12 clássicos esquecidos de bandas New Wave lideradas por mulheres

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Para uma geração de mulheres cujas vozes não eram quase ouvidas, o clima de ‘qualquer um consegue’ do punk se tornou um estímulo; essas músicas revelam uma história oculta do pop feminino
Doug Brod, The New York Times

Suzanne Fellini – Love On The Phone (1980, Vinyl) | Discogs

punk começou como uma reação à suavidade e grandiloquência da classe dominante do rock. E os estilhaços da sua explosão na década de 1970 desencadearam uma outra explosão de criatividade, colorida por um espectro de texturas, estilos e ideias. Os Ramones e os Sex Pistols lideraram a nova onda, mas coube a bandas como Police, Cars e Talking Heads inserirem elementos da estética punk para a música convencional. Embora essas bandas New Wave fossem mais refinadas, parte da agressividade e do espírito de 76 permaneceu.

Para uma geração de mulheres cujas vozes não eram quase ouvidas, o clima de “qualquer um consegue” do punk se tornou um estímulo. Resultado: o funkys, os punks pós grunhidos, e as criadoras de sucessos, excêntricas e usando luvas de renda, da Grã-Bretanha, se combinaram numa paisagem sonora que floresceu com base na ousadia.

Mas para cada Kate Bysh, Blondie, Bow Wow Wow ou Go-Go, havia muitas artistas menos conhecidas que exalavam um glamour abusado, usando ombreiras e penteados tipo colmeia, com frequência combinados com insolência e sagacidade. As 12 músicas abaixo revelam uma história oculta do pop feminino.

The Cosmopolitans, ‘(How to Keep Your) Husband Happy’ (1980)

Com o som agudo do sintetizador Farfisa, seu modo de cantar com sotaque sulista e gritante, o ritmo frenético, esta faixa que era uma novidade se assemelha muito ao grande Lado-B perdido do B-52. O pioneiro do jangle pop e futuro produtor da banda REM, Mitch Easter, ajudou na guitarra e bateria quando Jamie Sims Nel Moore leram as 13 regras reais na contracapa do álbum instrucional de 1964 feito para uma personalidade do fitness na TV, Debbie Drake. O kitsch raramente soou tão subversivo.

Nervus Rex, ‘Don’t Look’ (1980)

O pop de linguagem agressiva de Blondie no início pode ser visto nesse número escaldante, em parte graças ao produtor Mike Chapman, que gravou o grande sucesso Parallel Lines com o grupo de Debbie Harris dois anos antes. Embora a banda tenha desaparecido, a compositora e cantora Shaun Brighton alcançou um modesto sucesso como membro das Puppets, cujo sucesso de eletro-dance, que foi o único, The Way of Life, ainda era tocado em rádios new wave em torno de 1983. E sua colega de banda Lauren Agnelli mais tarde usou um boné e tons escuros na banda beatnik revival Washington Squares.

The Waitresses, ‘No Guilt’ (1982)

Apesar de ser mais conhecido pelo alegre Christmas Wrapping, a produção de I Know What Boys Like e a música tema da novela Square Pegs, “este sexteto criado em Akron, Ohio chegou ao seu auge com esta declaração de alegria pós-romântica. Uma batida de rock, sons de sax e um solo de harmônica que surge do nada respaldam a interpretação adoravelmente blasé de Patty Donahue enquanto ela faz um balanço de tudo o que aprendeu e realizou desde que seu ex foi embora. Poucas partidas foram mais engraçadas ou mais acerbas.

Holly and the Italians, ‘Tell That Girl to Shut Up’ (1981)

É fácil ver porque Joey Ramone trouxe Holly Beth Vincent para o grupo. O primeiro e único sucesso dela, uma ameaça à mulher que roubou seu namorado, é apresentada como prelúdio para o Beat on the Brat dos Ramones. Dos versos simples ao coro e à ponte no estilo Elvis Costello, tudo é finamente calibrado pelo produtor Richard Gottehrer, que também trabalhou com Blondie e as Go-Gos. Não só a sua banda fez a abertura do show dos Ramones, mas Vincent também fez um dueto com Joey num remake de I Got You Babe, de Sonny and Cher.

Rachel Sweet, ‘New Rose’ (1980)

No seu segundo álbum, lançado quando ela tinha somente 17 anos, essa garota do Meio Oeste convincentemente foi capa do clássico de 1976 Damneds, sobre a glória do movimento punk britânico aburguesado, Curiosamente, sua versão substituiu o riff de abertura em que ela usa flautas estilo Ronnie Spector para a música. E talvez mais estranho, depois de deixar o campo da música, Sweet passou a escrever e produzir séries de TV, incluindo 2 Broke Girls e The Goldbergs.

Pearl Harbor and the Explosions, ‘Shut Up and Dance’ (1980)

Foi ideia de Pearl E. Gates, que antes havia trabalhado com os roqueiros do Tubes, the Explosions, realizar um álbum em um selo importante apresentando este hino memorável, quase punk que, poderia ser um X mais saltitante. Depois da implosão da banda, Harbor mudou-se para a Inglaterra, adicionou um U ao seu último nome, gravou um álbum solo retrô dos anos 60 e casou-se com o baixista do Clash, Paul Simonon.

Spider, ‘New Romance (It’s a Mystery)’ (1980)

Um típico flerte dos anos 80 – e chateada porque durou só uma noite – a cantora se apaixona por alguém que a convida para dançar – eis a base para uma canção tão melodiosa que tem dois pré-refrões. Amanda Blue canta seu sucesso com uma atenção aguda aos detalhes: ouça seus soluços na segunda sílaba de “mistério”. Mas a tecladista Holly Knight que escreveu a música com o baterista Anton Fig (banda do programa de David Letterman) era a arma secreta do grupo. Entre seus êxitos, ela ajudou a escrever Better Be Good To Me (do segundo álbum de Spider) contribuiu para o retorno de Tina Turner e nas mãos de AnimotionObsession se tornou o que há de melhor do pop de Patrick Nagel.

Robin Lane & the Chartbusters, ‘Don’t Cry’ (1980)

A ex-intérprete de folk Robin Lane, que liderou este quinteto baseado em Boston (que contava com dois ex-membros do Modern Lovers), rechaçou a alegria flagrante da new wave e preferiu o arrebatamento mais sombrio. Seus vocais nesta faixa, desde o seu álbum de estreia, acrescentam a quantidade de melodrama para compensar uma melodia brilhante que lembra Tired of Waiting for You, dos Kinks.

Josie Cotton, ‘Jimmy Loves Maryann’ (1984)

Josie Cotton, de Dallas, fez muito barulho em 1982 com seu provocativo Johnny Are You Queer?. Dois anos depois, ela lançou este sucesso, uma atualização inventiva de um sucesso do jazz-rock de 11 anos antes, Looking Glass, substituindo o clima suave da música original por um riff de sintetizador glacial. Enquanto ela narra um romance difícil numa voz forte e ocasionalmente alegre, a música é animada pela guitarra de Lindsey Buckingham, emprestado de cortesia pela banda Fleetwood Mac, e mais a percussão.

The Passions, ‘I’m in Love with a German Film Star’ (1981)

Não está exatamente esquecida e foi apresentada pelos Foo Fighters e aparece num jogo, Grand Theft Auto – mas está música pertence basicamente a qualquer lista de cantoras da era por ser uma das mais deslumbrantes músicas pop de qualquer gênero. Vocais suaves e sussurrantes de Barbara Gogan são acompanhados pela guitarra de Clive Timperley, o último dos roqueiros de pub londrino , que também apresentou Joe Strummer do Clash. A música é sobre a paixão dela por um roadie da banda que também atuou e era visto “sentado num canto em roupas imperfeitas/tentando não posar para as câmeras e as garotas”. Também vale a pena ouvir e ver no YouTube: Filmstar Rockin, da Go Home Productions, que brilhantemente mistura este single com Rock’n Me da banda de Steve Miller.

Pulsallama, ‘The Devil Lives in My Husband’s Body’ (1982)

Eis aqui a música que finalmente responde à pergunta: Pode haver algo com tanta campainha? Uma banda com uma percussão agressiva, Pulsallama surgiu na cena do clube 57 em Manhattan, dos vestidos de coquetel e das perucas malucas e que por um tempo contou com a atriz Ann Magnuson entre os frequentadores. Sua extraordinária ode à perturbação suburbana, como seu refrão hilariantemente desafinado, prova que a aventura rítmica de uma pessoa pode ser “um disparate que soa mal aos ouvidos” de outra pessoa. Sobre o som do baixo e a bateria opressiva, nossa narradora relata a história do seu errático marido, que ela descobre ladrando no porão. Apesar de a bruxa da porta ao lado sugerir que ele está possuído, ele é diagnosticado com uma doença mental incurável, com a música terminando de modo tão desagradável que muitas postagens negativas da música apareceram no YouTube.

Suzanne Fellini, ‘Love on the Phone’ (1980)

 Elogiando as virtudes do namoro pelo telefone, Suzanne gravou talvez a mais relevante e prática das músicas de uma playlist de quarentena. “É tão difícil quando estou me sentindo quente e tudo o que desejo é o telefone”, brada a autora enquanto um combo de rock muito alto, apresentando Sid McGinnis, cria um tumulto em torno dela. Mickey, de Toni Basil, pode ter tocado Love on The Phone por um ano, mas esta música que não sai do ouvido, agressivamente tonta e insidiosamente esquecida (aparece em 87º lugar na lista da Billboard) é memorável.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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