Assassin’s Creed Valhalla leva jogador para o mundo viking

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Décimo segundo título da saga da Ubisoft terá história entre a Noruega e a Inglaterra do século IX; modo furtivo de jogo está de volta à franquia, após dois títulos baseados em combate
Por Elise Favis – The Washington Post

O viking Eivor poderá ser um homem ou uma mulher, a depender do gosto do jogador

Décimo segundo jogo da série Assassin’s Creed, Assassin’s Creed Valhalla vai entregar uma ambientação muito desejada pelos fãs da franquia da Ubisoft: um game no universo viking. Previsto para o fim do ano, o game vai continuar a saga épica da rivalidade entre assassinos e templários em momentos-chave da história. Pelos olhos do novo protagonista, o guerreiro viking Eivor – que o jogador escolhe se será homem ou mulher – somos levados ao século IX em uma jornada de exploração pela Noruega e Inglaterra na Era Viking.

O diretor de criação de Valhalla, Ashraf Ismail, que já trabalha na série há nove anos e foi diretor de Assassin’s Creed Origins e Assassin’s Creed IV: Black Flag, mostrou alguns detalhes do jogo para a reportagem. Entre os detalhes, há pontos de interesse de Valhalla e seu desenvolvimento, ambientação, jogabilidade (a volta da lâmina oculta e mudanças no modo furtivo) e personalização do protagonista.

Vikings, por quê? 

A Ubisoft Montreal começou a pensar no conceito de Assassin’s Creed Valhalla assim que foi encerrado o trabalho em Assassin’s Creed Origins, título de 2017 ambientado no Egito Antigo. Ismail foi nomeado diretor de criação do novo projeto, e ele imediatamente pensou nos vikings. “Cabia a mim apresentar a ideia de uma boa ambientação”, disse Ismail. “A Era Viking é um assunto pelo qual sou apaixonado desde criança. Assim, foi uma oportunidade de apresentar os nuances daquela época, da cultura e das pessoas do período, de uma maneira que só podemos fazer em Assassin’s Creed.”

Ismail descreve a Era Viking como um período significativo que deu contornos à Europa como a conhecemos hoje, com “incríveis momentos de jogadas políticas envolvendo reis, reinos, intrigas e guerras”. Os vikings e a mitologia nórdica não são incomuns nos jogos de videogame – a própria Ubisoft criou um título de luta entre vikings, For Honor – mas, no característico estilo da série Assassin’s Creed, Ismail e sua equipe esperam trazer mais nuance ao retrato de uma rico história escandinava, desafiando os estereótipos criados em torno dos vikings.

Mapa será amplo

O título mais recente da série, Assassin’s Creed Odyssey, de 2018, era situado na Grécia Antiga em um mapa virtual imenso. Com tanto conteúdo e tantas missões a explorar em meio à vastidão, o jogo pareceu longo demais para alguns. O diretor de comunicação da Ubisoft para o Oriente Médio, Malek Teffaha, afirmou anteriormente que Valhalla “não será o mais longo nem o maior título da série”. 

Já Ismail considera que a comparação entre os tamanhos dos mapas dos jogos anterior não seria “necessariamente significativa”, mostrando-se mais preocupado em oferecer ao jogador uma experiência rica. Há muito para se “descobrir e fazer” em Valhalla, que Ismail diz se situar em um “mundo grande”.

Na Inglaterra, por exemplo, os jogadores poderão explorar quatro reinos: Northumbria, East Anglia, Mercia e Wessex. Dentro dessas quatro regiões, podem se aventurar por três grandes cidades: Londres, Winchester e Jorvik (atual York). O jogador vai encontrar “muitas cidadezinhas, vilarejos, aldeias, locais especiais e surpresas”, de acordo com Ismail. Marcos icônicos também podem ser explorados, como Stonehenge e a Muralha de Adriano.

“O mundo virtual do jogo é impressionante”, disse Ismail. “A razão de minha resistência às comparações é o fato de não termos partido de uma comparação. Quando desenvolvemos esse jogo, não ficamos analisando os títulos anteriores nem outros jogos para determinar o tamanho do mapa ou alguma outra característica. Começamos com uma intenção determinada, pensando em uma jornada específica. Temos uma visão do jogo que queremos criar.

Personalização de barbas, tatuagens e penteados

Títulos anteriores da série Assassin’s Creed traziam um protagonista único de gênero pré-determinado ou a escolha entre um irmão e uma irmã – caso de Jacob e Evie, em Syndicate, ou de Kassandra e Alexios em Odyssey. Em Valhalla, temos um único protagonista cujo gênero é determinado pelo jogador. Mas, guerreiro ou guerreira, não faltarão opções de personalização da aparência – algo inédito na série.

Ismail disse que “teremos uma boa variedade” de penteados, barbas e visuais de diferentes cores. Também é possível fazer tatuagens ou usar uma pintura de guerra. Em se tratando de equipamento, as peças serão subdivididas, podendo ser aplicadas ao personagem. “Cada equipamento é único”, disse Ismail. “Em certos momentos, quando o jogador aprimora seu equipamento, isso resulta em uma mudança no visual. Os interessados em personalizar cada detalhe verão que é possível mudar a aparência do equipamento e reter suas propriedades.”

O parkour foi melhorado

Ismail não descreveu em detalhes o funcionamento da mecânica do parkour para o mais recente título da série Assassin’s Creed, mas indicou que haverá mudanças. “Sim, é possível fazer tudo andando pelo chão, mas, se o jogador optar pelos telhados, haverá uma vantagem objetiva. Nesse sentido, investimos nossos esforços em peso no parkour.”

Ainda não se sabe ao certo se novas mecânicas específicas serão incorporadas ao parkour, como a introdução do gancho em “Assassin’s Creed Syndicate”. Mas Ismail disse que a exploração “fará sentido” dentro da narrativa e do estilo do jogo.

“É uma construção meticulosa para alcançar o efeito que desejamos na escala do mundo que temos”, disse ele. “Temos alguns locais que realmente brilham quando o jogador decide, por exemplo, agir como o predador nas alturas, ou até algumas charadas de navegação.” Além disso, o jogo terá um lado mais furtivo, ignorado em Assassin’s Creed Origins e Odyssey. 

A lâmina oculta, que foi praticamente omitida de Assassin’s Creed Odyssey – só foi vista nas mãos de um personagem coadjuvante em uma missão adquirida à parte –, estará de volta em Valhalla. Eivor terá a lâmina no seu arsenal e, de acordo com entrevista realizada pelo site Kotaku, a arma “será novamente letal o bastante a ponto de matar com um só golpe”.

A mecânica furtiva está de volta, sendo possível misturar-se à multidão para não ser detectado, recurso que não é visto desde “Assassin’s Creed Syndicate”. O manto e o capuz podem ser vestidos manualmente. Seu efeito não é apenas cosmético, afetando os acontecimentos no jogo, especialmente em se tratando de chamar a atenção dos inimigos. Para distrair os inimigos, pode-se chamar o leal corvo Sýnin, ajudando o jogador a passar despercebido.

Mudanças no combate

Ainda que Ismail não tenha falado muito a respeito do assunto, ele comentou um pouco os esforços para refinar a experiência do combate, com o desenvolvimento de uma nova mecânica na qual duas armas são empunhadas ao mesmo tempo. Pode-se também criar a habilidade de usar uma arma pesada com uma mão só.

Como os vikings são guerreiros brutais, “acertar no combate” era importante para a Ubisoft. A sensação gratificante de “impacto” a cada golpe de espada ou machado, por exemplo, era importante para o conceito do jogo.

O combate de Assassin's Creed Valhalla vai resgatar características dos antigos jogos da série
O combate de Assassin’s Creed Valhalla vai resgatar características dos antigos jogos da série

“Em termos de personalização do estilo de jogo, uma das áreas que queríamos explorar é a ideia de empunhar duas armas, sendo que o jogador pode escolher a combinação que quiser”, disse ele. “Algumas armas funcionam melhor juntas. Assim, há todo um ajuste fino a ser feito por aqueles que quiserem explorar esse aspecto. Apostamos alto na mecânica das armas em dupla. Se desejar, o jogador pode empunhar dois escudos, por que não?”

Batalha de rap entre vikings

Ismail revelou ainda que o jogo terá uma atividade paralela chamada flyt. Trata-se de uma disputa que consiste essencialmente em uma troca de insultos rítmicos entre dois participantes. Em outras palavras, uma batalha de rap viking. É algo presente até na literatura nórdica, com deuses como Odin e Thor se enfrentando em uma guerra verbal.

“A ideia do flyt foi algo que surgiu durante a pesquisa”, disse Ismail. “Algo que era praticado durante esse período do século IX nas regiões do norte. Algo visto entre os vikings, mas também entre os saxões na Inglaterra, uma prática dos momentos de diversão.”

O flyt exige habilidade, já que a ideia é ser poético e mordaz, uma descrição que se adequa bem a Eivor, o protagonista de Valhalla. “Eivor é alguém que sabe rir de uma piada, mas também sabe valorizar a poesia”, disse Ismail. “Assim, é um aspecto que se encaixa bem no personagem que queremos desenvolver. Com tudo isso, essas batalhas antigas de rap nórdico são uma atividade que faz parte do jogo.”

Valhalla não terá modo multiplayer

O último título principal da série a ter modo multiplayer foi Assassin’s Creed Unity, no qual era possível formar equipes para disputar modos cooperativos na internet. Valhalla terá algum tipo de “componente online”, mas não sabemos ao certo o que isso significa. O modo multiplayer, no entanto, não faz parte do jogo imaginado pela Ubisoft Montreal.

“Assassin’s Creed Valhalla é um título para um jogador”, disse Ismail. “Teremos um componente online. Há muito dinheiro e muitos recursos ligados ao uso da internet. Mas quero deixar claro que se trata de um jogo individual, que terá sucesso com base na experiência individual que estamos criando.”

O jogador constrói uma aldeia que evolui conforme ele avança

De modo semelhante ao lar de Assassin’s Creed 3 e incrementando a ideia da Villa Auditore de Assassin’s Creed 2, a construção de um espaço físico está de volta em Valhalla. Eivor é o líder de um clã viking e, com isso, a exploração de novas regiões e a conquista de novos territórios serão parte do jogo, ainda que esses objetivos nem sempre sejam alcançados por meio da brutalidade da guerra.

“Depois de avançar um pouco no jogo, o personagem acaba viajando à Inglaterra, onde encontra muito espaço e terras férteis, e o clã se assenta”, disse Ismail. “O jogador traz seu povo consigo. Então, torna-se importante criar um ambiente seguro para seu assentamento e seu clã e, para tanto, é necessário fazer alianças.”

Mapa terá cidades das atuais Noruega e Inglaterra
Mapa terá cidades das atuais Noruega e Inglaterra

Será interessante “convidar novas pessoas que possam reforçar seu assentamento”, algo possivelmente semelhante ao recrutamento de tenentes em Odyssey para o navio ou para a expansão do seu credo em Brotherhood. “Às vezes a situação envolve grandes ataques e batalhas épicas contra pessoas que não o querem por perto”, disse ele. “Isso ocorre tanto com saxões quanto com os vikings. Como vemos, é uma jornada bem dinâmica.”

O jogador revisita o assentamento durante toda a campanha e, com o tempo, a aldeia muda e cresce com as “novas oportunidades” e “novas ameaças” que surgem periodicamente.

A volta dos elos com as narrativas na era moderna

A Ubisoft Montreal não vai abandonar os elos com a narrativa que se passa no presente. A personagem Layla Hassan, ex-agente da Abstergo convertida em assassina que vimos pela primeira vez em Origins e revimos mais recentemente em Odyssey, volta a participar da história.

“Tudo se passa algum tempo depois dos acontecimentos de Odyssey”, disse Ismail. “É claro que não posso entrar em detalhes. Acho que o jogo tem muitas surpresas para os fãs da série e para os novos jogadores. Poderia dizer que há um aspecto da jogabilidade que deve surpreender o jogador, ou assim espero.”

As opções de diálogo continuam importantes

Ismail não confirmou se as escolhas feitas pelo jogador fazem a história seguir em direções diferentes, mas disse que as opções de diálogo estão de volta. Ele e sua equipe pensaram também no que isso significa para o enredo e para o personagem.

“Como introduzir essa ideia em um universo que parte da premissa de estarmos revivendo as lembranças de outra pessoa herdadas pelo DNA? Essa foi uma de nossas reflexões importantes. E chegamos à conclusão de que a ideia era contar a história de Eivor, um personagem bem definido, que é complexo, determinado e introspectivo.”

As opções de diálogo permitem que o jogador habite o personagem, ajudando a aprofundar a fantasia de desempenhar um papel. Ismail diz que “todas as escolhas que o jogador faz e todas as suas opções de falas são coisas que Eivor diria ou faria em um dado momento”.

A pesquisa da Ubisoft envolvendo a Era Viking

Desde o seu nascimento, em 2007, a série Assassin’s Creed mergulhou fundo na história, mas intercalando-a com a ficção. Mas, quando o assunto é paisagem, arquitetura e dinâmica política, bem como o modo educativo que ensina ao jogador a respeito de certos períodos da história, Assassin’s Creed sempre enfatizou a precisão histórica.

Isso continua em Assassin’s Creed Valhalla. A Ubisoft voltou a trabalhar com historiadores, e Ismail explicou que os primeiros meses do projeto são dedicados à pesquisa, realizada por vários departamentos do estúdio. Para realmente entender a ambientação e sua história, Ismail e sua equipe viajaram à Europa.

“Ficamos em uma habitação típica dos vikings na Noruega”, disse ele, destacando que também velejaram em um navio viking. “Fizemos um banquete, visitamos a região e compreendemos a beleza da paisagem, mas também os desafios de habitá-la.”

Na Inglaterra, a equipe visitou terras férteis e colinas verdes, imaginando como seria chegar ao fim de uma longa jornada desde a Noruega assentando-se nesse novo país e novo lar.

“Podemos entender a mentalidade de quem enxergou oportunidade nessas terras férteis”, disse ele. “E então fomos à Inglaterra e visitamos boa parte do país, conhecemos as pessoas e tentamos absorver sua cultura e história. Foi de longe a pesquisa mais rica e gratificante que já fizemos.”

Ismail descreve os vikings como mais do que guerreiros: foram também colonos, exploradores e agricultores. Durante a pesquisa da Ubisoft, “uma das coisas mais interessantes” que eles descobriram foi o fato de, ao invadir territórios, os vikings não tentarem obrigar os demais a agir como eles, buscando em vez disso assimilar-se entre os locais. Eles se aclimatavam “muito rapidamente” a novas regiões e povos, algo que veremos na narrativa em Valhalla.

“Na verdade, os historiadores acham que foi isso que levou a Era Viking ao fim”, disse Ismail. “Os vikings foram mudando com o tempo. Mais uma vez, nossa ideia era mostrar a experiência dos vikings, algo ancorado na história e na cultura de um período.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL 

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