Em meio à pandemia, dona da Ellus e da Richards se prepara para pedir recuperação judicial

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InBrands contratou escritório de advocacia para renegociar suas dívidas, que somam R$ 500 milhões; empresa quer incluir débito de R$ 200 milhões com sua antiga sócia, a gestora Vinci, no processo de recuperação
Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

Desfile da marca Ellus, que pertence à InBrands Foto: EFE/FERNANDO BIZERRA JR

A InBrands – grupo de moda que concentra marcas como Ellus, Richards, Salinas, VR e Alexandre Herchcovitch – está preparando um pedido de recuperação judicial na esteira do fechamento de suas lojas por causa da pandemia do novo coronavírus, apurou o Estadão com três fontes próximas ao assunto. A companhia já contratou um escritório de advocacia para a operação.

Trata-se de mais uma empresa do varejo que busca alternativas para conter as dívidas em meio ao cenário de crise. A Restoque – empresa com a qual a InBrands chegou a negociar uma fusão há alguns anos – fechou um processo de recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas. A gigante espanhola Zara anunciou na semana passada o fechamento de mil lojas em todo o mundo. E outras grandes varejistas brasileiras estão no meio de acirradas negociações com shopping centers e fornecedores.

Com dívidas de R$ 500 milhões no fim de 2019, segundo seu balanço, a InBrands voltou para as mãos do empresário Nelson Alvarenga, fundador da Ellus, desde 2017. Antes disso, durante quase uma década, a InBrands ficou nas mãos do fundo de private equity (que compra participações em empresas) Vinci Partners, de Gilberto Sayão.

Segundo o especialista em recuperações de negócios em crise Douglas Duek, da Quist Investimentos, segmentos como varejo, turismo e concessionárias de veículos, que vão demorar mais para se recuperar da paralisação do consumo por causa da pandemia, devem liderar a busca por renegociações administrativas ou judiciais.

“Tenho visto o total de consultas neste momento se multiplicar por três”, diz Duek. “Acredito que, entre agosto e setembro, vamos ver esse movimento se transformar em uma onda de recuperações judiciais. As empresas vão precisar de tempo para reorganizar suas operações.”

Procurada, a assessoria de comunicação da InBrands negou a intenção de entrar em recuperação judicial.

Duplo problema

Além de precisar renegociar débitos com bancos e fornecedores, a InBrands vive outro dilema. Ao desfazer o casamento com a Vinci, o atual dono do negócio concordou em fazer um pagamento pelo negócio – a dívida seria de cerca de R$ 200 milhões, disseram as fontes, e venceria em 2021.

Ao entrar em recuperação judicial, a InBrands vai tentar alongar dívidas com bancos e também incluir o pagamento que teria de ser feito à Vinci no processo. Segundo apurou o Estadão, no entanto, o contrato com a gestora envolveria um pagamento a ser feito por Alvarenga na pessoa física, e não pela dona da Ellus. 

A InBrands reportou lucro de R$ 25,6 milhões no ano passado, ante prejuízo de valor semelhante em 2018. Ao longo de 2019, a InBrands passou por um período de reorganização de suas operações, com fechamento de unidades deficitárias e cortes de custos. A companhia também reduziu sua produção e, em seu balanço, diz ter conseguido vender estoques sem fazer liquidação.

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