CCBB lança mostra digital sobre cinema egípcio, com 24 filmes inéditos

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Iniciativa exibe longas de diversos gêneros, desde premiados sucessos comerciais até trabalhos experimentais independentes
Bruno Calixto

‘O elefante azul’ Foto: Divulgação

RIO — Onde foi parar a cultuada estátua de Ramsés, que deu nome a uma praça no Cairo? Qual é o maior sucesso de bilheteria da história do cinema egípcio? Como foi a atuação das mulheres egípcias nas manifestações que culminaram numa revolução em janeiro de 2011? Essas são perguntas respondidas por alguns dos 24 filmes reunidos na 2ª edição da “Mostra de Cinema Egípcio Contemporâneo”, aberta nesta quarta-feira (29/7).

A primeira mostra 100% digital promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) exibe premiados sucessos comerciais e trabalhos experimentais independentes de temáticas pouco debatidas, com um panorama da produção cinematográfica do Egito nos últimos dez anos.

— Trata-se de um painel da cultura do Egito. É a chance para aproximar o espectador do Brasil com o povo do meu país, as ruas do Cairo e a música que permeia o nosso dia a dia, tudo isso sob a ótica de uma nova leva de cineastas, incluindo muitas mulheres — destaca o curador Amro Saad, egípcio naturalizado brasileiro.

São longas inéditos realizados entre 2011 e 2019, entre documentários e ficções de diversos gêneros — da comédia ao terror —, além de palestras, debates e workshops. Tudo gratuito e transmitido, até 23 de agosto, pelo site www.cinemaegipcio.com.

Na abertura, nesta quarta-feira às 20h30, será exibido o documentário “Para onde foi Ramsés?”, de Amr Bayoumi (2019), sobre a transferência da grandiosa estátua de Ramsés da praça que recebeu o seu nome, uma das maiores do Cairo, até seu novo local, o Museu Egípcio, que também fica na capital. Mas antes, às 19h, o diretor e Amro Saad participam de uma live, com tradução simultânea, seguida de um show da banda Mazaher, que fez a trilha de “Para onde foi Ramsés?”.

— O curioso sobre este filme do Bayiumi, que nasceu no Centro de Cairo, é que ele foi rodado em 2004 mas só 15 anos depois ficou pronto. Na live, ele vai contar o porquê. Foi escolhido para iniciar a mostra em razão do vínculo que o realizador faz entre sua narrativa pessoal e aspectos do âmbito coletivo, com foco em política, economia e mudanças sociais da sua cidade Natal — adianta o curador.

Entre outros destaques da programação, Amro Saad sugere o filme de terror “O elefante azul 2”, de Marwan Hamed (2019), o maior sucesso de bilheteria da história do cinema egípcio; o documentário “Joana d’Arc egípcia”, da cineasta Iman Kamel (2016), que discute as experiências das mulheres egípcias após a revolução de janeiro de 2011; a comédia “Como um palito de fósforo”, de Hussein Al Imam (2014), que homenageia as grandes estrelas da era de ouro do cinema egípcio; e o documentário “Eu tenho uma foto”, de Mohamed Zedan (2017), que conta a história do cinema egípcio através da trajetória de Motawe Eweis, figurante que trabalhou em cerca de mil filmes, desde os anos 1940 até hoje.

— Quisemos também ressaltar as cineastas mulheres, que têm uma presença expressiva nesta cena do cinema atual do país. Em “Joana d’Arc egípcia”, por exemplo, Iman Kamel apresenta o diário perdido de uma garota beduína (Jeanne) que inspirou sua jornada, traçando um paralelo com as experiências das mulheres egípcias após a revolução de janeiro de 2011. Na trama, Kamel decide encontrar Jeanne se conectando com outras sete artistas egípcias — acrescenta Saad, citando ainda as diretoras Hala Lotfy, de “Saída para o sol” (2012), e Nadine Khan, de “Caos e desordem” (2012).

Vencedor de vários prêmios internacionais, incluindo o de Melhor Filme no Festival de Cinema Africano de Milão, em 2013, “Saída para o sol” conta a história cotidiana de duas mulheres que cuidam de seu familiar doente.

Para assistir, basta fazer um cadastro com o número do CPF. Todos os dias serão exibidos dois filmes, sendo que cada um deles passa duas vezes, em horários e dias diferentes, com direito sessões inclusivas (legenda descritiva ou audiodescrição).

— Antes da pandemia, a gente já pensava no uso da tecnologia para ampliar ainda mais nosso alcance. Isso, infelizmente, tornou-se urgente e, hoje, resulta nesta mostra totalmente on-line. Um marco porque além de continuar mantendo contato com o público, expandimos para além de toda e qualquer fronteira — comenta a diretora do CCBB-RJ Sueli Voltarelli, sugerindo uma visita virtual 360 graus na exposição sobre o Egito Antigo, disponível no site www.culturabancodobrasil.com.br.

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