Les Veines

Enzo Malinowski, Ignacio Govantes and Jose Luis Pedrera photographed by Andrew Jim and styled by Quino Amador & Gema del Valle, in exclusive for Fucking Young! Online.

BRANDS: Fernando Claro, One Above Another, Hermes, Juan Millán, Twisted Tailor, Converse, Gucci, Daisy Street Plus.
Hair & Make-up: QUBO
Assistant: Consuelo Cubero

A moda pós-coronavírus vai surgir mais humana

Um consumidor mais consciente vai surgir dessa pandemia, consciente da correlação que entre seres humanos, natureza e animais.
Alice Ferraz – O Estado de S. Paulo

A estilista Cris Barros veste tiara desenvolvida por artesãs da região amazônica Foto: Josefina Bietti

Livros e livros de moda são escritos a cada temporada e, neles, imagens de como a sociedade se veste mostram o comportamento de um determinado tempo. É algo que desperta curiosidade e, às vezes, todos riem frente a fotos que hoje se apresentam sem sentido algum dentro do mundo contemporâneo.

Mulheres que tentavam trabalhar com roupas desconfortáveis para falar o mínimo, os longos vestidos, as camisas engomadas e de golas altas usadas na década de 1920. Como pegar o bonde naqueles trajes? Ir e vir levando o peso de metros de tecidos pendurados?

Há pouco tempo, casacos de pele ainda existiam nas passarelas e, agora, causam angústia em muitos. É interessante pensar como se podia aceitar tal postura de marcas que vendem roupas para uma mulher atual. Mas elas eram aceitas. Não era visto como algo urgente mudar nossa postura de consumo com relação à moda e o comportamento que ela reflete. Qual, então, é a moda que vai manifestar esse novo mundo?

Um consumidor mais consciente certamente vai surgir dessa pandemia. Consciente da imensa correlação que existe entre seres humanos, natureza e animais. Esse pensamento vai trazer uma nova forma de consumir moda e de se vestir, e ela vai refletir a nossa imagem – e essa imagem tem que estar de acordo com quem somos. Departamentalizar a vida em imagens que não conversam entre si vai ficar no passado, que na verdade foi ontem, mas parece anos luz de onde estamos agora.

Marcas de moda terão que procurar um sentido maior para que, com empatia, seus consumidores tenham orgulho de exibir seus corpos dentro delas. O consumo vai continuar, claro, mas não existe como retroceder a consciência adquirida. Aqui, então, será aberto um espaço para instituições e empresas que, olhando o futuro, já faziam esse movimento de interdependência da cadeia produtiva: quem cria, quem produz, quem vende e quem consome.

A casa do Rio. Uma instituição sem fins lucrativos, fundada por Thiago Cavalli, colocou as mulheres como protagonistas, oferecendo seu trabalho artesanal, fruto de saberes ancestrais, de quem mora na floresta amazônica a serviço de marcas de luxo. Produtos que trazem a beleza do feito à mão para as vitrines das principais capitais do Brasil e do mundo.

A tendência internacional do “one of a kind”, termo que a moda adora para descrever o que é único e, por esse motivo mais exclusivo e também mais caro, é a assinatura de qualquer peça produzida pela Casa do Rio. Apoiar povos da floresta e ainda se vestir com peças únicas e inimitáveis será a quintessência da imagem de moda que poderá ser oferecida aos estudiosos do futuro quando eles olharem para o período que começa em 2020. 

Por que alguém escolheria algo que não fosse lindo mas, ao mesmo tempo, acolhesse a interdependência da cadeia de consumo da melhor forma? Saber de onde vem, como foi feito, qual mão de obra usada vai ser algo natural para que nossa escolha de consumo seja feita.

Um anel de cipó ambé em tramas com ouro e água-marinha criado pela designer Yael Sonia em parceria com a Casa do Rio já existe, é vendido em São Paulo e Nova York para clientes que antes de nós enxergaram o novo luxo. Marcas de moda nacional também encontram esse olhar, como a estilista Cris Barros. Parceira da instituição há três anos, ela cria peças-desejo com a Casa do Rio. Uma visão nova e próspera que agora faz parte do presente e da nova configuração da nova moda. / A.F.

The Beauties – The NY Times Style T Magazine April 19th, 2020 By Willy Vanderpere

The Beauties   —   The NY Times Style T Magazine April 19th, 2020   —   www.nytimes.com
Model: Martha Massiel, Licett Morillo, Lissandra Blanco, Melanie Perez, Anyelina Rosa, Annibelis Baez, Lineisy Montero, Hiandra Martinez, Ambar Cristal and Luisana González 
Photography: Willy Vanderpere 
Styling: Olivier Rizzo 
Hair: Anthony Turner Make-Up: Lynsey Alexander Manicure: Liza Papass

Sharon Stone diz que foi rejeitada por Mel Gibson por sua idade

A atriz de 62 anos disse não foi aceita como protagonista em um filme, pois Gibson a considerou “muito velha” para o papel
MARIE CLAIRE

Sharon Stone diz que foi rejeitada por Mel Gibson por sua idade (Foto: Getty Images)

Sharon Stone contou que foi rejeitada por Mel Gibson em uma produção do artista. A atriz de 62 anos entregou que ele não aceitou que ela fosse sua protagonista feminina em um filme, pois a considerou “muito velha” para o papel, apesar de ser três anos mais nova que ele.

A atriz, que já foi considerada um dos maiores ícones sexuais do cinema, disse em entrevista à uma revista alemã que isso aconteceu aos seus quarenta e poucos anos: “Há 20 anos vivíamos em um mundo muito misógino. Mel Gibson, que é três anos mais velho que eu, pensou que eu era muito velha para aparecer com ele em um filme”, relembrou.

Sharon ainda acrescentou que, hoje, uma atitude assim seria um escândalo pois os movimentos #MeToo e Time’s Up obrigaram as coisas a mudarem em Hollywood em relação as mulheres.

Na entrevista, a atriz também lembrou do AVC que teve em 2001. Ela se recuperou, mas sua carreira não. Sharon ficou deprimida ao pensar que perdeu a beleza que a caracterizava. “Houve um momento quando eu tinha 40 e poucos anos e me fechei no banheiro com uma garrafa de vinho, e prometi que não sairia de lá até que aceitasse completamente meu corpo”, disse.

‘As pessoas foram enganadas para dar algo valioso: seus dados’, diz Brittany Kaiser

Ex-funcionária da firma que ajudou vitória de Trump e gerou crise no Facebook diz que deveríamos receber por uso de dados pessoais
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Brittany Kaiser, ex-Cambridge Analytica, diz: “Fomos enganados a entregar nossos dados”

A americana Brittany Kaiser, de 34 anos, já teve alguns motivos para lamentar a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. O maior deles? A postura de Trump face a crise do coronavírus. Mas o arrependimento dela não é só de quem ‘votou errado’. É de quem teve papel importante para que Trump chegasse à Casa Branca. A texana foi um dos principais nomes por trás da Cambridge Analytica (CA), firma de marketing político que prestou serviço para a campanha do republicano e causou a principal crise da história do Facebook

Em março de 2018, uma reportagem do The Observer revelou que a empresa roubou os dados de 87 milhões de pessoas na rede social para influenciar resultados das eleições no País. Enquanto o caso fervia, Brittany, que também trabalhou nas campanhas de Barack Obama, se tornou delatora e passou a colaborar com autoridades britânicas e americanas. A história está no livro Manipulados, lançado no final do ano passado. Com a autoridade de quem viu como funciona as entranhas da indústria de dados, ela quase não usa serviços de gigantes como Amazon, Facebook e Google. Mais ainda: em entrevista ao Estado, ela sugere que as pessoas deveriam ser pagas pelos dados que fornecem para as empresas.

Na conversa, ela também falou sobre a atuação da CA no País – segundo documentos revelados por Brittany, a empresa negociou com um candidato à presidência nas eleições de 2018. O nome não foi revelado, mas ela diz que não ficaria surpresa se esse político tivesse sido Jair Bolsonaro

Ao ver a postura de Trump frente à crise do coronavírus, a sra. se arrepende de ter o ajudado a se eleger? 

Com certeza. Ele viola dados e tem uma relação relaxada com a verdade. Isso começou na campanha, quando a desinformação era usada para acabar com intenções de voto e aumentar a desconfiança com o governo. Desde a posse, Trump e sua administração transformaram informações digitais em armas. Mas hoje estamos numa crise médica, algo sobre o que não se pode mentir. Não se pode fugir e fazer um vírus parecer irrelevante. Não dá para ignorar o fato de que pessoas estão morrendo – nem o fato de que Trump disse que o vírus ‘nem chegaria nos EUA’. 

No livro, a sra. conta como Facebook, Twitter e Google emprestaram funcionários para a campanha de Trump. O mesmo foi oferecido para a campanha de Hillary Clinton, mas os democratas rejeitaram. Essas plataformas contribuíram para eleger Trump? 

Sim. As táticas de micro segmentação de anúncios, oferecidas por essas empresas, podem garantir sucesso a uma campanha política se usadas desde o início de uma campanha. Para Alexander Nix (presidente da CA), é possível vencer se você começa a usar dados seis meses antes da eleição. Se começa entre nove meses e um ano, a chance é muito boa. Com dois anos, a vitória é praticamente garantida. É algo a se considerar em campanhas de reeleição. A equipe de Trump tem os mesmos dados e funcionários desde 2016.

Corações e mentes

Em livro, empregada da Cambridge Analytica explica o funcionamento da máquina de propaganda de Trump em 2016

O que mudou de 2016 para cá, na sua visão? O uso do WhatsApp, por exemplo? 

O WhatsApp ficou menos seguro. A criptografia foi enfraquecida, o que levou à saída dos fundadores. Eles se opuseram a Mark Zuckerberg. Hoje, mais dados são coletados lá para gerar propagandas no Facebook. Além disso, o WhatsApp foi concebido para encaminhamento de mensagens, o que deixa fácil viralizar informação – ou desinformação, se esse for o interesse. É uma grande tragédia para o cidadão comum: é uma ferramenta que pode ser abusada em campanhas pois não há como monitorar publicamente o que circula dentro dela. É o tipo de campanha viral que causou genocídio em Mianmar. É um caso extremo, mas mesmo no centro do espectro, o WhatsApp pode ter um impacto negativo porque ninguém pode olhar publicamente de onde veio determinada informação. 

Há uma onda conservadora global, que parece impulsionada pela internet. Por que a extrema direita parece ser capaz de usar dados melhor do que seus adversários? 

Não é que eles sejam melhores. Eles estão dispostos a fazer isso. Na campanha de Trump, dados foram usados para achar quem apoiava Hillary e nunca votaria nele. Essas pessoas eram bombardeadas com desinformação sobre a candidata, para que não tivessem vontade de ir votar. Era conteúdo sexista, racista, muitas vezes com calúnia e acusações que se provaram falsas. Naquela época, era muito fácil criar micro segmentações de diferentes partes da população e esconder essas táticas. É algo perigoso. 

Desde 2016, o Facebook tomou várias medidas para mudar. Como vê a empresa hoje? 

Eles foram negligentes desde o começo, ao criar um programa que permitiu a mais de 40 mil companhias acessar dados de seus usuários – e não só de quem consentiu com isso. Se você estava no Facebook antes de abril de 2015, sua privacidade não pode ser recuperada. Suas informações ainda estão em milhares de bancos de dados de todo o mundo. De lá para cá, isso só piorou. O Facebook deu alguns passos ao alertar quando uma propaganda é política, mas isso não é óbvio em todos os casos. O conteúdo de anúncios políticos não é moderado, não precisam respeitar leis – em prol da liberdade de expressão. E há recursos criados recentemente que tornaram mais difíceis a identificação sobre quando alguém vira alvo de campanha. 

Existe uma Cambridge Analytica de 2020? Que empresas assustam você?

Infelizmente, não existe mais apenas uma CA. Há centenas de CAs espalhadas por aí. Houve uma proliferação de de empresas do tipo “propaganda como serviço”, com táticas ainda mais avançadas que as da CA e especialidades como criar contas falsas e fazendas de robôs. São táticas que, até onde sei, a CA não utilizava. Muitos dos meus ex-colegas criaram suas próprias empresas, como a Human Behavior e a Data Propria. Há também a Giles-Parscale, que está fazendo as mesmas coisas que faziam em 2016, provavelmente com mais sofisticação e dinheiro. Tenho fortes razões para acreditar que eles estão usando os mesmos pacotes de dados que usaram da última vez. 

Nos arquivos que a sra. publicou sobre a atuação da CA no Brasil, há a menção de um possível cliente, candidato à presidência em 2018. Quem era? 

Gostaria de ter esse nome, mas passei o projeto adiante antes de chegar nesse ponto. Tudo o que sei sobre a CA no Brasil está publicado no meu Twitter. Mas meu palpite é de que seria Jair Bolsonaro. A campanha dele operou com táticas muito similares às empregadas por Trump. Chutaria que, por trás das mesmas táticas, há os mesmos indivíduos. 

Segundo os documentos, o consulado britânico em São Paulo marcou reuniões para a CA com possíveis clientes. É um procedimento normal? 

Quando você é uma empresa de outro país, o consulado ajuda a fazer apresentações e marcar reuniões. Queríamos ser apresentados a empresas e políticos que pudessem usar nossos serviços. 

Houve algum resultado prático?

Tenho quase certeza que na viagem seguinte de Mark (Turnbull, diretor da CA que veio ao País) aconteceram muitas reuniões com gente muito importante. Ele se encontrou com membros do governo, membros da sua agência de inteligência e muitas companhias e investidores. Claro, tínhamos por aí os nossos parceiros da Ponte Estratégia (consultoria brasileira que chegou a firmar parceria com a CA, mas cancelou o elo cerca de seis meses antes da eleição), e eles nos apresentaram a algumas pessoas. 

A sra. usa serviços de empresas conhecidas por usar dados, como Google, Amazon e Facebook?

Uso de forma limitada os serviços de cada uma dessas companhias. Tenho uma conta no Facebook, mas não tenho apps no celular. Só uso no meu notebook. Ainda uso o Google, mas para enviar e-mails uso o ProtonMail. Abri uma conta na Amazon algumas semanas atrás, por causa da quarentena, já que todas as lojas estão fechadas. Mas a questão não é deletar todas essas contas. É usá-las de maneira responsável.   

No livro, você afirma que a comunicação com o Facebook antes do escândalo era pequena. E hoje? Você já teve a chance de conversar com Mark Zuckerberg?   

Não falo com o Facebook diretamente. Normalmente, testemunho contra eles. Já pedi publicamente e em particular para que mudem suas políticas e posturas sobre como usam dados. Já pedi que reconheçam a propriedade de dados das pessoas e as recompensem de alguma forma por isso. Quando me tornei uma delatora, não queria destruir o Facebook, só queria que parassem de abusar dos dados das pessoas. Já me ofereceram reuniões com a (diretora de operações) Sheryl Sandberg e com gente de privacidade. Já me comuniquei com a equipe de privacidade, mas não tenho interesse em encontrá-los ao vivo até que levem a sério alguma de minhas preocupações. 

A sra. diz que devemos ser pagos pelos nossos dados. Como assim? 

Desde que passamos a carregar dispositivos, produzimos muitos, mas muitos dados dos quais não estamos cientes. É uma indústria invisível para os indivíduos que estão produzindo ativos. Fomos enganados para dar aquilo que é incrivelmente valioso. Poucas empresas se esforçam para informar integralmente o que vão coletar, ou obter consentimento informado. Nós temos de ser proprietários dos nossos dados. Pense comigo: ao oferecer sua casa no Airbnb, você sabe quem os hóspedes são, porque se hospedam e por quanto tempo vão ficar. Daí, há um acordo sobre o preço, antes da entrega das chaves. Tem de ser assim com os dados. Existe habilidade para que eles sejam um equalizador: se quem tem baixa renda puder ser recompensado por seus dados, é possível tirar milhões da pobreza. Os dados têm valor exponencial, dependendo a quem você decide vender e como é usado. Mas antes de incentivar as pessoas a fazer isso, preciso ter certeza de que nossos direitos básicos estão garantidos. 

Arquiteto australiano Marshall Blecher desenha parques em ilhas artificiais para porto de Copenhague

As ilhas serão ancoradas no solo do porto, e serão feitas com elementos reciclados
FOTOS: DIVULGAÇÃO / MIR

O arquiteto australiano Marshall Blecher e o estúdio dinamarquês Studio Fokstrot planejam construir parques bem diferentes: o projeto prevê a construção de um grupo de ilhas artificiais no porto de Copenhague, que terão foco em sustentabilidade e servirão como um espaço para relaxar, fazer piqueniques e até pescar!

As ilhas do “parquipélago” serão feitas de aço, materiais reciclados flutuantes e madeira aprovada pela ONG ambiental Conselho de Manejo Florestal. A ideia é que, além de ser um espaço para os habitantes da cidade, as ilhas também sejam um abrigo para espécies de animais como gaivotas e patos, além de algas e moluscos que poderão se fixar na parte submersa das ilhas.

Os parques flutuantes terão grama e árvores locais, e serão acessíveis por barcos, caiaques ou até mesmo a nado. O projeto é uma expansão de um protótipo bem sucedido de ilha artificial desenvolvida em 2018 por Blecher. O protótipo já foi usado para abrigar exposições de fotografia, palestras e piqueniques. Muito bacana, não?