Digital artist Débora Silva examina manifestantes do Black Lives Matter “para imortalizar esse momento histórico”

Tom Ravenscroft | 5 June 2020  

A artista digital Débora Silva criou uma série de imagens em 3D das pessoas que participaram do protesto do Black Lives Matter no Hyde Park de Londres na quarta-feira, após a morte de George Floyd sob custódia policial. 

Cada uma das varreduras, que Silva postou no Instagram, mostra uma versão digital de um manifestante individual que participou da marcha para apoiar a igualdade racial no Hyde Park, em Londres.

“Desde a morte de George Floyd, uma quantidade sem precedentes de ativismo tem sido testemunhada em todo o mundo, fortemente impulsionada pelas mídias sociais, ativando manifestantes em dezenas de países”, disse Silva a Dezeen.

“Aqui eu queria trazer os manifestantes reais para o espaço digital em uma série de imagens que não foram vistas na fotografia de protesto”.

Silva espera que as imagens mostrem os manifestantes individualmente sob uma nova luz, mas também retrate o coletivo mais amplo de pessoas ao redor do mundo que estão protestando atualmente.

“Acredito que o retrato do indivíduo é significativo quando representa o coletivo”, explicou. “Minha série de retratos se concentra no indivíduo, mas tem como objetivo retratar todos nós – diversos e unidos por uma causa”.

Floyd foi morto em Minneapolis na segunda-feira, 25 de maio, quando um policial branco se ajoelhou no pescoço por oito minutos e 46 segundos.

Sua morte provocou protestos exigindo igualdade racial que se espalhou pelos Estados Unidos e se repetiu em países do mundo todo. Silva capturou essas imagens em um protesto no Hyde Park, em Londres, no dia 3 de junho.

“Decidi criar essas digitalizações em 3D seguindo o trabalho que faço como artista digital, na qual crio esculturas digitais que retratam pessoas ou eventos que considero significativos”, explicou ela.Explicou a história.Designers gráficos compartilham ilustrações e recursos em apoio ao Black Lives Matter.

“Espero imortalizar esse momento histórico, foi uma das maneiras que encontrei para contribuir e participar do que acredito ser uma revolução importante e necessária”.

Silva acredita que as digitalizações em 3D ficarão ao lado das inúmeras fotos e vídeos que documentaram os protestos e manifestantes, comparando o meio à escultura.

“As digitalizações em 3D são uma alternativa às fotos e vídeos, elas não as substituem”, disse ela. “Eu escolhi as digitalizações em 3D como meu meio devido à proximidade com a escultura”.

Outros designers e artistas reagiram à morte de Floyd compartilhando ilustrações e recursos para chamar a atenção para a causa Black Lives Matter, enquanto a artista Jammie Holmes exibia faixas representando as últimas palavras de Floyd sobre as cidades dos EUA.

Arquitetos e designers também se juntaram a mais de um milhão de pessoas postando um quadrado preto no Instagram em solidariedade com os que protestavam.

Riverdale | Criador se desculpa após críticas de Vanessa Morgan e Asha Bromfield sobre falta de diversidade e a desigualdade salarial na produção

Roberto Aguirre-Sacasa afirmou que a série vai honrar atores e personagens engros
GABRIEL AVILA

atriz Vanessa Morgan, intérprete de Toni Topaz, e Roberto Aguirre-Sacasa, criador e produtor executivo de Riverdale

Roberto Aguirre-Sacasa, criador e produtor executivo de Riverdale, pediu perdão pela pouca atenção que a série destina a atores e personagens negros. O comunicado surgiu após as declarações da atriz Vanessa Morgan, intérprete de Toni Topaz, e Asha Bromfield, a Melody Jones, que criticaram a falta de diversidade e a desigualdade salarial na produção. Nas palavras de Aguirre Sacasa, as reclamações foram ouvidas e serão honradas:

“Nós ouvimos Vanessa. Nós amamos Vanessa. Ela está certa. Sentimos muito e faremos a mesma promessa que fizemos a ela, a vocês. Faremos o nosso melhor para honrar a ela e sua personagem. Assim como todos os atores e personagens negros. Mudança está acontecendo e vai continuar a acontecer. Riverdale vai ficar maior, não menor. Riverdale fará parte do movimento, não ficar de fora. E todos os roteiristas de Riverdale fizeram uma doação ao Black Lives Matter LA, mas sabemos onde o trabalho deve ser feito por nós. Na sala dos roteiristas.”

A produção da quarta temporada de Riverdale está paralisada desde que um membro da equipe da produção da série teve contato com um paciente que havia sido diagnosticado com o COVID-19. Ainda não há previsão para a retomada das filmagens.

Riverdale narra as idas e vindas de um grupo de adolescentes de uma cidade aparentemente tranquila, mas que na verdade esconde muitos segredos. Estrelada por KJ ApaCole SprouseCamila Mendes Lili Reinhart, o seriado está no ar desde 2017.

Produtoras acionam a Justiça para Ancine liberar verbas aprovadas

Servidores dizem que há pressão deliberada por atraso de repasses quando projetos têm temas que desagradam ao governo
Helena Aragão e Nelson Gobbi

Cena da série animada ‘Boris e Rufus’, da produtora Belli Studio, que liberou recursos aprovados após entrar na Justiça Foto: Divulgação

RIO — Sem acesso a recursos já aprovados e preocupados com o futuro do mercado audiovisual pós-pandemia, produtores passaram a acionar a Agência Nacional de Cinema (Ancine) na Justiça. Desde meados de abril, empresas começaram a entrar com mandados de segurança para que a agência libere recursos de projetos já aprovados e que cumpriam os trâmites exigidos, mas que estavam parados sem uma justificativa clara aos proponentes. Algumas destas ações determinam inclusive multas diárias direcionadas ao presidente interino da instituição, Alex Braga.

A judicialização se transformou na última saída para produtores que esperavam meses (em alguns casos, mais de um ano) pela conclusão de processos que se arrastavam em sucessivas demandas burocráticas.

O apelo à Justiça foi colocado em prática, por exemplo, pela produtora catarinense Aline Belli, sócia da Belli Studio, responsável pela série animada “Boris e Rufus”, exibida pelo Disney XD no Brasil e na América Latina. Para a realização dos 13 episódios da segunda temporada, a produtora foi selecionada em um edital de Santa Catarina, pelo qual recebeu R$ 250 mil em outubro de 2018. O projeto seria complementado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), no valor de R$ 950 mil.

Após cumprir todas as exigências, o prazo máximo determinado pela própria Ancine seria de aproximadamente 105 dias, entre análise do projeto e análise complementar, o que deveria acontecer até junho do ano passado. Um ano depois, o contrato foi enviado apenas após a entrada da produtora na Justiça.

— Passamos meses fazendo tudo o que eles nos pediam, tentamos todos os contatos possíveis, inclusive por intermédio do governo do estado. Nos informavam que estávamos numa fila de análise, mas sem dar um prazo. Como eu poderia fechar um contrato de exibição sem a previsão de quando os recursos para finalizar a produção serão liberados? — questiona Aline.

A ação abriu precedentes para que outros produtores buscassem seus recursos aprovados através de mandados judiciais. Apenas entre os membros da Associação das Produtoras Independentes (API), estima-se que entre 25 e 30 processos sigam o mesmo caminho, para a liberação de um montante total que pode chegar a R$ 15 milhões — que poderiam estar movimentando o mercado audiovisual num momento de crise e que seguem travados pela agência.

Um produtor de um documentário baseado em São Paulo, que prefere não se identificar por temer represálias futuras na agência, optou pelo mandado de segurança para obter o orçamento já captado para a produção. Segundo ele, o temor é que a fila de análises, que já é longa, aumente ainda mais com a necessidade de passar à frente projetos com prazo de cumprimento determinado pela Justiça.

— Há mais de uma década faço estes trâmites na Ancine. A impressão é que de dois anos para cá a burocracia aumentou muito, e por vezes temos que refazer os processos. Havia um diálogo maior com o setor, hoje recebemos decisões que parecem arbitrárias e nos deixam falando sozinhos — diz o produtor. — É uma morosidade que não se justifica, e são recursos originados pelo próprio audiovisual. Se não há uma razão econômica, fica uma sensação de um viés ideológico por trás do travamento deste dinheiro.

‘Álibi conveniente’

Também sob condição de anonimato, dois servidores da Ancine confirmaram as impressões do produtor. Um deles disse haver pressão para que produções com temas que contrariem as diretrizes para a liberação de fomento, como sexo e drogas, caiam em demandas burocráticas, que vão de novas análises até diligências para as produtoras.

— Eram orientações sutis da direção, que não eram passadas diretamente a todos os servidores da área. Mas nunca vi nenhum funcionário aceitando este tipo de pressão, e muitos projetos andaram por iniciativa deles — conta um dos servidores. — Mas há uma perseguição a quem não aceita, gente que perdeu gratificação, ou foi impedida de trocar de área.

Outro servidor ouvido entende que há uma vontade deliberada de segurar projetos, seja qual for a temática:

— Pode ter foco maior sobre projetos de determinados temas, mas tem uma coisa mais ampla deste governo para não repassar verbas para a cultura. As demandas do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a prestação de contas viram um álibi conveniente para travar as coisas.

Procurada, a agência não se manifestou sobre as manifestações dos servidores. Mas disse que “as decisões judiciais serão cumpridas, e as ações da Ancine também serão informadas em juízo, assim como a situação financeira do FSA” e que “a direção da Ancine tem compromisso com a gestão pública e a legislação em vigor”.

Para Douglas Duarte, diretor da API, é preciso que a agência volte a se comunicar com o setor:

— Não é razoável o governo ignorar uma área que transforma cada R$ 1 de financiamento em outros R$ 3. E o fomento é a partir de verba gerada pelo próprio setor. A agência existe para que as políticas públicas de estado não virem políticas de governo. O FSA está parado por falta de uma reunião do Comitê Gestor do Fundo.

A reunião, esperada desde o início da pandemia, foi citada em postagem da ainda secretária especial da Cultura, Regina Duarte. Nesta sexta-feira, a atriz, que pediu para deixar o cargo há 15 dias, disse que não queria sair com as “conquistas para a cultura” incompletas. “Um exemplo? A convocação pelo Ministério do Turismo, da reunião do Conselho Gestor da Ancine, para que o Fundo Setorial do Audiovisual seja liberado”. Ela não deixa claro, no entanto, quando será a reunião. O fundo mantém repasses que datam de 2018 e podem chegar a R$ 2 bilhões.

Comédia que faz chorar, ‘A Despedida’ é pessoal e universal ao mesmo tempo

Um dos filmes mais premiados de 2019 chega agora ao streaming brasileiro

Cena do filme “A Despedida” – Divulgação

Por alguma razão misteriosa, “A Despedida” levou um tempo enorme para chegar ao Brasil. O segundo longa da diretora Lulu Wang foi exibido no festival de Sundance em janeiro de 2019, e estreou nas salas americanas em julho. Tornou-se rapidamente um sucesso no circuito de arte, além de um queridinho da crítica.

“A Despedida” já acumulou 33 prêmios até o momento, inclusive o de melhor filme no Spirit Awards, voltado ao cinema independente, e o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia para a protagonista Awkwafina. Agora, finalmente, pode ser visto no país: desde quarta (4), está disponível para aluguel em algumas plataformas de streaming.

Essa demora fica ainda mais estranha quando se sabe que “A Despedida”, apesar de quase todo falado em chinês, trata de um assunto que toca fundo nos corações brasileiros: as relações em família. Com algumas alterações cosméticas, sua história poderia muito bem se passar por aqui.

Mas também há algo de profundamente pessoal no filme, que a diretora e roteirista baseou em suas próprias experiências. O ponto de partida é “uma mentira verdadeira”, como anuncia um letreiro na abertura: o costume chinês de não contar aos desenganados que eles têm pouco tempo de vida, para lhes poupar sofrimento.

Billi (Awkwafina, que o público brasileiro já viu em comédias como “Podres de Ricos” e “Oito Mulheres e um Segredo”) é uma mulher na casa dos 30 anos. Como a própria Lulu Wang, nasceu na China e foi criada nos EUA.

Sua vida profissional está indefinida, assim como a amorosa. Sua mãe (a ótima atriz sino-australiana Diana Lin) a recrimina o tempo todo. Seu único alívio parece ser a avó que ficou na cidade de Changchun, a quem ela chama de Nai Nai (vovó em mandarim). A personagem é vivida por Zhao Shuzhen, uma das grandes damas do teatro na China.

Nai Nai foi diagnosticada com câncer terminal, mas não sabe disso. Sua irmã mais nova, que a acompanhou ao hospital quando foi fazer exames, mente que ela tem “manchas benignas” no pulmão. Seus filhos são alertados: além do que mora nos EUA, há um outro, que se mudou com mulher e filho para o Japão. Todos aderem à mentira. E ainda inventam um casamento em Changchun, para que a família tenha um pretexto para se reunir e se despedir da matriarca.

Mais americana do que chinesa, Billi não se conforma. Por que não contar a verdade para a avó? E este é só um dos muitos choques culturais por que ela passa durante a viagem, desabituada que está com seu país natal.

A China que aparece na tela não é bonita. Changchun, que fica na fria região da Manchúria, parece uma cidade genérica, de arranha-céus retangulares e pardacentos. Já os interiores chamam a atenção pela cafonice: estampas conflitantes, quinquilharias ocidentais fora de contexto, cores descombinadas. A sequência no estúdio de um fotógrafo de noivos é de ferir os olhos.

Mas Lulu Wang filma tudo com enquadramentos elegantes, valorizados pela edição lacônica e pela trilha de inspiração clássica de Alex Weston, que não tem um único elemento chinês. Se o Oscar fosse mais aberto às mulheres e à diversidade étnica, Wang teria concorrido a melhor diretora.

“A Despedida” competiu no Globo de Ouro como comédia, mesmo tendo momentos de apertar a garganta. Embora seja uma produção americana, as regras daquela premiação também lhe permitiram ser indicado a melhor filme em língua estrangeira.

Perdeu nesta última categoria para o sul-coreano “Parasita”, mas há um certo parentesco entre os longas. Ambos (assim como o japonês “Assunto de Família”, vencedor do festival de Cannes de 2018) trazem um olhar oriental e extraordinariamente humano para a universalidade das dinâmicas familiares. [Tony Goes]

“A DESPEDIDA COTAÇÃO” *****

  • Elenco Awkwafina, Zhao Shenzen, Tzi Ma e Diana Lin
  • Direção Lulu Wang
  • Disponível para aluguel Now e Looke

Photographer Steven Chee Latest Editorial for Grazia Magazine

Photography: Steven Chee. Fashion Direction: Charlotte Stokes. Hair: Kyye Reed. Makeup: Aimie Fiebig. Fashion Assistants: Patrick Zaczkiewicz & Chloe De Torres. Models: Alice Topps & Josh at Priscillas, Calan at Img, Gabriel & Maui at Kult.

O sangue fresco do terror: como uma nova geração de diretores pode revolucionar o gênero (e apagar os sustos)

Antes cheio de medo, sustos e grito, o cinema de horror agora aposta em algo pé no chão. Esqueça os pulos, mas não roa as unhas
YOLANDA REIS

A Bruxa (Foto: Divulgação /A-24)

Houve um tempo que crianças (e adultos) iam para a cama apovaradas com algo do outro mundo. Embaladas pelos longos cabelos de Samara (O Chamado, 2002), pulavam a hora da TV durante a noite, ou então evitavam olhar para o lado em viagens de carro, por medo do ver ali, no meio dos campos, um extraterrestre (Sinais, 2002). Mas as crianças (e adultos) de hoje em dia tem mais com o que se preocupar: o próprio mundo.

Se a década de 2000 marcou a ascensão de filmes cheios de demônios, espíritos malignos, alienígenas e fantasia sinistra, os novos anos 20 vêm para virar isso de cabeça para baixo e tratar do terror de um modo mais “pé no chão” – os elementos assustadores vêm do dia a dia, do convívio com os outros. Ou da própria cabeça, muitas vezes.

Ondas do medo

A mudança no tom é algo bastante natural – aconteceu no cinema de terror, antes, algo parecido. Quando o gênero começou a existir, nos anos 1920 (com o expressionismo alemão e a “coleção” ), da Universal), a aposta era em monstros. DráculaFrankesteinMúmia, entre outros. A tendência se esticou para a década seguinte, com a Era de Ouro dos Monstros da Universal. Mas no final dos anos 1930 veio a decadência do estilo, pouco a pouco.

Depois de alguns anos mornos, o cinema do terror ganhou mais força durante a segunda metade dos anos 1940 e durante os anos 1950. Agora, o gênero ganhou um grandíssimo aliado: o suspense. Um dos principais nomes da época – e também dos anos 1960 – foi Alfred Hitchcock. Criava histórias aterrorizantes e eletrizantes – e passava longe de monstrengos, reunindo-se dentro do medo humano mais puro. Roman Polanski, Francis Ford CoppolaGeorge Romero. Todos nomes a brilharem sangue e terror nas telonas dos anos 1960.

Não demorou muito, porém, para o sangue ser a palavra mais importante do cinema. Nos anos 1970 e 1980, abandonam-se as mazelas sociais e chegam violência extrema, banhos vermelhos, um verdadeiro slasher. Assassinos impiedosos que queriam fazer a plateia se encolher ao ver tripas.

Poucas excessões da sanguinolencia eram as adaptações (agora, anualmente “obrigatórias”) de livros de Stephen King. As histórias dele tinham um pouco de violência, um pouco de humanidade, um pouco de sobrenatural (até então, conjunto pouco explorado nas telas). CarrieO Iluminado pavimentaram o caminho para o terror dos anos 1990: filmes naada exagerados, mas com um mix de elementos com um único objetivo: frio na espinha. É o caso de Pânico (1996), O Sexto Sentido(1999) ou O Silêncio dos Inocentes (1991).

Os anos 2000, porém, tiveram uma década inicial bastante marcada por um estilo específico: o terror sobrenatural. Foi a época dos espíritos raivosos, corpos na parede buscando vingança, demônios e tabuleiros de ouija, investigações paranormais. E muitos, muitos jumpscare – “terror” e “susto” quase viraram sinônimo. Exemplos mais famosos são O Grito e O Chamado – mas há tantos filmes com enredo tão parecido que ficaríamos auqi para sempre dando exemplos equivalentes.

Mas, quase um século depois do começo do terror nos cinemas, as pessoas cansaram dos sustos. O cinema nos anos 2010 e, agora, 2020, resgatam os espectadores da mesma maneira de antes, tirando os monstros para trazer a realidade. Há uma nova fase no terror – ela não quer fazer você pular da cadeira… Mas você roerá as unhas.

Sangue fresco

Os anos 1960 foram memoráveis para o terror pelo surgimento, evolução e auge de alguns dos principais nomes do estilo: Alfred Hitchcock (PsicoseOs PássarosDisque M Para Matar), Roman Polanski (O Bebê de RosemaryRepulsion). Até Coppola, conhecido por outros caminhos, arriscou-se no horror à época.

Às vésperas dos anos 2020, o cinema viu surgir outros fortíssimos diretores de terror. São sangue fresco prestes a derramar mais sangue fresco, como descreveu David Fear ao fazer um balanço dos melhores lançamentos de 2019 para a Rolling Stone.

Assim como os célebres e clássicos diretores, os novos nomes de terror deixam para lá monstrengos e criaturas sobrenaturais para apostar em terrores centrados no habitual. O assustador deixa de ser o desconhecido e torna-se algo a ser encontrado ao olhar para fora da janela do quarto, ou em uma viagem com amigos, talvez num pesadelo ao dormir no ônibus no caminho do trabalho. São temores reais, mesmo quando não são.

Jordan Peele talvez seja o maior exemplo da nova fase-década do terror-pé-no-chão. Aos 40 anos, estrelou pouco mais de uma dezena de filmes. Dirigiu dois. Ambos horrores extremamente aclamados: Corra!(2017), mostra a história de um homem negro em viagem para conhecer os pais da namorada. Percebe os empregados negros da casa, e logo entende como todas as pessoas não-brancas do núcleo são prisioneiras. Estreou com impressionante 99% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Seguindo o sucesso, Peele decidiu dirigir outro terror. O mais recente, Nós (2019) mostra uma família na casa de praia. Mas, ao olharem para fora, veem clones de si mesmos parados, esperando, tentando entrar. Você não vai pular de susto – mas sentará na pontinha da cadeira tentando entender o desenrolar bizarro do terror macabro.

Junto de Peele, há Ari Aster. Soma apenas 34 anos, e também tem só dois filmes no catálogo. Mas, assim como o colega de profissão, a dupla já o colocou num patamar de sucesso. Sua estreia foi em 2018, com Hereditário. No longa, uma família se depara com acontecimentos inexplicáveis e surpreendentemente macabros após a morte da figura enigmática que era a mãe da protagonista. Até que o incompreensível se torna assustadoramente visível. No ano seguinte, veio Midsommar, sobre um grupo de antropólogos visitando uma vila sueca onde, no verão, quase não há noite, e as pessoas vivem de modo simples e ritualístico. Até gente começar a sumir.

Peele e Aster são dois nomes de muitos num padrão de filme (medo por medo, e não pelo terror irreal). Mas há muitos, muitos outros da mesma escola: Richard Shepard (The Perfection e a nova adaptação de Twilight Zone); Robert Eggers (O Farol, A Bruxa) e a brilhante Issa López (Os Tigres Não Têm Medo; Todo Mal) são alguns exemplos da nova onda.

Talvez seja importante adicionar uma nota de rodapé, aqui: embora tenha vindo com força e impressionado, o terror pé no chão não foi a única vertente do medo dos anos 2010, nem  da próxima década. No estilo, há várias franquias impressionantes e divertidas (Invocação do MalBrinquedo Assassino) e as adaptações bate-ponto de Stephen King (It: A Coisa, Cemitério Maldito, sempre mais um CarrieDoutor Sono). São filmes divertidos e horripilantes – mas num molde que fica cada dia mais gasto.

Toda a beleza do medo 

Embora Ari Aster tenha sentado duas vezes na cadeira de diretor e feito trabalhos magníficos, sua influência no novo terror vai muito além dos poucos títulos. O cineasta ajudou a levar o estúdio A-24 para praticamente todos os holofotes de Hollywood. A empresa, hoje, é conhecida como “a cara” do terror pé no chão.

O estúdio, formado há apenas oito anos, começou a ganhar relevância em 2015, ao co-produzir o ganhador de Oscar O Quarto de Jack (embora Universal leve a bolada pelo longa). No mesmo ano, produziu Amy, documentário sobre Amy Winehouse. Em 2016, conseguiu outro sucesso com o premiadíssimo Moonlight.

Mas 2016 foi importante por algo além disso. Naquele ano, foi a estreia de A Bruxa. O filme mostra uma família extremamente católica e puritana. Em 1630, são expulsos na comunidade e precisam recomeçar a vida – mas o filho caçula some antes de ser batizado, e a mãe acusa a filha mais velha de ser uma bruxa e tê-lo matado. A história não apela para o horror visual – e sim para a própria história. Foi um sucesso absoluto num meio em que há tempos não se via algo assim.

Nos anos seguintes, A-24 continuou lançando diversos filmes (alguns, como Lady Bird, com ótimas respostas do público e crítica). Mas sua joia tornou-se o terror. Hereditário (2018), Under the Silver Lake (2018), Midsommar (2019), O Farol (2019), In Fabric (2019)… Um currículo de peso. Em comum, toda a questão de explorar os medos mais reais.

A grande aposta do estúdio, que ora distribui, ora produz, são filmes de terror com uma qualidade impecável. Se nas últimas décadas um enredo pouco criativo sustentava-se com sustos e fantasmas de CGI, agora nada menos do que a perfeição é esperada. É impossível assistir Midsommar ou O Farol, por exemplo, e não se impressionar com a beleza dos cenários bem pensados e a maravilhosa fotografia (deste último, em preto e branco) conversando com quem assite.

Diversas produções do estúdio, inclusive, reacenderam uma discussão enterrada por muitos anos: por que terror não concorre ao Oscar? Durante a década de 2000, parecia justo – como O Grito ou Bruxa de Blair concorrerriam se não prezavam qualidade absoluta? Mas, agora, a decisão parece injusta, pois a direção e cuidados artísticos são, sem dúvidas, dignas de um Oscar.

Talvez, com o crescimento irrefreável da nova fase do terror pé no chão, a Academia reavalie um ou dois preceitos antigos. Afinal, esqueça o medo que sempre teve – você não encontrará a Samara no novo terror. Apenas cenas de encher os olhos.

Estúdio canadense Smoke Architecture projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono

O projeto utiliza madeira laminada cruzada para conseguir reter o carbono
GIOVANNA OLIVEIRA | FOTOS DIALOG

 (Foto: Dialog)

O estúdio canadense Smoke Architecture, que pertence às empresas de arquitetura Dialog e Ontario, está projetando uma universidade neutra em emissões de carbono. O projeto, denominado A-Block Building Expansion, será uma expansão de seis andares a uma universidade já existente, a Centennial College of Applied Arts and Technology.

Estúdio projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono (Foto: Dialog)

Por meio de madeira laminada cruzada, que será utilizada na construção, o edifício conseguirá reter carbono. Além disso, o prédio, localizado em Toronto, no Canadá, contará com painéis fotovoltaicos no telhado para a produção de energia. De acordo com a Dialog, esta será a primeira universidade neutra em emissões de carbono e que utiliza madeira maciça do mundo.

O espaço projetado pelo estúdio terá um telhado plano, coberto com alumínio, além de extensões de vidro nas laterais. A ambiente, que adicionará 13.935 m² para a universidade, terá uma série de referências aos povos indígenas.

“Baseando-se fortemente nos princípios indígenas, o edifício está enraizado no conceito de ‘visão de dois olhos’ para ajudar a incentivar a reconciliação com as primeiras nações do Canadá”, disseram os arquitetos da Dialog.

Estúdio projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono (Foto: Dialog)

Para seguir o modelo utilizado nas habitações indígenas, o estúdio posicionou a entrada principal do edifício no lado leste. A locação das salas também foi baseada nos padrões das tribos. Ademais, o interior do projeto conta com salas de aula em formato de tenda e com ilustrações indígenas.

Estúdio projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono (Foto: Dialog)
Estúdio projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono (Foto: Dialog)
Estúdio projeta faculdade no Canadá que será neutra em emissões de carbono (Foto: Dialog)

Premiere: Reka Zalan – Involve & Friends | BE-AT.TV

Reka Zalan abre a vitrine do Involve & Friends com uma mistura de breakbeat e groovy techno.

Ex-jurada Gabrielle Union do America’s Got Talent registra queixa de racismo nas gravações do reality

Gabrielle Union diz que foi ameaçada por presidente da NBC para que não denunciasse casos

Gabrielle Union – The America’s Got Talent season 14 kick-off

A atriz Gabrielle Union, 47, prestou queixa por discriminação racial na Justiça do estado da Califórnia ​contra os produtores e a emissora NBC, responsáveis pelo reality America’s Got Talent, na qual ela trabalhou como jurada.

Os acusados na queixa feita são as produtoras Syco, de Simon Cowell, e FremantleMedia, bem como a NBCUniversal, dona da emissora NBC.

À revista Variety, a atriz revelou que o presidente do canal, Paul Telegdy, chegou a ameaçá-la para que ela não denunciasse os casos de racismo que sofria durante as gravações.

Union foi demitida do programa em 2019 e, desde então, denúncias têm surgindo sobre o ambiente das gravações do reality. Dentre as denúncias estão casos de racismo, como críticas ao cabelo da atriz e apresentações com “blackface” aprovadas por produtores.

Um porta-voz da NBCUniversal enviou uma nota oficial à Variety, dizendo que as acusações de ameaça são falsas, e que todas as reclamações de Union foram levadas a sério. Bryan Freedman, o advogado da atriz, diz que a emissora usa um “jogo de palavras” para negar a acusação, e que a ameaça foi feita a um dos agentes de Union.