Príncipe Harry e Meghan distribuem refeições em Los Angeles

Casal, que se mudou para a Califórnia no mês passado, foi voluntário no Project Angel Food no último domingo

O príncipe Harry e sua mulher, Meghan Markle Foto: Michele Spatari/AFP

LOS ANGELES – O príncipe Harry, da Grã-Bretanha, e sua esposa Meghan distribuíram refeições para pessoas doentes em Los Angeles, em sua primeira atividade pública desde que se mudaram para a Califórnia, no início do bloqueio de coronavírus no estado americano. 

O casal, que deixou formalmente o cargo de membro sênior da família real britânica, foi voluntário no Project Angel Food no último domingo, entregando comida nas casas dos necessitados. 

“Eles estavam aqui no domingo de Páscoa e depois nos surpreenderam na quarta-feira”, disse a gerente de comunicações Anne-Marie Williams. 

“Eles entregaram a 20 de nossos clientes e alegraram seus mundos”. 

Um comunicado da organização sem fins lucrativos indicou que o casal “continuou silenciosamente entregando refeições para aliviar nossos motoristas sobrecarregados de trabalho”, que enfrentam um aumento na carga de trabalho desde o início do bloqueio do coronavírus no mês passado. 

O casal se mudou para a Califórnia no mês passado, depois de anunciar em janeiro que pretendia deixar a vida real e “trabalhar para se tornar financeiramente independente”. 

Eles não revelaram onde estão morando, mas há relatos que estariam vivendo em Malibu

Na semana passada foi divulgado que eles planejam lançar uma organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos chamada Archewell. 

A instituição incluirá grupos de apoio emocional, um centro educacional multimídia e um site sobre bem-estar. 

Em entrevista ao Daily Telegraph disseram que queriam “fazer algo significativo, fazer algo importante”, mas atrasaram a divulgação de todos os detalhes por causa da pandemia de coronavírus e farão um anúncio “quando for a hora certa”. 

A organização sem fins lucrativos Project Angel Food, de Los Angeles, que entrega alimentos sob medida médica para pessoas com doenças crônicas, parece ser a primeira instituição de caridade apoiada publicamente pelo casal desde sua mudança. /AFP

“Lixo é uma falha de design”

Stella McCartney e Gabriela Hearst falam sobre sustentabilidade na segunda sessão do Vogue Global Conversations
STEFF YOTKA
VOGUE INTERNACIONAL

Stella McCartney, Gabriela Hearst e Eugenia de la Torriente, diretora da Vogue Espanha (Foto: Reprodução)

“De repente sustentabilidade virou uma palavra muito, muito usada”, disse Stella McCartney no painel que contou também com a participação da estilista Gabriela Hearst e a moderação da diretora de conteúdo da Vogue espanhola, Eugenia de la Torriente. As designers falaram sobre somo continuam eco-conscientes durante a pandemia de coronavírus.

“Sustentabilidade é um estado de espírito. É sobre equilíbrio. Para mim, o mais importante é usar o que a mãe natureza dá de maneira consciente, para que ela não seja esvaziada”, concluiu Stella.

Gabriela concorda. “Sustentabilidade é uma prática que, como qualquer outra, pode ser desafiadora no começo, mas alcançável. E aí, uma vez que você consegue atingir seu objetivo, é hora de crescer e ir para um próximo estágio.”

Em mais de meia hora de conversa, as designers dividiram detalhes de seus hábitos sustentáveis e debateram como a indústria pode ser mais eco-friendly. “Pessoas que não pensavam como nós estão começando a enxergar o outro lado. Isso me dá esperança. Espero que não exista uma volta atrás e que outras pessoas consigam ver o que já vemos”, disse Stella.

Alguns dos pontos mais importantes da discussão:

1. Ser sustentável leva tempo
Fazer produtos com consciência ambiental leva tempo – algo que o mercado precisa entender. “Na Stella McCartney, mais de 60% de tudo que fazemos é sustentável porque investigamos as matérias primas que usamos e porque trabalhamos com antecedência”, diz Stella. “Uso com as mesmas fábricas que muitas das outras marcas de luxo, mas faço com antecedência para usar os insumos com eficiência.”

Gabriela conta que achar métodos alternativos também não é um processo simples. “Temos um objetivo: até 2021 quero que ao menos 80% dos nossos produtos seja feito com materiais não-virgens.” No segundo semestre, ela lança “A jornada da peca”, um QR code incluído no tag das roupas que contam em detalhes como os itens foram feitos.

“Espero que as pessoas entendam e respeitem o fato de que,  quando se quer o melhor, isso leva tempo”, reforça Stella.

2. Lixo é falha de design
“Sustentabilidade é aprender como trabalhar com limitações – o que para mim é maravilhoso para a criatividade”, conta Gabriela. “Como Stella disse, não vivemos num ambiente com recursos infinitos. Temos que equilibrar produção e consumo… O lixo é uma falha de design. Isso não existe na natureza.”

“Temos que parar para pensar no descarte, que está fora de controle”, reiterou Stella, apontando para o fato que em fevereiro, na China, por causa do lockdown, as emissões de carbono reduziram em 25%. “Vimos, num curto espaço de tempo, o quão incrível a natureza é, como ela se regenera rápido quando paramos por um pouquinho. Será que ela vai se curar por completo? Acho que a gente consegue. Temos que sair dessa com esperança e realizar que consumimos além da conta.”

As duas dizem que usam tecidos upcycled e sustentáveis para reduzir o lixo. “Na Stella McCartney, também não usamos nenhum material animal, o que tem um impacto gigantesco na nossa pegada ambiental. Talvez, o lado positivo desse momento seja a consciência, mais atenção, ritmo menos acelerado”, espera Stella.

3. Sustentabilidade é qualidade acima de quantidade
“Não é só porque o produto é sustentável que vai fazer com que as pessoas o comprem. Elas querem adquirir algo bem desenhado, bonito”, diz Gabriela.

E ela continua a explicar que ter crescido em um rancho no Uruguai a ensinou que qualidade e sustentabilidade estão relacionados. “Isso vem de uma perspectiva utilitária. É necessário construir produtos que durem.  Sempre vivemos com pouco, mas esse pouco era tão bem feito que durava por anos. Aprendi a fazer meu business crescer com qualidade em vez de quantidade”, conta. É importante lembrar que Gabriela optou por não vender suas famosas bolsas por atacado porque isso significaria dobrar o tamanho do seu negócio e dos recursos usados na fabricação das bolsas.

“Podemos ter produtos maravilhosos, desejáveis e bem feitos, como a Gabriela disse, mas agora é um momento que precisamos ser eficientes e pensarmos com respeito sobre como voltar à normalidade de um novo jeito”, lembra Stella.

O futuro do e-commerce: o talk entre Virgil Abloh, Stephanie Phair e Remo Ruffini

Os highlights da conversa no painel do Vogue Global Conversations
STEFF YOTKA
VOGUE INTERNACIONAL

Stephanie Phair, Virgil Abloh, Remo Ruffini e Angelica Cheung (Foto: Reprodução)

Durante as Vogue Global Conversations de hoje, Angelica Cheung (diretora da Vogue China), recebeu Virgil Abloh (da Off-White e da Louis Vuitton Homme), Stephanie Phair (da Farfetch e do British Fashion Council) e Remo Ruffini (da Moncler) para uma conversa sobre o futuro do e-commerce.

Pode até parecer que comércio digital é imune a toda esta agitação que a pandemia da Covid-19 provocou, mas os três participantes desse talk olham para este momento como uma oportunidade para redefinir e repensar as estratégias de negócio, concordando que o conceito mais central para o sucesso do e-commerce é colocar em primeiro lugar o consumidor.

“Este período serve como uma pausa para repensar e reavaliar qual é o significado da moda,” começou Abloh.

“É muito difícil prever o futuro, mas acredito que crises como estas são bons catalisadores para acelerar certas tendências que estavam aí”, continuou Phair. “Acho que vamos ver algumas tendências que vão acabar por se cimentar, por exemplo, o grande foco na sustentabilidade, no consumidor e no comprar melhor e com qualidade. […] As pessoas vão virar-se mais para os negócios e vão apoiar empresas que têm um objetivo.”

Aqui estão os destaques de uma conversa abrangente e muito informativa.

A COMUNICAÇÃO COM OS CLIENTES É FUNDAMENTAL
Logo no início desta conversa, Ruffini, Abloh e Phair afirmaram que o diálogo com os clientes é a parte mais importante do comércio digital. “Precisamos estudar uma nova maneira de estar mais perto do nosso cliente e precisamos, com toda a certeza, mudar o tom da nossa comunicação”, começou por dizer Remo Ruffini. “Isto é muito, muito importante.”

“Penso que estamos agora numa posição em que nós podemos reinventar e ouvir mais o consumidor e só depois responder”, afirmou Abloh, usando o termo “indústria de serviços” para apontar que muitas empresas, incluindo a Louis Vuitton, reaproveitaram as suas fábricas para produzir equipamento de proteção individual para todos aqueles que estão na linha da frente do combate ao novo coronavírus. “É fundamental que nós, enquanto designers, instituições e marcas, possamos conetar com a voz das pessoas”, continuou. “Isso significa que o que conhecemos tradicionalmente como uma imagem de moda ou uma imagem do mercado, pode ficar mais sincero. Acho que pode refletir o público e a humanidade de uma maneira mais transparente, em vez de uma ideia projetada do que é uma imagem de moda, de marketing ou de campanha.”

Além das redes sociais, Abloh afirmou que existe uma outra maneira de desenvolver o diálogo com os clientes, que é trazer vozes mais jovens para as marcas. O estúdio de Abloh na Louis Vuitton, em Paris, é, por exemplo, formado por jovens talentos, alguns deles nunca haviam sequer trabalhado na indústria da moda. “A diversidade não é uma técnica de marketing no novo mundo; na verdade, traz novas vozes para cima da mesa e permite que elas floresçam”, afirmou.

Phair, que está monitorizando o efeito do e-commerce na Farfetch afirmou que os consumidores têm o poder de fazer a diferença, mas eles podem ser apoiados por grandes corporações. “Acho que a mudança vai ser liderada pelo consumidor – é sempre -, mas a indústria tem a oportunidade e, francamente, a responsabilidade, na verdade, de fazer o que está certo e mudar algumas dessas questões sistemáticas que existem há muito tempo.” Por isso, Phair argumentou, ouvir os consumidores é crucial para o sucesso de qualquer negócio.

Phair confirmou esse fato. “Para mim, ficar atenta ao meu cliente é uma das coisas mais importantes. Todo o feedback que eles possam dar é muito importante.”

AS NOVAS TECNOLOGIAS OFERECEM NOVAS OPORTUNIDADES
Cheung disse que, na China, as marcas e influencers encontraram novas maneiras de fazer compras, através do FaceTime ou do WeChat com streamings onde os compradores podem adquirir os produtos diretamente das celebridades. Recentemente, a diretora da Vogue China explicou que um livestream teve 38 milhões de espetadores e gerou mais de 100 milhões de dólares em vendas – incluindo a venda de um foguetão no valor de 6 milhões de dólares.

“O direct-to-consumer não é apenas transacional. É o que o Virgil e o Remo estavam a dizer: é sobre conversar com o consumidor”, começou por dizer Phair. “Acho que as marcas podem adotar estas novas tecnologias mas fazê-lo à sua própria maneira. […] Tem que estar onde teu consumidor está. Não podemos controlar os meios, mas podemos envolver-nos com eles.”

“É aqui que tecnologia entra”, continuou Phair. “Acho que há desenvolvimentos enormes na tecnologia que te ajudam a sentir a roupa online.” Mas Phair adverte contra o pensamento do e-commerce e do comércio físico serem experiências ou estratégias diferentes. “Não vai ser um ou outro. Acho que estamos indo em direção a uma união, ainda mais próxima entre o online e o offline, onde o cliente vai estar no centro e vai poder experimentar a Moda nestes dois ambientes.”

Phair idealizou um cenário no futuro onde um cliente pode entrar numa loja para experimentar uma peça e depois conclui a compra mais tarde através do digital, criando uma abordagem mais omnipresente para as marcas e lojas. Acrescentando ainda: “Acho que as marcas vão querer controlar os seus produtos. Acho que as marcas vão querer afastar de algo que não é controlado e apoiar-se em modelos de concessão onde podem controlar o seu produto, quer a nível online quer offline, e consequentemente investir no seu próprio comércio online. Mas como em tudo, isto é tudo uma questão de equilíbrio.” Ruffini ecoou esse pensamento, enfatizando ainda a importância de uma experiência personalizada para os clientes.

“Precisamos mostrar a nossa resiliência”, acrescentou Abloh. “Este é o momento de provar que a nossa indústria é valiosa. Nem por um segundo penso em cancelar ou fazer uma pausa do calendário. […] Tudo o que está ao encargo vai continuar. Quero encontrar novas maneiras de trabalhar mais e com mais eficiência. Comecei uma outra coleção enquanto desenvolvia uma  para apresentar em junho, porque tenho mais tempo.”

Para este argumento de Abloh, Phair acrescentou: “Não se trata apenas de vender, mas sim de criar contato humano. Se existe indústria capaz de se adaptar, acho que é a indústria da moda, porque somos uma indústria de contadores de histórias.”

COLABORAR É ESSENCIAL
A época em que as marcas existiam separadas da comunidade já era. “Acho que chegou a hora da indústria ter mais colaborações”, afirmou Abloh, explicando que o sistema das semanas de moda com um desfile por hora cria uma competição entre designers e marcas, tudo pela atenção. “Se a nossa indústria realmente estiver evoluindo e não se posicionar como uma indústria de vaidades, mas sim como uma profissão humanitária… Devíamos ter uma colaboração mais formalizada: estas conversas, onde designers conversam com outros designers, onde designers conversam com outras empresas, são para dividir recursos.”

O grupo falou sobre o potencial de partilhar recursos e da colaboração entre empresas, com Phair apontando que alguns membros do British Fashion Council já estão trabalhando dessa maneira. 

AS GRANDES EMPRESAS PRECISAM APOIAR A NOVA GERAÇÃO
Uma das perguntas-chave feita pela audiência do Zoom foi sobre como é que as empresas pequenas podem sobreviver a este período. “As grandes marcas têm a responsabilidade de criar um ecossistema para que possam retribuir as empresas pequenas, para que a diversidade na indústria se mantenha”, afirmou Phair.

“Acho que as novas marcas injetam muita energia ao mercado e também às empresas que já estão estabelecidas no mercado”, acrescentou Ruffini. “Para nós, é muito importante entender o que está acontecendo. A cada nova estação, tento procurar novos designers, principalmente empresas e pessoas que acabaram de começar: novas ideias, novas energias, tudo novo.”

“Penso que, para o Remo, […] as empresas pequenas são o tecido da indústria”, acrescentou Phair.

35 arquitetos e designers enviam mensagens de vídeo para lançar o Virtual Design Festival | Dezeen

Virtual Design Festival foi lançado com um vídeo com mensagens auto-gravadas de 35 arquitetos, designers e artistas de todo o mundo, incluindo Stefano Giovannoni, Es Devlin, Ini Archibong, Ben van Berkel e Bec Brittain.

Cada colaborador entrega uma mensagem de vídeo ao mundo, explicando como estão se saindo durante o bloqueio e oferecendo seus pensamentos sobre a pandemia de coronavírus.

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos

Mais do que uma casa, o lar da empresária afro-americana retratada em Self Made, próxima série da Netflix, foi um símbolo de empoderamento e local de encontro para negros e negras no início do século XX
POR AD JUNIOR | FOTOS GETTY IMAGES E REPRODUÇÃO/SAVING PLACES

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Saving Places)

Madam C. J. Walker nasceu em 1867 como Sarah Breedlove, no estado da Lousiana, e foi a primeira nascida em sua família livre da escravidão. Seus pais e irmãos mais velhos foram escravizados em uma plantação de algodão. Órfã aos 7 anos, ela teve apenas 3 meses de educação formal. A pergunta é: nessas condições, como esta mulher conseguiu ser a primeira negra milionária dos Estados Unidos?

CIRCA 1914:  Madam C.J. Walker (Sarah Breedlove) the first female self made millionaire in the world poses for a portrait circa 1914. (Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images) (Foto: Getty Images)
Madam C.J. Walker (Sarah Breedlove) (Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images)

Sarah sofria de um problema muito comum às mulheres negras da época: os produtos capilares eram muito agressivos e causavam sérias quedas em seus cabelos. Nesse contexto, ela criou uma linha de comésticos para mulheres afro-americanas e obteve um enorme sucesso. Em 1910, nascia a Madam C. J. Walker Manufacturing Company. 

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos (Foto: Getty Images)
Madam C. J. Walker dirigindo um carro (Foto: Getty Images)

Com os lucros extraídos do negócio, ela fez doações a instituições ligadas a artes e construiu a Villa Lewaro, uma luxuosa mansão em Irvington, norte de Nova York, que existe até hoje. 

Sobre a casa
A mansão de C. J. Walker é uma construção de aproximadamente 1900 m². Com 34 quartos, a Villa Lewaro foi idealizada por Vertner Tandy, o primeiro arquiteto negro a ser registrado nos EUA. A majestosidade do seu exterior é tão grande quanto o propósito abrigado em seu interior.

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos (Foto: Wikipedia Commons)

Durante o período que esteve sob o comando de C. J. Walker, Villa Lewaro era um importante ponto de encontro entre pensadores e líderes negros para discutir questões ligadas a raça: o sociólogo Web Dubois e o poeta Langston Hughes foram alguns dos visitantes a passar pela residência.

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Saving Places)

C. J. Walker abria com frequência sua mansão para mulheres negras a fim de empoderá-las. A ideia dela era inspirar as visitantes e passar o recado de que elas também tinham forças e condições para criar um espaço como aquele. Ou viver uma vida como a dela.

A mansão de Madam C. J. Walker, a primeira negra milionária dos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Saving Places)

Após sua morte em 1919, a propriedade teve outros donos, mas manteve a decoração original preservada. Além de sua própria filha (A’Lelia Walker), a casa pertenceu a Harold Doley (fundador da Doley Securities, banco de investimentos cuja a operação era afro-americana), já foi patrimôno da United Negro College Fund e atualmente pertence a New Voices Foundation.

História de série
A vida de C. J. Walker será contada em um seriado de oito episódios na Netflix. Chamado de “Self made: inspired by the life of Madam C. J. Walker”, a produção será estrelada pela atriz Octavia Spencer. O roteiro será baseado na biografia da milionária, On Her Own Ground: The Life and Times of Madam CJ Walker, escrita por sua tataraneta, a jornalista A’Lelia Bundles. A série fez sua estreia na última sexta-feira (20/03). Confira o trailer: 

Lojas começam a se preparar para reabrir pós-pandemia nos Estados Unidos

A Saks Fifth Avenue dá uma prévia do que pode ser o futuro do varejo nos Estados Unidos

A Saks Fifth Avenue fechada durante a pandemia de coronavírus em Nova York (Foto: Getty Images)

Com Nova York começando o que parece ser o achatamento de sua curva de mortes por coronavírus e os novos números de contágio começando a diminuir, Andrew Cuomo, começa a pensar num futuro sem menos restrições: segundo o governador da Big Apple, elas devem ser retiradas gradativamente, mas a economia só deve retomar seu ritmo em 18 meses.

“O pior já passou se continuarmos a ser espertos”, declarou Cuomo, na última segunda-feira (13.04). O governador, porém, fez questão de alertar a todos que nada pode ser feito de forma apressada, ou um novo pico pode acontecer. Restartar a economia de forma prematura pode, segundo ele, ter efeitos desastrosos.

De toda forma, muitos negócios já começam a se preparar para o processo de reabertura de suas lojas – não apenas em Nova York como em diversos outros estados nortemaericanos. Mas como isso deve acontecer? A loja de departamentos de luxo Saks Fifth Avenue já está traçando sua estratégia, criando uma série de medidas medidas de segurança e higiene para o “novo normal”, como definem os tempos pós-coronavírus, para que seus clientes possam se sentir seguros de voltar às compras.

A rede, que como diversas outras lojas norte-americanas fechou suas portas em 18.03, agora anuncia que deve reabrir as portas de alguns de seus endereços com horários limitados em 01.06.

Entre as medidas para que isso aconteça está o uso de máscaras estilizadas pretas por seus vendedores, que distribuirão pequenos tubos de álcool em gel para as mãos entre os frequentadores da loja. “Não queremos nada que pareça médico ou assustador”, disse Marc Metrick, presidente da Saks, ao New York Post. “Máscaras podem se tornar os novos acessórios de iPhone. Há uma chance de que elas se tornem o novo acessório da vez.” Os vendedores, por sua vez, terão sua temperatura medida diariamente por termômetros e comunicar os resultados a todos os seus clientes.

Outra medida? A faxina e higienização do ambiente acontecerão durante seu horário comercial, na frente dos clientes – e não após o fechamento das lojas, como de costume. Isso inclui a limpeza de maçanetas e assentos antes que um cliente entre em uma cabine de prova de roupas, por exemplo.

Ainda entre os planos para um ambiente sem perigo de contágio estão ainda o pagamento exclusivo por cartão de crédito sem contato, amostras descartáveis de cosméticos e a ampliação de serviços feitos via internet. A ideia é usar aplicativos como Zoom para ligar personal stylists à clientes em suas casas, que podem então ver o que chegou nas araras de grifes como Gucci, Dior ou Chanel.

“Não podemos fingir que está tudo normal”, disse Metrick. “Não acho que as pessoas vão estar a dois metros umas das outras em 18 meses, mas haverá um interim em que elas vão sim querer um senso de segurança sobre como estamos nos precavendo para protegê-las”, afirmou. “No ‘novo normal’, podemos evitar até que você precise vir até a loja. Acho que alguns clientes gostariam disso.” Para clientes vips, uma vantagem: haverá a possibilidade de marcar visitas à loja antes ou após seu fechamento, evitando assim o fluxo de pessoas nos endereços. 

O que ainda não foi resolvido? Como lidar com roupas que já foram experimentadas e pincéis de vendedoras do setor de maquiagem: “Amostras reutilizáveis serão eliminadas, e precisamos repensar também como usamos pincéis e outras ferramentas de aplicação de maquiagem”, disse Metrick.

Para Gabriella Santaniello, consultora de varejo, os maquiadores da rede precisarão passar por um novo treinamento, seguindo novas regras de higiene. Para ela, a tendência será o uso de amostras de cosméticos de uso único e ferramentas de maquiagem virtual.

Na Itália, maior foco da epidemia de coronavírus, e Áustria, as leis de quarentena começaram a ser afrouxadas: lojas de jardinagem e bricolagem, por exemplo, já reabriram suas portas, seguindo regras rígidas de distanciamento social e uso obrigatório de máscaras.

Além disso, na Itália, onde 20 mil pessoas morreram por conta da pandemia de coronavírus, um número limitado de lojas e negócios foi autorizado a reabrir – embora as regiões mais atingidas ainda estejam em lockdown, como a Lombardia.

Após cinco semanas de quarentena, livrarias, papelarias e lojas de roupas infantis puderam abrir suas lojas. Elas também devem seguir as diretrizes de higiene para proteger seus clientes.

Na Áustria, a partir de ontem (14.04), lojas com menos de 400 metros quadrados também já foram autorizadas a abrir suas portas. Lojas maiores, shoppings e salões de beleza, por sua vez, só vão voltar a funcionar em 01.05. Restaurantes têm uma outra data: a previsão é apenas no meio do próximo mês, caso as condições de saúde permitam.

Na Polônia, as regras de quarentena deverão ser afrouxadas no próximo domingo, 19.04, enquanto na Alemanha, a chanceler Angela Merkel já está conduzindo reuniões para decidir o afrouxamento das medidas de quarentena no país. 

Na França, porém, a quarentena ainda deve ser seguida à risca por mais tempo: o presidente Emmanuel Macron estendeu o lockdown no país até 11.05.

Liga da Justiça Sombria vai virar série no HBO Max pela produtora de JJ Abrams

Bad Robot produzirá três seriados para o serviço de streaming da Warner
GABRIEL AVILA

Liga da Justiça Sombria, grupo de heróis sobrenaturais do Universo DC, vai ganhar uma série no HBO Max pela Bad Robot, produtora de J. J. Abrams. Não foram revelados detalhes sobre a trama, inregrantes da equipe ou data de estreia.

De acordo com o Deadline, a produção faz parte de um pacote de seriados que inclui um derivado de O Iluminado chamado Overlook e a inédita Duster. Escrita por J.J. Abrams em parceria com LaToya Morgan (Into the Badlands), que conta a história do motorista de um grupo criminoso em ascensão durante a década de 1970. 

Há um projeto para que adaptar a Liga da Justiça Sombria circulou pelos corredores da Warner, com diretores como Guillermo Del ToroDoug LimanJoseph Kahn e outros sendo ligados ao longa, que nunca entrou em produção.

Originalmente formada nos anos 1980, a Liga da Justiça Sombria ganhou força com o público da DC após seu relançamento junto à linha Novos 52. A formação mais conhecida do grupo tem John Constantine, Zatanna, Desafiador, Madame Xanadu, Etrigan e Monstro do Pântano. Em 2017, a Warner lançou uma animação protagonizada pela equipe, com participação da Mulher-Maravilha, Superman e Batman.

Serviço de streaming da Warner, o HBO Max já anunciou produções como Lanterna Verdeuma animação do Aquamanum revival de Gossip Girl, um possível reencontro do elenco principal de Friends e vários outros títulos. A plataforma será lançada em maio de 2020 nos Estados Unidos e não tem previsão de chegar ao Brasil.

3 obras para entender os filmes de Jordan Peele

Conheça as influências do diretor de Corra! e Nós
ARTHUR ELOI

Jordan Peele – Kremer Johnson – Entertainment Photographer Los Angeles

Jordan Peele rapidamente se tornou um dos nomes mais promissores do horror. Após ganhar um Oscar por Corra! (2017), seu primeiro filme como diretor, o cineasta voltou a assombrar com Nós (2019), e depois se envolveu na produção de inúmeros projetos de gênero. As obras de Peele costumam ter várias camadas ao combinar terror e comentário social.

Para ver suas influências antes de começar a ver seus trabalhos, ou então conhecer melhor suas inspirações, veja três obras indispensáveis para entender os filmes de Jordan Peele!

KEY & PEELE – “WHITE ZOMBIES”

Antes de se lançar como diretor, Jordan Peele escreveu e protagonizou o programa cômico Key & Peele, ao lado de Keegan Michael-Key. Lá, já apontava que suas obras iriam questionar preconceitos e o próprio gênero do terror, mesmo que através do humor.

Um pouco de contexto: décadas antes da reinvenção crítica por George Romero, os zumbis era representações bastante racistas. Criados com base em história fajuta e relatos questionáveis, os monstros nada mais eram do que uma perturbante alegoria à escravidão combinada com representações preconceituosas de religiões de matriz africana e seus praticantes. Um dos maiores exemplos dessa leva é Zumbi, A Legião dos Mortos (ou White Zombie, em inglês). O conflito do filme de 1932 não é um potencial apocalipse e nem nada do tipo, mas sim a ameaça da protagonista – uma jovem branca vivida por Madge Bellamy – ser transformada em uma escrava zumbi pelo vilão de Bela Lugosi (Drácula).

Em Key & Peele, o cineasta aproveitou para cutucar o passado dos monstros, como bem explica a pesquisadora Paula Gomes na palestra “Cinema de Terror e Crítica Social”. A esquete “White Zombies” – que brinca com o título original de A Legião dos Mortos – escancara o legado de preconceito por trás dos mortos-vivos ao retratá-los como racistas até no pós-vida. Vingança?


Corra!, seu filme de estreia, também pode ser lido como uma alfinetada no filme clássico: se em Zumbi o problema era a protagonista branca ter sua mente invadida por “magia negra”, em Corra! o protagonista negro tem que evitar ter sua mente comandada por invasores brancos.

Corra! está disponível para streaming na Netflix.


ALÉM DA IMAGINAÇÃO – “A IMAGEM NO ESPELHO” (S01E21)

Já para seu segundo filme, Nós (2019), Jordan Peele optou por uma trama sobre clones, e as implicações do levante das cópias. Para isso, o cineasta olhou para um clássico da década de 1960: Além da Imaginação.

O seriado de Rod Serling é bastante influente no audiovisual, especialmente no horror e na ficção científica com seus contos bizarros. O longa é Peele se inspira no capítulo 21 da primeira temporada, ”A Imagem no Espelho”. No episódio, exibido nos EUA em 1960, uma mulher fica presa numa rodoviária. Esperando seu ônibus, ela começa a reparar que seu reflexo no espelho têm vida própria – e, pior ainda, quer roubar o seu lugar no “mundo real”.

O episódio, assim como toda a série clássica, está disponível apenas em DVD.


Nós, por sinal, funcionaria muito bem como um capítulo de Além da Imaginação. Serling desde a década de 1950 já lutava pelo uso do comentário social no audiovisual, e sua série demonstra bem isso, com episódios tensos e questões atemporais. É fácil entender como isso influenciou a escrita de Peele, que também tem humor e toques do suspense de Alfred Hitchcock. Ironicamente, o cineasta mais tarde assumiu o lendário papel de Rod Serling para apresentar (e produzir) o reboot de The Twilight Zone de 2019, da (disponível no Brasil pelo Amazon Prime Video).

Nós está disponível para streaming no Telecine Play.


HORROR NOIRE

Após Nós, Jordan Peele ainda não anunciou qual será seu próximo filme como diretor. Isso, é claro, não significa que ele não está ocupado. Na verdade, o cineasta está envolvido em ampla variedade de projetos, como roteirista e também produtor-executivo. De Corra! até hoje, já produziu Infiltrado na Klan (2018), vencedor do Oscar em Melhor Roteiro Adaptado; Hair Love (2019), vencedor do Oscar em Melhor Curta Animado; e Hunters, série da Amazon Prime Video sobre caçadores de nazistas. Pela frente ainda têm Lovecraft Country, seriado sobre jornada em meio à um país racista, e A Lenda de Candyman, filme de Nia DaCosta que reimagina o clássico estrelado por Tony Todd.

Não é regra, mas muito desses projetos têm algo em comum: cineastas negros. Após vencer o Oscar em 2018, Peele usou sua fama para colaborar com colegas e alavancar novatos promissores. Muito disso se dá pela falta de representatividade no audiovisual, algo especialmente delicado no gênero de terror (lembra da origem dos zumbis?). O diretor aproveitou sua relevância para trazer atenção ao tema quando participou de Horror Noire, documentário do Shudder que resgata a história do terror negro nos cinemas através de entrevistas com seus vários realizadores.

Infelizmente, como o Shudder não está disponível no Brasil, o documentário não foi lançado oficialmente, além de exibições na cidade de São Paulo. Já Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror, livro de Robin R. Means Coleman que serve como base para o especial, foi lançado no país pela Darkside Books.


BÔNUS: KEY & PEELE – “NON-SCARY MOVIE”

Antes de começar a fazer filmes de terror, Jordan Peele na verdade tinha medo deles. Irônico, não? Em uma esquete, o diretor e seu colega Keegan Michael-Key brincaram com suas reações ao sair do cinema após assistir um filme assustador.

Ações da Netflix sobem e plataforma se torna mais valiosa que a Disney

Valor de mercado da plataforma cresce em meio à pandemia do coronavírus
GABRIEL AVILA

Valor de mercado da Netflix chega a US$ 187,3 bilhões

Após uma alta histórica no valor de suas ações, a Netflix se tornou mais valiosa que a Disney. De acordo com a Variety, cada ação da plataforma está em US$ 426,75, fazendo com que seu valor de mercado chegue a US$ 187,3 bilhões, ultrapassando os US$ 186,6 bilhões da Disney. A empresa do Mickey teve queda de 2,5% no mercado da última quarta-feira (15).

Segundo especialistas, esse crescimento é reflexo da pandemia do coronavírus. Enquanto a Disney sofre com a falta de lançamentos nos cinemas e a consequente queda na venda de merchandising, o público em quarentena vêm aderindo cada vez mais à Netflix em busca de conteúdo. Anteriormente, o preço mais alto que as ações do serviço de streaming já havia alcançado foi o de US$ 418,97 em julho de 2018.

Desde o começo da pandemia do coronavírus, várias áreas do entretenimento foram afetadas com o adiamento de estreias, paralisação de produções e cancelamento de grandes eventos.