6 marcas brasileiras com estilistas negros para conhecer já

Uma lista de criadores inspirados para incluir no radar (e nas listas de desejo)
EDUARDO DO VALLE (@DUDUVALLE)

Alma Negrot veste Diego Gama (Foto: Reprodução/Instagram)

No momento em que o mundo aumenta o volume da luta antirracista, questões como a presença de criadores negros emergem como uma prioridade. Isso porque, para além de temas urgentes, como o combate à violência, por exemplo, a igualdade também reside na visibilidade e nas grandes contribuições de artistas negros à cultura e à moda nacional. Para a sorte dos brasileiros, não é preciso ir longe para encontrar toda essa criatividade.

É para iniciar um debate – mas também estimular o consumo – que a GQ Brasil preparou uma lista com seis marcas nacionais que apostam em criações de estilistas negros como parte de seu DNA. Não por acaso, muitas encontram semelhanças entre si, como uma preocupação com diferentes formas de corpo e com a moda agênero. Cada uma, porém, é dona de uma identidade única, que merece ser conhecida, seguida e comprada por todos os públicos.


Isaac Silva

Desfile Isaac Silva na SPFW-48 (Foto: Reprodução/Instagram)
Desfile Isaac Silva na SPFW-48 (Foto: Reprodução/Instagram)

Uma moda ativista. É assim que o estilista de Barreiras, na Bahia, define o conjunto de sua obra, agênero e repleta de referências à cultura indígena e afro-brasileira. Em sua estreia na SPFW-48, em 2019, desfilou diferentes corpos, principalmente negros, nas passarelas. Com a pandemia de Covid-19, sua loja física foi fechada, mas as atividades continuam, com a chegada de máscaras “cheias de axé” no catálogo e promoções como 50% de desconto em todos os itens para o Dia dos Namorados. Os produtos podem ser adquiridos no site da loja.
 

Isaac Silva (Foto: Reprodução/Instagram)
Isaac Silva (Foto: Reprodução/Instagram)

Diego Gama

Desfile Diego Gama na Casa de Criadores (Foto: Reprodução/Instagram)
Desfile Diego Gama na Casa de Criadores (Foto: Reprodução/Instagram)

O cuidado na escolha das peças e dos temas reflete em cada peça do trabalho de Diego Gama, estilista baseado em São Paulo, que também aposta em uma moda agênero e adaptada a diferentes formas do corpo, embora aposte também na composição com diferentes estruturas e materiais, do algodão ao silicone, que levam as roupas um passo mais próximo do lúdico. De quebra, as peças são veganas e algumas estampas são feitas à mão.

Diego Gama (Foto: Reprodução/Instagram)
Diego Gama (Foto: Reprodução/Instagram)

Baobá Brasil

Desfile Baobá Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)
Desfile Baobá Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)

marca surgiu do encontro fértil da jornalista Tenka Dara Pinho Silva com a cultura do Moçambique. Em 2016, a experiência adquirida em Maputo daria origem à Baobá Brasil, que reúne mulheres na produção de roupas masculinas, femininas e acessórios. Com a pandemia do novo coronavírus, a marca está revisitando tecidos usados nas coleções dos últimos 14 anos, nas chamadas Afro Máscaras, que podem ser encomendadas via WhatsApp: (21) 98660-2406.
 

Tenka Dara (Foto: Renata DuArte (@reduarte1))
Tenka Dara (Foto: Renata DuArte (@reduarte1))

Negro Piche

Camisa Negro Piche (Foto: Reprodução/Instagram)
Camisa Negro Piche (Foto: Reprodução/Instagram)

As estampas coloridas não-raro retraram pessoas negras e diferentes identidades culturais, como a nordestina. São roupas vibrantes e festivas que ganham forma nas mãos de Iury Alderhoff e de sua mãe, Ionete, que costura as peças agênero (e pijamas perfeitos para o período de isolamento) que compõem o catálogo da marca. Nos últimos dias, porém, a Negro Piche falou sério e se posicionou frente às questões raciais levantadas após a morte de George Floyd: “Sabemos que só de estarmos aqui já somos resistência, mas isso não basta pra nós. Precisamos usar a nossa voz como marca seguida por muitas pessoas pra conscientizar quem pudermos. Essa luta é nossa.” Pedidos podem ser feitos via chat: https://linktr.ee/negropiche

Iury Aldenhoff  (Foto: Reprodução/Instagram)
Iury Aldenhoff (Foto: Reprodução/Instagram)

LiRa

Camisa LiRa (Foto: Reprodução/Instagram)
Camisa LiRa (Foto: Reprodução/Instagram)

Assim como a Negro Piche, a LiRa também é uma família, que reúne pai, mãe, filha e filho na produção de camisas, conjuntos e acessórios de temas variados e vibrantes. Mais que as roupas em si, a LiRa também reúne e promove arte independente e negra em seu perfil no Instagram e em encontros – suspensos no momento – como o Sarau da LiRa.

Família Gama (Foto: Reprodução/Instagram)
Família Gama (Foto: Reprodução/Instagram)

Meninos Rei

Coleção Meninos Rei (Foto: Reprodução/Instagram)
Coleção Meninos Rei (Foto: Reprodução/Instagram)

Tecidos africanos e cores do olodum dão o tom das coleções do Meninos Rei, marca dos baianos Céu e Junior Rocha. Seja com padronagens temáticas ou em conjuntos de color blocking, sua autenticidade já chamou atenção de nomes como Carlinhos Brown e Margareth Menezes. Sediada em Salvador, a marca envia para todo o Brasil – informações e venda pelo WhatsApp: (71) 99139-7283.

Céu e Júnior (Foto: Reprodução/Instagram)
Céu e Júnior (Foto: Reprodução/Instagram)

Primeira coleção da marca J.Boggo+ feita com tecido anticoronavírus da empresa Dalila Têxtil é lançada no Brasil

Desenvolvidas pela marca J.Boggo+ utilizando malha antiviral da empresa Dalila Têxtil, as peças funcionam como uma proteção extra ao vírus

Rita Carreira, fotografada em casa pela irmã, usa look da coleção da J.Boggo+ desenvolvida com malha antiviral (Foto: Divulgação)

Já estamos acostumados a ver roupas com proteção UV e antibacteriana. Mas já imaginou uma peça que protege contra o novo coronavírus? Ao longo dos últimos meses, diversas empresas têxteis ao redor do mundo vêm trabalhando em tecidos do tipo, incluindo a brasileira Dalila Têxtil, que lançou recentemente uma malha com acabamento antiviral (no caso dela, eficaz contra os vírus envelopados, caso do coronavírus, herpesvírus e influenza, e não envelopados tipo o adenovírus humanos, norovírus e enterovírus).

A novidade é que, se até então se falava apenas em matéria-prima, a inovação agora poderá ser vista em forma de produto final: a J.Boggo+ é a primeira marca brasileira a lançar uma coleção do tipo. Conhecida por suas criações essencialmente sem gênero, a grife desenvolveu 12 modelos com o tecido da Dalila Têxtil, que já podem ser compradas através do Instagram da grife (@j.boggo). “Mas a ideia é que o cliente também possa entrar no perfil da marca e escolher seu modelo preferido de outras coleções que já lançamos – e reproduziremos na malha antiviral. Está é inclusive uma maneira de evitarmos sobras de algum modelo, muito mais alinhada com o tempo em que vivemos”, conta o designer Jay Boggo. Caso o cliente opte por essa peça sob encomenda, o prazo médio de confecção é de apenas uma semana.

“Mesmo quando o isolamento social for afrouxado, muitas pessoas seguirão trabalhando de home office. E esses modelos foram pensados justamente para este novo momento: é uma roupa confortável, que você usa para trabalhar de casa, mas também segue com ela para aquele café que você agendou ali perto.”

Vale lembrar que a roupa funciona como uma proteção extra, mas não substitui os cuidados anteriormente recomendados, como usar máscaralavar as mãos, não tocar o rosto e fazer distanciamento social. Segundo André Klein, diretor da Dalila Têxtil, o acabamento antiviral da malha desenvolvida pela empresa dura até 20 lavagens. Os testes foram realizados em um laboratório independente seguindo as normativas científicas reconhecidas internacionalmente, como a AATCC 100 (antibacteriana) e ISO18184 (antiviral).

Sua tecnologia utiliza partículas de prata (antimicrobiano) para atrair o vírus com carga oposta fazendo com que o mesmo se ligue aos grupos de enxofre presentes na superfície que envolve o vírus. Essa reação inibe o crescimento e a persistência do vírus no tecido, com um mecanismo de ação que bloqueia sua ligação nas células hospedeiras, impedindo que o microorganismo libere seu material genético no interior. Resultado? Menor capacidade infecciosa nas células. Além disso, a formulação do produto é baseada em química verde, com estabilizante natural de origem brasileira.

Rita Carreira, fotografada em casa pela irmã, usa look da coleção da J.Boggo+ desenvolvida com malha antiviral (Foto: Divulgação)
Rita Carreira, fotografada em casa pela irmã, usa look da coleção da J.Boggo+ desenvolvida com malha antiviral (Foto: Divulgação)

“Essa inovação impacta o mercado da moda para melhor. As roupas começam a unir design e cuidados com a saúde. Diante do cenário de pandemia, o ‘novo normal’ do setor têxtil é também ajudar as pessoas a cuidarem da saúde por meio das tecnologias de proteção”, explica André Klein, diretor da Dalila Têxtil. Lá fora, Fabio Tamburini, CEO da Albini (empresa têxtil italiana conhecida por fornecer para nomes como o grupo Kering, Armani, Ermenegildo Zegna e Prada, que também disponibilizou no mercado um tecido antiviral), acredita que, assim como o já existe tratamento antibacteriano, a proteção antiviral também se tornará comum ao longo da próxima década, podendo ser usada em roupas de viagem ou por baixo do equipamento hospitalar de profissionais de saúde, por exemplo. “Ou imagine restaurantes usando tal tecido em suas toalhas de mesa e guardanapos”, completa Jay.https://2d91ed18f2fc4662ce633cca62835d41.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Rita Carreira, fotografada em casa pela irmã, usa look da coleção da J.Boggo+ desenvolvida com malha antiviral (Foto: Divulgação)
Rita Carreira, fotografada em casa pela irmã, usa look da coleção da J.Boggo+ desenvolvida com malha antiviral (Foto: Divulgação)

Modelo muçulmana Halima Aden cria máscaras para trabalhadoras de hijabi que estão na linha de frente

Nascida num campo de refugiados no Quênia, ela desenvolveu máscaras para trabalhadoras de hijabi

Halima Aden (@halima) (Foto: Reprodução/Instagram)

Desde o início da pandemia da Covid-19, a escassez de máscaras e equipamentos de EPI representou um problema, principalmente nos Estados Unidos. Graças a doações generosas de organizações privadas e designers que se esforçam para produzir suprimentos adicionais, a situação melhorou. Mesmo assim, mesmo quando os funcionários da linha de frente têm acesso ao equipamento certo, podem surgir problemas.

Criadas para uso a curto prazo, em vez de uso 24/7, as máscaras tradicionais podem rapidamente se tornar desconfortáveis. De fato, muitos trabalhadores de hospitais relataram cicatrizes e irritações devido às tiras restritivas da orelha. Para médicas e enfermeiras que usam hijabi (típica vestimenta usada por mulheres muçulmanas), a situação é ainda mais complicada uma vez que máscaras padrão não trazem lenços na cabeça e coberturas faciais.

Com sua coleção de estréia, a marca Anywear tentou resolver esses problemas. Apelidada de “Banding Together”, a cápsula de revestimentos faciais especialmente projetados para mulheres mulçumanas oferece uma alternativa à onipresente máscara N95. Agora o modelo Halima Aden firmou uma parceria e ajudou a criar uma variedade de conjuntos de hijab e turbante. 
Os hijabs personalizados acrescentam algo novo à equação e ao mercado – exatamente o que os cofundadores de Anywear, Emily Shippee e Adi-Lee Cohen, tinham em mente. “Quando comecei a conversar com Adi sobre inclusão e desenhos, queríamos ter certeza de incluir mulheres que precisavam cobrir os cabelos e fazê-lo confortavelmente”, explicou Shippee por e-mail à Vogue britânica. “É claro que ninguém era melhor nisso do que Halima, porque ela costumava limpar os quartos do hospital quando começou a trabalhar e teve experiências valiosas em primeira mão.”

Os dias de Halima no Hospital St. Cloud, em Minnesota, são mais do que apenas uma nota de rodapé de sua história da Cinderela na moda. Como governanta, ela aprendeu os meandros da higienização e esterilização dos quartos dos pacientes. “Você precisa contar com médicos, LPNs e enfermeiras, mas também com as empregadas domésticas e a equipe de limpeza”, compartilhou Aden ao telefone de St. Cloud, sua cidade natal. “Fazemos uma grande parte em manter os pacientes saudáveis”.

O uso adequado da máscara faz parte dessa tarefa. Durante seu tempo na área de saúde, Halima experimentou como era usá-los sob o hijab. “Desde o início, eu entendi a importância de usar esse equipamento de proteção extra, fossem as luvas ou o equipamento de proteção individual; portanto, quando a Covid-19 aconteceu, e houve tantas faltas, senti tanta simpatia. Lutei com meu cachecol e tive que prendê-lo ”, diz ela. “Lembro-me de desejar que houvesse uma maneira de o hijab fazer parte do uniforme, em vez de eu ter que ir e combinar com o tecido e nunca conseguir encontrar opções de cachecol para combinar com minhas roupas.”


Para sua coleção, Halima projetou os tipos de peças que ela sempre procurava. Oferecido em uma variedade de cores, seus turbantes e hijabs se integram perfeitamente em um uniforme. O melhor de tudo é que cada compra vem com uma doação correspondente para fornecer EPI para os necessitados. “Eu queria algo que traga alegria para os pacientes e os profissionais de saúde”, diz ela.  “Há tantas mulheres hijabi trabalhando na área da saúde, e seu conforto é tão importante quanto qualquer outra pessoa na força de trabalho”.

Com Halima em Minnesota e a equipe Anywear espalhados entre Nova York e Tel Aviv, o projeto foi realizado por videoconferência. “Tudo aconteceu tão rápido. Nós pulamos em uma sessão de Zoom e acabamos de conversar. Então eles fizeram um belo trabalho enviando as amostras imediatamente ”, diz Aden. “Peguei um screengrab e mandei uma mensagem para o meu irmão para que ele pudesse mostrar a minha mãe. Então eu estava ligando para meu primo que trabalhava comigo em St. Cloud e era a pessoa que originalmente me contratou! Criá-las foi uma honra e um momento de círculo completo. ”

Durante a pandemia de coronavírus, a comunidade da moda respondeu com criatividade e solidariedade – a cápsula Anywear é um exemplo de ambos os princípios. A era Covid-19 ensinou muitas lições à indústria, mas Shippee e Halima esperam que as mudanças trazidas nos últimos meses tenham um impacto a longo prazo. “Minha maior esperança é que todos reconheçamos que somos humanos no final do dia. Este projeto trata de destacar os profissionais de saúde, mas muitos grupos estão se unindo para combater isso. Estou tão agradecido que os verdadeiros heróis finalmente estão recebendo a atenção que merecem.

Halima usa vestido e sapatos Delpozo, calça Wolford e chapéu Clyde (Foto: Zee Nunes)
Halima usa vestido e sapatos Delpozo, calça Wolford e chapéu Clyde (Foto: Zee Nunes)

A história de Halima é digna de best-seller. Sua família vivia do pastoreio nas cercanias de Kismayo, na Somália, até que a cidade, porto estratégico no oceano Índico, acabou virando palco de uma guerra civil que se espalhou por todo o país africano durante a década de 90.

Em 1993, seus pais se juntaram a outros somalis e cruzaram a fronteira a pé, em uma jornada que durou quase duas semanas, até chegarem a um campo de refugiados da ONU em Kakuma, no Quênia, um dos maiores do mundo – atualmente, abriga cerca de 180 mil pessoas.

Foi ali que nasceram Halima, em 1997, e seu irmão, três anos depois. Foi ali também que ela teve suas primeiras aulas de diversidade, convivendo com crianças de diferentes religiões e partes da África.

Aos 7 anos, Halima, a mãe e o irmão conseguiram imigrar para os Estados Unidos. Se estabeleceram em St.Cloud, no Estado de Minnesota – uma cidade com cerca de 65 mil habitantes, onde sua mãe tinha amigos entre a comunidade muçulmana local.

Mais ou menos nessa época, ela também começou a usar hijab, seguindo o exemplo materno. “Ser muçulmana na América não foi a coisa mais fácil do mundo, somos apenas cerca de 1% da população do país”, diz. “Crescer sem ver ninguém como eu representada na moda ou no cinema às vezes me fazia pensar que havia algo de errado comigo, com o jeito que eu me vestia. Me perguntava: por que não me encaixo? Estou assim tão longe dos padrões de beleza?”Halima passou a adolescência entre a escola e trabalhos no serviço de limpeza de hospitais. No ano passado, prestes a concluir o ensino médio, já de olho em uma vaga na St. Cloud University, onde queria estudar, decidiu se candidatar ao título de Miss Minnesota, que concede bolsas de estudo para as vencedoras.

Desafiando estereótipos, vestiu seu hijab, algo que nunca havia sido feito no concurso. Como as roupas de banho comuns também não combinam com sua interpretação do islã (ela se veste seguindo os códigos muçulmanos de modéstia), Halima perguntou aos organizadores do evento se poderia usar algo com um pouco mais de cobertura. “Sem problemas” foi a resposta.

Nas semifinais, na etapa de maiô do concurso, ela optou então por usar um burquíni acompanhado do hijab. Não venceu, mas criou enorme buzz na internet e, no dia seguinte, já recebeu uma ligação da IMG Models, mesma agência que representa top models como Gigi Bella Hadid.

Na sequência, veio o convite para posar para a CR Fashion Book, revista dirigida por Carine Roitfeld, ex-diretora de redação da Vogue Paris. O fotógrafo Mario Sorrenti, responsável pela edição, de tão encantado que ficou com Halima, de pronto quis colocá-la na capa. Foi seu primeiro editorial profissional. “Eu não cresci querendo ser modelo, nunca tinha imaginado que isso poderia me acontecer. Essa carreira caiu no meu colo, e acho que muitas meninas se identificaram com a minha história.”

Dentro da comunidade muçulmana, Halima conta que, apesar do estranhamento inicial, virou um exemplo de superação. “No início, me falavam para não seguir esse caminho, essa foi a parte mais difícil para mim. Quando comecei a investir na carreira de modelo, ninguém sabia o que esperar. Mas, quando as fotos começaram a sair, e viram que eu continuei usando o hijab, que eu tinha me mantido fiel a mim mesma, tudo ficou mais fácil.”

À esquerda Yeezy - Inverno 2017/18 e à direita Max Mara - Inverno 2017/18 (Foto: Imaxtree)
À esquerda Yeezy – Inverno 2017/18 e à direita Max Mara – Inverno 2017/18 (Foto: Imaxtree)

A publicidade também se rendeu a ela: Halima estrelou campanhas da American Eagle e da Nike e, no mês passado, estreou como um dos rostos da Fenty Beauty by Rihanna, linha de beleza da cantora lançada durante a semana de moda de Nova York.

“Parece coincidência, mas não é: a Rihanna realmente é a minha cantora favorita, sei quase todas as suas músicas de cor! E ela é tão doce pessoalmente, trabalhar com Rihanna foi umaexperiência inesquecível”, me conta empolgada.

Atualmente se dividindo entre as atividades da carreira de modelo e palestras por escolas e universidades dos Estados Unidos, Halima apoia uma série de causas humanitárias em sua conta no Instagram (@kinglimaa, que tem atualmente mais de 390 mil seguidores) e sonha trabalhar para o Unicef.

“Quero voltar aos campos de refugiados para poder levar a felicidade e a esperança que um dia precisei.” Ela confessa que ainda não está acostumada com a ideia de ter virado padrão de beleza. “A gente tem que se amar pelo que é e enxergar a beleza que existe dentro de nós. Você não precisa da legitimação de uma revista ou de uma propaganda, nem de likes no Instagram para se sentir bela. É uma questão de se enxergar como dona de si mesma. Você é a pessoa no comando da sua própria imagem”.

Hoje vista como símbolo para toda uma geração, Halima, que considera seus ídolos na moda a modelo americana (plus sizeAshley Graham e a canadense Winnie Harlow (portadora de vitiligo), ressalta que não tem a pretensão de ser um símbolo de todas as mulheres muçulmanas.

“Não somos todas as mesmas, e não acho que uma só pessoa possa representar um grupo inteiro. Mas acho que muitas mulheres, da minha e das mais variadas crenças, olham para mim, veem a minha trajetória e pensam: ‘Quem diria?’.”

Rihanna suspende a venda de seus produtos como forma de protesto contra o racismo no #BlackoutTuesday

‘Não é um dia de folga, é um dia para refletir e encontrar maneiras de fazer mudanças reais’, escreveu ela em e-commerce de maquiagem

Rihanna Foto: Taylor Hill / WireImage

Rihanna abriu mão da venda de sua linha de lingerie, a Savage, e de sua marca de beleza, a Fenty Beauty, nesta terça-feira, como forma de protesto contra a desigualdade racial. A cantora avisou no Twitter que não “estaria comprando m** nenhuma, nem vendendo m** nenhuma” e colocou um aviso no site da Fenty Beauty.

“A luta contra a desigualdade racial, a injustiça e o racismo não para com doações financeiras e palavras de apoio. Em solidariedade à comunidade negra, aos nossos colaboradores, nossos amigos, às nossaa famílias e aos colegas de todas as indústrias, estamos orgulhosos em participar do #BlackoutTuesday. A Fenty Beauty não realizará qualquer negócio nesta terça, 2 de junho. Não é um dia de folga, é um dia para refletir e encontrar maneiras de fazer mudanças reais”, diz o comunicado no site.

No e-commerce da Savage, quem entrava lia os dizeres: “esse site está usando um serviço de segurança para se proteger de ataques”.

BlackoutTuesday

O movimento, que acontece nesta terça-feira nas redes sociais e tem sido abraçado por celebridades, propõe postar quadrados negros para simbolizar um dia sem consumo em grandes plataformas.

Os organizadores querem que seja um dia “para se desconectar do trabalho e se reconectar à nossa comunidade” através de “uma etapa urgente de ação para provocar responsabilidade e mudança”.

Desde o dia 25 de maio, protestos têm tomado conta de todo o território americano por causa do assassinato do segurança negro George Floyd pelo policial Derek Chauvin. O crime aconteceu em Mineapólis, e as imagens que mostram Chauvin ajoelhado no pescoço de Floyd, asfixiando-o, rodaram o mundo e desencadearam uma série de revoltas contra a violência policial nas comunidades negras e a desigualdade racial.

Entre os famosos que já aderiram, além de Rihanna, estão drake, Britney Spears e Kilye Jenner.

The Witcher | Compositora Sonya Belousova lança versão no piano de “Toss a Coin to Your Witcher”

Sonya Belousova divulgou nova interpretação da faixa
ARTHUR ELOI

The Witcher | “Toss A Coin To Your Witcher” ganha nova versão

A compositora Sonya Belousova divulgou uma nova versão de “Toss a Coin to Your Witcher”, canção que escreveu para a primeira temporada de The Witcher. Diferente da versão da série da Netflix, que traz o vocal de Joey Batey (Jaskier), a nova faixa é apenas no piano. Ouça abaixo.

A primeira temporada de The Witcher está disponível na Netflix. O segundo ano está previsto para chegar ao streaming em 2021. Henry CavillAnya ChalotraFreya Allan Joey Batey retornam aos papéis principais de Geralt, Yennefer, Ciri e Jaskier.

Entre os estreantes, estão confirmados Kim Bodnia (Killing Eve) como Vasemir, Kristofer Hivju (Game of Thrones) como Nivellen. Yasen Atour (Dark Heart), Paul Bullion (Peaky Blinders) e Thue Ersted Rasmussen (Velozes & Furiosos 9) serão os bruxos Coën, Lambert e Eskel. Aisha Febienne Ross (A Garota Dinamarquesa) será a maga Lydia e a modelo britânica Mecia Simson, a maga elfa Francesca.

Obras de Picasso estão confinadas em Tóquio após cancelamento de exposição

Quadros de Miró e Dalí também estão em um armazém impedidos de serem devolvidos ao Museu Nacional de Arte de Catalunha
EFE

Obra de Picasso, da exposição Diálogos com Picasso, no Museu de Málaga Foto: EFE/Jorge Zapata

A maior coleção itinerante do Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC) – incluindo obras de PicassoMiró e Dalí– está confinada em um armazém em Tóquio depois do cancelamento de uma exposição na capital japonesa pela pandemia de coronavírus.

Devido à falta de voos devido à situação global da saúde, nem os organizadores japoneses da exposição podem devolver as obras para a Espanha, nem os técnicos do MNAC podem verificar pessoalmente suas boas condições.

A chefe de Registro e Exposições do museu de Barcelona, Susana López, explicou que, do Japão, eles receberam todas as garantias de segurança e climatização para certificar o bem-estar das obras. “A cada semana, a empresa que armazena as obras nos envia os registros de temperatura e umidade. Nós repassamos ao nosso departamento de conservação preventiva para verificar se tudo está correto e se as obras estão em condições adequadas”, disse López.

A coleção fez parte da exposição Barcelona, a Cidade dos Milagres Artísticos, que abriu na Galeria da Estação de Tóquio em 8 de fevereiro e foi suspensa vinte dias depois pela indicação do governo japonês de fechar grandes espaços com grande afluência para evitar contágio.

A galeria permaneceu fechada até a data prevista para o encerramento da exposição, no dia 5 de abril. Então, os organizadores japoneses desmontaram a mostra e a armazenaram em um armazém. “Oferecemos prolongar o empréstimo por mais tempo, como já fizemos com outros trabalhos que temos em outros lugares. Não foi possível. Não sabemos se foi uma questão econômica ou se foi devido a compromissos que eles já tinham assumido”, afirmou López.

Para a desmontagem de uma exposição desse calibre, o MNAC geralmente envia dois supervisores de sua equipe para verificar se o processo está correto, mas, dessa vez foi impossível. Assim, o certificado pelo bom estado das obras foi por meio de fotografias de alta qualidade enviadas pela galeria. Existem obras muito fáceis de desmontar, mas essa exposição tem luminárias, cerâmicas e móveis. Eles têm pontos mais frágeis que outros, é preciso saber para onde levá-los”, explicou López, que, no entanto, afirmou que estava “muito tranquilo” por causa do profissionalismo dos japoneses.

TikTok tomará medidas para promover criadores negros após ser acusado de censura

Plataforma terá conselho de diversidade e reavaliará processos de moderação

TikTok promoverá mudanças após críticas 

Após ser criticado por supostamente censurar vídeos, o TikTok decidiu tomar medidas para promover criadores negros. O serviço anunciou nesta segunda, 1, que criará um conselho de diversidade dos criadores, que terá como objetivo reconhecer e amplificar as vozes que direcionam  a cultura, a criatividade e os diálogos importantes na plataforma. 

O serviço afirmou que participará do “Black Out Tuesday”, movimento da indústria da música nos EUA que promoverá o silêncio em diversos serviços de música para protestar contra o racismo e a morte de George Floyd. A partipação do app se dará por meio do silenciamento da página Sounds e de todas as playlists e campanhas. 

Em relação à moderação de conteúdo, principal alvo de críticas, o TikTok afirmou que vai avaliar suas estratégias de moderação e vai contruir uma nova ferramenta para poder recorrer a decisões. A companhia disse ainda que criar um novo portal para expandir as comunicações e oportunidades para os criadores. A plataforma afirmou que doará US$ 3 milhões para organizações da comunidade negra, e mais US$ 1 milhão para combater injustiças e desiguldades raciais, embora nomes específicos não tenham sido revelados.  

Logo após o início dos protestos pela morte de George Floyd, o TikTok sofreu o que chamou de “problema técnico” que fazia com que vídeos com as hashtags BlackLivesMatter e #GeorgeFloyd aparecessem com zero visalizações. 

Glee: Atriz Samantha Ware reclama do comportamento de Lea Michele e elenco negro mostra apoio

Samantha Ware responde ao comentário antirracista da protagonista, alegando que a atriz a tratava com desrespeito
JULIA SABBAGA

Lea Michele e a atriz Samantha Ware, que interpretou Jane na 6ª temporada de Glee

A atriz Samantha Ware, que interpretou Jane na 6ª temporada de Glee, acusou a ex-colega de elenco Lea Michele, protagonista da série, de diversas microagressões durante as gravações. O comentário de Ware veio em resposta a um tweet antirracista de Michele, em que ela fala sobre a morte do ex-segurança George Floyd e usa a hashtag Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). 

“Rindo alto lembra quando você fez o meu primeiro trabalho na televisão um inferno na Terra? Porque eu não vou esquecer. Acho que você disse para todos que se tivesse a oportunidade você “defecaria na minha peruca”. Isto entre outras microagressões traumáticas que me fizeram questionar minha carreira em Hollywood….”, escreveu Ware. 

O comentário da atriz teve um amplo apoio no Twitter, inclusive de outros atores negros que passaram pelo elenco da série. Uma das principais atrizes de GleeAmber Riley, que interpretou Mercedes, publicou apenas um gif afrontoso, sem explicar a reação:

Além de Riley, Alex Newell, que interpretou Wade, e Dabier, que fez apenas uma participação na série, também fizeram comentários. Enquanto Newell também comentou apenas com um gif, Dabier acusou a atriz mais diretamente: “Garota você não me deixava sentar na mesa com outros membros do elenco porque ‘eu não pertencia lá'”, escreveu o ator. 

A atriz Yvette Nicole Brown, conhecida principalmente pelo seu trabalho em Community, também comentou as alegações, dizendo apenas que “sentiu cada uma das letras maiúsculas” do tweet de Ware. 

Criada por Ryan Murphy, a série musical foi exibida pela Fox entre 2009 e 2015. A atração acompanhava um grupo de adolescentes socialmente excluídos que estudavam no William McKinley High School e encontravam refúgio no coral organizado por um professor sonhador. No elenco da série estiveram nomes como Lea MicheleCory MonteithDarren CrissMatthew Morrison e Jane Lynch. As seis temporadas estão disponíveis na Netflix.