‘Expresso do amanhã’: série baseada em filme do diretor de ‘Parasita’ se passa em trem que sobrevive a apocalipse climático

Versão de longa de 2013 do sul-coreano Bong Joon-ho estreia na Neflix nesta segunda (25)

O protagonista Andre Layton (Daveed Diggs) e a “voz” do trem, Melanie Cavill (Jennifer Connelly) Foto: Divulgação

A série de TV “Expresso do amanhã”, baseada no filme de ficção científica de 2013 dirigido pelo cineasta sul-coreano Bong Joon-ho (de “Parasita”), vencedor de Cannes e do Oscar, chegou hoje ao Netflix. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (25) pelo serviço de streaming em sua conta no Twitter.

“A história é diferente do filme de 2013. Tem treta, suspense, romance, um trem e uma Terra congelada”, diz o post da plataforma, que vai colocar os episódio no ar semanalmente – dois já entraram no ar esta segunda, serão dez no total.

“Expresso do amanhã” foi  o primeiro filme em inglês de Bong Joon Ho, estrelado por Chris Evans, John Hurt e Tilda Swinton. O roteiro é baseado em “O perfura-neve”, história em quadrinhos francesa de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette publicada a partir de 1982. Na HQ, no filme e na série, os sobreviventes de uma fracassada tentativa de conter o aquecimento global são obrigados a viver em um trem separados em vagões que determinam sua condição social.

Cena da série ‘Expresso do amanhã’, de Bong Joon-ho Foto: Divulgação

O elenco tem, entre outros, o ator e rapper Daveed Diggs (que se destacou no elenco original do musical “Hamilton”) no papel de Layton, um prisioneiro que se junta ao motim do trem com certo receio, e Jennifer Connelly interpretando Melanie Cavill, uma passageira da primeira classe que atua como a Voz do Trem, responsável por fazer anúncios diários aos demais passageiros pelo sistema de som.

Cena da série ‘Expresso do amanhã’, de Bong Joon-ho Foto: Divulgação

ELEVEN TEN STUDIO Spring/Summer 2020 Editorial

ELEVEN TEN STUDIO lançou um novo editorial com a sua Spring/Summer 2020 collection, shot by Aleksandra Cegielska.

ELEVEN TEN STUDIO tem como objetivo fornecer os itens essenciais do seu guarda-roupa de uma maneira nova e moderna, enquanto capitaliza as peças de declaração de gênero que foram conceituadas para todos os sexos.
Definidos e caracterizados por um design ousado e progressivo, nossos produtos são de alta qualidade e são polidos com um acabamento minimalista e arrojado. ONZE DEZ ESTÚDIO A roupa é fabricada e projetada na Europa, onde todos os nossos fornecedores e funcionários são pagos e tratados com justiça.

Lives da FAAP discutem produção de conteúdo e técnicas têxteis como expressão artística

POR FAAP MODA

Bia Bender (Divulgação: FAAP)

A FAAP realiza amanhã (26/5) live sobre Marcas, influencers e conteúdo no isolamento. O evento online ocorrerá no Instagram (@nafaap), às 17h, tendo como convidada especial a criadora de conteúdo Isabela Santos, também publicitária e relações públicas.

Na quarta-feira (27/5), pelo Youtube (@nafaap), às 17h, a professora Camila Rossi, coordenadora do curso de Moda, conversa com a artista Bia Bender, cuja exposição “Entre Bordas e Bordados – Desmanchando Limites” teve visitação interrompida no MAB FAAP  por conta do distanciamento social.

Bia Bender falará sobre seu processo criativo, a utilização das técnicas têxteis como expressão artística e questões que a impulsionam. A mostra no MAB FAAP apresenta 50 obras, entre panneaux / tecidos, esculturas e peças de vestuário produzidas pela artista.

Anote na agenda!
26/5, às 17h
Marcas, influencers e conteúdo no isolamento, com a criadora de conteúdo Isabela Santos
Instagram @nafaap

27/5, às 17h
Conversas no MAB com Bia Bender
Youtube @nafaap

Obra da artista na exposição’Bia Bender: Entre Bordas E Bordados’.
Obra da artista na exposição’Bia Bender: Entre Bordas E Bordados’.

Chandon doa 2.500 garrafas de champanhe para restaurantes

Estabelecimentos vão doar cinco pratos de comida para cada garrafa vendida
Por Filipe Oliveira e Mariana Grazini

Champanhe Bar, localizado no hotel Emiliano. Na adega, há 340 garrafas com mais de 80 rótulos de champanhe Thays Bittar/FolhaPress

A Chandon doou mais de 2.500 de suas bebidas para restaurantes parceiros da marca, e a cada garrafa vendida por eles vai doar cinco pratos de comida para a ONG Banco de Alimentos. Batizada de Share the Love, a campanha, que acontece agora na pandemia, é uma reedição do movimento que alcançou 20 mil pratos no fim do ano passado.

Filho de Musk batizado com nome de robô X Æ A-12 recebe atualização no nome para X Æ A-Xii

Sem poder utilizar numerais para registrar filho na Califórnia, Musk e Grimes “improvisam” para manter o nome original

Na Califórnia, X Æ A-12 Musk terá que ter nome de gente como a gente 

Mais uma vez, o filho recém-nascido de Elon Musk e da cantora Grimes ficou em destaque nas redes sociais e sim, pelo mesmo motivo das últimas semanas: seu nome. O presidente executivo da Tesla afirmou que vai fazer uma pequena alteração no nome do filho, depois de esbarrar em uma lei da Califórnia para registros de crianças e, agora, de X Æ A-12, o pequeno se chamará X Æ A-Xii. 

No estado da Califórnia, só é permitido registrar nomes que contenham apenas letras do alfabeto americano, que não incluem números. Em uma publicação no Instagram neste domingo, 24, Grimes foi perguntada se mudaria o nome do filho por conta da lei e respondeu com o novo nome, X Æ A-Xii, e ainda acrescentou: “numerais romanos. Fica melhor, para ser sincera”. Segundo Musk, a pronúncia do nome do filho é “X Ash A twelve” e não deve mudar após a adição do numeral romano. 

A polêmica envolvendo o nome do filho de Musk e Grimes, que tem gerado muitos memes nas redes sociais, pode ainda ganhar mais um capítulo. Isso, porque o símbolo Æ também foge à regra da lei estadual. Enquanto isso, os pais do pequeno continuam explicando o nome do pequeno para a internet — pelo menos até a próxima mudança. 

“Primeiro, minha parceira é a que mais veio com o nome”, disse Musk sobre Grimes. “Quero dizer, é apenas X, a letra X, um, e o ‘Æ’ é pronunciado ‘Ash’ e, em seguida, A-12 é minha contribuição. (A-12 é de) Arcanjo 12, o precursor do SR-71, o avião mais legal de todos os tempos”, contou em entrevista ao podcast de Joe Rogan.

‘Mrs. America’ mostra a trajetória da ativista conservadora que se opôs às feministas nos anos 1970

Cate Blanchett em ‘ Mrs. America’ (Foto: Divulgação)

O ano era 1972 e o movimento feminista americano gritava suas palavras de ordem contra os “porcos chauvinistas”, para usar a terminologia da época. A Emenda dos Direitos Iguais (ERA), grande batalha desse grupo, tramitava no Congresso americano. Foi quando ativistas conservadoras contrárias a tudo isso arregaçaram as mangas para barrar a proposta. Série do FX que conta essa história, “Mrs. America” chegou ao iTunes. Cate Blanchett interpreta a protagonista, a líder neoconservadora Phyllis Schlafly. Dona de casa do Illinois, ela defendia as benesses da vida de “espera-marido” e o poder para o patriarcado, além de se opor ao que chamava de “pesadelo feminista totalitário”.

A série vem fazendo sucesso nos Estados Unidos e na Europa, e com razão. A começar pelo trabalho impressionante de Cate Blanchett. Recontar a História de seu ponto de vista mais antipático não é uma tarefa fácil. “Mrs. America” faz isso sem perder a perspectiva do espírito do tempo. É preciso relativizar tudo para entender o que se desenrolava naquele momento. Gloria Steinem (Rose Byrne) e Betty Friedan (Tracey Ullman) parecem radicais. Mas estamos falando de uma luta que exigiu a queima de sutiãs para que as mulheres de hoje tivessem outros avanços em suas conquistas. O grupo das conservadoras defendia um pensamento atualmente em extinção, mas que, nos anos 1970, ainda parecia legítimo para a maioria. No elenco está ainda a ótima Sarah Paulson, como uma apoiadora de Schlafly. A reconstituição cuidadosa está em cada detalhe, dos figurinos à trilha, passando pela cenografia. Merece toda a sua atenção. PATRÍCIA KOGUT

Décor do dia: sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica

Peças de design e obras de arte pontuam a decoração do projeto assinado pela arquiteta Talita Nogueira
POR RAFAEL BELÉM | FOTOS EDUARDO MACARIOS

Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)

Fã de obras de arte e com uma personalidade colorida por natureza, a moradora deste apartamento de 150 m² em Curitiba sonhava com um lar que tivesse a sua cara. “A proprietária gostaria que o apartamento fosse alegre e fugisse do modismo atual”, conta a arquiteta Talita Nogueira, do escritório TN Arquitetura, responsável pelo projeto. O resultado: uma casa com conceito tropical e refinado.

Na sala de jantar, tonalidades de azul carbono, laranja terracota e cinza foram utilizados em conjunto com o painel ripado amadeirado. Em vez de dominarem paredes ou revestimentos, as cores se fazem presentes nos detalhes, como nas cadeiras de Hans Wegner e a cristaleira herdada da família, que foram laqueadas com acabamento azul acetinado. “Conseguimos unir diversos elementos, texturas e cores de maneira harmoniosa, fugindo de modismos e tornando o projeto atemporal”, afirma a arquiteta.

Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)
Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)
Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)
Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)

Em marcenaria, foi executado um painel cinza com porta oculta. O papel de parede com textura de cimento queimado completa o decór, assim como os objetos que, em sua maioria, são dos clientes. Entre os destaques do design, surge a clássica mesa Saarinen, peça desenhada pelo finlandês Eero Saarinen em 1956. Com tampo de mármore, ela vira a protagonista do ambiente. “O grande segredo e desafio de toda essa composição foi justamente assumir o colorido e reconhecer que ele pode ser tão requintado e tão sofisticado como qualquer outra composição de cores. O resultado foi um trabalho completamente inusitado”, finaliza.

Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)
Décor do dia sala de jantar com detalhes coloridos e mesa clássica (Foto: Eduardo Macarios)

Arquitetos projetam sala de aula com design inovador para o pós-pandemia

Os espaços preservam o distanciamento social e a exposição ao ar livre
GIOVANNA OLIVEIRA | FOTOS DARC STUDIO

Arquitetos projetam sala de aula com design inovador para o pós-pandemia (Foto: Darc Studio)

Os arquitetos da Curl la Tourelle Head Architecture (CLTH), no Reino Unido, projetaram um novo design para as salas de aula após a reabertura das escolas. A proposta tem como objetivo evitar os espaços restritos de circulação para manter o distanciamento social entre os alunos e funcionários.

Conforme o projeto apresentado pelos arquitetos, as salas de aula serão instaladas em tendas ao ar livre, localizadas ao lado do prédio da escola. Assim, os alunos não precisarão circular exclusivamente pelos corredores da parte interna e receberão um fluxo de ar maior. No interior das salas, a distribuição das carteiras também foi alterada para que os alunos mantenham o distanciamento de dois metros. 

Arquitetos projetam sala de aula com design inovador para o pós-pandemia (Foto: Darc Studio)

Os arquitetos pensaram ainda em instalações para que os alunos possam lavar as mãos. Os espaços, espalhados entre as salas de aula, também ficam ao ar livre. Além disso, o projeto visa utilizar recursos renováveis de energia, como painéis fotovoltaicos e energia solar para aquecer a água.

Como todos os espaços são circulares, os arquitetos incentivam o deslocamento no sentido horário. A medida é uma forma de evitar que tantos os alunos, quanto os funcionários se cruzem enquanto caminham. 

“Projetamos o conceito para ajudar os alunos e funcionários a voltar para a escola e reduzir a possibilidade de infecção com espaçamento adequado de alunos e funcionários em ambientes com ar fresco”, explicou o diretor da Curl la Tourelle Head, Wayne Head.

Prestes a voar com humanos, a SpaceX enfrenta o maior desafio de sua história

Empresa de Elon Musk era sonho improvável de dar certo, mas deu; agora, empresa pode romper marca histórica
Por Christian Davenport – The Washington Post

Protótipo da cápsula da SpaceX que deverá levar astronautas ao espaço no fim do mês 

Ninguém esperava que desse certo. Até mesmo seu fundador apontava para uma probabilidade na qual poucos apostadores colocariam dinheiro: 1 para 10. Mas, mesmo assim, Elon Musk decidiu apostar suas fichas e investiu cerca de US$ 100 milhões de seu próprio patrimônio em sua ideia. Ele contrariou alertas de amigos e familiares e a lógica básica que dizia que não era boa ideia um empreendedor sem experiência em voos espaciais ter uma empresa de foguetes. Mas o resultado – a Space Exploration Technologies, ou ainda SpaceX – virou um dos casos mais improváveis da história do empreendedorismo americano. 

Foi uma combinação de disrupção, fracasso e triunfo, que transformou a ousada startup num gigante industrial com cerca de 7 mil funcionários. Agora, a SpaceX, como é mais conhecida, enfrenta o teste mais significativo desde que foi fundada, em 2002. Em 27 de maio, a empresa sediada na Califórnia deve lançar dois astronautas veteranos da NASA, Bob Behnken e Doug Hurley, para a Estação Espacial Internacional. O voo é simbólico: sairá da mesma plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy que içou a tripulação da Apollo 11 à Lua.

Se tudo correr conforme o planejado, a missão anunciará uma era monumental na exploração espacial: o primeiro lançamento à órbita de uma empresa privada. Os dois astronautas serão levados para a estação espacial por um propulsor e uma espaçonave que são de propriedade da SpaceX e serão operados pela empresa, marcando o fim da era em que apenas as espaçonaves governamentais chegavam a tais alturas. 

Será mais um passo rumo à privatização do espaço. A missão também pode significar uma vitória da SpaceX sobre a rival Boeing, a outra empresa que tenta levar astronautas da NASA para a estação espacial – e que vem tropeçando bastante ao longo do caminho.Mas, se a missão da SpaceX falhar, será um revés trágico. Uma falha pode inviabilizar o plano da NASA de retomar o voo espacial humano a partir do solo americano e alimentar as críticas que diziam que a agência espacial jamais deveria ter terceirizado ao setor privado uma missão tão sagrada.

O voo – o primeiro com astronautas da NASA nos Estados Unidos desde que o ônibus espacial foi aposentado, há quase uma década – é o ápice de anos de trabalho da SpaceX e da Nasa para acabar com a dependência americana em relação à Rússia. Sem uma maneira de colocar os astronautas em órbita, a Nasa teve de depender dos russos para chegar ao espaço nos últimos anos. Essa dependência, que causou constrangimento à agência, pode se encerrar em breve, caso a SpaceX tenha sucesso.

Os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley que deverão ser enviados pela Space X ao espaço
Os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley que deverão ser enviados pela Space X ao espaço

Parceria inusitada entre ‘idosa e adolescente’

Para chegar a esse ponto, a SpaceX e a NASA formaram uma parceria inusitada – um órgão estatal com mais de 60 anos e uma empresa bagunçada, ainda adolescente e que abraçou o fracasso como ferramenta de aprendizado. A relação, às vezes, ficou tensa – especialmente desde que a SpaceX explodiu dois foguetes Falcon 9. Então, no ano passado, a nave Dragon – a mesma que deve levar os astronautas para a estação – explodiu durante o teste de propulsores.

Mas agora, enquanto se preparam para lançar astronautas pela primeira vez, a NASA e a SpaceX dizem que os erros foram investigados e corrigidos. No ano passado, a SpaceX concluiu com êxito uma viagem de teste de sua espaçonave Dragon para a estação espacial, sem tripulação. No início deste ano, a empresa realizou o que a NASA qualificou como um teste impecável do sistema de escape em voo, concebido para manter os astronautas em segurança em caso de emergência – um recurso que o ônibus espacial não possuía.

A SpaceX e a NASA “estão trabalhando diligentemente para preparar os veículos”, disse Kathy Lueders, gerente do programa de tripulação comercial da NASA, durante uma recente entrevista coletiva. Ela disse que as equipes estavam “passando por todas as revisões e se certificando de que estamos prontos para esta importante missão de voar com segurança. É muito difícil. Mas acho que estamos à altura do desafio”.

Mesmo sob circunstâncias ideais, lançar astronautas é um empreendimento perigoso e arriscado – e agora a SpaceX e a NASA tentam fazê-lo durante a pandemia de coronavírus, levando a missão a um outro grau de dificuldade. Pelo menos metade dos engenheiros da SpaceX está trabalhando de casa, disse Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da SpaceX. Os que vão à fábrica estão mantendo distância, disse ela. E executivos da NASA pediram a todos os funcionários que ficassem em casa, menos o pessoal essencial para a missão.

Para que um lançamento de foguete aconteça com sucesso, “um milhão de coisas tem que dar certo”, diz Shotwell. “E só uma coisa tem que dar errado para vivermos um dia particularmente ruim”. Todo mundo na SpaceX sabe dos riscos, disse ela durante a recente entrevista coletiva. “No que diz respeito à minha equipe, eles não precisam ser lembrados da importância do trabalho de cada pessoa para esta missão”, disse ela. Quanto a si mesma, ela levou a mão à garganta e disse: “Meu coração está bem aqui. E acho que vai ficar até que Bob e Doug voltem em segurança”.

Bob Behnken veste seu traje espacial no Kennedy Space Center
Bob Behnken veste seu traje espacial no Kennedy Space Center

Novo passo de confiança

Uma década atrás, seria impensável que a NASA – castigada pelos desastres dos ônibus espaciais Challenger e Columbia, que causaram a morte de 14 membros da tripulação – confiasse a vida de seus astronautas a uma empresa espacial privada, especialmente uma empresa tão nova quanto a SpaceX.

A empresa quase morreu logo na infância, depois de três lançamentos consecutivos que não chegaram à órbita, drenando a conta bancária de Musk e pondo a empresa no rumo da falência. Mas emergiu triunfante, em 2008, quando seu quarto lançamento botou um satélite de mentira em órbita. Foi o suficiente para a empresa ser resgatada pela NASA, com quem assinou um contrato de US$ 1,6 bilhão para transportar cargas e suprimentos para a estação espacial alguns meses depois. Musk, exultante, mudou sua senha para “euamoanasa”.

Então Musk atacou o monopólio de uma década da Boeing e da Lockheed Martin nos contratos de lançamento do Pentágono. Ele processou a Força Aérea – o cliente que estava tentando cortejar – e acabou chegando a um acordo que lhe permitiu competir por lançamentos que valiam centenas de milhões de dólares.

Ele finalmente teve êxito na sua busca por construir foguetes reutilizáveis, objetivo que há muito é considerado o Santo Graal dos voos espaciais e que, de várias maneiras, ilustra o espírito da empresa: uma meta quase impossível, uma série de fracassos e, em seguida, um sucesso improvável. A SpaceX também se beneficiou do momento propício.

Em 2010, o presidente Barack Obama cancelou o programa Constellation, o plano da NASA de construir uma nova frota de foguetes e naves espaciais para levar astronautas para a estação espacial e além. O programa estava muito atrasado e muito acima do orçamento. O programa de ônibus espaciais estava perto do fim. Por isso, a NASA procurou o setor privado para transportar seus astronautas – uma decisão que muitos consideraram, na melhor das hipóteses, prematura e, na pior, imprudente.

“Um dia, será como uma viagem por companhia aérea comercial, mas ainda não chegamos lá”, disse na época Mike Griffin, ex-administrador da NASA. “É como se estivéssemos nos anos 1920: Lindbergh ainda nem voou pelo Atlântico e já estão querendo vender aviões 747 para a Pan Am”. 

SpaceX ajudou a renovar interesse pelo espaço

Desde a sua fundação, a SpaceX ajudou a despertar um interesse renovado pelo espaço e liderou uma crescente indústria espacial comercial que inclui a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a Virgin Galactic, de Richard Branson. No final de 2018, a Virgin Galactic enviou dois pilotos de teste para uma altitude de pouco mais de 80 quilômetros, ponto onde a Administração Federal de Aviação diz que começa o espaço. Foi uma viagem de ida e volta que não chegou à órbita, mas foi o primeiro lançamento espacial com humanos a partir do solo dos Estados Unidos desde o final da era do ônibus espacial.

Fundador de uma empresa que quer oferecer viagens turísticas pelo espaço, Branson sabe como a missão é difícil. Para chegar a esse ponto, a Virgin Galactic teve de superar uma falha durante o voo de teste de sua espaçonave SpaceShipTwo em 2014, acidente que matou um dos pilotos.

“Tenho um enorme respeito pelo que Elon e a equipe da SpaceX conseguiram fazer em tão pouco tempo”, disse ele numa comunicação recente com o Washington Post. “Meu respeito é maior ainda porque conheço um pouco os enormes desafios da reinvenção do voo espacial humano para o século 21 – e também a incomparável satisfação que vem com o sucesso de cada marco. Embora os contratempos sejam abundantes e dolorosos, os avanços já estão transformando nossa relação com o cosmos”.

Mark Cuban, um dos apresentadores do Shark Tank, o reality show em que startups expõem seus projetos a um painel de investidores, disse num e-mail ao Washington Post que dá a Musk “uma tonelada de crédito. Sonhar é fácil. Difícil é fazer. E ele fez as duas coisas”.

O relacionamento com a NASA, às vezes, tem sido tenso. Em 2018, autoridades da NASA ficaram furiosas quando Musk fumou um trago de maconha num programa transmitido pela internet e exigiram uma análise sobre a segurança da empresa. A Boeing também deveria se submeter a uma análise semelhante, mas, de início, conseguiu uma liberação. (Depois que o primeiro voo não tripulado da empresa com sua espaçonave Starliner deu errado, no final do ano passado, a NASA disse que iria conduzir uma investigação completa sobre a cultura de segurança da empresa).

A SpaceX sempre torceu os narizes, especialmente entre os tradicionalistas do setor, que ridicularizaram seus fracassos públicos como sinais de imprudência. A SpaceX, no entanto, os vê como dores a serem superadas. “Se existe um programa de teste e nada acontece nesse programa, eu diria que não é um programa suficientemente rigoroso”, disse Musk no ano passado. “Se o seu hardware não explode na bancada de testes, acho que você não o testou o bastante. Você precisa forçar os limites”.

Interior da cápsula Dragon da Space X
Interior da cápsula Dragon da Space X

Parte do sucesso da SpaceX vem da economia

Um dos objetivos de Musk era alterar a economia dos voos espaciais mudando a maneira como os foguetes operavam. Tradicionalmente, os propulsores dos primeiros estágios, ou boosters, eram jogados no oceano depois da decolagem e nunca mais eram usados. Musk achou que era este desperdício que tornava os voos espaciais proibitivamente caros. Como uma indústria poderia ser sustentável se continuasse jogando fora a parte mais cara do foguete após um único uso?

Então ele começou a tentar trazer seus boosters de volta à Terra. A tentativa forçou a SpaceX a inventar componentes e hardwares de foguetes totalmente novos – expandindo não apenas as capacidades técnicas, mas também o vocabulário do espaço.

Os foguetes Falcon 9 da SpaceX foram equipados com “aletas de grade”, asas resistentes ao calor que ajudaram a direcionar o booster de 70 metros de altura pela atmosfera. E ganharam um quarteto de pernas de pouso que se desdobravam pouco antes de pousar em uma plataforma autônoma, de 100 metros de comprimento por 50 de largura, que a empresa batizou de “navio-drone”.

E, quando os foguetes caíam, Musk não chamava as bolas de fogo de explosões, mas sim de “desmontagens rápidas e não programadas”. No começo, ocorria um número razoável dessas explosões, um verdadeiro desfile de bolas de fogo, uma depois da outra.

Em 2014, um foguete pairou sobre o oceano, depois tombou e espalhou detritos pela superfície da água. No início de 2015, um outro se chocou com o navio-drone – “quase, mas ainda não deu para estourar a champanhe”, Musk tuitou na época. Alguns meses depois, um terceiro caiu e pegou fogo. A empresa acabou lançando um vídeo com a sequência dos foguetes explodindo. Em uma das explosões, escreveu uma legenda que dizia: “Bom, tecnicamente, ele pousou… só não inteiro”.

Para algumas pessoas da indústria espacial, esse abraço no fracasso foi revigorante. Reisman contou que, quando os veteranos da NASA o visitaram na SpaceX, eles lhe disseram: “este lugar me lembra muito a NASA da época da Apollo. É quase como levar a NASA de volta às suas raízes”. Então, em dezembro de 2015, mais uma Falcon 9 pousou, no exato instante em que um trovão avassalador caiu no Cabo Canaveral. Mais uma explosão, Musk pensou.

Mas, desta vez, quando a fumaça se dissipou, não havia fogo. Só um foguete parado, triunfante, em cima da plataforma de aterrissagem. Musk ouvira um estrondo sônico, mas não uma explosão.

“Você precisa aprender essas lições difíceis”, disse Shotwell. “Acho que às vezes a indústria aeroespacial fecha os olhos para o fracasso na fase de desenvolvimento. Pega mal, politicamente. É difícil. E a mídia sem dúvida faz muito barulho com as falhas. Mas, francamente, é a melhor maneira de aprender: levar seus sistemas até o limite – inclusive seus sistemas de pessoas e seus processos –, aprender onde você é fraco e melhorar as coisas”. / TRADUÇÃO RENATO PRELORENTZOU