O Poço | 5 HQs para ler após assistir ao novo suspense da Netflix

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Provocador, filme espanhol da Netflix tem temática parecida com HQs clássicas
GABRIEL AVILA

Após uma estreia discreta, o filme espanhol O Poço se tornou uma das produções mais comentadas lançadas pela Netflix em 2020. Dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, o suspense causou verdadeira fascinação no público graças à sua trama envolvente, carregada de comentários sociais repletos de simbolismo com pitadas de gore. Abaixo listamos 5 HQs para aqueles que procuram leituras com temática similar ao do longa:

O PERFURANEVE

Capa brasileira de O Perfuraneve
Divulgação/Editora Aleph

O Poço acompanha Goreng (Ivan Massagué), um homem que está confinado na prisão vertical que dá nome ao filme. O local tem uma curiosa mecânica baseada em uma farta mesa de alimentos que desce diariamente, andar por andar, alimentando seus detentos. Não é preciso muito tempo no local para que Goreng descubra que a prática cria uma enorme disparidade, já que os andares de cima se refestelam em um banquete, deixando menos que migalhas para os que estão abaixo. Esta premissa é muito similar à de O Perfuraneve, clássico quadrinho francês que narra uma distopia em que o mundo foi tomado por uma terrível Era do Gelo que obriga o que restou da humanidade se abrigar no trem Perfuraneve. Com mais de mil vagões, o veículo é dividido em três comboios separados que separam grupos de pessoas por sua classe, reservando os primeiros para os ricos, que levam uma vida confortável e luxuosa, enquanto os últimos abrigam um número incontável de pessoas sem condições básicas para a sobrevivência. O protagonista é Proloff, ocupante dos vagões do fundo, que é pego pelas autoridades enquanto tentava embarcar em uma acomodação mais privilegiada.

Assim como O Poço imagina um futuro fantasioso para falar sobre a sociedade atual, O Perfuraneve usa a distopia para tratar a capacidade humana de prejudicar a si mesma. Descrito por seu roteirista Jacques Lob como “uma narrativa dura, amarga e sufocante”, a história tece comentários sobre como o egoísmo e a indiferença podem ter resultados catastróficos.

O Perfuraneve foi publicado no Brasil pela Editora Aleph.

BATMAN: ASILO ARKHAM – UMA SÉRIA CASA EM UM SÉRIO MUNDO

Capa brasileira de Batman: Asilo Arkham
Divulgação/Panini

Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo acompanha uma visita do Batman ao famoso hospital psiquiátrico para conter uma rebelião liderada pelo Coringa que, auxiliado por outros inimigos do Homem-Morcego, tomou conta da instalação fazendo os funcionários de refém. Em troca das vítimas, o Palhaço do Crime exige apenas que o herói faça um tour pelo local, tarefa que inicialmente parece simples, mas esconde um grande jogo mental que faz com que o Cavaleiro das Trevas duvide de sua própria sanidade.

Ao contrário de Goreng, que entra no Poço por livre e espontânea vontade, o Batman vai ao Arkham para garantir a segurança dos funcionários. Mesmo que com motivações distintas, a dupla lida com conflitos similares, já que uma vez dentro do cárcere, ambos são confrontados com suas próprias noções de moralidade e sanidade. Além do afiado roteiro de Grant Morrison, que reflete sobre a figura do Homem-Morcego e coloca em cheque toda a sua rigidez, o quadrinho cria uma sensação claustrofóbica graças à surreal arte de Dave McKean, que dá vida a uma versão distorcida e desesperadora do Asilo e seus ocupantes.

As edições mais recentes de Asilo Arkham foram publicadas no Brasil pelas editoras Panini e Eaglemoss.

CAPA PRETA

Capa da HQ Capa Preta
Divulgação/Comix Zone

O principal atrativo de O Poço é seu conceito de usar símbolos para propor reflexões que não entregam respostas fáceis. Por vezes pessimista, a produção espanhola pontualmente mergulha em situações indigestas para, não só levar sua trama adiante, mas também fazer comentários nada otimistas sobre a sociedade. Esses traços podem ser encontrados em Capa Preta, antologia que reúne os premiados primeiros quadrinhos de Lourenço Mutarelli.

O livro compila TransubstanciaçãoDesgraçadosEu Te Amo Lucimar A Confluência da Forquilha, histórias criadas em um momento de grande pesar enfrentado pelo quadrinista por conta de uma crise depressiva causada por uma pegadinha que foi longe demais. Refletindo toda a melancolia e angústia de seu autor, as histórias reúnem personagens atípicos em histórias com tom bizarro que discutem temas como família, religiosidade, arte e desejo em tramas que equilibram desespero e poesia na mesma medida.

Capa Preta foi publicado pela Comix Zone em 2019. Vale lembrar que durante a epidemia do coronavírus, a editora disponibilizou gratuitamente Transubstanciação como parte da campanha para que as pessoas fiquem em casa.

THE WALKING DEAD

Capa brasileira do primeiro volume de The Walking Dead
Divulgação/Panini

O Poço tem como ponto de partida o despertar de Goreng em um ambiente novo e hostil, que o faz repensar questões morais e seu papel neste cenário desolador. O mesmo acontece com Rick Grimes, protagonista de The Walking Dead que, após acordar de um coma, se depara com um mundo dominado por zumbis. As similaridades entre os dois vão além, já que para sobreviver em uma realidade completamente nova, ambos precisam lidar com os piores aspectos da natureza humana.

Se O Poço usa a prisão e suas curiosas mecânicas como plano de fundo para propor uma reflexão sobre a essência da humanidade, The Walking Dead faz o mesmo através do apocalipse zumbi. Ao longo de sua jornada, Rick faz aliados e inimigos que ensinam duras lições sobre como condições adversas podem mudar as pessoas, chegando a transformá-las em assassinos sádicos. Mais do que combater mortos-vivos, o xerife tem como missão restabelecer a sociedade e para precisa lidar com a selvageria ao seu redor, geralmente causada não pelas criaturas, mas pelos próprios vivos.

Atualmente em publicação, The Walking Dead é lançado no Brasil pela Panini.

DEMOLIDOR: O DEMÔNIO DO PAVILHÃO D

Capa brasileira de Demolidor: O Demônio do Pavilhão D
Divulgação/Panini

A prisão foi cenário para uma das mais famosas histórias do Demolidor. Após ter sua idade revelada nos jornais, Matt Murdock passou meses tentando evitar ligação entre sua identidade civil e heróica, até que provas aparecerem e o jogam na cadeia. Se por um lado o herói ficou detido em uma penitenciária comum, distante da futurista mecânica do Poço, lá ele precisou (literalmente) lutar para sobreviver enquanto coloca em cheque suas convicções.

Em O Poço, Goreng inicialmente se recusa a fazer parte desse ciclo até se tornar uma questão de sobrevivência. Já Matt Murdock tenta ao máximo não entrar no jogo daqueles que querem sua cabeça, até ver alguém que ele ama pagar o preço. Encarcerado com inimigos e aliados inesperados, o advogado constantemente se vê conversando com antigos rivais e até alucinações sobre o caminho a tomar, sabendo que sua capacidade de sair vivo diminui a cada segundo.

Demolidor: O Demônio do Pavilhão D foi publicado no Brasil pela Panini.

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