Sua casa é sua nova cafeteria (parte 2): aprenda a moer seu café

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Conheça os diferentes tipos de moinho de café para uso doméstico
Por Ensei Neto

Moinho de mós cônicas manual. FOTO: Ensei Neto/Arquivo pessoal

“Do pó viemos…”

Os consumidores de café, em sua maioria, começaram sua jornada cafeinada com café torrado e moído.

Até o final dos anos 1960, a embalagem predominante nas prateleiras de supermercados era a clássica “almofada”, que recebeu esse nome porque seu formato lembrava uma almofada ou travesseiro. Ainda é uma embalagem com boa presença entre as marcas mais competitivas, ocupando importante espaço nas prateleiras.

Como aliado de primeira hora, o coador de pano, feito em algodão levemente aflanelado, reinava absoluto no Brasil, pois é o elemento principal na extração do cafezinho.

No final dos anos 1960, foi lançado no Brasil o filtro de papel pela Melitta, dona da primeira patente desse sistema, provocando profunda mudança na forma de preparar o café, que como cafezinho é uma combinação de infusão (pó na água) com posterior filtração, o novo sistema é somente a chamada percolação (água no pó).

café torrado e moído na embalagem almofada sempre se caracterizou pela moagem fina, que tinha o objetivo de tornar a extração mais eficiente, muito parecido com o que ocorre no preparo no Ibriq ou método turco, como também é conhecido.

Naquela época, outro método que tinha adeptos principalmente entre os descendentes de italianos ou quem tivesse viajado à Itália, era a cafeteira Moka ou Italiana, que pede uma moagem menos fina.

Até o final dos anos 1980, era comum ver em padarias e mercados de bairro o serviço de moagem do café à frente do consumidor, que escolhia por moagem mais fina ou mais grossa a seu critério.

Com a possibilidade de se adquirir café torrado em grãos, cuja primeira iniciativa foi pelo Américo Sato, então um dos sócios do Café do Ponto, na rede de cafeterias do mesmo nome, veio a necessidade de se ter um moinho em casa.

Moinho de facas. FOTO: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

Hoje em dia é possível encontrar cafés torrados em grão em algumas redes de supermercado, empórios e, principalmente, nas cafeterias, com seus lotes especiais. Cada método de preparo exige uma moagem para que a extração fique bem boa.

Basicamente, existem dois tipos de moinhos domésticos: o de faca, que lembra um liquidificador, o de rosca sem fim, e o de mós cônicas.

O de rosca sem fim é um clássico, que exige apenas energia muscular, ideal para lugares sem energia elétrica. Sua regulagem é feita numa das pontas da rosca, próximo à parede com conjunto de furos. A velocidade aplicada à manivela pode melhorar a uniformidade dos grânulos de café.

O moinho de faca, que entre os elétricos é o mais fácil de se encontrar e, também, de preços bem acessíveis, faz um bom trabalho, desde que se tenha atenção para alguns pontos. Por exemplo, faça ciclos de 10 segundos, aproximadamente, agitando o moedor para que as partículas de café fiquem reacomodadas para uniformizar o processo. Repita essa operação até chegar à moagem que você considerar adequada ao método de preparo escolhido.

O importante para este equipamento é observar a potência do motor, sendo recomendáveis aqueles com mais de 120 watts. Quanto maior a potência, maior será a durabilidade do equipamento.

Os moinhos de mós cônicas podem ter esse conjunto em aço ou em cerâmica. Os de cerâmica têm jeito mais artesanal, pois são mais fáceis de serem aplicados em equipamentos pequenos, sempre manuais.

Mós feitas em aço são comuns em equipamentos elétricos de alto nível, ideal para os coffee lovers mais avançados. Os preços desse tipo de equipamento variam bastante, sendo bem mais caros, acima de R$ 1 mil.

E se, por acaso, não tiver nada disso?

Não se preocupe… vale aqui uma divertida e criativa dica do meu amigo barista Ton Rodrigues, da True Coffee: escolha uma camiseta de algodão que você não queira mais usar, coloque a quantidade de grãos torrados de café que irá usar e envolva com a camiseta. Em seguida, com um martelo (sim, um mar–te–lo!), aplique golpes sem dó, abrindo de vez em quando para verificar o tamanho das partículas e misturar para deixar mais homogêneo.

Depois é só se deliciar com seu café predileto!

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