‘Numa crise, a balança é favorável para os visionários’, diz Diretor de Engenharia do Google, Berthier Ribeiro-Neto

Scroll down to content

Para o primeiro funcionário do Google no País (e diretor de engenharia da empresa na América Latina), pandemia no início dos anos 2000 poderia ter mudado destino do Orkut e das redes sociais
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Berthier Ribeiro-Neto, do Google, imagina o que poderia ter acontecido com o Orkut 

Berthier Ribeiro-Neto chegou na internet brasileira quando tudo ainda era mato. Diretor de engenharia do Google para a América Latina, o mineiro foi o primeiro funcionário da gigante no País. Do início dos anos 2000 para cá, ele viu a evolução da ferramenta de buscas, viu nascimento e morte do Orkut e observou como nos relacionamos com a tecnologia. 

Professor de computação na UFMG, Berthier também é um ativo observador da relação entre humanos e tecnologia. Para ele, caso uma pandemia como a do coronavírus tivesse acontecido por volta de 2005, a trajetória do Orkut e das redes sociais poderia ter sido outra. Mais que isso: ele acredita que superaríamos as deficiências tecnológicas da época para criar conexões. “Existem necessidades humanas mais fundamentais que independem da tecnologia”, diz. 

Uma pandemia naquela época poderia ter dado uma sobrevida aos blogs?
Tendo a achar que não, mas existem necessidades humanas mais fundamentais, que independem da tecnologia. Temos necessidade de reconhecimento por parte dos pares. Essa é uma motivação que parte da espécie que somos e que precede a tecnologia.

Que tipo de conteúdo digital estaríamos consumindo?
Acredito que as lives seriam sucesso também naquela época. A incerteza de uma crise dessas gera uma ansiedade monumental e isso gera problemas de saúde mental. Esses eventos e shows são importantes. Elas dão uma oportunidade para se conectar.

Mas as pessoas comuns estariam fazendo lives? Os smartphones não existiam, as webcams eram horríveis…
Fariam. As câmeras fotográficas já estavam muito disseminadas. Você filmava com a câmera, depois tinha conector especial, mas dava pra fazer em casa. A gente tem a necessidade de compartilhar. Somos uma espécie grupal. Se ficarmos isolados durante muitos anos, nos desestabilizamos emocionalmente. Num momento de crise, de grande dor, suplantariamos as deficiências tecnológicas da época para produzir conexões.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: