DeMarcus Allen for L’Officiel Ukraine with Emmanuelle Lacou

Photography: DeMarcus Allen. Style: Simon Gensowski. Hair: Anita Bujoli at B-Agency Paris. Makeup: Denise Bazaar. Styling Assistant: Pierre Bourgeois. Model: Emmanuelle Lacou at Silent.

Paul King não dirigirá As Aventuras de Paddington 3

Cineasta afirmou que passará o posto para outra pessoa
ARTHUR ELOI

O diretor e roteirista Paul King não retornará para Paddington 3. Em entrevista à revista Empire, o cineasta explicou que não quer se repetir, portanto passará o posto para outra pessoa: “Em algum ponto é preciso parar. É hora de outra pessoa assumir e inovar. Estou tentando não fazer um terceiro filme de urso, o que é um erro enorme”, falou [via /Film].

Mesmo assim, o projeto continua em desenvolvimento, e teve argumento do roteiro criado por King. Anteriormente, o produtor David Heyman já havia afirmado que não acreditava no retorno do cineasta, já que o diretor está envolvido em outros projetos. “Não acredito que Paul King comandará o terceiro [filme]. Ele fez os primeiros dois – ele e eu estamos trabalhando em outro projeto juntos… Ele é muito especial. Estamos desenvolvendo um terceiro Paddington. Não temos o roteiro ainda, estamos trabalhando em um argumento.”

O filme mais recente da saga do urso britânico, As Aventuras de Paddington 2, foi lançado no Brasil no início de 2018 e foi muito bem recebido pela crítica. Até hoje se mantém na lista de melhores produções de alguns veículos especializados. O longa arrecadou pouco mais de US$ 226 milhões ao redor do mundo.

‘Rough and rowdy ways’, de Bob Dylan, é um disco para se ouvir como um romance

No 39º álbum de sua carreira, cantor empresta sua voz enrugada a personagens que viram de tudo nesta vida, mas que seguem na estrada
Silvio Essinger

Novo disco de Dylan, ‘Rough and rowdy ways’, é formado por dez longas canções 

No 39º álbum de uma carreira que se estende por 57 anos, Bob Dylan empresta sua voz enrugada a personagens que viram de tudo nesta vida, mas que seguem na estrada, trombando com fantasmas, em busca de um amor, de respostas ou mesmo de uma luz no fim do túnel. Nas dez longas canções de “Rough and rowdy ways” (suficientes, aliás, para preencher um velho LP duplo), o Nobel de Literatura, de 79 anos, percorre muitos caminhos já trilhados (por William Shakespeare, Walt Whitman, William Blake, os beats), em um festival de referências (literárias, musicais, históricas, cinematográficas) que, paradoxalmente, só reforçam a originalidade de sua voz.

Jogos de palavras, tiradas filosóficas e um fino entendimento das grandes questões humanas garantem que o disco possa ser atravessado como um romance — embora suas qualidades musicais também sejam apreciáveis. Desde que fez seu primeiro grande álbum da velhice, “Time out of mind” (1997), Dylan tem se mostrado imune ao tempo que corrói as sonoridades do pop. Em “Rough and rowdy ways”, ele segue fiel a uma música pura — seja blues, gospel ou bluegrass — que parece existir num universo próprio, sem calendário.

E sem livro de instruções, também. Logo na abertura, com a lenta balada “I contain multitudes”, o cantor se assume como “um homem de contradições, de diferentes humores”. Já no sujo blues “False prophet”, ele canta para os desgraçados e dá mais pistas sobre si mesmo (que bem podem ser falsas): “Não me lembro de quando nasci/ e esqueci de quando morri”.

Há uma tristeza profunda em canções como “My own version of you” (em que Dylan brinca com a história do monstro Frankenstein), “Black rider”, “Crossing the Rubicon” e “Murder most foul”, balada com 17 minutos de duração, que parte do assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963, para fazer um testamento do espírito americano nestes tempos de hoje, duros e conturbados.

O clima muda radicalmente em “Goodbye Jimmy Reed”, única faixa agitada do disco, em que observações agudas (“não consigo cantar uma canção que eu não entendo”), características do artista, se empilham em forma de homenagem a um célebre bluesman dos anos 1950.

Mas, para além da tristeza e da agitação, “Rough and rowdy ways” ainda tem muita beleza. Seja na desavergonhada canção de amor “I’ve made up my mind to give myself to you”, no gospel “Mother of muses” ou na lenta e terna “Key West”, uma ode ao refúgio para quem nasceu “do lado errado da linha do trem/ como (os escritores beats Allen) Ginsberg, (Gregory) Corso e (Jack) Kerouac”. “Se você perdeu a cabeça, vai encontrá-la aqui”, canta Dylan, em um respiro de positividade

Cotação: Ótimo

Imagem de homem negro carregando manifestante da extrema direita ferido viraliza após confrontos em Londres

Responsável pelo resgate, o personal trainer Patrick Hutchinson publicou numa rede social: ‘Não é preto versus branco, é todo mundo contra os racistas’

Patrick Hutchinson, apoiador do Movimento “Black Lives Matter”, carrega um simpatizante da extrema-direita ferido na cabeça após confrontos em Londres Foto: DYLAN MARTINEZ / REUTERS

LONDRES –  Uma imagem viralizou nas últimas horas no esteio dos protestos contra o racismo e a violência policial após a morte do americano George Floyd, assassinado por um policial branco em 25 de maio: um homem negro, apoiador do movimento “Black Lives Matter”, carrega um homem branco ferido, simpatizante da extrema direita segundo presentes no protesto, durante o confronto entre manifestantes dos dois movimentos e policiais nas ruas de Londres, no sábado. O momento foi capturado pelo fotógrafo da Reuters, Dylan Martinez, e mostra a sequência em que o homem branco é salvo por Patrick Hutchinson, um personal trainer e treinador de atletismo.

O personal trainer Patrick Hutchinson, que participava de ato do movimento Black Lives Matter em Londres, carrega um homem branco ferido, simpatizante da extrema-direita, durante o confronto entre manifestantes dos dois movimentos e policiais nas ruas da capital britânica Foto: DYLAN MARTINEZ / REUTERS

O homem havia sido colocado nos degraus que levavam ao Royal Festival Hall, no centro de Londres, e estava sendo espancado, antes que outros manifestantes contra o racismo surgissem para protegê-lo, segundo contam jornalistas da Reuters que estavam no local.

O homem ferido havia sido colocado nos degraus que levavam ao Royal Festival Hall, no centro de Londres, e era espancado até que outros manifestantes contra o racismo surgiram para protegê-lo Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS / AFP

Em uma rede social, Hutchinson confirmou que foi ele que ajudou o manifestante: “Salvamos uma vida hoje”, disse na sua conta do Instagram. Com o #Black Lives Matter, ele acrescentou:  “Não é preto versus branco, é todo mundo contra os racistas. Tínhamos a proteçao um do outro e protegemos aqueles que precisavam de nós”.

Hutchinson também publicou foto dele com outros amigos que participaram dos protestos e ajudaram a resgatar o homem ferido.

Homem negro resgata manifestante de extrema-direita durante o confronto nas ruas de Londres Foto: DYLAN MARTINEZ / REUTERS

Amigos e seguidores elogiaram as ações do personal trainer, como destacou o jornal inglês “Daily Mail”:

“Vi essa foto e senti tanto orgulho, poder e humanidade pelo que vocês fizeram, grande respeito”, diz um dos comentários da foto.

Outro disse: ”É isso que eu quero ver. Um homem verdadeiramente incrível. Nada além de respeito”.

Hutchinson ja havia publicado na semana passada mensagens de apoio a Floyd, que morreu asfixiado depois que um policial de Minneapolis se ajoelhou no pescoço dele por mais de oito minutos enquanto ele estava algemado. No post, Hutchinson usou as hashtags #blackouttuesday, #enoughisenough e #justiceforGeorgeFloyd.

Patrick Hutchinson e os amigos antes da manifestação em Londres Foto: Instagram

O confronto em Londres deixou dezenas de feridos e mais de 100 pessoas foram detidas pela polícia. O movimento Black Lives Matter fazia seu protesto nas ruas da capital inglesa quando integrantes de movimentos da extrema-direita como o Britain First foram às ruas para proteger monumentos que viraram alvo dos protestos  por ligações com a história colonial.

O encontro se deu na Trafalgar Square e a polícia tentou separá-los. Alguns manifestantes jogaram garrafas e latas e dispararam fogos de artifício. A foto foi feita perto da estação de metrô Waterloo, no centro de Londres.

‘Eu errei e peço desculpas’, diz o maquiador Daniel Hernandez depois de chamar cabelo afro de ‘ruim’

Beauty Artist foi exposto pelo perfil Moda Racista no Instagram

Daniel Hernandez Foto: Reprodução/Instagram

Citado no perfil Moda Racista no Instagram depois de uma atitude racista, o beauty artist Daniel Hernandez usou as redes sociais no começo da tarde deste domingo para se desculpar por sua fala. Num aúdio divulgado pela página, ele diz que o cabelo afro é “cabelo ruim”, e que se tocou no mesmo momento que as palavras saíram da sua boca que tinha errado.

“Eu errei e peço desculpas. Como branco e parte da branquitude muitas vezes não notamos o racismo e nossas atitudes discriminatórias, errei ao usar palavras que devem ser extintas e, como homem branco gay (que só por ser branco, goza de privilégios até dentro dessa minoria), já deveria estar atento e praticando o antirracismo de forma incansável há mais tempo”, escreveu no começo do texto.

“Peço desculpas por não ter feito mais, por não ter exigido mais a presença de negros nos trabalhos e por não ter agido em momentos em que presenciei o racismo. Vivemos um momento importante, de muito aprendizado e reflexão sobre o nosso papel enquanto brancos que têm uma dívida histórica com nossos irmãos negros”, acrescentou o maquiador.

Confira o texto na íntegra:
“Eu errei e peço desculpas. Como branco e parte da branquitude muitas vezes não notamos o racismo e nossas atitudes discriminatórias, errei ao usar palavras que devem ser extintas e, como homem branco gay (que só por ser branco, goza de privilégios até dentro dessa minoria), já deveria estar atento e praticando o antirracismo de forma incansável há mais tempo. Eu sei que não vou reparar com simples desculpas as pessoas que eu posso ter machucado no caminho, porque sei que é na prática que eu vou provar que estou em busca e disposto a evoluir. Peço desculpas por fazer parte de um mercado que fortaleceu o racismo estrutural com seus padrões de beleza que perpetuam o racismo. Peço desculpas por não ter feito mais, por não ter exigido mais a presença de negros nos trabalhos e por não ter agido em momentos em que presenciei o racismo. Vivemos um momento importante, de muito aprendizado e reflexão sobre o nosso papel enquanto brancos que têm uma dívida histórica com nossos irmãos negros. Como eu já havia dito, venho há algum tempo procurando ser mais consciente para que eu não tenha apenas um discurso antirracista, mas que no futuro eu possa olhar pra trás, a partir dessa transformação, e dizer com orgulho que as minhas atitudes e escolhas são também antirracista, que estou atento e contribuindo com ações que promovam o protagonismo de direito do negro na sociedade. Hoje, mesmo que não seja meu lugar de fala, eu entendo e estou aprendendo sobre os erros cometidos e que estão ligados ao racismo estrutural. Quando entendemos as várias formas de cometer o racismo, passamos a aprender como combate-los. Eu me comprometo aqui a não apenas apoiar a luta antirracista com palavras e declarações, mas também por meio de ações como: incentivar a inclusão, promover oportunidades e potencializar pessoas negras para que elas sejam inseridas no mercado de trabalho, do qual eu faço parte. Também me comprometo a estudar e me educar, além de ESCUTAR cada dia mais para que eu possa ser um aliado nesta luta.”

‘Estados Unidos Pelo Amor’ no streaming

Rodrigo Fonseca

Chegou à grade do Globoplay um dos filmes mais arrebatadores produzidos pelo Velho Mundo nesta década, tendo CEP polonês: “Estados Unidos Pelo Amor” (“United States of Love”, 2016), laureado com o troféu de melhor roteiro no Festival de Berlim. Este drama de Tomasz Wasilewski revive, com uma inquietação narrativa sufocante, a Polônia no ano de 1990, sob a reverberação da ruína do império soviético.

“Existe um colapso ideológico diante de nossos olhos nessa história e, ao mesmo tempo, existe um ensejo de reestruturação das identidades. Mas o que mais instiga a minha imaginação é a vontade de conhecer como as mulheres se reinventaram em um momento em que o sexismo oriundo de uma prática política, ancorada a um ranço forte da fé cristã, fraquejou”, disse Wasilewski ao P de Pop na Berlinale. “Tenho uma memória de infância de mulheres fortes, mas resignadas a uma rotina de trabalho doméstico. Ali, numa mudança de regime, mas mulheres almejaram a liberdade e puderam expressar sua voz em escolhas variadas”.

Saca Kieslowski, de “A Dupla Vida de Véronique” (1991) e outras delícias? Pois então… “Estados Unidos Pelo Amor” parece um filme do Kieslowski – aliás, parece com os melhores trabalhos deste mestre. A angústia que ele deixa é igualizinha a que “Não Matarás” (1988) dava na gente. Realizador do drama de tom homafetivo “Arranha-Céus Flutuantes” (2013), Wasilewski é um cineasta de 40 anos que tinha apenas 9 quando a Polônia passou por uma reestruturação econômica sob os ecos do fim da URSS. Morava numa casa com mãe, irmã e amigas de ambas. Os códigos do feminino governam seu olhar de mundo e, a partir deles, foi cerzido este que é o mais uterino dos concorrentes ao troféu máximo do certame berlinense. Temos quatro protagonistas, um antagonista (a solidão, esse bicho safado) e um destino (o vazio).

Numa estrutura narrativa quase episódica, que se desliga de uma personagem e salta para outra sem dizer adeus, começamos com uma mulher infeliz no casamento, de olho no amor (romântico) de um padre. Depois, caímos no colo de uma diretora de escola apaixonada por um homem casado. Por fim, damos as mãos a uma professora de Russo cujo coração bate por uma vizinha. E esta, a quarta mola propulsora da trama, sonha virar modelo e faz o que pode para isso, até se deixar fotografar por quem não presta.

Não há como desgrudar um segundo do discurso sobre a errância dos afetos que Wasilewski constrói com uma fotografia de cores esmaecidas. Sente-se o trágico ao redor, mas ele não chega quando a gente espera. Tragédias supõem descabelamento, joelhos ao chão, berros… Aqui, não. Aqui é cinema polonês roots, com a frieza habitual que os cineastas flagram numa tentativa de – pelas vias da transcendência de olhares e de gestos – expor a dor por sobre o silêncio e a retidão. Não é “Ida” (2014), aquele carro alegórico que recebeu fogos de artifício por seu exibicionismo fotográfico. A coisa aqui é séria: é uma observação minuciosa do desconforto, da azia sentimental de esperar o que não se tem (e não chegará).
Houve quem se incomodasse (e até vaiasse) na Berlinale a exposição sem pudor que o filme faz de corpos das mais variadas idades. Mas, para inventar cicatrizes do coração e da alma, Wasilewski precisa exumar pele e carne. O resultado é um espetáculo incômodo, porém… vivo.

p.s.: De carona na estreia de “Destacamento Blood” (“Da 5 Blood”), marcado pelo arrebatador desempenho de Delroy Lindo, o MUBI leva ao streaming um marco da carreira de Spike Lee: “Malcolm X” (1992), sobre o ícone do Nacionalismo Negro americano, de orientação islâmica, morto a tiros no auge de seu ativismo. O filme deu a Denzel Washington o prêmio de melhor ator na Berlinale.

Mercado de games tem boas vendas na quarentena, mas futuro preocupa

Com isolamento social, mais pessoas buscam entretenimento e principais empresas do setor faturam alto; pandemia e crise podem, porém, afetar produção de novos títulos e poder de compra em meio a chegada de novos consoles PS5 e Xbox Series X
Por Felipe Laurence – O Estado de S. Paulo

Segundo Bertrand Chaverot, a Ubisoft teve alta de 71% nas vendas no País entre 15 de março e 15 de maio deste ano
Segundo Bertrand Chaverot, a Ubisoft teve alta de 71% nas vendas no País entre 15 de março e 15 de maio deste ano

Enquanto grande parte dos setores econômicos do Brasil e do mundo sofrem com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, exigindo que governos aportem quantias extraordinárias para sustentá-los neste período de isolamento social, a indústria de jogos eletrônicos vive um momento oposto. Com a população estimulada a ficar em casa para conter a dispersão do vírus, a busca por novos métodos de entretenimento – games entre eles – aumentou de forma recorde no primeiro trimestre de 2020.

Levantamento da consultoria NPD Group mostra que, só nos Estados Unidos, o consumo de jogos gerou US$ 10,6 bilhões em receitas, incremento de 9% em relação ao mesmo período de 2019. A marca foi a melhor da história para os primeiros três meses do ano – historicamente um período considerado fraco na indústria por ser rescaldo do Natal, com poucos lançamentos. 

Já pesquisa da Nielsen Brasil feita na semana entre os dias 16 e 22 de março, quando se iniciou o distanciamento no País, mostra que consoles tiveram crescimento de 137% de vendas no varejo, na comparação com a semana anterior. Já as vendas de jogos e periféricos subiram 103%. 

Muitas moedinhas

 Esse aumento nas vendas também apareceu nos balanços do primeiro trimestre de 2020 das principais empresas do setor, com a maioria delas superando suas previsões para o período e destacando o efeito que o novo coronavírus teve no setor. Maior desenvolvedora de games da Europa, a Ubisoft teve um desempenho 16% melhor que o esperado no primeiro trimestre, com receita de 388 milhões. Segundo Bertrand Chaverot, presidente da francesa na América Latina, o bom desempenho também se repetiu no Brasil. 

Em dados fornecidos com exclusividade ao Broadcast/Estadão, Chaverot disse que a Ubisoft teve alta de 71% nas vendas no País entre 15 de março e 15 de maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. Na comparação do período com os meses de janeiro e fevereiro de 2020, a alta foi de 79%. Entre os games da empresa, o principal destaque ficou com o jogo de dança Just Dance, que teve alta de 156% nas vendas no primeiro trimestre, na comparação com o ano anterior. Aqui no Brasil, as vendas do jogo de dança explodiram: entre 15 de março e 15 de maio, eles venderam sete vezes mais que nos primeiros dois meses do ano. 

“O isolamento social trouxe a necessidade para as pessoas procurarem novos meios de entretenimento. Isso acaba gerando novos clientes, já que eles vão criar o hábito e continuar consumindo nossos produtos”, explica Chaverot. “A sorte é que já houve a digitalização do setor de games. Não dependemos mais do varejo por conta das vendas digitais”, pondera o executivo, afirmando que se a crise tivesse acontecido há dois anos, a situação do setor estaria muito complicada.

Outras empresas também viram crescimento nas receitas no primeiro trimestre. A Take-Two Interactive, que distribui jogos com grande presença online, como Grand Theft Auto V e Red Dead Redemption 2, faturou US$ 729 milhões no período, contra US$ 488 milhões em 2019. 

Já a Activision Blizzard, que detém os direitos sobre Call of Duty: Warfare, um dos games mais jogados neste início de 2020, teve receita de US$ 1,52 bilhão, 18% acima do esperado para o período. A exceção ficou por conta da EA, que produz a franquia de futebol Fifa: no primeiro trimestre de 2020, a empresa viu suas receitas caírem 6% com relação ao ano passado. Em seu balanço, a companhia disse que sentiu o impacto das variações cambiais e do fato de não ter tido lançamentos nos três meses que abriram o ano de 2020. 

Preocupação

Entre as fabricantes de consoles, o cenário já é diferente: tanto Sony quanto Microsoft já enfrentavam uma queda no interesse dos usuários neste primeiro semestre com relação ao PlayStation 4 e o Xbox One, atuais dispositivos das empresas. Isso porque, no segundo semestre, uma nova geração de consoles deve ser iniciada com o PlayStation 5 e o Xbox Series X. Antes de lançar novos dispositivos, porém, as empresas reduzem seu ritmo de novidades no mercado, enquanto muitos jogadores repensam seus gastos nos meses que antecedem a estreia dos consoles. 

Sony, por exemplo, viu a receita do seu setor de games cair 13% no primeiro trimestre – em teleconferência com investidores, o diretor financeiro da japonesa, Hitori Totoki, citou o fim do ciclo de vida do PlayStation 4 como fator negativo. Já a Microsoft disse que as receitas com o ecossistema Xbox (que inclui, além de jogos e consoles, também a venda de assinaturas para partidas online) caiu 1% no primeiro trimestre, em comparação com 2019. 

Mesmo com problemas pontuais de produção causados pela pandemia, as duas empresas afirmam que o cronograma para os novos consoles está mantido. A preocupação, em termos de produção, é com os games que estão sendo feitos agora para chegarem ao mercado no ano que vem. “Para o ano que vem, teremos problemas por conta da pandemia”, disse a investidores Phil Spencer, chefe da divisão de games da Microsoft, fazendo referência a jogos que precisam de atos presenciais, como captura de gestos de atores. “Vamos precisar encarar isso.” 

Bertrand Chaverot, da Ubisoft, porém, levanta preocupações se a crise econômica global pode afastar os consumidores dos novos consoles. “Se a crise começar a se alongar, existem alguns problemas para o setor. A perda do poder aquisitivo faz com que as pessoas gastem menos com artigos de luxo – e jogos são artigos de luxo”, diz o executivo, Ele também chama atenção para o alto patamar do dólar, que pode inflar os preços de importados no Brasil e ajudar a afastar o comprador.

Fabricantes

 A Microsoft não especificou dados do primeiro trimestre em seu balanço, afirmando apenas que as receitas com o Xbox recuaram marginalmente a 1% em 2019, na comparação com o ano anterior, mas que seus serviços online também apresentaram crescimento, de 2%, por conta da pandemia. Phil Spencer, diretor da divisão Xbox, disse a investidores que o serviço Xbox Game Pass nunca teve engajamento online tão grande, com partidas online entre os membros do pacote premium crescendo 130%.

 Por fim, a Nintendo foi a única das três fabricantes de consoles que viu um crescimento em suas receitas. Não divulgaram números do trimestre, mas no acumulado do ano tiveram vendas totais em 1,3 bilhão de ienes, crescimento de 9,0% em relação ao último ano fiscal. Seu console, o portátil Switch, teve 24% no crescimento de vendas no ano fiscal encerrado em março, com o lançamento Animal Crossing: New Horizon tendo quase 12 milhões de unidades vendidas em duas semanas.

Perspectivas

 O ano de 2020 é muito importante para a indústria de games, com Sony e Microsoft planejando o lançamento do PlayStation 5 e Xbox Series X, a nova geração de consoles, no fim do ano. As duas empresas mantêm o planejamento para os lançamentos, afirmando que, apesar de alguns problemas pontuais causados pela pandemia, os cronogramas estão mantidos e a produção dos novos videogames não deve sofrer grandes alterações já que vai acontecer em um momento onde a doença estará em rota descendente.

 Um problema mais imediato para Bertrand Chaverot, da Ubisoft, é a deterioração macroeconômica que a pandemia vai causar. “Se a crise começar a se alongar existem alguns problemas para o setor, a perda do poder aquisitivo faz com que as pessoas gastem menos com artigos de luxo, e jogos são artigos de luxo”, diz o executivo, chamando a atenção também para o alto patamar do dólar, que pode inflar os preços de importados no Brasil e ajudar a afastar o comprador.

 Tanto fabricantes quanto publicadoras de jogos acreditam que o restante do ano será bom para a indústria, mas demonstram preocupação com 2021. “Os projetos que já estavam em andamento e estão programados para lançamento neste ano continuam em pé, mas para o próximo ano teremos problemas por conta da pandemia”, disse Phil Spencer, da Microsoft, para investidores. Ele cita que jogos em fase inicial de desenvolvimento, que necessitam de captura de movimentos ou outros atos presenciais, estão totalmente parados. “Vamos precisar encarar isso em algum momento.”

Rebekka Eliza for L’Officiel Magazine with Tasha Poljakova

Photographer: Rebekka Eliza. Styling: Sara da Castro. Hair & Makeup: Jessica Carvalho. Model: Tasha Poljakova.