Pierre-Louis Gerlier combina mesa de trabalho + cadeira longa em ‘Chaise Renversée’

O arquiteto francês Pierre-Louis Gerlier projetou a ‘chaise renversée’, uma mesa leve que também pode ser transformada em uma cadeira longa. A idéia do design foi concebida após considerar as várias maneiras pelas quais as pessoas usam objetos do cotidiano em pequenos espaços de convivência, para fins comerciais ou de lazer.

pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'all images courtesy of pierre-louis gerlier


A ‘chaise renversée’ de Pierre-Louis Gerlier fornece uma superfície de trabalho estável, mas ao mesmo tempo pode ser convertida em uma confortável ‘chaise longue’, onde é possível descansar e relaxar enquanto lê, reproduz ou assiste a um filme em um tablet. ‘Chaise renversée é uma mesa para quem não deseja ter uma mesa‘ salienta o arquiteto, referindo-se às pessoas que usam as mesas apenas para responder a e-mails ou pagar as contas, e geralmente as consideram inconvenientes e complicadas. alternativamente, o projeto tem como alvo aqueles que gostariam de ter uma poltrona disponível logo após terminar o trabalho na mesa.

pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'
pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'
pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'
pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'
pierre-louis gerlier combines work desk + long chair in 'chaise renversée'

project info:

name: chaise renversée
designer: pierre-louis gerlier

edited by: myrto katsikopoulou | designboom

Berlin Collective Action – Sanni Est / April 28 / 9pm-10pm

Berlin Collective Action – Sanni Est / April 28 / 9pm-10pm

3 maquiagens fáceis e rápidas para suas reuniões no Zoom

Você só vai precisar de poucos produtos e alguns minutos de sobra para parecer apresentável enquanto trabalha de casa

(Foto: Fernando Tomaz/Arquivo Vogue)

Aqui está a situação: você está trabalhando em casa há algumas semanas. Você tem uma grande reunião no Zoom em cerca de 10 minutos e ainda está com a sua camiseta e calça de moletom extremamente confortáveis, mas totalmente sujas. Seu cabelo está desgrenhado (e não de uma maneira fofa) e você não olha para o seu kit de maquiagem há dias. No entanto, você quer parecer otimista e profissional, mesmo quando o mundo inteiro está operando em uma realidade diferente do que era em fevereiro, quando esta reunião foi colocada no seu calendário.

Muitos de nós trabalharão de casa – e, portanto, conduzirão negócios e conversas por plataformas de videoconferência – indefinidamente devido à pandemia de Covid-19. Felizmente, não é preciso muito esforço (ou produtos) para fazer uma maquiagem polida quando seus colegas de trabalho estão vendo você através de uma webcam de baixa qualidade.

Pedimos a alguns de nossos maquiadores favoritos suas melhores dicas e truques para uma maquiagem rápida e fácil – contanto que você tenha alguns produtos importantes, seus chefes não terão ideia de que sua maquiagem levou apenas cinco minutos. Ou que você ainda está secretamente de pijama.

Pele glow e lábios brilhantes
Para a maquiadora Jo Baker, agora é a hora perfeita para brincar com suas dimensões faciais. Seu melhor conselho para parecer apresentável em tempo real é concentrar-se menos em cobrir as imperfeições da pele e enfatizar as maçãs do rosto, as sobrancelhas e os lábios. Seu visual ideal para uma chamada em conferência requer preparar a pele primeiro com um óleo nutritivo. Seu favorito é o Awakening Oil da Weleda.

“Colocar um óleo em toda a sua pele é, em primeiro lugar, uma boa barreira – mas, em segundo lugar, a nutrição que você recebe do óleo instantaneamente dará à sua pele um aspecto radiante”, explica ela. “[Porque] se estivermos fazendo teleconferências, queremos parecer bem, mas não queremos parecer fascinantes.”

O brilho adicionado é apenas um benefício da preparação da pele com óleo, de acordo com Baker. “Percebo que quando estou usando óleo, preciso de menos base, porque a base está se misturando com o óleo e eu estou polindo para obter uma pele realmente luminosa e adorável”, diz ela. Com esse método, você só precisa de algumas gotas de base e alguns segundos para misturá-lo com um pincel macio de blush.

Para evitar uma aparência “plana” na câmera, Baker opta por um contorno suave. “Você pode usar o contorno à seu favor, porque as pessoas não estão realmente vendo você pessoalmente”, diz ela. Se você sempre quis mudar o ângulo da mandíbula ou esculpir as maçãs do rosto em uma dimensão totalmente nova, Baker diz que agora é o melhor momento para fazê-lo. 

Surpreendentemente, Baker gosta de pular eye looks enquanto trabalha em casa, e não apenas porque é difícil ver na webcam. “Se você trabalha horas a fio em casa, usar rímel é apenas mais um fator irritante. Vamos pular os olhos e fazer uma sobrancelha, um contorno suave e um lábio … porque essas são as coisas que você realmente pode ver na câmera.”

Um batom vermelho  é o maior fator-chave para chamadas remotas com zoom, pensa Baker. “Ter um lábio arrojado agora diz às pessoas: negócios como sempre”, explica ela. “Estou buscando algo que diga que estou confiante, estou aqui, estou acordado, feliz e  não tenho medo … Toda vez que coloco um batom vermelho, me sinto melhor.”

Katie Jane Hughes (Foto: Reprodução Instagram)
Katie Jane Hughes (Foto: Reprodução Instagram)

Look monocromático
Como a maquiadora Katie Jane Hughes coloca, a velocidade e a facilidade de uma  maquiagem se resumem totalmente às preferências e à rotina regular de uma pessoa – mas quando Hughes está com pressa, ela conta com produtos multitarefa para criar lábios, bochechas e olhos monocromáticos. Antes de fazer qualquer coisa, ela garante que uma das melhores ferramentas para um bom trabalho é ter luz natural para realizar a maquiagem.

Ela começa borrifando no rosto uma bruma hidratante. “Eu aplico a bruma apenas nas laterais do meu rosto, não na frente, para obter o brilho nos pontos altos [do meu rosto] e não na zona T”, diz ela.

“Depois, eu coloco corretivo em todos os lugares que meu rosto precisa”, continua ela. Para criar uma pequena dimensão no rosto, ela aplica principalmente no centro, ao redor dos olhos, lábios e sobrancelhas. Para misturar esse corretivo, Hughes usa pincéis, mas incentiva você a usar qualquer ferramenta com a qual você saiba trabalhar rapidamente, seja pincel, esponja ou dedos.

O gel para sobrancelha e o rímel são os seus favoritos para as reuniões de última hora, mas não antes que do seu produto go-to para reduzir o tempo: o BeachPlease Tinted Lip + Cheek Balm da Tower 28.

Ela gosta de variar entre tons suaves de pêssego e rosa, mas esse visual funciona com praticamente qualquer blush creme que você tem em mãos. Aplique alguns pontos nas bochechas, pálpebras e lábios e simplesmente misture tudo com a ferramenta de sua escolha para obter um brilho rápido e fácil.

Olho vibrante em apenas um passo
O maquiador de Nova York, Tommy, também diz que a aparência da maquiagem mais rápida e fácil de todos será diferente de pessoa para pessoa com base nas preferências e hábitos de maquiagem. “Minha filosofia de ‘maquiagem minuciosa’ é criar um sistema”, diz ele. “Apenas mantenha as coisas simples e corte os cantos sempre que possível.”

Mesmo quando ele não precisa trabalhar remotamente, Tommy se certifica de seguir uma boa rotina de cuidados com a pele, para que, se estiver sem tempo, possa se concentrar em aplicar maquiagem nos olhos, bochechas e lábios. Para esconder olheiras e outras imperfeições, ele desliza o corretivo YSL Beauté Touche Eclat, mas deixa secar um pouco antes de misturá-lo.

“A maioria dos corretivos líquidos cria uma cobertura bonita dessa maneira, e é meu truque rápido para pessoas que perdem minutos preciosos aplicando um Beautyblender molhado na região”, explica ele.

Enquanto ele espera o corretivo secar, ele passa para os lábios e bochechas usando produtos em forma de bastão ou pote, porque são mais rápidos de aplicar e misturar. Nars’s The Multiple e Fenty Beauty Match Stix são ótimos, diz ele.

Um olho de alto impacto também pode ser alcançado em tempo real, diz Tommy, se você tiver o tipo certo de produto. “Sombras para os olhos à prova d’água, são uma ótima opção para aplicar e misturar com os dedos e não ter que pensar no decorrer do dia”, explica ele.

Mesmo que você não opte por olhos em cores vibrantes, Tommy diz que o rímel é uma obrigação. “Na dúvida, todo mundo fica mais brilhante com rímel”, diz ele. “Se você gastar um minuto fazendo alguma coisa, que seja assim.”

Jeremy Choh for Grazia with Valerija Sestic

Photography: Jeremy Choh. Fashion .Creative Direction: Marne Schwartz. Direction: Kim Payne. Hair: Francesco Avolio. Makeup: Riccardo Morandin. Model: Valerija Sestic at Elite Milan.

Diretor francês Bertrand Bonello vai na contramão de Hollywood e busca raízes dos zumbis

‘Zombi Child’ mescla ficção e história real da cultura vodu haitiana para falar sobre a liberdade
Leonardo Sanchez

Cena do filme “Zombi Child” Divulgação

O título “Zombi Child” pode passar a impressão errada. A apropriação do termo pelo gênero de terror acabou despindo os zumbis de suas raízes, bem distantes dos monstrengos comedores de tripas vistos em “The Walking Dead”, por exemplo.

Originalmente, a zumbificação integrava rituais religiosos, na maioria dos casos associados à cultura vodu haitiana. Foi neles que o cineasta francês Bertrand Bonello buscou inspiração para seu filme.

Depois de ser exibido no Festival de Cannes do ano passado, “Zombi Child” estava destinado a estrear em salas de cinema no mundo todo. No Brasil, a expectativa era que isso acontecesse em março. Mas aí veio o coronavírus. O longa agora é lançado diretamente nas plataformas de streaming.

“Zombi Child” é baseado na história de Clairvius Narcisse, um homem que, nos anos 1960, foi transformado em zumbi por meio de um ritual com substâncias psicoativas.

Depois do ato, ele ficou vários dias num estado semelhante ao de morte. Quando acordou, foi forçado a manter uma dieta de drogas alucinógenas que causavam perda de memória e o tornaram subserviente. Ele foi então levado para trabalhar numa plantação de cana, até que 18 anos depois voltou para sua família.

Mas essa é só uma parte de “Zombi Child”. Bonello entrelaçou a história verídica à França contemporânea, onde mora a fictícia neta de Narcisse, Mélissa, cujos pais morreram em um terremoto no Haiti. Quando a garota vai para um internato, se junta a um grupo de amigas que também têm seus próprios ritos.

“Algumas conexões entre a França atual e aquele Haiti foram surgindo aos poucos”, conta Bonello. “Um exemplo é o fato de tanto no Haiti quanto nesse internato haver rituais, canções próprias. Existem contrastes, mas também semelhanças.” É em uma das cerimônias promovidas pela espécie de irmandade à qual Mélissa se une que uma outra estudante daquele colégio, apaixonada mas não correspondida, se interessa pela cultura vodu.

Já para Bonello o interesse surgiu há cerca de 20 anos, quando um amigo cineasta rodou um filme no Haiti. Sua mulher à época trabalhava nele e foi por isso que o diretor decidiu pesquisar a história do país.

“Quando você lê sobre o Haiti, você rapidamente chega ao vodu. E quando você lê sobre o vodu, você chega aos zumbis. E a história do Clairvius é bem famosa”, diz. “Algum tempo depois eu estava em busca de ideias para um novo filme, que fosse diferente, e achei que a história dele era forte o suficiente para virar um filme.”

Mas, depois de roteirizar a história de Clairvius, Bonello percebeu que faltava algo à trama, um tom original. “Eu tinha que achar um ponto de vista apropriado, e ele tinha que vir da França, de onde eu sou. E então eu criei a Mélissa e adorei a ideia de ver essa história pela perspectiva adolescente.”

Nos paralelos criados entre a ancestralidade haitiana e a juventude francesa, Bonello vê um ponto em comum —o desejo de ser livre. E isso contaminou também seu roteiro.

“Eu queria estar livre pra fazer esse longa. Então ele começa como um filme adolescente, de gênero, passa por uma parte mais documental e no fim assume sua vocação de horror ficcional. É um filme híbrido, feito de coisas muito diferentes.”

Nesse caldeirão de diversidade, o medo era acabar não contando a história de seus personagens da maneira correta. Por isso, Bonello se cercou de gente que tinha ascendência haitiana e conversou com intelectuais, políticos e líderes vodus, aos quais explicou que não queria retratar os zumbis da maneira hollywoodiana, num tom diabólico. “E eu ouvia o que eles tinham a dizer, porque eles conhecem aquilo melhor do que eu”, afirma.

“Eu conheci uma produtora fantástica. Era quase impossível filmar no Haiti e ela fez isso acontecer. Nossa primeira viagem foi só para sermos aceitos, afinal, eu não podia simplesmente chegar lá e dizer que ia fazer um filme sobre zumbis, sobre a cultura daquele povo. No fim, as pessoas não só nos aceitaram, como nos ajudaram a fazer ‘Zombi Child’.”

ZOMBI CHILD
Onde Disponível em iTunes, Google Play, YouTube, Vivo Play e Now
Classificação 14 anos
Elenco Wislanda Louimat, Louise Labeque e Mackenson Bijou
Produção França, 2019
Direção Bertrand Bonello

Instagram agora permite arrecadar doações durante as lives

Através da ferramenta Live Donations, usuários podem doar diretamente para ONGs durante transmissões ao vivo

Instagram agora permite arrecadar doações durante as lives (Foto: David Slijper/Reprodução Vogue Japão)

Acompanhar lives no Instagram já se tornou parte da nossa nova rotina durante o período de isolamento social. A boa notícia é que o aplicativo de fotografias e vídeos anunciou nesta terça-feira (28) uma nova ferramenta que permite arrecadar doações através das transmissões ao vivo na plataforma. A proposta é direcionar os fundos adquiridos em lives de artistas e produtores de conteúdo para organizações sem fins lucrativos que podem auxiliar no combate ao coronavírus.

Batizada de Live Donations, a ferramenta permitirá que todo usuário crie uma campanha para arrecadar doações enquanto realiza uma transmissão ao vivo. Segundo o Instagram, mais de 1 milhão de ONGs em todo o mundo poderão receber a ajuda.

(Foto: Getty Images)

Como funciona: o usuário deve iniciar uma transmissão ao vivo e selecionar a opção “Arrecadação de fundos”, na parte inferior da tela, e escolher para qual ONG seus seguidores devem destinar a ajuda. Durante a live, o criador poderá acompanhar a quantidade de recursos levantados e ver mais detalhes sobre os doadores. Os que contribuírem poderão receber adesivos de doações para compartilhar em seus Stories, como “Eu doei!”, criado pelo ilustrador brasileiro Leonardo Alves. Celebridades como Sergio Ramos, Sofia Carson e Tori Kelly já estão envolvidos com a nova ferramenta de arrecadação.

Em tempo: o TikTok também lançou um recurso similar essa semana, mas que direciona as doações para apenas algumas causas específicas de caridade.

Behringer Poly D Vs The Model D Synthesizer – Clash of The Low Cost Titans!

É o choque dos titãs de baixo custo em um tiroteio contra o Behringer Poly D vs. o Behringer Model D. Sintetizador. Quão perto eles podem chegar quando se trata de recursos, som e jogabilidade?

↪️ Episode Guide ↩️
» Do they Sound The Same? (0:31)
» Let’s hear the voices (4:35)
» What about Keys? (8:44)
» Effects (10:16)
» Sequencers (13:28)
» Final Thoughts (14:29)

No episódio de hoje, Jack luta contra dois dos sintetizadores mais populares da Behringer, o Poly D Vs e o Modelo D. Ambos sintetizadores incríveis e repletos de recursos, é hora de testar como esses sintetizadores são realmente diferentes …

Caso Gabriela Pugliesi mostra poder do público sobre influenciadores

Pesquisadora em comunicação digital observa que personalidades digitais dependem da audiência para crescer, o que demanda um consumo crítico de conteúdo
JOÃO PEDRO MALAR – O ESTADO DE S.PAULO

Influenciadora digital Gabriela Pugliesi e o marido, Erasmo Viana Foto: Instagram / @gabrielapugliesi

Na noite de sábado, 25, a influenciadora digital Gabriela Pugliesi publicou uma série de stories em que aparecia fazendo uma festa em sua casa. Em pouco tempo ela foi duramente criticada por violar orientações de isolamento social, e perdeu diversas parcerias com marcas. Por fim, tirou a sua conta do Instagram, com mais de quatro milhões de seguidores, do ar.

Mas quais lições toda essa situação pode passar? Para Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunicação digital na Universidade de São Paulo (USP), o caso de Gabriela Pugliesi mostra como o público, e a audiência que ele escolhe dar ou retirar, é a base do sucesso de influenciadores.

“O influenciador tem acesso a ferramentas disponíveis para todos, mas ele precisa estar nesses lugares [redes sociais] e ser legitimado por quem o acompanha. O público deve validar a produção de conteúdo feita por ele”, explica Issaaf. Para a pesquisadora, essa dinâmica entre consumidor e produtor de conteúdo é completamente nova, e diferencia o influenciador de uma celebridade tradicional.

Uma celebridade precisa passar, primeiro, por um processo de validação dentro de uma emissora ou outra empresa de mídia para então ter contato com o público. Assim, quem é responsável por determinar o sucesso ou o fracasso de uma carreira não é bem o público, mas sim quem veicula o conteúdo ligado a essa celebridade.

Nas redes sociais esse processo deixa de existir. É o público, por meio de comentários, visualizações e outras interações que ajuda a impulsionar o influenciador. E a partir do momento que o influenciador é visto como alguém que influencia o que as pessoas irão consumir, passa a atrair empresas com seus patrocínios. Mas eles podem ser rapidamente retirados caso haja uma debandada do público.

Gabriela Pugliesi postou fotos de festa e depois deletou os registros (Foto: Reprodução/Instagram)

Issaaf destaca que é difícil determinar os efeitos do caso Pugliesi a longo prazo, mas que ele talvez indique que “estejamos caminhando para um novo formato de influência digital, e isso em decorrência de percebermos a importância que temos nesse processo. Começamos a perceber que o influenciador não é a celebridade de anos atrás, que ficará eternamente nos holofotes. Talvez o público esteja percebendo como a validação feita por ele é importante”.

Nesse sentido, outro ponto que surge nas redes sociais é chamada cultura do cancelamento, que Issaaf considera que é erroneamente associada a esse processo de validar, ou não, um influenciador e seu conteúdo.

“O público tem o poder [de validar], mas não por meio de linchamentos ou cancelamentos. É por meio de práticas de excluir ou incluir alguém na nossa rotina de consumo de conteúdo dentro de uma rede social”, explica ela.

O caso Pugliesi também mostra que há um limite para os benefícios de polêmicas para os influenciadores. No geral, os algoritmos que controlam as redes aumentam a visibilidade de contas que geram muito engajamento, seja ele positivo ou negativo, o que gera repercussão.

Entretanto, as polêmicas podem acabar afetando, de forma irreversível, a relação entre o público e o influenciador: “quem acompanha um influenciador o acompanha pois tem algo nele que gera confiança, há um vínculo com ele. Se o influenciador falha de alguma forma, o vínculo se fragiliza, e no fim pode levar a uma perda de público”. Esse fator pode ter feito Gabriela tirar do ar seu perfil no Instagram, além de não se expor a mais críticas. Ao ver seu número de seguidores cair continuamente, desativar a conta seria uma maneira de estancar o unfollow em massa, pois não é possível deixar de seguir uma conta que, naquele momento, não existe.

É difícil determinar esse limite de confiança, que varia de pessoa em pessoa, e isso também impacta no trabalho dos influenciadores, que precisam entender sua audiência e os efeitos do seu conteúdo sobre ela.

A principal lição, portanto, é que é necessário definir, individualmente, o que é um padrão que deve, ou não, ser acompanhado. Nesse sentido, é importante entender o que o influenciador fez, ou possui, que faz com que ele seja colocado em um lugar de prestígio, e o que ele pode ensinar. 

“É uma análise do conteúdo. Se eu tirar todas as marcas e produtos, o que sobra do influenciador? E o que sobra, que me é ensinado, é o que eu considero importante para mim?”, explica Issaaf. E essa análise crítica é essencial para um público que, cada vez mais, é o responsável pela queda, ou crescimento, de influenciadores como Gabriela Pugliesi.

Saint Laurent sai da semana de moda de Paris para seguir seu próprio calendário

Enquanto marcas e organizações decidem os próximos passos das semanas de moda para este ano, a Saint Laurent saiu na frente anunciou ontem que se retiraria do calendário oficial de desfiles de Paris para apresentar suas novas coleções em seu próprio ritmo. Pelo menos em 2020.

Desfile da Saint Laurent na Torre Eiffel / REPRODUÇÃO

“Consciente das circunstâncias atuais e de suas ondas de mudanças radicais, a Saint Laurent decidiu assumir o controle de seu ritmo e reformular sua programação”, diz um comunicado postado no Instagram da marca. “Agora, mais do que nunca, a marca liderará seu próprio ritmo, legitimando o valor do tempo e se conectando com as pessoas globalmente, aproximando-se delas em seus próprios espaços e vidas”.

A Saint Laurent então vai deixar o calendário feminino e não desfilará junto com todas as outras marcas em setembro (se é que os desfiles acontecerão), já que o masculino já acontecia de forma independente, como os desfiles que fez em Nova York e em Malibu. “A SL não apresentará suas coleções em nenhum dos horários pré-estabelecidos de 2020 e se apropriará de seu calendário e lançará suas coleções seguindo um plano concebido com uma perspectiva atualizada, impulsionada pela criatividade”.

Francesca Bellettini e Anthony Vaccarello / Reprodução
FRANCESCA BELLETTINI E ANTHONY VACCARELLO / REPRODUÇÃO

É a primeira grande marca a anunciar uma mudança no cronograma de desfiles desde o início da pandemia, mas outras grifes já vinham dando sinais de cansaço com o ritmo e timing do calendário de desfiles e lançamentos, como Alexander Wang que adotou uma estratégia semelhante no início de 2018.

Isso significa que uma das marcas mais históricas da França e do mundo escolheu o caminho solo num mercado conhecido pela união entre seus pares e num momento delicado, em que justamente a união se faz mais necessária do que nunca. Ao mesmo tempo, a notícia também revela a urgência de uma mudança do sistema da moda, algo que muitas grifes sentem a necessidade, mas poucas de fato podem tomar essa decisão e seguir sozinhas. “Sabemos há anos que algo precisa mudar. A hora é agora. Não há boas razões para seguir um calendário desenvolvido anos atrás, quando tudo era completamente diferente. Não quero apressar uma coleção apenas porque há um prazo. Nesta temporada, quero apresentar uma coleção quando eu estiver pronta para mostrá-la”, diz o diretor criativo Anthony Vaccarello em uma entrevista ao WWD acompanhado pela CEO Francesca Bellettini.

“NÃO QUERO APRESSAR UMA COLEÇÃO APENAS PORQUE HÁ UM PRAZO. NESTA TEMPORADA, QUERO APRESENTAR UMA COLEÇÃO QUANDO EU ESTIVER PRONTO PARA MOSTRÁ-LA”, ANTHONY VACCARELLO

Juntos, eles indicam que é uma mudança a princípio para este ano, como uma resposta emergencial ao impacto do Covid-19. Mas também falam que é uma transformação que há muito precisava ser feita, então é possível que a marca se mantenha independente do calendário da indústria mesmo após essa fase passar. “Por natureza, somos uma marca ousadamente decisiva, onde a criatividade desempenha o papel central. Nessas circunstâncias, é claro para nós que a criatividade não pode ser forçada a seguir um cronograma arbitrário e predefinido, mas deve ser livre para se expressar na forma, no local e no tempo que Anthony achar apropriado”, diz Francesca.

A CEO da Saint Laurent vem a ser também presidente da Chambre Syndicale de la Mode Féminine e sua decisão pode ter um impacto não apenas na confederação, mas também nas outras marcas que fazem parte dela. “O anúncio de que não realizaremos eventos em 2020 de acordo com o calendário habitual não diminui de maneira alguma o papel ou a importância da semana de moda de Paris, que é, simplesmente, a melhor do mundo. Paris é onde todo designer aspira desfilar”, diz Francesca. “Não é um adeus à PFW, mas uma mudança que sentimos ser necessária neste momento e nessas circunstâncias excepcionais. Na federação, somos muito unidos, respeitosos e abertos um ao outro. Comuniquei antecipadamente nossa decisão a Ralph Toledano [presidente da Federação da Alta Costura e à Moda] e Pascal Morand [presidente executivo da federação], que a respeitaram totalmente”.Francesca Bellettini e Anthony Vaccarello / Reprodução

É fato que o isolamento social tem trazido muitas reflexões à tona sobre o sistema e acelerado decisões e mudanças. Aqui no Brasil um novo acordo da indústria surgiu, com foco numa sutil adaptação das datas do varejo que podem alavancar uma melhor performance comercial das marcas. Na Inglaterra, o British Fashion Council anunciou que sua próxima London Fashion Week, agendada para junho e tradicionalmente focada em moda masculina, será totalmente digital e neutra em termos de gênero e, para o futuro, as marcas poderão escolher se apresentarão as coleções de primavera/verão em junho ou setembro.

“Desacelerar e viver o momento revela todas as vulnerabilidades de uma organização encarcerada. O que está fora de moda agora é a programação de todo o sistema: os shows, os showrooms, os pedidos”, diz Vaccarello, que quer incentivar uma atitude mais duradoura e menos efêmera em relação a experiências e produtos. FFW