Festival de cultura e inovação SXSW é cancelado por conta do coronavírus

Evento aconteceria em Austin, nos EUA, entre os dias 13 e 22 de março; feira reuniria 400 mil pessoas em palestras, shows, workshops e estreias de cinema

Festival South by Southwest
Festival South by Southwest (SXSW): pela primeira vez em 34 anos, evento é cancelado (Amy E. Price / Colaborador/Getty Images)

O festival de música, cinema e tecnologia South by Southwest (SXSW), realizado tradicionalmente na cidade de Austin, Texas, nos Estados Unidos, teve sua edição de 2020 cancelada por conta do coronavírus. A decisão foi anunciada pelo prefeito da cidade, Steve Adler, em uma conferência de imprensa na noite desta sexta-feira, 6. “Baseado na recomendação das autoridades de saúde da cidade, eu propus uma order que cancela efetivamente o SXSW”, disse o político. 

Em nota enviada à imprensa, a organização do evento disse que seguirá a decisão do prefeito e anunciou o cancelamento. “Estamos explorando opções para remarcá-lo e estamos trabalhando para criar uma experiência online do SXSW para todos os participantes”, afirmou a organização. Ainda não se sabe se os participantes e patrocinadores serão reembolsados – uma credencial para participar da feira pode custar cerca de US$ 1,5 mil. 

Por enquanto, ainda não há casos confirmados do novo coronavírus na região, mas o chefe da autoridade de saúde da cidade, o médico Mark Escott, disse que o cancelamento foi uma atitude proativa, considerando a quantidade de pessoas que participa do SXSW – no ano passado, o evento trouxe cerca de 400 mil pessoas à cidade. A notícia surge três dias após o prefeito da cidade negar que cancelaria o evento por conta da epidemia global, mesmo com as decisões de Apple e Netflix de abandonar o evento. 

Com o cancelamento, o SXSW se junta a uma longa lista de eventos de tecnologia que foram desmarcados por conta do novo coronavírus. Entre eles, estão a feira de telefonia celular Mobile World Congress, prevista para o final de fevereiro em Barcelona, a conferência de desenvolvedores de games Game Developers Conference e os eventos de Facebook (F8) e Google (I/O) para desenvolvedores – os três últimos seriam realizados na região de São Francisco entre o final de março e o início de maio. 

Pintora cubana recria obras de arte clássicas com mulheres negras como protagonistas

Trabalho de Harmonia Rosales busca imaginar como seriam as obras clássicas se a estrutura dominante fosse feminina e negra
Por Soraia Alves

Usando obras de arte clássicas para levantar questionamentos na atualidade, a pintora cubana Harmonia Rosales, que mora em Chicago, tem feito versões de obras históricas colocando mulheres negras como protagonistas.

Com essa iniciativa, Rosales mostra como essas figuras foram negligenciadas da história da arte: “Não estávamos lá? Será que todos nós não ajudamos a construir essa terra em que vivemos?”, indaga a artista.

Um das obras analisadas por Rosales é “A Criação de Adão”, de 1508. Se a obra pretende retratar o momento da criação da humanidade, por quê todos os personagens pintados por Michelangelo são brancos? Além disso, se esse é o nascimento da humanidade, por que o há apenas homens na cena?

Obviamente algumas perguntas são respondidas pelo contexto histórico de quando as obras foram produzidas. Ninguém está dizendo que Michelangelo era racista ou misógino. O fato aqui é ver como a sociedade está há muito tempo sendo vista e representada por apenas um olhar: masculino e branco. Essa estrutura dominante de gênero e raça é o que tem ditado a História, e não é diferente com a história da arte.

A proposta de Rosales é imaginar como seriam essas obras clássicas se a estrutura dominante fosse outra: feminina e negra.

O trabalho de Rosales é poderoso. A forma como ela usa a arte para contestar modelos tão arraigados faz as pessoas verem alternativas que questionam as ideologias incorporadas da humanidade até hoje.

A exposição “New World Consciousness”, que junta todas as recriações de Rosales está na galeria RJD, de Nova York de 8 de setembro a 5 de outubro.

Liane Hurvitz Exclusively for Fashion Editorials with Pavla Pop

Model: Pavla Pop at IMG Models.

Photographer; Liane Hurvitz. Stylist: Simone Farrugia. Hair & Makeup: Janice Wu. Model: Pavla Pop at IMG Models.

Dress Silvana Tedesco, Tights Falke, Scarf Dior
Dress Silvana Tedesco, Tights Falke, Scarf Dior
Dress Silvana Tedesco, Jacket Ellery
Dress Silvana Tedesco, Jacket Ellery
Dress Silvana Tedesco, Tights Falke, Scarf Dior
Model: Pavla Pop at IMG Models.
Model: Pavla Pop at IMG Models.

TIME homenageia 100 mulheres que moldaram o último século

Revista celebra mulheres influentes que foram “ofuscadas” por homens nos últimos 100 anos, apesar de suas gloriosas conquistas
Por Soraia Alves

Especialmente para o Dia Internacional da Mulher, a revista TIME divulgou uma lista com as 100 mulheres que marcaram o último século. A revista celebra mulheres influentes que foram “ofuscadas” por homens nos últimos 100 anos, apesar de suas gloriosas conquistas.

O projeto é inspirado no título “Pessoa do ano”, que era intitulado “Homem do ano” até 1999. Agora, a publicação destaca as mulheres que moldaram o mundo, desde as sufragistas em 1920 até Greta Thunberg em 2019.

Nos últimos 100 anos, apenas 11 mulheres foram coroadas como “Pessoa do ano”. Desta vez, a revista lançou 89 capas adicionais para homenagear as mulheres que deveriam ter sido apresentadas além das capas originais. Essa capas incluem “mulheres que ocupavam posições de onde os homens foram escolhidos”, como a ex-primeira ministra de Israel Golda Meir e a ex-presidente das Filipinas, Corazon Aquino.

Outras capas incluem a espiã mais procurada da Gestapo, Virginia Hall, a primeira mulher a concorrer à indicação presidencial de uma senadora do partido político, Margaret Chase Smith, e ativista do Black PowerAngele Davis.

De acordo com a ex-editora-chefe da TIME, Nancy Gibbs, o projeto mostra as “maneiras pelas quais as mulheres mantinham o poder devido à desigualdade sistêmicaAs mulheres exerciam poder brando muito antes de o conceito ser definido“, finaliza.

Woody Allen tem livro de memórias cancelado por editora

Decisão veio após críticas focadas em alegações de que o cineasta teria abusado sexualmente de sua filha Dylan Farrow.
Hillel Italie, AP

O cineasta americano Woody Allen, de 82 anos Foto: Divulgação

NOVA YORK – A editora de Woody Allen decidiu cancelar o lançamento de Apropos of Nothing, livro de memórias escrito pelo cineasta.

O anúncio da editora Hachette Book Group veio dias após de críticas focadas em alegações de que Allen teria abusado sexualmente de sua filha Dylan Farrow.

Na quinta-feira, 5,  dezenas de funcionários da editora fizeram uma paralisação. “A decisão de cancelar o livro do Sr. Allen foi difícil. Na HBG, as relações com os autores são muito sérias e não cancelamos livros à toa”, anunciou a editora. “Nós publicamos e continuaremos a publicar muitos livros desafiadores. Como editores, garantimos todos os dias em nosso trabalho que diferentes vozes e pontos de vista conflitantes possam ser ouvidos”.

O livro de Allen estava programado para sair no próximo mês. Allen negou qualquer irregularidade e nunca foi acusado depois de duas investigações nos anos 90. Mas as alegações receberam nova atenção na era do MeToo.

O acordo de Allen com a Hachette significou que ele esteve brevemente na editora de um de seus maiores detratores, seu filho Ronan Farrow, cujo livro Catch and Kill foi lançado no ano passado por uma divisão da Hachette.

“A publicação das memórias de Woody Allen pela editora é profundamente perturbadora para mim, pessoalmente, e uma traição total ao meu irmão, cujas bravas reportagens, publicadas pela Hachette, deram voz a  sobreviventes de agressão sexual por homens poderosos”, disse Dylan Farrow em um comunicado na segunda-feira, horas depois do anúncio do livro. 

Ronan Farrow deu seguimento um dia depois, chamando a decisão de Hachette de “extremamente antiprofissional” . Tanto ele quanto sua irmã reclamaram que a editora não havia checado o conteúdo do livro de seu pai.

Favoritos do Mês da Moda de Anna Wintour e Perguntas para Entrevista | Go Ask Anna | Vogue

Veja Gigi Hadid, Kerby Jean-Raymond, Simone Rocha e outras pessoas que fazem à editora-chefe da Vogue suas perguntas sobre o Fashion Week, a diversidade da indústria e o Raf Simons na Prada.

Estilista Mareu Nitschke reinaugura espaço dia 07/03 e lança coleção Inverno 2020

Mareu recebe convidados para reinaugurar o seu espaço na Oscar Freire, agora exclusivamente para sua marca Mareu Nitschke, e lança Coleção Inverno 2020 MU_DANÇA!

A nova coleção evolui no conceito de peças em combinações geométricas e o estilista aposta na combinação de estampas. 

Uma mulher à frente do seu tempo: Charlotte Perriand

Entre a arquitetura e o design, conheça a trajetória de Charlotte Perriand
MARCELO LIMA – O ESTADO DE S. PAULO

Charlotte Perriand em foto dos anos 1990 Foto: ARQUIVOS FONDATION LOUIS VUITTON / PARIS

Conheci Charlotte Perriand nos anos 1990, durante um evento na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, na Rua Bento Freitas. Eu, um garoto tímido, ainda na faculdade, ensaiando minhas primeiras frases em francês e interessado, antes de mais nada, em saber como teria sido trabalhar com o gênio da arquitetura, Le Corbusier. Ela, uma senhora segura, sorridente, de bochechas rosadas e coque bem delineado. 

Nossa foto juntos ainda existe. Garanto. Mas, de tão bem guardada, não vejo há tempos. Só sei que nela Charlotte parece segredar algo em meu ouvido e do conteúdo da conversa me lembro bem: “Ele era terrível! Muito exigente. Mas, justamente por isso, valeu muito”, foi sua resposta quando indaguei como era trabalhar com o célebre arquiteto francês. 

Mais de duas décadas depois, eis que uma frase, desta vez na exposição Le Monde Nouveau de Charlotte Perriand, apresentada pela Fundação Louis Vuitton, em Paris, para marcar o vigésimo aniversário da morte da designer, me fez retomar aquela sensação de conversa ao pé do ouvido. “Corbusier esperava, com impaciência, que eu desse vida ao mobiliário.” E foi exatamente o que ela fez, ao longo de quase todo o século 20.

Charlotte Perriand testando a chaise LC
Charlotte Perriand testando a chaise LC Foto: ARQUIVOS FONDATION LOUIS VUITTON / PARIS

Nascida em 1903, em Paris, Charlotte estudou desenho de móveis. Em 1927, apresentou a instalação Bar Sous le Toit (bar sob o mesmo teto), no Salon d’Automne, e chamou a atenção de Le Corbusier, que a recrutou para trabalhar em seu ateliê. Havia, no entanto, algo de paradoxal no convite: o arquiteto não era exatamente conhecido por levar em alta consideração o trabalho de suas colaboradoras.

E, embora tenha recebido Perriand com um dispensável “não bordamos almofadas no meu estúdio”, cedo ele teve de rever suas expectativas diante do desempenho excepcional da jovem. Ao lado do primo de Corbu, Pierre Jeanneret, a designer teve papel decisivo no projeto de alguns móveis icônicos desenhados pelo arquiteto, incluindo a chaise-longue LC. Ainda que na época nenhum dos dois tenha sido creditado pela criação. 

Nas montanhas de Val d’Isère, na França, em 1935
Nas montanhas de Val d’Isère, na França, em 1935 Foto: ARQUIVOS FONDATION LOUIS VUITTON / PARIS

Um deslize histórico que a mega mostra montada pela Louis Vuitton fez questão de corrigir, ao atribuir ao trio a autoria de todas as peças apresentadas – sem exceção – e ao pôr em perspectiva ampliada o valor dessa mulher, que não só influenciou os rumos do design, da arquitetura e da arte do seu tempo, como pressagiou muitas das atuais discussões sobre os papéis da mulher e do meio ambiente na sociedade.

Nos últimos tempos, tenho pensado muito em Charlotte. Na sua crença no futuro mesmo diante de um mundo em ebulição. E também, claro, no nosso breve encontro naquela tarde, em São Paulo. Por certo eu deveria ter me preocupado menos com Corbusier e sim em como ela se sentia trabalhando lá. Com certeza, o papo teria sido bem mais interessante. 

Dia Internacional da Mulher: conheça oito projetos que refletem sobre gênero em escolas

POR BRUNA RIBEIRO

O Criativos da Escola é um programa muito legal do Instituto Alana, que incentiva estudantes a desenvolverem projetos transformadores de suas comunidades, a partir de uma premiação e formações. No Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo, dia 8 de março, ele reuniu oito projetos que trazem reflexão sobre a temática dentro e fora da escola.

Um deles se chama Empoderamento da Mulher Negra e ocorreu em 2018, em Casa Nova, na Bahia, sendo realizado por alunas do Centro Educacional Antônio Honorato. De acordo com o Criativos da Escola, a iniciativa tem por objetivo colaborar com o fim do preconceito racial e de gênero na comunidade, principalmente no que diz respeito às mulheres afro-brasileiras.

Conheça outros sete projetos desenvolvidos por estudantes que o Criativos da Escola separou como referência na valorização das mulheres:

Causa Mãe: estudantes do Rio de Janeiro (RJ) promovem encontros para compartilhar experiências e criam grupo de apoio entre mães jovens.

 Dice: por meio da literatura de cordel, estudantes de Cascavel (CE) se aproximam da comunidade para falar sobre a questão de gênero.

 E se fosse com você?: estudantes de Sapiranga (RS) criaram um clube feminista para discutir violências sofridas pelas mulheres e como combatê-las.

 Elas por Elas: alunas de Venâncio (RS) criam áudio-livro e falam sobre feminismo com crianças.

 Lugar de mulher é onde ela quiser: estudantes do Rio de Janeiro (RJ) utilizam a arte para educar a comunidade escolar sobre os direitos das mulheres.

Na Luta contra o Machismo: alunas de São Paulo (SP) debatem igualdade de gênero e questionam sobre o machismo em escolas.

Teatro contra violência às mulheres: estudantes de Estrela de Alagoas (AL) constroem peça a partir do contexto em que vivem e discutem violência contra as mulheres.