Lahana Swim | Spring Summer 2020 | Full Show

Lahana Swim | Spring Summer 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Miami Swim Week)

Martin Felix Kaczmarski – Temporal Flame/Moonset Rise

Jessica Biel e Justin Timberlake são pais de novo após gravidez secreta, diz Daily Mail

Informação foi publicada pelo ‘Daily Mail’

Justin Timberlake acompanhou Jessica Biel na première da terceira temporada da série The Sinner, da qual a atriz é protagonista (Foto: Getty Images)

Jessica Biel, de 38 anos de idade, e Justin Timberlake, de 39 são papais pela segunda vez! De acordo com o Daily Mail, o casal deu as boas-vindas ao segundo filho, que nasceu depois da gravidez da atriz ser mantida em segredo. Os dois já são pais de Silas, de 5 anos.

Segundo fontes do Daily Mail, Jessica deu à luz no início da semana depois de manter a gestação completamente longe dos holofotes. Eles estariam em isolamento social em Big Sky, no estado de Montana, nos EUA, durante a pandemia do novo coronavírus.

O casal, que costuma ser bem discreto com relação à vida pessoal, passou por um episódio polêmico de suposta traição do ator e cantor no fim de novembro do ano passado, com a atriz Alisha Wainwright, sua colega de elenco no filme Palmer

Na ocasião, o ator e cantor, que é casado desde 2012 com Jessica Biel, foi visto sem aliança.

Em clima de intimidade, os dois ficaram batendo um papo em na varanda da The Absinthe House, na Bourbon Street, em Los Angeles, e a atriz chegou, inclusive, a descansar seu braço sobre a perna de Justin, em determinado momento. Segundo agências internacionais, os dois ficaram conversando por aproximadamente 40 minutos.

“Eles estavam sorrindo e, em determinado momento, ele agarrou a mão dela e a apoiou no joelho. Ela então gentilmente começou a acariciar sua perna”, teria dito uma testemunha ocular. [Léo Gregório]

Olga Rubio Dalmau for L’Officiel Arabia with Misha Kapustkina

Photographer: Olga Rubio Dalmau Makeup: Ago Benda. Hair: Alvaro Sanchez. Model: Misha Kapustkina at trend Models.

Ligada a debates sobre feminismo e direitos humanos, Brigitte Collet é primeira embaixadora da França no País

Conhecida nos bastidores como ‘embaixadora do clima’, Brigitte COllet tem se preocupado no avanço da covid-19 para a Guiana Francesa Foto: Cleber Caetano/PR

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, provocaram um desconforto na diplomacia quando proferiram, em agosto de 2019, ofensas a Brigitte Macron, mulher do presidente da França. Era o auge de uma crise com Emmanuel Macron, que criticava o Brasil pela onda de queimadas na Amazônia e por ignorar compromissos ambientais. Quase um ano depois, uma homônima da primeira-dama francesa entra na rota da disputa política internacional travada entre os dois governos. Aos 62 anos, Brigitte Collet desembarca em Brasília para ocupar o posto de embaixadora, na condição de um dos nomes mais experientes do Quai d’Orsay, a pasta dos negócios estrangeiros do país europeu.

Ela é o contraponto do bolsonarismo em pessoa. A diplomata francesa de Le Mans, cidade medieval da tradicional corrida automobilística em 24 horas, tem um currículo que causa preocupação no Itamaraty do chanceler Ernesto Araújo. Brigite Collet desenvolveu uma carreira ligada a debates sobre feminismo e direitos humanos. Mas a especialização dela mesmo é na área do meio ambiente e direito internacional. Antes de ocupar a sede da embaixada, a poucos quilômetros da Praça dos Três Poderes, um prédio de concreto armado, cercado de verde, a diplomata foi a principal negociadora da França nas Nações Unidas para acordos sobre mudanças climáticas. 

Nos fóruns internacionais, Brigitte Collet é reconhecida como uma “Embaixadora do Clima”. A diplomacia francesa tem mais dois representantes considerados autoridades na área ambiental e um quarto embaixador apenas para os “oceanos”. Ela acumula passagens pelo comando das embaixadas da Noruega e da Etiópia. Também representou a França junto à União Africana, nos Estados Unidos e no Marrocos e ocupou postos em organismos multilaterais em Viena e Nova York. Formada na Escola Nacional de Administração, está no último posto da carreira no Ministério de Europa e Assuntos Estrangeiros.

Pelas orientações e pelos discursos de Macron, a representante da França no Brasil deverá ser uma vigilante qualificada e in loco, para monitorar, durante a pandemia do novo coronavírus, a atuação do presidente brasileiro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que defendeu “passar a boiada” sobre as regras que protegem a biodiversidade, em especial na Amazônia. Até agora, Brigitte tem buscado a discrição. Ela procura distensionar o clima beligerante que marca a relação entre Bolsonaro e Macron.

Viva a amizade

Sem dar sinais claros sobre o que vai fazer com a “boiada” de Ricardo Salles, Bolsonaro está diante do risco de um triunfo de Macron contra a entrada em vigor do acordo de livre-comércio do Mercosul com a União Europeia. Por vias das dúvidas, o Itamaraty se desdobra nos convescotes a Brigitte desde que o Quai d’Orsay anunciou que ela tinha jogado nas malas seus tailleurs nas cores da bandeira francesa e as roupas e os adereços que remetem à natureza para se mudar para Brasília.

Ainda na França, o embaixador Luís Fernando Serra, um dos mais aguerridos bolsonaristas da diplomacia brasileira, ofereceu a Brigitte, no dia 22 de maio, um almoço na residência oficial em Paris. Estavam lá os embaixadores Frédéric Doré, diretor de Américas e Caribe do ministério francês, e Philippe Lecourtier, presidente do conselho de administração da Câmara de Comércio do Brasil na França.

No dia 28 daquele mês, já no Brasil, a embaixadora levou ao Itamaraty uma cópia de suas credenciais. Pelo protocolo diplomático, seria recebida pelo secretário-geral das Relações Anteriores, embaixador Otávio Brandelli, mas o próprio chanceler Ernesto Araújo decidiu recebê-la. No último dia 14, data nacional francesa pela queda da Bastilha, Araújo gravou um vídeo de homenagem, em francês, e divulgou nas redes sociais. Chegou a entoar a Marselhesa, aquele hino que a torcida da Seleção Brasileira costumou a ouvir antes de derrotas trágicas nas Copas de 1986, 1998 e 2006. 

“Aqui no Brasil, acreditamos profundamente que o tempo da nação não se esgotou, que a era do sentimento patriótico como fonte de liberdade, criatividade e democracia ainda estão conosco”, disse. Brigitte Collet respondeu no estilo francês. “Viva a amizade”, escreveu.

Feminismo

De semblante sempre sério, ela não esconde, porém, ter experiência em ambientes ainda dominados por homens. Nos fóruns internacionais de mudanças climáticas, defendeu maior presença feminina. Recentemente, celebrou uma marcha feminista na França, em que a “fraternidade” deu lugar a outra palavra de ordem do movimento, numa adaptação do lema da Revolução Francesa. “Liberdade, Igualdade e Sororidade”. E também destacou a premiação recebida pela oficial do Exército Brasileiro comandante Carla Araújo, reconhecida como conselheira militar de gênero na missão das Nações Unidas para manutenção da paz na República Centro-Africana. 

Nas únicas duas mensagens que divulgou até agora no Brasil, a embaixadora afirmou que a relação entre Brasil e França é marcada por uma “fascinação” cultural mútua, “dinamismo” econômico e pela fronteira comum, do Amapá com a Guiana Francesa. Ela prometeu “empenho” para reforçar a aliança e aprofundar as trocas e parcerias, em tom protocolar. O discurso aliviou o clima de tensão e expectativa no Itamaraty por sua indicação. A equipe de Ernesto Araújo, segundo uma fonte, disse que seu antecessor, Michel Miraillet, “não deixou saudades”.

Ao receber as credenciais de Bolsonaro no Palácio do Planalto, um rito da diplomacia, no dia 18 de junho, Brigitte Collet parecia pouco à vontade. Pelas imagens divulgadas do encontro, a embaixadora evitou sorrisos. Já o presidente aparentou tentar quebrar o gelo, com seu jeito informal. O diálogo foi breve, mas diplomatas brasileiros interpretaram que ela demonstrou abertura em se aproximar. Coincidência ou não, Bolsonaro também recebeu na cerimônia a nova embaixadora vietnamita, Pham Thi Kim Hoa. Paris colonizou parte do Sudeste Asiático – o Vietnã se tornou independente em 1954, quando a guerrilha do Viet Minh derrotou os franceses em Dien Bien Phu.

A auxiliares e diplomatas, Brigitte Collet afirma ter chegado a Brasília num momento delicado, pela crise sem precedentes da pandemia do novo coronavírus. E, ao contrário do que prega Bolsonaro, orientou os franceses residentes a terem cuidado e tentarem, ao máximo, manter o “confinamento” e o “teletrabalho” em casa a viagens pelo País. Afirmou que as autoridades francesas estão conscientes da situação no Brasil. Ela recomendou que sua equipe e compatriotas mantivessem a “disciplina” que ajudou Paris a superar o auge da pandemia.

Mesmo diante da crise na saúde, a diplomada se movimenta, não necessariamente nos salões bolsonaristas. Ela já se encontrou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), adversário do Planalto, numa visita de cortesia. Também participou de videoconferência com o parlamentar e embaixadores da comunidade europeia. A embaixada prestou ajuda a outras esferas de governo para combater a covid-19 e promete doar recursos ao governo federal para ajuda. A Agência Francesa de Desenvolvimento anuncia que pretende ser um motor da “transição ecológica e social” do Brasil. Já foram repassados cerca de R$ 18 milhões para a prefeitura de Manaus, um dos municípios mais atingidos pela doença, e aos governos do Amapá, do Amazonas do Distrito Federal, com doações de alimentos e itens de primeira necessidade, equipamentos hospitalares e de transporte de pacientes. Uma das preocupações iniciais de Brigitte Collet é com um avanço da covid-19 do Brasil para o território ultramarino francês da Guiana.

Acordo

A embaixadora está entre dois governos sob pressão na área ambiental. Se por um lado Bolsonaro enfrenta uma forte reação de fóruns internacionais e setores exportadores, por outro, Macron viu os adversários verdes avançarem nas recentes eleições municipais francesas. Ele se esforça em discursos em que promete trabalhar em fóruns multilaterais para punir políticos responsáveis pela destruição ambiental no Tribunal Penal Internacional. No mês passado, o francês voltou a falar no “ecocídio” e lembrou ter sido um dos primeiros a defender a tipificação desse crime no momento em que a Amazônia queimava, numa referência ao governo brasileiro. Desde a eleição de Bolsonaro, a França pressiona Brasil pelo cumprimento do Acordo de Paris, de 2015, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Diplomatas e militares brasileiros, no entanto, entoam a antiga crítica de que a França é um dos países mais protecionistas e que se rende ao lobby ruralista no seu parlamento, o que emperrou por anos o acordo político entre Mercosul e União Europeia. E, agora, pode usar o mesmo argumento para paralisar de novo a assinatura de um acordo que já leva duas décadas de tratativas. Da parte de Brasília, no entanto, o momento é de cautela. O temor é que Macron consiga adesão de outros líderes europeus, algo que não conseguiu na crise de 2019, para não apenas emperrar o livre comércio, mas provocar uma fuga de investidores no País.

O embaixador brasileiro Luís Fernando Serra costuma lembrar que a França investe mais no Brasil do que na China, a segunda maior economia do mundo. Os investimentos são da ordem de 30 bilhões de euros. No ano passado, por meio de consórcio, uma empresa francesa, a Engie, comprou por R$ 33 bilhões a participação da Petrobrás na Transportadora Associada de Gás (TAG), com 4,5 mil km de dutos no Nordeste e na Amazônia. Apesar da queda na relação comercial nos últimos anos, há uma presença de cerca de 900 empresas francesas no Brasil, que geram cerca de meio milhão de empregos. Um propulsor do relacionamento é a construção de submarinos para a Marinha, com transferência de tecnologia. Na avaliação de Brigitte Collet, o bom andamento da parceria na área da Defesa é “reflexo da confiança que se torna cada vez mais forte”. Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

Disney adere a boicote e suspende anúncios no Facebook

Empresa foi a maior anunciante dos EUA na rede social no 1º semestre
Suzanne Vranica

A Disney foi a principal anunciante dos EUA no Facebook nos primeiro semestre – Charles Platiau/Reuters

NOVA YORK | THE WALL STREET JOURNAL – A Disney reduziu drasticamente seus gastos com publicidade no Facebook, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, no mais recente revés da gigante da tecnologia em meio a um boicote de empresas por sua forma de lidar com discurso de ódio e desinformação.

A companhia de entretenimento foi a principal anunciante dos EUA na rede social nos primeiro semestre, estima a empresa de pesquisa Pathmatics. A Disney se une a Unilever, Starbucks, Ford e Verizon entre as grandes que interromperam seus investimentos em anúncios na rede social.

Grupos de direitos civis, incluindo a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês), pediram aos anunciantes que interrompessem os gastos com publicidade em julho, sob o argumento de que o Facebook foi omisso em relação a publicações que incitaram a violência de manifestantes que se ergueram contra a morte do segurança negro George Floyd, no fim de maio, nos Estados Unidos.

Algumas marcas decidiram interromper os investimentos por mais tempo. O Wall Street Journal não conseguiu confirmar se o boicote da Disney se limita a este mês.

A empresa suspendeu a publicidade do serviço de streaming de vídeo Disney +, disseram as pessoas familiarizadas com a situação.

O serviço, ainda não disponível no Brasil, teve forte promoção publicitária neste ano e representa uma parte substancial dos gastos da empresa em marketing.

Procurados, representantes da Disney não se pronunciaram.

O Facebook disse investir bilhões de dólares para manter suas plataformas seguras e ter banido 250 organizações de supremacia branca da plataforma e do Instagram, rede social que também lhe pertence.

A empresa também afirmou que seu sistema de inteligência artificial ajuda a localizar quase 90% das publicações com discurso de ódio antes de que sejam denunciadas.

O Facebook gera US$ 70 bilhões em receita anual de publicidade, por meio de mais de 8 milhões de anunciantes.

Twitter diz que hackers baixaram dados de oito contas

Segundo empresa, cibercriminosos tentaram invadir 130 perfis diferentes e conseguiram assumir controle de 45 delas, incluindo as de Gates, Obama e Musk
Por Agências – Reuters

Ataque ao Twitter mostrou fraquezas da rede social

Twitter disse, neste sábado, 18, que hackers conseguiram baixar informações de até oito contas envolvidas na invasão ao seu sistema esta semana, mas que nenhuma delas era verificada. A empresa afirmou ainda, em publicação em seu blog oficial, que os hackers visaram 130 contas. Conseguiram reiniciar as senhas, assumir o controle e tuitar por meio de 45 delas.

Os hackers acessaram os sistemas internos do Twitter para sequestrar algumas das vozes mais influentes da plataforma, como o candidato à presidência dos EUA, Joe Biden, a estrela de televisão Kim Kardashian, o ex-presidente americano Barack Obama e o bilionário Elon Musk, e usá-las para pedir moedas digitais.

Registros públicos mostram que os golpistas receberam mais de US$ 100 mil em criptomoedas. Contas famosas que foram hackeadas incluem também o rapper Kanye West, o fundador da Amazon, Jeff Bezzos, o investidor Warren Buffet, o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, e as contas corporativas de Uber e Apple.

Em seu último comunicado, o Twitter afirmou que os hackers “manipularam um pequeno número de funcionários” para ganhar acesso às ferramentas internas de suporte utilizadas no ataque. A empresa afirmou ainda que estava restringindo alguns dos detalhes do ataque enquanto continua investigando e reiterou que trabalha com os donos das contas envolvidas.

Christy Turlington – Role Model – USA InStyle August 2020

Role Model   —   USA InStyle August 2020   —   www.instyle.com
Photography: Sebastian Faena Model: Christy Turlington Styling: Julia Von Boehm

Fashion week: Gucci escala própria equipe de estilo para desfilar coleção

Alessandro Michele propõe uma reflexão filosófica sobre a moda e seus mecanismos e coloca sua equipe para desfilar as próprias criações
FERNANDA MOURA GUIMARÃES

Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)

O que acontece com os sonhos quando seus mecanismos são expostos? Essa foi algumas das reflexões que Alessandro Michele deixou no ar com seu desfile digital, batizado the GucciEpilogue, apresentado nesta sexta-feira (17) durante programação da primeira semana de moda de Milão em formato virtual. A coleção que marca a saída do calendário sazonal, segundo o estilista, fecha uma trilogia de manifestações que colocam em questão os mecanismos da moda. 

Os questionamentos de Michele — que começaram antes de o mundo entrar na maior crise do século, que levou a indústria da moda a mergulhar profundo não apenas em um mal-estar econômico como existencial — parecem cair como uma luva em tempos de pandemia. Em um mundo em que o ato de se vestir foi despido do sonho, de forma que ficasse apenas o aspecto pragmático do costume, qual o sentido das roupas? Em um mundo arrasado pelas mudanças climáticas e coronavírus, como se justifica a extravagância? Há quem argumente que a moda é a máquina de sonhos escapista (e não esqueçamos também capitalista) que segura, mesmo que vacilante, algumas utopias necessárias para continuar a viver.

Look da Cruise 2021 da Gucci, batizada da Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)

É justamente neste contexto que Alessandro Michele propôs a desconstrução do sonho, dos rituais, dos mecanismos, vícios e hermetismos de uma máquina que se baseia na exclusividade, no inacessível — o que é mais verdade ainda quando falamos em moda de luxo. A jornada que se encerra com esse epílogo de uma trilogia que se iniciou em fevereiro, na temporada de inverno 2020 de Milão. Naquele momento, Michele propôs, numa sacada que hoje parece profética: a reversão do desfile de moda, colocando os bastidores, os métodos por trás da cortina como protagonistas. Nas próprias palavras de Michele: “O que acontece com um ritual quando é profanado? Como reconfiguramos maravilha, epifania e sugestão?”. 

Look da Cruise 2021 da Gucci, batizada da Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)

A pandemia trouxe a segunda parte da trilogia, com a campanha do inverno 2020, produzida em maio deste ano. Para esta, Michele convidou os modelos a fazerem autoretratos vestindo a coleção, abrindo mão da direção. “O que acontece com o produto criativo quando ele escapa à predeterminação?”, provoca, falando sobre este segundo momento. 

E finalmente, o diretor criativo chega ao seu epílogo, que representa não apenas o fim de sua trilogia – talvez essa seja aúltima Cruise da marca –  mas também um momento de divisão de águas para a marca: a Gucci recentemente afirmou que vai se desvencilhar dos calendários oficiais da indústria, do sistema de temporadas, para criar e comunicar suas coleções dentro do seu próprio ritmo.

O projeto deixa claro que chegamos a um ponto de exaustão das coleções “digitais” com vídeos à la campanha de perfume, modelos dançando com roupas caras em frente a uma câmera que não trazem nenhuma identificação. Pior, parecem saídas preguiçosas e falsas. Michele provou, mais uma vez, o que é ser um designer não só alinhado como crítico de seu tempo, subvertendo os formatos digitais que se tornaram o nosso substituto da realidade.

Look da Cruise 2021 da Gucci, batizada da Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
6Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)

A prova é o livestream (sim, mais uma live) que expõe em tempo real os bastidores da campanha que é fotografada hoje em Roma, com maquiadores, assistentes e o próprio Michele aparecendo de tempos em tempos. Por cima dessas imagens, aconteceu o desfile onde a própria equipe de estilo de Michele serviu como modelo. Assim como em fevereiro, Michele celebra o que a moda e a humanidade pós pandemia tentam recuperar: o valor humano e o da colaboração. 

Nesse grande teatro, as roupas parecem perder a relevância. Mas Michele aposta de novo na sua própria criação, na estética que fez da Gucci uma das marcas mais desejadas do momento. Ali estavam as camisas setentistas de gola pontuda, as estampas retrô – além dos florais, Michele traz ótimos conjuntos em paisley colorido – e a logomania kitsch, com seu perfume burguês vintage que se torna cool nas mãos do designer e de sua equipe. Nos acessórios,  reedições de peças que são hit como a horsebit com detalhes em macramê ou em formato bucket de palha, as bolsas Jackie coloridas,  que sem dúvidas se tornarão amuletos de uma Cruise histórica, dignos de colecionador.  

Look da Cruise 2021 da Gucci, batizada da Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
Look da Cruise 2021 da Gucci, batizada da Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)
Look da coleção Gucci Epilogue (Foto: Divulgação)

Marcas buscam ampliar linhas de base para atender diversidade de peles

A indústria da beleza intensifica estudos e investimentos para ampliar suas linhas de base, a fim de abrigar tons de pele de mulheres de diversas raças
Marilia Neustein

Marcas buscam ampliar suas linhas de base para tender diversidade de peles  Foto: Cortesia Dior e MAC

Em meio à pandemia, o combate ao racismo tomou conta das ruas pedindo pelo fim da violência contra a população negra. Nessa discussão, a indústria da beleza também está sendo cobrada por mudanças. Na esteira dos últimos acontecimentos, marcas estão revendo seus produtos, bem como o diálogo com seus consumidores. Mas esse parece ser apenas o início de um longo caminho. 

Segundo a empresa de tendências WGSN, “está claro que ainda há muito trabalho a ser feito. De acordo com um relatório recente da loja britânica Superdrug, 70% das mulheres negras e asiáticas não sentem que são supridas de produtos oferecidos pelas marcas mais comerciais”, afirma Bruna Ortega, especialista em beleza da plataforma. “Como resultado da indústria querendo ser mais inclusiva e menos centrada na pele branca, o mercado mundial de produtos de pele está começando a evoluir, trazendo uma gama maior de cores de base voltada a diferentes tons de pele”, conclui.  

Para o maquiador Ale de Souza, a pluralidade de produtos é central nos dias de hoje. “O Brasil, ao contrário de outros países, ainda está engatinhando nisso. As marcas brasileiras têm que entender que a pele negra é cheia de subtons. Mais de 50% da população brasileira tem tonalidade negra. Ou seja, é um mercado consumidor fervilhante, ávido por produtos específicos.” 

A questão dos subtons da pele negra é realmente um ponto que merece atenção, segundo a consultora de cosméticos Daniele da Mata. “As marcas brasileiras lançam normalmente dez, no máximo 20, tons de base. Desses, quatro são para pele negra.”

A mudança já pode ser notada. A Dior, por exemplo, conta hoje com 40 tons de base. Peter Philips, diretor de Criação e Imagem da Dior Makeup, intensificou a busca por diversidade, afirmando que a linha deveria atender as necessidades de todas as mulheres e se adaptar a todos os tons de pele. A MAC também está comprometida. A família de bases já possui 50 opções de tons. “Revisamos nosso portfólio e adicionamos como resultado de conversas com nossa comunidade de artistas e consumidores. Com base nessas escutas, em 2018 expandimos ainda mais nossa gama, agora com 59 tons”, revela Paola Vorlander, diretora da MAC Cosmetics no Brasil. 

Apesar dos esforços, os investimentos, segundo Daniele, ainda são deficientes e é preciso colocar mais energia. “Conseguimos avançar muito e isso é fruto do posicionamento de marcas internacionais que colocaram no seu DNA a diversidade. Entretanto, ainda temos muita falta de representatividade negra na indústria em geral”, conclui.