvadovsky, da Coinloan, startup que trabalha com sistema de pagamentos. Na Estônia, o prazo de abertura de uma empresa é ainda menor: pode chegar a 15 minutos (ler mais abaixo). 

Foco

Hoje, os esforços da região estão na atração de um nicho de empresas: as fintechs. Na capital lituana, o poder público subsidiou a criação do Blockchain Centre Vilnius, um prédio para abrigar empresas focadas em desenvolver soluções pelo blockchain – o protocolo por trás de criptomoedas como o bitcoin. 

Há dois anos, os governos dos três países flexibilizaram sua regulação, permitindo aos empreendedores que testem novas ideias dentro dos bancos centrais locais, transformando o sistema financeiro dos países em uma espécie de área de testes (sandbox, no jargão do setor) para novas empresas de meio de pagamento de todo o mundo. “Imediatamente, atraímos muitas empresas. Hoje, temos 170 fintechs e já somos o segundo destino da Europa para empresas desse nicho, atrás apenas da Inglaterra”, conta a empreendedora lituana Monika Rimkunaité, dona de um aplicativo de compras na região. 

“Aqui é barato e rápido. Mas o mais importante é poder testar novas tecnologias dentro do banco central deles, é nisso que estamos interessados”, conta Daniel Quin, da unicórnio chinesa WeCash, que usa a região como espaço para testes no mercado europeu. 

Os esforços já dão resultado: em novembro passado, a Lituânia conseguiu seu primeiro unicórnio no mercado global: a Vinted, uma plataforma de compra e venda de roupas usadas, recebeu um aporte de € 128 milhões e foi avaliada em € 1 milhão. Se depender do governo local, mais virão por aí – e a comemoração será com cerveja. De trigo, claro.

Após saída da Marvel, Umbrella Academy é maior aposta da Netflix em super-heróis

Adaptação dos quadrinhos de Gerard Way e Gabriel Bá, série preenche o gap deixado pela entrada da Disney + no mundo do streaming
Clara Rellstab, Leandro Nunes e Simião Castro, O Estado de S.Paulo

A atriz Ellen Page como Vanya na série ‘The Umbrella Academy’.  Foto: Christos Kalohoridis/Netflix

Queridinha dos aficionados por histórias em quadrinhosThe Umbrella Academy saiu das páginas para as telas há um ano, em fevereiro de 2019, pela Netflix. A produção surge como a “última dos moicanos” das séries de heróis para a plataforma, depois da debandada das produções desse gênero, feitas pela Netflix em parceria com a Marvel, para o novo serviço de streaming da Disney, o ainda inédito no Brasil Disney +

Comentada no podcast Episódio – Séries para assistir no Carnaval, a série teve a sua continuidade confirmada oficialmente pela Netflix somente em fevereiro, apesar de as filmagens da nova fase terem tido início ainda em junho do ano passado. Enquanto a data de lançamento da segunda temporada não é divulgada, assim como com ‘Queer Eye’, analisaremos o que já foi exibido e o que ainda há por vir em ‘The Umbrella Academy’.

A história original, roteirizada por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, carrega em si estereótipos comuns às tramas de super heróis desde a premissa, que traz um grupo de jovens dotados de poderes especiais à beira de um apocalipse. Mas, observando a fotografia, trilha sonora e direção de arte, é possível notar que os showrunners da atração se preocuparam em não emular um estilo ditado pelas veteranas Marvel e DC e, sim, criar uma mitologia e estética próprias. 

O enredo começa no ano de 1989, quando, misteriosamente, 43 crianças vêm ao mundo apesar de suas mães não estarem grávidas. O fato salta aos olhos do excêntrico milionário, que consegue adotar sete deles – os protagonistas do seriado, nomeados a numericamente. Com a exceção da Número Sete, interpretada por Ellen Page, todas as crianças, que formam um grupo de justiceiros mirim denominado “The Umbrella Academy”, possuem e aprendem a aprimorar poderes especiais e acabam se tornando personalidades “pop” por causa disso. As consequências da exclusão da intérprete de Juno, cuja habilidade mor é tocar violino, é o que determinam o plot da série.

A partir da máxima da vida adulta “nós só nos reencontramos em casamentos e funerais”, o grupo é obrigado se unir outra vez quando o pai genial e lunático da prole bate as botas. Durante a cerimônia, o Número Cinco (Aidan Gallagher), uma espécie de Peter Pan cuja habilidade especial é o poder de viajar no tempo, surge, depois de 17 anos desaparecido, para anunciar que o fim do mundo está próximo e que somente a união do grupo pode evitá-lo.

Mudanças

Ao contrário do que acontece nos quadrinhos de Way e Bá, onde todos os irmãos são representados por personagens brancos, na série há diversidade no elenco. A maioria ainda é de atores brancos, como o Número Um Luther (Tom Hopper), Número Quatro Klaus (Robert Sheehan) e os já supracitados Ellen e Gallagher, mas a Netflix também escalou o latino David Castañeda, para dar vida ao Diego (Número 2), a afroamericana Emmy Raver-Lampman, que interpreta a Alisson (Número Três) e o oriental Ben (Number Five), feito por Justin H. Min – só para citar os protagonistas. 

Pouco explorada na HQ, as circunstâncias desconhecidas que levaram à morte do patriarca guiam os sete durante boa parte do arco, o que acaba interferindo significativamente no ritmo da série. Talvez, se a temporada tivesse os 10 episódios reduzidos a sete ou seis, a primeira temporada de The Umbrella Academy conseguisse manter o roteiro e montagem frenéticos que seus primeiros capítulos ameaçam promover. 

Série ‘The Umbrella Academy’ Foto: Netflix

É preciso, entretanto, louvar tudo que a série consegue entregar com um orçamento obviamente menor do que das grandes produções cinematográfica do gênero. Quem leu The Umbrella pode ter sentido falta de eventos pirotécnicos como a estátua do Abraham Lincoln ganhando vida em Washington ou a Torre Eiffel sendo transformada em foguete de fuga. Mas isso é puro preciosismo de fã. O que nos é entregue, ainda que somente no clímax, é grandioso e coerente ao tamanho da produção, fazendo jus ao formato de narrativa seriada.

Futuro da série

A primeira temporada da série se apoia em histórias contidas tanto no primeiro volume da minissérie em quadrinhos, ‘Suíte do Apocalipse’ quanto no segundo, ‘Dallas’, para construir o seu roteiro, fator que dificulta com que seja possível apostar com segurança sobre o que há de vir na segunda temporada de The Umbrella.

A expectativa é que haja contratações mais certeiras no time de roteiristas, liderado atualmente por Jeremy Slater, responsável pela adaptação de gosto duvidoso do mangá Death Note também para a Netflix, para que, ao contrário do que acontece neste primeiro arco, se encha menos linguiça e que todas as personagens sejam exploradas com o mesmo afinco. 

Além disso, por fugir do universo Marvel/DC e dada a boa recepção de The Boys, série do mesmo gênero produzida pela concorrente Amazon Prime, é esperado que a Netflix aposte ainda mais alto nesta segunda temporada. De certeza, por enquanto, somente as confirmações de três novos nomes no elenco: Ritu Arya (Humans), que interpretará Lila, Yusuf Gatewood (Good Omens) como Raymond e Marin Ireland (Homeland), na pele de Sissy. 

Todos os 10 episódios da primeira temporada estão disponíveis no serviço de streaming.

Estônia tem governo ‘quase 100%’ digital

No país, voto é online e abre-se empresa em 15 minutos; RG com chip dá acesso a 500 serviços
Por Renato Jakitas, de Vilnius (Lituânia) e Tallinn (Estônia) – O Estado de S. Paulo

‘RG digital’ pode ser usado no ônibus, no hospital e em mais de 500 serviços 

A menor das três repúblicas bálticas, a Estônia é hoje considerada um dos grandes laboratórios do mundo em matéria de digitalização e transparência de dados. Lá, apenas três serviços ligados ao governo ainda demandam a presença física de seus cidadãos. Casamentos, divórcios e transferências de titularidade de um imóvel ainda requerem uma testemunha juramentada. Todo o resto pode ser feito pela internet, incluindo criar uma conta em banco, abrir uma empresa ou até mesmo escolher representantes políticos.

Dos 1,3 milhão de estonianos, 99% possuem uma espécie de RG digital, um documento com um chip que lhes garante acesso a mais 500 serviços do governo, incluindo acesso ao sistema de saúde e ao transporte público. 

Primeiro a vantagem. O sistema, de fato, torna todos os processos públicos muito mais rápidos. Na Estônia, é possível abrir uma empresa em impressionantes 15 minutos. Uma conta em banco leva um pouco mais de tempo: 24 horas. Sem contar o acesso ao amplo sistema de benefícios estatais. A saúde é pública, o transporte é grátis e, com o documento digital, o governo subsidia até a compra de medicamentos na farmácia – o benefício pode chegar a 50%.

Agora, a desvantagem. Todas as vezes que um cidadão estoniano saca seu RG digital para um serviço, ele registra a movimentação na rede estatal, que passa a ter a posse da informação, podendo inclusive negociá-la com as empresas. (O governo cede, por exemplo, os dados de deslocamento à empresa que opera o sistema de transporte). Além disso, em tese, qualquer cidadão pode consultar os dados de outro estoniano, mediante solicitação prévia e intermediação do governo. O Estado acompanhou a consulta no perfil do primeiro ministro da Estônia, Jüri Ratas. Viu seus três imóveis, onde estão e quanto custam. “Está tudo aqui, é só consultar”, afirma a funcionária do governo digital da Estônia, Harle Pihlak.

Assunto polêmico? Não para os locais. “Eu não me preocupo com isso. Os dados estão seguros com o governo e a rede de proteção é ampla”, afirma o empresário Matthias Markus. 

“Aqui é assim: os estonianos não se preocupam. Já os estrangeiros ficam ressabiados com tanta exposição”, afirma o cientista de computação paulistano Edilson Osorio, que mora há dois anos em Tallinn. Ele é o fundador da startup OriginalMy, que usa blockchain para a verificação de documentos online. Criada em 2015 no Brasil, a empresa se mudou para Tallinn para participar do programa de aceleração Startup Estonia. 

Edilson Osorio, cientista de computação
Edilson Osorio, cientista de computação

Ex-presidente da Estônia, Toomas Hendrik Ilves diz que a digitalização não é mesmo um problema local. “Ela tornou os estonianos mais felizes”, diz. Segundo ele, além do bem-estar, o país também economizou com a medida. Com o uso massivo dos serviços digitais, o Estado poupa por ano cerca de 2% do PIB – que, em 2018, foi de US$ 26 bilhões, segundo dados do Banco Mundial.

O modelo atual do governo digital é de 2016. Mas o governo vem coletando os dados e organizando o banco de dados há 20 anos, desde que organizou a legislação para entrar no mundo digital – como aconteceu com o Brasil e todo o resto do mundo. Mas o que eles fizeram, e nenhum outro país acompanhou, foi dar ao RG digital o mesmo peso que o RG físico em uma lei dos anos 2000. “Isso atraiu investidores”, conta Harle Pihlak.

O sistema estoniano tem código aberto (pode ser conferido por qualquer pessoa), não proprietário (ou seja, não é de nenhuma empresa) e é descentralizado. Se uma empresa criar um novo serviço, pode acoplá-lo a essa infraestrutura, que tem um backup no principado de Liechtenstein, pequeno território de 160 quilômetros quadrados entre a Áustria e a Suíça. A segurança é um sistema de checagem dupla. O usuário coloca seu número de seguro social no site e precisa confirmar em um celular. “É totalmente seguro, nunca fomos hackeados”, diz a funcionária do governo. “E me arrisco a dizer que jamais seremos.” 

Museus nos EUA ampliam espaço de mulheres em seus acervos

Instituições como o Museu de Arte de Moderna de Nova York levantam o debate sobre arte e feminismo
Dirce Waltrick do Amarante

'The Artist's Sister-in-Law' (a nora da artista), pintura de Marie Constantine Bashkirtseff de 1881
‘The Artist’s Sister-in-Law’ (a nora da artista), pintura de Marie Constantine Bashkirtseff de 1881 Divulgação

Em 2018, a editora Urutau lançou “Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres que sempre Foram Consideradas Menos Importantes que seus Maridos”, de Beatriz Calil,  uma espécie de manifesto que chama a atenção para nomes de grandes artistas que muitas vezes passaram despercebidas ou não despertaram o mesmo interesse que os seus companheiros

O livro faz ainda um levantamento do número de artistas mulheres e homens com exposições individuais e/ou representados por galerias na cidade de São Paulo no ano de 2017. Chega à conclusão de que as mulheres seguem em desvantagem em relação aos homens, pelo menos na capital paulista.

No início de 2020, ao visitar a cidade de Nova York (EUA), lembrei-me do manifesto de Calil pelo seguinte motivo: no reformado Museu de Arte de Moderna (MoMA) percebi que a curadoria parece ter feito questão de colocar lado a lado, ou na mesma sala, casais de artistas como Lee Krasner e Jackson Pollock, Leonora Carrington e Max Ernst, Sonia Delaunay e Robert Delaunay, Elaine de Kooning e Willem de Kooning, entre outros que não estão muito próximos no mesmo museu, como a artista cubana Ana Mendieta e seu companheiro, absolvido da acusação de tê-la de assassinado, o norte-americano Carl Andre. 

Obviamente essas obras não estão próximas fisicamente porque foram feitas por casais, mas porque integram um mesmo movimento, o que demonstra que os artistas dialogaram e se influenciaram mutuamente, ainda que cada um tenha imprimido identidade própria aos trabalhos. 

Para quem ainda acredita que as mulheres foram moldadas por seus parceiros, há bom material disponível nas livrarias que elucida o debate atualíssimo sobre arte e feminismo. Chamo a atenção para o instigante “Ninth Street Women” (as mulheres da rua Nove), publicado em 2018 pela Back Bay Books, ainda sem tradução para o português, de Mary Gabriel, que narra a história de cinco artistas que mudaram o conceito de arte, entre as quais Lee Krasner e Elaine de Kooning. 

Mary Gabriel mostra como essas mulheres, embora dialogando artisticamente com seus companheiros, tinham carreiras autônomas. Assim, uma faceta pouco conhecida de Elaine de Kooning vem à tona justamente na fase em que ela se sentiu mais “livre” desde o casamento com Willem. 

Nessa ocasião, trabalhou com John Cage (que na época terminava o casamento com a multiartista Xenia Cage e começava a assumir sua homossexualidade) e tornou-se também grande amiga de Merce Cunningham (o companheiro do compositor), amizade que teria “irritado” Willem de Kooning, como afirmou Elaine em uma carta: “Ele hostilizava nosso grupinho. Nos chamava de risonhozinhos”. 

Willem se envolveu com seu próprio grupo, e ambos parecem ter levado uma vida artisticamente independente nesse período. Willem trabalhou na sua obra-prima intitulada “Asheville”; já Elaine, entre outros trabalhos, atuou na peça do compositor francês Erik Satie, “A Armadilha de Medusa” (traduzida para o português por Marina Veshagem e publicada pela Rafael Copetti Editor), como Frisette, a filha do barão Medusa, sendo dirigida por Arthur Penn, que décadas depois ficaria conhecido também pela direção do filme “Bonnie and Clyde” (1967).   

A respeito das mulheres no MoMA, há ainda uma sala dedicada à série “Desenhos sem Papel”, entre outras obras, de Gertrud Goldschmidt, conhecida como Gego, uma alemã radicada na Venezuela. 
Esse é o segundo motivo pelo qual o manifesto de Calil me veio à memória: neste início de 2020, em Nova York, as mulheres têm conquistado espaço nos museus e destaque na mídia em razão da qualidade e da importância de seus trabalhos artísticos. 

O Museu do Brooklyn abriu, no dia 24 de janeiro, a exposição “Out of Place: A Feminist Look at the Collection” (fora de lugar: um olhar feminista para a coleção), com trabalhos de mais de 40 mulheres, entre eles a famosa instalação “The Dinner Party”, de Judy Chicago, que consiste numa mesa posta para deusas, artistas e outras mulheres que marcaram a história, como Trotula de Salerno, considerada a primeira ginecologista. 

No “Americas Society”, o destaque foi para a artista brasileira Alice Miceli, com seu misterioso e desconcertante “Projeto Chernobyl”. 

Imagem da instalação "The Dinner Party" (1974-79), de Judy Chicago, obra no acervo no Museu do Brooklyn
Imagem da instalação “The Dinner Party” (1974-79), de Judy Chicago, obra no acervo no Museu do Brooklyn – Folhapress

No Museu de Arte da Filadélfia, uma exposição e um manifesto sobre moda e gênero fazem parte do projeto assinado pela artista e designer Floriane Misslin, que defende a ideia de que “se considerem consumidores como iguais, sem se levar em conta o gênero deles”.

Misslin afirma ainda que seu trabalho implica “olhares para horizontes em que as roupas não sancionam gênero, horizontes em que as roupas não permitem desigualdades sexuais”.

Neste início de uma nova década, caberia recordar a importante exposição “Mulheres Radicais: Arte Latino-americana, 1960-1985”, organizada pelo Hammer Museum, de Los Angeles, em 2017. No ano seguinte, essa mostra ganhou espaço na Pinacoteca, em São Paulo, sendo considerada, na ocasião, um dos grandes eventos de 2018. 

Como afirmaram no catálogo brasileiro as curadoras Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta, “‘Mulheres Radicais’ examina a prática de artistas mulheres na América Latina e nos Estados Unidos entre 1960 e 1985, um período fundamental da história latino-americana e latina e para o desenvolvimento da arte contemporânea”. A mostra, prosseguem as curadoras, “surgiu de nossa convicção comum de que o vasto conjunto de obras produzidas por artistas latino-americanas e latinas tem sido marginalizado e abafado por uma história da arte dominante, canônica e patriarcal”.

Os brasileiros que, com o novo governo, passaram a ver a terra de Trump como modelo, poderiam se espelhar também nessa efervescência cultural em que as mulheres sobressaem. Infelizmente, contudo, em tempos em que idealmente meninos vestem azul e meninas rosa, em que moças são belas, recatadas e do lar e que, por vezes, são atacadas até pelo chefe maior da nação, a proposta dos museus norte-americanos poderá soar um tanto ousada ou estapafúrdia.


Dirce Waltrick do Amarante é autora, entre outros, de “Cem Encontros Ilustrados” (Iluminuras, 2020) e “Minha Pequena Irlanda/ My Little Ireland” (Rafael Copetti, 2020).