Arquiteta Amanda Lepski troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso

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Com traços leves e coloridos, as colagens proporcionam uma apresentação criativa e visualmente atrativa
RAFAEL BELÉM | FOTOS ARQUIVO PESSOAL

Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)
Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)

A representação gráfica é um dos momentos mais importantes para todo projeto de arquitetura. Afinal, é nele onde devem estar todas as informações sobre a obra, com especificações e detalhamentos do que irá ser executado para além do papel (ou dos softwares). Nas últimas décadas, o surgimento de plataformas como AutoCAD, SketchUp e Revit facilitaram – e muito – o trabalho de arquitetos ao criarem modelagens e renderizações para seus projetos, otimizando tempo e entregando resultados mais realistas. Mas estariam elas também “engessando” o modo como cada obra pode ser apresentada? 

É o que reflete a arquiteta Amanda Lepski, de Campinas, interior de São Paulo. Saturada com as representações gráficas feitas com renderizações tridimensionais, ela aproveitou o tempo livre que ganhou na quarentena para desenvolver um método menos usual, mais criativo e artístico: as colagens. Trabalhadas com traços leves e coloridos, elas mostraram-se uma ferramenta interessante capaz não apenas de dar forma aos projetos, mas também de proporcionar uma apresentação visualmente atrativa e encantadora.

Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)
Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu acho que o render 3D, se não for bem elaborado, pode resultar em imagens enganosas, causando uma expectativa muito grande nos clientes, já que na realidade as coisas não funcionam tão bem quanto em um programa de computador“, afirma Amanda em entrevista à Casa Vogue. “Já a utilização de colagens estimula a imaginação do observador e não limita o projeto à uma imagem.”

Após compartilhar suas primeiras criações nas redes sociais, Amanda foi surpreendida pela reação positiva dos colegas de profissão. Entre comentáiros entusiasmados e elogiosos, muitos ficaram surpresos com caminhos possíveis a partir das colagens. “Alguns arquitetos acreditam que o render ainda é a melhor opção, mas a maioria adorou esse tipo de representação e inclusive tem muita curiosidade em aprender e incluir essas colagens em seus escritórios”, pontua. “Precisamos desconstruir essa ideia de que só o render realista é o ideal”.

Como iniciou o seu interesse pela representação dos projetos através de colagens? O que lhe motivou a recorrer a elas?
Devido a pandemia de Covid-19, aproveitei o tempo livre e fui em busca de novos aprendizados. Decidi explorar um lado da representação gráfica que eu sempre admirei, mas não estava acostumada a produzir e nem ver no dia a dia dos arquitetos. O que mais me motivou foi a vontade de inovar, fazer diferente do tradicional.

Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)
Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)

Quais possibilidades novas você descobriu durante esse processo?
Principalmente alavancar a criatividade. Com as colagens eu consigo adicionar elementos aos poucos e ir construindo a imagem, sem muita regra. Consigo me expressar melhor e aflorar o meu lado artístico.

Para você, qual a vantagem em usar a ilustração em vez de render 3D?
Eu acho que o render 3D, se não for bem elaborado, pode resultar em imagens enganosas, causando uma expectativa muito grande nos clientes, já que na realidade as coisas não funcionam tão bem quanto em um programa de computador. Já a utilização de colagens estimula a imaginação do observador e não limita o projeto à uma imagem.

Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)
Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)

Como tem sido a reação dos clientes com esse tipo de abordagem?
Ainda não tive a oportunidade de apresentar a ilustração como parte de um projeto executivo para um cliente. Mas fiz uma postagem no Facebook em um grupo de arquitetura, perguntando se esse tipo de representação agrada tanto quanto um render realista. Alguns arquitetos acreditam que o render ainda é a melhor opção, mas a maioria adorou esse tipo de representação e inclusive tem muita curiosidade em aprender e incluir essas colagens em seus escritórios. Devido esse feedback de profissionais mais experientes que eu, acredito que as colagens seriam bem aceitas, mas como tudo que é novo, precisamos desconstruir essa ideia de que só o render realista é o ideal.

Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)
Arquiteta troca render realista por colagens artísticas e faz sucesso (Foto: Arquivo Pessoal)

Quais programas você utiliza para chegar a esse resultado? Qual o nível de dificuldade e quanto tempo leva?
Primeiro elaboro os projetos no AutoCAD e faço o 3D no SketchUp, depois faço a pós-produção no Photoshop, que é onde toda a mágica acontece. Em relação a dificuldade, é muito relativo, eu me divirto fazendo e nem vejo o tempo passar. Em vez de difícil, acho que podemos dizer que é trabalhoso. Para um projeto que já está pronto, com desenho 2D e 3D, demoro aproximadamente 10 horas para produzir as colagens.

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