Netflix vai reduzir qualidade de vídeo para não sobrecarregar redes na Europa

Medida vale, por enquanto, apenas para o território europeu e pode reduzir o tráfego nas redes em até 25%; método pode aliviar alta no uso de internet com mais gente em suas residências por conta do coronavírus

A empresa chegou a 100 milhões de assinantes fora dos EUA

Netflix anunciou na quinta-feira, 19, que vai reduzir a qualidade das transmissões de seus conteúdos na Europa, reduzindo o tráfego em suas redes em até 25% para preservar o bom funcionamento da internet durante a crise do coronavírus.

A decisão ocorreu após conversas entre o comissário da indústria da União Europeia, Thierry Breton, e o presidente executivo da Netflix, Reed Hastings. Na quarta-feira, 18, Breton havia pedido ao serviço de streaming que diminuísse a qualidade de seus vídeos para evitar a sobrecarga na internet.

“A Netflix decidiu começar a reduzir as taxas de bits em todos os nossos fluxos na Europa por 30 dias”, disse um porta-voz em comunicado ao site de tecnologia americano The Verge. “Estimamos que isso reduzirá o tráfego da Netflix nas redes europeias em cerca de 25%, além de garantir um serviço de boa qualidade para nossos membros”.

Segundo o The Verge, o serviço de streaming já utiliza uma ferramenta de adaptação que ajusta automaticamente a qualidade das produções com base na banda de internet disponível. 

Para garantir o acesso à plataforma, a Netflix vai determinar qual a melhor qualidade a ser exibida de acordo com a região, variando conforme a capacidade da internet local na Europa. Mesmo com velocidades mais altas, o serviço de streaming não deve disponibilizar o conteúdo em resoluções como HD (alta definição) ou 4K (ultra HD). 

Com quarentenas compulsórias em diversos países da Europa por conta do coronavírus, a Nielsen, consultoria de pesquisa e análise de mercado, estima que a permanência das pessoas em casa pode levar a um aumento de quase 60% no consumo de conteúdo de plataformas de streaming. 

Celulares da Nokia vão voltar ao mercado brasileiro, diz executivo da HMD Global

Presidente executivo da HMD Global, fabricante que usa a marca da finlandesa, afirmou que chegará em breve ao País em transmissão ao vivo
Por Bruno Capelas e Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

O novo Nokia 5310, relançado nesta manhã pela HMD Global: retrô

Uma das principais marcas de celular do mundo estará de volta ao Brasil em breve: a Nokia. Licenciada pela fabricante finlandesa HMD Global, a marca deve voltar em breve ao País, anunciou na manhã desta quinta-feira, 19, Florian Seiche, presidente executivo da HMD. Em transmissão pelo YouTube na qual divulgou os novos celulares da empresa, ele afirmou que “os celulares da Nokia chegarão em breve a uma loja no Brasil”. 

Ainda não há informações exatas de quando a marca estreará por aqui, nem quais modelos serão lançados no mercado brasileiro – e, com o avanço do coronavírus, é bastante possível que os planos iniciais da finlandesa possam ser postergados. Inicialmente, a previsão é de que os aparelhos fossem lançados no segundo trimestre de 2020. Eles chegarão ao mercado com ajuda da Multilaser, que emitiu nota nesta quinta-feira dizendo ser a parceira oficial da HMD no País. “Eles confiam em nosso conhecimento de mercado e nas relações comerciais bem estabelecidas para trazer as experiências dos celulares Nokia para o Brasil”, diz o comunicado. 

Criada por ex-funcionários da Nokia, a HMD Global é quem detém o uso da marca Nokia para celulares desde 2016. Antes disso, a marca esteve com a Microsoft, que adquiriu a divisão de celulares da Nokia em 2014 e a incorporou à sua – o principal destaque da empresa na época era a linha Lumia. A empresa não tem nenhuma outra relação com a tradicional companhia finlandesa, que hoje se dedica a fabricar infraestrutura para telecomunicações. Desde 2016, a HMD tem lançado aparelhos no mercado global que utilizam o sistema operacional Android, bem como edições retrô de designs icônicos da Nokia – incluindo o “celular do jogo da cobrinha” (Nokia 3310) e o “celular de flip” imortalizado pelo filme Matrix, de 1999 (Nokia 8110). 

Sobe o som

Nesta quinta-feira, 19, além de confirmar a chegada da empresa no Brasil, a HMD também divulgou que vai relançar o Nokia 5310, aparelho conhecido pela identidade XpressMusic – que tinha botões de reprodução nas laterais e um sistema próprio para apreciação de música. Lá fora, o aparelho vai chegar ao mercado por cerca de US$ 49. 

Originalmente lançado em 2007, o aparelho também traz um conector de bateria de 3,5mm, rádio FM embutido e pode funcionar como um MP3 Player se a memória for complementada com um cartão de memória – o modelo repaginado suporta até 32GB de espaço extra.

A tela tem 2,4 polegadas e o display é QVGA, com resolução de 320 x 240 pixels. O teclado é físico e o celular funciona com sistema operacional Nokia Series 30+, diferentemente de alguns outros modelos retrô relançados, que operam com a plataforma KaiOS. 

Para a HDM Global, que está produzindo o remake, o aparelho pode atrair pessoas interessadas em uma “desintoxicação digital”, por conta do grande uso dos smartphones no dia a dia. O celular, com detalhes em vermelho, estará disponível nas versões branca e preta e deve chegar ao mercado neste mês. 

Número de corridas caiu 70% nas grandes cidades impactadas pelo coronavírus, afirma Uber

CEO também confirmou que empresa tem até US$ 10 bilhões em caixa para lidar com os prejuízos gerados pela crise provocada pela pandemia
Por Pedro Strazza

A quantidade crescente de pessoas ficando em casa para não ajudar a disseminar o coronavírus obviamente segue mexendo com o mercado, em especial as companhias que tocam seus negócios nas ruas. É o caso do Uber, que nesta quinta-feira confirmou em reunião com acionistas uma queda abrupta de até 70% na quantidade de corridas feitas em grandes cidades atingidas pela pandemia.

A informação veio do próprio CEO Dara Khosrowshahi, que na conferência fez questão de salientar que ele acredita que a empresa está “bem posicionada” para lidar com os problemas decorrentes da crise, incluindo aí cenários apocalípticos de baixas de até 80% nas corridas para o resto do ano. A aposta parece estar na entrega de bens de consumo básicos e remédios do Uber Health, com o executivo comentando que o Uber já está em contato com o setor de saúde “e tem todos os processos” necessários para viabilizar o projeto.

Khosrowshahi também afirma que a companhia conta com um caixa abastado para lidar com os prejuízos recorrentes das próximas semanas, com US$ 10 bilhões à mão permitindo que a empresa funcione nos cenários mais pessimistas – o citado acima, por exemplo, ainda deixaria 4 bilhões de dólares intocados. “O mais importante a se saber agora é que nós estamos bem posicionados para navegar pela crise e emergir dela ainda mais fortes” disse o CEO no evento; “Nós temos ampla liquidez. Nós temos uma estrutura de custo variável alta, uma pegada global, múltiplas linhas de negócio que nos dão alguma diversidade e estudos de caso do quão rápido nossas empresas vão se recuperar após um choque deste tamanho. Tudo isso nos dá confiança”.

Enquanto as declarações do CEO fizeram as ações do Uber subirem 28% após a reunião, a empresa segue dedicada em ajustar o negócio à nova realidade. Além do Uber Eats se tornar o principal aplicativo da companhia, o serviço regular do Uber também já confirmou medidas de remuneração a motoristas que declararem licença médica durante a pandemia.

Ólafur Arnalds revela a história por trás da Stratus

Spitfire Audio visitou o compositor e produtor vencedor do BAFTA, Ólafur Arnalds, em seu estúdio em Reykjavik para descobrir a história por trás do Stratus. Siga a jornada deste projeto extraordinário, pois Ólafur explica a idéia por trás de sua criação, o desenvolvimento inicial com o inovador Halldór Eldjárn, bem como suas esperanças para o futuro.

Video Credits —
Production: Spitfire Audio
Artist: Ólafur Arnalds
Artist Liaison: Árni Þór Árnason
Additional Footage: Maximilian König and Georg Meyer

Coronavírus faz startup contratar e integrar funcionário a distância

Empresas estão selecionando novos funcionários pela internet; processo de integração inclui envio de computador para casa do contratado e ‘café’ por videoconferência com chefe

Escritório da Loft, em SP: café presencial foi substituído por videoconferência entre os funcionários

Já pensou em começar a trabalhar numa empresa nova sem nem sequer ter trocado um aperto de mão ou tomar um cafezinho com seu novo chefe? O hábito está se tornando o “novo normal” em uma série de startups brasileiras, que estão mantendo seu ritmo de contratação em meio à pandemia do novo coronavírus. Nos unicórnios (empresas avaliadas acima de US$ 1 bilhão) GympassLoft Wildlife, os novos funcionários estão sendo contratados remotamente e, para começar a trabalhar, recebem equipamentos e orientações em casa. Reunião com o chefe para saber o que fazer? Tudo por videoconferência – e muita ajuda do departamento de recursos humanos para encaixar as agendas. 

Com mais de 100 vagas em aberto no mundo, a Wildlife está usando ferramentas online para conseguir selecionar as pessoas. “Temos a meta de dobrar o tamanho do nosso time e não podemos parar”, diz Gonzalo Mones, chefe global de recrutamento da empresa. “Conseguimos, por exemplo, passar um desafio de programação a um candidato e ver em tempo real, pela internet, como ele o resolve.”. Depois de selecionado, o novo funcionário recebe apoio a partir de e-mails e do programa de videochamadas Zoom. “Não é o ideal, mas fazemos o possível para o funcionário se sentir em casa”, afirma o executivo. 

Na startup de compra, reforma e revenda de imóveis Loft, há a previsão de realizar 40 contratações até o final do mês – a empresa deve encerrar o trimestre com 550 funcionários. Nas últimas duas segundas-feiras, a companhia realizou dois processos de integração (onboarding, no jargão das startups) 100% virtual, com 37 novas pessoas. 

“Antes do funcionário começar, abrimos um grupo de WhatsApp para tirar dúvidas. Depois que eles são integrados, mudamos o grupo para o Slack”, afirma Ricardo Kauffman, líder de relações públicas da Loft, fazendo referência para o software de mensagens corporativas que tem se destacado em tempos de home office. Ao Estado, Kauffman afirma que o planejamento de contratação a partir de abril ainda está em aberto. A empresa também tem interrompido suas atividades de reforma em prédios que tem casos suspeitos de coronavírus e ampliou o horário de almoço das obras, para dar mais conforto aos “vizinhos que também estão fazendo home office”. 

Na Gympass, dona de um serviço de assinatura corporativo de academias, a única grande diferença é que os recém-chegados ainda estão buscando computador no escritório da empresa, na zona sul da capital paulista – mas o processo deve ser interrompido nos próximos dias, com as máquinas sendo enviadas à casa dos colaboradores. A empresa também faz sessões virtuais de integração. “A sessão presencial é cheia de situações e é mais gostosa de participar. A virtual não é tão interativa, mas a gente conta com a compreensão de todos”, diz Marcelo Festa, gerente de desenvolvimento e treinamento da startup. Na última segunda-feira, 16, 30 “novatos” participaram do processo de onboarding. 

A realidade é parecida com a de empresas que têm escritórios em várias cidades ou utilizam mão de obra localizada remotamente, prática comum no mercado de tecnologia. Mas adaptá-la de forma a atender todos os novos funcionários tem sido diferente. “Nós gostamos de fazer piada e tomar café, mas o maior desafio é conseguir passar a cultura da empresa”, diz Festa, do Gympass. 

Ritmo

Em outras empresas, no entanto, há uma divisão de prioridades, com recrutamentos seguindo seu ritmo normal e integrações sendo adiadas. É o que acontece na fintech Creditas, por exemplo: com 70 vagas abertas no Brasil, na Espanha e no México, a empresa está fazendo seleção remota para todos os candidatos e os aprovando, mas decidiu “adiar a entrada dos novos colaboradores por agora”, disse Juliana Gusmão, gerente de recrutamento da startup. 

A possibilidade de fazer uma pausa no ritmo de contratações também foi admitida por André Baldini, presidente executivo da Superlógica, startup campineira que acabou de receber um aporte de R$ 300 milhões do fundo americano Warburg Pincus. Com meta de quase dobrar sua equipe ao longo do ano, a empresa de software para condomínios residenciais pode ter que rever suas metas e processos de recrutamento, revelou o executivo ao Estado no início da semana. 

Segundo levantamento da startup de recrutamento Revelo, que tem mais de 3 mil clientes, incluindo marcas como Itaú e Ambev, o volume de agendamento de entrevistas está caindo cerca de 12% por conta do coronavírus, com muitas empresas adiando processos de contratação pela dificuldade de fazer a integração do funcionário. 

No setor de tecnologia, porém, a empresa espera um crescimento de 15% nas contratações de vagas em operações e tecnologia, que tem maior flexibilidade de trabalho remoto. “O que vemos é um movimento de preparação dos RHs para conduzir processos e os times estejam completos caso a situação do coronavírus se intensifique”, afirma Lucas Mendes, presidente executivo da Revelo. 

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99Food entrega kits de segurança e cria entrega a distância para evitar contágio

A empresa também criou um fundo que pode chegar a US$ 10 milhões para ajudar entregadores parceiros
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

99Food é o serviço de entrega de refeições da startup 99

A 99Food, plataforma de entrega de comida da Didi Chuxing, também dona da startup brasileira 99, anunciou nesta quinta-feira, 19, novas medidas para seus funcionários para evitar e prevenir o contágio do novo coronavírus. Entre as ações, estão a distribuição de kits de segurança para entregadores e a implementação da entrega a distância nos serviços de delivery.

A partir das próximas semanas, entregadores poderão retirar os kits de segurança, com itens como máscaras e álcool gel 70º, para higienização de mãos e instrumentos de trabalho, como as motocicletas. O álcool é uma das substâncias mais recomendadas pelo Ministério da Saúde na limpeza de superfícies para evitar a transmissão do vírus. Lacres de segurança para embalagens também estão sendo distribuídos aos restaurantes.

Além disso, a 99Food também está estabelecendo a modalidade de entrega à distância nos serviços de delivery. Para isso, o cliente deve pagar a compra pelo aplicativo e solicitar a opção da entrega sem contato pelo chat. Quando o entregador chegar, ele deixará a encomenda na porta do consumidor, após tocar a campainha ou o interfone. 

Assim como no serviço de transporte compartilhado, a DiDi Chuxing, dona das empresas 99 e 99Food, criou um fundo que pode chegar até US$ 10 milhões para apoiar entregadores parceiros afetados. Para os restaurantes, a empresa adotou a conduta de pagamentos semanais, para que os estabelecimentos tenham maior fluxo de caixa nesse período. 

A 99 não é a única empresa do seu setor a criar medidas para auxiliar os profissionais em meio ao coronavírus: Uber e iFood também já prometeram fundos de auxílio a quem estiver com sintomas ou for detectado com coronavírus. O iFood também já disse que vai disponibilizar um fundo de R$ 50 milhões para ajudar pequenos restaurantes e mudou políticas de pagamento aos estabelecimentos. 

Como o grupo dono da Louis Vuitton fez um desinfetante para as mãos em 72h

Empresa de marcas de luxo atendeu pedido do governo francês; toneladas produto serão doados para hospitais

Homem usa máscara ao lado de uma loja da Louis Vuitton
Homem usa máscara ao lado de uma loja da Louis Vuitton em Cannes, na França – Eric Gaillard/Reuters

LONDRES | FINANCIAL TIMES – Em um dia normal, a fábrica da LVMH, proprietária da marca Louis Vuitton, nos arredores de Orléans produz frascos de perfume de cores refinadas para sua marca Christian Dior: dourado para J’Adore, roxo intenso para Poison e rosa-bombom para Miss Dior.

Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira (16), porém, algo um pouco menos elegante saiu da linha de produção: as primeiras garrafas plásticas de desinfetante para as mãos, destinado ao uso por médicos e enfermeiros nos hospitais de Paris na linha de frente da batalha contra o coronavírus.

O projeto foi elaborado à velocidade da luz, apenas 72 horas depois que o governo francês emitiu um pedido à indústria, na sexta, para ajudar a suprir a falta de importantes suprimentos médicos à medida que a propagação do vírus se acelerava.

O projeto foi elaborado à velocidade da luz, apenas 72 horas depois que o governo francês emitiu um pedido à indústria, na sexta, para ajudar a suprir a falta de importantes suprimentos médicos à medida que a propagação do vírus se acelerava.

Ele mostrou como o bilionário Bernard Arnault, que transformou a LVMH em uma gigante do luxo e maior empresa da França, pode reunir recursos rapidamente e recorrer a redes de influência informais mas poderosas.

O magnata de 71 anos aprovou o esforço na noite de sábado, em uma breve mensagem de texto ao secretário-geral da LVMH, Marc-Antoine Jamet, que esteve em contato com autoridades e funcionários da saúde internamente durante todo o dia enquanto corriam para obter um lote de testes aprovado. Ela dizia simplesmente: “Excelente!!”

A LVMH está a caminho de doar até o final desta semana 12 toneladas de gel desinfetante para as mãos para os 39 hospitais do sistema de Paris conhecido como APHP. Também aumentará em breve a produção com duas linhas adicionais na fábrica da Givenchy em l’Oise e outra da marca Guerlain, perto de Chartres.

“A LVMH continuará honrando esse compromisso pelo tempo que for necessário”, afirmou a empresa em comunicado.

A medida ocorreu enquanto a França entrava em paralisação na segunda e os casos de coronavírus dobravam a cada 72 horas, com mais de 7.700 pessoas diagnosticadas e 175 mortas até a manhã de quarta. O presidente Emmanuel Macron declarou o país “em guerra”.

Como a LVMH, um amplo conglomerado com 76 empresas em seu portfólio, conseguiu fazer tudo isso tão rapidamente?

Uma razão é a determinação de Arnault. Falando sobre seu chefe, Jamet diz: “Ele o bombardeia com perguntas e depois sai pensando. É uma empresa familiar com um cara no topo que toma decisões muito rapidamente”.

Outro motivo é que a indústria cosmética é na verdade uma prima próxima da farmacêutica, e o equipamento fabril pode ser rapidamente aproveitado para outros fins. O gel desinfetante requer três ingredientes principais —água purificada, etanol e glicerina—, todos os quais a LVMH já possuía.

Além dos perfumes, as fábricas Dior, Givenchy e Guerlain também produzem sabonetes líquidos e cremes hidratantes para as marcas. Esses produtos são similares em viscosidade ao gel desinfetante para as mãos; portanto, a LVMH poderia usar suas máquinas de envase, vasilhames plásticos e dispensadores de pressão. Um tanque alto de metal na fábrica da Dior, geralmente usado para destilar perfume, pôde ser usado para misturar os ingredientes, e uma máquina para encher frascos de sabonete foi recrutada para a embalagem de gel.

A última coisa que ajudou a LVMH a agir rapidamente é que, em uma crise, a França acaba sendo um lugar bem pequeno. O clichê de que a elite empresarial e política se agrupa nos mesmos bairros de Paris, frequenta as mesmas escolas e reuniões sociais existe por uma razão.

“No sistema francês, todos nos conhecemos”, diz Martin Hirsch, médico e funcionário público de alta patente que administra o APHP. “Pode ser inconveniente em tempos normais, mas é ótimo em uma crise.”

Jamet, da LVMH, enviou uma mensagem de texto para Hirsch no último sábado, oferecendo ajuda para fazer gel. Os dois eram amigos há anos e se conheciam desde os tempos da École Nationale d’Administration –instituição de pós-graduação de elite. Hirsch foi imediatamente receptivo à ideia.

escassez de desinfetante para as mãos ainda não havia surgido nos hospitais que ele supervisionava, mas ele sabia que isso não duraria muito. “Não estávamos totalmente seguros com os estoques de gel e fornecedores que tínhamos, então estávamos realmente analisando se poderíamos fabricar sozinhos”, lembra ele.

Naquela noite, ele enviou seu consultor científico para o centro de pesquisa da LVMH para verificar se a receita seria aprovada pelos órgãos reguladores. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o uso do gel de álcool como alternativa quando não há água e sabão. Os reguladores franceses tinham emitido diretrizes, mas a receita da LVMH era um pouco diferente, por isso teve que ser testada quanto à eficácia e aprovada pelo Ministério da Saúde.

Mais uma vez, a rede da LVMH entrou em ação. Jamet conhecia o ministro da Saúde, Olivier Veran, desde quando os dois trabalharam juntos em um programa da indústria para parar de usar modelos de passarela com índice de massa corporal muito baixo. Ele ligou para seu escritório, e o ministério logo enviou alguém para testar os lotes.

Às 4h de segunda, os trabalhadores da fábrica de perfumes Dior estavam preparados. O diretor da fábrica, Nicolas Ambolet, supervisionava os funcionários quando a linha de produção começou a funcionar. “Toda a nossa equipe está muito orgulhosa de enfrentar o desafio juntos”, afirmou.

Outras empresas francesas também se ofereceram para ajudar, refletindo o que aconteceu na China e na Itália, atingidas pelo surto semanas antes. Na rede APHP, o banco BNP Paribas doou 500 mil máscaras para hospitais de Paris, enquanto a Renault emprestou 300 carros para uso médico.

A L’Oréal disse na quarta-feira (18) que também está reformulando as fábricas das marcas La Roche-Posay e Garnier para produzir milhões de unidades de desinfetante para mãos para casas de repouso e hospitais.

Mas a filantropia corporativa permanece rara em um país dominado pelo Estado, por isso às vezes tem efeito reverso quando os bilionários entram em ação. Arnault e François-Henri Pinault, proprietário da Kering, enfrentaram algumas críticas depois que se comprometeram a doar bilhões de dólares para ajudar na reconstrução da Catedral de Notre-Dame após o incêndio no ano passado.

Desta vez, a caridade da LVMH foi bem recebida. Na noite de terça-feira (17), Romain de Jorna, funcionário do Hospital Saint-Louis, em Paris, tuitou uma foto do frasco do desinfetante para as mãos LVMH: “Obrigado. O produto é magnífico em todos os sentidos da palavra!”

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves