Lais Ribeiro apresenta primeiro reality de modelos apenas com participantes trans

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‘Born to Fashion’ estreia em 13 de agosto no E! Entertainment
Mariana Coutinho

Lais experimenta sua primeira experiência na TV Foto: Instagram

No primeiro episódio, um casting nos apresenta às participantes do novo reality show de moda apresentado pela top Lais Ribeiro. Em uma competição acirrada, dez modelos são selecionadas para viver em uma casa e enfrentar desafios semanais em busca de uma chance no mundo da moda. O que elas têm em comum além da beleza e dos sonhos com a passarela? São todas mulheres trans. ‘Born to Fashion’ estreia no dia 13 de agosto, às 22h, no E!  Entertainment com uma proposta de inclusão.

Primeiro reality brasileiro do tipo apenas com participantes transgênero, o programa tem como jurados a atriz, cantora, compositora e roteirista trans Alice  Marcone,  que  atuou  também como  consultora,  o renomado maquiador André Veloso e a estilista Lila Colzani.

Bastidores de 'Born to Fashion' Foto: Instagram
Bastidores de ‘Born to Fashion’ Foto: Instagram

Alguns episódios contarão, ainda, com as presenças do estilista Alexandre Hertchovich, da jornalista Patricia Carta e da diretora da JOYModel Liliana Gomes. Depois de dez episódios, a grande vencedora ganha um contrato de um ano com a JOYModel e a capa digital de uma renomada revista de moda.

Em entrevista exclusiva a Ela Digital, Lais Ribeiro comenta sua primeira experiência na TV e reflete sobre como o reality pode quebrar barreiras para mulheres trans na indústria da moda. Confira a conversa abaixo.

No dia 3 de agosto, às 16h, a top bate um papo ao vivo com a editora da Revista Ela, Marina Caruso, sobre carreira e diversidade na moda dentro da programação do Veste Rio. A live acontece no Instagram (@vesterio).

Como surgiu o convite para apresentar o programa? Você já tinha vontade de fazer alguma coisa na TV?

A equipe do canal E! entrou em contato com meu time de agentes, e foi assim que começamos a conversar sobre o projeto do Born to Fashion. Eu tinha vontade sim de fazer algo na TV, e tinha recebido algumas propostas, mas quando ouvi sobre este projeto – tão nobre e que abre este espaço tão necessário no mercado – tive a certeza de que era a hora certa de seguir em frente, e por isso resolvi topar.

Como acha que o ‘Born to Fashion’ pode impactar a comunidade trans brasileira?

Eu acredito que toda forma de visibilidade, quando é didática e trata o tema com respeito, tem o poder de mudar a percepção das pessoas. Informa-las é também transforma-las. Mostrar a realidade dessas mulheres, contar suas histórias e deixar que seus talentos floresçam, tem um poder transformador. É uma forma de abrir portas e estamos muito empenhados para que este programa provoque uma mudança verdadeira por inclusão e pelo respeito à diversidade.

Lais nas gravações de 'Born to Fashion' Foto: Instagram
Lais nas gravações de ‘Born to Fashion’ Foto: Instagram

Quais foram seus maiores desafios como modelo?

Eu saí de Miguel Alves ainda jovem, e deixei para trás tudo que representava ser o meu porto-seguro, para poder enfrentar novos desafios. Sem dúvidas, o maior deles foi ficar distante do meu filho no início da carreira, mas eu sempre soube que era principalmente por ele que eu estava indo em busca de novas oportunidades, e foi isso que me moveu desde o início.

Que desafios acha que as mulheres trans enfrentam na indústria?

As mulheres trans enfrentam desafios muito maiores, porque precisam lutar contra o preconceito de toda a sociedade para poderem ter suas vozes ouvidas e para conquistarem seus espaços. É uma luta diária para elas, principalmente em países onde ainda são mortas e desrespeitadas simplesmente por serem quem são.

O que o público pode esperar do reality?

O reality busca mostrar que elas tem talentos incríveis e que devem ser ouvidas. Buscamos contar suas histórias, tudo o que as move e dar voz e espaço para que elas conquistem seu merecido espaço, não somente na moda, mas na sociedade de uma forma geral. O público poderá acompanhar histórias de vida muito inspiradoras, e verão mulheres fortes e que tem talento para ocuparem o espaço que quiserem.

Além dos tabus de gênero, acha que o programa pode tocar em outros temas importantes e que devem ser debatidos no mundo da moda? A questão racial é também apontada por algumas participantes, por exemplo.

O reality é focado na quebra de preconceitos em torno da identidade de gênero, através de um elenco bastante diverso, que enriquece a produção com histórias de vida e desafios pessoais dos mais variados tipos, então as questões raciais também fazem parte da história dessas mulheres. O tema central é a inclusão, de todos os tipos de beleza.

Há participantes com histórias de vida difíceis, que passaram por preconceito, violência e até precisaram se prostituir. Como foi para você conhecer essas histórias?

Para mim, foi muito transformador e inspirador estar em contato com todas as candidatas. Muitas delas têm histórias de vida onde precisaram enfrentar desafios enormes para poderem estar onde estão. Eu me emocionei muito ouvindo o que cada uma tinha a dizer.

O que te surpreendeu na gravação do programa?

Foi uma experiência muito especial. A dinâmica de um programa de TV é bastante diferente da moda. Ficamos meses gravando diariamente. É um projeto onde você se doa de corpo e alma. Foi um período muito intenso e que me fez evoluir bastante, não somente na profissão, mas principalmente me colocou em contato com questões e com pessoas que transformaram a minha vida.

Para onde vai o mundo da moda, na sua opinião? Como ele pode abraçar a inclusão de verdade?

O mundo tem a obrigação de representar e respeitar toda a diversidade do ser humano. É uma questão que diz muito sobre respeito e empatia, sobre direitos humanos. Não podemos tolerar qualquer tipo de discriminação e nem de exclusão. É um processo de evolução, todos precisam estar atentos e se empenhar para que seja genuíno e verdadeiro.

Quais são seus próximos projetos? Pode contar?

Eu estou cumprindo o distanciamento social por conta da pandemia, então por enquanto tenho estado bastante com a minha família. Estamos juntos nos Estados Unidos e nos resguardando o máximo possível. Os trabalhos tem acontecido de formas diferentes, como por exemplo através dos ensaios à distância, por vídeo chamada, e outras ferramentas que permitam conciliar o trabalho com a necessidade de cuidados deste momento que vivemos. Também tenho buscado usar este tempo para me dedicar às ações sociais que ajudam os mais vulneráveis, afinal é um momento para que a gente entenda que é muito importante cuidar do próximo e do coletivo.

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