Mulheres são pressionadas a usar roupas mais atraentes e maquiagem no home office, diz pesquisa da Slater and Gordon

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Estudo feito no Reino Unido mostrou que empregadores estão pressionando funcionárias a mudar a aparência para parecerem mais sensuais em reuniões virtuais com clientes sob justificativa de ‘ser melhor para os negócios’
O Globo, com informações do ‘Independent’

Mulheres que estão trabalhando em casa por causa da pandemia de Covid-19 têm sido pressionadas por seus empregadores a vestirem roupas mais atraentes e a usar mais maquiagem nas reuniões via teleconferência Foto: Vinzent Weinbeer por Pixabay

Uma pesquisa feita no Reino Unido apontou que mulheres que estão trabalhando em casa por causa da pandemia de Covid-19 têm sido pressionadas por seus empregadores a vestirem roupas mais atraentes e a usar mais maquiagem nas reuniões via teleconferência.

O estudo, feito pelo escritório especializado em direito trabalhista Slater and Gordon, mostra que mais de um terço das mulheres entrevistadas ouviram pedidos para colocar mais maquiagem e arrumar o cabelo e 27% foram pressionadas a se vestir de forma mais sexy e provocativa nas reuniões.

Os empregadores justificaram os seus pedidos para que as funcionárias se vistam de maneira mais sedutora, alegando que isso “ajudaria a conquistar novos negócios.” Cerca de 40% dos chefes explicaram a demanda dizendo que é importante “parecer melhor para a equipe”, enquanto mais de um terço disse que seria “mais agradável para o cliente”.

Os pedidos fizeram as funcionárias se sentirem objetificadas, desmoralizadas e constrangidas sobre sua aparência. Advogados envolvidos na pesquisa alertaram que a misoginia encontrou “maneiras novas e insidiosas de prosperar” on-line, pois muitos funcionários começaram a trabalhar remotamente após a emergência de saúde pública.

Cerca de 40% das mulheres entrevistadas disseram que elas mesmas ou outras colegas com quem trabalham sofreram esse tipo de pressão, enquanto os colegas homens não foram afetados pelas demandas.

Um quarto das entrevistadas disse que gasta mais tempo do que gostaria em seu regime de beleza devido ao medo de afetar negativamente sua carreira caso não o faça. Cerca de 60% das mulheres optaram por não informar o setor de recursos humanos das empresas onde trabalham sobre as exigências de se vestir de maneira mais sensual.

“É categoricamente errado que um gerente ou qualquer pessoa em posição de poder sugira, mesmo educadamente, que uma mulher seja mais atraente sexualmente no local de trabalho”, afirmou a advogada trabalhista Danielle Parsons, uma das responsáveis pela pesquisa, ao “Independent”.

Ainda segundo a pesquisa, mais de um terço das mulheres entrevistadas teve que encarar pelo menos uma demanda sexista no trabalho desde que o governo britânico introduziu o confinamento, em março. O estudo entrevistou 2.000 pessoas que estão trabalhando em casa devido ao coronavírus.

Um quarto das mulheres expressou ansiedade sobre o efeito que isso poderia ter em sua carreira, caso escolhessem não seguir as exigências do empregador em mudar a aparência. Apenas um terço conseguiu se defender e apontar que as observações durante as reuniões eram inadequadas.

“Esta é uma forma poderosa de coerção que faz com que as mulheres sintam que precisam seguir a solicitação do gerente de serem mais ‘agradáveis visualmente’ para terem sucesso em seu trabalho. Isso é humilhante para as mulheres”, explica a jurista.

“É extremamente decepcionante o fato de ainda estarmos tendo essas conversas, principalmente durante o período em que as mulheres fazem malabarismos com vários papéis em casa e também podem estar enfrentando dificuldades com as responsabilidades de cuidar dos filhos. Esse tipo de comportamento arcaico não tem lugar no mundo do trabalho moderno”, completou.

Vivienne Hayes, diretora-executiva do Centro de Recursos para Mulheres do Reino Unido disse ao “Independent” que os resultados refletem crenças sexistas prejudiciais:

“É muito decepcionante que as mulheres continuem sendo vistas principalmente pelos homens por sua disponibilidade e conveniência sexual ou como mercadorias para melhorar os negócios. Até desenterrarmos essa misoginia da sociedade, não vejo muita mudança.”

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