Avon demite executiva Mariah Corazza Üstündag, acusada de manter idosa em situação análoga à escravidão

Executiva foi indiciada por abandonar idosa em uma casa de Alto Pinheiros, região nobre de São Paulo

Mariah Corazza Üstündag

A Avon demitiu nesta sexta-feira (26) a executiva Mariah Corazza Üstündag, 29, indiciada por manter uma mulher de 61 anos em condição análoga à escravidão em uma casa de Alto Pinheiros, região nobre da capital paulista.

O caso foi relatado pela Folha em reportagem nesta sexta-feira.

Em nota e em suas redes sociais, a marca de cosméticos disse que “com grande pesar, tomou conhecimento das denúncias de violações dos direitos humanos por um de seus colaboradores”.

“Informamos que a funcionária não integra mais o quadro de colaboradores da companhia e a Avon está se mobilizando para prestar o acolhimento à vítima.”

A idosa, que era doméstica da família, foi resgatada de uma casa após denúncias de vizinhos. A patroa e o marido foram indiciados por redução a condição análoga à de escravo, abandono de incapaz e omissão de socorro.

A executiva da Avon chegou a ser presa em flagrante na quinta-feira (18), mas foi solta após pagar fiança de R$ 2.100. Seu marido, Dora Üstündag, 36, também foi indiciado pela Polícia Civil. O advogado Eliseu Gomes da Silva afirmou que a família Corazza não vai se manifestar neste momento sobre o que aconteceu.

O perfil de Mariah no LinkedIn, onde aparecia seu emprego, agora está indisponível. Mariah é filha da cosmetóloga Sônia Corazza, conhecida consultora na indústria de produtos de beleza.

Na Avon, ocupava o cargo de gerente de marketing da área de fragrância.

Na quinta (25), a Justiça do Trabalho em São Paulo atendeu parte de um pedido feito pelo Ministério Público do Trabalho e bloqueou a casa, para que ela não possa ser vendida até o fim do processo. Também determinou a liberação de três parcelas do seguro-desemprego para a vítima.

A casa indicada na denúncia tinha, no portão, diversas placas de anúncios para venda. Lá dentro, a equipe encontrou uma mulher vivendo sozinha em um quarto nos fundos do terreno. A residência principal estava trancada e vazia. A porta precisou ser arrombada.

Segundo a procuradora do trabalho Alline Pedrosa Oishi Delena, que acompanhou a operação e assina o pedido judicial, o quarto em que a mulher vivia, segundo a procuradora Alline, era uma espécie de depósito e tinha cadeiras, estantes e caixas amontoadas. Um sofá velho era utilizado como cama. Não havia banheiro disponível.

Em depoimento no DHPP, Mariah disse que a empregada sempre teve amplo acesso à residência e que o portão de acesso à lavanderia, onde havia um banheiro, só foi fechado na véspera da operação policial. Ela afirmou que havia uma obra no terreno vizinho e que, por isso, teve medo de que a casa pudesse ser invadida.

Como mostrou reportagem da Folha, uma vizinha disse, em depoimento, que desde o início da pandemia a empregada pedia para usar o banheiro da casa dela, pois tinha sido proibida de acessar a lavandeira.

Suicídio: Polícia de Nova Délhi confirma causa da morte da estrela Siya Kakkar do TikTok de apenas 16 anos

Siya Kakkar era seguida por mais de 1,1 milhão de pessoas em sua conta na rede social

Siya Kakkar (Foto: Instagram)

A polícia de Nova Délhi confirmou a causa da morte da influenciadora digital indiana Siya Kakkar: suicídio. Com apenas 16 anos e dona de uma conta na rede social TikTok com mais de 1,1 milhão de seguidores, a adolescente foi encontrada sem vida na casa dela na noite de ontem, dia 25 de junho.

O jornal britânico Daily Mirror reproduziu o comunicado divulgado pelas autoridades indianas: “Siya cometeu suicídio na casa dela, em Nova Délhi, por volta de 21h do dia 25 de junho. Ela morava com a família. A família está em choque e pede por privacidade. Não foi encontrada nenhuma carta suicida”.

O comunicado ainda diz que o celular da influenciadora foi recolhido pela polícia, mas que ele ainda não foi destravado. Apesar de ter confirmado a causa da morte, as autoridades ainda estão investigando as causas do ocorrido para saber se a ação teria sido motivada por alguém ou algum ocorrido em particular.

Famosa por seus vídeos de dança, Siya ultrapassou a marca de mais de um milhões de seguidores no TikTok em poucos meses na rede social.

A morte dela veio à público na noite de ontem, logo após o corpo dela ser encontrado, por meio de um comunicado divulgado pelo agente de Siya, Arjun Sarin: “Ela estava bem na carreira. A morte dela deve ter sido motivada por alguma questão pessoal que não sabemos. Conversei com ela ontem e parecia tudo normal. Ela tinha um talento incrível”.

Um olhar sobre o novo escritório criado pela GroupGSA para fornecedor de energia privado em Sydney, Austrália

Uma equipe de arquitetos, designers e designers gráficos do estúdio de design multidisciplinar GroupGSA recentemente projetou um novo escritório para fornecedor de energia privado em Sydney, Austrália.

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Lobby

“Um fornecedor de energia estabelecido procurou criar um ambiente de trabalho que seria uma referência para futuras maneiras de trabalhar. Como parte da iniciativa, o GroupGSA se comprometeu a adotar uma abordagem holística da jornada dos funcionários, começando pela porta da frente, incluindo o reposicionamento da entrada e do lobby da construção da base para uma interface e experiência mais rica do cliente.

Os membros do conselho e a equipe executiva-chave da empresa trabalharam em estreita colaboração com o GroupGSA e com a gerente de estratégia do local de trabalho Keti Malkoski, da Schiavello, para criar uma cultura mais empoderada em seu local de trabalho.

O conceito de design é baseado em como a energia se manifesta na natureza; contando uma história de ‘Tempestades com raios na Austrália rural’. Essa direção visual é elevada por incríveis gráficos ambientais da artista local Yuwaalaraay, Lucy Simpson, que em colaboração com o GroupGSA incorporou perfeitamente gráficos em tecidos, murais e ambientes construídos, criando um ambiente profundo e envolvente. história sobre relâmpagos que atingem a terra, a centelha que acende e, a partir disso, o crescimento e a nova vida que é um ciclo atemporal; inspirando quem a vê todos os dias.

A colaboração entre Lucy e nossa equipe permitiu uma representação perfeita e sincera das nações indígenas locais. Também criou uma oportunidade para um componente de sustentabilidade ficar confortavelmente dentro da paleta natural de acabamentos. Paredes verdes em todos os níveis, incluindo o espaço de chegada no térreo e iluminação circadiana com eficiência energética, permitem que a equipe faça uma transição suave da luz da manhã para as luzes da noite.

As tecnologias emergentes estão substituindo rapidamente as práticas de trabalho tradicionais e permitindo que o pessoal de uma organização trabalhe de forma mais rápida, eficiente e em qualquer lugar do mundo. O novo local de trabalho com capacidade digital exigia uma revisão radical do uso de grandes dados para desafiar o status quo, manter uma força de trabalho ágil e ajustar o desempenho para atender às necessidades em constante mudança. Seu novo local de trabalho fortalecido vê uma adoção híbrida do trabalho baseado em atividades, com maior envolvimento dos clientes, maior conectividade entre a matriz e os funcionários em campo e uma oferta elevada de saúde e bem-estar dos funcionários. Ambientes de trabalho variados permitem maior flexibilidade nos arranjos de trabalho e nas ferramentas tecnológicas disponíveis em todo o escritório, aumentando a eficiência no compartilhamento de ideias em toda a organização ”, afirma o GroupGSA.

  • Location: Sydney, Australia
  • Date completed: 2019
  • Size: 16,145 square feet
  • Design: GroupGSA
  • Photos: Luc Remond
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Lobby
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Client arrival area
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Client arrival area
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Corridor
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Conference room
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Meeting room
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Collaborative space
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Kitchen
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Lounge
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Corridor

O que chefs e restaurateurs acham sobre a reabertura de bares e restaurantes no dia 6 de julho

Governador de São Paulo anunciou, nesta sexta (26), que a capital passa para a fase amarela do plano de reabertura econômica, que permite o funcionamento, com restrições, de bares e restaurantes. Mas para chefs e donos de estabelecimentos, a reabertura não é tão simples assim
Por Danielle Nagase e Renata Mesquita, O Estado de S.Paulo

Edrey Momo, proprietario do restaurante Tasca da Esquina, tira mesa entre outras duas para se chegar a distancia de 1,5m entre elas. 
Edrey Momo, proprietario do restaurante Tasca da Esquina, tira mesa entre outras duas para se chegar a distancia de 1,5m entre elas.  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A partir de 6 de julho, conforme anunciou o governador João Dória (PSDB) na coletiva de imprensa desta sexta-feira (26)bares e restaurantes da capital paulista, provavelmente, poderão voltar a receber clientes para consumo no local, desde que seguidas as normas de reabertura, entre elas, a redução de 40% da capacidade total do salão, que deve ser arejado, além da redução do horário de funcionamento para seis horas diárias, limitado até às 17h.

Demais pontos do protocolo devem ser definidos em reunião entre o prefeito Bruno Covas (PSDB) e a a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) ainda sem data definida.

Para que de fato a reabertura ocorra, Covas afirmou durante a mesma coletiva que vai aguardar mais uma semana para acompanhar a evolução do coronavírus na cidade e verificar se, na sexta-feira que vem (3), os índices registrados sejam mesmo compatíveis com a fase amarela do Plano São Paulo, que permite o funcionamento de salões de beleza e barbearias, além de restaurantes e bares.

A saber, a mudança da fase dois (laranja) para a fase 3 (amarela) ocorre na mesma semana em que o estado registrou os quatro dias com mais mortes durante toda a pandemia – aumento observado após o início do plano de reabertura econômica, em 29 de maio. 

 A possibilidade de reabertura divide o setor, que é um dos mais afetados pela crise gerada pela pandemia do novo coronavírus – de acordo com estudos, mais de 20% dos estabelecimentos fecharam as portas definitivamente e mais de 1 milhão de vagas de trabalho foram perdidas em todo o País.  

Boa parte dos chefs e donos de restaurantes que conversaram com a reportagem afirma que ainda não se sente segura para reabrir as portas, tanto por questões de saúde, assim como pelo risco de os clientes não aparecerem. A chance de recuo para a fase laranja, caso o número de contaminações e mortes por coronavírus aumente, por exemplo, é também levada em conta.

“Esse possível abre e fecha, como já ocorreu em outras cidades, pode ser ainda mais danoso para a saúde financeira de um restaurante”, afirma Tomás Foz, proprietário do Fitó, restaurante na região de Pinheiros. 

Visando proteger funcionários e clientes, muitos estabelecimentos fecharam suas portas em março, antes mesmo do governo decretar a quarentena oficial na cidade.

Movimento no Pitico antes da pandemia. Bar é um dos estabelecimentos que estão apreensivos com a reabertura
Movimento no Pitico antes da pandemia. Bar é um dos estabelecimentos que estão apreensivos com a reabertura Foto: Daniel Teixeira/Estadão

“Estamos bem cautelosos em relação à reabertura. Fechamos o Cais antes de ser obrigatório e só vamos reabrir quando estivermos seguros”, conta Guilherme Giraldi, um dos sócios da casa da Vila Madalena. O restaurante, inclusive, estreou no delivery nesta sexta e o plano é continuar trabalhando com a equipe reduzida, apenas com os funcionários que podem se locomover de carro, bicicleta ou a pé.

“Estou surpresa com essa notícia, não esperava isso para já”, conta Gabriela Barretto, chef dos restaurantes Chou e Futuro Refeitório, ambos em Pinheiros. “Ao mesmo tempo que a gente torce pela reabertura, há outros fatores que precisam ser levados em conta. Não acho, por exemplo, que os clientes estão prontos para voltar a frequentar restaurantes.”

Por outro lado, Gabriela prevê certa pressão para retomar o funcionamento normal das casas. “Com a permissão do governo para funcionar, perco meu poder de barganha para negociar aluguel e prazos de pagamento com fornecedores e prestação serviços”, acredita.

Guilherme Giraldi e Adriano de Laurentiis, sócios do Cais. Restaurante não deve abrir as portas neste primeiro momento 
Guilherme Giraldi e Adriano de Laurentiis, sócios do Cais. Restaurante não deve abrir as portas neste primeiro momento  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Prontos para a reabertura

Mesmo sem muita perspectiva – e informações prévias por parte do governo – restaurantes adiantaram a tomada de medidas de proteção, inspirados no que foi adotado em outras cidades e países, para que pudessem abrir as portas tão logo fosse permitido. O Loup, no Itaim Bibi, montou uma cartilha de procedimentos que devem ser adotados por todos os funcionários, incluindo manobristas, seguranças. 

O salão da Tasca da Esquina já está pronto para receber clientes. “Se eu pudesse abrir neste fim de semana, já abriria”, afirma o restaurateur Edrey Momo, sócio do grupo também detentor da Tasquinha da Esquina, no shopping Morumbi, e da Padaria da Esquina. O cardápio já foi adaptado para uma versão digital, acessada pelo smartphone do cliente via QR Code, e uma pessoa da equipe foi deslocada para cuidar apenas da higienização do salão. 

Edrey, porém, reclama da falta de respaldo do governo. “Não dá para se preparar 100%, não temos nenhuma informação oficial, um protocolo. Não vou comprar termômetro, divisórias de acrílico, sem saber se serão de fato obrigatórios. Ninguém tem dinheiro para ficar gastando à toa”, pondera.

“Fala-se sobre funcionar com horário reduzido, por seis horas diárias, mas, para restaurante, abrir do meio dia às 18h não faz sentido. O movimento acaba às 15h. Posso dividir essas horas entre almoço e jantar? Também não sei!”, complementa.

“Estamos tentando rascunhar um plano, mas estamos apreensivos. Com tantas incertezas, não sabemos ao certo como vai ser”, conta Mauricio Cavallari, sócio dos restaurantes Pitico e Mica. “Reabrir agora vem como uma tentativa de manter a empresa viva, mas tem prós e contras.” No dia 16 de junho, o grupo chegou a publicar em post no Instagram que, se nada mudasse, possivelmente, fecharia as portas “antes mesmo das flores do ipê [que fica em frente ao Pitico] caírem”. 

Ocupação das calçadas

A exemplo do que foi implementado em outros países, como França e Estados Unidos, chefs reivindicam a possibilidade de utilizar calçadas e vagas de carro para expandir o salão dos restaurantes.

“Seria muito mais interessante para todos se, em vez de forçar a abertura na parte interna, tivéssemos uma política de ocupação das calçadas por bares e restaurantes. É isso o que a melhor prática internacional aponta. É mais seguro do ponto de vista da contaminação e também um ganho enorme para a cidade. A ocupação do espaço público torna a cidade mais humana e mais segura. Precisamos olhar para esse momento de crise agravada e pensar em soluções que quebrem paradigmas. Assegurar avanços que sejam perenes e tragam um ganho para a sociedade como um todo”, afirma Giraldi. 

Chef Rodolfo de Santis espera abrir suas casas assim que liberação for aprovada 
Chef Rodolfo de Santis espera abrir suas casas assim que liberação for aprovada  Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O chef italiano Rodolfo de Santis, sai na frente nesta questão. Cinco, das oito casas do seu grupo, entre elas o Nino Cucina e o Da Marino, estão no mesmo quarteirão da Rua Jerônimo da Veiga, no Itaim Bibi, que, depois de uma reforma bancada por eles, conta com calçada dupla, que funciona quase como uma extensão dos restaurantes.

“Temos esta vantagem e vamos tirar proveito disso, usando o mínimo possível dos salões internos, entre 10% a 20% apenas. É mais seguro e os clientes vão se sentir mais à vontade para sair de casa.” O chef entrega que já está pronto para voltar a abrir as portas e que só aguarda as diretrizes do governo. 

Na coletiva, Covas chegou a afirmar que existe um projeto piloto para fechar algumas ruas no Centro da cidade, mas ressaltou a dificuldade de controle do número de pessoas em áreas externas, o que poderia gerar aglomerações e atrapalhar tais aprovações. 

Anunciantes pressionam Facebook para mudar políticas de remoção de conteúdo; Zuckerberg reage

Em boicotes contra a rede social de Mark Zuckerberg, empresas como Ben & Jerry’s, The North Face e Verizon estão deixando de pagar por anúncios no Facebook; rede social teme debandada

No boicote, a Verizon decidiu encerrar o anúncios na rede social nesta quinta-feira, 25

Em uma onda de boicote de diversas empresas ligadas a uma campanha contra a disseminação de publicações com discurso de ódio e desinformação, o Facebook está sendo pressionado a mudar políticas de remoção de conteúdo na rede social. Durante essa semana, diversas marcas já deixaram de pagar por anúncios na rede social, mas, mesmo com o movimento, a empresa resistiu em alterar suas políticas por “interesses comerciais”. Isso só mudou no final da tarde desta sexta, quando Mark Zuckerberg se manifestou sobre o assunto e finalmente revelou alterações.

O movimento, relacionado à campanha Stop Hate for Profit, iniciada por grupos de direitos civis dos Estados Unidos, já levou marcas como Ben & Jerry’s, The North Face e Verizon a pausar seus gastos em publicidade na rede social enquanto o Facebook não tomar providências concretas em relação ao assunto. Suas decisões foram tomadas após uma ligação de grupos de direitos civis, incluindo a Liga Anti-Difamação e a NAACP, na semana passada, para retirar os gastos com publicidade do Facebook para o mês de julho.

Em uma carta aos anunciantes na quinta-feira, 25, a Liga Anti-Difamação disse que o Facebook se recusou repetidamente a remover anúncios políticos que continham “mentiras flagrantes” e demorou a responder a pedidos de retirada de conteúdo conspiratório.

O Facebook chegou a reunir seus executivos para tratar sobre as reclamações, depois de perceber a tendência crescente entre as marcas, mas decidiu não alterar radicalmente a maneira como seus conteúdos são expostos na rede.

“Não fazemos alterações nas políticas ligadas à pressão da receita”, disse Carolyn Everson, vice presidente do Global Business Group no Facebook, em um e-mail a anunciantes no fim de semana passado, que foi acessado pelo jornal americano The Wall Street Journal. “Definimos nossas políticas com base em princípios e não em interesses comerciais”. 

A principal motivação das empresas que estão aderindo ao boicote é, além de protestar contra os conteúdos permitidos na rede social, desvincular suas imagens do Facebook, em um momento conturbado de apoio e permissão a discursos frequentemente associados negativamente à luta contra direitos civis. 

“Temos políticas rígidas de conteúdo em vigor e tolerância zero quando elas são violadas, tomamos medidas”, disse o diretor de mídia da Verizon, John Nitti, em comunicado. “Pausamos nossa publicidade até que o Facebook possa criar uma solução aceitável que nos deixe à vontade e seja consistente com o que fizemos com o YouTube e outros parceiros”.

Levantamentos da empresa de análise de marketing Pathmatics indicam que a Verizon, empresa de telefonia celular, gastou US$ 1,4 milhão em publicidade no Facebook entre maio e junho. A empresa decidiu encerrar o anúncios na rede social nesta quinta-feira. 

O Facebook tem sido alvo de duras críticas desde que optou por manter um texto publicado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump no ar, onde o político incitava a violência contra manifestantes do movimento Black Lives Matter, que ocorreu no país depois do assassinado de George Floyd. Na época, Mark Zuckerberg, fundador da rede social, afirmou que não era papel do Facebook agir como “árbitro da verdade” e chegou a receber cartas de desaprovação de funcionários do alto escalão da empresa. Conteúdos de desinformação sobre a pandemia de coronavírus também aparecem constantemente no feed dos usuários que seguem Trump, sem alteração institucional do Facebook. 

De olho no que as empresas ainda podem fazer, o Facebook tem tentado remediar a situação com algumas ferramentas para identificar melhor o conteúdo que aparece na rede social, principalmente nos EUA. Na última semana, a empresa anunciou que vai permitir que usuários escolham se querem ou não ver conteúdos políticos publicados na rede. No compartilhamento, uma notificação será exibida ao usuário caso ele esteja replicando uma notícia que tenha mais de 90 dias desde sua publicação. 

“Respeitamos a decisão de qualquer marca e continuamos focados no importante trabalho de remover o discurso de ódio e fornecer informações críticas sobre votação”, disse Carolyn em comunicado por e-mail enviado pela empresa na quinta-feira, 25. “Nossas conversas com profissionais de marketing e organizações de direitos civis são sobre como, juntos, podemos ser uma força para o bem”.

Enquanto isso, gigantes do mercado global continuam a rever suas ações de publicidade na rede social de Zuckerberg. Segundo o The Wall Street Journal, a próxima a aderir o boicote seria a Procter & Gamble, multinacional americana de produtos de consumo e marcas como Pantene, Gillette e Oral B. A empresa já teria se reunido com um dos grupos que faz parte dos movimentos de direitos civis para conversar sobre os padrões de política do Facebook.

Zuckerberg reage na rede social

Em resposta aos boicotes, Mark Zuckerberg postou um comunicado, em sua página do Facebook, dizendo que a rede social age rapidamente para impedir e retirar mensagens de ódio que possam aparecer. No comunicado, o fundador do Facebook afirma, ainda, que está proibindo uma nova categoria de publicações com mensagens de ódio, principalmente as relacionadas à alegações de violência e segurança por parte de grupos étnicos e religiosos, por exemplo. 

Three weeks ago, I committed to reviewing our policies ahead of the 2020 elections. That work is ongoing, but today I…Publicado por Mark Zuckerberg em  Sexta-feira, 26 de junho de 2020

“Acreditamos que existe um interesse público em permitir uma ampla gama de livre expressão nas postagens das pessoas do que nos anúncios pagos. Já restringimos certos tipos de conteúdo em anúncios permitidos em postagens regulares, mas queremos fazer mais para proibir o tipo de linguagem divisiva e inflamatória usada para semear discórdia”, afirmou Zuckerberg. “Hoje, estamos proibindo uma categoria mais ampla de conteúdo odioso nos anúncios”. 

Além disso, o executivo revelou que posts de políticos e agentes públicos que violam as políticas da plataforma serão mantidos, mas receberão um selo comunicando de que se trata de conteúdo com relevância jornalística. “Permitiremos que as pessoas compartilhem esse conteúdo para que seja condenado, porque essa é parte importante de como discutimos o que é aceitável na sociedade – mas vamos alertar as pessoas de que esse conteúdo pode estar violando nossas políticas”, escreveu. Conteúdos que incitam a violência ou a supressão de votos não receberão tolerância e serão removidos, prometeu ele. 

Ainda no comunicado, Zuckerberg afirmou que o Facebook vai continuar trabalhando nas suas políticas juntamente com organizações defensoras do direito civil. “Estou otimista de que podemos progredir na saúde pública e na justiça racial, mantendo nossas tradições democráticas em torno da liberdade de expressão e votação”. /COM INFORMAÇÕES DO DOW JONES NEWSWIRES

Brasileira AlmapBBDO é a ‘agência da década’ no festival Cannes Lions

Fernando Scheller

Luiz Sanches, presidente do conselho da AlmapBBDO (Foto: Alex Silva/Estadão)

Em meio à crise gerada pela pandemia de coronavírus, que praticamente paralisou o setor de criatividade, o Brasil recebeu uma boa notícia: a agência brasileira AlmapBBDO recebeu o prêmio de “Agência da Década” do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade.

O prêmio, concedido às agências e anunciantes com base nos resultados do festival entre 2010 e 2019, foi revelado na sexta-feira, 26, durante o Lions Live, versão online do evento realizada nesses tempos de covid-19. O Estadão é o representante oficial de Cannes Lions no Brasil.

Segundo o presidente do conselho de Cannes Lions, Philip Thomas, os prêmios para a década ajudam a compensar ao menos parcialmente a inédita interrupção da distribuição anual de Leões em mais de 30 categorias. A tradição será retomada em 2021, quando o festival retomará a programação normal.

A premiação da Almap não chegou a ser uma surpresa. A agência foi eleita três vezes agência do ano na última década – em 2010, 2011 e 2016. Na última terça-feira, também durante o Lions Live, a agência havia vencido o prêmio da década para a América Latina.

As agências que ficaram na segunda e terceira posições para a região latino-americana também são brasileiras: a Ogilvy Brasil e a VMLY&R. O resultado mostra a importância do Brasil para o festival – o País costuma ser o terceiro em total de premiações, atrás de Estados Unidos e Reino Unido.

Relevância
Uma evidência da relevância do Brasil – e principalmente da Almap – no festival foi a escolha do publicitário Marcello Serpa, ex-sócio da empresa, para receber o Lion de St. Mark, homenagem pelo “conjunto da obra” para o setor de criatividade, considerada uma espécie de “hall da fama” do festival. Ele foi, até agora, o único brasileiro a receber esse prêmio.

A Almap é conhecida pelo relacionamento de décadas com grandes clientes, entre eles a montadora Volkswagen – que está na agência há 60 anos, ainda antes de a empresa ter o nome atual – e as sandálias Havaianas. Na carteira atual da Almap ainda traz Gol Linhas Aéreas, O Boticário, Hering, Bradesco Seguros, cerveja Antarctica, Getty Images e WhatsApp.

O resultado de Leões da Almap se destaca pela consistência ao longo dos anos. A companhia ganhou pelo menos 12 Leões por ano ao longo da última década, à exceção de 2012 (quando angariou sete prêmios) e 2019 (quando trouxe cinco troféus para casa, em um desempenho considerado decepcionante pelo mercado publicitário).

Em 2016 e 2017, a Almap teve seus melhores desempenhos em total de prêmios, ganhando um total combinado de 44 Leões. Os resultados são suficiente para deixá-la bem à frente das demais agências brasileiras no festival.

Publicidade de resultado
Desde 2014 à frente da agência, o presidente do conselho da Almap, Luiz Sanches, atua na empresa há 26 anos. Presença constante nos principais júris de Cannes Lions, ele será presidente de uma categoria pela segunda vez em 2021, quando ficará à frente do time escolha em Outdoor (mídia externa).

Segundo o executivo, os resultados em Cannes da Almap se baseiam em uma crença principal sobre a função de uma agência de publicidade: “A gente acredita que a criatividade faz diferença nos resultados financeiros do nosso cliente.”

Trabalhando há mais de 20 anos com a Havaianas, por exemplo, a AlmapBBBO não só trouxe prêmios de Cannes para o Brasil, mas também participou da expansão da marca de sandálias da Alpargatas no mundo. “Com as artes de pôsteres para a Havaianas, ganhamos muitos prêmios. Mas era também um material exposto no ponto de venda. Se a pessoa saísse do Palácio dos Festivais e fosse a uma loja da Havaianas em Cannes, o material estaria lá.”

Com a redução dos orçamentos de produção para comerciais que inevitavelmente ocorrerá após a pandemia – afinal, as empresas terão problemas de caixa com a recessão que o mundo enfrentará este ano –, a criatividade vai ganhar ainda mais importância, na visão de Sanches. “Temos de celebrar a criatividade como um antídoto às dificuldades da pandemia. No caso do Bradesco Saúde, conseguimos fazer um filme de homenagem aos médicos com imagens de arquivo. E ficou lindo.”

A nova coleção da Nike inspirada no Orgulho LGBTQIA+

Nova coleção BeTrue 2020 combina força e diversidade com modelos que vão do passado ao futuro
POR GLAUCO JUNQUEIRA

A Nike acaba de anunciar a sua nova coleção ultracolorida e que celebra o Orgulho LGBTQIA+. Chama-se BeTrue e é composta por tênis icônicos da marca, além de peças de vestuário: shorts, camisetas croppeds e outras com estampas de arco-íris coloridas, que homenageiam a comunidade LGBTQIA+ e aqueles dispostos a se orgulhar do que e quem representam.

Air Force 1 BeTrue, R$ 599 (Foto: Divulgação)

Refletindo o mesmo poder do movimento, as silhuetas da coleção expressam diferentes períodos e configurações de tempo, além de formarem uma linha que traz a força unificada na diversidade. Pela primeira vez, a coleção apresenta uma edição especial do Air Force 1, com uma marca de 10 cores inspirada na bandeira More Colour, More Pride, introduzida na Filadélfia em 2017. Para dar visibilidade ao movimento negro dentro da comunidade LGBTQIA +, as cores da bandeira foram expandidas, adicionando listras pretas e marrons. Além deste modelo, também estão presentes o modelo Air Max 2090, a sandália Air Deschutz e o Air Zoom Pegasus 37.

Air Max 20290 BeTrue, R$ 749.99 (Foto: Divulgação)

As peças de vestuário estão disponíveis no site da marca e 10% da venda dos produtos da coleção online serão revertidos para a instituição Casa Florescer, que apoia mulheres travestis e transexuais.

Apresentações individuais e interativas de opera são feitas por telefone

Iniciativa da On Site Opera é uma forma de romper a distância entre músicos e ouvintes
Corinna da Fonseca-Wollheim, The New York Times

O pianista David Shimoni e a soprano Jennifer Zetlan Foto: On Site Opera

Uma carta de amor chegou na minha caixa de entrada, na semana passada.

“Sinto terrivelmente a sua falta”, começava. “Cada dia sem você é como um dia sem respirar.”

O escritor(a) prosseguia lamentando a dor da separação, falou de braços doloridos pela falta de um abraço, de canções de amor escritas como buscando companhia nestas longas noites de solidão. Depois, marcava um encontro: a determinada hora, no dia seguinte, eu receberia um telefonema e ouviria as canções cantadas exclusivamente para mim.

O e-mail era a introdução de uma produção jocosamente ardente e íntima de An die ferne Geliebte de Beethoven, um ciclo de canções sobre o poder da música que transcende o tempo e o espaço. Apresentado pela On Site Opera com o título Ao Meu Amado Distante, o conceito proporciona apresentações individuais interativas ao vivo por telefone até o dia 6 de julho. Os textos do dramaturgo Monet Hurst-Mendoza acrescentam um toque de extravagância contemporânea, e me convidam a alimentar a ilusão de que essa coletânea de canções escritas em 1816 se destinava pessoal, apaixonada e pandemicamente apenas a mim.

“Meu amor! É você mesmo?” Na noite seguinte, pude ouvir pelo telefone a voz da soprano Jennifer Zetlan, perplexa e emocionada. (Os que adquirem o ingresso podem escolher entre a sua interpretação, com o marido, o pianista David Shimoni, e outra do barítono, Mario Diaz- Morentrsco, acompanhado por Spencer Myer.) Eu me senti um pouco constrangida quando ela começou a me fazer perguntas. Quanto tempo passou, ela indagava, como referindo-se a uma lembrança do passado. Eu estava bem? Onde eu estava naquele exato momento?

Temia que a apresentação exclusivamente pessoal me fizesse sentir incomodada. A perspectiva trouxe de volta instantes do passado com serenatas indesejadas ao acordeão e violinistas tocando por uma gorjeta nos terraços de restaurantes europeus. E embora eu estivesse disposta a desempenhar o meu papel na conversação que tinha certo tom de flerte, estava plenamente consciente da clara advertência da On Site Opera aos detentores de ingressos para que realizassem “uma experiência artística no pleno respeito de todos”. A última coisa que eu queria era experimentar uma espécie de brincadeira que pudesse se transformar em algo assustador.

Mas embora as canções de Beethoven (com textos de Alois Jeitteles) falem da separação de amantes românticos, naquela noite soaram autênticas em um plano diferente. Enquanto eu mergulhava na minha poltrona favorita perto da janela, com o telefone colado ao ouvido, fiquei pensando que a pandemia do coronavírus havia separado músicos e amantes da música: um relacionamento alimentado por uma intensidade própria, que agora gerava uma espécie de dor fantasma. Afinal, horas antes do meu telefonema, o Carnegie Hall e o Lincoln Center haviam anunciado que permanecerão fechados até o fim do ano.

Nas canções de Beethoven, nuvens, brisas e a música em si tornam-se canais cruzando o espaço entre duas almas. Naquele momento, quando a soprano Zetlan começou a cantar, o telefone foi a linha sutil que uniu a artista e a ouvinte. O fato de o som adquirir uma pátina de estática granulada só contribuiu para tornar a música mais frágil e preciosa, e a experiência mais comovente.

De fato, o volume da voz da soprano muitas vezes soava como se estivesse espremida em um corpete apertado e o piano como debaixo d’água. Mas os resultados foram claramente graciosos contornos melódicos e rajadas de sentimentos impetuosos que conferiram a este ciclo de 20 minutos um peso operístico.

Em uma época em que a internet está repleta de lives de alta fidelidade, a produção da On Site Opera nos brinda com uma experiência musical totalmente personalizada, embora frágil e imperfeita. Os versos finais convidam o ouvinte a cantar as canções “com intensidade, autenticidade / consciente apenas da saudade”.

Desse modo, o poeta promete: a distância que nos separa / dará lugar a estas canções / e meu amoroso coração chegará até / você, tão cara para mim.