Clássico ‘Psicose’, de Alfred Hitchcock, traz a loucura em preto e branco

Scroll down to content

Boicotado pelo estúdio, diretor usa equipe de TV para filmar o longa. Anthony Perkins, que faria 85 anos, vive pervertido Norman Bates, maior psicopata das telas

Clássico. Anthony Perkins e Janeth Leigh em cena memorável de “Psicose”, de Alfred Hitchcock 1960 / Divulgação

Quando estreou no dia 16 de junho de 1960, “Psicose”, de Alfred Hitchcock, foi classificado pelo crítico Bosley Crowther, do jornal “The New York Times” como “um tropeço numa memorável carreira”. Mas o filme orçado em US$ 800 mil rendeu em um ano nada menos que US$ 13 milhões. E o sucesso elevou a clássico o longa-metragem que contém uma das mais aterrorizantes e belas cenas de suspense do cinema, a do assassinato de Marion Crane (Janet Leigh) durante o banho. A reboque, “Psicose” tornou o pervertido Norman Bates (vivido por Anthony Perkins) o mais carismático psicopata das telas.

A Paramount não gostou da ideia de Hitchcock adaptar um autor menor (Robert Bloch, autor do livro “Psycho”, em que se baseou o roteiro) para o cinema e boicotou o projeto, proibindo-o até de usar suas instalações. O diretor utilizou a equipe e os estúdios da série de TV “Suspense”, que realizava para a Universal, e as filmagens duraram 36 dias, a portas fechadas. A teimosia do inglês rendeu um filme antológico.

Não há como desgrudar o olho da tela diante da ambígua figura de Norman Bates. Na aparência, ele é o simplório zelador de um motel. Na prática, é um maluco de carteirinha, que veste as roupas da mãe para matar. Nessa versão original (“Psicose” renderia três continuações), Norman observa uma hóspede se despir minutos antes de ela ser assassinada a facadas no banheiro. Ela não estava ali por acaso: havia fugido com um dinheiro roubado, hospedando-se naquele motelzinho de beira de estrada.

A antológica sequência do assassinato de Marion não demora um minuto, mas tem 70 tomadas diferentes, feitas em mais de uma semana até se atingir o efeito final. “Psicose” criou um precioso ensaio sobre voyeurismo e perversão em preto-e-branco.

A carreira do ator Anthony Perkins ficou marcada por sua atuação no longa, e muitos críticos acharam na época que ele merecia ter ganho um Oscar pela sua interpretação, mas nem chegou a ser indicado. Sua única indicação para o prêmio foi a de ator coadjuvante pelo filme “Sublime tentação” de 1956.

Anthony Richard Perkins nasceu, em 4 de abril de 1932, na cidade de Nova York. Na década de 60 desenvolveu uma profícua carreira na Europa, onde atuou sob a direção de vários cineastas de prestígio, entre eles Claude Chabrol, René Clement, Orson Welles e Edourd Molinaro.

De volta aos Estados Unidos, continuou interpretanto o personagem Norman Bates em sequências do filme. Estrelou em 1983, “Psicose II”, de Richard Franklin; em 1986, “Psicose III”, por ele próprio dirigido, e em 1990, para a televisão, “Psicose IV – O começo”, de Mick Garris. Morreu no dia 12 de setembro de 1992, em Los Angeles, de complicações causadas pelo vírus da Aids. Deixou dois filhos do casamento com a atriz e fotógrafa Berry Berenson. [O Globo]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: