Daniela Rettore for Marie Claire Hong Kong with Kira Alferink

Photography: Daniela Rettore. Stylist: Benedetta Ceppi. Hair & Makeup: Agata Branchina at aldo Coppola The agency using l’areal Professional Retoucher: Tatiana Mosina. Model: Kira Alferink at NEXT Model.

Vogue Paris May/June 2020 – Bella Hadid, Gigi Hadid, Rianne Van Rompaey & Vaughan Ollier By Inez & Vinoodh Model:

And If We Dreamed?   —  Vogue Paris May/June 2020   —   www.vogue.fr
Photography: Inez & Vinoodh Model: Bella Hadid, Gigi Hadid, Rianne Van Rompaey & Vaughan Ollier Styling: Emmanuelle Alt Hair: Ward Stegerhoek Make-Up: Fulvia Farolfi Manicure: Rieko Okusa

Modelos lideram denúncias de racismo na moda, e casos aludem até à escravidão

Tops e nomes fortes da indústria de editoriais e desfiles acusam discriminação das coxias aos holofotes do setor
Pedro Diniz

A Angel Secret da Victoria’s Secret Lais Ribeiro usando o sutiã Champagne Nights Fantasy

Até que Laís Ribeiro se tornasse uma das maiores modelos do mundo, a pergunta se ela era indígena, negra ou parda marcou sua ascensão no Brasil. A alcunha de “exótica” em seu país —no exterior, ela sempre foi negra— escondeu por anos a relutância do mercado em ver a sua cor. Hoje, uma das “angels” da grife Victoria’s Secret, ela diz que, “no íntimo”, sabia “ser tudo isso, misturado, ao mesmo tempo”.

A questão de sua cor é só a parte mais visível de um sistema fashion marcado pelo racismo do chão de fábrica à produção editorial. A top conta ter engolido calada as agressões para sobreviver no mercado.

“E quando se é uma modelo negra iniciante, você precisa lidar com o preconceito”, diz Ribeiro. Ela agora se junta às dezenas de tops e profissionais dos bastidores que, desde o início de junho, decidiram encampar em uníssono esse combate nas redes sociais.

​​Na esteira dos recentes protestos antirracistas pelo mundo, eles relataram abusos nos bastidores de desfiles, campanhas e grifes de peso da moda.

Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho foram os primeiros expostos no Instagram da modelo Thainá Santos. Desprezo nas seleções, olhares enviesados dos estilistas e comentários sobre negros “não se encaixarem no perfil da marca” eram recorrentes nos relatos.

Fizeram coro as modelos Camila Simões, Cindy Reis e Natasha Soares, esta última numa live com o fundador da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges. A pauta era racismo, e ela aproveitou para contar sua experiência de silenciamento.

“Existe muito a questão do ‘você é lindo, mas em silêncio’. A gente é chamado para administrar crises. Quando uma marca faz algo racista, ela contrata um negro”, ela disse.

Logo surgiram contas virtuais, como a Moda Racista, que reúne denúncias sem incluir a versão do lado acusado. Marcas como Ellus, Le Lis Blanc, Animale, Riachuelo e Ratier, além do ex-casal de estilistas e seus produtores, entraram na mira dos posts anônimos.

Lourenço entrou na Justiça para tentar derrubar a página. Não conseguiu, mas ganhou o direito de saber a identidade do autor, que excluiu a conta. A semente, no entanto, havia sido plantada, e outras duas páginas passaram a servir de tribunal virtual —o Moda Racista Vive e o Racismo na Moda ainda recebem denúncias.

A ausência de negros nas passarelas não é novidade no país. O que se soube agora foi como essa falta de representatividade se desenrola nas coxias desde que essa indústria se viu obrigada a rever, aos olhos da lei, a imagem branca demais que vendia a um país de ascendência indígena e africana.

Em 2008, este jornal levantou a questão ao cobrir a São Paulo Fashion Week. No ano seguinte, o evento foi obrigado a firmar um termo com o Ministério Público para recomendar às marcas que ao menos 10% dos modelos fossem desses grupos étnicos.

Dois anos depois, houve uma melhora. Mas, dez anos depois, uma nova reportagem concluiu que só marcas menores e independentes cumpriam o dever. Naquele ano, Gloria Coelho, Lino Villaventura, Osklen e Reinaldo Lourenço foram as marcas menos diversas da passarela.

Coelho, que assim como Lourenço não quis se manifestar agora nem então, tinha só 4% dos looks desfilados por negros em 2018. A estilista se limitou a enviar a mesma nota publicada em suas redes logo que as acusações vieram à tona, pedindo desculpas e prometendo rever as suas práticas.

Na época dos primeiros questionamentos, há mais de dez anos, porém, Coelho deu uma opinião. “Na Fashion Week já tem muito negro costurando, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?”

Mas essas “mãos de ouro” também são alvo do racismo.

Uma das primeiras negras modelistas da costura nacional com preparo técnico é Maria do Carmo Paulino. Única negra de sua turma formada em desenho industrial nos anos 1990, ela passou por marcas pequenas até chegar à Ellus. Foram quatro anos na grife até que, diz ela, passou pela “pior experiência da vida”.

Ela teria ouvido o dono da marca, Nelson Alvarenga, dizer que “o chicote vai estalar” se uma peça não ficasse a contento. “Tenho muito respeito por ele, mas lembro que na hora me veio à cabeça aquelas pinturas de escravos acorrentados. Nunca falei nada e só fui entender o que havia passado anos depois”, diz Paulino.​

Ela foi demitida logo depois e passou por outras marcas, mas diz nunca mais ter sido a mesma. Hoje, tem sua própria grife de moda praia, a Duca Duca, e quer dar aulas. Procurada, a Ellus não se manifestou.

Diretor da HDA, a primeira agência só de modelos negros do país, Helder Dias lembra vários casos de racismo. Num deles, seus modelos foram chamados para compor só o cenário de um desfile de brancos. Noutro episódio, diz que os modelos negros foram orientados a entrar pela porta de serviço nos desfiles da Casa de Criadores. Ele conta ter barrado a participação e que recebeu desculpas do evento.

“Nunca os negros foram incluídos. Ganham muito menos do que os brancos”, ele diz.

Os profissionais do mercado às vezes não estão preparados nem para maquiar negros. André Veloso, maquiador de celebridades negras, afirma que por muitos anos levou na mala bases compradas no exterior porque “aqui ninguém se interessava pela beleza negra”.

No calor do debate, as modelos que fizeram as denúncias recentes criaram o coletivo Pretos na Moda para lutar contra o que entendem como uma indústria calcada em dinheiro, poder, contatos e elitismo.

Camila Simões diz que a moda só vai mudar quando aqueles que a fazem hoje “tiverem certeza que não serão cancelados”. “Só vamos descansar quando nossos direitos forem garantidos e quando o verdadeiro Brasil for retratado em todos os âmbitos da moda.”​

Principais anunciantes do Facebook não aderiram ao boicote, diz canal americano CNN

Entre os 25 maiores nomes, apenas três expressaram adesão ao movimento

Principais anunciantes não aderiram ao boicote contra Facebook

Apesar da onda global de boicote de anunciantes ao Facebook, as principais empresas com propagandas na plataforma não aderiram ao movimento. Segundo o canal americano CNN, apenas três dos 25 principais anunciantes da rede social manifestaram adesão: Microsoft, Starbucks e Pfizer. Juntos eles gastaram US$ 2 bilhões na plataforma em 2019, equivalente a 3% da receita do Facebook no período. 

Nomes como Walmart, Wells Fargo, Uber, Netflix, Domino’s, American Express e AT&T, porém, não expressaram publicamente intenções de aderir ao boicote. A rede Home Depot, principal anunciante do Facebook em 2019, afirmou ao canal que está avaliando as medidas que serão tomadas por Mark Zuckerberg – na sexta, 26, ele anunciou mudanças na política de conteúdo

Ainda segundo o canal, mesmo que os 100 principais anunciantes decidam boicotar o Facebook, isso significaria um impacto de apenas 6% da receita – em 2019, a empresa teve quase US$ 70 bilhões em receita. Isso pode explicar porque nesta quarta, 1, as ações da empresa operavam em alta. 

O movimento de boicote, relacionado à campanha Stop Hate for Profit, foi iniciada por grupos de direitos civis dos Estados Unidos. Em uma carta aos anunciantes na quinta-feira, 25, a Liga Anti-Difamação disse que o Facebook se recusou repetidamente a remover anúncios políticos que continham “mentiras flagrantes” e demorou a responder a pedidos de retirada de conteúdo conspiratório.

 Na visão de analistas, o efeito de eco dos anúncios poderá afetar a empresa num futuro próximo. “Dada a quantidade de ruído após o posicionamento da empresa, haverá impacto significativo no negócio do Facebook”, disse Bradley Gastwirth, da corretora Wedbush Securities, em nota a investidores. “O Facebook precisa cuidar desse assunto rapidamente antes que ele entre numa espiral fora de controle.” 

Êxodo de anunciantes vira bola de neve para o Facebook

Grupo de empresas que decidiu retirar anúncios da rede social cresce a cada dia e conta até com o apoio do príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle
Por Tiffany Hsu e Mike Isaac – The New York Times

Mark Zuckerberg é presidente executivo do Facebook

Na terça-feira da semana passada, o presidente executivo do FacebookMark Zuckerberg, participou de uma reunião virtual com alguns dos principais parceiros de publicidade da empresa. As marcas e agências, que começaram a criticar a rede social por sua disposição de manter inalterado e acessível- o discurso de ódio em seu site, estavam pressionando por mudanças. De acordo com cinco pessoas com conhecimento da discussão, a mensagem de Zuckerberg aos anunciantes era clara: não vamos voltar atrás.

Mas, na semana passada, a atitude do Facebook mudou. Gigantes do marketing como Unilever, Coca-Cola e Pfizer anunciaram que estavam interrompendo sua publicidade no Facebook. Esse protesto aumentou, atingindo o bolso da empresa. Para conter os danos, o Facebook começou a realizar reuniões online diárias e a enviar e-mails aos anunciantes para acalmá-los, disseram executivos de publicidade. 

Nick Clegg, chefe de comunicações da empresa, fez uma série de aparições na mídia enfatizando que o Facebook estava fazendo o possível para conter o discurso de ódio. Na segunda-feira, a rede social também concordou com uma auditoria pelo Media Rating Council a respeito de sua abordagem ao discurso de ódio.

Os executivos da empresa continuaram a campanha na manhã de terça-feira com outra videoconferência com os anunciantes, seguida de sessões separadas com empresas holding de anúncios. Na reunião, a chefe de marketing do Facebook, Carolyn Everson, o diretor de políticas públicas, Neil Potts, e o vice-presidente de integridade, Guy Rosen, adotaram um tom mais conciliatório, reconhecendo as preocupações dos clientes quanto aos anúncios que aparecem ao lado de discursos de ódio e informações equivocadas, disseram quatro pessoas com conhecimento do evento.

No entanto, mesmo que o Facebook tenha trabalhado para estancar o êxodo de anúncios, isso está tendo pouco efeito. Executivos de agências de publicidade disseram que mais clientes seus estavam pensando em aderir ao boicote, que agora conta com mais de 300 anunciantes e deve crescer. A pressão sobre os principais anunciantes vem de políticos, supermodelos, atores e até do príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle, disseram eles. Internamente, alguns funcionários do Facebook disseram que também estavam usando o boicote para pressionar por mudanças.

“Outras empresas estão vendo esse momento e estão avançando proativamente”, disse Jonathan Greenblatt, presidente executivo da Liga Anti-Difamação, citando os recentes esforços de Reddit, YouTube e Twitch de remover posts e conteúdos que promovem o discurso de ódio em seus sites. “Se eles podem fazer isso, e todos os anunciantes do Facebook estão pedindo que ele faça, não parece [algo] tão difícil de fazer.”

A pressão dos anunciantes levou os negócios do Facebook a um ponto precário. Embora a rede social tenha lutado com questões como interferência eleitoral e privacidade nos últimos anos, seu enorme negócio de anúncios digitais sempre esteve em alta. A empresa do Vale do Silício nunca enfrentou uma reação pública dessa magnitude por parte de seus anunciantes, cujos gastos representam mais de 98% de sua receita anual de US$ 70,7 bilhões.

“As intenções deles são boas, mas o julgamento é fraco”, disse David Jones, um dos principais executivos de publicidade do Facebook. Jones, que foi um dos fundadores do conselho de clientes do Facebook, um grupo de executivos de publicidade que aconselha a empresa, disse que se a rede social não avançasse mais no [combate ao] discurso de ódio, então “estaria começando a descer uma longa e escorregadia ladeira para ser irrelevante.” 

O Facebook disse em comunicado que havia investido bilhões de dólares em tecnologia e funcionários para classificar o conteúdo [publicado] e que havia concordado com uma auditoria de direitos civis. Ele também disse que baniu 250 organizações supremacistas brancas do Facebook e do Instagram.

A empresa disse que fez investimentos em inteligência artificial que resultaram na remoção de quase 90% do discurso de ódio antes dos usuários denunciá-lo, e pesquisas recentes colocam o Facebook à frente de concorrentes como Twitter e YouTube na avaliação de relatos de discurso de ódio. “Sabemos que temos mais trabalho a fazer”, disse uma porta-voz da empresa. “Nossos princípios não mudaram, mas nossos líderes estão justamente usando o tempo com clientes e outras pessoas para discutir o progresso que fizemos nas principais questões de preocupação.”

Boicote afeta mais a reputação do que os cofres da empresa

O boicote aos anúncios pode, em última análise, causar mais impacto na reputação do Facebook do que em seus balanços. Os 100 principais anunciantes do Facebook gastaram US$ 4,2 bilhões em anúncios no ano passado, ou aproximadamente 6% da receita total de anúncios da empresa, de acordo com dados citados em uma nota de investidor da Stifel. Mais de 70% da receita de publicidade do Facebook vêm de pequenas empresas.

No entanto, as grandes marcas que recuaram são conhecidas e podem criar um efeito de expansão, disseram analistas. Os atuais participantes do boicote gastaram mais de meio bilhão de dólares em publicidade no Facebook no ano passado, de acordo com estimativas da Pathmatics, uma plataforma de análise de publicidade. Parte desse dinheiro pode ir para outros sites como TikTok, Snapchat, Pinterest e Amazon, ou para editores com controles de conteúdo mais fortes, disseram executivos de publicidade.

Os céticos do boicote sugeriram que as empresas participantes estão usando o esforço para desviar a atenção de como seus orçamentos de publicidade foram dizimados pela pandemia do novo coronavírus. E as empresas que se recuaram não estão fazendo isso de maneira tão uniforme.

Empresas como Best Buy e REI planejam interromper sua publicidade paga no Facebook apenas em julho. Outras, como Verizon e HP, disseram que retomarão a publicidade no site assim que o Facebook oferecer melhores soluções para gerenciar o discurso de ódio. Já outras, como Diageo e Starbucks, estão retendo seus gastos em todas as plataformas de mídia social.

No entanto, a perspectiva de um boicote levou o Facebook a trazer Zuckerberg na terça-feira passada para a reunião virtual com anunciantes. Nela, Zuckerberg usou um tom desafiador. Ele discutiu a importância da liberdade de expressão e enfatizou que sua empresa não se curvaria à pressão sobre sua receita, disseram as pessoas com conhecimento da reunião. 

Em algumas reuniões online recentes com executivos de marketing, as autoridades do Facebook tentaram reformular a questão do discurso de ódio como um problema “de todo o setor”, apontando também para o Twitter e o YouTube, disseram três profissionais de marketing que tiveram conversas com o Facebook. A mensagem, disseram essas pessoas, era simples: “Não nos boicote, a menos que você esteja disposto a boicotar a todos”.

Na semana passada, após conversas com o Facebook, a Unilever disse que interromperia a compra de anúncios em todas as mídias sociais, incluindo o Twitter. A empresa, que é um dos maiores anunciantes do mundo, afirmou em comunicado que “continuar anunciando nessas plataformas no momento não agregaria valor às pessoas e à sociedade”.

Uma porta-voz do Facebook disse que reuniões online com anunciantes fazem parte da rotina de relacionamento da empresa com seus profissionais de marketing.

No Facebook, os funcionários usaram o protesto como evidência de que as políticas da empresa em relação ao discurso de ódio precisam mudar. Eles postaram links para stories que são críticas às políticas do Facebook como evidência, de acordo com dois funcionários que viram a atividade.

Na reunião com anunciantes na terça-feira pela manhã, foram tantas pessoas tentando participar da videochamada com o Facebook que o evento acabou atrasando, segundo duas pessoas familiarizadas com o encontro. A empresa discutiu a tecnologia usada para detectar discursos de ódio e seu trabalho com grupos de direitos civis. 

“Realmente parecia que eles entendiam a magnitude do problema e que verdadeiramente queriam consertá-lo”, disse Barry Lowenthal, presidente executivo da agência Media Kitchen, que estava na reunião online. “Eles estavam tentando realmente ser úteis.” / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

J3PO OB-6 Patches: Vintage, Retro, and Beyond – Official Sounds Demo

The J3PO OB-6 Patches: Vintage, Retro, and Beyond — for the DSI/Sequential OB-6 synthesizer.

Você pode comprar esses patches para o seu OB-6 em http://www.j3po.net

Existem 50 patches neste banco e eles serão carregados em 250-299 em seu OB-6. O custo é de $ 35 USD.

Inspirado nos sons de ontem e hoje, este conjunto de patches apresenta tons inspirados nos sintetizadores Oberheim originais, como o OB-X, o OB-Xa, o OB-8 e o Matrix 12. O Banco também apresenta patches de famosos músicas nos gêneros rock, pop, R / nB e soul de artistas como Prince, Rush, Zapp e Roger, Michael Jackson, Toto e muitos outros. Também estão presentes no conjunto patches inspirados em filmes retrô e programas de TV, como Stranger Things da Netflix (música e design de som de Kyle Dixon e Michael Stein). Por fim, o patch bank apresenta tons que talvez sejam considerados mais “contemporâneos”, que eu e meus botões de teclado usaríamos em um ambiente ao vivo: sons inspirados por contemporâneos como Nicholas Semrad, Big Yuki, Christian Almiron, MXXWLL, Cory Henry, The Lição GK e muitas outras. Espero que gostem deste banco de patch, pois foi muito divertido de criar!

00:00 – The Legends: OB-X, OB-Xa, OB-8, Matrix 12 04:19 – Famous Rock tunes of the 80s 06:14 – Famous Pop/RnB/Soul tunes of the 80s 08:46 – 80s Soundtracks/Movies/TV/Scores 14:30 – Yesterday, Reimagined (the sounds of today)

Boicote ao Facebook: veja participantes e entenda o caso

Grandes empresas que pagavam por publicidade declararam boicote contra o Facebook, pressionando para uma mudança na política de remoção de conteúdos odiosos e ofensivos na rede social

Com o boicote do movimento “Stop Hate for Profit”, o Zuckerberg já perdeu mais de US$ 7 bilhões 

Em uma onda global de boicote de diversas empresas ligadas a uma campanha contra a disseminação de publicações com discurso de ódio e desinformação, o Facebook viu, durante a última semana, mais de 400 marcas deixarem de pagar por anúncios na rede social. O movimento é parte da campanha “Stop Hate for Profit”, iniciada por grupos de direitos civis dos Estados Unidos em 17 de junho, que pressiona a empresa em suas políticas de remoção de conteúdo, acusando a rede social de não ser ativa o suficiente na triagem de publicações. Em muitos casos, o boicote passa a valer em 1 de julho. 

Facebook chegou a reunir seus executivos para tratar sobre as reclamações, depois de perceber a tendência crescente entre as marcas, mas decidiu não alterar radicalmente a maneira como seus conteúdos são expostos na rede em um primeiro momento. Na última sexta-feira, 26, após marcas como Unilever e Verizon anunciarem o boicote, Mark Zuckerberg veio a público para esclarecer os termos de uso do Facebook e apresentar novas medidas, como o endurecimento das regras e não tolerância a conteúdos odiosos, por exemplo.

Ainda assim, a iniciativa do fundador do Facebook parece não ser suficiente, já que o movimento continua agariando marcas para parar, ao menos no mês de julho, toda a publicidade feita na rede social. A partir desta quarta-feira, 1, é esperado que mais de 400 marcas deixem de pagar por anúncios. Com o boicote, estima-se que Zuckerberg já tenha perdido mais de US$ 7 bilhões

O boicote

>> Quando ganhou força, o boicote promovido pela “Stop Hate for Profit” já tinha o apoio de marcas como Unilever, Ben & Jerry’s, The North Face e Verizon. Levantamentos da empresa de análise de marketing Pathmatics indicam que a Verizon, empresa de telefonia celular, gastou US$ 1,4 milhão em publicidade no Facebook entre maio e junho. A empresa decidiu encerrar o anúncios na rede social na última quinta-feira, 25.

>> Na sexta-feira, 26, Zuckerberg anunciou, por meio de um post no Facebook, que está proibindo uma nova categoria de publicações com mensagens de ódio, principalmente as relacionadas à alegações de violência e segurança por parte de grupos étnicos e religiosos, por exemplo. Segundo ele, posts de políticos e agentes públicos que violam as políticas da plataforma ainda serão mantidos, mas receberão um selo comunicando de que se trata de conteúdo com relevância jornalística.

>> Depois da declaração, outras marcas também se juntaram ao boicote. A Coca-Cola disse que está suspendendo seus anúncios de várias redes sociais por pelo menos 30 dias, contra o racismo nessas plataformas. A rede americana de café Starbucks afirmou no domingo, 28, que também irá pausar seus anúncios publicitários em todas as plataformas de mídias sociais.

>> Na segunda feira, 29, foi a vez da montadora Ford e da Microsoft aderirem à suspensão de publicidades no Facebook e Instagram, que pertence à empresa. O plano é ficar fora da rede social nos Estados Unidos por 30 dias, mas a Ford disse que pode também rever a decisão para ouras regiões.

>> No mesmo dia, o Facebook revelou que iria se submeter a uma auditoria sobre como controla o discurso de ódio. O Media Rating Council (MRC), empresa de medição de mídia, conduzirá a auditoria para avaliar como o Facebook protege os anunciantes de aparecerem ao lado de conteúdo nocivo e a precisão dos seus relatórios em determinadas áreas. 

>> Adidas, Volkswagen, Honda, VF (fabricante dos tênis da marca Vans), HP e a Pfizer também decidiram paralisar os anúncios na terça-feira, 30. Segundo uma pesquisa da Federação Mundial de Anunciantes, um terço dos 58 principais anunciantes do mundo pretendem aderir ao boicote — no total, eles investem US$ 100 bilhões em marketing. 

>> Ainda na terça-feira, Zuckerberg se reuniu com organizadores do boicote e Carolyn Everson, vice-presidente de soluções globais de negócios, e Neil Potts, diretor de políticas públicas, realizaram pelo menos duas reuniões com anunciantes. Os resultados porém, foram frustrantes, segundo fontes presentes nos encontros disseram à Reuters. “Simplesmente (a empresa) não está se mexendo”, disse um executivo de uma grande agência de publicidade em relação às conversas.

>> Mesmo com o grande números de empresas aderindo ao boicote, os principais anunciantes do Facebook ainda permanecem na plataforma, segundo informou a rede de televisão americana CNN. De acordo com o canal, apenas três dos 25 principais anunciantes da rede social manifestaram adesão: Microsoft, Starbucks e Pfizer. Juntos eles gastaram US$ 2 bilhões na plataforma em 2019, equivalente a 3% da receita do Facebook no período. 

>> Entre as marcas que já decidiram pelo boicote ao Facebook no momento estão: Adidas, Aspen Snowmass, Ben & Jerry’s, Best Buy, Blue Bottle Coffee, Chobani, Coca-Cola, Colgate-Palmolive, Ford, Honda, HP, JanSport, KIND, Levi’s, Madewell, Microsoft, Mozilla, Partake Foods, Patagonia, Pfizer, Pharmavite, Puma, Reebok, REI, SAP, Target, The Hershey Company, The North Face, Starbucks, Unilever, Vans, Verizon, Viber, Volkswagen e Williams-Sonoma.