As possíveis fontes de vitamina D durante o isolamento social

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Ossos, músculos e imunidade fortalecidos são alguns dos benefícios da vitamina D – especialmente importantes para as mulheres 50+
POR OLGA PENTEADO

O sol é a principal fonte de vitamina D, sintetizada na pele pela radiação UVB | Foto: Foto: Ivan Erick / Acervo Vogue Brasil

Mesmo em um país tropical como o nosso, a carência de vitamina D, fabricada pelo nosso organismo a partir da radiação solar, se tornou um problema. “Sua falta pode ser considerada epidêmica em populações específicas, como idosos, gestantes, pacientes com osteoporose e doentes crônicos. Nestes casos, as taxas de insuficiência e deficiência variam de 20 a 70%”, afirma Victória Borba, endocrinologista de Curitiba e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Isso é uma questão porque a vitamina D é vital para a formação da saúde óssea, uma vez que favorece a absorção do cálcio. “Portanto, ela é muito importante para as mulheres no climatério e na menopausa, fases de maior risco para a osteoporose”, explica Silvia Lagrotta, geriatra e gerontóloga do Rio de Janeiro, fundadora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Mas não é só isso. Além de ser fundamental para a absorção de cálcio e outros minerais, a vitamina D tem ainda outros benefícios, entre eles, papel ativo na modulação do sistema imunológico, auxiliando na regulação das células de defesa. E manter a imunidade em dia é mais do que desejável quando nos deparamos como uma pandemia de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

O sol é a principal fonte de vitamina D. “Cerca de 90% desta vitamina é sintetizada na pele humana pela radiação UVB”, afirma Silvia. Ela também é encontrada nos alimentos, mas em menor concentração. Neles, as fontes principais são os peixes gordurosos como salmão selvagem, atum, sardinha e também o óleo de fígado de bacalhau, além dos alimentos suplementados. “Mesmo assim, o consumo alimentar não é suficiente para manter seus níveis adequados”, reforça Victória. Temos capacidade de armazená-la no fígado e na camada de gordura, mas esses estoques precisam ser constantemente renovados com a exposição solar adequada e habitual. “Basta caminhar ao ar livre por 15, 20 minutos com os braços expostos”.

Isso numa situação normalizada, claro. Mas como sintetizar a vitamina D respeitando o isolamento social solicitados pelas autoridades? Uma parte dos médicos recomenda pequenas exposições no jardim da residência, na varanda ou simplesmente na janela do apartamento. “Nesses tempos, em que a exposição solar fica bastante prejudicada, podemos utilizar alguns artifícios para potencializar a produção, como a exposição solar naquele momento que geralmente desaconselhamos em situações normais, a partir das 10 horas da manhã até as 15 horas, porém em curta exposição, de 15 a 20 minutos”, diz a médica paulistana Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Lifestyle Medicine.

Mas essa não é uma indicação unânime. A Sociedade Brasileira de Dermatologia, preocupada com a incidência crescente de câncer de pele no Brasil, não alterou a sua posição. “Não indicamos a exposição intencional — aquela em que a pessoa vai para o sol para produzir vitamina D — nem mesmo agora, durante o isolamento social. Essa exposição não controlada representa riscos”, afirma Hélio Miot, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e professor-assistente na Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Botucatu (SP). Mas não há, segundo o porta-voz da SBD, contraindicação para exposição habitual — que hoje pode ser traduzida em brincar com as crianças ou o cachorro no quintal ou na varanda. “Mesmo com fotoproteção e em horário de sol mais suave, é o suficiente para a produção de vitamina D em níveis adequados”, pontua o médico.

Como não há consenso na comunidade científica sobre a exposição solar, o melhor a fazer é  entrar em contato com seu médico — por telefone ou outra mídia — para, em conjunto, definirem o caminho mais adequado para você. Já em relação à suplementação, principalmente para grupos de risco, os médicos são unânimes em recomendá-la caso haja carência apontada em exames. Mas vale lembrar: não use o suplemento por conta própria, porque vitamina D em excesso também pode prejudicar a saúde.

Outra recomendação é manter a atividade física em casa. “O isolamento social pode levar ao sedentarismo, à perda de massa magra e à redução de deposito de cálcio nos ossos, maximizando o risco de pessoas com osteoporose. É importante ter uma atividade ainda que pequena nesse período, além de uma alimentação regrada e com boas fontes de vitamina D”, diz Hélio. Assim, quando tudo isso passar, você estará firme e forte para voltar à rotina normal.

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