Princeton removerá nome do ex-presidente Woodrow Wilson de escola por ‘políticas racistas’

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Conselho administrativo da universidade concluiu que pensamento de líder dos EUA durante a Primeira Guerra Mundial era inadequado
Bryan Pietsch, do New York Times

Mural com a foto de Wilson no salão de refeições do Wilson College, em Princeton Foto: MARK MAKELA / NYT

NOVA YORK —  A Universidade de Princeton, uma das mais prestigiosas dos Estados Unidos, anunciou neste sábado que  removerá o nome do ex-presidente americano Woodrow Wilson (1913-1921) de sua escola de políticas públicas e do Wilson College, a primeira faculdade do campus, na qual residem mil alunos.

O conselho administrativo de Princeton concluiu que o “pensamento e as políticas racistas do ex-presidente o tornam um nome inadequado para uma escola ou faculdade cujos pesquisadores, estudantes e ex-alunos devem se posicionar firmemente contra o racismo em todas as suas formas”, disse o presidente da instituição, Christopher L. Eisgruber, em comunicado. Ainda segundo Eisgruber, “o racismo de Wilson foi considerável e teve consequências mesmo para os padrões de seu tempo”.

Em meio à onda de revisão histórica suscitada pelas manifestações contra o racismo e a violência policial que se seguiram à morte de George Floyd, um negro, por policiais brancos, no final de maio, várias instituições americanas estão anunciando a remoção de monumentos a personalidades ligadas à escravidão e à segregação racial.

A Universidade Monmouth, em Nova Jersey, disse na semana passada que removeria o nome de Wilson da fachada de seu edifício, depois que administradores, professores e estudantes argumentaram que o ex-presidente tinha visões abomináveis sobre raça, referindo-se certa vez ao voto negro como “hostil e ignorante”, e restabeleceu a segregação no funcionalismo federal.

Wilson, que pertencia ao Partido Democrata, foi presidente de Princeton entre 1902 e 1910 e governador de Nova Jersey antes de se eleger presidente e liderar o país durante a Primeira Guerra Mundial. Na Presidência, nomeou vários secretários provenientes do Sul ainda segregado, mas que na época era uma forte base democrata.

No exterior, Wilson ficou mais conhecido por ter proposto a criação da Liga das Nações, que foi incorporada ao Tratado de Versalhes pelos vencedores da Primeira Guerra. A iniciativa fracassou quando o Senado americano se recusou a endossar a adesão dos Estados Unidos ao organismo.

Os chamados Quatorze Pontos de Wilson para a paz mundial, que propunham uma comunidade de nações fundada na autodeterminação, no livre mercado e no liberalismo político, tiveram forte influência na corrente dita “internacionalista liberal” da política externa americana. Ele, no entanto, se recusou a aceitar uma proposta japonesa para incluir a igualdade racial entre os fundamentos da Liga das Nações.

A decisão de agora contrasta com uma votação no conselho administrativo da Universidade de Princeton em 2016, quando foi decidido que o nome de Wilson seria mantido nos prédios e programas do campus, apesar de manifestações estudantis pela revisão do legado do ex-presidente.

Agora, o presidente Eisgruber disse que Princeton já planejava aposentar o nome do ex-presidente do Wilson College, mas, em vez de pedir aos alunos que “se identifiquem com o nome de um presidente racista pelos próximos dois anos”, a universidade “acelerará” a aposentadoria do nome.

Antes mesmo dos protestos provocados pela morte de George Floyd, os alunos da Escola de Políticas Públicas e Internacionais Woodrow Wilson já haviam enviado à administração da universidade, em 22 de junho, uma carta pedindo que o nome fosse alterado.

Renomear a escola é “o passo mais básico que a universidade poderia ter dado”, disse o estudante negro Ally McGowen. Segundo ele, o grupo que enviou a carta não foi consultado antes do anúncio deste sábado.

Para McGowen, a questão “vai além de um nome”. Segundo ele, os estudantes pediram que a universidade subscrevesse pesquisas sobre reparações e que o corpo docente e o currículo da escola de políticas públicas fossem diversificados. Os estudantes observaram que suas demandas não são “nada de novo”, tendo sido levantadas em 2015 por integrantes da Liga Negra pela Justiça da universidade.

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