Arseny Jabiev for Vogue Hong Kong with Julia Banas

Photographer: Arseny Jabiev at Kramer + Kramersty. Stylist: Jolene Lin. Producer. Sheri Chiu. Hair stylist: Shin Arima at Home Agency. Makeup artist: Grace Ahn at Julian Watson Agency. Manicurist: Nori at Artlist. Talent: Julia Banas at The Society Management

Alek Wek é a estrela da edição de março da Vogue Brasil

De refugiada a supermodelo, sul-sudanesa Alek Wek faz sua estreia como cover-star da Vogue Brasil
PAULA MERLO

Vogue Brasil Março 2020 (Foto: Vogue Brasil)

Nada é tão surreal na moda quanto uma fashion week. Em um espaço curto de tempo – nove dias, no caso de Paris –, os olhos viajam por experiências riquíssimas e completamente diferentes a cada apresentação. Às vezes, o cérebro dá um nó de tanta informação. Como quando você sai das quadras de saibro de Roland Garros (onde aconteceu o desfile sport deluxe da Lacoste), passa pelos tetos de zinco da Rue Cambon numa Paris dos anos 50 e 60 (criados por Virginie Viard na Chanel) e termina nos salões opulentos da Ópera de Paris comas presenças ilustres de Kris Jenner e Ana Maria Braga (a Balmain de Olivier Rousteing é sempre um espetáculo ostensivo). Aproveito o tempo no trânsito entre shows para postar, postar, postar no Instagramda Vogue, claro, e deliberar comPedro Sales, diretor de moda, sobre aquilo que acabamos de ver. Ele sempre me dá uma aula.

Em setembro passado, quando vivi as emoções acima, ao fim do desfile da Saint Laurent, que sempre acontece à noite, em frente à Torre Eiffel, não foi diferente. Eu estava de queixo no chão. Pedro, idem. E não era só pelo impacto do último look, um smoking brilhante desfilado por Naomi Campbell, releitura do Le Smoking icônico da grife. Os microsshorts combotas western altas, o hippie bemchique dos vestidos de lamê numresgate à coleção Russa de 1976, a alfaiataria mais afiada que já vi na vida. Uau! Anthony Vaccarello, respeitando a herança da marca, desenhava um futuro que eu desejo usar: glamoroso sem forçar a barra.

Vogue Brasil Março 2020 (Foto: Vogue Brasil)

E é esse o espírito da capa, estrelada por Alek Wek (sua história cinematográfica está em Voz Ativa), e da nossa edição de março, que traz também tudo o que deve fazer seu coração bater no inverno. Um breve spoiler: vestidões comperfume boho, looks total white, poás em todos os tamanhos, correntes… Isso sem falar das tendências de beleza que adiantamos em SemMedo de Errar, como sombra azul, unhas ultradecoradas e joias no cabelo. Vai ser impossível resistir e não adotar ao menos uma dessas novidades.

Respire fundo e dá-lhe fôlego extra! A temporada promete.

A estilista Fernanda Yamamoto faz exposição no Centro Universitário Senac

A estilista Fernanda Yamamoto comemora 10 anos de SPFW com a exposição “Acervo Senac: Fernanda Yamamoto – 10 anos de história”

A estilista Fernanda Yamamoto criou sua marca em 2007 e desfila no São Paulo Fashion Week desde 2010. E pra comemorar os 10 anos de passarela no evento, ela selecionou 20 looks de suas coleções pra compor a exposição “Acervo de Moda Senac: Fernanda Yamamoto – 10 anos de história“, gratuita e aberta ao público a partir de hoje, 04/03. Das 10h às 12h, na biblioteca do Senac, no bairro de Santo Amaro, ela participa de bate-papo com profissionais da moda de sua equipe, com direito à visita guiada!

A expo inclui peças muito especiais, é claro! Como a do inverno 2016 em homenagem às rendeiras do Cariri e a do verão 2018 inspirada nos Yuba, uma comunidade autossustentável de Mirandópolis. E tem mais! 5 das peças expostas foram feitas através do upcycling e foram destaque da última edição do SPFW N47.

Fotos do desfile da Fernanda Yamamoto para o inverno 2016, inspirado nas rendeiras do Cariri, no Paraíba

A exposição fica em cartaz até 27/06, de segunda à sexta das 8h às 21h e aos sábados das 8h às 14h , e depois as peças ficam na Modateca do Senac Santo Amaro para estudo de história da moda brasileira pelos alunos. E tem mais: nesta quinta-feira, 05/03, ela inaugura o “Projeto Ocupação” com o artista  Nino Cais em sua loja na Vila Madalena, SP, para o lançamento da nova coleção. Vai lá!

Peças do verão 2018 de Fernanda Yamamoto

Lacoste Fall/Winter 2020

FALL/WINTERPARIS.

Lacoste unveiled its Fall/Winter 2020 collection during Paris Fashion Week.

Mick Jagger volta a atuar interpretando um ‘homem rico e de bom gosto’

O papel do vocalista de Rolling Stones em ‘The Burnt Orange Heresy’ foi chamado de ‘uma versão do diabo’ pelo diretor
JAKE COYLE – AP

Mick Jagger atuando em 'The Burnt Orange Heresy'
Mick Jagger atuando em ‘The Burnt Orange Heresy’ Foto: Jose Haro/Sony Pictures Classics via AP

Já se passaram quase 20 anos desde a última vez em que Mick Jagger atuou, mas, como mostra o novo filme The Burnt Orange Heresy, suas costeletas não juntaram musgo.

No filme, que a Sony Pictures Classics lançará nesta sexta-feira, 6, Jagger co-estrelará ao lado de Claes Bang e Elizabeth Debicki como um colecionador de arte diabólico que convence astuciosamente um jornalista de arte (Bang) a usar uma rara entrevista com um artista recluso (Donald Sutherland) como uma oportunidadepara roubar uma de suas pinturas. É o primeiro filme de Jagger desde Confissões de um Sedutor (2001). E, ele diz, pode ser o último.

“Eu gostaria de ter atuado mais. Acabei atuando aqui e ali sempre que pude”, disse Jagger em entrevista por telefone. Então ele ri. “Você sabe, eu tenho outro emprego. Na verdade, tenho vários outros empregos.”

Quando o ator de 76 anos não estava se apresentando com os Rolling Stones, Jagger conquistou uma carreira peripatética, mas aventureira, no cinema. Ele preferiu cineastas experimentais, trabalhando com Jean-Luc Godard, Nicolas Roeg e Werner Herzog. Atuando um pouco menos que David Bowie, mas mais que Bob Dylan, a carreira cinematográfica de Jagger tem sido consistentemente corajosa. Ele é um ator muito bom, mesmo que suas performances nas telonas sempre sejam diminuídas pelo espetáculo giratório de sua personalidade cinética no palco.

“Eu sempre gostei da idéia”, diz Jagger, falando por telefone da França, sobre atuação. “Gosto da mudança de ritmo e da mudança de foco do seu desempenho. Quando estou me apresentando hoje em dia, é principalmente em lugares muito grandes na frente de muitas pessoas, enquanto que quando você está em um cenário pequeno, está se apresentando muito mais sutilmente e não com gestos tão elaborados. Você realmente precisa suavizar.”

Mick Jagger e Claes Bang em cena do filme 'The Burnt Orange Heresy'
Mick Jagger e Claes Bang em cena do filme ‘The Burnt Orange Heresy’ Foto: Jose Haro/Sony Pictures Classics via AP

Às vezes, o destino (e a programação da turnê) interveio. A performance de Jagger no famoso delírio de Herzog Fitzcarraldo (1982) foi cortada porque o protagonista original, Jason Robards, ficou doente. Quando as filmagens foram reiniciadas na selva peruana, Jagger fez uma turnê conflitante com os Stones. Sua parte foi excluída e Klaus Kinski assumiu o lugar de Robards. Herzog chamou a partida de Jagger de “uma das maiores perdas que já experimentei como diretor”. (Os pedaços da performance de Jagger podem ser vistos em documentários como Burden of Dreams e My Best Friend.)

“Foi uma pena por isso. Foi uma pena”, diz Jagger. “Então Klaus Kinski fez o trabalho e fez melhor do que eu. No entanto, foi uma experiência.”

Mas o momento e o roteiro estavam alinhados para The Burnt Orange Heresy. Dirigido pelo cineasta italiano Giuseppe Capotondi, cujo sinuoso filme de estréia em 2009, The Double Hour, provou seu talento ao invocar uma atmosfera noiriana de intrigas e mistérios. The Burnt Orange Heresy, baseado no romance de Charles B. Willeford de 1971, é um tipo de filme elegante e moderno que raramente é produzido, com atores fascinantes em um cenário fascinante (o lago de Como, na Itália).

Mick Jagger, Elizabeth Debicki e Claes Bang em cena de 'The Burnt Orange Heresy'
Mick Jagger, Elizabeth Debicki e Claes Bang em cena de ‘The Burnt Orange Heresy’ Foto: Jose Haro/Sony Pictures Classics via AP

Quando Capotondi conheceu Jagger em Londres para discutir o papel, ele ficou impressionado com a humildade do astro do rock. “Ele disse: ‘Olha, eu não faço isso há 20 anos. Posso estar enferrujado ”, lembrou Capotondi.

Jagger encontrou maneiras de moldar o personagem, dando-lhe cabelos lisos e um sotaque levemente ameaçador do Chelsea dos anos 1960. No filme, o negociante de arte de Jagger o apresenta ao escritor de Bang uma espécie de barganha faustiana, e as coisas ficam mais sombrias a partir daí. Capotondi considera o personagem uma versão do diabo – um papel apropriado para o compositor de Sympathy For The Devil (Simpatia pelo Diabo) .

“Interpretar o diabo é algo que pode atrair a maioria dos atores. É um personagem tão peçonheto”, diz Capotondi. “Considerando ser um Rolling Stones, acho bastante adequado”.

Mick Jagger interpreta um diabólico colecionador de arte em 'The Burnt Orange Heresy'
Mick Jagger interpreta um diabólico colecionador de arte em ‘The Burnt Orange Heresy’ Foto: Jose Haro/Sony Pictures Classics via AP

Jagger tem menos certeza sobre as conexões entre The Burnt Orange Heresy e o clássico da banda de 1968, que foi parcialmente inspirado pelo amado romance russo de Mikhail Bulgakov sobre Belzebu, na década de 1930 em Moscou, The Master and Margarita, e um poema de Baudelaire. Mas o negociante de arte de Jagger é, com certeza, “um homem de riqueza e bom gosto”, brinca com um carisma demoníaco de Jagger.

“Estava ao meu alcance fazer esse personagem. Eu pensei que seria divertido fazer isso ”, diz Jagger. “Ele basicamente é encantador e ameaçador com o que quer. Não é muito tempo na tela, mas é ele quem desencadeia a ação. “

Um dos primeiros filmes de Jagger continua sendo um dos mais célebres: o filme alucinatório de Roeg, de 1970, Performance, no qual ele interpretou uma estrela do rock viciada em drogas e com gênero dúbio. Duramente criticado após o lançamento, gerou um culto peloo desempenho de Jagger, muitas vezes classificado entre os melhores por um músico em um filme.

Ele também interpretou o personagem-título em Ned Kelly, de Tony Richardson, o “bonejacker” no cyberpunk de Victor Vacendak Freejack (1992) e uma drag queen em Bent. Ele foi produtor executivo da série da HBO Vinyl e produziu a biografia de James Brown Get on Up. E há também muitos documentários que capturaram indelevelmente os Stones, incluindo Gimme Shelter, sobre o trágico 1969.

Hering quer acabar com o termo “tomara que caia”

A varejista lança o movimento “Liberdade é básico”com o objetivo de, por exemplo, combater termos sexistas na moda
Por Pedro Machado

Foto: Divulgação, Hering

Se depender da Cia. Hering, o “tomara que caia” vai sair de moda. A companhia de Blumenau acaba de lançar um movimento intitulado “Liberdade é básico”, cuja primeira iniciativa pretende substituir essa expressão por “blusa sem alça”. Em seu site, a marca justifica: diz que “tomara que caia” é um “termo sexista que precisa ser extinto do mundo da moda, das notícias e do nosso vocabulário”.

Mariana Ximenes na capa da Harper’s Bazaar de março

Segundo a Hering, o movimento nasceu para valorizar e reconhecer as causas das mulheres. A iniciativa já foi abraçada por influenciadoras, entre elas a atriz Mariana Ximenes. A renda dos produtos da campanha será revertida para o Programa Bem Querer Mulher, que atende mulheres vítimas de violência e estimula o empoderamento feminino.

Alinhado a uma causa cada vez mais difundida, o movimento não deixa de ser também uma tentativa de reparar equívocos recentes de marketing da marca. Em fevereiro, a Hering foi alvo de críticas após lançar camisetas com as frases “Que se dane a cerveja artesanal” e “Meu pet é mais inteligente que seu filho”. Antes disso, a companhia chegou a perder R$ 600 milhões em valor de mercado após divulgar resultados aquém do esperado no quatro trimestre de 2019.

Designers holandeses Overtreders W e Bureau SLA criam primeiro revestimento 100% reciclado

O produto é uma novidade no mercado por ser feito inteiramente de material sustentável

Prédio do Ginásio Sint-Oelbert, na Holanda, é a primeira estrutura permanente a usar revestimento 100% reciclado (Foto: Pretty Plastic)

Pela primeira vez, um prédio foi revestido com um material totalmente reciclado: trata-se dos azulejos feitos de PVC que foram desenvolvidos pelos estúdios de design holandeses Overtreders W e Bureau SLA. O prédio faz parte da escola do Ginásio Sint-Oelbert, em Oosterhout, e o revestimento se chama “Pretty Plastic” (“Plástico bonito”, em tradução livre). A ideia dos designers europeus promete ser o primeiro material de revestimento 100% reciclado do mundo.

As peças têm formato de diamantes e são feitos de objetos como caixilhos de janelas e calhas pluviais coletadas em diferentes locais da Holanda. Além de ecológico, o produto cria um ar moderno por conta do padrão geométrico que é formado quando os azulejos são dispostos.

Designers criam revestimento 100% sustentável (Foto: Pretty Plastic)

A ideia começou a ser desenvolvida pelos estúdios em 2017, mas somente pôde ser aplicada de fato após ter sido comprovado, no ano passado, que o material é resistente a fogo e é difícil de queimar, sendo, portanto, uma opção segura de revestimento. Eles também são de fácil instalação e prometem ter longa vida útil, segundo o site do projeto.

Designers criam revestimento 100% sustentável (Foto: Pretty Plastic)

“Para quem está buscando por materiais reciclados que contribuem para uma economia circular, Pretty Plastic é um dos poucos produtos que pode ser usado em fachadas”, diz o designer Hester van Dijk, do Overtreders W. O próximo passo, agora, é expandir a marca, produzindo os azulejos em novos formatos e cores.

Netflix e ONU Mulheres lançam coleção especial com curadoria de 55 mulheres pioneiras no entretenimento

Entre elas estão Salma Hayek, Yalitza Aparicio, Millie Bobby Brown e as brasileiras Petra Costa, Giovanna Ewbank, Pathy Dejesus, Bruna Mascarenhas, Juliana Vicente e Andrea Barata Ribeiro.
Por Soraia Alves

Netflix lança curadoria de filmes e séries em parceria com a ONU

Netflix, em parceria com a ONU Mulheres, lançam hoje o “Porque Ela Assistiu” – uma coleção especial de séries, documentários e filmes na plataforma de streaming para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

A coleção, que estará disponível o ano todo, tem a curadoria de estrelas femininas que atuam à frente e atrás das câmeras. Entre elas estão Sophia Loren, Janet Mock, Salma Hayek, Yalitza Aparicio, Millie Bobby Brown, Laurie Nunn, Lana Condor, Ava DuVernay e as brasileiras Petra Costa, Giovanna Ewbank, Pathy Dejesus, Bruna Mascarenhas, Juliana Vicente e Andrea Barata Ribeiro.

A atriz Laverne Cox ressalta que ter um mundo em que todos são de fato representados é o significado de uma democracia de verdade, e comenta a contribuição de obras da Netflix para isso: “‘Orange is the New Black’ foi o primeiro projeto em que me senti genuinamente empoderada como mulher, graças à mulher no comando da série, Jenji Kohan, e as muitas mulheres na direção, no roteiro, na produção e na equipe, bem como às histórias que giravam ao redor de mulheres diversas de uma forma jamais vista”.

Criada para o Dia Internacional da Mulher, cujo tema oficial deste ano é “Eu Sou a Geração Igualdade: Pelos Direitos das Mulheres”, a coleção celebra as histórias que inspiraram essas mulheres que, hoje, têm produzido tantos conteúdos. Esses filmes, séries e documentários iniciaram debates importantes e que desafiam o modo como encaramos o mundo.

“Essa colaboração tem por objetivo responder ao desafio de contar histórias sobre o universo feminino e apresentar as mulheres em toda sua diversidade. É sobre tornar o invisível visível e provar que apenas por meio da representação e da inclusão totais das mulheres nas telas, atrás das câmeras e em nossas narrativas, a sociedade vai de fato florescer”, explica Anita Bhatia, diretora-executiva adjunta da ONU Mulheres.

A coleção está disponível em netflix.com/porqueelaassistiu, ou buscando “porque ela assistiu” na plataforma. Cada título da coleção terá a indicação “Escolha de [XXXX] para o Dia da Mulher”, para que os assinantes possam saber quem escolheu qual história.

A parceria da ONU Mulheres e da Netflix em apoio à campanha da  Geração Igualdade ocorre no 25º aniversário da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, reconhecida como uma agenda visionária para os direitos das mulheres.

Confira abaixo quem são as mulheres que fizeram a curadoria da coleção “Porque Ela Assistiu” e sua escolhas:

  • Alejandra Azcárate (Colômbia) – “Vis a Vis”
  • Alice Wu (Estados Unidos) – “Frances Ha”
  • Andrea Barata Ribeiro (Brasil) – “Sex Education”
  • Anna Winger (Alemanha) – “Unbreakable Kimmy Schmidt”
  • Ava DuVernay (Estados Unidos) – “Uma Dobra no Tempo”
  • Barbara Lopez (México) – “Scandal”
  • Beren Saat (Turquia) – “Bird Box”
  • Bruna Mascarenhas (Brasil) – “Quien Te Cantará”
  • Cecilia Suárez (México) – “História de um Casamento” 
  • Chris Nee (Estados Unidos) – “Orange is the New Black”
  • Christian Serratos (Estados Unidos) – “goop lab com Gwyneth Paltrow”
  • Cindy Bishop (Tailândia) – “Anne with an E”
  • Elena Fortes (México) – “Atlantique”
  • Esther Acebo (Espanha) – “Chef’s Table: Bo Songvisava”
  • Fadily Camara (França) – “Como Defender um Assassino”
  • Fanny Herrero (França) – “Je Parle Toute Seule”
  • Fatima Abu Bakar (Malásia) – “Bebês em Foco”
  • Francesca Comencini (Itália) – “What Happened, Miss Simone?”
  • Giovanna Ewbank (Brasil) – “Coisa Mais Linda”
  • Hanna Ardéhn (Suécia) – “O Silêncio dos Inocentes”
  • Hazar Erguclu (Turquia) – “House of Cards”
  • Hend Sabry (Egito) – “Joan Didion: The Center Will Not Hold” 
  • Ida Elise Broch (Noruega) – “RuPaul’s Drag Race”
  • Janet Mock (Estados Unidos) – “Paris Is Burning”
  • Joyce Cheng (Hong Kong) – “Queer Eye”
  • Juliana Vicente (Brasil) – “Olhos que Condenam”
  • Kemi Adetiba (Nigéria) – “King of Boys” 
  • Kiara Advani (Índia) – “Quatro Histórias de Desejo”
  • Lali Espósito (Argentina) – “Um Lugar Chamado Notting Hill”
  • Lana Condor (Estados Unidos) – “Grace and Frankie”
  • Lauren Morelli (Estados Unidos) – “Julie e Julia”
  • Laurie Nunn (Inglaterra) – “The Keepers”
  • Laverne Cox (Estados Unidos) – “A Call to Courage”
  • Liz Garbus (Estados Unidos) – “Ela Quer Tudo”
  • Logan Browning (Estados Unidos) – “Alguém Especial”
  • Lynn Fainchtein (México) – “2001: Uma Odisseia no Espaço” 
  • Marcela Benjumea (Colômbia) – “Disque Amiga para Matar”
  • Mercedes Morán (Argentina) – “Aquarius”
  • Mika Ninagawa (Japão) – “O Império dos Sentidos”
  • Millie Bobby Brown (Reino Unido) – “Miss Americana”
  • Mina El Hammani (Espanha) – “¿Qué coño está pasando?”
  • Mindy Kaling (Estados Unidos) – “Chewing Gum”
  • Mira Lesmana (Indonésia) – “ROMA”
  • Mithila Palkar (Índia) – “Hannah Gadsby’s Nanette”
  • Nahnatchka Khan (Estados Unidos) – “Jovens Adultos”
  • Ngô Thanh Vân (Vietnã) – “Mulher-Maravilha”
  • Nosipho Dumisa (África do Sul) – “Gravidade” 
  • Pathy Dejesus (Brasil) – “Criando Dion”
  • Paulina Garcia (Chile) – “Dois Dias, Uma Noite”
  • Petra Costa (Brasil) – “Feministas: O Que Elas Estavam Pensando?” 
  • Salma Hayek (México) – “Inacreditável”
  • Sandi Tan (Singapura) – “Boneca Russa”
  • Shefali Shah (Índia) – “Crimes em Déli”
  • Sophia Loren (Itália) – “The Crown”
  • Yalitza Aparicio (México) – “Virando a Mesa do Poder” 

Adèle Haenel: ‘Levei muito tempo para me considerar uma vítima’

A atriz foi a primeira da França a falar publicamente sobre abusos na indústria cinematográfica do país; à época, o movimento #MeToo completava dois anos
Elian Peltier, The New York Times

Adèle Haenel, atriz de ‘Retrato de uma jovem em chamas’, diz que a França ‘perdeu o bonde’ do movimento #MeToo. Foto: Julie Glassberg / The New York Times

PARIS – No fim do ano passado, quando Adèle Haenel disse que havia sido abusada sexualmente quando criança por um diretor de cinema, ela se tornou a primeira atriz da França a falar publicamente sobre abusos na indústria cinematográfica do país. Na época, o movimento #MeToo tinha dois anos.

Em uma entrevista recente ao New York Times – a primeira de Haenel desde que ela fez as acusações em novembro –, a atriz pediu ao governo do presidente Emmanuel Macron que intensifique seus esforços para combater a violência contra as mulheres. “O sistema judicial precisa mudar para tratar melhor as vítimas de violência sexual”, afirmou a artista.

O diretor Christophe Ruggia, a quem Haenel acusou de assédio sexual e contatos inapropriados, os quais ela disse terem começado quando ela tinha 12 anos de idade, negou as acusações. Em janeiro, ele foi acusado de agressão sexual a menores de 15 anos e uma investigação está em andamento.

Histórias semelhantes se seguiram, entre elas uma acusação da fotógrafa Valentine Monnier de que o diretor de cinema Roman Polanski a estuprou em 1975. Ele nega a acusação.

Semanas antes do lançamento americano de seu último filme, Retrato de uma jovem em chamas, Haenel, de 31 anos, concedeu uma entrevista em Paris. A transcrição foi editada para maior clareza e concisão.

Adèle Haenel disse que seu último filme se afastou da história típica de “se apaixonar sem entender o porquê”. Credit…Julie Glassberg for The New York Times

Como você descreveria a maneira como o #MeToo se desenrolou na França?
O #MeToo vive um paradoxo aqui: a França é um dos países onde o movimento foi mais seguido de perto nas redes sociais, mas, de uma perspectiva política e nas esferas culturais, a França perdeu completamente o bonde. Muitos artistas apagaram, ou quiseram apagar, a distinção entre comportamento sexual e abuso. O debate se centrou na questão da “liberdade para abordar” [dos homens]. Mas abuso sexual é abuso, não comportamento libertino. As pessoas continuam confundindo isso.

Como isso ajudou você a contar sua própria história?
Me ajudou a perceber que minha história não era apenas pessoal, que era a história de muitas mulheres e crianças. Mas não me sentia pronta para compartilhá-la quando surgiu o #MeToo. Levei muito tempo para me considerar uma vítima.

As conversas recentes sobre violência sexual no mundo do cinema se concentraram em Polanski, que foi indicado ao Césars por seu último filme, ‘O Oficial e o Espião’. Você também foi indicada.

Indicar Polanski é cuspir na cara de todas as vítimas. Significa que estuprar mulheres não é tão ruim assim. Quando O Oficial e o Espião foi lançado, ouvimos protestos sobre censura. Não é censura. Não, a verdadeira censura no cinema francês é a invisibilidade de algumas pessoas. Onde estão os atores negros? Os diretores negros?

Mas ‘Retrato de uma jovem em chamas’ oferece uma visão diferente do amor.
Não aplicamos um manual tradicional, aquela história do “se apaixonar sem entender o porquê”. Isso geralmente envolve dominação e relações desiguais de poder. O filme se liberta disso. Oferecemos algo que, em termos políticos e artísticos, nos torna menos submissas. É uma nova versão do desejo.

Quais são seus planos agora? Eles foram afetados pela sua história?
É muito cedo para dizer, mas realmente não importa se isso vai prejudicar minha carreira. Acho que fiz algo de bom pelo mundo, algo que faz com que eu me sinta forte. Ando a pé por Paris – não vivo em uma bolha. Às vezes, quando me veem pela rua, as pessoas me agradecem por ter erguido a voz. Isso me deixa orgulhosa e feliz. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU